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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.19 no.1 Porto Alegre  2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722006000100014 

Narrativas intergeracionais

 

Intergenerational narratives

 

 

Lenisa Brandão; Vivian Smith; Tania Mara Sperb*; Maria Alice de Mattos Pimenta Parente

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

 


RESUMO

O artigo revisa a literatura sobre a produção narrativa de crianças e adultos idosos, focalizando estudos intergeracionais. Demonstra a importância das histórias para o desenvolvimento infantil, e o papel do interlocutor neste contexto. Situa o adulto idoso como um interlocutor privilegiado, apresentando estudos que mostram o narrar como uma atividade fundamental nesta etapa da vida. O contato entre crianças e pessoas idosas tem sido promovido e estudado principalmente para verificar e modificar a percepção de um grupo sobre o outro. Parece, entretanto, prevalecer uma proposta altruísta, ao invés da concepção de uma interação proveitosa para ambos. O artigo enfatiza a relevância de alguns programas que valorizam e promovem a habilidade dos idosos em contar histórias para crianças, discutindo iniciativas brasileiras nesta área.

Palavras-chave: Narrativa intergeracional; envelhecimento; crianças.


ABSTRACT

This article reviews studies on the narrative production of children and senior adults, focusing on intergenerational studies. Demonstrates the relevance of storytelling in child development and the adult's role in this context. Situates senior adults as privileged interlocutors for children, presenting studies that demonstrate narrating as a fundamental activity in this stage of life. The interaction between children and senior adults has been studied to verify and change the perception of one group upon the other. However, the altruistic proposal seems to prevail, instead of an interactionist conception that would make the most for both. There seems to be, however, a tendency for intergenerational programs to emphasize an altruistic perspective instead of an interactionist one that would be to the advantage for both. This paper emphasizes the relevance of some intergenerational programs that value and promote the aptitude of storytelling in senior adults, discussing Brazilian initiatives in this area.

Keywords: Intergenerational narratives; aging; children.


 

 

Narrativas Intergeracionais

A imagem de um velho contando histórias de outros tempos aos mais jovens, à beira do fogo ou ao sabor do ritmo de uma cadeira de balanço, contrasta fortemente com o andamento e as exigências de velocidade, eficiência, racionalidade e produtividade de uma sociedade urbanizada, soando como algo romântico e saudosista. Neste contexto, tanto crianças como pessoas idosas tendem a ficar à margem de onde a "vida acontece", e o espaço para contar e ouvir histórias vai se restringindo à disponibilidade circunstancial de um interlocutor ou a instituições que atendem separadamente cada faixa etária. As crianças, escutando histórias escolhidas e lidas por seus professores, e os idosos, tentando contar suas histórias de vida a quem tenha paciência para ouvi-las, são imagens mais realísticas no panorama do mundo contemporâneo.

O objetivo deste artigo é apresentar ao leitor uma perspectiva abrangente da narrativa na Psicologia, focalizando estudos sobre a narrativa intergeracional. Partindo de diferentes correntes de estudo sobre a narrativa na Psicologia, tanto do desenvolvimento como da psicolingüística, as autoras buscaram um ponto de diálogo entre essas áreas para abordar a importância da narrativa nessas duas fases do desenvolvimento humano. O artigo não pretende enfocar as inúmeras linhas teóricas que se debruçam sobre o fenômeno da narrativa, nem discutir dados específicos sobre a narrativa da criança e do idoso, a partir dessas diferentes linhas teóricas e metodológicas. Consideram-se as funções do narrar no contexto social e as relações de interlocução de crianças e idosos na construção desse tipo de discurso. São analisadas algumas investigações sobre a interação entre esses dois grupos, promovendo a discussão sobre projetos intergeracionais que tomam a atividade de contar histórias como mediador fundamental.

A Narrativa na Perspectiva de Bruner

A narrativa, tradicionalmente um objeto de áreas como a Literatura, a Lingüística e a Antropologia, vem sendo estudada no âmbito da Psicologia como um importante instrumento individual e sociocultural de compreensão da vida e seus eventos, que possui a propriedade básica de dar aos eventos uma ordem e um sentido verossímil (Bruner, 1998). Independente do contexto em que surgem, geralmente as narrações contam eventos dignos de menção, em que o narrador relata algo que considera interessante, surpreendente ou mesmo perturbador. A estrutura da narrativa geralmente é composta por uma introdução, pela apresentação de uma complicação e por uma resolução, que encaminha para o fim da história (Koch & Travaglia, 1989; Labov & Waletsky, 1967; Todorov, 1979; van Dijk, 1980, 1996). Dessa forma, as narrativas descrevem uma transição temporal de um estado de coisas a outro.

