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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.20 no.2 Porto Alegre  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722007000200012 

Processo de adaptação da bateria Montreal de avaliação da comunicação – bateria MAC – ao português brasileiro

 

Adaptation process to Brazilian Portuguese of the Montreal communication evaluation battery – MAC battery

 

 

Rochele Paz FonsecaI, *; Maria Alice de Mattos Pimenta ParenteI; Hélène CôtéII; Yves JoanetteII

IUniversidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil
IIUniversité de Montréal, Montréal, Canadá

 

 


RESUMO

O presente estudo tem por objetivo apresentar a adaptação do "Protocole Montréal d'Évaluation de la Communication – Protocole MEC" (Bateria Montreal de Avaliação da Comunicação – Bateria MAC) ao Português Brasileiro. Esta bateria canadense foi construída para avaliar quatro processamentos comunicativos de ativação do hemisfério direito: discursivo, pragmático-inferencial, léxico-semântico e prosódico. Participaram do estudo seis tradutores, três juízes especialistas, 54 juízes não-especialistas e 16 participantes dos estudos piloto. Os procedimentos gerais promovidos foram tradução, análise de critérios psicolingüísticos por juízes e aplicação do instrumento em estudos piloto. As tarefas Interpretação de metáforas, Discurso narrativo e Julgamento semântico exigiram um processo de adaptação mais complexo e rigoroso. Com base em critérios psicolingüísticos, realizaram-se algumas mudanças nos estímulos, com a finalidade principal de manutenção do objetivo de cada tarefa do instrumento original. Este instrumento neuropsicológico pode ser uma ferramenta de avaliação da comunicação de indivíduos com lesão de hemisfério direito, lesão frontal, traumatismo crânio-encefálico e demência.

Palavras-chave: Neuropsicologia; comunicação; linguagem; hemisfério direito; avaliação psicológica


ABSTRACT

This research aims to present the adaptation of the "Protocole Montréal d'Évaluation de la Communication – Protocole MEC" (Montreal Communication Evaluation Battery – MAC Battery) to Brazilian Portuguese, in accordance with psycholinguistics criteria. MAC Battery is a Canadian instrument constructed to evaluate right hemisphere communicative and linguistic abilities, considering four processing domains: discoursive, pragmatic-inferential, lexical-semantic and prosodic. The participants were six translators, three specialist judges, 54 non-specialist judges and 16 subjects from pilot studies. Adaptation procedures included translation, judge analysis of psycholinguistics criteria and two pilot tests. Some tasks required a harder stimulus adaptation process – Metaphor interpretation, Narrative discourse and Semantic judgement – focusing a main finality: to keep each task's objective as idealized in the original instrument. This neuropsychological test can be used to evaluate communication abilities of patients with right brail damage, frontal lesion, traumatic brain injury and dementia.

Keywords: Neuropsychology; communication; language; right hemisphere; psychological evaluation.


 

 

A presente pesquisa tem por objetivo apresentar a adaptação do "Protocole Montréal d'Évaluation de la Communication – Protocole MEC" (Joanette, Ska & Côté, 2004) à Bateria Montreal de Avaliação da Comunicação – Bateria MAC, versão do instrumento original canadense no Português Brasileiro (PB). Este instrumento neuropsicológico avalia quatro componentes do processamento comunicativo de ativação do hemisfério cerebral direito (HD): discursivo, pragmático-inferencial, léxico-semântico e prosódico.

Ao se apresentar como enfoque as habilidades do HD, buscou-se estudar a função comunicativa como um todo, abrangendo aspectos lingüísticos (gramaticais ou estruturais) e paralingüísticos (funcionais), ao invés de apenas se investigarem os componentes formais ou estruturais da linguagem verbal (fonologia, morfo-sintaxe e semântica literal), presentes nas baterias tradicionais que investigam as funções do hemisfério esquerdo – HE (Côté, Moix & Giroux, 2004). Desta forma, a Bateria MAC abrange prova de verificação da consciência das dificuldades adquiridas após a lesão cerebral: tarefas de discurso conversacional, interpretação de metáforas, evocação lexical, compreensão e produção de prosódias lingüística e emocional, discurso narrativo, interpretação de atos de fala indiretos e julgamento semântico.

