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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.24 no.2 Porto Alegre  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722011000200012 

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

 

Mães adolescentes: adaptação aos múltiplos papéis e a importância da vinculação

 

Adolescent mothers: adjustment to multiple roles and the importance of attachment

 

 

Teresa MendesI, *; Isabel SoaresII; Inês JongenelenIII; Carla MartinsII

IEscola Superior de Saúde, Leiria, Portugal
IIUniversidade do Minho, Braga, Portugal
IIIUniversidade Lusófona, Porto, Portugal

 

 


RESUMO

Tornar-se mãe na adolescência obriga a profundos realinhamentos na trajetória desenvolvimental individual. Partindo de uma amostra de trinta e oito mães adolescentes do Norte de Portugal, pretendeu-se com este estudo explorar o impacto da qualidade da organização de vinculação das adolescentes, avaliada durante a gravidez, na adaptação às mudanças de papéis decorrentes da maternidade. Seguindo uma perspetiva ecológica, foram igualmente contempladas medidas sociodemográficas e de suporte social. Os resultados revelam que a maioria das adolescentes evidencia um nível inferior de adaptação à nova configuração de papéis, verificando-se uma associação significativa entre o nível de adaptação conseguido e a qualidade da organização de vinculação da adolescente.

Palavras-chave: Mães adolescentes; Adaptação; Transição de papéis; Vinculação; Suporte social


ABSTRACT

Becoming a mother during adolescence implies huge rearrangements in terms of individual developmental pathway. Using a sample of 38 adolescent mothers from the north region of Portugal, this study aims at examining the importance of adolescent mothers' attachment organizations, assessed during pregnancy, in the adjustment to role changes imposed by motherhood. Following an ecological perspective on adolescent motherhood, sociodemographic and social support measures were also considered. Our results show that most adolescent mothers exhibit a lower level of adjustment towards the new configuration of roles. A statistically significant association between adolescent mothers' attachment and quality of adjustment was found.

Keywords: Adolescent mothers; Adjustment; Role transition; Attachment; Social support.


 

 

No âmbito dos discursos sociais dominantes é comum a maternidade adolescente ser equacionada numa dupla lógica de "problema" e de "ameaça social" (McDermott & Graham, 2005). O facto da realidade sociocontextual das mães adolescentes tender a associar-se a cenários de estigmatização social, abandono escolar precoce, precariedade laboral, carências financeiras e a elevadas taxas de depressão pós-parto sustenta a visão problematizante. O capital de risco que estas mães parecem representar para o desenvolvimento dos seus filhos, uma vez que são encaradas como pouco capazes de desempenhar a tarefa exigente da maternidade, dá apoio à perspetiva de "ameaça". Investigações longitudinais recentes apresentam, no entanto, uma larga heterogeneidade nas formas de adaptação das jovens mães aos papéis e responsabilidades impostos pela maternidade precoce (Jongenelen, 2004; Nurius, Casey, Lindhost, & Macy, 2006; Oxford, Gilchrist, Gillmore, & Lohr, 2006). Se, para algumas jovens, a maternidade agrava o grau de desfasamento com os seus pares, comportando uma dificuldade adicional com que têm de lidar (Nurius et al., 2006; Oxford et al., 2006; SmithBattle, 2005), para outras, parece constituir uma oportunidade de crescimento, investindo-as de um papel com que se sentem comprometidas e socialmente valorizadas (Gilligan, 1982; Raeff, 1994, 1996).

Para compreender os fatores implicados na diferenciação das trajetórias de (in)adaptação das mães adolescentes, urge um prévio enquadramento das questões desenvolvimentais subjacentes. No período da adolescência, a definição da identidade pessoal e a construção da autonomia constituem dois pilares organizadores do desenvolvimento psicológico (Erikson, 1968; Marcia, 1980; Meeus, Iedema, Maassen, & Engels, 2005). No que respeita à tarefa de construção da identidade, o tempo da adolescência configura-se como o primeiro momento em que a pessoa é confrontada com desafio de explorar e comprometer-se com diferentes rumos para a sua vida, tanto no domínio relacional, afetivo, ocupacional como de valores (Erikson, 1968; Kroger, 2007; Marcia, 1980). De acordo com as perspetivas contrutivistas e construcionistas (e.g. Gonçalves, 2003), as narrativas pessoais surgem como um meio de autoexpressão e de formação da identidade, conferindo sentido e coerência entre as várias esferas de expressão individual, ao mesmo tempo que possibilitam, no decorrer dos processos de interação social, estabelecer uma posição no mundo, que pode ou não ser validada pelos outros. Deste modo, a tarefa de construção da identidade cumpre motivos tanto no domínio pessoal, como social.