Além da dimensão temporal, o narrar também possibilita organizar discursivamente relações de causalidade. Procurando semelhança com a vida, a narrativa estabelece um tipo de causalidade diferente do argumento lógico, ou pensamento "paradigmático" (Bruner, 1998), focalizado na busca de veracidade, da não-contradição. Nela, os eventos se articulam e sucedem, não necessariamente segundo critérios lógicos, mas motivados por intenções humanas. Segundo Bruner (1987, 1998), uma história ou narrativa inclui simultaneamente personagens, isto é, seres que agem, suas intenções e objetivos, suas circunstâncias, como o ambiente ou contexto, e os meios utilizados. As histórias abarcam a condição dramática da vida humana, podendo atingir desenlaces cômicos, tristes ou absurdos, enquanto que os argumentos lógicos são simplesmente conclusivos ou inconclusivos. Ricoeur (1980) ressalta o valor da narrativa para o desenvolvimento de um sentido de temporalidade subjetiva e compartilhável, trazendo o passado para a consciência do tempo presente. Narrações sobre o passado propiciam a apreensão das experiências em termos de suas implicações para o presente e para o futuro (Ochs, 2001). Bruner (1998) destaca ainda o valor da linguagem evocativa e ambígua das histórias, que torna o real "estranho", não-óbvio, abrindo lacunas para olhar e interpretar a realidade de formas novas, e "convida" o interlocutor a entrar nessas "brechas", como participante e co-autor.

No que concerne ao desenvolvimento da narrativa, sabe-se que a linguagem é construída através da interação entre a criança e seus interlocutores, através de processos dialógicos que ocorrem em torno de objetos comunicativos compartilhados. A interpretação narrativa é um método fundamental de negociação e renegociação de significados, grandemente auxiliada pelos recursos narrativos armazenados por uma comunidade. Uma das fontes fundamentais desse "kit de narrativas", transmitido de geração a geração, é o legado de histórias contadas pelos idosos (Bruner, 1997, 1999).

A interação entre crianças e idosos é muitas vezes extremamente prazerosa e enriquecedora para ambos, e a compreensão do que está envolvido nesse processo é ainda pouco explorada na Psicologia. Em algumas sociedades tradicionais, os idosos têm um papel fundamental em contar a história da comunidade, da família, servindo de referência às novas gerações. Nossa sociedade, fortemente individualista e voltada para o novo, tem desprezado o passado e a "voz da experiência" dos idosos (Beauvoir, 1976/1990). Compreender melhor as características das narrativas de crianças e idosos pode contribuir para a discussão sobre o desenvolvimento cognitivo num contexto cultural, fundamentando propostas educacionais que utilizem a interação entre idosos e crianças, não apenas numa concepção "filantrópica" de doação de paciência e atenção de um lado ou do outro da díade, mas numa perspectiva de amplos benefícios recíprocos que envolvam o desenvolvimento de possibilidades específicas dessas faixas etárias.

Narrativas de Crianças

As narrativas são processos cognitivos expressos no discurso humano já na criança de dois a três anos que começa a encadear os eventos em forma de histórias, tanto em solilóquios como na comunicação interpessoal. Ela começa a compreender histórias que lhe são contadas e a se consolar com elas, muito antes de ser capaz de manejar lingüisticamente as proposições piagetianas mais fundamentais. Na verdade, proposições lógicas são mais bem compreendidas quando incluídas em uma história em andamento (Bruner, 1997). A narrativa em torno dos três ou quatro anos já desempenha várias funções para a criança: relatar acontecimentos, definindo regras sobre o que constitui o normal e o que é uma exceção, organizar a noção de tempo, convencer o outro (bajular, enganar, justificar, obter o que puder sem provocar confronto) e estabelecer uma maior empatia com os outros, interpretando seus estados e motivações. Além disso, a criança tende também a brincar narrativamente (Dunn,1988). Por isso, a narrativa é um instrumento fundamental para a entrada da criança no mundo da cultura e na complexidade das relações interpessoais que envolvem constante negociação de significados. Para Nelson (2000), as crianças aprendem a narrar, contando suas próprias histórias e versões, engajadas em considerações sobre episódios pessoais com outras pessoas, tanto com adultos como com pares. Ouvindo histórias sobre diferentes pessoas, com distintas perspectivas sobre o mundo, emoções e intenções, em diferentes lugares e épocas, a criança vai tomando consciência sobre seu próprio ponto de vista e existência situada num contexto específico. Começa a entender que sua história começa bem antes do que consegue lembrar, passando-se em lugares diversos, e se projetando para o futuro.

