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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.15 no.1 Porto Alegre  2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722002000100018 

Um Estudo sobre as Formas de Preconceito contra Homossexuais na Perspectiva das Representações Sociais

 

Marcos Lacerda 1, 2
Universidade Federal da Paraíba
Cícero Pereira
Universidade Católica de Goiás
Leoncio Camino
Universidade Federal da Paraíba

 

 


Resumo
Este artigo analisa, na perspectiva das representações sociais, as formas como estudantes universitários expressam o preconceito contra homossexuais e a relação desse preconceito com as explicações da homossexualidade. Para tanto, aplicaram-se questionários a 220 alunos de uma universidade pública da cidade de João Pessoa. Os resultados permitiram classificar os estudantes em uma tipologia composta por três grupos de indivíduos: preconceituosos flagrantes, preconceituosos sutis e não preconceituosos. A análise da ancoragem social do tipo de preconceito apresentado pelos estudantes mostrou que os preconceituosos flagrantes se opuseram às explicações psicossociais (próprias das mulheres e dos estudantes de psicologia) e aderiram mais fortemente às explicações ético-morais e religiosas (próprias dos estudantes de engenharia). Os não preconceituosos estudam psicologia e aderem às explicações psicossociológicas. Já os preconceituosos sutis explicaram a homossexualidade a partir de causas biológicas e psicológicas, próprias dos estudantes de medicina e das mulheres.
Palavras-chave:
Representações sociais; preconceito; homossexualidade.

A Study of Prejudice Forms against Homosexuals Anchored on Social Representations

Abstract
This paper analyses, in terms of social representations, the way university students express their prejudice against homosexuals and how this prejudice relates to explanations concerning homosexuality. Questionnaires were used with 220 students of a public university in João Pessoa city. The results led to a classification of the students into three different groups: flagrantly-prejudiced, subtly-prejudiced and non-prejudiced. The analysis of the social anchorage of the students' type of prejudice revealed that the flagrantly-prejudiced group opposed the psycho-social explanations (typical of women and psychology students), more strongly adhering to ethical-moral and religious explanations (characteristic of engineer students). The non-prejudiced were students of Psychology and adhered to psycho-sociological explanations, whereas the subtly-prejudiced explained homosexuality in terms of biological and psychological causes (explanations typical of medical students and women).
Keywords:
Social representations; prejudice; homosexuality.


 

 

Nas últimas décadas, os países ocidentais desenvolveram normas que coíbem a discriminação explícita contra grupos minoritários (McConahay, Hardee & Batts, 1981; Wittenbrink, Judd & Park, 1997). Por exemplo, na maioria dos países o racismo é formalmente proibido e qualquer manifestação racista é desencorajada (Santos, 1999). Mesmo assim, observa-se um aumento na discriminação expresso na violência racial (Mummendey & Wenzel, 1999; Oliveira, Lima & Santos, 1999) e nos indicadores sócio-econômicos das minorias raciais (Browser,1995). Esta situação contraditória mostra o preconceito assumindo formas de expressão que não contrariam abertamente as normas anti-racistas atuais (Gaertner & Dovidio, 1986; Katz & Hass, 1988; Kinder & Sears, 1981; McConahay, 1983; Pettigrew & Meertens, 1995; Vala, Brito & Lopes, 1998, 1999).

Com relação às outras minorias sociais, particularmente as sexuais, os avanços na tolerância são menores. Frank e McEneaney (1999) constataram nos últimos 20 anos, entre 86 nações, uma tendência à descriminalização das relações entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, também verificaram uma grande variedade na forma como as relações homossexuais são tratadas. Enquanto em certos países a Constituição assegura um conjunto de direitos aos homossexuais, noutros as praticas homoeróticas são punidas severamente. Neste sentido, embora a Constituição brasileira proclame a promoção do bem-estar de todos sem distinção de raça, sexo, idade e origem, talvez, no Brasil de hoje, como afirmam Almeida e Crillanovick (1999, p. 167), "não seja absurdo dizer que ser ou não ser homossexual ainda é uma questão bem mais aflitiva que ser ou não negro, deficiente físico, mulher". Que fatores sustentam este preconceito na cultura brasileira? Este artigo, tentando responder a esta pergunta, analisa, na perspectiva das representações sociais, os fatores do preconceito contra homossexuais e sua relação com as explicações da homossexualidade.

 

A Natureza do Preconceito

Classicamente, o preconceito tem sido estudado como uma característica psicológica do indivíduo: uma frustração reprimida e deslocada para grupos mais fracos (Hovland & Sears, 1940); o desenvolvimento de um tipo de personalidade autoritária (Adorno, Frenkel-Brunswik, Levinson & Sanford, 1950); a pouca disposição à abertura mental (Rokeach, 1960); a falta de contatos com membros de grupos minoritários (Allport, 1954). Posteriormente, esta perspectiva individualizante foi retomada pelos teóricos da cognição social (Fiske & Taylor, 1991; Markus & Zajonc, 1985), os quais estudaram o preconceito como um erro no processamento das informações (Hamilton, 1979; Hewstone, 1990; Pettigrew, 1979; Ross, 1977; Schaller, 1991). Apesar das diferenças entre elas, todas estas teorias enfatizam a origem psicológica e individual do preconceito (Martínez, 1996).