Durante o período da adolescência são também esperadas alterações significativas nos padrões típicos de interação pais-filhos, numa lógica de autonomia crescente (Cooper, Shaver, & Collins, 1998; Meeus et al., 2005). A distribuição de poder entre as partes tende a assumir formas mais igualitárias e as opiniões dos jovens a pronunciarem-se mais diferenciadas. O tempo em família torna-se mais escasso e os pares passam a ocupar um espaço central na vida dos adolescentes, nomeadamente na possibilidade de funcionarem como figuras de vinculação. Durante esta fase da vida dos seus filhos, os pais deverão aprender a desempenhar o papel de figuras de vinculação de reserva (Soares, 1996).

Tornar-se mãe na adolescência obriga a profundos realinhamentos na trajetória de desenvolvimento individual. Já confrontadas com os desafios típicos desta fase do ciclo de vida, estas jovens vêem-se perante a dificuldade acrescida da transição para a maternidade, encarada como um dos marcadores mais significativos da idade adulta. A incorporação da maternidade - e das tarefas e exigências que lhe estão associadas - consubstancia-se em mudanças ao nível da topografia dos papéis pessoais desempenhados, bem como da configuração da rede de relacionamentos sociais. Todas estas mudanças comportam correlatos identitários evidentes, exigindo da adolescente capacidade para articular papéis não-normativos para a sua idade (Mendes, 2007). Para as adolescentes em geral, os papéis sociais desempenhados são perspetivados como transitórios. O facto de a maternidade ser algo de definitivo obriga a jovem a (des)investir-se de um conjunto de outros papéis, de forma acelerada e não programada (Raeff, 1996). A adolescente que é ainda recetora de cuidados converte-se "apressadamente" numa figura prestadora de cuidados ao filho (Ward & Carlson, 1995). Em paralelo, esta adolescente vê-se obrigada a encontrar caminhos capazes de viabilizar, do ponto de vista financeiro, prático e afetivo, as exigências decorrentes da maternidade. Numa altura em que a maioria dos pares investe na definição do seu projeto escolar e profissional, muitas destas adolescentes, durante o período da gravidez, saem da escola e não regressam (Contreras, 2004; Furstenberg, Brooks-Gunn, & Morgan, 1987). Os pares, que são nesta altura figuras de vinculação privilegiadas, tornam-se menos presentes, e a família, com quem a adolescente deveria estar a reavaliar a relação no sentido de uma maior autonomia, passa a assumir um protagonismo maior (Soares et al., 2001). O companheiro pode converter-se, "apressadamente", numa escolha para a vida ou, em contrapartida, alguém que se ausenta e cuja perda terá de ser elaborada (Jongenelen, 2004). Adolescentes em idade mas adultas em responsabilidades, as mães adolescentes não são verdadeiramente nem adolescentes nem adultas, são ambas ao mesmo tempo (Prettyman, 2005). A ambiguidade estatutária relacionada com a designação "mães adolescentes" será substituída anos mais tarde, altura em que passarão a ser simplesmente vistas como mães (Kalil & Spindel, 2003; Prettyman, 2005).

Do ponto de vista da adaptação, o acontecimento não-normativo da maternidade vai desafiar a robustez dos vários planos de recursos - individuais, interpessoais e sociocontextuais - da jovem, e o nível de ajustamento conseguido vai depender da forma como o risco é negociado (Belsky, 1984; Schellenbach, Whitman, & Borkowski, 1992). Raeff (1994) foi uma das primeiras autoras a formular as lutas e desafios em torno da integração do papel materno no sentido de identidade pessoal como um processo importante para a compreensão da organização psicológica das mães adolescentes. Os fatores que influenciam o modo como as mães adolescentes se perspetivam face aos papéis em que são projetadas, na ausência de uma escolha planeada em termos de conteúdos e tempos, e como estas mudanças são reconhecidas e validadas pelos que a rodeiam na esfera social, permanecem questões para as quais não encontramos respostas consistentes na literatura.