Num trabalho bastante conhecido na área da sociolingüística no Brasil, Perroni (1992) estudou o desenvolvimento narrativo em crianças, observando a interação com suas mães. Foram consideradas narrativas as histórias típicas da nossa cultura, como contos de fadas, que têm um enredo mais ou menos fixo, relatos de experiências efetivamente vividas e compartilhadas com a mãe, e casos em que a atividade criativa do narrador fica mais livre, não comprometida com a correspondência da narrativa com o efetivamente vivido. Foi verificado que a criança, em torno dos dois anos, caracteriza-se pelo "discurso do aqui/agora", típico das "protonarrativas", utilizando expressões de atualidade, como "já", "pronto", "outra vez" e "ainda". Após os dois anos e sete meses, começam a surgir expressões de relações temporais, como "depois", "ontem", "amanhã", "de noite", que remetem a momentos não contemporâneos ao da enunciação. Adulto e criança assumem, na sua interação verbal, papéis específicos um em relação ao outro. O adulto dirige perguntas à criança que, respondidas, favorecem o surgimento do discurso. Aos poucos as perguntas vão ficando mais complexas e sofisticadas, bem como as respostas. A natureza das respostas da criança vai se adequando progressivamente ao tipo de discurso, e a criança começa também a informar, isto é, narrar experiências não partilhadas pelo adulto. Assim, após os quatro anos, as crianças aumentam sua iniciativa de relatar eventos e ações passados e também futuros, elaborando discursivamente pontos de referência mais estáveis para articular tempos verbais e expressões de tempo. A autora observa que, entre os quatro e cinco anos, há uma modificação progressiva na interação narrativa entre adulto e criança. Se aos dois e três anos, o adulto promove o desenvolvimento das narrativas infantis com perguntas e receptividade às respostas, por volta dos 4 a 5 anos, ele começa a censurar e repreender a criação de situações narrativas, muitas vezes fictícias, pela criança. Além disso, o adulto tende a se impacientar com o uso que a criança faz da narrativa para se contrapor às ordens e limites que lhe são colocados. Uma vez que a linguagem da criança já está bem estruturada, talvez o adulto acredite que a mesma já tenha condições de abordar a realidade de uma forma mais realista e fiel aos acontecimentos vividos, podendo ser socializada de forma mais objetiva e racional. A ficção fica então circunscrita ao espaço lúdico e imaginativo das brincadeiras de faz-de-conta e das histórias infantis. Bruner (2000) afirma que a cultura educacional e científica ainda tende a rejeitar as histórias, como fontes de ilusão humana, desconsiderando a realidade narrativa no contexto da negociação cultural de significados. Segundo ele, dedicamos um enorme esforço pedagógico para ensinar os métodos da ciência e o pensamento racional, mas vivemos a maior parte das nossas vidas num mundo construído conforme regras e recursos da narrativa.

Girardello (2004) define algumas condições ideais para narrar histórias às crianças, de preferência sem a utilização de livros ou gravuras, e utilizando basicamente três elementos: a voz (expressividade), a presença (caráter de improvisação da performance narrativa, ajustada às necessidades e características dos ouvintes) e imaginação (antecipação do que virá a seguir). Considerando a referida ênfase de interlocutores como pais e professores sobre o desenvolvimento de capacidades lógicas e realísticas, podemos supor que as crianças encontrem no adulto idoso um parceiro mais disponível para suas histórias repletas de fantasia e faz-de-conta. A interação entre criança e idoso pode propiciar uma perspectiva em que seja possível a construção narrativa do mundo pela criança e a significação das experiências de uma vida pelo idoso.

Narrativas de Idosos

Na outra "ponta" do desenvolvimento, na idade avançada, as narrativas também se revelam fundamentais, no relato de histórias de vida para as quais os idosos parecem buscar um sentido. De acordo com Randall (2002), a importância da narrativa nessa etapa da vida vem sendo cada vez mais reconhecida. O campo da Gerontologia Narrativa é uma área emergente nos estudos sobre envelhecimento. Um de seus temas é o de que o envelhecimento é um processo biográfico, envolvendo o contar e o recontar contínuos da experiência vivida.

De acordo com Preti (1991), as narrativas pessoais ocorrem com grande freqüência na fala de indivíduos mais velhos, dada sua tendência natural em tornarem-se "contadores de histórias". A lembrança do passado é freqüente nas conversas entre idosos. O idoso utiliza suas lembranças do passado para a análise do presente, parecendo apresentar o objetivo de preservar sua imagem social através da linguagem (Boden & Bielby, 1983; Preti, 1991).

