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Contexto Internacional

Print version ISSN 0102-8529

Contexto int. vol.32 no.1 Rio de Janeiro Jan./June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-85292010000100006 

Os discursos de Tony Blair: o conceito de terrorismo e as instabilidades de suas estruturas

 

The speeches of Tony Blair: the concept of terrorism and the instabilities of its structures

 

 

Cristiano Garcia Mendes

Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). E-mail: cristianomendes@gmail.com

 

 


RESUMO

O presente trabalho estuda as estratégias discursivas relativas ao conceito de terrorismo utilizadas pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, a partir da abordagem pós-estruturalista de Derrida. Os ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos foram tomados como referência para analisar como a questão do terrorismo é deslocada de uma posição periférica da agenda discursiva do ex-primeiro-ministro para o centro de suas narrativas após esta data. Ao mesmo tempo em que a referência ao terrorismo ganha centralidade, instabilidades também são geradas em virtude da maior utilização do termo. No caso específico de Tony Blair, o autor dos discursos opta por reconhecer estas instabilidades e tenta relativizá-las a partir de uma contextualização e descrição das especificidades do fenômeno terrorista.

Palavras-chave: Terrorismo - Tony Blair - IRA - Derrida


ABSTRACT

This study examines the discursive strategies related to the concept of terrorism used by former British Prime Minister Tony Blair, from Derrida's post-structuralist approach. The attacks of September 11th, 2001, upon the United States were taken as reference to analyse how the issue of terrorism moved from a peripheral position of the discursive agenda of the former Prime Minister to the center of their narratives after this date. At the same time that the reference to terrorism wins centrality, instabilities are also generated due to the increased use of the term. In the specific case of Tony Blair, the author of the discourses chooses to recognize these instabilities and try to relativise them from a contextualization and description of the specificities of the terrorist phenomenon.

Keywords: Terrorism - Tony Blair - IRA - Derrida


 

 

Introdução

O presente trabalho tem como objetivo analisar as estratégias discursivas utilizadas pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair referentes ao conceito de terrorismo.

A partir de uma abordagem pós-estruturalista, mais especificamente as estratégias de desconstrução de Derrida, será analisado o modo como Blair parte de narrativas periféricas e estáveis sobre terrorismo nos documentos anteriores ao 11 de setembro de 2001 e muda o rumo de seus discursos após esta data. Ao deslocar as referências relativas ao fenômeno terrorista para o centro da sua agenda discursiva, Blair acaba gerando aberturas estruturais na composição das suas narrativas em virtude de uma maior utilização e aprofundamento sobre o tema.

Como estratégia estabilizadora da lógica discursiva, o ex-primeiro-ministro adota uma postura de reconhecimento dessas instabilidades e tenta anular as contradições nascidas pela sobrecarga de sentidos fazendo referências às especificidades de cada contexto. Assim, seguindo a lógica derridiana - segundo a qual, apesar de a repetição ser um processo necessário para a criação de verdades, o excesso da mesma pode gerar sobrecarga de sentidos e instabilidades -, Blair opta por conviver com as aberturas decorrentes de uma maior utilização do tema, tentando, com relativo sucesso, contemporizá-las pela descrição das peculiaridades e complexidades de cada uma das situações em questão.

Por fim, cabe ressaltar que a intenção de apontar as mudanças de estratégias e as instabilidades presentes nos discursos do ex-primeiro-ministro não significa uma crítica à (in)coerência dos mesmos. O objetivo deste trabalho, que adota a abordagem pós-estruturalista, é mostrar como as instabilidades estruturais discursivas são produzidas à medida que determinado tema, ou estrutura narrativa, ganha espaço na agenda do seu produtor.

 

Desconstrução e repetição

Abordagens pós-estruturalistas, principalmente as de caráter derridiano, descrevem a realidade por meio da metáfora1 de estruturas instáveis e em constante movimento. A noção de presença e sentido que damos à existência seria condicionada a uma constante repetição de signos e referências gerada pela presença de aberturas na lógica estrutural e pela constante busca de estabilização dos sentidos da mesma (DERRIDA, 2005a). Dessa forma, somente seria considerado "real" aquilo que se repete no tempo, externando tudo o que não "existe" pela impossibilidade de repetição do mesmo. Repetir-se é existir.