Evidencia-se em pesquisas de adaptação de instrumentos neuropsicológicos consultadas (Bertolucci, Okamoto, Toniolo Neto, Ramos & Brucki, 1998; Schultz, 1999) que, apesar de os procedimentos não estarem detalhadamente descritos, o interesse pelo processo de adaptação de testes neuropsicológicos vem crescendo. Esta idéia é reforçada pela investigação efetuada sobre o desenvolvimento recente da avaliação neuropsicológica nos países asiáticos (Chan, Shum & Cheung, 2003). Esta pesquisa destaca-se por abordar uma análise crítica dos instrumentos neuropsicológicos asiáticos quanto ao rigor da adaptação, tendo-se em vista a grande necessidade de procedimentos rigorosos de adaptação lingüística e cultural de uma língua ocidental para uma oriental. Chan et al. constataram uma crescente tendência ao estudo de desenvolvimento ou de adaptação de instrumentos de avaliação neuropsicológica, com aproximadamente 40% dos estudos revisados apresentando um destes objetivos.

Nesse contexto, a adaptação da Bateria MAC vem suprir uma demanda internacional e nacional de instrumentos para a clínica e para a pesquisa que avaliem a comunicação após lesão de HD. O principal conceito teórico que embasa a construção da versão original desta avaliação é o de dominância cerebral ou especialização hemisférica – noção de que cada hemisfério cerebral assume funções cognitivas específicas. Quanto à linguagem, as especializações hemisféricas giram em torno da demarcação de seus componentes estruturais (Bogen, 1997). Apesar do significado (semântica) ter representação em ambos hemisférios, o HE é responsável pelos demais aspectos formais ou estruturais da linguagem, como a fonologia (combinação dos sons para a formação de palavras), a morfologia (regras de formação lexical) e a sintaxe (regras de organização de frases). O HD, no entanto, responsabiliza-se pelos aspectos funcionais, ou seja, a pragmática e a prosódia, participando em menor escala, também, do processamento dos aspectos estruturais (Fonseca & Parente, 2005; Joanette, Goulet & Hannequin, 1990).

Ao revisarem os principais protocolos de avaliação de habilidades cognitivas e comunicativas após lesão de HD existentes, Eck, Côté, Ska e Joanette (2001) propuseram uma análise crítica quanto à utilidade de tais testagens para o exame da comunicação verbal relacionada ao HD. Apontaram suas falhas teóricas e metodológicas, tais como, abordagem superficial da comunicação sem fundamentação teórica ou presença exclusiva de tarefas visuo-espaciais. Salientaram, também, o limite de acesso lingüístico a estas baterias, publicadas apenas na língua inglesa. De tal modo, concluíram que há uma demanda da clínica neuropsicológica no que se refere tanto à qualidade de avaliações para os distúrbios de linguagem após lesões no HD, assim como à necessidade de adaptações para diferentes línguas. Desta forma, este grupo de pesquisa começou a elaborar o "Protocole MEC" em 1999.

No que diz respeito aos instrumentos existentes que visam a testar as competências lingüísticas estruturais e/ou pragmáticas, há um predomínio de protocolos que avaliam o desempenho de indivíduos nas primeiras. As principais baterias têm por finalidade avaliar as funções verbais com o intuito de se alcançar o diagnóstico do tipo de afasia – distúrbio de linguagem, que ocorre com maior freqüência após lesão no HE (para uma revisão ver Latorre, & Dueñas, 1987). Em geral, as provas que testam as habilidades lingüísticas realizadas pelo HE examinam a emissão de linguagem espontânea, a conversação, a narração, a nomeação, a produção de enunciados automáticos, a repetição e a compreensão de palavras, frases e textos.

Na década de 1960, por influência da corrente lingüística pragmática (Searle, 1969), os terapeutas de afásicos passaram a valorizar as habilidades funcionais da linguagem que estavam preservadas nestes pacientes devido à integridade do HD. As avaliações formuladas para testar estas habilidades eram compostas por questionários e dramatizações de situações de vida diária. Somente a partir da década de 80, surgem baterias específicas para examinar as dificuldades cognitivas após acometimento do HD. Nos instrumentos que testam processos psicológicos relacionados a este hemisfério, há poucas tarefas que abrangem o processamento lingüístico e comunicativo realizado especificamente pelo HD (Eck et al., 2001; Côté Payer, Giroux e Joanette, 2007). Além disso, não há instrumentos com tal foco publicados na língua portuguesa.

De tal modo, dois fatores contribuem para a relevância da adaptação do "Protocole MEC" ao PB. O primeiro diz respeito à observação da existência de uma lacuna de protocolos específicos para avaliação de habilidades comunicativas de ativação do HD. O segundo faz referência a uma das maiores dificuldades encontrada pelos neuropsicólogos e neurolingüistas brasileiros, assim como pelos demais profissionais de áreas afins, como o psicólogo e o fonoaudiólogo: a significativa escassez de instrumentos de avaliação cognitiva adaptados para a nossa realidade sócio-cultural. Muitas baterias, testagens e tarefas, de origem norte-americana ou européia, que visam a examinar quadros de distúrbios lingüísticos, tal como as afasias, são utilizadas no Brasil com base apenas em suas traduções. Isso não é suficiente para que um teste construído em uma determinada cultura possa ser utilizado em outros países com a garantia de manutenção de sua qualidade: aspectos psicolingüísticos e psicométricos precisam ser adequados.

