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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.20 no.3 Porto Alegre  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722007000300017 

Valores psicossociais e orientação à dominância social: um estudo acerca do preconceito

 

Psychosocial values and social dominance orientation: a study about prejudice

 

 

Sheyla FernandesI, *; Joseli Da CostaII; Leoncio CaminoII; Roberto MendozaIII

IFaculdade Pio Décimo/ Fase-Faculdade de Sergipe, Aracaju, Brasil
IIUniversidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Brasil
IIIUniversidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, Brasil

 

 


RESUMO

O objetivo central do presente estudo foi analisar as relações existentes entre o preconceito, através da orientação à dominância social, e os valores psicossociais, a partir de quatro sistemas, o religioso, o materialista, o pós-materialista e o hedonista. Participaram deste estudo 205 estudantes universitários do curso de psicologia da cidade de João Pessoa – PB. Estes responderam à escala de orientação à dominância social, ao questionário de valores psicossociais e a um conjunto de questões sócio-demográficas. Os resultados indicaram relações parciais entre estas variáveis, sendo a orientação à dominância social diretamente associada aos valores materialistas e contrariamente associada aos valores pós-materialistas. As considerações apresentam o preconceito como resultado das construções ideológicas amplamente compartilhadas pelos grupos sociais.

Palavras-chave: Preconceito; orientação à dominância social; valores psicossociais.


ABSTRACT

The aim of this study was to analyze the relationships among prejudice and psychosocial values, by means of the orientation of social dominance, from four systems, the religious, the materialist, the post-materialist and, the hedonist. For this particular study, 205 undergraduate Psychology students were chosen from the city of João Pessoa – PB. They answered the social dominance orientation scale, psychosocial value questionnaire, and a set of social-demographic questions. The results presented partial relations among these variables, the social dominance orientation was directly associated with the materialist values and inversely associated with the post-materialistic values. The considerations present prejudice as the consequence of ideological constructions amply shared by social groups.

Keywords: Prejudice; social dominance orientation; psychosocial values.


 

 

O preconceito é um tema que, apesar de ser um alvo antigo de estudos e investigações no campo da psicologia social e áreas afins, possui um caráter permanentemente atual. Por vezes reduzido a processos automáticos, individuais e psicológicos, ou oriundo dos processos relativos às lutas sociais pelo poder, este construto pode ser compreendido tanto como causa, quanto como conseqüência da sociedade e dos agrupamentos sociais.

Na atualidade, dá-se ênfase a percepção do preconceito enquanto fruto do meio social, situado no contexto das relações intergrupais (Brown, 1995; Tajfel, 1981) e dos processos políticos (Billig, 1985; Camino, Da Silva, Machado & Pereira, 2001), fazendo com que seu entendimento associado simplesmente a uma propensão individual de personalidade (Adorno, Frenkel-Brunswik, Levinson & Sanford, 1950), ou apenas de estilo cognitivo (Gaertner & McLaughilin, 1983), se torne cada vez menos corroborada.

Aparecendo vinculados às ideologias sociais, os valores humanos e sociais são compreendidos como estruturas consideravelmente difundidas entre os grupos sociais, o que legitima seu poder enquanto elementos centrais na organização da dimensão cognitiva que define as atitudes das pessoas, sendo caracterizados fundamentalmente por terem a função de orientar as ações, as escolhas, os julgamentos, as atitudes e as explicações sociais (Bem, 1973; Miceli & Castelfranchi, 1989; Rokeach, 1979; Seligman & Katz, 1996; Williams, 1979).

Neste sentido, com a finalidade central de desenvolver uma compreensão correlacional acerca desta problemática, o presente trabalho visa abordar o preconceito e os valores de estudantes universitários de uma capital nordestina, traçando uma análise teórico-empírica em função das relações estabelecidas entre os níveis individuais de preconceito e a adesão aos sistemas de valores.

