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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.24 no.1 Porto Alegre  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722011000100011 

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

 

Envelhecimento e letramento: a leitura e a escrita na perspectiva de pessoas com mais de 60 anos de idade

 

Aging and literacy: reading and writing from the perspective of people over 60

 

 

Rebecca TorquatoI; Giselle MassiI; Ana Paula SantanaII

IUniversidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, Brasil
IIUniversidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este artigo objetiva verificar os papéis que práticas de letramento assumem para pessoas com mais de 60 anos. A pesquisa foi realizada de um ponto de vista qualitativo/quantitativo, a partir da aplicação de um questionário junto a 40 sujeitos com idade superior a 60 anos. Foram coletadas informações sobre as práticas de leitura e de escrita, as suas dificuldades, bem como a relevância dessas práticas no próprio processo de envelhecimento. Verificou-se que os idosos referem dificuldades relacionadas a questões ortográficas, textuais e biológicas. As atividades de letramento são utilizadas, também, com o objetivo de melhorar a cognição. Além disso, eles reconhecem que essas atividades trazem benefícios para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável.

Palavras-chaves: Letramento; Envelhecimento; Linguagem.


ABSTRACT

This paper aims at examining the roles played by literacy classes for adults older than 60. Forty individuals over 60 years old were interviewed for this quantitative/qualitative study. Information was gathered on their experiences with reading and writing, their difficulties and the perceived relevance of those classes on the ageing process. The participants indicated having difficulties with orthographic, textual and biological questions. The literacy activities were also used to improve their cognitive abilities. Moreover, the participants identified benefits of those activities for a healthy and active ageing.

Keywords: Literacy; Aging; Language.


 

 

O envelhecimento populacional é uma característica mundial. As projeções indicam que, em 2050, a população contará com aproximadamente dois bilhões de pessoas idosas, ultrapassando o número de crianças, conforme Pereira, Curione e Veras (2003). Esse aumento da longevidade humana também é percebido no Brasil. O recenseamento demográfico realizado em nosso país, no ano 2000, indicou que as pessoas de 60 anos de idade ou mais, correspondiam a 8,6% da população brasileira, segundo Brito (2008). Estimativas para os próximos 20 anos sugerem que o número de idosos, no Brasil, deve ultrapassar 30 milhões de pessoas, chegando a representar quase 13% da população (Frank, Santos, Asmann, & Alves, 2007).

Dessa forma, o envelhecimento populacional é fato consumado que exige o desenvolvimento de programas e ações capazes de contemplar a promoção da saúde na velhice, visando um envelhecimento ativo e participativo, conforme as recomendações da Organização Mundial de Saúde. Segundo Queiroz e Papaléo Neto (2007), dentre todos os programas direcionados aos idosos, aspectos que dizem respeito à sociabilidade e à educação devem assumir primazia na promoção de um envelhecimento saudável. Nessa direção, entendendo que a interação social e que o acesso à educação dependem, inevitavelmente, de processos interlocutivos que se efetivam no espaço de produção da linguagem, convém destacar os papéis que a leitura e a escrita podem assumir no processo de envelhecimento.

De acordo com Neri (2007), 49% da população idosa brasileira é considerada analfabeta funcional. Sendo que, desse total, 23% dos pesquisados declaram não saber ler e escrever, 4% deles afirmam só saber ler e escrever o próprio nome e 22% dos idosos consideram a leitura e a escrita atividades penosas, seja por deficiência no aprendizado, problemas de saúde, ou ambos os motivos Ou seja, uma parcela significativa da população idosa permanece à margem da sociedade grafocêntrica atual, confirmando a necessidade de implantação de políticas públicas que contemplem atividades de letramento junto a tal população. Nesse sentido, cabe destacar o papel que profissionais da saúde e da educação podem desempenhar nesse cenário, formulando propostas capazes de promover um envelhecimento saudável a partir do desenvolvimento de práticas de letramento capazes de inserir o sujeito idoso na sociedade atual.

Inicialmente, convém explicitar que sujeito o é considerado idoso pela Organização Mundial da Saúde a partir dos 65 anos de idade. Esse critério tem sido adotado nos países desenvolvidos. Em países que estão se desenvolvendo, como é o caso do Brasil, o sujeito passa a ser tomado como idoso ao completar 60 anos de idade. De qualquer forma, é preciso considerar que a definição de idade para estabelecer o início do envelhecimento é intuitiva e controversa. O processo de envelhecimento individual assume particularidades tão distintas que associá-lo à idade cronológica permite apenas uma percepção grosseira desse processo, além de retirar do envelhecimento suas feições sociais e seus aspectos históricos (Wong & Moreira, 2000).