De acordo com a teoria da vinculação, as organizações de vinculação seguras podem funcionar como um recurso pessoal importante para fazer face a acontecimentos de vida desafiantes (Bosma & Gerlsma, 2003; Sroufe, Carlson, Levy, & Egeland, 1999; Ward & Carlson, 1995). Na adaptação à maternidade, um dos aspectos considerados relevantes consiste na capacidade das mães para reconhecerem e aceitarem experiências emocionais intensas e mutuamente contraditórias (DeOliveira, Moran, & Pederson, 2005). Um vasto conjunto de investigações tem sugerido a existência de associações importantes entre a qualidade da organização da vinculação e as estratégias de regulação emocional (e.g., Kobak & Sceery, 1988), a gestão do recurso à rede social de apoio em alturas de dificuldade (e.g., Collins & Feeney, 2004) e as estratégias de autoapresentação (Main & Goldwyn, 1984/1998; Mikulincer, 1998). As organizações de vinculação seguras, ao associarem-se a estratégias de regulação emocional mais flexíveis, poderão assegurar uma melhor adaptação à realidade da maternidade. Vários estudos têm ainda posto em destaque o papel do suporte social na negociação do nível de adaptação das mães adolescentes à maternidade, colmatando, em muito casos, o impacto negativo da eventual escassez de recursos psicossociais, nomeadamente o deficit de competências de reflexividade, autonomia e planeamento futuro (e.g., Contreras, 2004). Os efeitos do suporte social tendem a ser moderados por variáveis como as caraterísticas do sistema familiar e a proveniência étnica. As mães adolescentes da Europa do Sul, América Latina ou de comunidades emigrantes com esta ascendência, são mais propensas a convocar a ajuda dos elementos da sua rede familiar que as mães adolescentes do Norte da Europa ou da América Anglossaxônica. Este dado pode ser reportado a diferenças nas formas habituais de interação com as famílias de origem, aliado a sentimentos distintos de pertença e solidariedade familiar.

 

Estudo Empírico

Adoptando uma perspetiva ecológica sobre a maternidade adolescente (e.g., Oxford et al., 2006; Schellenbach et al., 1992; Soares et al., 2001) e assumindo a relevância do exercício da maternidade no modo como a adolescente constrói a sua identidade, reflete sobre si e se avalia (Kalil & Spindel, 2003; Raeff, 1994), o presente estudo visou, em primeiro lugar, identificar grupos de mães com qualidades distintas de adaptação à maternidade, um ano após o nascimento do bebé.

Tendo por base o território teórico-empírico da Teoria da Vinculação (Bowlby, 1980; Cassidy & Shaver, 1999), hipotetizou-se que a segurança na vinculação das adolescentes, avaliada durante a gravidez, contribuísse, de modo positivo, para a adaptação ao acontecimento não-normativo da maternidade, e a insegurança, para a inadaptação (DeOliveira et al., 2005; Ward & Carlson, 1995). Em paralelo, considerou-se que as perceções de suporte social tivessem um impacto significativo na qualidade do ajustamento conseguido pelas mães adolescentes.

 

Método

Amostra, Instrumentos e Procedimentos

No estudo participaram 38 mães adolescentes primíparas, dos 13 aos 18 anos (M= 16,5; DP= 1,4), sendo que 15 (39,5%), apresentavam idade igual ou inferior a 15 anos. A amostra foi seleccionada em unidades hospitalares da área metropolitana do Porto - Portugal. A maioria das adolescentes (89,5%) provinha de agregados familiares de baixo estatuto socioeconômico e havia completado menos de nove anos de escolaridade. No que se refere ao estado civil, no último trimestre da gravidez, 44,8% das adolescentes permaneciam solteiras, 31,6% estavam casadas pelo civil e 23,7% viviam em regime de união de fato com o pai do bebê. Em termos ocupacionais, 21,1% das jovens encontrava-se a estudar e 23,7%, a trabalhar, sobretudo nas áreas fabril e comercial. De referir que uma percentagem significativa das jovens (52,6%), no último trimestre da gravidez, não se encontrava a trabalhar nem a estudar.

No presente estudo foram utilizados quatro instrumentos distintos: Ficha de Caracterização Sociodemográfica, a Adult Attachment Interview ([AAI], George, Kaplan, & Main, 1985), a Entrevista de Adaptação à Maternidade ([EAM], Jongenelen, Grossmann, & Soares, 1999) e o Social Support Network Inventory ([SSNI], Flaherty, Gaviria, & Pathak, 1983).

A Ficha de Caracterização Sociodemográfica permite a recolha de informação relativa às temáticas da sexualidade, gravidez, parto e cuidados prestados ao bebê. O processo de recolha reparte-se por vários momentos, havendo conteúdos específicos para cada um deles.