 

Considerações Teóricas

Numa das primeiras obras sobre o preconceito, «A natureza do preconceito», Allport (1954) define este construto como um sentimento de antipatia que tem base numa generalização errada e inflexível, podendo ser só sentido ou abertamente expresso, e que pode ser dirigido a um grupo como um todo ou a um indivíduo por ser membro de tal grupo. Pressupõe-se, como o próprio nome indica, que preconceitos signifiquem «pré-julgamentos» negativos sobre os membros de uma raça, religião ou qualquer outro grupo social (Jones, 1972), não indicando diretamente aspectos comportamentais, apesar de ser clara a noção de que crenças, e ações são deveras associadas. Destarte, os preconceitos não são só um conjunto de sentimentos de antipatia e de crenças distorcidas e negativas sobre grupos sociais; eles estão essencialmente relacionados a práticas e comportamentos discriminatórios frente a membros de grupos externos pelo simples fato de pertencerem a estes (Brown, 1995).

Até a década de 1920 procuravam-se bases verídicas e factuais sobre a origem do preconceito (Katz & Braly, 1958), de forma que não se abordava o assunto como fenômeno irracional ou injustificado, mas partia-se do pressuposto de que realmente existiam diferenças entre os grupos sociais. Hoje esta questão não é evidenciada, partindo-se então para outras alternativas explicavas (Augoustinos & Walker, 1995).

A partir de uma visão dialética, considera-se que os preconceitos se desenvolvem no interior dos processos de exclusão social e se modificam junto com estes, podendo ser definidos como uma forma de relação intergrupal onde, no quadro das relações de dominação entre grupos, desenvolvem-se e expressam-se atitudes negativas e depreciatórias, bem como comportamentos hostis e discriminatórios em relação a membros de um grupo, pelo fato de pertencerem a esse grupo (Camino et al., 2001).

Ao se analisar os tipos de preconceito (o racismo, o anti-semitismo, o machismo, dentre outros), observa-se que eles fazem parte de processos mais amplos. Isto não quer dizer, contudo, que os preconceitos não possuam sua própria dinâmica psicológica. Assim, por exemplo, quando se analisa o racismo como uma ideologia típica de culturas colonialistas, não se pretende, de forma alguma, negar seu caráter subjetivo, mas procura-se colocar em relevo a função política dessa disposição psicológica (Billig, 1991). A compreensão do preconceito exige também uma análise em termos do funcionamento da sociedade; ou seja, no nível societal das relações de poder dentro de uma sociedade (Lorenzi-Cioldi & Doise, 1990).

Na década de 1990 foi elaborada uma teoria no estudo do preconceito que visa fazer uma intercessão entre os aspectos individuais, cognitivos, de personalidade e os aspectos sociais, institucionais pertencentes à natureza do preconceito, trata-se da Teoria da Dominância Social (Pratto, Sidanius, Stalworth & Malle, 1994; Sidanius & Pratto, 1999), que tem como objetivo central propiciar um avanço no conhecimento concernente ao desenvolvimento dos sistemas de desigualdades sociais e da manutenção desses sistemas. Esta teoria teve forte influência de modelos da psicologia da personalidade, da psicologia social e da sociologia política, não se reduzindo a teorias psicológicas ou sociológicas estritamente; ela procura integrar diferentes níveis de análise no intuito de formular uma teoria mais compreensiva e completa no estudo do preconceito e da discriminação. Essa perspectiva se inicia partindo da observação básica de que todas as sociedades humanas tendem a se estruturar em sistemas de grupos baseados em hierarquias sociais, consistindo em um pequeno número de grupos dominantes e hegemônicos no topo da pirâmide social e grupos subordinados na parte inferior. Esses sistemas de hierarquias grupais são muito difíceis de se modificar, possuem um alto grau de estabilidade, embora existam sistemas paralelos que lutem contra as hierarquias sociais e que, em alguns casos, observam-se algumas mudanças no sentido de moderar as desigualdades sociais (Pratto et al., 1994).

É demasiado positivo se pensar em um avanço na diminuição da propensão a se comportar de maneira discriminatória de modo geral, entretanto, estudos recentes (Fernandes & Almeida, 2006; Lima & Vala, 2004a) apontam que as mudanças sociais ocorridas que visam a dissolução ou, pelo menos, a moderação das desigualdades sociais, não se mostram bem sucedidas. Com efeito, o que vem ocorrendo são modificações nas formas pelas quais as pessoas expressam o preconceito. Face à coação dos princípios democráticos de igualdade e liberdade, as pessoas começaram a expressar o preconceito de maneira mais contida e sutil, sendo este fenômeno discutido inclusive nas crianças (França & Monteiro, 2004). Mostrar-se como preconceituoso se tornou antiquado e aversivo, o que faz com que novas estratégias de averiguação desta variável sejam constantemente levadas a cabo, no sentido de abarcar suas permanentes mutações.