Envelhecer configura-se como uma experiência única e singular para cada pessoa. Por isso, diversifica-se entre os sujeitos que compõem o mesmo grupo social, apresenta-se de maneira heterogênea entre esses sujeitos e, também, entre diferentes grupos sociais, implicando individualidade, diversidade e variabilidade (Bassit, 2004). Assim, tendo em vista que a definição de velhice é perpassada, por questões sociais e culturais, as pesquisas sobre o envelhecer necessitam ir além da preocupação com doenças relacionadas à idade. Isso porque o envelhecimento humano envolve mais que evitar doenças.

Além da manutenção ou fortalecimento das funções físicas e cognitivas, a pessoa que envelhece, para manter-se ativa e saudável, depende de efetiva inserção em atividades produtivas e do estabelecimento de relações interpessoais (Feitosa, 2001). As discussões em torno do processo de envelhecimento não podem e nem devem excluir os aspectos biológicos envolvidos, mas precisam considerar a relevante existência dos aspectos históricos, sociais e culturais nesse processo (Arantes, 2006).

O envelhecimento populacional implica nova orientação em termos de uma perspectiva acerca do papel desempenhado pelos idosos na sociedade atual. É preciso que a sociedade, de forma geral, repense com urgência as atitudes em relação ao idoso a fim de evitar que a velhice passe a constituir mais um problema social, uma vez que está comumente caracterizada como um dos momentos de improdutividade humana, dependência, incapacidade, isolamento e doença. E o mais agravante é que essa concepção distorcida de velhice está sendo incorporada pelos próprios idosos, submetidos a uma sociedade capitalista, que considera os velhos improdutivos (Pinheiro, 1998).

Nessa sociedade capitalista, o envelhecimento está sendo comumente associado apenas às modificações do corpo biológico que sofre alterações ao longo do tempo, sendo ressaltados os aspectos fisiológicos dos sujeitos idosos, como por exemplo, a diminuição da sua força e da sua coordenação, a redução da sua capacidade visual, auditiva e sua deterioração vocal.

A própria linguagem desses sujeitos tem sido estudada mais detidamente a partir de manifestações decorrentes de processos patológicos. Com relação à linguagem oral, a literatura tem apontado que os idosos apresentam dificuldades para encontrar palavras, dificuldades relacionadas à fluência verbal, inferências e pressuposições. Seu discurso é marcado por prolongamento, passividade na tomada da palavra, desorganização sintática proveniente do grande número de segmentos abandonados e interrompidos, além da incidência de repetições. Afirma-se, ainda, que há um processamento de informações mais lento, ocasionando dificuldade na compreensão (Damasceno, 1999).

Essas são análises relevantes acerca da linguagem do idoso, que merecem toda nossa atenção, na medida em que são encaradas a partir do não-lugar que tem sido dado ao sujeito idoso na sociedade em que vivemos. Sem negar a importância das questões biológicas constitutivas da linguagem, queremos ressaltar que as atividades lingüísticas e suas manifestações não podem prescindir de uma análise histórica e social. A linguagem e os sujeitos da linguagem não são munidos apenas de componentes orgânicos e fisiológicos. Por isso, as análises em torno da linguagem dos idosos não podem ficar meramente pautadas em uma categoria que volta sua atenção para a idade cronológica. Da mesma forma, as manifestações da linguagem desses idosos não podem decorrer apenas do envelhecimento orgânico. É preciso levar em conta as práticas sociais como relevantes para as discussões sobre a linguagem oral e escrita e sobre a constituição da subjetividade do sujeito que envelhece.

Existem vários fatores que acompanham o processo de envelhecimento e que merecem consideração, tais como os aspectos subjetivos, interativos, sociais e históricos, conforme Gamburgo e Monteiro (2009). Entendendo que todo sujeito está inserido em uma intrincada rede dialógica, a linguagem é considerada essencial para a manutenção da saúde e da qualidade de vida dos sujeitos em processo de envelhecimento, uma vez que todas as esferas da atividade humana pressupõem um contexto social e o uso da linguagem. É por meio da linguagem que o sujeito se constitui desde o nascimento até a morte. A linguagem está, assim, vinculada à singularidade do homem, que faz uso dela, em todos os momentos da vida, para estar no mundo, interagindo com os outros em diversos contextos sociais (Gamburgo & Monteiro, 2009).

