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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.28 no.1 Porto Alegre Jan./Mar. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1678-7153.201528119 

Psicologia Do Desenvolvimento

Representação social do sexo nos jovens adultos portugueses

Social representation of sex in portuguese young adults

Alexandra Gomes* 

Cristina Nunes

1Research Centre for Spatial and Organizational Dynamics, Universidade do Algarve, Faro, Portugal

RESUMO

Foi nosso objetivo medir a representação social do sexo através das evocações livres de 1138 jovens adultos portugueses, com idades entre os 18 e os 25 anos, explorando uma abordagem explicativa da possível influência desta representação social nos comportamentos sexuais de risco observados nesta faixa etária. As evocações foram recolhidas através de um questionário online, divulgado pelas universidades e escolas profissionais portuguesas. Foi realizada uma análise prototípica de representações sociais. Os resultados sugerem uma representação social do sexo romantizada, com um núcleo central baseado na ideia de amor e prazer, em que aspetos relacionados com o risco, como preservativo ou infeções sexualmente transmissíveis, pertencem apenas ao sistema periférico, considerando-se que aí são integrados como uma forma de preservar o núcleo central, mas sem interferir na forma como os participantes vivem as suas experiências sexuais. A associação entre a ideia de amor e preservativo parece estar mais associada à heurística de quem "ama protege" o que facilita a não utilização do preservativo, em vez de a aumentar. A representação social do sexo, centrada no amor e no prazer, poderá enquadrar as questões cognitivas, afetivas e comportamentais presentes na explicação e predição da utilização do preservativo, complementando os modelos sociocognitivos já conhecidos.

Palavras-Chave: Representação social; comportamentos sexuais de risco; uso do preservativo; análise prototípica

ABSTRACT

The objective of this study was to measure the social representation of sex through free evocations of 1,138 young Portuguese adults, aged between 18 and 25 years, with the goal of exploring an explicative approach of a possible influence of this social representation in risky sexual behaviors observed in this age group. Evocations were collected through an online questionnaire made available by Portuguese universities and professional schools. Data were analyzed according to Vergès' prototypical analysis for social representations. The results suggest a romanticized social representation of sex, based on love and pleasure ideas, in which risky aspects such as use of condoms or sexually transmitted infections belong to the peripheral system. These aspects are integrated in order to preserve the central nucleus without interfering in the way participants live their sexual experiences. In addition, the association between love and condom use seems to be associated to the concept of "who loves, protects" which reduces condom use, instead of increasing it. Therefore, social representation of sex, focused on love and pleasure, might include cognitive, affective and behavioral aspects present in the well-known socio-cognitive models used for explaining and predicting condom use behavior.

Key words: Social representation; risky sexual behavior; condom use; prototypical analysis

A representação social constrói-se na interação com o meio e permite a orientação dos comportamentos (Moscovici, 1961), mesmo que de forma inconsciente como observado por Jodelet (1989). Contudo, os estudos que procuraram relacionar as representações sociais e os comportamentos pressupõem que os indivíduos controlam as representações sociais e selecionam as respostas da forma que lhes parece mais adequada (cf. Abric, 1987 ).

Para Vala (2004) as representações incluem os modos desejáveis de ação, proporcionam a construção do significado do estímulo em contexto e permitem ainda justificar os comportamentos individuais. Abric (2003) refere que as mudanças introduzidas no núcleo central de dada representação social provocam alterações ao nível das atitudes, enquanto as alterações nas atitudes apenas produzem mudanças no sistema periférico. Para Flament (2001) são os elementos periféricos que fazem a ponte entre os constructos mais abstratos do núcleo central e os contextos de utilização da representação, atuando como esquemas ou scripts de ações relativas ao objeto da representação social.

Apesar de não existir um modelo geral que permita compreender as suas relações (Wachelke & Camargo, 2007), vários estudos dos comportamentos sexuais de risco, o uso do preservativo e o HIV têm procurado utilizar esta ligação entre as representações sociais e o comportamento, como forma de explicar o hiato existente entre intenção e comportamento (por exemplo, Braun, 2013; Giacomozzi & Camargo, 2011).