Com base na discussão ora levantada observa-se que o fenômeno do preconceito não atua sozinho, quer dizer, uma série de variáveis aparecem interligadas às propensões de direcionamento à dominância ou à igualdade social. Tais variáveis podem ser sumarizadas nos valores psicossociais, que por sua natureza acoplam estruturas amplamente difundidas entre os grupos sociais (Maio & Olson, 1998), sendo de ordem tanto individual, de personalidade, como de ordem social.

Os valores surgem como objeto de estudo da Psicologia em meados do século XX, no período em que a mensuração das atitudes se fixava como um marco definido e acurado na Psicologia, com o notável sucesso e refinamento de técnicas (Lima, 1997). Contudo, a grande importância do seu estudo pela Psicologia Social se manifesta pela primeira vez no último «Handbook» de Psicologia Social, no qual está inserido um capítulo inteiro dedicado ao tema valores, o que ocorreu devido à quantidade de investigações realizadas entre os anos 80 e 90 e de teorias que, em nível transcultural, procuravam conhecer as dimensões básicas da cultura (Inglehart, 1994).

Milton Rokeach (1968, 1973), um dos primeiros autores a estudar esse tema, tem fundamental importância nos estudos sobre os valores, pois foi responsável por um grande avanço no que concerne à delimitação do conceito e de sua metodologia de estudo, fazendo com que os valores passassem a ser alvo de grande interesse entre os pesquisadores.

De acordo com Rokeach (1973), os valores são concebidos como crenças que o indivíduo possui sobre as formas de comportamento ou os estados finais de existência que são preferíveis numa dada situação, quando comparados com outras possíveis formas de comportamento ou estados finais de existência. Este tipo de definição pressupõe a existência de um sistema ou hierarquia de valores individuais que, organizada em função de um contínuo de importância, orienta as atitudes e os comportamentos sociais. Por ser individual, esta hierarquia de valores estaria ancorada nas diversas necessidades ou motivações dos indivíduos.

Em sua definição, Rokeach (1968) aponta dois possíveis tipos de valores: instrumentais (indicados pelas formas de comportamento) e terminais (referidos como estados finais de existência). Com base nessas características, foi desenvolvida uma escala destinada ao estudo dos valores, contendo valores instrumentais (alegre, ambicioso, honesto, obediente, polido, prestativo, dentre outros) e valores terminais (felicidade, igualdade, equilíbrio interior, sabedoria, segurança familiar, etc.) distribuídos em ordem alfabética em dois blocos (Rokeach, 1973). A tarefa dos sujeitos nessa escala é hierarquizar os valores considerando a importância de cada um deles como «princípios guia em minha vida». Seu instrumento foi amplamente utilizado nos estudos subseqüentes dos valores, sofrendo, sempre que necessário, reformulações realizadas pelo próprio autor.

Schwartz e Bilsky (1990) uniram as características principais dos valores indicadas por Rokeach (1973) com as enfatizadas na obra de Kluckhohn (1968). Esta unificação permitiu a Schwartz (1996) definir os valores como concepções que o indivíduo possui sobre o desejável, concepções que, por serem transituacionais, guiam a forma como os atores sociais selecionam seu comportamento, avaliam pessoas e explicam suas ações.

Para Schwartz (1996), os diversos valores que as pessoas possuem estão organizados em função de dez tipos motivacionais: poder (poder social, autoridade, riqueza, etc.), realização (bem sucedido, capaz, audacioso, etc.), hedonismo (prazer, goza a vida), estimulação (audacioso, vida excitante, vida variada), auto-direção (curioso, criatividade, liberdade, etc.), universalismo (protetor do ambiente, aberto, justiça social, etc.), benevolência (prestativo, honesto, leal, etc.), tradição (devoto, humilde, respeito pelas tradições, etc.), conformidade (obediente, respeitoso, polido, etc.) e segurança (limpo, segurança nacional ordem social, etc.). Esses tipos seriam os representantes de três necessidades básicas e universais na natureza humana: biológicas, de interação social estável e de sobrevivência dos grupos.