A repetição a que se refere Derrida, entretanto, não significa reprodução do mesmo. Repetição para o autor significa reproduzir o diferente, ou seja, reinventar-se como estratégia de continuidade e sobrevivência. A lógica do constante movimento que perpassa a obra derridiana prevê a impossibilidade de repetição no sentido tradicional em razão da falta de referência sobre a qual julgar a semelhança (DERRIDA, 2001). O fato de um fenômeno ser considerado o mesmo em dois momentos diferentes já seria um contrassenso, uma vez que contextos diversos por si anulariam a possibilidade de repetição em termos absolutos.

Para Derrida (2004), a possibilidade de repetição, no sentido tradicional, repousaria em dois equívocos: crença de um momento fundador original e logo'centrismo. Em termos tradicionais, para que seja possível a repetição, é necessária a crença em que algo foi criado a partir de uma origem essencialista. Só é passível de repetição aquilo que possui uma essência atemporal, gerada a partir do nada ou inédita o suficiente para apagar qualquer tipo de filiação a algo que tenha existido. Ao mesmo tempo, é necessária a presença de um logos que julgue ser aquele fenômeno o mesmo verificado tempos atrás. Sem essa centralidade da razão e a presença de uma essência atemporal nos fenômenos analisados, o conceito de repetição não teria como se sustentar em termos lógicos por meio de parâmetros mais conservadores da observação.

O autor chama a atenção justamente para a falácia desses dois pressupostos. A crença de um momento fundador e de uma essência imutável teria suas bases no julgamento moral da dicotomia que separa o temporal do atemporal, uma vez que liga o primeiro termo da polaridade a tudo o que é indesejável por se afastar da verdade e do real. Já o segundo termo, da atemporalidade, estaria mais próximo da verdade e da realidade por se manter no tempo, o que faz com que ele ganhe, assim, o caráter de desejável. Uma valoração social sobre dicotomias que, em princípio, não poderiam ser classificáveis em termos morais (DERRIDA, 2004).

Quanto ao logocentrismo, Derrida argumenta que não passa de um preconceito acreditar na existência de um sujeito detentor de uma suposta verdade metafísica. A ideia de um saber absoluto situado na interioridade do observador tem suas origens na inversão feita pela lógica saussureana que coloca a linguagem falada como superior à linguagem escrita. Assim, o logos está ligado a um fonocentrismo, e, juntos, constituem arbitrariamente a noção de sentido e verdade. A partir de uma lógica foucaultiana, Derrida prefere transvalorar a relação sujeito e objeto considerando o primeiro muito mais produto de narrativas que seu produtor.

Todas as determinações metafísicas da verdade, e até mesmo a que nos recorda Heidegger para além da ontoteologia metafísica, são mais ou menos imediatamente inseparáveis da instância do logos ou de uma razão pensada na descendência do logos, em qualquer sentido que seja entendida: no sentido pré-socrático ou no sentido filosófico, no sentido do entendimento infinito de Deus ou no sentido antropológico, no sentido pré-hegeliano ou no sentido pós-hegeliano. Ora, dentro deste logos, nunca foi rompido o liame originário e essencial com a phoné (DERRIDA, 2004, p. 13).

A lógica derridiana denuncia a operacionalização de uma artificialidade no pensamento ocidental que valoriza um suposto centro originário em detrimento de tudo o que supostamente se distanciaria do ponto de origem. De forma conservadora, então, a repetição que pressupõem as correntes mais tradicionais seria a reprodução de uma suposta origem imutável por meio de periferias secundárias que se renderam às transformações do tempo. Nesta lógica, o imutável seria objeto da repetição, enquanto tudo o que o acompanha de forma tangencial seria apenas contexto de referência.

A repetição para Derrida não deve ser compreendida nesses termos citados. Para o autor, somente é passível de repetição aquilo que é mutável. Seria a diferença o objeto da repetição, já que não existem momentos fundadores. Uma vez que a repetição seria apenas reprodução do traço da não-origem, um objeto se conservaria no tempo apenas no momento em que deixa de ser o que é. Repetir não é reproduzir em termos fiéis a igualdade, mas manter-se leal ao objeto da repetição por meio da não-centralização e da não-reificação das suas características originais em prol de uma revalorização daquilo considerado como periférico e transitório.2

A aporia formada pela necessidade de mudança na busca pela estabilização e permanência seria, para Derrida, a essência da vida. Somente consegue permanecer o mesmo aquele que se reinventa a todo instante. A busca pela eternidade3 passa pela constante morte do mesmo em um processo incessante de reproduções do diferente.