Como exemplos, Morin e Vergès (1992) procuraram definir a representação social da Aids nos adolescentes do ensino secundário. A Aids apresentava uma dupla configuração central, com os conceitos de morte e doença a apresentarem a maior saliência para os jovens. Contudo, a representação apresentava-se complexa. As noções de amor e confiança estavam em conflito com a noção de sexualidade, que por sua vez estava relacionada com noções de risco. Do ponto de vista preventivo, as noções de amor e confiança estavam ligadas a discussão e informação.

Goodwin e colaboradores (2004) num estudo sobre a representação do HIV/Aids em 5 países da Europa central e de leste encontraram duas grandes dimensões, categorizadas como "sexo" e "doença mortal", com forte congruência. Contudo, os resultados sugerem uma maior inconsistência ao nível da dimensão "sexo", em parte influenciada pelo contexto cultural de cada país. Esta dimensão fazia referência à existência de episódios de sexo casual, preservativos, prostituição e atividade sexual em geral, que refletia a componente sexual da epidemia. Por sua vez, a dimensão "doença mortal" enfatizava o aspeto do medo relacionado com a doença Aids.

Camargo, Barbará e Bertoldo (2007), num estudo sobre a representação social da Aids com 262 jovens brasileiros verificaram que os participantes centravam a sua representação nos elementos de doença, morte, medo, sofrimento, preconceito, mas também prevenção e responsabilidade. As representações variavam consoante o grau de informação dos participantes sobre o HIV, existindo uma maior preocupação relacionada com aspetos biomédicos nos indivíduos mais informados. Os autores sugerem que o esforço informacional sobre o HIV/Aids é favorável à transformação da representação social da Aids, aumentando a consciência do risco e promovendo os comportamentos sexuais seguros.

Camargo e Bousfield (2009) analisaram a relação entre a representação social da Aids e os motivos enumerados pelos jovens para a não utilização do preservativo. Os resultados sugerem a formação de três dimensões de resposta para o facto de não utilizarem preservativo: (a) a excitação no momento da relação sexual, não permite um raciocínio claro, conduzindo a situações desprotegidas, (b) a existência de confiança na relação e no parceiro que conduz à ilusão de que não correm riscos devido a uma relação monógama e, (c) a utilização de outro método contracetivo, evidenciando uma maior preocupação com as gravidezes indesejadas do que com as infeções sexualmente transmissíveis.

Bertoldo e Barbará (2006) estudaram a representação social do namoro, na visão dos jovens brasileiros. Os resultados sugerem que para os jovens adultos brasileiros o namoro é descrito em termos de uma amizade, cumplicidade, confiança e amor. Apesar de o estudo não se centrar diretamente nos comportamentos de risco, como a inconsistência do uso do preservativo, permite compreender que há uma elevada valorização de aspetos de intimidade nas relações de namoro dos jovens adultos brasileiros. Já o estudo desenvolvido por Giacomozzi e Camargo (2004) com uma amostra de mulheres brasileiras com parceiro estável, mostra que as participantes relacionam a segurança e confiança no parceiro como uma forma de proteção face às doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV/Aids. Oltramari e Camargo (2004) observaram ainda que inclusive em mulheres profissionais do sexo, não existia a preocupação de utilização de medidas de proteção sexual com os seus parceiros fixos, comportamento associado à mesma ideia de confiança e amor, o que as coloca num nível de risco mais elevado em relação a infeções sexualmente transmissíveis.

Bromnick e Swinburn (2003) num estudo sobre as representações das experiências sexuais de uma amostra de adolescentes analisaram o conteúdo de entradas de diário sobre possíveis experiências sexuais desprotegidas. Os resultados sugerem que os adolescentes não consideram a experiência de sexo sem preservativo como algo mau ou reprovável. Apenas uma minoria escreveu nos diários aspetos relacionados com a saúde ou sobre preocupações que lhe estivessem associadas. Os aspetos românticos ou relacionados com a vivência sexual (satisfação, comprometimento) foram considerados mais importantes do que os da saúde. Estes estudos salientam a relevância do estudo das representações sociais para compreender os comportamentos sexuais de risco, e em particular, o uso do preservativo.