 

Método

Participantes

Participaram deste estudo quatro diferentes amostras, cuja colaboração será explicitada na seção Procedimentos. A caracterização de cada amostra encontra-se na Tabela 1. Cada amostra recebeu um código que será utilizado na seção Procedimentos.

 

 

Material

A Bateria MAC é composta de nove diferentes provas lingüísticas intituladas: (a) Questionário sobre a consciência das dificuldades; (b) Discurso conversacional; (c) Interpretação de metáforas; (d) Evocação lexical; (e) Prosódia lingüística; (f) Prosódia emocional; (g) Discurso narrativo; (h) Interpretação de atos de fala indiretos e (i) Julgamento semântico. A adaptação das provas foi promovida de acordo com o objetivo e as instruções de cada uma delas, detalhados em Fonseca (2004). Na Tabela 2, podem-se visualizar os objetivos, a quantidade de modalidades e a caracterização dos estímulos de cada tarefa da Bateria MAC. Além da breve descrição de cada subteste apresentada na Tabela 2, na Tabela 3, dois estímulos de cada tarefa do instrumento original e os correspondentes do instrumento adaptado ao PB são apresentados para ilustrar a operacionalização de cada prova. Ressalta-se que o instrumento em pauta encontra-se em fase de editoração pela Editora Pró-Fono, com previsão de comercialização para o fim de 2007.

 

 

Procedimentos

Três categorias de procedimentos gerais foram utilizadas para o processo de adaptação: tradução, análise de critérios psicolingüísticos por juízes e aplicação do instrumento em um estudo piloto. O procedimento de tradução foi realizado a partir de três diferentes procedimentos específicos, com a participação de um total de seis tradutores:

1. Tradução simples e tradução reversa (ou back translation) (T+B) – tradução da língua francesa para a língua portuguesa sem adequações de termos e da língua portuguesa para a francesa. Inicialmente, todo o protocolo da Bateria MAC foi traduzido da língua francesa para a portuguesa por uma estudante brasileira que reside na França. Esta tradução foi revisada por um juiz com domínio das duas línguas. Foi efetuada, para confirmação deste procedimento inicial, uma tradução reversa da língua francesa para a portuguesa de todas as provas, por um psicólogo brasileiro falante da língua francesa (amostra 1, Tabela 1).

2. Adequação de termos (AT) – adequações de alguns termos após os procedimentos de tradução simples e tradução reversa. Em algumas tarefas, além da tradução, alguns termos e sentenças de algumas provas da Bateria MAC foram adequados à nossa realidade social ou lingüística, a partir de discussões freqüentes com o grupo de pesquisa canadense responsável pela elaboração do instrumento original em estudo.

3. Tradução comparada (TC) – tradução por dois diferentes tradutores e estabelecimento de consenso por um terceiro tradutor (amostra 1, Tabela 1). Este procedimento foi utilizado apenas para as instruções de aplicação e de pontuação deste instrumento, elaboradas pelo grupo canadense e organizadas em um Manual de Aplicação e Pontuação (Fonseca, 2004).

O procedimento de análise de critérios psicolingüísticos por juízes pode ser subdividido em dois procedimentos específicos:

1. Análise por três juízes especialistas (A3) – três juízes especialistas analisaram todos os estímulos lingüísticos do instrumento, ou seja, todos os itens (palavras, sentenças e texto) e procuraram adequá-los às características do PB, a partir de critérios de familiaridade, plausibilidade e clareza lingüísticas (amostra 2, Tabela 1).

2. Análise por 54 juízes não-especialistas (A54) – este procedimento foi composto por duas tarefas: (a) julgamento do grau de familiaridade dos termos constituintes dos estímulos de três provas da Bateria MAC e (b) julgamento da essencialidade das informações apresentadas no texto da tarefa de discurso narrativo.