Para avaliar os tipos motivacionais, Schwartz (1992) desenvolveu uma escala (SVS) contendo 56 valores; destes 36 foram retirados da tipologia de Rokeach (1973). Os sujeitos das pesquisas eram solicitados a atribuírem uma nota variando de 1 a 7, considerando a importância de cada um dos valores como «princípios guia em minha vida». Com base na projeção dos resultados da Smallest Space Analysis (Guttman, 1968), Schwartz (1994) verificou em várias culturas que os dez tipos motivacionais estabelecidos na teoria organizam-se em quatro tipos de valores de segunda ordem, situados em torno de duas dimensões bipolares que representam relações de compatibilidade e de conflito entre os valores: auto-transcendência (universalismo e benevolência) versus auto-promoção (poder e realização); abertura à mudança (auto-direção, estimulação e hedonismo) versus conservação (segurança, tradição e conformidade).

Numa perspectiva sociológica, Inglehart (1977), analisando as mudanças ocorridas nas condições de produção de algumas sociedades européias, constatou que essas mudanças eram acompanhadas por uma modificação na hierarquia de valores dessas sociedades. Do mesmo modo, as mudanças culturais, indicadas pela criação de novos valores, acompanhavam, igualmente, as modificações nas condições de produção dessas sociedades. Inglehart (1994) chamou a esse processo de feedback econômico-cultural e apontou a emergência de dois conjuntos de valores como seus indicadores: valores materialistas (luta contra ao crime, manutenção da ordem, crescimento econômico, etc.) e pós-materialistas (liberdade de expressão, sociedade menos impessoal, maior influência da opinião pessoal sobre o governo etc.). Segundo este autor, as condições de produção do início do capitalismo favoreceram a construção dos valores materialistas e a prioridade dada a esses valores facilitou o desenvolvimento do capitalismo nas sociedades industriais. Neste mesmo sentido, a estabilidade sócio-econômica atingida por algumas sociedades pós-industriais tem levado ao aumento na valorização de metas pós-materialistas, o que também tem contribuído para o desenvolvimento econômico dessas sociedades.

A hipótese principal de Inglehart (1977) é a de que as sociedades que ainda não atingiram um certo nível de desenvolvimento econômico priorizam os valores materialistas, enquanto as sociedades que solucionaram esse problema valorizam metas pós-materialistas. Para testar essa hipótese, Inglehart (1991) elaborou um instrumento, baseado na teoria de Maslow (1954) sobre a hierarquia das necessidades, objetivando medir os valores materialistas e pós-materialistas. Os indicadores materialistas avaliam a importância da segurança física e econômica e os indicadores pós-materialistas avaliam a importância do bem-estar social, da realização profissional e do bem-estar individual.

Apesar de ambas as perspectivas propostas possuírem uma ampla divulgação e aceitação entre os pesquisadores, algumas críticas foram levantadas em função de seus pressupostos defenderem uma estrutura bipolar e universal (Brechin & Kempton, 1994). Menezes e Campos (1997), por exemplo, constataram variações em função do desenvolvimento cognitivo dos indivíduos e, no Brasil, Tamayo e Schwartz (1993) constataram que professores de ensino médio organizam seus valores com base em oito tipos motivacionais e estudantes universitários em nove tipos. Indicando assim, que os valores são determinados não apenas por características cognitivas, mas também pelo contexto social. Diversos estudos transculturais (Flanagan, 1987; Inglehart, 1991; Vala, 1994) e intraculturais (Bean & Papadakis, 1994; Braithwaite, Makkai & Pittelkow, 1996) constataram a existência de valores materialistas e pós-materialistas, organizados tanto em uma dimensão quanto em duas dimensões correlacionadas positivamente (Pereira & Camino, 1999).