Mais recentemente Gomes e Nunes (2011a) procuraram medir a representação social do sexo veiculada através do discurso social, extraído de uma amostra trimestral de jornais e revistas portuguesas. Os resultados mostram dois tipos de discursos, um vocacionado para aspetos criminalizados do sexo, e outro mais vocacionado para aspetos funcionais e relacionais, como fertilidade, prazer, e da relação de casal. É ainda de notar que o corpus recolhido não fazia referências significativas a aspetos relacionados com o uso do preservativo ou doenças sexualmente transmissíveis, mostrando um lado romantizado e vocacionado para o amor e o prazer, mas não para o risco. Braun (2013) através da análise dos discursos através da análise de conteúdo de grupos focais, relativos ao preservativo, desenvolve a metáfora do preservativo enquanto aniquilador do prazer, mostrando que há um discurso negativo e oposto ao observado no estudo anterior, que contextualiza a relação sexual como sendo algo bom e positivo.

Como tal, este estudo tem como objetivo definir a estrutura da representação social do sexo, dado que as representações sociais têm um papel na determinação do comportamento dos indivíduos. A noção de que o sexo é um dos conceitos de maior associação ao HIV/Aids, e sendo o contexto em que se utiliza o preservativo, procurou-se compreender de que forma se estrutura a representação social do sexo, numa amostra de jovens adultos que, de acordo com o relatório sobre o estado da infeção por HIV/Aids (Instituto Nacional de Saúde [INS], 2013), são o grupo que continua a registar a maior incidência de novas infeções em Portugal.

Método

Participantes

A amostra recolhida foi recrutada de forma não probabilística entre os estudantes do ensino superior e de escolas profissionais portuguesas. Os participantes deveriam ter entre 18 e 25 anos e nacionalidade portuguesa, o que deu elegibilidade a 1138 respostas das 1682 obtidas. A média das idades foi de 20,93 anos (DP=2,11), 33,00% são homens e 67,00% são mulheres. Cerca de 14,50% da amostra era trabalhador-estudante, sendo os restantes estudantes, provenientes em 88,52% de sistemas universitários portugueses e 11,48% de centros e escolas profissionais. Um total de 98,50% dos participantes era solteiro.

Instrumento

Foi construído um questionário que abordava as questões demográficas, a história sexual (parceiros, iniciação da atividade sexual, tipos de relações sexuais) e hábitos de uso do preservativo (utilização nas relações sexuais, frequência da utilização, situações de inconsistência e intenção de uso). A representação social foi apurada através de uma tarefa de evocação livre. Era pedido aos participantes para referirem que palavras ou expressões lhes eram sugeridas pela palavra Sexo. Para o efeito foram fornecidos 15 espaços em branco, que deveriam preencher, considerando que a ordem das palavras deveria corresponder à ordem de importância relativa para o próprio. Era clarificado que os participantes poderiam preencher os espaços que considerassem necessários.

Procedimento

Inicialmente o estudo foi proposto ao Conselho Científico da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, da universidade do Algarve, que o aprovou. Em seguida, foi construída uma página da internet, com o questionário, o que permitiu a sua divulgação por todos os possíveis participantes. Para abranger o máximo de jovens adultos, foram contactadas todas as universidades públicas portuguesas, através de um pedido formal, endereçado aos respetivos reitores. Foram, também, contactadas escolas profissionais cujos cursos fossem direcionados para jovens adultos.

