SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.16 issue1Conceptual problems with the intellectualistic doctrine: implications to some cognitive explanationsPreliminary reduction of items of PTS version 7 to 14 years author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.16 no.1 Porto Alegre  2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722003000100018 

Parâmetros psicométricos: estudo comparativo entre testes de inteligência e de personalidade

 

Psychometric parameters: comparative study between intelligence and personality tests

 

 

Ana Paula Porto Noronha1; Claudette Maria Medeiros Vendramini

Universidade São Francisco, São Paulo

 

 


RESUMO

A validade e a precisão de testes psicológicos vêm sendo bastante questionadas e discutidas atualmente. O presente estudo teve como objetivo avaliar a validade, a precisão e a existência de padronização brasileira em 43 testes psicológicos comercializados no Brasil, sendo 22 de inteligência e 21 de personalidade. Os testes foram comparados quanto ao período de publicação no Brasil. Os resultados indicaram que existe maior número de instrumentos publicados nas décadas de 1980 e 1990, que os testes de inteligência apresentam mais estudos de padronização, validade e precisão, embora não tenha havido diferença significante entre os grupos de testes (inteligência e personalidade). Novos estudos devem ser desenvolvidos com o intuito de promover os testes psicológicos e a área de avaliação psicológica, como um todo.

Palavras-chave: Avaliação psicológica; testes psicológicos; validade; precisão; padronização.


ABSTRACT

Nowadays, the validity and the reliability of psychological tests are being very questioned and discussed. The current study aims to evaluate the validity, the reliability and the existence of Brazilian standardization in 43 psychological tests commercialized in Brazil, being 22 of intelligence and 21 of personality. The tests have been compared concearning the publication period in Brazil. The results have indicated that there is a bigger number of instruments published in the 1980´s and 1990´s, that the intelligence tests present more studies of standardization, validity and reliability, even though there hasn´t been significant difference among the groups tests (intelligence and personality). New studies must be developed aiming to promote the psychological tests and the area of psychological assessment, as a whole.

Keywords: Psychological assessment; psychological tests; validity; reliability; standardization.


 

 

Os testes psicológicos são instrumentos utilizados na prática do psicólogo e podem fornecer importantes informações para a elaboração de um diagnóstico, quando do processo de avaliação. Para que os testes sejam úteis e eficientes, eles devem passar por estudos que comprovem suas qualidades psicométricas, assim como devem atender determinadas especificações que garantam reconhecimento e credibilidade por parte da comunidade científica e de leigos.

Os testes são instrumentos exclusivos do psicólogo e a Psicologia dispõe de um Código de Ética Profissional que traz orientações importantes ao profissional a respeito da amplitude das possibilidades e das responsabilidades de sua atuação, inclusive no que diz respeito à prática de avaliação. No entanto, não existem orientações precisas no que se refere à construção e ao uso dos instrumentos psicológicos, existem apenas questões mais gerais que tratam de dilemas éticos para nossos profissionais (Conselho Regional de Psicologia, 1999). Recentemente o Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2001) publicou uma resolução na qual regulamenta a elaboração, a comercialização e o uso dos instrumentos psicológicos. De acordo com a resolução nº 25/2001, os testes devem ter requisitos mínimos para que sejam reconhecidos como tais e será considerada falta ética o uso de instrumentos que se encontrem fora dos padrões de excelência. Destaque deve ser dado à determinação de que o manual do teste objetive orientar o profissional na confecção de documentos. Acredita-se que tal obrigatoriedade estimule a pesquisa em torno dos instrumentos e desestimule o uso de materiais precários, com qualidade duvidosa, que porventura possam não garantir bons serviços para a sociedade em geral.

Alguns autores têm elaborado guias e diretrizes gerais para o uso e construção dos testes e acredita-se que essas tentativas de alguma maneira contribuam para a sistematização e para o crescimento da área (Pasquali, 1999, 2001; Wechsler, 1999, 2001). Nos trabalhos de Wechsler, a autora sistematiza orientações necessárias e possivelmente desconhecidas de determinados profissionais para uma boa aplicação e avaliação e para a escolha do instrumento em diferentes situações de avaliação, além de discutir alguns princípios de construção de testes psicológicos; enquanto Pasquali (2001) oferece um extenso manual de orientações sobre as técnicas de exame psicológico, no qual aborda o conceito dos testes, a história, os tipos, os fundamentos científicos, os parâmetros psicométricos, os princípios éticos e os testes psicológicos comercializados no Brasil.