Vem se desenvolvendo no Brasil uma abordagem psicossociológica sobre os valores (Pereira, Camino & Da Costa, 2004) que pretende articular a ênfase psicológica dada por Schwartz (1992) com a ênfase sociológica destacada por Inglehart (1991). Assim, os valores são definidos como estruturas de conhecimento que, socialmente elaboradas, (a) sintetizam os elementos de um sistema simbólico amplamente compartilhado, (b) expressam os conteúdos ideológicos que formam este sistema, (c) servem de instrumento na seleção das alternativas de orientação do comportamento e (d) refletem o contexto sócio-cultural e as identidades sociais dos indivíduos (Da Costa, 2000). Neste sentido, a fonte dos valores encontra-se não nas necessidades individuais, hipótese defendida por Schwartz (1992) nem nas necessidades coletivas, hipótese defendida por Inglehart (1991), mas nas produções sociais de significado, o que contempla um fenômeno de ordem social vinculado a um fenômeno psicológico; e, como em todas as produções sociais, a emergência dos valores depende de certas condições (Deschamps & Devos, 1993). Essas condições desenvolvem-se nas lutas ideológicas pelo poder (Pereira & Camino, 1999) e fazem parte da construção social da realidade (Berger & Luckmann, 1973).

Com base nesses pressupostos, foi desenvolvido um instrumento de mensuração dos valores enquanto construtos psicossociais – Questionário de Valores Psicossociais (QVP). Após uma série de aplicações e refinações deste instrumento (Lima & Camino, 1995; Pereira, Lima & Camino, 1997, 2001b), uma última versão dessa medida de valores sociais foi elaborada, resultando em 24 valores divididos em quatro sistemas: sistema religioso, representado pelos valores específicos temor a Deus, obediência às leis de Deus, salvação da alma e religiosidade; sistema pós-materialista, subdividido em três sub-sistemas representantes dos valores do trabalho (realização profissional, responsabilidade, competência e dedicação ao trabalho), valores do bem-estar individual (alegria, amor, auto-realização e conforto) e valores do bem-estar social (igualdade, justiça social, liberdade e fraternidade); sistema hedonista, representado pelos valores específicos prazer, sensualidade, sexualidade e uma vida excitante; e sistema materialista, representado pelos valores específicos lucro, riqueza, status e autoridade. Sendo esta a perspectiva utilizada no presente estudo.

Nestes termos, tem-se como objetivo central do presente trabalho, avaliar as relações entre as dimensões de valores psicossociais e os níveis individuais de predisposição ao preconceito numa amostra de estudantes universitários de uma capital do nordeste brasileiro.

 

Método

A amostra foi composta por 205 estudantes universitários do curso de psicologia de duas universidades da cidade de João Pessoa, Paraíba, sendo 77,6 % de mulheres e 22,4 % de homens, com idade variando entre 16 e 30 anos (Média 21,5; Moda 20; DP 2,54). Destes 89,3% eram solteiros e 48,3% se dedicavam exclusivamente aos estudos. Os sujeitos foram escolhidos em função de sua presença nas salas de aula no momento da coleta de dados.

Para coleta de dados, alem de questões sócio-demográficas, dois instrumentos foram utilizados:

1. A Escala de Orientação à Dominância Social (Sidanius & Pratto, 1999), destinada a avaliar níveis individuais de orientação à dominância social. Esta escala foi adaptada para o Brasil na execução de um conjunto de estudos realizados em parceria com este (ver validação do instrumento a seguir). Trata-se de uma escala de tipo Likert variando de 1 a 7, sendo 1 totalmente em desacordo e 7 totalmente de acordo, composta por 16 itens, 8 referentes a igualdade (Ex.: «Seria bom que todos os grupos pudessem ser iguais») e 8 referentes a dominância (Ex.: «Os grupos superiores devem dominar os grupos inferiores»). Esta escala foi amplamente testada, sendo aplicada a 45 amostras de 11 nações distintas e, sempre que preciso, sofrendo refinamentos pelos autores, chegando a sua forma final, utilizada neste estudo. Suas análises apresentam uma estrutura unidimensional, testada através de uma análise fatorial confirmatória. Embora em duas de suas amostras Sidanius e Pratto (1999) terem encontrado uma estrutura com duas dimensões, pelo fato de essas dimensões serem altamente correlacionadas, os autores defendem a estruturação unidimensional de sua escala, alegando que até o momento nenhuma evidência empírica foi encontrada para poder se considerar as duas dimensões da escala de SDO como independentes.