Estas duas tarefas foram aplicadas em 54 indivíduos considerados juízes não-especialistas (amostra 3, Tabela 1). Na primeira tarefa, foram orientados, em grupo, a assinalarem uma das opções de uma Escala Likert de familiaridade de 1 a 7 (Pasquali, 1999), onde 1 indicou que o termo era não familiar, 2, pouco familiar, 4, mais ou menos familiar, 6, bastante familiar e 7, completamente familiar. As opções 3 e 5 foram colocadas para que os juízes pudessem graduar a familiaridade das palavras e expressões com maior liberdade. Os termos a serem julgados – palavras e expressões idiomáticas que compõem as metáforas da tarefa "Interpretação de metáforas", três temas da tarefa "Discurso conversacional" e as palavras que formam os pares de vocábulos da tarefa "Julgamento semântico" – foram apresentados aleatoriamente, ou seja, em ordem diferente daquela exposta na Bateria MAC, determinada por um sorteio. Para a seleção dos estímulos destas três tarefas, foi utilizado um ponto de corte de 50%, indicado por Cadillac (2000). Assim, as palavras e expressões julgadas por mais de 50% dos juízes como 4, 5, 6 ou 7 (de mais ou menos familiares até completamente familiares) foram mantidas nos estímulos destas tarefas.

Na segunda tarefa, os juízes foram instruídos a sublinharam aquelas informações (palavras ou expressões) que considerassem mais importantes para a compreensão do texto e a riscar aquelas julgadas como pouco importantes ou irrelevantes para o entendimento da narrativa, com base no método de busca utilizado nas análises textuais de Cadillac (2000). No instrumento original, a narrativa deve ser recontada pelos pacientes. O discurso recontado é analisado parágrafo por parágrafo, mediante a distribuição das informações recontadas em um quadro para cada parágrafo, em que cada informação esperada ocupa uma linha. Este quadro possibilita a análise das informações recontadas e a respectiva atribuição de escores. Na versão adaptada da narrativa, a organização final das informações textuais em quadros por parágrafo foi efetuada da seguinte maneira: as unidades de informações narradas foram categorizadas em importantes (informações julgadas como muito importantes por mais de 70% dos juízes) ou pouco relevantes (informações julgadas como muito importantes por menos de 70% dos juízes), considerando-se como ponto de corte 70% dos juízes terem julgado a informação como muito importante. Este ponto de corte foi mais rigoroso do que o de 50%, utilizado na primeira tarefa aplicada aos 54 juízes – julgamento do grau de familiaridade, devido ao fato de a narrativa ser um estímulo mais contextualizado do que as palavras e expressões apresentadas isoladamente.

A aplicação do instrumento em uma amostra piloto (AP) consistiu na administração individual da primeira versão adaptada da Bateria MAC em uma amostra piloto (amostra 4, Tabela 1). Os objetivos deste procedimento foram (a) testar o instrumento em uma situação real de coleta para a verificação da existência de falhas em sua adaptação, tais como uso de termos não compreensíveis aos participantes e ambigüidade de alguma instrução, entre outras, e (b) estimar a duração desta aplicação. As dificuldades apresentadas foram analisadas pelos três juízes especialistas e, após novas adaptações específicas, os estímulos modificados foram novamente aplicados nesta mesma amostra piloto.

Cada prova da Bateria MAC foi submetida a mais de um dos três procedimentos acima explicitados. Um destes procedimentos foi considerado o predominante, conforme pode ser visualizado na Tabela 4, na próxima página.

 

 

As provas Interpretação de metáforas e Discurso narrativo demandaram alguns procedimentos específicos, além dos já relatados para as demais tarefas. A tarefa Interpretação de metáforas, que verifica a compreensão de 20 sentenças metafóricas, exigiu um rigoroso trabalho de adaptação psicolingüística em função do critério de grau de familiaridade das metáforas propriamente ditas ou das palavras que as compõem, proposto pelos autores do "Protocolo MEC". Assim, as primeiras dez expressões metafóricas deveriam ser desconhecidas pelos participantes (metáforas novas), sendo as palavras referentes aos dois conceitos principais familiares aos mesmos. O indivíduo, apenas por seu conhecimento de cada conceito, deveria saber explicar a ligação entre os dois vocábulos. Por exemplo, na metáfora "O professor é um sonífero", a expressão em si não deveria ser familiar, mas sim as palavras "professor" e "sonífero". As próximas dez deveriam consistir em expressões idiomáticas, ou seja, mais familiares. Por exemplo, na metáfora "Este homem joga dinheiro no lixo", a expressão "jogar dinheiro no lixo" é familiar no PB.