Estudos apontam que um considerável número de sujeitos idosos afirma não ler e não escrever, por não gostarem ou não saberem fazer uso dessas atividades (Massi et al., 2008; Torquato & Massi, 2009). Conforme tais estudos, esse fato pode remeter às histórias de relação desses sujeitos com a leitura e escrita, muitas vezes, marcadas por situações negativas. Ao serem questionados acerca do processo de escolarização e das experiências de letramento vivenciadas no ambiente escolar, idosos relatam algumas situações que marcaram negativamente suas vidas nesse contexto. Eles afirmam, por exemplo, que não se sentem à vontade para ler e escrever, pois, na escola, sofriam castigo de se ajoelhar no milho a cada vez que não liam ou escreviam de acordo com o padrão esperado (Lourenço & Massi 2009).

São relatos que apontam para a necessidade de um olhar sobre o sujeito que envelhece capaz de ir além do seu substrato físico, vislumbrando eventos que compuseram sua história de vida e estão marcando sua existência. São narrativas que indicam claramente que, para além do orgânico, é preciso considerar que cada sujeito se constitui historicamente de forma singular a partir de experiências vivenciadas em diferentes situações sociais: na escola, na família, no ambiente de trabalho, entre várias outras.

A oportunidade de reelaborar e registrar histórias pessoais por meio da linguagem oral e escrita pode conceder aos idosos melhoria na qualidade de vida. Pois, além de ressignificar antigas experiências dolorosas em torno da escrita, tal oportunidade é capaz de levá-los a perceber que escrever é uma atividade que possibilita interação e reconhecimento por parte dos outros e de si próprios, ampliando sua inserção junto à família, à comunidade e à sociedade em geral (Massi et al., 2008).

As sociedades modernas são fundamentalmente grafocêntricas. A escrita está profundamente incorporada à vida política, econômica, cultural e social (Guisan, 2005; Munhoz & Zanella, 2008). Ela é, não só enormemente valorizada, mas, mais que isto, ela é mitificada: a escritura é reconhecida como o discurso da verdade, como o repositório do saber legítimo, sendo usada como arma para o exercício do poder, de legitimação da dominação econômica, social, cultural, de discriminação e de exclusão.

Por isso, na sociedade contemporânea, o uso eficaz da leitura e da escrita em diferentes contextos sociais torna-se necessário para concretização de processos de integração sociocultural de toda e qualquer pessoa (Cabral, 2000; Freire, 2001). Dessa forma, a possibilidade de fazer uso da leitura e da escrita pode conceder ao idoso um lugar de sujeito e autor de sua história, expandindo sua qualidade de vida e garantindo-lhe autonomia.

Com base nessas afirmações, sabendo que a população de idosos vem se expandindo de forma acelerada e entendendo que o exercício pleno da cidadania, do papel social, só pode ser alcançado na medida em que participarmos de maneira ativa e crítica de ações mediadas pela linguagem escrita, justificamos nossa pesquisa, objetivando verificar a relevância que as práticas de leitura e escrita assumem para sujeitos com mais de 60 anos de idade.

Pretendemos, assim, contribuir para uma análise mais detalhada das práticas de letramento de tais sujeitos, considerando que essas práticas possibilitam a preservação da autonomia e a manutenção de uma vida social ativa para eles, fatores fundamentais para a promoção de um envelhecimento bem-sucedido.

 

Método

Participantes

O estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Tuiuti do Paraná, a partir do processo número 102-2008.

A população dessa pesquisa constituiu-se de 40 sujeitos, com idade entre 60 e 85 anos, de ambos os sexos, freqüentadores da Unidade de Saúde da Praça Ouvidor Pardinho, situada na cidade de Curitiba, que tem sua atenção voltada especificamente para o atendimento de pessoas idosas. Os critérios para inclusão dos participantes foram os seguintes: contar com idade mínima de 60 anos, ser usuário da Unidade de Saúde e ser alfabetizado. Foram excluídos dessa pesquisa, sujeitos com doenças cerebrais degenerativas ou com lesões neurológicas relacionadas à linguagem.

Instrumentos

Com a finalidade de verificar a relevância que as práticas de leitura e escrita assumem para os idosos pesquisados, foi aplicado junto a eles um questionário contendo 20 itens, com questões abertas. Esse questionário coletou informações sobre as suas atividades de leitura e escrita, as possíveis dificuldades que apresentam em relação a tais atividades, bem como a visão que eles têm acerca do papel que a leitura e a escrita pode assumir no processo de envelhecimento saudável.