A AAI (George et al., 1985) é uma entrevista semiestruturada, de tipo biográfico, que procura suscitar memórias e percepções acerca das experiências relacionais do sujeito com os seus pais, no passado, em temas críticos do ponto de vista da vinculação, designadamente problemas ou dificuldades pessoais, doenças e acidentes, separações, experiências de rejeição ou ameaças de abandono, castigo, maus-tratos ou perda de pessoas significativas. Adicionalmente, o sujeito é levado a refletir sobre os efeitos destas experiências ao nível do seu desenvolvimento pessoal, as razões para o comportamento dos pais, as mudanças ocorridas na relação ao longo dos anos, bem como a relação atual. A abordagem de cada temática da entrevista é sempre efetuada a um nível mais geral (semântico) e a um nível mais específico (episódico). Neste estudo, foi utilizada a versão portuguesa traduzida por Soares (1996) e o método de cotação adotado foi o Attachment Q-Sort ([AQS], Kobak, 1993). Este método é composto por 100 itens (Q-set), impressos em cartões distintos (Q-itens) onde estão patentes descrições que visam avaliar os modelos internos dinâmicos relativamente ao self, à mãe, ao pai, bem como o processamento de informação e a regulação das emoções relacionados com a vinculação. O juiz tem de situar a importância relativa de cada descrição na caracterização do sujeito, numa escala de nove pontos. Este método obriga a um número pré-determinado de cartões em cada uma das posições. No desenvolvimento do Attachment Q-Sort, Kobak (1993) definiu Q-sort de critério ou distribuições prototípicas de padrões de vinculação. O protótipo Seguro carateriza-se pela valorização das relações de vinculação e, independentemente da natureza das experiências passadas com as figuras de vinculação ser positiva ou negativa, a narrativa revela-se coerente e clara. O protótipo Desligado carateriza-se pela desvalorização ou pela minimização da influência das experiências de vinculação no passado, por recurso a estratégias de evitamento emocional. O protótipo Preocupado é caraterizado pela incapacidade em apresentar uma descrição coerente da história relacional com as figuras de vinculação no passado, sendo a narrativa pautada por confusão, falta de objetividade e emaranhamento emocional. Apesar da cotação da AAI poder integrar outras categorias de classificação, neste estudo foi utilizado o sistema de três categorias: Seguro-Autônomo (F); Inseguro-Desligado (D); e Inseguro-Preocupado (E). Kobak (1993) propôs ainda um conjunto de mega-itens, criados a partir da agregação de itens individuais da AAI Q-sort, mais precisamente: Mãe Disponível, Mãe como Base Segura, Pai Disponível, Pai Rigoroso, Ruptura Familiar, Preocupado, Desligado, Coerência. Estes mega-itens permitem a realização de análises de conteúdo específicas sobre a qualidade e os processos psicológicos presentes na AAI. A AAI possui boas caraterísticas psicométricas, tanto ao nível da fiabilidade como da validade discriminante.

A EAM (Jongenelen et al., 1999) é uma entrevista semiestruturada que tem como objetivo analisar o modo como a adolescente se perceciona em termos do ajustamento às tarefas e exigências da maternidade, e como articula o fato de ser mãe com aspetos importantes da sua vida afetiva e ocupacional, um ano após o nascimento do filho. No roteiro da entrevista sucedem-se três papéis: mãe, esposa/companheira e pessoa em desenvolvimento. Em relação ao papel materno são inquiridas áreas como a prestação de cuidados, a educação do filho, planos familiares para o futuro. No papel de esposa/companheira, são pesquisados aspetos como o tipo de relacionamento que a adolescente mantém com o pai da criança ou outro companheiro, preocupações com a aparência física e sexualidade. No papel de pessoa em desenvolvimento, é dado destaque ao modo como a adolescente se posiciona face à escola e à vida profissional, bem como à questão da autonomia financeira. De acrescentar que para cada papel, é analisado a forma como a adolescente se vê e sente, como encara as mudanças vividas, principais dificuldades sentidas, planos de futuro, bem como o modo como gere o equilíbrio entre as necessidades acrescidas de apoio e as aspirações pessoais de autonomia. O sistema de cotação da entrevista, desenvolvido no âmbito do presente estudo, funda-se nas perspectivas construtivista e construcionista de abordagem da identidade, sendo composto por cinco escalas: Coerência, Integração Emocional, Idealização, Integração da Identidade Materna no Self e Relação Self-Outros (Mendes, Jongenelen, & Soares, 2005). A escala da Coerência visa avaliar a clareza, detalhe, relevância e fluência do discurso da adolescente. A escala da Integração Emocional reporta-se à capacidade da adolescente para reconhecer e aceitar a complexidade das experiências emocionais típicas desta nova fase da vida. A Idealização visa apreender o grau em que a adolescente tenta passar uma imagem inflacionada de si, discrepante da realidade. A Integração do Papel Materno no Self trata-se de uma escala que se foca na capacidade da adolescente para reconhecer e aceitar as tarefas e exigências impostas pela maternidade, e para demonstrar uma perceção positiva de si como mãe. A escala Relação Self-Outros foca-se na capacidade da adolescente para equilibrar as suas aspirações de autonomia com as necessidades acrescidas de apoio. Todas as escalas foram definidas para um intervalo de nove pontos. Para proceder à análise da consistência das escalas que integram o sistema de cotação da EAM foi reunida uma equipa de quatro juízes, e calculado o coeficiente de correlação intraclasses. Todas as escalas apresentaram coeficientes de fiabilidade bastante satisfatórios, superiores a 0,90.