Outro trabalho foi desenvolvido por Cunha (2000) com o objetivo de analisar testes psicológicos, fornecendo dados sobre o histórico, sobre a descrição, administração, indicações, comentários e referências bibliográficas. Embora este trabalho não tenha a grandeza e a regularidade da publicação do Mental Measurements Yearbook produzido pela Universidade de Nebraska, não se pode desconsiderar a importante iniciativa da autora.

Em perspectivas internacionais muitos são os esforços e as publicações oferecidas aos interessados em avaliação psicológica ou em instrumentos de avaliação, considerando que é grande a preocupação com a qualidade das ações profissionais. O Comitê Internacional de Testes (ITC, 2001) composto por profissionais da Europa e dos Estados Unidos, publicou as diretrizes gerais para o uso e para a revisão dos testes. No material constam questões pertinentes ao uso, tanto no que se refere à aplicação, avaliação e interpretação dos resultados, quanto aos princípios éticos envolvidos.

Nessa mesma linha de trabalho, é possível encontrar no site da Associação Psicológica Americana (http://www.apa.org/science/faq-findtests.html) respostas às questões que mais freqüentemente são feitas através de e-mails para a diretoria científica do órgão. As questões variam desde informações específicas sobre determinados instrumentos ou sobre como entrar em contato com o responsável por algum teste não publicado. A APA vem trabalhando desde 1950 a fim de estabelecer padrões para o uso competente dos testes psicológicos, já tendo elaborado princípios para o uso dos testes educacionais, assim como promulgou determinadas diretrizes para o uso ético dos testes. A exemplo dela, outros órgãos têm trabalhado neste sentido, como por exemplo, a Associação Americana de Aconselhamento e Desenvolvimento que organizou o guia de responsabilidades para o uso de testes padronizados (Turner, DeMers, Fox & Reed, 2001).

Essas publicações, de alguma forma, promovem a discussão do tema e provocam uma articulação dos conteúdos e das práticas profissionais, deixando os psicólogos mais bem informados e preparados para os diferentes usos dos testes psicológicos. O que se espera é que estas tendências gerais se transformem em diretrizes internacionais para o uso e para a construção dos instrumentos de avaliação.

Bartram (1998), um dos membros do Comitê Internacional de Testes, escreveu um trabalho apontando a urgente necessidade de se estabelecer diretrizes internacionais para a padronização e uso do teste. Para o autor, esta tarefa requer um certo equilíbrio entre liberdade e responsabilidade, à medida que as diretrizes podem organizar, assim como inibir novas experimentações com os métodos de avaliação. Mas o resultado final, acredita-se, é refinar a qualidade das avaliações realizadas.

Os Testes Psicológicos

Os testes psicológicos têm sido entendidos como instrumentos auxiliares na coleta de dados, que juntamente com as demais informações organizadas pelo psicólogo, auxiliam a compreensão do problema estudado, de forma a facilitar a tomada de decisões. No Brasil, por muito tempo o teste psicológico foi rejeitado na prática do profissional, uma vez que não atingia as expectativas injustificadas que se tinha a respeito dele, e que por outro lado, não oferecia a confiabilidade necessária.

Não é coerente com o objetivo do presente estudo que se discuta o papel da técnica padronizada dentro do processo de avaliação psicológica, uma vez que ele se destina a comparar a qualidade das informações oferecidas nos manuais de testes de inteligência e de personalidade. Conforme a resolução nº 25/2001 do CFP (2001), já citada nesse artigo, os testes devem ter requisitos mínimos, devem ser revisados a cada dez anos e seus respectivos manuais devem ter por objetivo orientar o profissional, inclusive na confecção de documentos e relatórios.