Procedimentos

Todos os sujeitos, participantes da pesquisa, assinaram os termos de consentimento livre e esclarecido. O questionário foi aplicado antes de ocorrerem às diversas atividades oferecidas pela Unidade de Saúde, enquanto os participantes aguardavam o início das mesmas. Os idosos eram abordados, individualmente, e convidados a participar da pesquisa. Após aceitarem o convite, as pesquisadoras liam as perguntas e transcreviam as respostas que foram elaboradas oralmente por cada participante.

Depois da coleta dos dados, foi realizada a categorização desses dados. Com base em tal categorização, as respostas elaboradas pelos participantes da pesquisa foram tratadas e analisadas a partir do uso do software de análise estatística Sphinx®.

O estudo tem caráter quantitativo/qualitativo o que possibilita uma análise mais abrangente do objeto de estudo pesquisado. Isso porque a abordagem qualitativa, explorando as características dos indivíduos e cenários pesquisados, busca descrever significados que são socialmente construídos, ao mesmo tempo em que a abordagem quantitativa busca descrever significados que são considerados como inerentes aos objetos e atos, explora as características e situações de que dados numéricos podem ser obtidos e usados para enfatizar a análise qualitativa (Turato, 2005).

Qualquer estudo, conforme Minayo e Sanches (1993), por mais objetivo que possa parecer, necessita de um arcabouço teórico para norteá-lo, que informa a escolha do fenômeno a ser pesquisado, todos os passos dados no sentido de dar conta dos objetivos propostos, bem como da análise dos resultados teóricos e práticos. Por isso, nosso trabalho de coleta, categorização e análise dos dados foi realizado levando em consideração a natureza do sujeito de nosso estudo: o sujeito em processo de envelhecimento que se constitui pela linguagem (oral/escrita), sujeito social e historicamente situado, que faz parte de uma sociedade grafocêntrica.

Para a análise teórica partimos de uma perspectiva sócio-histórica, com base nos conceitos de Bakhtin (1997), que entende a linguagem como uma atividade dialógica e, ininterruptamente, constitutiva do sujeito. Assim, tomamos a linguagem do sujeito em processo de envelhecimento como meio essencial para a continuidade de sua inserção social (Keske, 2008).

Seguindo essa perspectiva, todos os campos da atividade humana estão relacionados ao uso da linguagem. A língua que falamos e escrevemos efetua-se na forma de enunciados concretos e únicos, proferidos pelos integrantes dos diversos campos da atividade humana, conforme Bakhtin (2003). Dessa forma, a linguagem se constitui pelo trabalho dos sujeitos e os sujeitos se constituem pelo trabalho lingüístico, participando de processos interacionais. Trata-se de conceber, de acordo com Geraldi (1997), a linguagem oral e escrita como atividade constitutiva do sujeito, na qual o trabalho lingüístico se dá no contexto das interações sócio-verbais.

 

Resultados

Em relação ao gênero, pôde-se verificar a prevalência do sexo feminino, caracterizando 90% dos sujeitos da pesquisa. Com relação à idade desses sujeitos, 24% da amostra têm entre 60 e 65 anos, 22% entre 66 e 70 anos, 18% têm entre 71 e 75 anos, 23% entre 76 e 80 anos e 13% acima dos 80 anos de idade.

Em relação à profissão, 69% dos idosos afirmam ser aposentados, sem definir a ocupação atual ou anterior à aposentadoria; 13% da amostra é composta por pensionistas; 13% por donas de casa e 5% declaram que ainda desenvolvem alguma atividade profissional. Entre as atividades diárias realizadas pelos idosos pesquisados, 41% desenvolvem atividades físicas, 19% cuidam de afazeres domésticos e 13% fazem trabalhos manuais.

Quanto ao nível de escolarização, 42% dos participantes dessa pesquisa afirmam ter cursado o ensino fundamental, porém sem concluí-lo; 15% referem ter concluído o ensino fundamental; 5% relatam que cursaram o ensino médio de forma incompleta e 35% afirmam ter concluído o ensino médio, conforme apre-sentado na Figura 1.

No que se refere às relações dos sujeitos da pesquisa com práticas de leitura e escrita, 82% deles declaram ter o hábito de ler e 72% referem escrever costumeiramente.