Após a aprovação dos respetivos órgãos dirigentes e científicos, o pedido de participação no estudo com o respetivo endereço online do questionário foi divulgado através do correio eletrónico institucional. A folha de rosto do questionário informava sobre o objetivo do trabalho, referindo-se a um estudo sobre o comportamento sexual dos jovens adultos, e continha uma premissa de consentimento informado. Os participantes que desejassem participar deveriam selecionar uma opção (um botão) que dava prosseguimento ao questionário. Caso não pretendessem participar, era fornecida uma opção que permitia fechar automaticamente a página. Eram igualmente informados que podiam desistir em qualquer altura, sem qualquer consequência associada. No fim do questionário, era agradecida a participação e fornecido o endereço eletrónico do investigador responsável, para quaisquer informações, críticas ou sugestões que pretendessem realizar ou fornecer.

Os dados recolhidos foram analisados com recurso ao SPSS v. 17, bem como ao programa EVOC2000 (Scano, Junique, & Vergès, 2002). A técnica de Vergès (1992), denominada de análise prototípica, cruza dois critérios para definir quais as palavras que poderão fazer parte do núcleo central de uma representação social: (a) ordem média de evocação e (b) frequência em que a palavra/categoria ocorre. De acordo com a análise, as palavras com frequência elevada e evocadas nas primeiras posições serão provavelmente os elementos que constituem o núcleo central.

No presente caso, a análise das respostas foi realizada recorrendo às palavras brutas, tendo existido um agrupamento exclusivo em casos de semelhança radial, que não contemplasse alterações de significado essencial (por exemplo: abraços, abraço e abraçar). Nesta perspetiva reduziram-se as formas verbais à forma mais simples, os plurais a singular e uniformizou-se o género para a forma masculina. As expressões, das quais são exemplos fazer amor ou atividade sexual, foram contempladas como sendo uma forma única.

Para determinar os valores de frequência mínima e intermédia, bem como a ordem média de evocação correta a adotar, foram observados alguns estudos sobre representações sociais (consultar Tabela 1). A frequência mínima escolhida corresponde a, pelo menos, 5% da amostra, o que equivale às palavras evocadas pelo menos 56,95 vezes. A frequência intermédia foi escolhida através da observação qualitativa. Verificou-se que a 2ª e 3ª palavras mais evocadas têm uma frequência na ordem dos 583 e 221 (evocadas por 51,10% e 19,40% da amostra, respetivamente). Considerou-se que esta diferença era suficiente para constituir um corte qualitativo, determinando-se que a frequência intermédia se situava nos 583. A ordem média das evocações foi calculada através da média aritmética da ordem de evocação de palavras. O valor obtido foi de 4,33 (≈ 4).

Tabela 1 Critérios de Análise das Evocações 

Autores Ano N
amostra
N
pala-
vras
N
evoca-
ções
Palavras
(bruto ou
categorizado)
Frequência mínima Frequência intermédia e
% da amostra
Ordem
média
evocações
Vergès 1992 367 236 877 Bruto 10 18 (4,90%) 1,80
1992 470 443 1310 Bruto 10 20 (4,20%) 2,00
1994 700 N/A Bruto 10 20 (3,00%)
Vergès, Tyszka,
& Vergès
1994 309 1041 6 15 3,00
Oliveira,
Mendes,
Tardin, Cunha,
& Arruda
2003 436 10 83 (19,00%) 2,40
358 10 51 (14,00%) 2,20
Bertoldo
& Barbará
2006

2006
183 147 912 Categorizado 5 30,5 (2,70%) 3,00
Carvalho,
Accioly,
& Raffin
371 101 1113 Categorizado 20 101 (5,40%) 2,30
Ribeiro
& Jutras
2006 100 249 10 16 (mediana das frequências – 16,00%) 6,61
Camargo
et al.
2007 262 275 1425 Categorizado 8 40 (média de evocações por categoria – 15,30%) 3,20
Gomes,
Oliveira,
& Sá
2008 100 444 8 13 (13,00%) 2,70
Silva & Cruz 2008 90 54 450 4 14 (15,60%) 3,00
Tura,
Madeira,
Silva, Gaze,
& Carvalho
2008 190 68 737 Bruto 10 (pelo
menos 5%
da amostra)
37 (19,50%) 2,50
190 68 737 Bruto 10 (pelo
menos 5%
da amostra)
23 (12,00%) 2,50
Cromack, Bursztyn,
& Tura
2009 541 N/A 5941 10 68 (12,50%) 2,50 (média
aritmética da ordem
de evocação
das palavras)
367 5941 10 54 (14,7%) 2,50 (média
aritmética da ordem
de evocação
das palavras)
Wachelke 2009 218 1085 Bruto 11 (pelo
menos 5%
da amostra)
28 (observação qualitativa – 12,80%) 3,00