Infelizmente os poucos trabalhos brasileiros desenvolvidos nesse sentido não têm apresentado resultados animadores. Noronha (2001) realizou um estudo que se destinou a avaliar os coeficientes de correlação com outros testes, correlação com outros critérios, equivalência, consistência e estabilidade a fim de verificar a qualidade psicométrica dos instrumentos (validade e precisão). Nos 21 testes de inteligência analisados, o coeficiente de correlação com outros testes foi o mais encontrado na verificação da validade, enquanto os de consistência e de estabilidade foram apresentados em 11 instrumentos para verificação da precisão, embora nem todos tenham apresentado os dois estudos. O trabalho revelou, ainda, que muitos dos testes consultados não apresentaram sequer a data de publicação, condição básica para qualquer tipo de publicação científica.

Em outro estudo Noronha, Sartori, Andrade e Ottati (2001), objetivaram analisar os manuais de testes de inteligência em relação aos dados de identificação, aos dados de aplicação e de avaliação e às qualidades psicométricas. Os resultados indicaram que dos 21 testes analisados, apenas 7 deles apresentaram todas as informações avaliadas. Isto se torna ainda mais grave quando se verifica que os itens avaliados estão de acordo com as exigências mínimas para a publicação de testes, sejam elas nacionais ou internacionais.

Considerando os elementos discutidos e a necessidade de que outros estudos sejam desenvolvidos com o intuito de qualificar o material psicológico disponível para avaliação, o presente trabalho teve por objetivo a análise da evolução dos testes de personalidade e de inteligência no período de 1960 a 1999, no que se refere à presença de informações sobre: padronização, validade e precisão.

 

Método

Instrumentos

Foram consultados 43 testes psicológicos, sendo que 22 objetivavam a avaliação da inteligência e 21, da personalidade. As informações a seguir foram obtidas nos manuais consultados, sendo que esses nem sempre correspondem às edições iniciais ou mais recentes dos instrumentos.

Os instrumentos de inteligência são:

1. Escala de Maturidade Mental – Columbia (Irving Lorge, Lucile Blue, Bessie Burgemeister, Casa do Psicólogo, 1993)

2. Escala Wechsler de Avaliação da Inteligência para Crianças–WISC (David Wechsler, CEPA, 1964)

3. O Desenho da Figura Humana – DFH (Solange Muglia Wechsler, Livro Pleno, sem data)

4. D-70 (Editions du Centre de Psychologie Appliqueé, Casa do Psicólogo, 1988)

5. D-48 (Pierre Pichot, CEPA, sem data)

6. Teste Barcelona (Técnicos do ISOP, CEPA, sem data)

7. Teste de Matrizes Progressivas – escalas geral (J. Raven, CEPA, 1977)

8. Teste de Matrizes Progressivas – escalas avançada (J. Raven, CEPA, sem data)

9. Matrizes Progressivas Coloridas (J. C. Raven, J. Raven, J. H. Court, CETEPP, 1988)

10. Teste de Inteligência Não-verbal - G-38 (Efraim, Rojas Boccalandro, Vetor, 1979)

11. Teste Coletivo de Inteligência para Adultos – CIA forma I (David Wechsler, CEPA, sem data)

12. Teste Não-verbal de inteligência - G36 (Efraim Rojas Boccalandro, Vetor, 1966)

13. Prova de Nível Mental (Jacyr Maia, CEPA, sem data)

14. Teste Eqüicultural de Inteligência escalas 2 e 3 (R. B. Cattell, A. K. S. Cattell, CEPA, sem data)

15. Teste Não-verbal de Inteligência - R1 (Rynaldo de Oliveira, Vetor, sem data)

16. Teste de Inteligência Não Verbal – INV (Pierre Weil, Eva Nick, CEPA, sem data)

17. Teste dos Relógios (Fábio de Vasconcellos Souza, Suzy Vijande Cambrais, Vetor, sem data)

18. Teste de Capacidades Intelectuais (Carlos Del Nero, Vetor, 1982)

19. Teste de Sondagem Intelectual (J. A. Cunha, M. J. B. Moraes, N. S. R. Rocha, L. Werba, R. Valle, J. E. B. Moraes, J. C. Salermo, L. Costa, CEPA, sem data)

20. Teste Verbal de Inteligência - V-47 (Efraim Rojas Boccalandro, Vetor, 1978)

21. Cubos de Kohs (CEPA, sem data)

22. Bateria de provas de Raciocínio – BPR-5 (R. Primi, Leandro S. Almeida, Casa do Psicólogo, 1998).

Os instrumentos de personalidade consultados são:

