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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.18 no.3 Porto Alegre Sept./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722005000300013 

Instrumentos de avaliação mais conhecidos/utilizados por psicólogos e estudantes de psicologia

 

The most know/used assessment instruments by psychologists and psychology students

 

 

Ana Paula Porto NoronhaI,1,2; Ricardo PrimiI; João Carlos AlchieriII

IUniversidade São Francisco
IIUniversidade Federal do Rio Grande do Norte

 

 


RESUMO

O presente trabalho visa a identificar os instrumentos psicológicos mais conhecidos e utilizados por psicólogos brasileiros dos seguintes estados: Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Maranhão, Goiás, Paraíba e Sergipe. Participaram deste estudo 304 estudantes e profissionais de psicologia, sendo 82,2% do sexo feminino e 15,8%, do masculino, com idade entre 17 a 58 anos. Para a realização do estudo, foi elaborada uma relação contento 145 instrumentos psicológicos comercializados pelas seguintes das editoras: CEPA, Vetor, Casa do Psicólogo, Edites, CETEPP, Mestre Jou, Editorial Psy, Manole, Artes Médicas, Edicon e Entreletras. Os resultados indicaram que o número de instrumentos desconhecidos/não utilizados é maior do que os conhecidos/utilizados e que, dentre as técnicas mais conhecidas/utilizadas, encontram-se as de avaliação da personalidade.

Palavras-chave: Instrumentos psicológicos; testes psicológicos; avaliação psicológica.


ABSTRACT

The present work aims to identify the well known and also the most used psychological instruments by Brazilian psychologists from the following regions of the country: Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Maranhão, Goiás, Paraíba e Sergipe. In this study 304 subjects participated (17-58years old), 82,2% (F=250) female and 15,8%(F=48) male, students and psychologists. It was drawn up a list of 145 psychological instruments commercialized by the following publishing houses: CEPA, Vetor, Casa do Psicólogo, Edites, CETEPP, Mestre Jou, Editorial Psy, Mamole, Artes Médicas, Edicon, Entreletras. The results indicated that the number of unknown/ unused instruments is bigger than known/used and the personality assessments are the well known/ most used.

Key words: Psychological Instruments, Psychological Tests, Psychological Assessment.


 

 

O presente trabalho faz parte de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que tem, dentre outros, o objetivo de identificar os instrumentos psicológicos mais conhecidos e utilizados por psicólogos brasileiros de diferentes regiões do país. A relevância do trabalho se justifica pela necessidade de se rever a formação e a prática em avaliação psicológica, assim como pelo aprimoramento e desenvolvimento de instrumentos de medida que atendam aos critérios de qualidade determinados por órgãos de classe e instituições internacionais.

Os testes psicológicos vêm ganhando espaço em discussões e eventos promovidos por universidade, entidades, órgãos e associações de classe. Embora tenha se observado que alguns profissionais refiram não usar instrumentos padronizados, a importância deles é reconhecida pela outra parte da comunidade psicológica. Noronha (1999), em sua tese de doutorado, trabalhou com 214 psicólogos inscritos no Conselho Regional de Psicologia – 06 (CRP-6), e encontrou que aproximadamente metade da amostra não realizava avaliações e não utiliza testes psicológicos.

Testes psicológicos não são recentes na história da Psicologia, ao contrário, eles surgiram com o início da ciência psicológica e, de alguma forma, marcaram o desenvolvimento dela. Bariani, Sisto e Santos (2001) apontam que a grande parte da história da Psicologia coincide com a história dos testes psicológicos e que a principal identidade do psicólogo traduzia-se no uso de testes. No Brasil, o primeiro instrumento estruturado de avaliação (Stanford-Binet) apareceu em 1913 em Belo Horizonte, 8 anos após sua publicação em seu país de origem (Ancona-Lopez, 1987), o que revela uma repercussão rápida, considerando que isto aconteceu no início do século passado, no qual ainda não havia os melhores recursos de comunicação disponíveis.