Na perspectiva das relações intergrupais, Tajfel (1972) e Tajfel, Flament, Billig e Bundy (1971) explicaram o preconceito como o resultado da inserção do indivíduo numa categoria social. Para estes autores, a pertença a uma categoria social leva à atribuição de atributos positivos aos membros desse grupo e negativos aos do outro grupo (Abrams & Hogg, 1990; Hogg & Abrams, 1988; Tajfel, 1978). Este favoritismo endogrupal foi explicado pela Teoria da Identidade Social (Tajfel, 1982) como sendo o resultado da motivação à manutenção de uma auto-estima positiva que é construída através de uma imagem favorável do endogrupo e uma desfavorável do outro grupo.

Na perspectiva societal, que coloca as relações intergrupais no contexto dos conflitos culturais e ideológicos de uma sociedade (Doise, 1982), a base motivacional proposta por Tajfel (1982) tem sido suplantada por explicações que põem em relevo as relações de poder entre os grupos (Camino, 1996; Deschamps, 1982; Doise, 1976, 1991), onde surgem ideologias que justificam as diferenças sociais existentes (Billig, 1985, 1991; Camino, 1988). A ideologia, embora surja nas condições concretas das relações de poder, segue o conjunto de leis psicológicas que regem os processos cognitivos e afetivos (van Dijk, 1998). Nesta perspectiva, o preconceito pode ser definido como uma forma de relação intergrupal onde, no quadro específico das relações de poder entre grupos, desenvolvem-se e expressam-se atitudes negativas e depreciativas além de comportamentos hostis e discriminatórios em relação aos membros de um grupo por pertencerem a esse grupo (Camino & Pereira, no prelo). Entre os processos cognitivos que se desenvolvem neste tipo de relações sociais, destacam-se a categorização e a construção de estereótipos (Dorai & Deschamps, 1990; Schadron, Morchain & Yzerbyt, 1996; Yzerbyt, Rocher & Schadron 1997).

De que maneira os processos de discriminação se expressam nas teorias do senso comum e nas representações cognitivas? Espera-se que os membros de grupos majoritários, ao categorizarem a si mesmos e os grupos minoritários, apresentem um favoritismo por seu grupo majoritário, atribuindo-lhe mais características positivas e menos traços negativos que aos grupos discriminados (Tajfel, 1978, 1982). No entanto, nos últimos tempos, a indesejabilidade social do preconceito gerou um processo mais refinado de discriminação (Meertens & Pettigrew, 1999). Por exemplo, nos estudos sobre o racismo na Europa e nos Estados Unidos, constatou-se o favoritismo pelo próprio grupo, mas não a discriminação do grupo externo. Ou seja, a norma anti-racista inibiu um dos processos da diferenciação intergrupal – a derrogação do outro grupo –, mas não afetou o outro processo – a manifestação do favoritismo pelo endogrupo (Moscovici & Péres, 1999; Pedersen & Walker, 1997; Vala e cols., 1999). Neste sentido, Pettigrew e Meertens (1995) constataram que o preconceito racial na Europa apresenta-se sob duas formas: aberto e encoberto. O preconceito aberto é constituído por dois fatores: a rejeição a relações de intimidade e a percepção de ameaça econômica. O preconceito encoberto apresenta três componentes: a negação de emoções positivas em relação aos membros do exogrupo; a percepção de que o exogrupo não adere aos valores do trabalho e do sucesso; a acentuação das diferenças culturais. A dimensão emocional foi identificada no preconceito encoberto (Dijker, 1987; Dovidio, Mann & Gaertner, 1989; Smith, 1993), onde as pessoas não sentiram emoções negativas em face do outro grupo, mas expressaram mais emoções positivas em relação ao endogrupo. Combinando a rejeição à intimidade com a expressão emocional, Pettigrew e Mertens (1995) caracterizaram três formas de relações raciais: o preconceito flagrante – alta rejeição à intimidade e negação de emoções positivas; o preconceito sutil – pouca rejeição à intimidade e negação de emoções positivas; o igualitarismo – baixa rejeição à intimidade e expressão de emoções positivas.

 

Estudos Sobre o Preconceito Contra Homossexuais

É possível aplicar a tipologia de Pettigrew e Mertens (1995) ao estudo do preconceito contra homossexuais? Partindo do suposto de que a homossexualidade e o preconceito contra homossexuais são construções sócio-historicas (Cantonné, 1994; Costa, 1994, 1995; Foucault, 1984; Liebert, 1989), acredita-se que o estudo das representações sociais que as pessoas têm feito da homossexualidade permitirá entender a existência de diversas formas de preconceito. Assim, faz-se necessário descrever as explicações que têm sido formuladas, durante a história, pelas diversas sociedades dado que, segundo Moscovici (1976), a teoria das representações sociais estuda como as teorias religiosas, filosóficas e científicas são transformadas em visões do senso comum.

Muitas explicações para a homossexualidade têm sido elaboradas. Em algumas civilizações antigas (Grécia e Roma, por exemplo), as relações homoeróticas, principalmente entre homens adultos e jovens, só eram repudiadas quando ameaçavam subverter a hierarquia social da época (Badinter, 1993; Bremmer, 1995; Costa, 1992; Veyne 1986). Foi na tradição judaico-cristã (Greenberg & Bystryn, 1982; Spencer, 1996) que essas práticas passaram a ser concebidas como pecaminosas, representando o descumprimento do que se julgava ser a palavra de Deus e a fraqueza do indivíduo diante das tentações demoníacas (Brown 1990; Morici, 1998; Ranke-Heinemann, 1996).