1. Cornell Index (Weider, Wolf, Brodman, Mittelman & Wechsler, CEPA, sem data)

2. 16 PF- 5ª edição (Cattell, Cattell & Cattell, CEPA, 1999)

3. Escala de Personalidade de Comrey (Comrey, Vetor, 1997)

4. Inventário Fatorial de Personalidade- IFP (Edwards, Casa do Psicólogo, 1997)

5. Inventário Multifásico Minesota de Personalidade- MMPI (Hathaway & McKinley, CEPA, sem data)

6. Pirâmides Coloridas de Pfister (Heiss & Hiltmann, CEPA, 1976)

7. Psicodiagnóstico Miocinético- PMK (Mira y López, Vetor, 1987)

8. Questionário de Avaliação Tipológica – QUATI (Zacharias, Vetor, 1994)

9. Questionário de Personalidade Dadahie (Andrade, Moraes & Wendel, CEPA, sem data)

10. Teste de Rorschach (Rorschach, Manole, 1997)

11. Teste Caracterológico- TCO (Minicucci, Vetor, 1996)

12. Testes das Cores (Braga, CEPA, 1978)

13. Teste das Fábulas (Düss, CETEPP, 1993)

14. Teste das Pirâmides de Cores (Heiss & Halder, Vetor, 1971)

15. Teste de Apercepção Infantil-CAT A (Bellak & Bellak, Mestre Jou, 1981)

16. Teste de Apercepção Infantil-CAT H (Bellak & Bellak, Psy, 1992)

17. Teste de Apercepção para idosos- SAT (Bellak & Bellak, Psy, 1992)

18. Teste de Apercepção Temática- TAT (Murray, Mestre Jou, 1973)

19. Teste Palográfico (Milá, Vetor, 1976)

20. Teste Projetivo Ômega- TPO (Villas Boas Filho, CEPA, 1967)

21. Teste de Wartegg (Wartegg, Casa do Psicólogo, 1993).

Vale destacar que serviram como elementos de análise para esse estudo os manuais em português dos respectivos instrumentos.

Critérios de Avaliação

O critério utilizado para a avaliação dos instrumentos, foi a presença de informações, nos manuais consultados, sobre padronização (se existe padronização brasileira), validade e precisão.

Os critérios basearam-se no questionário de Prieto e Muñiz (2000), cujo objetivo era avaliar a qualidade dos testes utilizados na Espanha.

 

Resultados

Os instrumentos foram submetidos a dois tipos diferentes de análise. Em um primeiro momento, comparou-se teste de inteligência e de personalidade, no que se refere ao período de sua construção e, posteriormente os instrumentos foram comparados à luz dos estudos de padronização, validade e precisão.

Em relação à primeira análise, observou-se que a metade dos testes de inteligência utilizados para o presente estudo não informa sobre a data do teste, enquanto que para os testes de personalidade a maioria informa sobre tal data, sendo esses publicados nas décadas de 1980 e 1990. Essa distribuição (Tabela 1) de publicação de testes de acordo com as décadas foi significativamente diferente para os testes de inteligência e de personalidade (c2(2)=6,64; p=0,0361).

 

 

Vale ressaltar que apesar da maioria dos testes de inteligência não apresentar a data de publicação do manual, o que dificulta esse tipo de análise, observou-se que para ambos os tipos de testes, a maior concentração de construção dos instrumentos da amostra está nas décadas de 1980 e 1990. Tal evolução fica bastante evidenciada nos testes de personalidade.

Tal constatação está de acordo com o movimento ascendente da avaliação psicológica, e em especial da construção de testes psicológicos (Almeida, 1999; Pasquali, 1999, 2001). Segundo Almeida (1999), a entrada progressiva de novas tecnologias em vários contextos, como escolas e empresas, tende a trazer conseqüências também para a área de avaliação psicológica, ou seja, espera-se que novos instrumentos sejam criados, e, sobretudo, que eles apresentem mais qualidade. De alguma forma, este pode estar representando um novo marco na construção de testes psicológicos no Brasil, à medida que se percebe, ainda que timidamente, uma evolução no que se refere ao aumento de instrumentais disponíveis ao profissional. Isto também obrigará o profissional a se preparar melhor para receber as novidades da área.