Com mais de um século de história, os testes atingiram um desenvolvimento satisfatório, sobretudo nos Estados Unidos, onde publicações diversas revelam a extrema organização e o aprimoramento dos instrumentos. Exemplo disso é o Mental Measurements Yeabooks publicado pela Universidade de Nebraska que traz informações precisas acerca da construção, aplicação e dos parâmetros psicométricos dos testes (Salvia & Ysseldyke, 1991) Esse compêndio traz revisões críticas dos testes e é elaborado por autoridades na área de avaliação psicológica. De acordo com Cronbach (1996), a utilidade deste tipo de material centra-se na possibilidade de oferecer aos profissionais informações seguras sobre os testes que irão utilizar, ou comprar. O Test Critiques é uma publicação semelhante e ambas oferecem dados importantes sobre as qualidades do instrumento.

Nesse mesmo sentido, a Psychological Assessment Resources (2003), criada há 25 anos, editou um catálogo de testes em que constam mais de 400 publicações para utilização em áreas diversas, tais como avaliação da personalidade e aconselhamento, avaliação neuropsicológica, forense, intelectual, desenvolvimento, negócios, dentre outras. Além dos títulos dos instrumentos há uma breve descrição deles e uma rápida apresentação de parâmetros psicométricos. Além disso, a Associação Psicológica Americana (APA) dedica uma seção específica de avaliação psicológica, responsável, por exemplo, pela publicação da Psychological Assessment.

Distante dessa realidade internacional está a nacional, que não se revela igualmente animadora. No Brasil, ainda não há uma sistematização com o rigor das publicações citadas acima, embora esforços louváveis de alguns pesquisadores na tentativa de cobrir as lacunas mais imediatas da área, levaram a tentativa de sistematizarem como, por exemplo, os trabalho de Van Kolck (1974) e de Cunha (2000). As autoras fazem uma reunião de alguns instrumentos e caracterizam o histórico, a forma de aplicação, faixa etária e padronização, indicações e comentários gerais, além de referências bibliográficas.

Alves (2002) recentemente publicou um trabalho semelhante que constou da síntese de 21 testes de inteligência. A autora procurou descrever e reunir características tais como: editora, a forma de aplicação, origem, população alvo, número de provas, data de publicação original, normas, validade e precisão. Embora o levantamento englobe uma pequena parte dos instrumentos psicológicos disponíveis no Brasil, trabalhos dessa natureza são louváveis, considerando que inexistem obras mais completas que façam uma extensa análise dos materiais. A autora coloca que algumas dificuldades na área de avaliação são o pequeno número de instrumentos no mercado brasileiro e a perpetuação do uso de instrumentos ensinados na graduação.

A formação em avaliação psicológica no Brasil é incipiente e o reflexo disso recai na prática profissional. Muito se tem discutido sobre a melhor forma de ensinar avaliação e as tendências são as mais diversas possíveis, variando desde a construção de um currículo mínimo para a área (Jacquemin, 1995), até em inserir o ensino da avaliação em outras disciplinas afins (Kroeff, 1988), como, p. ex., ensinar a avaliação do desenvolvimento na disciplina Psicologia do Desenvolvimento.

As discussões, embora ainda não tenham gerado encaminhamentos definitivos, são extremamente positivas, pois possibilitam outras análises acerca das práticas ora existentes. Alchieri e Bandeira (2002) enfatizam que em grande parte dos cursos de Psicologia no Brasil o ensino de avaliação ainda se dá por meio da colocação de informações sobre o manejo de instrumentos. Pouco se fala em construção de testes ou em parâmetros psicométricos. Da forma como este conteúdo vem sendo passado não tem sido possível desenvolver análises mais críticas à respeito dos instrumentos, do uso e, sobretudo das limitações. O resultado deste processo equivocado é a formação de profissionais com conhecimento bastante restrito, que por sua vez, dominam apenas a aplicação e correção de poucos instrumentos. Guzzo (2001) aponta que aprender técnicas do exame psicológico de forma isolada e pontual não assegura as competências necessárias, como por exemplo, para chegar a conclusões ou elaborar laudos, dentre outras tarefas não menos relevantes.