A adaptação desta prova foi promovida a partir de cinco procedimentos específicos. O primeiro consistiu na realização de uma tradução simples e de uma tradução reversa. O segundo procedimento aplicado foi a análise de cada metáfora traduzida pelos três juízes especialistas, que promoveram modificações de alguns termos e de algumas metáforas propriamente ditas. O terceiro procedimento consistiu na aplicação da primeira versão adaptada da tarefa, obtida a partir dos dois primeiros procedimentos, em uma amostra piloto selecionada apenas para a adaptação desta prova (amostra 5, Tabela 1). Os indivíduos desta amostra foram solicitados a responderem, individualmente, se sabiam ou não o significado de cada metáfora e, logo após, qual explicação poderia ser dada para cada uma. O quarto procedimento correspondeu à análise dos 54 juízes não-especialistas, que julgaram a familiaridade dos termos componentes das 10 metáforas novas e das 10 expressões idiomáticas. Por fim, o quinto procedimento consistiu na aplicação da versão adaptada integral da Bateria MAC, incluindo esta tarefa, no estudo piloto, de forma mais contextualizada.

A tarefa Discurso narrativo, que examina o reconto parcial e integral de uma narrativa, além da compreensão destes, também exigiu maior rigor psicolingüístico. Na versão adaptada, o texto foi reformulado por um dos juízes especialistas com domínio de redação de textos, de acordo com critérios de equivalência semântica entre as duas línguas e de coesão e coerência textuais. O objetivo foi o de manter a clareza da narrativa, assim como seu encadeamento cronológico, dando ao texto características da nossa língua e da nossa cultura.

 

Resultados

Os resultados serão expostos de acordo com a adaptação de cada tarefa da Bateria MAC. Após a obtenção da versão traduzida da tarefa Questionário sobre a consciência das dificuldades, confirmada pela tradução reversa, foram efetuadas duas adequações de termos – uma substituição e um acréscimo. Tais adequações foram realizadas para que as respostas estruturadas "sim" ou "não" pudessem ser assinaladas, sem a necessidade de uma terceira opção ser acrescentada, tal como "às vezes".

Na tarefa Discurso conversacional, a partir da tradução e da tradução reversa, cujos resultados apresentaram concordância entre si, mantiveram-se as quatro opções de assunto para a iniciação de um diálogo, conforme o instrumento original (família, hobbie, trabalho e atualidades). No entanto, o tópico original hobbie foi substituído por "lazer" a partir do procedimento de adequação de termos, uma vez que é uma palavra de origem inglesa. Todos os tópicos seguem o critério de serem assuntos do dia-a-dia. Além disso, os três primeiros assuntos foram julgados por 98% dos 54 juízes não-especialistas como familiares.

Os resultados da adaptação da tarefa Interpretação de metáforas serão apresentados a partir da divisão das metáforas de acordo com o critério de familiaridade: metáforas novas (dez primeiras) e expressões idiomáticas (dez últimas). Na Tabela 5, podem ser visualizados os resultados dos cinco procedimentos de adaptação desta prova.

1. A partir do primeiro procedimento de adaptação – tradução e tradução reversa – a tradução das dez primeiras metáforas, ou seja, das metáforas novas, foram confirmadas pelo procedimento de tradução reversa, não sendo necessárias adequações. Em contrapartida, a tradução das dez últimas metáforas, isto é, das expressões idiomáticas, não foi totalmente confirmada, sendo necessário o estabelecimento de um consenso por um terceiro tradutor no que concerne à tradução de seis expressões idiomáticas, conforme pode ser visualizado na segunda coluna da Tabela 5.

2. Após a tradução inicial, o segundo procedimento de adaptação desta tarefa consistiu na análise de cada metáfora por três juízes especialistas, cujos resultados encontram-se expostos nas terceira, quarta, quinta e sexta colunas da Tabela 5. Quatro tipos de adaptação podem ser identificados: (a) manutenção da metáfora original (2MMO): as metáforas foram mantidas conforme a tradução; (b) modificação com adequações de termos (2MAT): realizaram-se pequenas alterações (acréscimos, omissões ou aprimoramento) de alguns termos; (c) modificação com equivalência semântica (2MES): substituíram-se termos sem ocasionar alteração do significado metafórico original; (d) substituição (2S): as metáforas foram totalmente substituídas, sem alteração do significado original no grupo de metáforas novas e com alteração do significado metafórico original das expressões idiomáticas. Nota-se, pelo total de sentenças metafóricas modificadas, que mais metáforas expressões idiomáticas foram adequadas do que metáforas novas.

3. O terceiro procedimento de adaptação desta tarefa consistiu na aplicação da primeira versão adaptada desta prova em uma amostra piloto. A partir dos resultados desta aplicação, apresentados na sétima coluna da Tabela 5, nota-se que a mesma quantidade de metáforas novas e de expressões idiomáticas foi explicada de modo adequado por menos de 50% dos indivíduos, sendo as sentenças, então, substituídas.