2. O Questionário de Valores Psicossociais (QVP - 24), este instrumento foi abundantemente aplicado a amostras de estudantes universitários e em todos os casos se mostrou apto a analisar os valores psicossociais (Lima, 1997; Pereira & Camino, 1999; Pereira, Camino & Da Costa, 2004). É destinado a avaliar a estruturação dos valores dos sujeitos e o grau de adesão a esses valores. Este questionário é composto por 24 valores os quais são pontuados numa escala tipo Likert, variando de 1 a 5, 1 indicando a menor importância e 5 a maior importância. Neste questionário solicita-se aos sujeitos que atribuam uma nota para cada valor listado de acordo com o grau de importância para a construção de uma sociedade ideal.

Os sujeitos foram abordados nas salas de aulas e, após serem dados esclarecimentos acerca da pesquisa, solicitados a participar dela. Os questionários foram aplicados coletivamente, na própria situação de sala de aula, com os sujeitos respondendo individualmente ao questionário.

 

Resultados

Para verificar a estruturação dos sistemas de valores psicossociais foi realizado um Escalamento Multidimensional (Multidimensional Scaling – MDS), técnica capaz de produzir, através de distâncias euclidianas, uma interpretação das variáveis em termos de agrupamentos (Pereira, Lima & Camino, 2001a, 2001b), estando as variáveis que apresentam relações de proximidade agrupadas em conjuntos (quanto mais próximas as variáveis estão entre si, mais coeso o conjunto se apresenta); na seqüência, realizou-se a análise dos índices de fidedignidade dos agrupamentos encontrados (Alfas de Cronbach). Os valores se apresentaram divididos em quatro sistemas: o sistema religioso (Alfa de Cronbach = 0,76), representado pelos valores salvação da alma, temor a Deus, religiosidade e obediência às leis de Deus (situados no círculo tracejado com as iniciais 'RE' da Figura 1); o sistema pós-materialista (Alfa de Cronbach = 0,87), representado pelos valores realização profissional, responsabilidade, dedicação ao trabalho, competência, alegria, amor, auto-realização, conforto, fraternidade, liberdade, igualdade, justiça social (situados no círculo tracejado com as iniciais 'PM' da Figura 1); o sistema hedonista (Alfa de Cronbach = 0,72), representado pelos valores uma vida excitante, sensualidade, prazer e sexualidade (situados no círculo tracejado com as iniciais 'HE' da Figura 1) e o sistema materialista (Alfa de Cronbach = 0,73), representado pelos valores lucro, riqueza, status e autoridade (situados no círculo tracejado com as iniciais 'MA' da Figura 1).

 

 

A adesão dos estudantes aos sistemas de valores foi bastante alta, a média de respostas variou entre 3,11 e 4,55 (desvio padrão entre 0,45 e 1,17) (lembrando-se que as respostas variavam de 1 – menos importante a 5 – mais importante).

Para analisar a escala de orientação à dominância social foi realizada uma Análise Fatorial dos Componentes Principais com rotação Varimax. Este procedimento permite expressar um número elevado de variáveis (itens da escala) em um pequeno número de indicadores (fatores ou dimensões) (Dancey & Reidy, 2006). Para que os itens estivessem todos em uma mesma direção (orientação à dominância social), os itens indicadores de igualitarismo foram invertidos (ex.: «Seria bom que todos os grupos pudessem ser iguais»; «A igualdade entre os grupos deve ser o nosso ideal»; «Todos os grupos devem ter as mesmas oportunidades na vida», estando todos a indicar a sentença oposta). Em seguida foi analisado o índice de confiabilidade interna do fator encontrado (Alfa de Cronbach). A solução fatorial apresentou uma dimensão referente à dominância social, índice indicador do preconceito (Alfa de Cronbach = 0,83) (ver Tabela 1). Ao se averiguar a favorabilidade dos respondentes acerca do indicador de orientação à dominância social, foi encontrada uma forte rejeição (média= 2,17; desvio padrão = 0,79) (ressaltando-se que as respostas variavam de 1 – discordo totalmente a 7 – concordo totalmente).