Apesar das dificuldades reais na formação, algumas iniciativas têm sido tomadas no sentido de promover a avaliação psicológica brasileira e de lhe imputar a importância que ela possui. O Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP, 2003) vem procurando promover a área por meio da criação de um site, da publicação de livros e de uma revista de Avaliação Psicológica, da organização de eventos científicos, além da representação dos psicólogos junto aos órgãos de classe. Também é intenção do IBAP que haja maior discussão sobre como formar psicólogos em avaliação psicológica.

Em contrapartida à formação profissional na graduação, cada psicólogo deve ter consciência de suas competências e limitações. Wechsler (2001) ao discutir os princípios éticos e deontológicos na avaliação psicológica, lembra que o psicólogo deve reconhecer suas dificuldades para que dessa forma, ofereça serviços profissionais sérios e de qualidade. O profissional deve se atualizar, manter-se informado sobre reciclagens, ler revistas científicas, estudar, ir a congressos e dar sempre continuidade à sua formação.

A asserção anterior, embora imprescindível, não parece estar sendo praticada pelos psicólogos. No estudo desenvolvido por Noronha, Oliveira e Beraldo (2003) com o objetivo de identificar os instrumentos mais conhecidos e utilizados por estudantes de Psicologia do estado de São Paulo, os resultados indicaram que há pouca diferença entre o volume de instrumentos conhecidos pelos dois grupos de sujeitos, o que evidencia que apenas uma parcela da comunidade de psicólogos se atualiza e continua a estudar, enquanto grande parte se satisfaz com os conhecimentos adquiridos na graduação.

Estudo semelhante foi realizado por Noronha e cols. (2002), com o objetivo de identificar os instrumentos mais conhecidos por estudantes de Psicologia de instituições de ensino do sul de Minas Gerais. Os resultados confirmaram que embora a formação do psicólogo objetive propiciar uma diversificação de conhecimentos e procedimentos em relação às técnicas psicológicas, ainda é presente um certo despreparo dos alunos em relação à aquisição de conhecimento, mais especialmente relacionado à Avaliação Psicológica.

No estudo desenvolvido por Alves, Alchieri e Marques (2001) em relação às técnicas de avaliação ensinadas nos cursos de Psicologia, destacaram-se como testes de inteligência, os seguintes instrumentos: WISC, Raven, Colúmbia, DFH, G-36, INV, D-48, WAIS, CIA e D-70. No que se refere aos testes projetivos os mais citados foram: CAT, TAT, HTP, Rorschach, Desenho da Família, Wartegg, Desenho da Figura Humana (Machover), Teste Zulliger, Fábulas de Düss e Estórias de Madeleine Thomas.

Considerando o exposto, o presente trabalho visa identificar os instrumentos psicológicos mais conhecidos utilizados por psicólogos e estudantes de psicologia de diferentes regiões do país.

 

Método

Participantes

Fizeram parte deste estudo 304 sujeitos, sendo 82,2% do sexo feminino e 15,8%, do masculino. A idade variou de 17 a 58 anos (m=25,1; dp=8,6). Os participantes foram organizados em dois grupos, a saber:

Grupo 1: 223 estudantes de Psicologia. No que se refere à série em que cursavam, aproximadamente 70% estavam no 1º, 2º, 3º ou 4º semestres.

Grupo 2: 74 psicólogos, sendo 36 graduados, 14 especialistas, 17 mestres e 7 doutores (7 não descreveram a titulação máxima). No que se refere ao tempo de formado, houve variação desde recém-formado até sujeitos formados há 27 anos; o tempo médio foi de 6,8 (dp=7,7). Vale ressaltar que os sujeitos que não preencheram corretamente os dados de dientificação, informando se eram estudantes ou profissionais, não puderam constar dessa divisão dos grupos, o que justifica um N=297.

No que se refere à origem dos participantes, a Tabela 1 apresenta os Estados e as respectivas freqüências. Participaram sujeitos de 18 estados brasileiros. O estado de São Paulo possui maior número de participantes, aproximadamente metade da amostra, o que se justifica em função da localização do congresso no qual os dados foram coletados.

