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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.18 no.2 Porto Alegre May/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722005000200001 

Editorial

 

 

A reforma curricular e as revistas científicas

Como deve ser a realidade de muitos cursos de psicologia, o curso da UFRGS também está passando pela reforma curricular, seguindo as novas diretrizes curriculares. Pode parecer estranho iniciar o editorial de uma revista científica ligada a um curso de pós-graduação para tratar de um tema da graduação. Porém, revistas científicas têm um papel fundamental na formação dos psicólogos.

Independente do debate sobre como implementá-las ou sobre o mérito das diretrizes, estas ressaltam a importância do conhecimento científico e da pesquisa na formação do futuro psicólogo. No núcleo comum, os cursos deverão promover habilidades e competências que implicam no contato com a literatura e a metodologia científica.

Neste contexto, é através da democratização do conhecimento promovida pela Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia (BVS-Psi), o Scielo e as revistas eletrônicas, entre outras iniciativas, que os(as) futuros(as) psicólogos(as) podem ter o primeiro contato com a sua ciência. A política do acesso aberto proporcionou este grande avanço na democratização do conhecimento científico. Há que se incorporar estas novas possibilidades como material didático, para embasar os conteúdos, para promover habilidades essenciais para a formação continuada e uma prática profissional baseada em evidências.

Tenho certeza que outros editores partilham comigo a surpresa de receberem mensagens de correio eletrônico de alunos de graduação realizando trabalhos de conclusão de curso pedindo ajuda em revisões teóricas sobre os mais diversos temas. São estudantes em final de curso que não tiveram acesso à democratização do conhecimento durante o curso muito provavelmente porque seus professores e colegas também desconhecem esta possibilidade. Estes estudantes dominam a tecnologia do correio eletrônico e instrumentos de busca via internet e a prova disto é que encontraram o e-mail da editora da revista e mantiveram correspondência... Contudo, tudo leva a crer que em mais de quatro anos não realizaram uma única busca, seja em indexadores internacionais, seja na BVS-Psi, ou no Scielo. Arrisco a dizer que eles provavelmente não sabem diferenciar revistas científicas de outros tipos de publicações.

Parece-me importante o papel da familiarização e da valorização de artigos científicos como instrumentos não só complementares, mas também preferenciais na formação profissional e no acesso à produção do conhecimento. Ensinar e disponibilizar uma forma de acesso ao conhecimento científico é de responsabilidade do professor e da instituição de ensino. Este é um ponto de crucial importância para o desenvolvimento científico e para a formação de qualidade, ainda que o professor esteja inserido em uma instituição que não valorize a produção científica de seus próprios professores.

Por estes motivos, a reforma curricular é um tema relevante para este editorial. As revistas científicas têm muito a contribuir com a formação do psicólogo do futuro, mas é durante a formação que deve dar-se esta familiaridade e a valorização destes recursos. Este processo pode ser facilitado por um currículo que efetivamente fomente a busca e a produção do conhecimento e forme psicólogos capazes de, entre outras habilidades, levantar informação bibliográfica, ler e interpretar comunicações científicas, e utilizar métodos de investigação científica.

Grande parte do público leitor das revistas científicas é formada por professores-pesquisadores que conhecem bem a importância do conhecimento científico. Alguns inclusive contribuíram diretamente para este aspecto das diretrizes curriculares. Mas o público também é composto de pós-graduandos, que um dia poderão ser professores neste novo currículo. Este público deve cada vez mais ser formado por alunos de graduação que um dia serão psicólogos ou poderão ser pós-graduandos nos muitos cursos de psicologia. Neste momento em que se discute a reforma curricular cabe uma reflexão sobre a importância da produção científica em psicologia para a formação do psicólogo do futuro e como o novo currículo vai incorporar os novos modos de acesso e transmissão do conhecimento.

 

Lisiane Bizarro
Editora