4. O quarto procedimento de adaptação da tarefa em questão diz respeito ao julgamento de familiaridade das palavras correspondentes aos conceitos que compõem as diferentes metáforas, efetuado pelos 54 juízes não-especialistas. Os resultados deste julgamento evidenciaram que todos os estímulos foram considerados como mais ou menos familiares, com grau 5 de familiaridade, bastante familiares ou completamente familiares por mais de 50% dos juízes. Desse modo, a tarefa de Interpretação de metáforas não sofreu modificações a partir dos resultados deste procedimento de adaptação, como pode ser visualizado na oitava coluna da Tabela 5.

5. Entretanto, a partir do quinto procedimento de adaptação – aplicação desta tarefa no estudo piloto – os resultados indicaram que algumas metáforas deveriam, ainda, sofrer adequações. Uma metáfora nova foi explicada de modo inadequado por 100% dos participantes do estudo piloto e as explicações dadas por 75% desta amostra a uma expressão idiomática também foram inadequadas. Essas foram, então, substituídas. As metáforas substitutas foram submetidas novamente aos mesmos participantes com 100% de respostas adequadas. Após estas últimas modificações, a versão final da adaptação dessa tarefa foi concluída.

 

 

Na adaptação da prova Evocação lexical, manteve-se o resultado da tradução, após confirmação do procedimento de tradução reversa. Os critérios ortográfico e semântico utilizados no instrumento original foram considerados plausíveis para o PB.

A tradução inicial das frases da prova Prosódia lingüística (confirmada pela tradução reversa) produziu pistas fonológicas. Essas evidenciaram diferenças sintáticas e semânticas existentes entre as frases, de forma que os participantes não precisariam se ater aos aspectos prosódicos para identificarem o tipo de sentença (afirmativa, interrogativa ou imperativa). Por exemplo, a frase afirmativa "Pedro bebe leite.", após a tradução, ficou "Pedro, beba leite!" na forma imperativa. Optou-se por se utilizar a representação fonológica das conjugações verbais do PB coloquial. No exemplo acima, a frase imperativa ficou, na versão final, "Pedro, bebe leite!". A partir desta adequação, a distinção sintático-semântica só poderia ser percebida através da compreensão da prosódia lingüística. Na adaptação da prova Prosódia emocional, o procedimento de tradução simples e tradução reversa foi suficiente, sendo necessária apenas uma adequação de termos (substituição do nome francês "Jacques" por "Tiago", de acordo com o critério de familiaridade).

Os critérios do instrumento original foram mantidos na tarefa Discurso narrativo. Assim, na versão adaptada, o texto deveria ser claro, contendo idéias bem encadeadas cronologicamente, para permitir que os participantes identificassem as informações essenciais ao recontarem a história ouvida e processassem a inferência esperada (moral da história compreendida pela interpretação da intenção do protagonista). Após o procedimento de tradução reversa do texto original, sua reformulação possibilitou que termos e sentenças fossem adequados. A versão resultante foi aprovada pelos três juízes especialistas. As palavras ou expressões consideradas como essenciais/muito importantes por menos de 70% dos juízes não-especialistas foram categorizadas como informações pouco relevantes (52 palavras ou expressões do total de 113 unidades analisadas).

A prova Interpretação de atos de fala indiretos foi traduzida, cujos resultados foram confirmados pelo procedimento de tradução reversa. O critério de presença ou ausência de informações subentendidas, requerido no instrumento original, foi mantido na passagem da língua francesa para a portuguesa. Alguns termos foram adequados após análise dos três juízes especialistas, de acordo com critérios de familiaridade lingüística e de grau de ênfase à informação implícita a ser identificada.

A adaptação da tarefa Julgamento semântico foi efetuada, primeiramente, pela análise de três juízes especialistas dos pares de palavras após a tradução simples e a tradução reversa. Uma vez que, na língua portuguesa, a presença ou a ausência de relação semântica entre as palavras apresentadas foi respeitada, a maioria dos pares foi mantida. Posteriormente, todas as palavras foram julgadas como mais ou menos familiares, com grau 5 de familiaridade, bastante familiares ou completamente familiares por mais de 50% dos juízes não-especialistas. Entretanto, de acordo com os resultados obtidos no estudo piloto, alguns pares de palavras sofreram modificações por três juízes especialistas. Os pares de palavras "charuto-cachaça" e "pia-frigideira" foram respondidos com dificuldades (reposta inadequada) por 75% e 100% dos participantes do estudo piloto, respectivamente. Assim, a palavra "charuto" do primeiro par foi substituída por "cigarro" e a palavra "frigideira" foi substituída por "tanque". Após nova aplicação destes pares modificados na mesma amostra piloto, observou-se que as dificuldades foram superadas.