 

 

Material

Para a presente pesquisa foi elaborada uma relação contento 145 instrumentos psicológicos comercializados pelas seguintes das editoras: CEPA, Vetor, Casa do Psicólogo, Edites, CETEPP, Mestre Jou, Editorial Psy, Manole, Artes Médicas, Edicon e Entreletras. A relação previa os nomes dos instrumentos e as alternativas conhecido, utilizado, de forma que o sujeito deveria assinalar as uma delas ou deixá-las em branco no caso de não conhecer/utilizar o material em questão. Os instrumentos que fizeram parte da relação oferecida aos sujeitos encontram-se no Anexo A.

Procedimento

A pesquisa foi realizada durante um evento científico. Os autores abordavam os participantes e após a devida autorização, apresentavam-lhes o material para sua avaliação e respostas. Após a coleta de dados os resultados foram tabulados em planilhas eletrônicas e analisados.

 

Resultados

A análise dos achados do presente estudo deu-se em função da análise de freqüências e seguiu duas direções: a primeira verificou os instrumentos mais e menos assinalados pelos sujeitos e a segunda procurou analisar os instrumentos mais e menos assinalados por regiões.

No que se refere aos instrumentos mais assinalados (conhecidos/utilizados) pelos sujeitos, os resultados indicaram que os testes Rorschah, Desenho da Figura Humana, Wartegg, Bender Infantil, Escala de Inteligência Weschsler Crianças (WISC), Teste de Apercepção Temática – TAT, Teste de Inteligência Não-Verbal G36, Teste de Apercepção Infantil – CAT-A, Bateria CEPA e Teste de Apercepção Infantil CAT-H se destacaram em relação aos demais. Como se observa, as técnicas de avaliação da personalidade figuram como as mais destacadas pelos sujeitos, revelando uma tendência existente na avaliação no que se refere ao predominante uso desse tipo de técnica quando da realização de processos avaliativos em diferentes contextos de atuação profissional (Almeida, 1999).

Já no que se refere aos instrumentos menos assinalados os achados indicaram os seguintes com menor freqüência: Instrumento de Avaliação Repertório Básico Alfabético (IAR), Teste Prontidão Horizonte, Teste de Conceito Básico de Bohem, Teste Projetivo Sonoro, Teste de Agradabilidade Básica, Psicônica – Programador – Previsor de Desempenho, Panorama de Atitude dos Pais (PAP), Sondagem de Habilidade, Teste Caracterológico e Teste Compreensão Técnico – Mecânica.

A Tabela 2 apresenta as citações de cada instrumento, sendo que a coluna 1 indica as freqüências relativas ao desconhecimento ou não utilização e a segunda, ao conhecimento/utilização. Vale ressaltar que poucos instrumentos são conhecidos/utilizados por grande parte da amostra de sujeitos. Destaque deve ser dado ao Teste de Rorschach e ao Desenho da Figura Humana que foram identificados por aproximadamente 80% da amostra.

 

 

A fim de se obter uma análise mais refinada, a Tabela 3 apresenta os instrumentos mais conhecidos/utilizados pelos participantes de 8 estados brasileiros. Para a escolha dos estados estabeleceu-se que seriam analisados aqueles que tivessem o maior número de sujeitos. Para esta análise, foram escolhidos: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Norte. Os resultados indicaram que dos instrumentos presentes, 43,75% referem-se à avaliação da personalidade, 31,25% à avaliação da inteligência e 25%, outros. Há concordância entre esses dados e outros estudos já desenvolvidos (Almeida, 1999; Noronha & cols, 2002, 2003). Dentre os mais assinalados, encontram-se Rorschach, Wartegg, Zulliger na avaliação da personalidade e G-36 e WISC na avaliação da inteligência.

 

 

Já no que se refere aos instrumentos menos conhecidos/utilizados, ou mais especificamente desconhecidos e, portanto não utilizados em alguns estados brasileiros (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Bahia e Rio Grande do Norte e Santa Catarina), observou-se que essa característica (não ser conhecido/utilizado) se aplica a quase todos os estados, no que se refere aos seguintes instrumentos: Conceitos Básicos de Bohem, IAR, Teste de Prontidão Horizontes, Psicônica Programador, Teste de Agradabilidade Básica, PAP, Inventário de Personalidade Dadahie, TCTI, Teste Projetivo Sonoro. Essas informações podem ser melhor visualizadas na Tabela 4.