Resultados

Caracterização da História Sexual e do Uso do Preservativo

A maioria dos participantes reportou já ter iniciado a sua vida sexual (72,90%) tendo como prática sexual mais comuns as relações vaginais e orais (26,00%). A média da idade primeira relação sexual situava-se nos 17,51 (DP=3,49) anos e a do parceiro nos 19,44 (DP=5,64). A média do número total de parceiros foi de 3,36 (DP=5,72) e nos últimos 3 meses foi de 1,126 (DP=3,52). Aquando da aplicação do questionário 54,80% da amostra referia ter parceiro.

Quanto ao uso do preservativo, a média de utilização foi de 4,86 (DP=2,21) com uma mediana de 6 (escala de 1 nunca a 7 sempre). Cerca de 57,66% dos participantes, que já iniciaram a sua vida sexual, afirmaram ter utilizado preservativo na última relação sexual. Em média, nos últimos 6 meses, os participantes não utilizaram o preservativo 10,29 (DP=22,08) vezes, e no último mês cerca de 3,31 (DP=11,10). A intenção futura de uso do preservativo teve uma média de 5,29 (DP=2,24; escala de 1 nunca a 7 sempre).

Análise Prototípica da Amostra Geral

Foi observado um total de 7183 evocações referente a 1396 palavras diferentes. A aplicação da frequência mínima reduziu o número de palavras a 21, evocadas 2923 vezes. A ordem média de evocação foi de 4,30, o que permite apurar que os participantes realizaram em média entre quatro e cinco evocações na tarefa de associação livre.

A frequência intermédia considerada permitiu dividir as palavras evocadas por quatro quadrantes (ver Tabela 2).

Tabela 2 Estrutura da Representação Social do Sexo 

Ordem Média de Evocação (OME)<4,3 Ordem Média de Evocação (OME)>4,3
Palavra f OME Elemento f OME
f≥583 Amor 631 2,45
Prazer 583 3,21
f≤583 Bom 91 2,78 Cama 56 5,39
Carinho 153 4,19 Corpo 65 4,75
Diversão 60 4,20 Cumplicidade 56 4,62
Homem 75 3,25 Desejo 134 4,59
Intimidade 118 3,85 Doenças sexualmente transmissíveis 66 7,41
Mulher 100 3,41 Loucura 74 5,01
Namorado 72 3,81 Orgasmo 74 5,81
Paixão 221 3,81 Partilha 70 4,81
Relação 95 3,10 Preservativo 71 5,68
União 67 4,85

O primeiro quadrante, com uma alta frequência e alta ordem média de evocação, contém apenas duas palavras, Amor e Prazer. Estas palavras poderão constituir os elementos mais centrais da representação. Amor é a palavra com maior frequência e que aparece nas primeiras posições, mais frequentemente. Não se verificou a existência de palavras com uma frequência tão elevada e uma ordem média de evocação superior a 4,3, o que sustenta a centralidade dos vocábulos anteriores.

Com frequência inferior a 583, mas com uma ordem média de evocação superior, encontram-se diversas palavras, em parte relacionadas com os aspetos relacionais do sexo (homem, mulher, relação, intimidade, namorado, carinho) ou com aspetos relacionados com o prazer ou consequências positivas do sexo (bom, diversão, paixão).