A visão sobre a homossexualidade do mundo ocidental foi influenciada por estas duas visões contraditórias. Foi só a partir do século XIX que a medicina definiu a homossexualidade como uma doença fisiológica causada por distúrbios genéticos ou biológicos. No início do século XX, apesar das atitudes vitorianas prevalecentes na época, a psicanálise introduziu a visão psicológica da homossexualidade, visão esta que é menos moralista (Freud, 1935/1951), embora considere a homossexualidade como um distúrbio no desenvolvimento da sexualidade (Freud, 1905/1972) e, portanto, anormal. Mas deve-se ter em conta que estas novas concepções não substituem as antigas, mas, em algumas circunstâncias, reforçam as concepções tradicionais mais moralistas (Bullough, 1974).

Em meados do século XX, o primeiro relatório Kinsey (Kinsey, Pommeroy & Martin, 1948) verificou que práticas homossexuais eram bem mais difundidas que o pensado nos Estados Unidos. Foi nos anos sessenta que apareceram os primeiros movimentos gay e que a Associação Americana de Psicologia (APA) afirmou que a homossexualidade não é doença psicológica (American Psychological Association, 1975), negando a existência de causas psicológicas específicas da homossexualidade e situando-a no quadro das orientações sexuais. De fato, esta visão psicossocial da homossexualidade, embora ainda pouco difundida, vinculou-se, nas últimas décadas, a um conjunto de movimentos sociais que lutam pela universalidade dos direitos humanos. Apesar do surgimento destas visões libertárias, continua existindo, no campo da Psicologia, um certo viés heterossexual nas pesquisas e nas práticas psicológicas (Herek, Kimmel, Amaro & Melton, 1991; Morin, 1977, 1978), o que tem levado a APA a elaborar normas para evitar esse viés nas publicações científicas (American Psychological Association, 1991).

No Brasil, até recentemente a Psicologia omitiu-se no processo de retirar o estigma dos homossexuais. Enquanto diversas entidades científicas condenaram a discriminação à homossexualidade e levaram, em 1985, o Conselho Federal de Medicina a não considerar a homossexualidade como doença (Almeida & Crillanovick, 1999), tanto o Conselho Federal de Psicologia (CFP) como outras instituições científicas ou profissionais ligadas à Psicologia não se manifestaram (Camino & Pereira, no prelo). Sem expressar um preconceito explícito contra os homossexuais, boa parte dos psicólogos tratam a homossexualidade como um distúrbio que deve ser assumido ou, se possível, superado.

Mais grave ainda, certas igrejas evangélicas, com a participação ativa de psicólogos, criaram serviços de recuperação de homossexuais (Almeida & Crillanovick, 1999), prometendo o retorno à verdadeira natureza humana. Diante das denúncias feitas pela a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, o Conselho Federal de Psicologia promulgou, em 1999, a Resolução 001 que estabelece, aos psicólogos, normas de atuação em relação ao tema da orientação sexual. Sucintamente, a Resolução considera que a homossexualidade não é doença, nem distúrbio, nem perversão e estabelece que os psicólogos não colaborarão com propostas de tratamento e de cura da homossexualidade. Numa pesquisa sobre a aceitação dessa Resolução, Camino e Pereira (no prelo) constataram que os professores de psicologia que atuam nas áreas social e organizacional concordam que ela representa um avanço na Psicologia, enquanto mais da metade dos que atuam na área clínica discordam da resolução. Além disso, verificaram que a adesão às teorias biológicas da homossexualidade leva a uma atitude negativa frente à Resolução, enquanto a crença num modelo psicossocial relaciona-se com uma atitude positiva. Constataram também que a atitude negativa concentrava-se principalmente nos professores evangélicos e nas mulheres que atuam na área clínica. Esta pesquisa sugeriu que o posicionamento das pessoas em relação aos temas que envolvem concepções sobre a natureza humana é mediado pelas teorias científicas adotadas por elas (Camino, 1998). Aliás, a relação estreita entre ciência e senso comum está na base da teoria das representações sociais.

 

Representações Sociais e o Preconceito Contra a Homossexualidade

As representações sociais, posto que traduzem o pensamento do senso comum próprio das sociedades contemporâneas (Jodelet, 1991; Moscovici, 1976), constituem-se em uma forma de conhecimento própria das sociedades industriais e são irredutíveis a qualquer outra forma de conhecimento. Por outro lado, deve-se ter em conta que as representações não são respostas mentais a um estímulo do meio social (noção clássica da representação mental), mas uma construção do significado do meio social, onde estímulo e resposta se formam ao mesmo tempo, sendo o estímulo determinado pela resposta. Neste sentido, as representações constituem-se em uma preparação para a ação, não apenas porque guiam o comportamento, mas porque constróem e remodelam o ambiente em que este comportamento irá ocorrer. Assim, a perspectiva das representações sociais coloca as opiniões e atitudes num contexto diferente da relação mecânica entre sujeito e realidade, contexto onde o sujeito não só reage à realidade, mas a constrói (Farr, 1991, 1995).