A qualidade das narrativas de idosos também tem sido destacada. James, Burke, Austin, e Hulme (1998) solicitaram a grupos de leitores jovens e idosos que avaliassem subjetivamente a qualidade de narrativas produzidas por sujeitos dessas mesmas faixas-etárias, sem saber a idade dos narradores. Os juizes de ambas as idades consideraram as histórias produzidas por idosos como de melhor qualidade. Embora os tópicos fossem mais guiados pelo interesse pessoal dos idosos do que pelo de seus interlocutores, seus discursos foram geralmente considerados como mais interessantes, tanto por jovens como por idosos. O idoso, com suas experiências passadas e referências familiares e culturais, apresenta uma possibilidade diferente de memória do que aquela apresentada pelos jovens. É como se os idosos possuíssem um pano de fundo para sua memória atual. Bosi (1995) sugere que eles parecem apresentar um comprometimento social de lembrar sobre o passado.

Um dos aspectos interessantes da narrativa dos idosos é a sabedoria que pode revelar-se em seu discurso. Estudos que investigam aspectos psicossociais sob uma perspectiva cognitiva têm compreendido a sabedoria como uma capacidade de resolução de problemas de ordem social e uma habilidade de julgamento moral para situações de vida (Pratt & Norris, 1994b). Pratt (1992) verificou que a sabedoria dos idosos está relacionada a certas variáveis ligadas à personalidade e à própria experiência de vida do idoso. Uma das variáveis mais relacionadas à expressão da sabedoria em idosos é o apoio social percebido (Pratt, 1992). Esse achado confirma a idéia de que o aumento de redes de apoio social para aqueles idosos que se encontram isolados, como no caso de muitos idosos institucionalizados, pode concorrer para a emergência de uma maior expressão de sabedoria pelos mesmos, beneficiando não somente a eles próprios, como também às pessoas com quem entram em contato.

Autores que se posicionam dentro da corrente pragmática dos estudos de discurso sugerem uma série de mudanças na produção e compreensão da narrativa com o envelhecimento. Diversos estudos demonstram que os idosos emitem mais informação de caráter subjetivo em suas narrativas. De acordo com Soedberg, e Stine (1995), os idosos apresentam um maior número de avaliações subjetivas e menores continuações temporais em suas produções. Esses dados foram interpretados como indicativos de um maior distanciamento psicológico entre o leitor e o texto, ou seja, uma maior elaboração pessoal e uma menor fidelidade literal à fonte. Segundo Reyna (1995), o estilo narrativo dos idosos baseia-se mais na integração da informação em um esquema de interpretação do que na fidelidade aos detalhes de uma história. Esta característica da narrativa dos idosos se destaca nas tarefas de reconto de histórias. De acordo com Parente, Capuano, e Nespoulous (1999), devido a uma redução da memória de curto prazo, os idosos utilizam mais as informações de longo prazo armazenadas na memória episódica, deixando transparecer suas representações mentais. Adams, Smith, Nyquist, e Perlmutter (1997) demonstraram que idosos recontaram histórias com menos conteúdo literal do que jovens. No entanto, quando solicitados a interpretarem as mesmas histórias, esses idosos produziram maior número de representações profundas e sintéticas do significado interpretativo das histórias do que os jovens, demonstrando, além disso, uma preferência por esse estilo de narrativa. Brandão (2002) investigou a produção oral de narrativas pessoais e fictícias por jovens e idosos. Os resultados desse estudo demonstraram que os idosos optaram por um estilo menos objetivo e conciso do que os jovens, privilegiando a expressão de sentimentos e opiniões e manifestando preferência por contar histórias fictícias em que eles próprios eram protagonistas.

Os achados acima indicam que, com o envelhecimento, parece surgir um tempo de encontrar sentido para a história de vida. O idoso tende a expressar mais apreciações subjetivas em virtude do enorme número de associações e memórias relacionadas às suas experiências pessoais (Randall, 1999). Os idosos estão mais interessados na reminiscência e no estabelecimento de sua identidade no discurso. Parece que, ao invés de violarem as regras de relevância, eles apresentam objetivos que requerem mais informação subjetiva do que os jovens em suas narrativas (James et al., 1998). A habilidade de adultos idosos em adaptar a narrativa de histórias memorizadas à idade de ouvintes infantis foi constatada no estudo de Adams, Smith, Pasupathi, e Vitolo (2002). Mais do que os contadores jovens investigados, os idosos produziram elaborações e repetições, simplificando também as histórias mais complexas para as crianças. Essa liberdade relativa com relação ao texto literal beneficia o interlocutor infantil, que passa a contribuir de maneira espontânea na construção da narrativa, transformada de acordo com o contexto.

