SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.20 issue2Impressions and feelings of pregnant women concerning obstetric ultrasound in the context of fetal normality author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972On-line version ISSN 1678-7153

Psicol. Reflex. Crit. vol.20 no.2 Porto Alegre  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722007000200001 

EDITORIAL

 

Citar para ser citado

 

 

Em notícia amplamente divulgada na mídia e anunciada pelo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC), Jorge Guimarães, durante a 59º Reunião Anual da SBPC, em Belém (PA), o Brasil está atualmente na 15ª posição na lista de países que mais publicam artigos científicos no mundo, contribuindo com 1,92% da produção global. Para perceber a importância desta proporção é necessário saber que os Estados Unidos ocupam a primeira posição com 32,3% e o segundo lugar fica com a Alemanha, que contribui com 8,1%.

Algumas iniciativas brasileiras foram fundamentais nos últimos 10 anos para melhorar a contribuição do Brasil para a ciência mundial. O acesso à literatura científica pelo Portal CAPES em universidades sem dúvida foi importante. Mas a política de acesso aberto da iniciativa brasileira Scientific Electronic Library Online (SciELO), que completou 10 anos em julho de 2007, permitiu o acesso gratuito a publicações científicas de qualidade, sem barreiras, on-line a todos com acesso a Internet. As conquistas deste período foram fundamentais para o crescimento da ciência no Brasil e na América Latina, merecendo reconhecimento internacional.

Para se ter uma idéia, no final destes 10 anos a SciELO disponibiliza para acesso aberto 450 periódicos (130 mil artigos) em coleções de 8 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Portugal, Espanha e Venezuela) e duas coleções temáticas (Saúde Pública e Social Sciences English Edition). A maior coleção é a da Scielo Brasil, com 185 periódicos. Especificamente na área da Psicologia, a biblioteca virtual de psicologia (BVS-PSI) e o portal de periódicos em Psicologia (PEPSIC) são fontes importantíssimas da produção nacional e latinoamenricana, além das BVSs de vários países latinoamericanos e da BVS-ULAPSI.

Apesar do nível de impacto também ter subido junto com a produção científica, a posição do Brasil cai para 20º lugar no ranking. Ou seja, publicamos mais, mas ainda não somos tão citados no resto do mundo. O problema não é novo e parece ser comum a outros países em desenvolvimento. Uma das razões pode ser que mesmo quando publicamos internacionalmente, não apresentamos novidades que justifiquem a citação, ou que os que mais publicam citam mais o que seus colegas ou competidores de grupos bem estabelecidos produzem.

Mas em reuniões da Associação Brasileira de Editores Científicos de Psicologia (ABECIP) discute-se por que as citações a periódicos científicos, em especial à produção nacional são ainda escassas, mesmo em teses e dissertações e em especial em artigos. Parece que nós mesmos ignoramos não só a produção nacional, mas também aquela produzida por outros países latino-americanos e outros países em desenvolvimento. Ou seja, é possível que estejamos reproduzindo e perpetuando o que internacionalmente se faz com nossa produção científica: enterrando o conhecimento científico que nós mesmos produzimos e junto com ele o impacto de nossos periódicos. Isso se reflete na importância que damos aos periódicos nos quais publicamos, por exemplo no índice de impacto calculado, pela SciELO.

No dia-a-dia como Editora Geral, no processo de triagem dos artigos que entram no processo editorial, muitas submissões chamam a atenção por ignorarem inteiramente a produção nacional. Fica difícil entender como o autor quer publicar um artigo em um periódico usando quase que exclusivamente como referências livros ou dissertações e resumos. Mais grave ainda é observar que apesar do acesso existir, nós raramente nos debruçamos sobre a produção de nossos colegas latino-americanos. Se nós mesmos, latino-americanos, não citamos nossa produção, por que autores de outros continentes o fariam?

Muito ainda precisa melhorar na ciência brasileira, desde a profissionalização do processo de publicação dos periódicos científicos, passando por problemas clássicos como a importação de material e equipamentos e a infra-estrutura, até a proporção do Produto Interno Bruto destinado a investimentos em ciência e tecnologia. Mas nós mesmos podemos começar imediatamente enquanto pesquisadores, a conhecer mais a nossa produção; enquanto orientadores, a estimular nossos alunos a citar o que é produzido na América Latina e nos países ibéricos; enquanto avaliadores, a valorizar artigos que citam a produção nacional e latino-americana e enquanto editores, a exigir uma proporção mínima de citações a artigos publicados em periódicos. Através de nossas ações, podemos melhorar qualitativamente a área da psicologia/psiquiatria, que por sinal foi a que mais cresceu (70%) na comparação dos triênios 2001-2003 e 2004-2006.

 

Lisiane Bizarro
Editora Geral

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License