As palavras com baixa frequência e com baixa ordem de frequência poderão ser as que constituem o elemento mais periférico da representação. Continuam-se a registar aspetos mais associados à relação (cumplicidade, partilha, união), aspetos relacionados com prazer mas de um ponto de vista mais físico ou das práticas sexuais (corpo, desejo, loucura, orgasmo, cama) e ainda aspetos que se prendem com o risco/prevenção (preservativo, doenças sexualmente transmissíveis).

Análise de Coocorrências

Com recurso do programa SIMI 2000 (Junique, Barbry, Scano, Zeliger, & Vergès, 2002) foram verificadas as coocorrências das palavras mais evocadas pelos participantes do estudo. Por se considerar que o agrupamento em categorias iria enviesar a análise conduzida, optou-se por realizar a análise com as 21 palavras brutas.

Através da análise das frequências absolutas das coocorrências das palavras evocadas (ver Figura 1) verificou-se que ambas as palavras apontadas como mais centrais pelos participantes estabeleciam ligações com as palavras mais periféricas. A palavra Prazer foi a que estabelecia mais ligações, primordialmente associada ao Carinho e, secundariamente, ao Amor. O Prazer estava igualmente ligado a Desejo, Intimidade, Partilha, Orgasmo, União, Homem - que estabelecia uma ligação terciária a Mulher -,Diversão, Relação, Cama e, finalmente Bom.

Figura 1. Coocorrências das palavras evocadas. 

O Amor estabelecia menos relações, surgindo ligado a Paixão, que se encontrava por sua vez, associada a Loucura. É igualmente o Amor que estabelecia relações com o Preservativo e Namorado. Mas foi Prazer que apareceu associado a Doenças sexualmente transmissíveis.

Discussão

Foram evocadas 21 palavras por, pelo menos, 5% da amostra, em que sobressaem dois conceitos com elevada ordem de frequência e evocação: Amor e Prazer. É observável que a natureza das palavras é semelhante, em significado, às palavras presentes no núcleo central. No entanto, a utilização das palavras brutas, em vez das palavras agrupadas em categorias, foi considerada mais adequada para evitar perdas de informação (Vergès, 1992). O sistema periférico inclui palavras muito pouco frequentes nas evocações da amostra total, mas é de notar que faz referência tanto ao preservativo como às doenças sexualmente transmissíveis.

Em relação ao comportamento de utilização do preservativo, as médias encontradas são semelhantes às de estudos desenvolvidos com amostras portuguesas (Gomes & Nunes, 2011b; Muñoz-Silva, Sánchez-García, Martins, & Nunes, 2009, Reis, Ramiro, Matos, & Diniz, 2013). É ainda de notar que a média de utilização do preservativo na amostra revela-se inconsistente, apesar de uma elevada intenção de uso. Estudos anteriores já tinham observado uma romantização da experiência sexual que se estendida inclusivamente às experiências sexuais desprotegidas (Bromnick & Swinburn, 2003; Giacomozzi & Camargo, 2004). Apesar de não ser possível garantir que ambas as amostras partilham a mesma representação social, o núcleo central focado no Amor e Prazer parece ser uma explicação plausível para esta atribuição.

Igualmente, no estudo de Camargo e Bousfield (2009) os aspetos românticos do sexo justificavam a não utilização do preservativo. Confiar e amar o parceiro surge como um enviesamento percetivo do risco, o que o aumenta perante as doenças sexualmente transmissíveis.

Os estudos em Portugal sobre o uso do preservativo mostram uma diminuição deste em detrimento da pílula, pela perda da sensação e prazer que lhe está associada (Ministério da Saúde, 2005). Apesar dos indivíduos reconhecerem o risco do HIV/Aids, aumentado pelo não uso do preservativo, a perceção individual do risco diminui quando se consideram as experiências individuais (Amaro, Frazão, Pereira, & Teles, 2004). Verifica-se, igualmente que a utilização do preservativo diminui claramente perante a existência de um parceiro considerado estável (Muñoz-Silva et al., 2009). Considerando o núcleo central observado na representação social do sexo, poder-se-á supor que as noções de amor e prazer poderão justificar os níveis de utilização do preservativo.