Aliado a isto, está a Resolução no 25/2001 do CFP (CFP, 2001) já tratada neste estudo, que obriga pesquisadores, profissionais e editores a ter mais esmero no que se refere ao uso e à construção de testes psicológicos.

Na Tabela 2 estão apresentadas as porcentagens de testes que apresentaram um dos critérios de análise (padronização, validação e precisão) informados em manuais. Embora em alguns casos esses valores possam parecer bem mais elevados em algumas das categorias do que em outras, o teste Qui-quadrado não indicou diferenças estatisticamente significativas, ao nível de significância de 5%, em nenhuma das comparações.

Pode-se observar, no entanto, que testes de inteligência possuem mais estudos sobre padronização validade e precisão, de uma maneira geral, em todos períodos estudados. Especificamente em relação à padronização, observou-se que nas décadas de 1980 e 1990 houve um crescimento na realização dos estudos, quando comparado com as décadas de 1960 e 1970. Isto também se confirmou em relação à validade e à precisão, embora nesta última, a diferença entre os estudos realizados nos períodos de 1960 e 1970 e nos de 1980 e 1990 tenha sido muito sutil.

Na verdade, encontrar testes de personalidade sem estudos relativos à padronização, validade e precisão não é surpresa. Há muito que este tema vem sendo discutido e muitas são as compreensões e incompreensões a cerca da questão, uma vez que testes de personalidade e técnicas projetivas, em especial, possuem características específicas que os diferenciam dos demais. Anzieu (1979) aponta que embora essa diferença não possa ser ignorada, deve haver um remanejamento dos conceitos de medida, no caso desse tipo de instrumental. O autor propõe que a sensibilidade, a validade e a precisão recebam diferentes tratamentos dos testes ditos psicométricos. Tal colocação é corroborada por McFarlane e Tuddenham (1978) ao compreenderem que o dilema da pesquisa sobre testes projetivos centra-se na dificuldade de integração de valores, métodos e contribuições de pesquisas dos três princípios de psicologia: experimental, estatístico e clínico. A integração dessas contribuições tende a gerar avanços na área.

 

Considerações Finais

A área de avaliação psicológica vem se reestruturando nas últimas décadas no Brasil e não são poucos os fatos que comprovam isto: a criação de laboratórios de testes psicológicos em várias universidades brasileiras, o aumento do número de instrumentos psicológicos, a maior demanda de trabalhos sobre avaliação em eventos nacionais, ou ainda a realização de eventos específicos da área.

O crescimento é necessário e esperado por profissionais da área. Assim como vem sendo aguardada a excelência da qualidade do material, da documentação, dos itens, da padronização, dos estudos de validade e de precisão de testes psicológicos, pois eles (testes) estão associados a uma categoria profissional, que muitas vezes negligencia seus instrumentos e outras vezes, não é bem representada por eles.

Para Oakland e Hu (1993) os instrumentos apresentam falhas na construção e lacunas significativas na informação disponível com relação aos testes psicológicos. Para os autores, elementos importantes para a tomada de decisão em relação ao uso dos instrumentos não são calculados, apesar de serem usados em muitos países. Estudos recentes com o objetivo de avaliar a qualidade de testes psicológicos confirmam a colocação dos autores (Noronha, 2001; Noronha & cols., 2001) e os dados deste estudo.

Os esforços internacionais de organizações como AERA, APA, NMCE (1999) e ITC (2001) para a garantia de que instrumentos bons e confiáveis sejam construídos e utilizados, devem ser aplicados em contexto nacional, independentemente dos testes avaliarem inteligência, personalidade ou qualquer outro construto. Espera-se, ainda, que padrões nacionais de construção sejam estabelecidos futuramente, de forma que as necessidades do país e a diversidade cultural aqui existente possam ser contempladas.

É certo que este estudo não atendeu todas as necessidades de pesquisa na área, porque este não era seu objetivo. Outros instrumentos devem ser pesquisados, considerando que a amostra deste trabalho não contemplou todos os disponíveis no mercado nacional.