Narrativas Intergeracionais

Os estudos a respeito da interação da criança com o idoso são ainda escassos na literatura. Com exceção de algumas pesquisas até agora conduzidas, ainda se investiga a relação entre esses grupos etários de forma unilateral, buscando compreender a percepção que um grupo tem sobre o outro, principalmente a percepção das crianças sobre os idosos. Embora a percepção da criança a respeito do idoso não seja o foco deste artigo, é evidente a importância desse tema no que concerne ao estudo da relação narrativa que pode se estabelecer com os idosos. Por esta razão, serão primeiramente revisados estudos que abordam a avaliação e tentativa de modificação da percepção mútua entre os dois grupos, descrevendo-se depois estudos sobre experiências intergeracionais que procuram promover benefícios mais amplos para ambas as gerações, através de várias formas de interação. Finalmente, será explorada a literatura que focaliza as possibilidades específicas de desenvolvimento e complementariedade no contato entre crianças e adultos idosos, especialmente no que se refere à interação narrativa.

A maneira como a sociedade se comunica com o idoso produz forte impacto no uso da linguagem pelo mesmo (Pratt & Norris, 1994a). Além das conseqüências cognitivas das representações sociais do envelhecimento, as conseqüências sociais e afetivas são muito importantes. Se a imagem da velhice for sustentada com base na noção de declínio, isto tem conseqüências negativas não só para os próprios idosos diante do envelhecimento, mas também para aquelas pessoas que ainda não são idosas (Veloz, Nascimento-Schulze, & Camargo, 1999).

Uma das alternativas interessantes para promover uma percepção positiva sobre o envelhecimento são os programas intergeracionais (PIs), criados para propiciar a relação da criança com o idoso. Grande parte do corpo de estudos realizados sobre a criança e o idoso descreve a experiência de programas intergeracionais norte-americanos. Segundo Maier (2004), esses programas vêm sendo executados há 50 anos nos Estados Unidos. Haber, e Short-DeGraff (1990) fornecem uma visão geral dos programas intergeracionais. Os PIs objetivam construir uma ponte entre idosos e crianças, incorporando atividades delineadas para estimular interações entre os grupos etários. A idéia é de que crianças e adolescentes melhoram a qualidade de vida dos idosos, fornecendo entusiasmo, afeto e espontaneidade. Idosos, por sua vez, fornecem orientação, confiança e apoio, narrando suas experiências de vida. Exemplos de PIs são descritos na literatura com alguma freqüência, avaliando diferentes aspectos, e nem sempre apresentando os resultados esperados.

Enquanto alguns investigadores encontram dados que demonstram que as crianças não apresentam preconceitos no que diz respeito à imagem que apresentam dos idosos (Weber, Cooper, & Hesser, 1996), outros verificam que a percepção, sobre os idosos, de crianças que participam de PI's não são significativamente diferentes da percepção daquelas que não participam desses programas (Ivey, 2001; Middlecamp & Gross, 2002).

Middlecamp e Gross (2002) avaliaram o efeito de um PI sobre a percepção de crianças que interagiram com idosos durante um ano. Após este período, as crianças responderam a uma entrevista estruturada. As entrevistas realizaram-se a partir do desenho e de uma carta de cada criança descrevendo pessoas idosas a um amigo. A análise de conteúdo dessas entrevistas não revelou diferenças significativas entre a percepção de crianças que mantinham atividades intergeracionais e a percepção das que não dispunham desse tipo de atividades no currículo. Em geral, as crianças apresentaram uma avaliação menos positiva de idosos do que a visão que tinham de adultos mais jovens, e acreditavam que os idosos podiam participar em menos atividades do que as crianças.

Além dos estudos que buscam verificar se as crianças têm percepções positivas ou negativas dos idosos, existem pesquisas numa perspectiva voltada para a promoção de uma disposição altruísta, tanto de crianças para com idosos, como de idosos para com crianças. Leung, e Foster (1985) investigaram o comportamento altruísta de crianças de quinta e sexta séries através da narração de uma história sobre uma pessoa idosa. As meninas demonstraram maior altruísmo do que os meninos e a partir dos 11 anos de idade elas tendiam a apresentar a idéia de generosidade para com o idoso como um valor social. Szendre, e Jose (1996) estudaram, através de análise do conteúdo e questionários, os tipos de uso e assuntos abordados no programa "grandma please", no qual crianças de escolas públicas urbanas que ficam sozinhas após as aulas são encorajadas a telefonar para idosas voluntárias treinadas para oferecer-lhes apoio e suporte (ouvir, confortar, contar histórias ou piadas, ajudar nas lições e proporcionar amizade). O maior número de crianças que telefonou num período de um ano era de meninas entre 9 e 12 anos, e tendia a conversar sobre acontecimentos na escola, gostos pessoais, eventos positivos, e menos freqüentemente sobre problemas. O número e complexidade dos problemas trazidos aumentavam conforme a idade, especialmente nas meninas. As idosas voluntárias referiram, em questionários, benefícios pessoais em participar do programa, sentindo-se úteis em usar sua experiência e habilidade para ajudar crianças.