Quanto ao procedimento de aplicação da Bateria MAC em um estudo piloto, os participantes não demonstraram dificuldades na realização das provas Discurso conversacional, Evocação lexical, Prosódia lingüística, Prosódia emocional, Discurso narrativo e Interpretação de atos de fala indiretos. A tarefa Questionário sobre a consciência das dificuldades não foi aplicada no estudo piloto, já que os quatro participantes deste não se caracterizavam por apresentar quaisquer distúrbios neuropsicológicos.

 

Discussão

A partir de uma comparação entre o processo de adaptação da Bateria MAC e a adaptação de alguns instrumentos psicológicos e neuropsicológicos, evidencia-se que há alguns procedimentos que são utilizados com maior ou menor freqüência. O procedimento de tradução simples constitui-se na base do processo. A maneira pela qual as traduções são confirmadas, entretanto, difere entre os estudos consultados. Enquanto a tradução reversa ou inversa foi utilizada na adaptação das Escalas Wechsler de Inteligência (Nascimento & Figueiredo, 2002), a tradução comparada foi usada na adaptação da Entrevista de Julgamento Moral de Kohlberg (Biaggio & Barreto, 1991) e a verificação da adequação da tradução por participantes bilíngües foi utilizada na adaptação da forma infantil do Inventário de ansiedade traço-estado de Spielberger (Biaggio, 1980). No presente estudo, na medida em que três diferentes procedimentos foram selecionados, considera-se que a confirmação da tradução inicial da Bateria MAC foi criteriosa.

O procedimento geral de tradução da bateria em estudo incluiu, ainda, a adequação de termos, tal como na adaptação da triagem cognitiva do Mini-mental do inglês para o português (Bertolucci, Brucki, Campacci & Juliano, 1994). Este procedimento específico pode ser equiparado ao levantamento de conteúdos efetuado na adaptação das Escalas Wechsler de Inteligência (Nascimento & Figueiredo, 2002), uma vez que ambos foram realizados para que modificações dos estímulos fossem promovidas, ajustando-os ao contexto brasileiro. A adequação de termos deve ser considerada mais rigorosa do que uma simples tradução inicial, já que foi promovida com base em uma contínua discussão com o grupo canadense. Os termos foram adaptados ao contexto sócio-lingüístico-cultural brasileiro, sem, no entanto, se desconsiderarem os objetivos originais de cada tarefa. Este contato com os autores foi fundamental para uma adaptação cuidadosa da bateria em questão, uma vez que, mediante tal comunicação, dúvidas foram esclarecidas, norteando a adequação de cada tarefa e de seus respectivos itens à língua portuguesa. O cuidado de se manter um contato constante entre autores foi enfatizado por Biaggio (1980) como sendo fundamental para a adaptação da forma infantil do Inventário de ansiedade traço-estado de Spielberger, quando a autora consultou o autor do instrumento original para que os itens considerados problemáticos fossem substituídos.

Além disso, a análise de critérios psicolingüísticos por juízes pode ser comparada à análise teórica dos itens realizada na adaptação das Escalas Wechsler de Inteligência (Nascimento & Figueiredo, 2002). Na psicometria, segundo Pasquali (1999), a análise teórica dos itens tem por objetivo avaliar a hipótese de que estes representam adequadamente o construto. A análise dos estímulos realizada por três juízes especialistas e/ou por 54 juízes não-especialistas teve por finalidade averiguar se os critérios psicolingüísticos necessários para que as habilidades comunicativas fossem adequadamente testadas estavam sendo respeitados.

Quanto ao terceiro procedimento geral de adaptação da Bateria MAC, a aplicação da versão adaptada deste instrumento em um estudo piloto foi considerada essencial para sua adequação sócio-lingüística-cultural ao PB. Biaggio e Barreto (1991) incluíram, também, a avaliação da compreensão da versão traduzida do instrumento psicológico adaptado por uma amostra piloto. A partir deste procedimento, assim como na Bateria MAC, algumas dificuldades encontradas pelos participantes do estudo foram posteriormente solucionadas e sugestões por eles promovidas foram consideradas para o aprimoramento do instrumento adaptado. Apesar de a amostra piloto ter sido relativamente pequena, para a adaptação semântica do instrumento, foi considerada suficiente.

No processo de adaptação da Bateria MAC, os critérios de plausibilidade, clareza, familiaridade e coerência lingüísticas nortearam a adequação dos estímulos de algumas tarefas. Os principais critérios de adaptação foram manter a versão brasileira o mais fiel possível à versão canadense, cuja validade de conteúdo já foi obtida (Côté et al., 2004), e respeitar o objetivo de cada subteste. Assim sendo, modificações na aplicação e na pontuação não foram promovidas, sendo apenas necessárias alterações de cunho psicolingüístico e sócio-cultural de alguns estímulos.