Dos sujeitos que afirmam fazer uso de leitura e de escrita de forma habitual, nas Figuras 2 e 3 estão apresentados os materiais mais usados por eles para dar conta dessas atividades. Cabe ressaltar que o número de respostas excede o número de sujeitos pelo fato de haver várias respostas para a mesma questão proposta.

Acerca dos materiais mais usados para a leitura, dos 82% de idosos que referem ter o hábito de ler, 60% afirmam ler livros, 27% declaram ler revistas, 25% relatam ler livros religiosos e 25% costumam ler jornais. Quanto aos materiais escritos, dos 72% de idosos que referem ter costume de escrever, a maioria, 31% deles escrevem anotações, 14% lembretes e 11% cartas.

Em relação aos idosos que afirmam não ter o hábito de leitura, 58% deles relatam não ler por não gostar dessa atividade, 14% por problemas visuais, 14% por achar a leitura cansativa e 14% devido ao fato da leitura não fazer parte do seu dia-a-dia. Da mesma forma, dentre os idosos que declaram não ter o costume de escrever, 50% deles relatam não escrever por não gostar, 33% afirmam não escrever por falta de costume e 17% referem não ter necessidade de escrever.

Quanto às dificuldades relatadas pelos sujeitos da pesquisa no uso da leitura e da escrita, 40% do total afirma ter alguma dificuldade para ler. Dentre as dificuldades mais citadas, 50% delas vinculam-se a problemas na visão, 13% a falta de compreensão do material lido, 6% a falta de concentração; 13 % voltam-se ao desconhecimento de vocabulário, 6% relacionam-se a déficits no aprendizado, 6% a dificuldades para ler em público e outros 6% a problemas com a ortografia. Cabe ressaltar sobre essas dificuldades, que 50% delas referem-se a uma situação predominantemente orgânica, enquanto as outras 50% vinculam-se a histórias de relação dos idosos com a leitura, marcadas por situações relativas ao processo de ensino - aprendizagem, conforme apresentado na Figura 4.

Em relação à escrita, 50% dos sujeitos da pesquisa afirmam ter alguma dificuldade no uso dessa modalidade de linguagem. Dentre as dificuldades relatadas, 45% delas voltam-se a questões ortográficas, 25% a problemas motores, 20% a impossibilidades de expressar por escrito o que se desejam, 5% vinculam-se à visão prejudicada e 5% relacionam-se a déficits no aprendizado, de acordo com o Figura 5.

É significativo o número de idosos que afirma apresentar alguma dificuldade em relação às atividades de leitura e de escrita. Diferentemente das dificuldades referidas por eles na relação com a leitura, nas dificuldades relativas à escrita o percentual relacionado aos aspectos orgânicos diminui para 30%, sendo 5% das dificuldades vinculadas à visão e outras 25% relacionadas à motricidade. Já, as dificuldades para se expressar por meio escrita, que somam 20% das respostas, e daquelas vinculadas à ortografia, que alcançam 45%, anunciam que parte significativa de nossos idosos encontra problemas para manejar a escrita. Esses problemas vinculam-se aos aspectos formais da atividade escrita, relacionados à ortografia, e também aos aspectos textuais, referentes ao ato de escrever algo capaz de ser compreendido pelo leitor. Afinal, 70% das dificuldades relacionadas à escrita apontam para essa situação, além de 5% que vinculam diretamente tais dificuldades a aprendizagem.

Ao serem questionados a respeito do papel da leitura no processo de envelhecimento saudável, 95% dos idosos afirmam que essa atividade apresenta-se relevante em tal processo. Para 45% deles, a leitura desempenha papel preponderante para trabalhar a cognição, 22% consideram-na importante para aprender novos conhecimentos e informar-se e, por fim, outros 19% assumem a leitura como atividade que os auxiliam a ocupar o tempo.

Em relação ao desempenho da escrita no processo de envelhecimento saudável, 85% dos idosos afirmam que a escrita tem um importante papel nesse processo. Desse total, 46% entendem que a escrita trabalha a cognição, 18% assumem que ela desenvolve a coordenação motora e outros 13% relatam que ela é importante para a aquisição de conhecimento. Semelhantemente ao que ocorre nas respostas sobre o papel da leitura no processo de envelhecimento, a maioria dos sujeitos afirma que as atividades escritas trazem benefício para o trabalho cognitivo. Também é possível verificar a referência do trabalho motor realizado na produção escrita, citado como relevante para a manutenção da motricidade no processo de envelhecimento saudável.