A desaparição da face ou a estrutura de repetição não se deixam, pois, dominar pelo valor de verdade. A oposição do verdadeiro e do nãoverdadeiro está, ao contrário, inteiramente compreendida, inscrita nessa estrutura ou nessa escritura geral. O verdadeiro e o não-verdadeiro são uma espécie de repetição. E só há repetição possível no gráfico da suplementaridade, acrescentando, na falta de uma unidade plena, uma outra unidade vem supri-la, sendo ao mesmo tempo a mesma o bastante e outra o bastante para substituir acrescentando. Assim, por um lado, a repetição é isso sem o que não haveria verdade: a verdade do ente sob a forma inteligível da idealidade descobre no eîdos o que pode se repetir, sendo o mesmo, o claro, o estável, o identificável em sua igualdade a si. E apenas o eîdos pode dar lugar à repetição como anamnésia ou maêutica, dialética ou diática. Aqui a repetição se dá como repetição de vida. A tautologia é a vida só saindo de si para voltar a entrar em si. Mantendo-se junto a si na mnéme, no lógos e na phoné. Mas, por outro lado, a repetição é o próprio movimento da não-verdade: a presença do ente perde-se nele, dispersa-se, multiplica-se por minemas, ícones, fantasmas, simulacros etc. Por fenômenos, desde então. E esta repetição é a possibilidade do devir sensível, a não-idealidade. Do lado da não-filosofia, da não-memória, da hipomnésia, da escritura. Aqui a tautologia é a saída sem retorno da vida fora de si. Repetição de morte. Despesa sem reserva. Excesso irredutível, pelo jogo do suplemento, de toda intimidade a si do vivo, do bem, do verdadeiro (DERRIDA, 2005b, p. 122).

 

Irlanda do Norte: terrorismo, democracia e violência

Uma das questões mais importantes referentes ao cargo de primeiro-ministro britânico é sua posição em relação à Irlanda do Norte. Desde a década de 1970, época em que houve a intensificação dos ataques orquestrados pelo Exército Republicano Irlandês (em inglês, Irish Republican Army (IRA)), todos os ministros precisaram assumir publicamente suas ideias a respeito da luta pela reunificação irlandesa. A popularidade de cada ministro sempre passou pela habilidade do mesmo em se situar em um dos dois lados da linha que separa republicanos de monarquistas. Aqueles que se colocavam categoricamente contra a possibilidade de independência da Irlanda do Norte sofreram as consequências de um inevitável endurecimento da resistência separatista que intensificava a luta republicana por meio de atentados a bomba e greves de fome por parte dos líderes do movimento. Já os ministros que tentavam demonstrar simpatia pela causa irlandesa sofriam pressões por parte da população inglesa - principalmente daqueles que viviam no território do Ulster - no sentido de garantir a posse das seis províncias pertencentes oficialmente ao Reino Unido.

A posição do governo Tony Blair em relação à possibilidade de reunificação irlandesa sempre foi extremamente clara desde os primeiros dias do seu mandato. Apesar de o tema não ser citado como prioridade nos primeiros discursos de 1997 (ano de início do seu governo), o mesmo aparece como principal objetivo nos pronunciamentos do ano seguinte - "Um último acordo político e paz durável na Irlanda do Norte são os principais objetivos do meu governo".4 Segundo Blair, a Irlanda do Norte é parte do Reino Unido e, em princípio, o máximo que se poderia negociar seria um grau de autonomia relativa para seus seis condados. Entretanto, ao mesmo tempo em que Blair nega qualquer possibilidade de independência em curto prazo, prevê possibilidades de futuras mudanças, desde que referendadas democraticamente pela maioria da população. Assim, nas palavras do próprio ministro:

Minha agenda não é uma Irlanda unida [...]. Mas permita-me deixar uma coisa absolutamente clara. A Irlanda do Norte é parte do Reino Unido porque esta é a vontade da maioria do povo que vive aqui. Ela continuará parte do Reino Unido enquanto este for o caso. O princípio do consentimento está e estará no coração das políticas do meu governo para a Irlanda do Norte. Este é o princípio-chave. Isto significa que não pode haver a possibilidade de mudança no status da Irlanda do Norte como parte do Reino Unido sem o claro e formal consentimento da maioria da população da Irlanda do Norte. Qualquer acordo deverá ser negociado, não imposto; ele deve ser endossado pelo povo da Irlanda do Norte em um referendo; e deve ser endossado pelo Parlamento britânico.5

Soberania, neste caso, não se refere aos fatores históricos ou geográficos, e sim à vontade da maioria dos indivíduos de determinada região.