Pelo que representa de inovador no campo da Psicologia Social, o conceito de representações sociais vem sendo utilizado na análise de diversos fenômenos sociais. Mas apesar de ter aberto um amplo campo de pesquisas, a abordagem das representações sociais tem recebido inúmeras críticas tanto no que se refere ao seu conceito (Jahoda, 1988; Potter & Linton, 1985) quanto no que concerne às diversas metodologias empregadas (Leyens & Dardenne, 1996). No nível teórico, Camino (1996) e Vala (1996) enfatizaram a necessidade de complementar a teoria das representações sociais com a teoria de Moscovici e Faucheux (1972) sobre a influência social – que mostra o papel ativo das minorias consistentes no processo da influência social – e com a teoria de Tajfel (1982) sobre a identidade social, que coloca o problema da influência social no quadro das relações intergrupais e oferece as bases da formação simbólica dos grupos sociais. Por sua vez, Billig (1988) e Doise (1989) criticaram a maneira como se concebe a natureza consensual das representações sociais. Ambos, embora de maneira diferente, insistem na necessidade de colocar a consensualidade não no conteúdo das representações, mas nos princípios que dão significado aos aspectos consensuais e divergentes do campo representacional.

Nesta perspectiva, Doise (1990) define as representações sociais como princípios organizadores dos processos simbólicos que são derivados dos posicionamentos específicos dos indivíduos nas relações sociais. Segundo Doise (1986), os princípios organizadores são análogos às dimensões de oposição e hierarquização que Bourdieu (1977) descreve em sua teoria de campo e aos princípios de dicotomia, adaptação, assimilação e sincronia que intervêm na dinâmica da propaganda, da propagação e da difusão (Moscovici, 1976). Neste sentido, Doise, Clémence e Lorenzi-Cioldi (1993) propuseram o Modelo da Análise Quantitativa das Representações Sociais, que avalia três aspectos das representações: a organização do campo representacional; os princípios organizadores das diferenças individuais e a ancoragem social dos princípios organizadores.

Na organização do campo representacional, estudam-se os elementos compartilhados das teorias de senso comum (Moscovici & Hewstone, 1991) que estabelecem o elo conceitual entre cognição e representação social (Augoustinos & Innes, 1990). Pressupõe-se que existe uma percepção compartilhada sobre um objeto social que pode ser derivada de uma definição institucionalizada desse objeto (Doise, 1998; Doise & Herrera, 1994; Spini & Doise, 1998). Contudo, o conceito de princípios organizadores baseia-se na variabilidade das representações e analisa as dimensões subjacentes aos diferentes posicionamentos dos indivíduos na estrutura do campo representacional. A ancoragem social identifica como as pertenças sociais se organizam para definir as representações que as pessoas constróem (Doise, 1992; Wagner, 1995). Doise (1993) destaca três níveis de análise nos estudos da ancoragem: o psicológico, o sociológico e o psicossociológico. A análise psicológica refere-se à ancoragem dos posicionamentos individuais nas atitudes e valores dos indivíduos. No nível sociológico, estuda-se a influência da pertença dos indivíduos a grupos sociais sobre as representações. No nível psicossociológico, a ancoragem pode ser identificada nas teorias que as pessoas usam para explicar a natureza dos grupos sociais.

 

O Preconceito Contra a Homossexualidade em Universitários de João Pessoa

É com base na abordagem proposta por Doise e colaboradores (1993) que se realizou uma investigação com o objetivo de estudar o preconceito de universitários da cidade de João Pessoa contra homossexuais. Duas dimensões do preconceito foram abordadas: a rejeição à intimidade e a expressão emocional. Num primeiro momento, utilizando-se a expressão do preconceito nestas duas dimensões, classificaram-se os estudantes de acordo com a tipologia encontrada nos estudos de Pettigrew e Meertens (1995) sobre o racismo (flagrantes, sutis e não preconceituosos). Introduz-se neste estudo uma análise do papel das explicações da homossexualidade no preconceito contra homossexuais. Pretendeu-se confirmar a possibilidade de classificar as diversas explicações em cinco possíveis modelos explicativos da homossexualidade: biológico, psicológico, psicossocial, religioso e ético-moral. As três primeiras foram verificadas por Camino e Pereira (no prelo) no estudo sobre a atitude de professores de psicologia em relação à Resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia. A inclusão de explicações religiosas deve-se à influência das concepções religiosas nas orientações sexuais (Greenberg & Bystryn, 1982); as ético-morais referem-se à forma pejorativa que a homossexualidade assumiu no discurso cotidiano (Almeida & Crillanovick, 1999). Embora se esperasse verificar a influência da religião (Barret & Barzan, 1996; Hunsberger, 1996) e do sexo (Brandyberry & MacNair,1996; Hogan & Rentz, 1996; Kemph & Kasser, 1996), acreditava-se que o preconceito estivesse relacionado, sobretudo, às explicações da homossexualidade. Pretende-se, portanto, analisar como a expressão do preconceito ancora-se nas explicações dadas à homossexualidade, no tipo de curso, no sexo e na pertença religiosa dos estudantes.

 

Método

Participantes

Uma amostra composta por 220 estudantes de uma universidade da cidade de João Pessoa fez parte deste estudo, dos quais 31% identificaram-se como alunos de psicologia, 31% de engenharia civil, 24% de medicina e 14% foram classificados como outros cursos. A idade média dos estudantes é de 21 anos (dp= 3,98). Do total, 54% são do sexo feminino, 73% são católicos, 9% evangélicos, 3% espíritas e 15% afirmaram não possuir religião.