O SSNI (Flaherty et al., 1983) é um instrumento de autorrelato cujo objetivo reside na avaliação da perceção da qualidade do suporte social prestado pelos elementos significativos da rede de apoio do sujeito. Cinco dimensões distintas são consideradas: Disponibilidade, Reciprocidade, Apoio Prático, Apoio Emocional e Apoio em Relação a Acontecimentos de Vida Críticos. Este instrumento integra ainda parâmetros do suporte social referentes à extensão e ao principal elemento da rede de apoio. Do ponto de vista psicométrico, este instrumento apresenta valores aceitáveis de fidedignidade e de estabilidade temporal (Jongenelen, 2004; Soares et al., 2001).

Os dados do presente estudo reportam-se a dois grandes momentos: último trimestre da gravidez e 12 meses do pós-parto. Num primeiro momento realizou-se uma análise descritiva visando caraterizar globalmente a amostra. Neste sentido, foram recolhidas medidas referentes às variáveis sociodemográficas e ao suporte social, tanto na gravidez, como para o pós-parto. Atendendo a que a transição para a maternidade constitui um acontecimento potenciador da revisão do modelo interno dinâmico de vinculação, a AAI foi conduzida no último trimestre de gravidez das adolescentes. A análise da qualidade da organização de vinculação foi realizada em três planos: categoria geral de representação da vinculação (Segura vs. Insegura), padrão específico de vinculação (Seguro-Autônomo, Inseguro Desligado-Rejeitante e Inseguro Emaranhado-Preocupado) e fatores derivados dos mega-itens da AAI. Esta última opção prendeu-se com as caraterísticas da nossa amostra e exigiu que os oito mega-itens do Adult Attachment Q-sort fossem previamente submetidos a uma Análise de Componentes Principais, seguida de rotação Varimax. Foi encontrada uma solução de dois fatores - Adversidade Familiar e Experiência e Representação Positivas, tendo estas designações sido derivadas do estudo desenvolvido por Jongenelen (2004).

Com base nas cotações individuais das adolescentes na EAM, bem como no contributo positivo ou negativo de cada escala para a qualidade da adaptação, foi realizada uma análise de clusters (K-means clustering analysis), com estandardização de fatores. Este procedimento estatístico permitiu diferenciar dois grupos de mães adolescentes: Pior adaptadas à Maternidade e Melhor adaptadas à Maternidade. No momento seguinte foram analisadas as relações entre os dois grupos de mães, as medidas de vinculação e do suporte social. Na análise e tratamento estatístico dos dados foi utilizado o programa SPSS, versão 13.0. De acrescentar que os objectivos gerais do estudo foram explicados às adolescentes e a sua colaboração voluntária foi solicitada. A totalidade das grávidas adolescentes e o seu encarregado de educação (quando a adolescente era menor de idade) assinaram uma declaração de consentimento de participação.

 

Resultados

No final do primeiro ano após o nascimento do filho, a maioria das adolescentes (57,9%) encontrava-se a trabalhar em empregos assalariados, uma percentagem substancial (32%) não se encontrava a estudar nem a trabalhar, e somente 13% haviam retomado os estudos. Em termos de organização familiar, a grande maioria das adolescentes (74%) encontrava-se a viver com o pai do seu bebê e 32% estavam mesmo casadas pelo civil. Apenas uma pequena percentagem das mães (8%) não mantinha qualquer contato com o pai do seu bebê, sendo que a grande maioria (68,4%) avaliavam a relação que mantinham com o companheiro como boa ou muito boa. No relacionamento com a respetiva mãe, a maioria das adolescentes (78,9%) avaliava-o como bom ou muito bom. Em termos dos cuidados prestados ao bebê, 40% das adolescentes assumiam-se como protagonistas, 52% partilhavam as tarefas com as respectivas mães e as restantes 8%, eram cuidadoras secundárias. As adolescentes repartiram-se em termos de reação inicial à gravidez, metade assumindo que aceitou bem esta notícia, e a outra metade referindo que a rejeitou inicialmente.