 

Referências

AERA - American Educational Research Association, APA - American Psychology Association & NCME - National Council on Measurement in Education (1999). Standards for educational and psychological testing. New York: American Educational Research Association.        [ Links ]

Almeida, L. S. (1999). Avaliação psicológica: Exigências e desenvolvimentos nos seus métodos. Em S. M. Wechsler & R. S. L. Guzzo (Orgs.), Avaliação psicológica: Perspectiva internacional (pp. 41-55). São Paulo: Casa do Psicólogo.        [ Links ]

Anzieu, D. (1979). Os métodos projetivos (2a ed.). Rio de Janeiro: Campus.        [ Links ]

Bartram, D. (1998). The need for international guidelines on standards for test use a review of european and international initiatives. European Psychologist, 3 (2), 155-163.        [ Links ]

Conselho Regional de Psicologia (1999). Manual do Conselho Regional de Psicologia. São Paulo: CRP-06.        [ Links ]

Conselho Federal de Psicologia (2001, dezembro). CFP aprova duas novas resoluções. Jornal do Federal, 5.        [ Links ]

Cunha, J. A. (2000). Catálogo de técnicas úteis. Em J. A. Cunha & cols. (Org.), Psicodiagnóstico-V (pp. 202-290). Porto Alegre: Artmed.        [ Links ]

ITC – Comisión Internacional de Tests (2001). Diretrices internacionales para el uso de los tests. http://www.cop.es/tests/Diretrices.html, consultado em 04/12.        [ Links ]

McFarlane, J. W. & Tuddenham, R. D. (1978). Dificuldades para a validação das técnicas projetivas. Em H. H. Anderson & G. L. Anderson (Org.) Técnicas projetivas do diagnóstico psicológico (pp. 41-68). São Paulo: Mestre Jou.        [ Links ]

Noronha, A. P. P. (2001). Análise de coeficientes de testes de inteligência. Psico, 32(2),73-86.        [ Links ]

Noronha, A. P. P., Sartori, F. A., Freitas, F. A. & Ottati, F. (2001). Informações contidas nos manuais de testes de inteligência publicados no Brasil. Psicologia em Estudo, 6(2), 101-106.        [ Links ]

Oakland, T. & Hu, S. (1993). International perspectives on tests used with children and youth. Journal of School Psychology, 31, 501-517.        [ Links ]

Pasquali, L. (1999). Instrumentos psicológicos: Manual prático de elaboração. Brasília: LabPAM / IBAPP.        [ Links ]

Pasquali, L. (2001). Técnicas de exame psicológico: T.E.P manual. Vol.1. Fundamentos das Técnicas Psicológicas. São Paulo: Casa do Psicólogo; Conselho Federal de Psicologia.        [ Links ]

Prieto, G. & Muñiz, J. (2000). Um modelo para evaluar la calidad de los tests utilizados em España. Disponível em [http://www.cop.es/tests/modelo.htm], consulta feita em 04/12/00.        [ Links ]

Turner, S. M., DeMers, S. T., Fox, H. R. & Reed, G. M. (2001). APA's Guideliness for test user qualifications an executive summary. American Psychologist, 56(12), 1099-1113.        [ Links ]

Wechsler, S. M. (1999). Guia de procedimentos éticos para a avaliação psicológica. Em S. M. Wechsler & R. S. L. Guzzo (Orgs.), Avaliação psicológica: Perspectiva internacional (pp. 133-141). São Paulo: Casa do Psicólogo.        [ Links ]

Wechsler, S. M. (2001). Princípios éticos e deontológicos na avaliação psicológica. Em L. Pasquali (Org.), Técnicas de exame psicológico: T.E.P manual. Fundamentos das técnicas psicológicas (Vol. 1, pp. 171-193). São Paulo: Casa do Psicólogo; Conselho Federal de Psicologia.        [ Links ]

 

 

Recebido 27/05/2002
1ª revisão 08/08/2002
Última revisão 23/09/2002
Aceite final 25/09/2002

 

 

Sobre as autoras:
Ana Paula Porto Noronha é Doutora em Psicologia: Ciência e Profissão, pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e docente do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da Universidade São Francisco.
Claudette Maria Medeiros Vendramini é Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas e docente do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da Universidade São Francisco.

 

 

1 Endereço para correspondência: Laboratório de Avaliação Psicológica e Educacional (LabAPE) - Universidade São Francisco, Alexandre Rodrigues Barbosa, 45, 1351-900, Itatiba, SP. Fone (11) 4534-8046. E-mail ananoronha@saofrancisco.edu.br