Instrumentos

Utilizou-se um questionário que, além dos dados sócio-demográficos (tipo de curso, sexo e religião), continha as seguintes escalas:

Escala de Rejeição à Intimidade: constitui-se em uma adaptação da escala desenvolvida por Pettigrew e Meertens (1995) que avalia os aspectos mais flagrantes do preconceito. Para o estudo do preconceito contra homossexuais utilizou-se cinco itens que descrevem situações do quotidiano relacionadas à rejeição de relações de intimidade com homossexuais (Tabela 1). Os estudantes indicaram o quanto se sentem incomodados com cada uma dessas situações numa escala variando de 1 (não me incomoda) a 5 (incomoda-me muito).

 

 

Escala de Expressão Emocional: com base na escala desenvolvida por Dijker (1987) para avaliar as dimensões emocionais envolvidas no preconceito, elaborou-se uma lista contendo seis emoções, sendo três positivas (admiração, respeito e amor) e três negativas (desprezo, raiva e nojo), onde os estudantes indicam, numa escala variando de 1 (nunca) a 5 (muitas vezes), o quanto já sentiram estas emoções com relação a homossexuais.

Escalas de Explicações da Homossexualidade: elaborou-se uma conjunto de itens baseado na escala utilizada por Camino e Pereira (no prelo) para avaliar a adesão de professores de psicologia às explicações da homossexualidade, a qual contem quinze itens relacionados a cinco possíveis causas ou explicações da homossexualidade: a) Explicações Biológicas: "As causas da homossexualidade estão relacionadas às disfunções hormonais", "As causas da homossexualidade estão relacionadas a problemas hereditários" e "As causas da homossexualidade estão relacionadas a problemas de má formação no período da gestação"; b) Explicações Ético-Morais: "As causas da homossexualidade estão relacionadas à falta de respeito", "As causas da homossexualidade estão relacionadas à falta de caráter" e "As causas da homossexualidade estão relacionadas à falta de valores morais no sujeito"; c) Explicações Religiosas: "As causas da homossexualidade estão relacionadas ao descumprimento da palavra de Deus", "As causas da homossexualidade estão relacionadas à falta de fé religiosa" e "As causas da homossexualidade estão relacionadas à fraqueza espiritual"; d) Explicações Psicológicas: "As causas da homossexualidade estão relacionadas a abusos sexuais sofridos na primeira infância"; "As causas da homossexualidade estão relacionadas às situações traumáticas vividas na primeira infância" e "As causas da homossexualidade estão relacionadas à má resolução de conflitos com as figuras parentais"; e)Explicações Psicossociais: "As causas da homossexualidade não podem ser especificadas pois a sexualidade faz parte da identidade do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade", "As causas da homossexualidade não possuem uma natureza específica pois a homossexualidade é uma orientação sexual como outra qualquer" e "As causas da homossexualidade não podem ser especificadas pois ela não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão". A ordem de apresentação destes itens no questionário foi definida através de sorteio. Para cada um deles os estudantes indicaram o seu grau de concordância numa escala tipo Likert (1970) variando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente).

Por terem sido construídas para a realização deste estudo, a análise da validade de todas as escalas utilizadas para avaliar o preconceito contra os homossexuais também faz parte deste trabalho. Assim, optou-se por apresentar os seus parâmetros psicométricos na seção dos resultados.

Procedimentos

Os questionários foram respondidos pelos estudantes em salas de aulas definidas através de sorteios. Os sorteios foram realizados com base na grade curricular solicitada aos coordenadores dos cursos. Sorteou-se disciplinas de início, meio e final de curso. Em seguida, solicitou-se a permissão aos professores das disciplinas para as aplicações dos questionários que duraram de quinze a vinte minutos.

 

Resultados

A análise dos dados seguiu as indicações propostas no Modelo da Análise Quantitativa das Representações Sociais (Doise e cols., 1993). Num primeiro momento, analisou-se a estrutura fatorial e a fidedignidade das escalas utilizadas no estudo. Neste sentido, a análise fatorial, através do método dos eixos principais, aplicada aos escores atribuídos aos cinco itens usados para avaliar a escala de rejeição à intimidade, mostra (Tabela 1) um único fator com eigenvalue superior a 1 que explica 57% da variabilidade total. Além disso, a fidedignidade da escala, medida através do coeficiente alfa de Cronbach (1951), é satisfatória (a = 0,86), permitindo a construção de um índice de rejeição à intimidade em relação aos homossexuais.

Com relação à expressão emocional, os resultados da análise fatorial (pelo método dos eixos principais com rotação varimax) mostram (Tabela 2) a existência de dois fatores com eigenvalues superiores a 1, que explicam 49% da variância. O primeiro fator explica 27% da variabilidade e foi formado pelas emoções negativas (nojo, raiva e desprezo). O fator 2, indicado pelas emoções positivas (admiração, respeito e amor), explica 22% da variabilidade. A análise da fidedignidade das escalas mostra alfas de Cronbach (1951) suficientes para que se construam índices de expressão de emoções negativas e positivas em relação aos homossexuais (0,79 e 0,67, respectivamente com m=0,73).