Tony Blair, entretanto, tenta impor como condição para a continuidade das negociações de paz o fim do uso da violência como instrumento de pressão política. Para o ex-primeiro-ministro, qualquer tipo de violência, seja ela exercida por parte do IRA ou mesmo por grupos unionistas, não se justificaria como método para se atingir objetivos. A violência descrita nestes primeiros discursos somente atrapalharia as negociações sobre o grau de autonomia do Ulster e os distanciariam de qualquer possibilidade de consenso. Assim, o viés democrático que baliza a argumentação do ex-primeiro-ministro não somente é condição imprescindível para qualquer possibilidade de independência futura como, também, não coaduna com qualquer tipo de ato violento, seja ele republicano ou unionista. Democracia e violência são citadas como inconciliáveis neste momento de fundação do novo governo trabalhista.

Violência não possui lugar em uma sociedade democrática, qualquer que seja a motivação de quem a pratica. Terrorismo, republicano ou o chamado monarquista, é desprezível e inaceitável. O povo aqui combateu a violência terrorista por 25 anos. Eles não foram destruídos por isso. Mas o legado de amargura dificultou a política normal de concessões mútuas, tornando-a, às vezes, impossível. Na Inglaterra, também nós tivemos nossa parte de violência terrorista do IRA. Mas o que me impressionou sobre suas tentativas de transtornar as eleições foi sobretudo a patética futilidade destas ações, reais ou encenadas. Provavelmente estas palavras não são novas. Mas elas mais do que nunca descrevem de forma acurada o corrente terrorismo na Irlanda do Norte; não apenas repugnante, mas patético e inútil.6

Como também pode ser visto na passagem acima, qualquer ato de violência com objetivos políticos, seja ele por parte do IRA ou vindo dos monarquistas, é considerado como terrorismo e, consequentemente, rechaçado.

No entanto, seguindo uma lógica que acompanhará seus discursos no decorrer de todo mandato, Tony Blair não se preocupa em definir objetivamente o fenômeno terrorismo, deixando sempre que o mesmo ganhe sentido a partir de suas utilizações específicas. Isso gera uma estabilidade em relação ao conceito que raramente é problematizado, ou identificado como algo a ser mais elaborado. Há somente uma relação lógica direta entre a incompatibilidade de atos terroristas com princípios democráticos. Nestes discursos anteriores ao 11 de setembro, o conceito de terrorismo não é adjetivado em momento algum. Deste modo, prefixos como "internacional" ou "global" somente começam a ser utilizados para o fenômeno terrorismo após os ataques de 11 de setembro.

Pode-se, portanto, considerar que o uso mais periférico do termo terrorismo nos discursos anteriores ao 11 de setembro gerou uma estabilidade de sentidos ao conceito que quase nunca é indicada como problemática (Figura 1).

 

 

Conceito de terrorismo após o 11 de setembro

O evento de 11 de setembro trouxe uma série de mudanças na utilização do termo "terrorismo" nos discursos do ex-primeiro-ministro Tony Blair. O uso do termo antes dos atentados aos Estados Unidos era, na maior parte das vezes, ligado à questão da Irlanda do Norte. A abordagem do terrorismo como estratégia a ser abandonada predominava sobre visões ontológicas a respeito deste fenômeno, e os autores de tais atos eram tacitamente restritos a grupos paramilitares. Estas características, somadas ao fato de o tema não ser predominante nas narrativas daquele período, faziam com que o conceito de terrorismo não necessitasse de maiores aprofundamentos narrativos sobre a sua lógica. Assim, a disposição periférica do seu uso conceitual gerava uma perceptível estabilidade na construção discursiva do mesmo.