Em relação à representação geral de vinculação, 42,1% (n=16) das grávidas adolescentes foram classificadas como seguras, e 57,9% (n=22) como inseguras. Dentro do grupo das inseguras, 6 evidenciavam um padrão inseguro emaranhado-preocupado de vinculação e 16 foram incluídas no padrão inseguro desligado-rejeitante.

Em relação às medidas do suporte social, as várias dimensões do apoio pontuaram acima do ponto médio, tanto na gravidez, como aos 12 meses do pós-parto. As dimensões do apoio social em que as adolescentes evidenciaram maior satisfação durante o período da gravidez foram a Disponibilidade e o Apoio Prático. No final do primeiro ano, destacaram-se as dimensões da Disponibilidade e a Reciprocidade. A maioria das adolescentes referiu uma rede de apoio social composta por cinco a dez elementos. A figura que tende a ser percebida como mais importante é o cônjuge/companheiro, logo seguido pela mãe da adolescente, e isto tanto na gravidez, como no final do primeiro ano após o nascimento do filho.

Partindo das cotações individuais nas escalas da EAM, a análise de clusters realizada permitiu a identificação de dois perfis distintos de jovens. O cluster 1, designado por Pior Adaptado à Maternidade é composto por 65,8% (n=25) das mães adolescentes da amostra. O cluster 2 é constituído pelas restantes jovens (34,2%, n=13), e foi designado de Melhor Adaptado à Maternidade. De modo a analisar a significância das diferenças entre os dois grupos, procedeu-se a uma análise da variância multivariada (MANOVA). Como é possível verificar pela análise da Tabela 1, o grupo das mães Melhor Adaptadas à Maternidade apresentou cotações significativamente mais elevadas nas escalas da Coerência, Integração Emocional, Integração do Papel Materno e Relação Self-Outros. Na escala que contribui de modo negativo para a adaptação, a Idealização, o mesmo grupo pontuou significativamente abaixo. O inverso se passa com o grupo das mães Pior adaptadas (Wilks' Lambda = 0,29; F(5, 32) =15,41, p< 0,01).

No sentido de averiguar a existência de associações significativas entre os perfis de adaptação à maternidade e a organização de vinculação das adolescentes (segura vs. insegura), recorreu-se ao teste Qui-quadrado. A análise da Tabela 2 permite verificar que os dois grupos de adolescentes se distinguem, de modo significativo, na qualidade da sua representação geral de vinculação (χ2 (1)= 5,96, p<0,05, com correção de Fisher). No grupo melhor adaptado, a maioria das adolescentes surge avaliada como segura em relação à vinculação. Constata-se ainda uma predominância de adolescentes inseguras no grupo pior adaptado à maternidade. Por restrições impostas pela composição da amostra, não foi possível aprofundar a análise estatística para os padrões específicos de vinculação. Ao nível dos fatores derivados dos mega-itens da AAI (Adversidade Familiar e Experiência e Representação Positiva), verificam-se diferenças significativas entre os dois grupos (Wilks' Lambda=0,8 (F(2, 35)=4,26, p<0,01), mais precisamente no fator Adversidade Familiar (F(1,36)=8,8, p<0,01). Como se pode ainda observar na Tabela 2, as mães adolescentes pertencentes ao grupo de pior adaptação, distinguem-se das restantes pela experiência de níveis mais elevados de Adversidade familiar.

Em relação aos vários parâmetros do suporte social considerados (figura protagonista no apoio, extensão da rede de apoio, dimensões do suporte social), não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos de mães, e isto tanto no último trimestre da gravidez, como no pós-parto. Nenhuma das variáveis sociodemográficas contemplada neste estudo (idade da adolescente, condição socioeconômica, composição do agregado familiar, percepção da qualidade do relacionamento com figuras consideradas significativas na adaptação (companheiro/cônjuge e mãe), situação ocupacional, protagonismo na prestação dos cuidados prestados ao bebé, reação inicial à gravidez) revelou associações estatisticamente significativas com os perfis distintos de adaptação à maternidade aos 12 meses (χ2 , n.s.).