 

 

Finalmente, a análise fatorial (pelo método dos eixos principais com rotação varimax) usada para identificar os tipos de explicações foi calculada fixando, a priori, o limite de cinco fatores. Os resultados mostram (Tabela 3) que em todos os fatores os eigenvalues são superiores a 1, explicando 59% da variância. O primeiro fator, que explica 14% da variabilidade, reuniu as explicações ético-morais. O fator 2, que inclui referências religiosas, explica 13% da variabilidade. O terceiro fator explica 12% da variância e, sendo formado pelos itens que não atribuem causas determinadas à homossexualidade, foi chamado de psicossocial. O quarto fator, que explica 11% da variância, reuniu as explicações psicológicas. Finalmente, o quinto fator, que explica 9% da variabilidade, é constituído pelas explicações biológicas. A análise da fidedignidade das escalas mostra alfas (0,89; 0,81; 0,76; 0,73 e 0,62, respectivamente com m=0,76) que permitem a construção de índices de adesão dos estudantes aos cinco tipos de explicações obtidos.

 

Após a análise das diversas escalas com a confirmação de sua estrutura teórica e de sua fidedignidade, interessou classificar o posicionamento dos estudantes nessas escalas. Para este objetivo, seguindo o raciocínio de Aldenderfer e Blashfield (1984), aplicou-se a Análise Hierárquica de Aglomerados (Clusters) para indivíduos aos escores dos estudantes nas escalas de rejeição à intimidade e de expressão de emoções positivas e negativas. Utilizando-se o método de Ward (1963) para a construção dos aglomerados, esta análise classificou os estudantes em três grupos de sujeitos. A interpretação desses grupos deu-se através da comparação, através da Análise de Variâncias (ANOVA), das médias de adesão às três escalas utilizadas (Tabela 4). Os resultados das ANOVAS revelam que todas as diferenças entre os grupos são significativas: FEmoções Negativas (2/216)= 93,9, p< 0,001; FEmoções Positivas (2/216)=85,3; p< 0,001; FRejeição à Intimidade (2/216)= 366,9; p< 0,001. Assim, o grupo 1, constituído por 24% dos estudantes, foi constituído pelos não preconceituosos, uma vez que expressam poucas emoções negativas (m= 1,2), muitas emoções positivas (m= 3,8) e são os que menos aderem à escala de rejeição à intimidade (m= 1,5). O grupo 2, formado por 38% dos estudantes, reuniu os preconceituosos sutis, pois embora expressem poucas emoções negativas (m= 2,0), também expressam poucas emoções positivas (m= 2,6) e situam-se abaixo da média na escala de rejeição à intimidade (m= 2,5). Finalmente, o grupo 3 contém 38% dos estudantes, sendo composto pelos preconceituosos flagrantes, expressa muitas emoções negativas (m= 3,3), poucas emoções positivas (m= 1,9) e alta adesão à escala de rejeição à intimidade (m= 4,1).

 

 

Uma vez definidos os três grupos de estudantes, analisou-se como a adesão às cinco explicações da homossexualidade e às características sócio-demográficas ancoram o tipo de preconceito apresentado pelos estudantes. Para tanto, aplicou-se uma Análise de Funções Discriminante utilizando-se, como grupos centróides, os três grupos de estudantes (não preconceituosos, sutis e flagrantes) classificados na Análise Hierárquica de Aglomerados e, como variáveis independentes, as caraterísticas sócio-demográficas (sexo, pertença religiosa e tipo de curso) e a adesão dos estudantes às cinco explicações da homossexualidade (ético-moral, religiosa, psicossocial, psicológica e biológica). Os resultados (Tabela 5) mostram a estrutura das matrizes de correlações entre as variáveis discriminantes e as funções canônicas – o procedimento mais apropriado para se obter a medida de associação das variáveis com as funções (Klecka, 1980).

 

 

A primeira função, que explica 93% da variância (correlação canônica = 0,74; lambda= 0,42; p< 0,001), indica uma representação constituída pelas explicações ético-morais e religiosas, próprias dos alunos de engenharia, que se correlacionam negativamente com as explicações psicossociais que são próprias das mulheres e dos estudantes de psicologia. A segunda função explica 7% da variância (correlação canônica = 0,31; lambda = 0,90; p< 0,001), sendo formada por uma representação constituída por explicações psicossociais e ético-morais dadas por alunos de psicologia, que se correlacionam negativamente com as explicações biológicas e psicológicas próprias dos alunos de medicina e das mulheres. A ancoragem social, analisada pela relação entre os grupos centróides e as funções discriminantes, mostra, na primeira função, que o grupo dos preconceituosos flagrantes está ligado aos estudantes de engenharia que dão explicações ético-morais e religiosas e que discordam das explicações psicossociais, enquanto o grupo dos não preconceituosos e o dos preconceituosos sutis vinculam-se às mulheres e aos estudantes de psicologia que dão explicações psicossociais e discordam das explicações ético-morais e religiosas. Na segunda função, o grupo dos não preconceituosos vincula-se aos estudantes de psicologia que aderem às explicações psicossociais e ético-morais e se opõem às explicações biológicas e psicológicas, enquanto o grupo dos preconceituosos sutis liga-se aos estudantes de medicina e às mulheres que dão explicações biológicas e psicológicas e discordam das explicações psicossociais e ético-morais. Nas duas funções não foram observadas relações significativas entre a pertença religiosa e o tipo de preconceito apresentado pelos estudantes. A análise da classificação correta dos estudantes em cada um dos grupos (Tabela 6) mostra a eficácia das funções derivadas das variáveis utilizadas na análise, 70% dos casos foram classificados corretamente pelas funções, sendo que a maior percentagem de casos corretamente definidos foi no grupo dos flagrantes (79%), seguido pelos sutis (68%) e pelos não preconceituosos (64%).