 

 

Para efetivar o objetivo central deste estudo (analisar as relações entre valores psicossociais e preconceito), foi necessário criar indicadores totais das variáveis investigadas. Os valores psicossociais foram estruturados em quatro indicadores (valores religiosos, valores pós-materialistas, valores hedonistas e valores materialistas), como encontrado através do escalamento multidimensional. Neste sentido, foram somados os valores específicos representantes de cada sistema a fim de obter uma pontuação total. No que se refere aos sub-sistemas do sistema pós-materialista, uma análise de correlação de Pearson, procedimento que analisa correlações entre variáveis (Dancey & Reidy, 2006), mostrou que os sub-sistemas são altamente correlacionados (r de Pearson variando de 0,520 a 0,606 a um P > 0,001), desta forma, os valores referentes a cada sub-sistema foram somados em conjunto para expressar o sistema pós-materialista como um todo. A dimensão de dominância social, por seu turno, foi encontrada a partir do mesmo procedimento, o resultado final do somatório dos itens da escala de dominância social expressa diretamente a dominância entre os grupos.

Na seqüência, foi realizada uma análise de Regressão Múltipla pelo método Stepwise, entre os sistemas de valores psicossociais e a dimensão de dominância social. Esta técnica estatística analisa relações entre diferentes variáveis explicativas ou preditoras e uma variável critério, ou dependente (Dancey & Reidy, 2006; Tabachnick & Fidell, 1996). Neste caso, as variáveis explicadoras são os sistemas de valores psicossociais e a variável dependente é a dominância social (Tabela 2). Procurou-se então verificar o papel dos sistemas de valores na orientação à dominância social.

 

 

Os resultados apontaram relações parciais entre as variáveis. Foi encontrada uma relação positiva entre o sistema de valores materialistas e a orientação dominância social (b = 0,334, P < 0,001), indicando que ser favorável à dominância social está associado diretamente à aceitação dos valores status, lucro, riqueza e autoridade, em outras palavras, aderir à dimensão valorativa de ordem materialista e conservadora explica a aceitação à dominância social. Encontrou-se também uma relação negativa entre o sistema de valores pós-materialistas e a orientação à dominância social (b = -0,423, P < 0,001), significando que aderir aos valores ligados ao bem estar social, individual e do trabalho, tais como igualdade, justiça social, responsabilidade, competência, dentre outros, está inversamente associado à orientação à dominância social, ou seja, pode-se explicar a rejeição à dominância social a partir da adesão aos valores pós-materialistas. Por sua vez, entre a orientação à dominância social e os sistemas de valores religiosos e hedonistas não foram encontradas relações significativas, demonstrando que esses sistemas de valores e a orientação à dominância social são construtos independentes entre si (ver Tabela 2). Este último dado encontrado supõe que a atribuir importância a religiosidade, a salvação da alma e demais valores do sistema religioso, bem como valorizar o prazer, a sexualidade e demais valores do sistema hedonista, não possui nenhuma ligação com os novéis de orientação à dominância social.

 

Discussão

Este trabalho foi motivado por um determinante central: analisar as relações existentes entre os valores psicossociais e o preconceito. Para tanto, os valores psicossociais foram analisados em função de quatro indicadores (os sistemas de valores religioso, pós-materialista, hedonista e materialista) e o preconceito a partir da orientação à dominância social. Os resultados indicaram inicialmente que todos os sistemas de valores se apresentaram importantes para a construção de uma sociedade ideal, enquanto que a dominância social foi fortemente rejeitada pelos participantes deste estudo. Ao se investigar as relações existentes entre valores e preconceito, foi encontrado que os valores materialistas explicam a orientação à dominância social enquanto que os valores pós-materialistas inversamente explicam a orientação à dominância social. Pode-se considerar que a orientação à dominância social, variável indicadora de favorabilidade às hierarquias grupais ou ao preconceito, possui relação com os valores psicossociais, e, em linhas gerais, esses resultados são condizentes com diversas pesquisas (Fernandes & Almeida, 2006; Fernandes, Da Costa, Camino & Mendoza, 2006).