 

Discussão

Assumindo a relevância do exercício da maternidade no modo como a jovem mãe constrói a sua identidade, reflete sobre si, e se avalia, o presente estudo visou, em primeiro lugar, distinguir adolescentes com qualidades distintas de adaptação à maternidade, um ano após o nascimento do seu bebê. Constatou-se que a maioria das mães adolescentes da amostra (65,8%) evidenciou um nível inferior de adaptação à nova configuração de papéis imposta pela maternidade precoce, comparativamente às mães que se mostraram bem adaptadas (34,2%). Estas prevalências são congruentes com os valores encontrados por outros autores, em amostras com características sociodemográficas semelhantes (Nurius et al., 2006; Oxford et al., 2006).

No presente estudo foi encontrada uma relação significativa entre a qualidade da organização de vinculação da adolescente e a qualidade da adaptação à maternidade. A maioria das mães adolescentes avaliadas na gravidez como seguras do ponto de vista da organização da vinculação revelaram-se, aos 12 meses do pós-parto, capazes de reconhecer e aceitar as mudanças impostas pela maternidade e o amplo leque de experiências emocionais que lhe está associado. Nestas mães, a atitude face à maternidade foi predominantemente otimista e o relato das experiências foi feito de modo coerente e reflexivo. Na literatura encontramos um conjunto vasto de referências que sugere a sustentação de estratégias flexíveis de regulação emocional como um marcador significativo para o ajustamento à maternidade (Canavarro, 2001; Cooper et al., 1998; Solomon & George, 1996), bem como da respectiva associação com a segurança na vinculação (Collins & Feeney, 2004; Sroufe et al., 1999). Em paralelo, a literatura da vinculação enfatiza a influência da qualidade das organizações de vinculação na predisposição pessoal para recorrer à rede de suporte social e para perceber os outros como figuras disponíveis e apoiantes em alturas de necessidade (Kobak & Sceery, 1988). Os resultados obtidos no nosso estudo vão nesse sentido uma vez que são as mães melhor adaptadas as que mais referem recorrer a posturas ativas na gestão de relacionamentos com a rede de apoio, tal como é visível pelas diferenças entre os dois grupos ao nível da escala Relação Self-Outros. Os resultados apontam ainda para um capital de risco suplementar para as adolescentes com organização de vinculação insegura. A maioria das mães adolescentes que denota dificuldades em reconhecer e aceitar as mudanças impostas pela maternidade, bem como em posicionar-se de modo autônomo e proativo face à rede de apoio, foi avaliada na gravidez como apresentando uma organização de vinculação insegura. São vários os estudos que defendem que as capacidades de regulação emocional têm como contexto de aprendizagem as relações precoces de vinculação (e.g., Cooper et al., 1998; DeOliveira et al., 2005; Kobak & Sceery, 1988; Mikulincer, 1998). A capacidade da criança para reconhecer, expressar e comunicar a forma como se sente parece estar relacionada com o padrão de responsividade parental ao nível da disponibilidade e da sensibilidade (DeOliveira et al., 2005; George & Solomon, 1999). Assim, a história desenvolvimental das adolescentes seguras poderá ter contribuído para a aprendizagem de que é aceitável expressar a ansiedade e procurar apoio e conforto nos outros em alturas de necessidade. Em contrapartida, o fracasso das adolescentes inseguras em organizarem uma relação segura com as suas figuras de vinculação, quer pela indisponibilidade demonstrada por essas mesmas figuras, quer pela inconsistência no modo como o concretizaram, poderá ter contribuído para o desenvolvimento de expectativas desfavoráveis quanto à capacidade dos outros para lhe proporcionarem apoio eficaz em caso de necessidade. Os resultados do nosso estudo apontam nesse sentido. De fato, as mães adolescentes pertencentes ao grupo Pior Adaptado à Maternidade distinguem-se das restantes pelos níveis superiores de Adversidade Familiar vivida durante a infância. Mais concretamente, os resultados do grupo Pior Adaptado comportam uma avaliação das experiências relacionais precoces como menos positiva, marcada por níveis superiores de instabilidade, conflito ou ruptura na prestação de cuidados, relativamente ao verificado no grupo de mães classificadas como Melhor Adaptadas à Maternidade.

Ainda que na literatura da maternidade adolescente, o suporte social tenda a ser considerado um marcador importante para o (in)sucesso na trajetória desenvolvimental destas mães (e.g., Contreras, 2004; Oxford et al., 2006; Schellenbach et al., 1992), no presente estudo não foram detectadas associações significativas deste com a qualidade da adaptação. Possivelmente, com uma amostra mais extensa os resultados poderiam ser mais expressivos e esclarecer melhor o papel destas variáveis na adaptação.