 

 

Discussão

Neste artigo, analisa-se o preconceito contra homossexuais em universitários da cidade de João Pessoa a partir de dois aspectos: a rejeição à intimidade e a expressão de emoções positivas e negativas. Além disso, investiga-se a ancoragem social desse preconceito nas explicações da homossexualidade e na pertença dos estudantes a categorias sociais, como o tipo de curso, o sexo e a religião freqüentada por eles. Acredita-se que a abordagem adotada nesta investigação responde às criticas sobre a imprecisão conceitual (Jahoda, 1988; Potter & Litton, 1985) e metodológica (Leyens & Dardenne, 1996) que a perspectiva das representações sociais vem recebendo. A abordagem empregada apoia-se no Modelo da Análise Quantitativa dessas representações proposto por Doise e colaboradores (1993).

Na primeira fase da análise, são apresentados os parâmetros psicométricos das diversas escalas utilizadas, com base nos quais construiu-se indicadores do preconceito contra homossexuais. O primeiro indicador, a rejeição à intimidade, embora tenha sido usado nas pesquisas sobre o preconceito racial (Pettigrew & Meertens, 1995; Vala e cols., 1998, 1999), ainda não havia sido avaliada a sua aplicabilidade ao estudo do preconceito em relação à homossexualidade no contexto paraibano. No que se refere à expressão de emoções positivas e negativas, os resultados da análise fatorial mostraram que esses dois tipos de expressão emocional são utilizados pelos estudantes para organizarem os seus afetos em relação aos homossexuais.

A classificação dos estudantes nas três características do preconceito, revelada pelos resultados da Análise Hierárquica de Aglomerados, está de acordo com as hipóteses levantadas. Tal como nos estudos de Pettigrew e Meertens (1995) sobre o preconceito racial, o posicionamento dos estudantes nos indicadores do preconceito permite classificá-los em três grupos: flagrantes, sutis e não preconceituosos. O grupo dos preconceituosos flagrantes foi constituído pelos estudantes com alta pontuação na escala de rejeição à intimidade que expressaram muitas emoções negativas e poucas emoções positivas. Este tipo de indivíduos corresponde aos que são objeto de estudo nas pesquisas clássicas sobre o preconceito, os estereótipos e a discriminação (Allport, 1954; Tajfel, 1972; 1982). Os preconceituosos sutis, embora apresentem pouca rejeição à intimidade e expressem uma quantidade baixa de emoções negativas, negam a expressão de emoções positivas, não contrariando de maneira explícita as normas anti-preconceituosas (Vala e cols., 1998). Os não preconceituosos apresentaram baixa rejeição à intimidade, pouca expressão de emoções negativas e expressão de muitas emoções positivas, o que permite aproximá-los aos indivíduos igualitários identificados nos estudos sobre o preconceito racial (Meertens & Pettigrew, 1999).

Do total de estudantes analisados, mais de três quartos deles foram classificados como preconceituosos, sendo metade flagrante e metade sutil. Este dado corrobora o fato do Brasil ser, ao nível mundial, um dos líderes no ranking dos assassinatos de homossexuais e onde jovens com idade entre 14 e 20 anos consideram um delito mais grave a depredação de orelhões, placas de sinalização ou pixações do que a humilhação impingida aos homossexuais quando discriminados (Waiselfisz, 1998). Entretanto, o resultado parece contrariar o postulado principal das teorias sobre as novas formas de expressão do preconceito (Gaertner & Dovidio, 1986; Katz & Hass, 1988; Kinder & Sears, 1981; MacConahay, 1983; Pettigrew & Meertens, 1995). Segundo essas teorias, as sociedades ocidentais criaram normas, baseadas nas Declarações dos Direitos Humanos, que coíbem a discriminação explícita de grupos minoritários, favorecendo o aparecimento de um tipo menos aberto de preconceito – o sutil (Meertens & Pettigrew, 1999; Vala e cols., 1999) –, que se apresenta com mais freqüência do que o preconceito clássico – o flagrante. Contudo, na pesquisa aqui apresentada, a quantidade de preconceituosos sutis é a mesma dos flagrantes; não se pode, porém, afirmar que esta diferença deva-se ao fato de serem grupos-alvos distintos (negros ou homossexuais), ou que é porque as normas anti-preconceituosas ainda não foram amplamente assimiladas pelos estudantes universitários de João Pessoa. Acredita-se que novos estudos sobre racismo e homofobia, tanto com amostras maiores envolvendo universitários de outras Regiões do país quanto com população geral, poderão esclarecer melhor essa questão.

No que se refere às explicações da homossexualidade, constatou-se que os estudantes organizaram seu posicionamento de acordo com os cinco tipos de explicações identificados na literatura sobre a história da sexualidade (Bremmer, 1995; Brown 1990; Cantonné, 1994; Costa, 1992; Freud, 1905; Greenberg & Bystryn, 1982; Liebert 1989; Morici 1998), o que traduz a característica das representações sociais de transformar um saber científico ou filosófico em teorias de senso comum (Hewstone, 1989; Moscovici, 1976; Moscovici & Hewstone, 1991). As explicações ético-morais reuniram as crenças de que a homossexualidade está relacionada à falta de caráter, de respeito e de valores morais do sujeito. As explicações religiosas colocaram o homossexual como uma pessoa que não segue a palavra de Deus e que é fraca espiritual e religiosamente para resistir às tentações. As explicações psicossociais foram constituídas pela crença de que a homossexualidade não é doença e que deve ser compreendida em sua totalidade pois se trata de uma orientação sexual como outra qualquer. As explicações psicológicas foram formadas pela crença de que a homossexualidade está relacionada, sobretudo, aos traumas sexuais vividos na primeira infância. Finalmente, as explicações biológicas fundamentaram-se numa avaliação da homossexualidade como uma doença provocada por distúrbios de natureza fisiológica, hormonal ou gestacional.