Chamberlain, Fetterman, e Maher (1994) argumentaram que a educação sobre o envelhecimento deveria ser uma das maiores prioridades para os profissionais que trabalham com crianças, pois as atitudes dos adultos mais jovens com relação ao envelhecimento e à pessoa idosa são associadas positivamente com experiências intergeracionais. Os autores investigaram os efeitos da relação entre idosos que viviam em uma instituição residencial que servia de creche para crianças pré-escolares e escolares durante o dia. Interações entre crianças e idosos, classificadas como positivas e negativas, foram observadas durante atividades intergeracionais no início, meio e fim dos três meses de observações que se sucederam. Foi possível verificar a predominância de um padrão mais positivo de interação, à medida que o tempo avançava.

Mudanças nas atitudes intergeracionais foram investigadas por Pinquart, Wenzel, e Soerensen (2000), a partir de atividades em grupo. Foram organizadas para o grupo experimental atividades conjuntas como escrever histórias, fazer fantoches e apresentar um teatro de bonecos. No grupo controle, embora se estabelecesse contato visual entre crianças e idosos, cada participante trabalhou individualmente. A avaliação dos idosos a respeito das crianças tornou-se mais positiva somente no grupo experimental. No entanto, as avaliações das crianças sobre os participantes idosos tornaram-se mais positivas independentemente da condição experimental. Sete semanas após a intervenção, as avaliações das atitudes das crianças sobre os idosos permaneceram significativas. Melhoras nas atitudes intergeracionais durante atividades em grupo foram associadas ao aumento da freqüência de contato intergeracional fora do grupo, demonstrando que os efeitos dos PI's podem ser generalizados para outros contextos.

O efeito de atividades interativas com crianças no estado afetivo de idosos institucionalizados foi verificado por Saavedra, Ramirez, e Contreras (1997), através da mensuração por uma escala de depressão. Os resultados demonstraram que idosos que participaram do PI e que fizeram uso de medicamento antidepressivo tiveram uma maior redução da depressão em comparação ao grupo controle que também estava medicado. Esse estudo demonstra que a interação com crianças pode trazer benefícios afetivos aos idosos, que com freqüência sofrem de depressão. A depressão é uma das causas mais freqüentes de problemas de memória nessa faixa-etária, sendo que projetos como o de Saavedra et al. (1997), além de proporcionarem benefícios afetivos, também podem constituir ações preventivas relevantes no âmbito cognitivo.

Num estudo sobre a memória de idosos para textos narrativos, Adams et al. (2002) demonstraram o efeito benéfico que a interação com crianças pode produzir no desempenho de idosos em tarefas de reconto de histórias. Jovens e idosos foram solicitados a ler uma história com o objetivo de recontá-la, a partir de sua memória, tanto para um adulto como para uma criança. A pergunta da pesquisa foi: "o ouvinte faria uma diferença na evocação da história?" A resposta foi sim. Diferenças surgiram quanto ao número de proposições recordadas, favorecendo os jovens quando estes contaram a história ao adulto. Porém, as diferenças entre os grupos não existiram quando o ouvinte era uma criança. Os autores do estudo destacaram a relevância do contexto social para os estudos de memória e envelhecimento, sugerindo que a interação com crianças parece constituir uma situação favorável para a recuperação de informações e expressão do idoso.

Os estudos levantados parecem indicar o benefício de programas intergeracionais que envolvem a entrada de crianças em espaços destinados a idosos, e vice-versa, ou mesmo a criação de instituições que atendam às duas faixas etárias, na medida em que estes possibilitam a interação continuada em torno de atividades conjuntas. Pensamos, entretanto, que esta interação poderia ter objetivos que ultrapassassem a promoção de uma percepção mais positiva, de uma disposição mais altruísta, e mesmo de uma maior apreciação da companhia mútua, entre parceiros destas duas gerações polares. Tais objetivos dizem respeito à criação intencional de um "canal de comunicação" que conecte possibilidades e características presentes tanto nas crianças como nos adultos idosos. Este canal, como foi demonstrado acima, seria a narrativa.