Apesar dos dados do presente estudo sugerirem um papel de relevo da parte da qualidade das organizações de vinculação das adolescentes na (in)adaptação à maternidade aos 12 meses do pós-parto, esta relação não deve ser tomada como linear. Uma percentagem substancial de mães adolescentes avaliadas como seguras na gravidez integra o grupo Pior Adaptado à Maternidade (18,4%) e quatro das mães adolescentes avaliadas como inseguras são classificadas como Melhor Adaptadas à Maternidade (10,5%). Uma das hipóteses que se levanta refere-se à possibilidade do impacto da qualidade das organizações de vinculação não ser suficiente para fazer face às múltiplas adversidades impostas pelo plano socioeconômico. Esta consideração alinha-se com dados patentes na literatura, onde é referido que contextos de crescimento marcados pela adversidade socioeconômica - como o da amostra em que este estudo se baseou - tendem a intensificar as lutas pela autonomia e motivar a adoção de posturas emocionais e interpessoais de distanciamento e desvalorização cognitiva e emocional (Ward & Carlson, 1995). Estes aspetos poderão ser confundidos com produtos de uma organização de vinculação insegura, ou reflexo de uma adaptação mal conseguida.

Na apreciação dos resultados anteriores, importa ainda atender às particularidades desenvolvimentais das adolescentes. A assunção da maternidade está fortemente relacionada com o conceito de maturidade psicológica. Caraterísticas como o egocentrismo, a idealização, o sentimento de invulnerabilidade, as dificuldades de antecipação do futuro e de consideração simultânea de diferentes perspetivas, as limitações no planejamento e resolução de problemas são típicas do pensamento adolescente (Trad, 1993). Tais características poderão dificultar as tarefas de reconhecimento e aceitação da multiplicidade emocional, e da integração das mudanças, fazendo com que desta forma um número significativamente superior de mães adolescentes seja integrado no grupo considerado como Pior adaptado à maternidade.

No global, os resultados obtidos vão ao encontro da noção amplamente referida na literatura recente sobre a temática, de que as mães adolescentes constituem um grupo diverso e heterogêneo, exibindo formas diferenciadas de gestão dos desafios com que se vêem confrontadas, pondo em relevo o caráter não inevitável de desvio imposto por acontecimentos de vida não-normativos como é o caso da maternidade na adolescência (Oxford et al., 2006; Sroufe et al., 1999). Em paralelo, sugerem a necessidade da adaptação à transição acelerada de papéis verificada nas mães adolescentes ser analisada com base em perspectivas de leitura complexas e contextuais (e.g., Schellenbach et al., 1992). A qualidade da organização de vinculação das adolescentes joga um papel significativo na trajetória de (in)adaptação destas jovens, mas não é por si suficiente para explicar toda a variabilidade verificada.

No futuro, seria importante que a investigação em torno dos processos de adaptação das jovens mães à maternidade assumisse um formato longitudinal mais prolongado, à semelhança do que já foi realizado noutros países (e.g., Oxford et al., 2006; SmithBattle, 2005). Esta opção possibilitaria aprofundar o conhecimento acerca da natureza dos perfis de adaptação e dos marcadores para o sucesso ou insucesso na transição para a idade adulta. Tal informação poderia revelar-se útil na estruturação de programas de acompanhamento e intervenção junto de mães adolescentes, onde poderia ser falado sobre a importância dessas adolescentes refletirem sobre como estão construindo a sua identidade.

Uma vez que estudos recentes apontam para uma percentagem elevada de mães adolescentes com uma organização não resolvida/desorganizada em relação à vinculação (U/d) (DeOliveira et al., 2005), sugere-se que em investigações posteriores esta categoria seja incluída. Seria ainda importante ampliar a composição da amostra, tornando-a mais representativa do ponto de vista geográfico, de forma a conseguir um retrato mais válido sobre a realidade da maternidade adolescente em Portugal.

 

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Recebido: 29/05/2009
1ª revisão: 03/08/2009
2ª revisão: 03/02/2010
3ª revisão: 08/03/2010
Aceite final: 09/03/2010

 

 

O presente estudo insere-se no âmbito de um projecto de investigação mais vasto intitulado "Avaliação e Intervenção na Maternidade na Adolescência: Factores de risco, Factores protectores, Resiliência e Intervenção Psicológica na Depressão Pós-Parto" financiado pelo programa PRAXIS (PRAXIS/PCSH/PSI/73/96), constituindo a extensão dos estudos desenvolvidos por Jongenelen em 2004.
* Endereço para correspondência: Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Leiria, Campus 2, Morro do Lena, Leiria, Portugal, 2411-901. E-mail: teresapmendes@gmail.com