 

Discussão

Os Sujeitos Idosos da Pesquisa

Em relação às características gerais dos sujeitos da pesquisa, quanto ao gênero, foi possível verificar a prevalência do sexo feminino. Conforme já explicitado, nossa amostra foi composta por usuários da Unidade de Saúde da Praça Ouvidor Pardinho, que participam de atividades oferecidas no local, tais como: ginástica, dança e diversas oficinas. Estudos mostram que a participação masculina nesse tipo de atividade é reduzida (Anderson et al., 1998; Cerri & Simões, 2007), o que pode explicar o motivo de a nossa amostra constituir-se predominantemente por mulheres.

Em relação às atividades diárias realizadas pelos idosos pesquisados é interessante perceber que, dentre tais atividades, eles não citam a leitura ou a escrita, tampouco ressaltam ações que demandam especificamente o estabelecimento de relações interpessoais.

No que se refere à escolarização, nossa análise indica que uma grande parte dos idosos que compõe essa pesquisa cursou, de forma incompleta, apenas o ensino fundamental. Esse dado está de acordo com pesquisa nacional realizada entre os idosos, a qual aponta que 89% deles não concluíram o ensino fundamental e apenas 4% chegou a graduar-se em curso superior, conforme Neri (2007). Isso se deve, provavelmente, a situação educacional do país no período em que esses idosos estavam em idade escolar.

A escolaridade dos idosos brasileiros, medida por anos de estudo formal, é baixa. Mas essa realidade vem mudando, pois, em 1986, 13% dos idosos brasileiros tinham mais do que o antigo curso primário. Ou seja, já contavam com mais de cinco anos de escolarização e, em 1996, esta proporção se elevou para 17,2% (Camarano et al., 1999). Além disso, o aumento dos anos de escolarização formal da população mais jovem nos dias atuais sugere ganhos expressivos dessa escolarização para a população que está envelhecendo e que, portanto, será considerada idosa em um futuro próximo.

De qualquer forma, ainda no que se refere à escolarização, nossa pesquisa mostra que a maioria dos sujeitos idosos que dela participaram não chegou a concluir o ensino fundamental. Tal verificação assume relevância no sentido de anunciar a necessidade do desenvolvimento de ações voltadas ao letramento dessa população, buscando diminuir diferenças educacionais entre as diferentes gerações e facilitando o estabelecimento de interação social entre elas. Afinal, à medida que os idosos sentem-se capazes de fazer uso da leitura e da escrita em diferentes situações e contextos sociais, eles acabam reconhecendo-se como sujeitos em condições de participar mais ativamente da comunidade em que estão inseridos.

Outro fator a ser considerado é a educação formal das mulheres nas décadas passadas, uma vez que grande parte da nossa amostra é composta por mulheres. Na década de 30, as mulheres brasileiras, embora partilhando de uma sociedade eminentemente machista e patriarcal, já haviam conquistado, em tese, o direito à participação no ensino superior e na atividade política nacional. Entretanto, somente com a industrialização brasileira e com o avanço econômico ocorrido nos anos 60 e 70, é que se intensificou a participação feminina no processo produtivo. Assim, na medida em que a mulher foi absorvida pelo mercado de trabalho, ela foi se vendo obrigada a buscar formação acadêmica superior (Silva, 2002).

De maneira geral, os idosos participantes dessa pesquisa são, na maioria, do sexo feminino, aposentados e pensionistas, que não chegaram a concluir o ensino fundamental e que relataram desenvolver, no seu cotidiano, atividades físicas, serviços domésticos e trabalhos manuais. Ao serem questionados especificamente acerca de práticas de leitura e de escrita, eles discorreram sobre aspectos que se relacionam aos hábitos que têm com relação a tais práticas, as dificuldades que apresentam para fazer uso das mesmas, bem como as possibilidades que essas práticas podem trazer para o processo de envelhecimento, conforme apresentado na seqüência.

Práticas de Letramento dos Sujeitos Idosos

A maior parte da amostra afirma usar a escrita para a realização de atividades funcionais, como anotações e lembretes. Interessante perceber que o uso da internet aparece relacionado apenas como uma atividade de escrita. Os idosos da pesquisa parecem não ter percebido que o uso da internet depende de uma atividade de leitura. Ao que parece, a leitura não é percebida como uma atividade presente no cotidiano desses sujeitos, como por exemplo, a leitura feita de um cartaz, de um outdoor, do letreiro do ônibus, entre outros.