Powers, Bailey-Hughes, e Ranft (1989) descrevem as várias etapas de um projeto intergeracional que teve o objetivo de integrar idosos como contadores de histórias em escolas de ensino fundamental. Para isso, estimularam 44 idosos a contar histórias pessoais que julgassem ter valor para crianças, filmando mais de 60 histórias. Depois avaliaram que as narrativas eram de evidente interesse para crianças, a maioria contendo valores e perspectiva histórica, mas que muitas delas careciam de uma forma apropriada, já que faltavam, por exemplo, uma melhor definição de elementos como o tema, a intriga e a conclusão. Concluíram que os idosos apresentavam habilidades narrativas que poderiam ser desenvolvidas num nível superior, com o objetivo de contar histórias para crianças de ensino fundamental. Cientes da importância da autodeterminação na aprendizagem e mudança em idosos, os pesquisadores promoveram entre eles discussões sobre os temas presentes nas histórias de vida que poderiam interessar as crianças, e como poderiam fazer para tornar suas histórias mais atraentes. Os idosos se engajaram no programa elaborado para o desenvolvimento de habilidades narrativas, participando ativamente em ensaios para uma performance final. Os participantes manifestaram considerável progresso na habilidade de organizar e contar suas histórias. Seis deles foram sorteados para contar histórias em duas diferentes escolas, em uma para grandes platéias e na outra para pequenas.

Os idosos souberam adaptar suas narrativas a diferentes platéias e reações. Nas platéias pequenas evidentemente ocorreu um clima de maior intimidade e um maior número de trocas entre os idosos e as crianças após as histórias. Entretanto, em ambos os contextos, os resultados mostraram que a experiência rendeu amplos benefícios. As crianças ganharam em termos de conhecimento e de perspectiva para considerar a história e as gerações mais antigas, na melhora do comportamento e capacidade de escuta, e na aquisição de habilidades para apresentações. Os professores obtiveram materiais adicionais para as referências em sala de aula e tomaram consciência sobre a importância das velhas gerações. Quanto aos idosos, aumentaram suas habilidades narrativas, ampliando-as para outros contextos, desenvolveram um maior senso de orgulho pessoal e uma rede maior de contatos humanos. Alguns deles continuaram contando suas histórias em outras escolas. Os pesquisadores ressaltaram a rapidez com que os idosos desenvolveram suas narrativas, tanto em termos do conteúdo como em termos de forma.

Programas educacionais, como o descrito acima, podem ajudar o idoso a ampliar a perspectiva da sua experiência, significando-a e tornando-a útil para as novas gerações. Na Inglaterra, foi criado um Centro de Reminiscências denominado Age Exchange, que trabalha formando narradores orais idosos e profissionais interessados em promover a narração autobiográfica do idoso. Têm sido publicados manuais, bem como livros que reúnem histórias de vida contadas pelos idosos que participam deste centro. São oferecidas inúmeras propostas de atividades relacionadas ao currículo escolar, que crianças e idosos podem experimentar juntos, sendo adaptáveis para contextos educacionais ou comunitários. O Centro mantém programas de "memória viva", em que voluntários idosos treinados vão a escolas para realizar workshops sobre tópicos como a vida durante a Segunda Guerra e nos anos 1930, e diversos outros temas que interessam às crianças. Age Exchange também promove programas de visitação de escolas ao Centro, planejados para atender às necessidades curriculares. Pessoas idosas conduzem discussões sobre o passado e ajudam as crianças a investigar idéias e valores associados a objetos antigos do museu do Centro, auxiliando-as a tomar consciência do quanto o passado influencia na vida de todos (Age Exchange, 2004).

Narrativas Intergeracionais no Brasil

Embora em nosso país pareça geral a crença de que os velhos não mudam mais (Oliveira, 1998), começam a surgir, de forma crescente, ações no sentido de revisar e debater os conceitos sobre envelhecimento na sociedade brasileira. Com o processo de mudança de concepções, surgem programas educacionais voltados para a terceira idade, argumentando que esta etapa não encerra o processo de desenvolvimento, mas constitui-se em um continuum em que o indivíduo permanece avançando em todos os aspectos de sua vida. Nesse sentido, a narrativa dos idosos também aqui tem sido reconhecida como uma habilidade que pode ser aperfeiçoada. No Brasil, o relato de PIs permanece ainda restrito a divulgações não científicas, como concursos para entidades não-governamentais, verificando-se, apesar disso, que algumas idéias inovadoras despontam em diferentes cidades do país, especialmente no estado de São Paulo. Em São Bernardo do Campo, foi criado um programa intergeracional que envolve crianças em fase de alfabetização de uma escola pública e idosos carentes residentes em asilos da cidade. O objetivo do programa é a formação pelas crianças de valores e atitudes como respeito e atenção aos idosos, promovendo a socialização entre as duas gerações através de atividades lúdicas. O programa tem mostrado resultados em termos da melhora na saúde, no humor e autoconfiança dos idosos, e o trabalho é aproveitado também como temática para a alfabetização mais significativa e contextualizada das crianças. Em Ribeirão Preto, já existe, desde o início dos anos 1980, um grupo de teatro de bonecos formado por idosos, chamado "Os Contadores de Histórias". O grupo, ligado à Escola Aberta de uma grande entidade nacional, escolhe os personagens, elabora os textos, a partir de histórias e lendas que ouviam na infância, confecciona as máscaras, o vestuário e a trilha sonora. Nos últimos anos outros grupos teatrais de idosos têm se formado em todo o estado de São Paulo, com grande sucesso junto ao público infantil, sendo convidados para se apresentar em instituições educacionais e de abrigo a crianças, em feiras e festivais de teatro.