Como Nascimento e Figueiredo (2002) salientam, uma análise global dos procedimentos de adaptação dos instrumentos psicológicos e neuropsicológicos consultados possibilita a constatação de que um processo de adaptação deve estar baseado em investigações empíricas, envolvendo muito mais do que uma simples tradução do instrumento original. Além disso, o teste adaptado deve medir os mesmos construtos ou habilidades cognitivas que o original, apesar de adequado às particularidades sócio-culturais e sócio-lingüísticas do novo contexto populacional.

Embora o instrumento em estudo ainda se encontre em fase de adequação aos parâmetros psicométricos de validade, fidedignidade e normatização – adaptação empírica, considera-se que a Bateria MAC apresenta validade de conteúdo (Pasquali, 1999). Isso porque os três juízes especialistas que julgaram todos os estímulos da versão brasileira consideraram que estes últimos representam os construtos lingüísticos em avaliação. Além disso, suas tarefas foram selecionadas para avaliar as principais alterações advindas de uma lesão no HD com base em uma ampla revisão teórica sobre as funções comunicativas deste hemisfério, além de uma análise cuidadosa efetuada por seis neuropsicólogos canadenses, especializados na função lingüística. Ressalta-se, também, que o manual de aplicação e pontuação deste instrumento traz instruções quanto à uniformidade de procedimentos, caracterizando uma adequada padronização (Anastasi & Urbina, 2000).

Em suma, na adaptação da Bateria MAC ao PB, mudanças nos estímulos foram realizadas, com base em critérios psicolingüísticos da língua portuguesa. Além disso, o processo de adaptação semântica exigiu a realização de procedimentos empíricos rigorosos, em face da complexidade das avaliações de linguagem e, principalmente, das habilidades comunicativas examinadas pelo instrumento adaptado. Algumas tarefas demandaram adaptações mais trabalhosas e criteriosas do que outras, uma vez que cada prova apresenta suas particularidades e objetivos distintos. A adequação das provas Interpretação de metáforas, Discurso narrativo e Julgamento semântico foi considerada mais complexa, rigorosa e trabalhosa que a adequação das demais provas.

Por fim, considera-se que a adaptação da Bateria MAC foi bem sucedida, tendo sido avaliada e aprovada pelo grupo canadense que formulou a versão original. Nesse processo, pôde-se evidenciar uma dificuldade inerente de se promover a adaptação semântica de estímulos lingüísticos em que a própria linguagem é o construto avaliado.

 

Considerações Finais

No contexto atual da necessidade de elaboração de instrumentos neuropsicológicos novos ou de adaptação de instrumentos estrangeiros para o seu uso no Brasil, o processo de adaptação da Bateria Montreal de Avaliação da Comunicação (Bateria MAC) ao PB torna-se relevante. Sua importância é reforçada pela lacuna de testes que avaliam especificamente habilidades comunicativas relacionadas à função do HD.

Espera-se que a versão adaptada da Bateria MAC venha, de modo inicial, a suprir parte da lacuna de instrumentos construídos especificamente para avaliar habilidades comunicativas de ativação do HD na língua portuguesa. Este instrumento neuropsicológico pode ser uma ferramenta de avaliação da comunicação de indivíduos com acometimentos neurológicos que acarretem prejuízo dos aspectos funcionais da linguagem, tais como lesão de hemisfério direito, lesão frontal, traumatismo crânio-encefálico e demência.

Para tanto, torna-se necessária uma continuidade deste estudo, mediante a busca por parâmetros psicométricos de validade e fidedignidade, assim como pela normatização quanto às variáveis escolaridade e idade. Espera-se, ainda, que os procedimentos utilizados no processo de adaptação da Bateria MAC, cuidadosamente selecionados e executados com base nos objetivos deste instrumento e na literatura consultada, auxiliem outros pesquisadores interessados em adaptar testes de linguagem construídos em línguas estrangeiras para seu uso adequado no Brasil.

 

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Recebido: 22/09/2005
1ª revisão: 29/05/2006
2ª revisão: 10/10/2006
Aceite final: 23/10/2006

 

 

Agradecimento ao CNPq, pelo fomento em forma de Bolsa de Mestrado, e à Dra. Bernadette Ska, pela contribuição à adaptação do instrumento ao Português Brasileiro.
* Endereço para correspondência: Rua Elias Bothomé, 275, Porto Alegre, RS, 91220-210. Fone: (51) 3348.0544. Fax: (51) 3212.5950. E-mail: rochele.fonseca@terra.com.br