Isso provavelmente deve ocorrer porque, no sentido usual, a leitura só está sendo concebida enquanto tal, pelos sujeitos da pesquisa, quando faz parte dos gêneros discursivos secundários, nos termos de Bakhtin (2003). Isto é, aqueles gêneros vinculados a circunstâncias culturais mais elaboradas, nas atividades científicas, artísticas, políticas, filosóficas, jurídicas, entre outras. Enquanto a leitura da internet, de blogs, cartazes, outdoors parecem atividades que não são consideradas relevantes e, por isso, não são citadas pelos idosos. A escrita também poderia ser tomada nesses termos. Ou seja, levada em conta pelos sujeitos da pesquisa somente quando compondo gêneros secundários, tais como: poemas, crônicas, livros literários.

Esses dados anunciam para relevância de um trabalho junto a esses idosos no sentido de ampliar suas práticas de letramento. Embora os sujeitos afirmem ter o hábito de ler e de escrever, de forma geral, não alegam que fazem uso da leitura e da escrita de maneira a inseri-los efetivamente na comunidade em que vivem, tampouco como fonte de prazer ou de satisfação pessoal. Em nenhum momento citam que usam a leitura e a escrita por diversão ou para assumirem a posição de cidadãos e por aí, por exemplo, para ler o estatuto do idoso ou para escrever uma reivindicação acerca dos seus direitos.

Eles, também, parecem não se dar conta que a leitura e a escrita pode ser usada como uma possibilidade de interagir com outras pessoas, pois grande parte do material que é escrito pelos idosos - anotações, lista de compras, diários - parece que é elaborado para eles próprios e não para estabelecer vínculos com outros leitores. Essa maneira de se relacionar com a leitura e com a escrita pode estar vinculada às dificuldades que eles afirmam apresentar diante dessas atividades.

Além disso, chama atenção que, dentre os idosos que afirmam não ter o hábito de leitura, a maior parte deles relata não ler por não gostar dessa atividade. Esses dados anunciam claramente que, dentre os sujeitos que referem não ter o costume de ler e de escrever, a falta de gosto pela leitura e pela escrita é principal justificativa dada por eles para o distanciamento que mantém dessas atividades.

Dificuldades com a Leitura e a Escrita Relatadas pelos Idosos

Quanto às dificuldades relatadas pelos sujeitos da pesquisa no uso da leitura e da escrita, chama atenção que, dentre os problemas relacionados à escrita, os mais expressivos não estão classificados como orgânicos, os quais poderiam estar associados a um declínio biológico. Interessante considerar que dificuldades para enxergar estão mais, marcadamente, relacionadas à leitura. Dificuldades essas que, sem dúvida, devem ser observadas por profissionais da saúde e da educação envolvidos com processos de letramento junto a idosos, no sentido de sanar problemas de acuidade visual ou buscar alternativas para minimizá-los. Contudo, essa dificuldade visual não pode estar desvinculada das demais situações trazidas pelos idosos dessa pesquisa acerca das suas práticas de letramento. Afinal, se uma das dificuldades para ler volta-se à visão, as demais se vinculam ao desconhecimento de vocabulário, problemas com a ortografia, dificuldade de compreender e de se concentrar, dificuldade para ler em público e problemas na aprendizagem.

Provavelmente, os idosos apresentam essas dificuldades ao longo de toda a vida, não tendo relação apenas com o processo de envelhecimento biológico. Portanto, as dificuldades de leitura e de escrita relatadas por esses sujeitos parecem estar, em grande parte, relacionadas às suas (im)possibilidades de fazer uso da leitura e da escrita de acordo com as demandas sociais vigentes.

Conforme afirmado anteriormente, as sociedades modernas são fundamentalmente grafocêntricas. O acesso à leitura e à escrita é responsável por garantir direitos sociais, civis e políticos, bem como por viabilizar a participação do sujeito que envelhece nas instâncias culturais do poder, do lazer e do prazer, inserindo-o, como cidadão, na luta pela transformação social. Por isso, na sociedade contemporânea, o uso eficaz da escrita e da leitura em diferentes contextos sociais por parte dos idosos torna-se necessário para sua efetiva integração sociocultural. Dessa forma, é preciso considerar as dificuldades que eles relatam perceber com relação à leitura e à escrita para trabalhá-las e ressignificá-las, garantindo ao idoso a possibilidade de assumir-se como sujeito da sua história e de inserir-se na cultura letrada.