Os aspetos formais do risco e da proteção surgem integrados no sistema periférico da representação social mas não ao ponto de ameaçarem o conteúdo central, o Prazer e o Amor. Desta forma, é plausível compreender-se, porque apesar do conhecimento da existência e transmissão de infeções sexuais (por exemplo, Reis et al., 2013), o risco pessoal é geralmente percecionado como sendo inferior ao real, facto presente tanto em amostras portuguesas (Amaro et al., 2004), como em amostras não portuguesas (Adefuye, Abiona, Balogun, & Lukobo-Durrell, 2009; Kayiki & Forste, 2012). Deve-se, igualmente, considerar que a representação social integra informação no seu sistema periférico, sem no entanto modificar os valores e crenças centrais. Tal poderá permitir a coexistência de informação contrária, mas que poderá ativar-se ou desativar-se mediante determinadas condições (Flament, 2001; Wachelke & Camargo, 2007).

Estas associações observam-se, ainda através das relações de coocorrência entre as palavras pertencentes ao núcleo central, e as restantes palavras que integram a representação, incluindo as que estão definidas como sistema periférico.

A palavra Amor coocorre com mais frequência com as palavras Prazer, Paixão, Corpo, Namorado, Preservativo, sendo que por sua vez, a palavra Paixão coocorre com Loucura. A perspetiva do amor estar associado a aspetos como paixão e loucura, bem como namorado e preservativo, parece contextualizar a ideia de que o amor é algo apenas partilhado com relações mais estáveis, apesar de continuarem a figurar os aspetos arrebatadores do prazer, da paixão e da loucura. O enquadramento do preservativo neste cenário parece ser uma forma de proteção e segurança, associadas ao amor.

Os dados das investigações com amostras portuguesas e o uso do preservativo evidenciam que os parceiros mais velhos e com parceiros fixos (namorados) são os que utilizam em menor proporção o preservativo (Gomes & Nunes, 2011b; Muñoz-Silva et al., 2009; Reis, Ramiro, & Matos, 2009), sendo que o mesmo se passa em amostras internacionais (Bogart et al., 2005; Matson, Adler, Milsstein, Tschann, & Ellen, 2011). Desta forma, parece que as associações amor-namorado, e amor-preservativo, poderão indiciar mais uma forma de justificar a não utilização do preservativo do que constituir uma possibilidade do seu uso. Este facto poderá estar a contextualizar heurísticas cognitivas que evidenciam que "quem ama, está protegido" contra doenças sexualmente transmissíveis, o que está associado a uma diminuição da utilização do preservativo (Ayala, Rivas, & Bingham, 2005; Camargo & Bousfield, 2009).

Por sua vez, o Prazer estabelece relações com todos os restantes vocábulos, mostrando uma perspetiva organizadora da representação social do sexo. A conceptualização do prazer revela noções de relacionamento, de diversão, de intimidade e cumplicidade, mas coocorre igualmente com as doenças sexualmente transmissíveis. Provavelmente, os indivíduos que se centram mais no atributo do Prazer estarão mais conscientes dos riscos adotados numa perspetiva da vivência da sexualidade. O estudo realizado por Gebhardt, Kuyper e Greunsven (2003)comparou a utilização do preservativo entre participantes com parceiro estável e participantes com parceiros casuais. Observaram que a utilização do preservativo era mais comum no segundo grupo, sendo que estes utilizavam mais o preservativo quanto mais favorável fosse a atitude e quanto maior a autoeficácia de uso e necessidade de intimidade nas relações. A associação entre o prazer e a intimidade pode, portanto, contextualizar a necessidade da mesma para que os parceiros comuniquem e consigam utilizar o preservativo. Mais recente, um estudo qualitativo sobre a representação das doenças sexualmente transmissíveis e a relação com uso o preservativo nas relações sexuais por homens heterossexuais refere a diminuição do preservativo em situações de maior intimidade e afetividade com as parceiras, relatando o desconforto e falta de sensibilidade com que o caracterizam (Pires & Balieiro, 2012).