 

Considerações Finais

Ao mesmo tempo em que se divulga freqüentemente um discurso que defende que a criança é o futuro, a esperança, e que devemos respeitar o idoso, nossa memória e passado, a crise econômica nacional tende a ter sua face cruel justamente na infância e na velhice (Dias, 2001). Pouco se faz efetivamente no sentido de escutar estas duas gerações, já que o presente é dominado pelo adulto, considerado mais objetivo e ágil, mais racional e realista. No contexto educacional, também é priorizado o domínio de habilidades e conteúdos, negligenciando-se a necessidade de compreensão mais profunda das relações entre o indivíduo, os outros e a cultura. A necessidade de narrar é muito presente na criança, ser em formação, e também no idoso, num processo de reavaliação da sua biografia. Se negligenciarmos isso, desprezamos o passado e abortamos a esperança de um futuro melhor.

A literatura analisada parece apontar claramente para a interação narrativa entre crianças e idosos como um contexto de desenvolvimento que aproveita mais amplamente as características afetivas e cognitivas destes, potencializando o atendimento de necessidades de ambas as faixas de idade. É necessário um maior número de pesquisas para alcançarmos uma compreensão mais ampla a respeito do desenvolvimento e da interlocução que pode ser estabelecida entre ambas gerações.

O estilo narrativo mais subjetivo e interpretativo do idoso poderia exercer provavelmente um papel benéfico no desenvolvimento narrativo da criança, que freqüentemente encontra no adulto jovem um interlocutor que organiza seu discurso de forma a torná-lo mais racional e objetivo. É possível que a criança encontre no idoso um interlocutor mais paciente, que estimule o potencial narrativo da criança.

A criança, por sua vez, pode contribuir com seu discurso rico em fantasia e ludicidade ao processo de significação das experiências de vida do idoso. Além da natureza fantástica e expressiva própria da narrativa da criança, é possível que a mesma não apresente preconceitos sociais para com o idoso. A interação narrativa com crianças pode promover uma maior diversidade de experiências sociais ao idoso, bem como novas redes de apoio social. Esses fatores contribuem para a emergência da sabedoria no discurso dos idosos, beneficiando ambos os grupos.

Constatamos a necessidade de programas educacionais voltados ao desenvolvimento de idosos como narradores orais, que ajudem os participantes a situar sua experiência no contexto social e histórico, selecionando memórias interessantes e treinando a performance narrativa para uma audiência infantil. Vimos nos estudos citados que narrar é uma atividade cognitiva e comunicativa prioritária na velhice, freqüentemente espontânea, mas que pode ser intencionalmente refletida e elaborada, através de aprendizagem, com resultados bastante rápidos e satisfatórios. É ingênuo supor que o simples contato assistencialista e altruísta entre crianças e idosos, em visitas, ou até mesmo brincando juntos, vai modificar de forma consistente a visão infantil sobre o envelhecimento, ou a solidão e abandono de pessoas idosas em instituições. Tais programas não devem tampouco se restringir a desenvolver habilidades de entretenimento, mas legitimar uma prática narrativa que possa ser aproveitada nas escolas como parte integrante do currículo. Desta maneira, poderia ser resgatada a possibilidade do exercício do verdadeiro papel do idoso na sociedade: o de alguém que reflete o significado da sua própria existência, do seu próprio drama, situado num contexto histórico-cultural, e buscando uma continuidade que vá além da sua existência, prolongando-se às novas gerações. Este tipo de experiência educacional seria, por sua vez, fonte importante de pesquisas, gerando conhecimento sobre a interação idoso-criança e o aperfeiçoamento de programas.

 

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Submissão: 30/11/2004
1ª revisão: 20/03/2005
Última revisão: 03/05/2005
Aceite final: 10/05/2005

 

 

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