Papéis da Leitura e da Escrita no Processo de Envelhecimento

Ao serem questionados a respeito do papel da leitura e da escrita no processo de envelhecimento saudável, grande parte da amostra afirma que essa atividade apresenta relevante desempenho em tal processo. Para a maioria dos idosos pesquisados, a leitura é relevante para trabalhar a cognição, semelhantemente ao que ocorre nas respostas sobre o papel da escrita no processo de envelhecimento. A maioria dos sujeitos afirma que atividades de escrita trazem benefício para o trabalho cognitivo. Também é possível verificar a referência do trabalho motor realizado na produção escrita, citada como relevante para a manutenção do envelhecimento saudável.

Essa predominância do benefício orgânico, como o trabalho cognitivo e a coordenação motora, remete possivelmente a reprodução de um discurso médico, que muitas vezes indica a leitura e a escrita como instrumentos apenas para o exercício de habilidades cognitivas, desconsiderando o papel constitutivo da linguagem, que possibilita a inserção do idoso em uma sociedade grafocêntrica.

A leitura é considerada como importante para aumentar os ganhos cognitivos, tais como a memória e melhorar as ações motoras. Assim, a noção do envelhecimento como perda parece perpassar o discurso do idoso, pois para ele é preciso ler para não perder a memória, é necessário escrever para não perder as habilidades motoras. A visão que nossos idosos têm acerca dos benefícios que a leitura e a escrita podem trazer ao processo de envelhecimento deve ser considerada. Afinal, ao lermos e escrevermos estamos trabalhando nossa cognição e podemos ampliar nosso conhecimento de mundo. Contudo, além de uma tarefa cognitiva ou uma habilidade motora, a escrita e a leitura são práticas que adquirem significados em contextos sociais diversos. Essas práticas são determinantes para viabilizar a inserção do sujeito idoso nos espaços oferecidos pela sociedade grafocêntrica, promovendo a sua cidadania e avalizando seu acesso à saúde, à educação, ao trabalho e ao lazer.

Dessa forma, ressaltamos a necessidade do incremento de práticas significativas de leitura e escrita com os idosos. Para que, além de uma noção meramente cognitiva, a linguagem escrita possa oferecer-lhes um envelhecimento com possibilidades de auto-realização, inserção social e independência.

 

Considerações Finais

Com o aumento da população idosa, a sociedade tem sido obrigada a rever seus projetos sociais, políticos, econômicos, culturais e educacionais. O envelhecimento com qualidade de vida e, portanto, saudável só pode se efetivar a partir do momento em que os idosos sejam considerados cidadãos capazes de (re)construir sua história com dignidade e autonomia.

Entendemos que o trabalho com e pela linguagem escrita possibilita a promoção de um envelhecimento ativo, digno e bem-sucedido, pautado nos princípios da eqüidade social. Os resultados dessa pesquisa indicam que é necessário ressignificar a história de relação dos sujeitos idosos com a leitura e a escrita, já que muitas vezes referem perceber dificuldades para fazer uso delas, impedindo-os de perceberem-se e situarem-se como leitores e escritores de diversos gêneros discursivos que compõem a sociedade vigente. Afinal, apesar das dificuldades relatadas, grande parcela dos idosos que participaram da pesquisa reconhece que ler e escrever são atividades que trazem benefícios para o próprio processo de envelhecimento.

Nesse sentido, entendemos ser imprescindível que políticas públicas, envolvidas com o binômio saúde/educação e vislumbrando a necessidade de efetivamente inserir os sujeitos idosos na sociedade grafocêntrica atual, promovam atividades voltadas para práticas de letramento junto a esses sujeitos. Tais atividades devem auxiliar a sanar as dificuldades na relação estabelecida entre eles a leitura e a escrita, ampliando seu acesso à cultura letrada. Dessa forma, estaremos trabalhando para determinar a inserção social, a cidadania e a autonomia dos sujeitos em processo de envelhecimento.

 

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Endereço para correspondência:
Universidade Tuiuti do Paraná, Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde
Rua Sydnei Rangel Santos, 238, Santo Inácio
Curitiba, PR, Brasil, CEP 82010-330
E-mails: giselle.massi@utp.br e anaposantana@hotmail.com

Recebido: 16/07/2009
1ª revisão: 17/09/2009
2ª revisão: 02/11/2009
Aceite final: 06/11/2009