A análise da ancoragem social da classificação dos estudantes nas dimensões do preconceito aponta para o fato de que os processos de exclusão social podem ser sustentados por teorias científicas ou de senso comum adotadas na sociedade (Camino, 1998). Realmente, as variáveis que mais contribuem para a ancoragem social do preconceito dos estudantes contra os homossexuais são as explicações atribuídas à homossexualidade. Como mostra a primeira função discriminante, os não preconceituosos e os sutis são constituídos, sobretudo, pelas estudantes de psicologia que concordam com as explicações psicossociais e discordam das ético-morais e das religiosas. De fato, uma porcentagem expressiva (36%) dos não preconceituosos apresenta um perfil semelhante ao dos sutis, pois esta primeira função os situa no mesmo polo, diferenciando-os dos flagrantes. O grupo dos preconceituosos flagrantes apresenta-se constituído mais por estudantes de engenharia civil que concordam com as explicações religiosas e ético-morais e discordam das psicossociais.

A segunda função discriminante diferencia os não-preconceituosos dos preconceituosos sutis. Assim, enquanto a representação que os não preconceituosos têm da homossexualidade apresenta-se formada por explicações psicossociais próprias dos alunos de psicologia, o grupo dos preconceituosos sutis, mesmo discordando das ético-morais, apresentou-se constituído pelas estudantes de medicina que explicam a homossexualidade a partir de explicações biológicas e psicológicas. Esses dados mostram que, apesar de existir uma norma de racionalidade forte entre os alunos de medicina e entre as mulheres, colocando-os contra posicionamentos explicitamente preconcietuosos, as teorias adotadas e divulgadas por eles podem contribuir com práticas discriminatórias, pois colaboram com a manutenção de uma representação social do homossexual como portador de alguma doença que precisa ser curada, seja ela biológica ou psicológica.

A influência do sexo, constatada nas duas funções, corrobora os resultados das pesquisas em que as mulheres apresentam índices de preconceito inferiores aos dos homens (Brandyberry & MacNair, 1996; Hogan & Rentz, 1996). Embora a pesquisa sobre a aceitação da Resolução do Conselho Federal de Psicologia (Camino & Pereira, no prelo) apresente resultados divergentes destes, confirmam a influência da abordagem teórica adotada pelas pessoas sobre os processos de exclusão social (Camino, 1998), uma vez que as professoras que atuavam na área clínica apresentaram uma atitude negativa diante dessa Resolução. Contudo, parece que o sexo desempenha um papel peculiar na construção de uma representação preconceituosa dos homossexuais, tal como mostrou a investigação de Kemph e Kasser (1996), onde estudantes universitários foram menos preconceituosos em relação à homossexualidade feminina. Contudo, além do estudo da influência do tipo de sexo dos indivíduos, mereceria analisar, em novas investigações, a função que os diferentes papeis sexuais femininos (DeSouza, Baldwin & Rosa, 2000), a classe social e as relações de poder interpessoal (Pyke, 1996) desempenham no desenvolvimento da homofobia. Uma hipótese que será submetida à prova em novos estudos desenvolvidos na Paraíba assume que o caráter eminentemente depreciativo da homossexualidade masculina deva-se ao fato dessa homossexualidade ser considerada como um desvio de uma norma cultural desenvolvida por uma sociedade machista que construiu uma imagem do homem como hierarquicamente superior à mulher, cuja honra é ferida quando o indivíduo (macho) passa a adotar características femininas. Esta hipótese coloca a análise do preconceito contra homossexuais no quadro das relações de poder entre grupos.

 

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Recebido: 12/02/2001
Revisado: 10/06/2001
Aceito: 16/08/2001

 

 

Sobre os autores

Marcos Lacerda é Psicólogo, Especialista em Teoria Psicanalítica, Mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Desenvolve trabalhos em clínica Psicanalítica e pesquisas sobre Processos de Exclusão Social.

Cícero Pereira é Psicólogo, Mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e professor do Departamento de Psicologia da Universidade Católica de Goiás. Desenvolve pesquisas sobre Valores, Comportamento Político, Direitos Humanos e Processos de Exclusão Social.

Leoncio Camino é Doutor em Psicologia pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica), professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Comportamento Político da UFPB. É membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP e desenvolve pesquisas sobre Direitos Humanos, Processos de Exclusão Social e Comportamento Político.

 

 

1 Endereço para correspondência: Av. Gal. Edson Ramalho, 675, Apt. 401, Manaíra, 58038–100, João Pessoa, Paraíba. E–mail: bambam@netwaybbs.com.br.
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Os autores agradecem a Willem Doise (Universidade de Genebra) e a Marcus Eugênio Lima (Universidade de Lisboa) por seus valiosos comentários à versão inicial deste trabalho.