 

 

Em contrapartida, alguns dos instrumentos desconhecidos pelos sujeitos provenientes de estados citados, estão relacionados na Tabela 3, que por sua vez, representa os instrumentos com maiores citações, tais como o Zulliger, o Dezesseis PF e o Wartegg.

 

Considerações Finais

Os achados do trabalho confirmaram outros de natureza semelhante, mas realizados com amostras distintas, como o promovido por Noronha e cols. (2003) com o objetivo de identificar os instrumentos mais conhecidos e utilizados por estudantes de Psicologia do estado de São Paulo. Os resultados indicaram que é pequeno o número de instrumentos conhecidos/utilizados pelos sujeitos e que os instrumentos mais conhecidos por aquela amostra também figuram no presente trabalho, respeitando alguma variação no que refere à seqüência.

Acredita-se que a contribuição que este tipo de trabalho de levantamento possa oferecer à comunidade psicológica seja a apresentação de um panorama geral a respeito de problemas ainda encontrados na prática do psicólogo. Não se esperaria que todos os instrumentos fossem conhecidos, porque parece estar claro que não há necessidade de sobrepor o ensino da quantidade em detrimento ao da qualidade de instrumentos e técnicas. Mas, em contrapartida, encontra-se um cenário lastimável, considerando que pouquíssimo se conhece. A instrução do questionário utilizado nesse estudo previa apenas "conhecimento", "utilizaçõ" ou "desconhecimento/não utilização". O conhecimento pressupunha o "ouviu falar, sabe da existência, aprendeu na faculdade, leu um artigo a respeito, dentre outros"; não era exigida nenhuma informação que de fato comprovasse um domínio do construto, das características psicométricas ou de outros elementos do processo de construção. Imagina-se que se tal instrução fosse investigada, sobrariam poucos instrumentos para a apresentação dos resultados da pesquisa.

Outro elemento já discutido em trabalhos e em eventos, ou seja, a manutenção do uso de instrumentos comumente aprendidos na graduação (Alves, 2002) e o pouco investimento do profissional na sua própria preparação teórica e instrumental, pôde ser observado nos resultados desse trabalho. Tal constatação remete ao equívoco dos profissionais brasileiros no sentido de não serem consumidores de periódicos e revistas científicas, de tal sorte que a formação continuada e a atualização estejam presentes em suas rotinas de trabalho.

Uma última consideração poderia ser feita quanto à necessidade de sistematizações na área de avaliação psicológica. É desejável, para não dizer obrigatório, que psicólogos se atualizem no que se refere aos instrumentos de avaliação, e parece imprescindível que a eles sejam oferecidos opções de fontes de informações sistematizadas. Há vários periódicos científicos brasileiros que apresentam uma diversidade de relatos de pesquisas sobre temas diversos, mas no que se refere a uma publicação referente aos testes, esta ainda encontra-se ausente na literatura internacional.

Por certo, há muito ainda a se desenvolver. E é desejável que estudos e pesquisas sejam realizados com o objetivo de se aprimorar a avaliação psicológica.

 

Referências

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Recebido: 05/09/2003
Última revisão: 31/08/2004
Aceite final: 23/09/2004

 

 

Sobre os autores
Ana Paula Porto Noronha
é Doutora em Psicologia Ciência e Profissão pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. É Docente do Programa de Pós-graduação Strictu Sensu em Psicologia da Universidade São Francisco. É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
Ricardo Primi é Doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo, com créditos cumpridos na Universidade de Yale. É Docente do Programa de Pós-graduação Strictu Sensu em Psicologia da Universidade São Francisco. É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
João Carlos Alchieri é Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É Professor do Programa de Pós-graduação em Psicologia de Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
1 Projeto financiado pela FAPESP.
2 Endereço para correspondência: Rua Alexandre Rodrigues Barbosa, 45, Centro, Itatiba, SP, 13251 900. E-mail: ana.noronha@saofrancisco.edu.br

 

 

Anexo A

Relação dos instrumentos apresentada aos sujeitos