Continua-se, portanto, a observar que uma das maiores barreiras ao preservativo é a falta de prazer e a interferência com a excitação sexual (Braun, 2013; Castro-Vazquez & Kishi, 2007; Kaneko, 2007; Ministério da Saúde, 2005). Manuel (2005) identificou que a interpretação pessoal de prazer dos participantes, juntamente com a falta de educação sexual e de informação sobre HIV, contribuíam para a não utilização do preservativo. Portanto, a representação social do sexo, centrada no amor e no prazer, poderá enquadrar as questões cognitivas, afetivas e comportamentais presentes na explicação e predição da utilização do preservativo.

Considerações Finais

Este estudo teve como objetivo definir a estrutura da representação social do sexo, contribuindo, desta forma, para a compreensão de comportamentos de risco no campo da sexualidade, especificamente na utilização do preservativo entre o grupo mais vulnerável à infeção por HIV. Os critérios considerados para a identificação de uma representação social (cf. Vala, 2004; Wachelke & Camargo, 2007), permitem-nos afirmar que estamos perante uma representação generalizada, coletivamente gerada, e que parece suportar guias de ação e permitir a interpretação de comportamentos dos indivíduos. Não obstante, algumas considerações devem ser tecidas ao estudo. A amostra recolhida refere-se a uma dimensão específica dos jovens adultos portugueses, isto é, aqueles que ainda estão inseridos em sistemas de ensino. Seria relevante que, de futuro, existisse um método de amostragem mais equilibrado que nos permitisse recolher respostas de indivíduos com outras experiências de vida, e suportando a validade externa do estudo. De forma semelhante observa-se um desequilíbrio de sexos na amostra. As mulheres surgem numa clara maioria, que deriva do facto de ser uma amostra mais escolarizada. Os últimos censos realizados em Portugal (Instituto Nacional de Estatística, 2011) mostram que são as mulheres que maioritariamente prosseguem estudos, sendo portanto mais provável encontrar um maior número de respondentes deste sexo. Contudo este aspeto poderá enviesar os resultados do estudo, pelo que os resultados devem ser analisados com a devida cautela.

São também necessários mais estudos que permitam explorar melhor a relação entre a representação social e o comportamento. O nosso objetivo não pretendia criar um modelo, contudo seria relevante compreender melhor o impacto da representação social na explicação do comportamento, como forma organizadora dos comportamentos individuais. Notamos também, que a representação social do sexo deve ser enquadrada numa perspetiva relacional, já que os indivíduos que fazem parte da dinâmica da relação sexual, poderão partilhar a mesma representação. Este denominador comum entre as partes poderá ajudar a explicar porque há um hiato entre intenção e comportamento, visível nos estudos que se baseiam nos modelos intenção-ação.

Estes estudos futuros permitirão validar os avanços para a população portuguesa, onde as taxas de HIV continuam a aumentar entre os jovens adultos, acompanhado de uma diminuição da utilização do preservativo (INS, 2013), e onde continuam a ser insuficientes as investigações que permitem compreender este comportamento. Numa perspetiva mais geral, a caracterização da representação social do sexo em outras culturas, e as respetivas comparações, poderiam contextualizar as diferenças encontradas ao nível o uso do preservativo, apesar de os países ocidentalizados dos Estados Unidos da América e Europa Ocidental e Central partilharem os mesmos indicadores referentes à utilização do preservativo e infeção de HIV/Aids (26). Futuramente propomo-nos observar diferenças ao nível da representação social do sexo com base nas experiências individuais e hábitos de utilização do preservativo.

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Este artigo foi parcialmente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT, Portugal).

Recebido: 17 de Abril de 2013; Revisado: 24 de Setembro de 2013; Aceito: 02 de Dezembro de 2013

* Endereço para correspondência: Departamento de Psi- cologia e Ciências da Educação, Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Campus de Gambelas, Edf. 1, Gambelas, Faro, Portugal 8005-139. E-mail: asgomes@ualg.pt

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