A que se devem esses resultados? Sabe-se que os valores pertencem a categorias de pensamentos sociais que refletem as ideologias presentes em qualquer sociedade e por isso é inquestionável sua profunda relação com os demais construtos sociais (Deschamps & Devos, 1993; Rokeach, 1968). Contudo, sua amplitude pode trazer à tona alguns empecilhos que geram discordâncias tanto teóricas como práticas (ver as divergências teóricas e metodológicas no estudo dos valores discutida no início deste artigo). Isso pode se dever ao fato de que um valor isoladamente é capaz de contemplar uma série de atitudes frente a objetos sociais específicos, fazendo com que algumas dessas estruturas entrem em conflito e se complementem simultaneamente. Talvez por esta razão, apesar de ter sido encontrada uma forte desfavorabilidade à dominância social e os valores por completo tenham sido considerados importantes, não se tenha encontrado relações entre os sistemas de valores hedonista e religioso e a dominância social, sistemas representantes de princípios relacionados ao prazer e a satisfação sexual, para o primeiro sistema, e o temor às normas de Deus e a preocupação com a salvação da alma, para o segundo.

Pode ser acrescentado ainda, acerca da amplitude ideológica das variáveis de ordem psicossocial, que é lugar comum constatar uma certa ambigüidade concernente à adesão a princípios igualitários ou de dominação entre os grupos sociais, mesmo considerando o pressuposto central de que todas as sociedades se estruturam em sistemas desiguais de poder (Sidanius & Pratto, 1999, 2003). Pois, infere-se que por trás de cada ideologia socialmente formulada, uma série de conteúdos representacionais se posicionem acoplados em função de necessidades e repertórios construídos a partir do curso histórico de inclusão e exclusão social (Pereira et al., 2001a, 2001b; Pereira, Torres & Barros, 2004). É neste sentido que uma gama de estudos apresentam resultados concernentes com os resultados ora encontrados (Pereira, Camino & Da Costa, 2004, 2005; Pereira, Torres & Barros, 2004), indicando que as visões de mundo difundidas entre os sujeitos sociais está bem próxima ao socialmente desejável – justiça social, fraternidade e igualdade –, todavia, esta mesma representação se coaduna paradoxalmente a uma visão materialista e conservadora, trazendo à tona a essência de dominação e individualismo presentificados nas sociedades atuais.

A respeito deste debate, duas pontuações se fazem pertinentes, estando ambas associadas às normas sociais vigentes: a primeira se refere às formas modernas de expressão das emoções negativas frente os grupos minoritários, as chamadas formas sutis e veladas de precon-ceito (Camino, Da Silva & Machado, 2004; Fernandes et al., 2006; Lima & Vala, 2004a, 2004b). Essa condição se faz atuante desde o período que sucede a Segunda Grande Guerra, podendo ser explicada a partir dos princípios normativos de alguns países que coíbem qualquer tipo de discriminação (Lima, 2002), atenuando superficialmente os sentimentos negativos dirigidos aos grupos marginalizados. A segunda indica que os valores considerados importantes para uma sociedade adequadamente justa seguem o mesmo padrão imposto pelas ideologias políticas elaboradas socialmente (Da Costa, 2000; Lima, 1997; Lima & Camino, 1995; Pereira et al., 2001a), ou seja, está no cerne das ideologias a fundamental valorização de crenças que priorizam conteúdos pós-materialistas para o desenvolvimento social, mas por outro lado, os conteúdos inerentes ao materialismo e individualismo também são alvos de adesão. Portanto, é possível considerar, à guisa de conclusão, que a esfera psicossociológica, sobretudo, se apresenta intrinsecamente complexa e em permanente mudança, tal como observado em estudos supracitados, fazendo com que a necessidade de mais estudos se faça primordial na tentativa de esclarecer essa problemática, inclusive considerando a limitação do estudo atual que se dá em virtude de ter sido realizado com uma amostra homogênea de estudantes universitários.

 

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Recebido: 29/09/2006
1ª revisão: 10/11/2006
2ª revisão: 27/02/2007
Aceite final: 10/03/2007

 

 

* Endereço para correspondência: Rua Alameda B, 230, Apto. 1004, Bromélia, Condomínio Golden Garden, Jardins, Aracaju, SE, 49000-000. E-mail: sheylacsfernandes@msn.com