Após os atentados do dia 11, alguns elementos relativos ao conceito de terrorismo começaram a mudar nos discursos de Tony Blair. Primeiro, nota-se uma maior referência ao fenômeno. Se compararmos o número de vezes que o conceito aparece antes e depois dos atentados, percebe-se um significativo aumento no uso do termo. Acompanhando este aumento na utilização da palavra "terrorismo", notamos também um processo de adjetivação do mesmo. O que antes era considerado mais como um fenômeno doméstico, pela questão da Irlanda do Norte, após o 11 de setembro começa a ser descrito como fenômeno internacional. Este deslocamento discursivo do termo, de um lugar até então mais periférico para o centro das narrativas, somado às adjetivações que o conceito ganhou, gerou uma maior complexidade na significação do mesmo. Assim, se até os ataques aos Estados Unidos o significado de terrorismo era tacitamente considerado como algo claro nos discursos do ex-primeiro-ministro, após esta data começa a nascer uma maior necessidade de delimitá-lo. A repetição do termo tornou evidente uma série de instabilidades que, até então, estavam apagadas. Quanto mais espaço o tema ganhou nas narrativas de Blair, mais evidentes ficaram as aberturas estruturais que o sustentavam.

 

Do terrorismo doméstico ao terrorismo internacional-global

O que mais chama a atenção nos discursos de Tony Blair após o 11 de setembro é o foco dado à questão do terrorismo e a apresentação deste fenômeno como algo internacional ou global. Se analisarmos o número de vezes que o termo é utilizado nas narrativas anteriores àquela data, perceberemos que não somente o fenômeno era tratado de forma esporádica, como também não havia adjetivações referentes ao conceito. Após o 11 de setembro, o número de vezes em que o termo aparece cresce consideravelmente e é acompanhado de um processo de adjetivação também progressivo (Gráfico 1).

 

 

Esta maior centralidade dada ao tema produziu maior visibilidade às instabilidades até então apagadas. Entre as aberturas estruturais, destacam-se: a possibilidade de terrorismo de Estado, a utilização da estratégia terrorista por grupos eleitos democraticamente e certa indefinição sobre os reais objetivos dos grupos terroristas.

Em relação à primeira instabilidade - o uso de terrorismo por parte de Estados -, devemos lembrar que o fenômeno sempre é tratado por Tony Blair como uma estratégia, e não em termos ontológicos. Desta forma, não existiriam indivíduos ou grupos terroristas por natureza, e sim o uso de estratégias consideradas terroristas por determinados atores. Esta questão, nos discursos que antecedem o 11 de setembro, não gera visibilidade sobre possíveis aberturas estruturais. Como já analisado, a estratégia terrorista nos discursos anteriores aos ataques aos Estados Unidos considerava tacitamente que o uso da violência para fins políticos era exclusividade de grupos paramilitares, fossem eles separatistas ou unionistas. Assim, o fim do terrorismo seria apenas uma condição imprescindível para o governo negociar o processo de paz com as partes envolvidas no conflito, e nunca uma estratégia que poderia ser colocada em prática por Estados.

No entanto, ao usar o termo repetidas vezes nos discursos posteriores ao 11 de setembro, Blair abre espaço para indagações sobre a possibilidade de Estados também serem considerados atores terroristas. Uma vez que o fenômeno é descrito como estratégia e que o conceito ganha caráter internacional, novas indagações nascem sobre a lógica deste fenômeno. O fato, também, de Tony Blair ligar o governo de Saddam a grupos terroristas e a insistência do ex-primeiro-ministro sobre a necessidade de se acabar com a violência entre Israel e a Palestina fazem com que se torne factível a possibilidade de Estados - como Iraque e Israel - serem classificados como autores desta estratégia.

A própria questão do Hamas será um ponto-chave de outra instabilidade. Durante todo o seu governo, principalmente depois do 11 de setembro, Tony Blair sempre enfatizou a necessidade de se adotar a democracia como principal instrumento contra o terrorismo. A exaltação de regimes democráticos é tão categórica em seus discursos que até a possibilidade de intervenções legítimas em nome da democracia é aceita nos discursos do ex-primeiro-ministro. Entretanto, uma vez que grupos como o Hamas são eleitos democraticamente e os mesmos são considerados como grupos terroristas, uma abertura estrutural começa a aparecer. A incompatibilidade entre terrorismo e democracia é colocada em xeque a partir da possibilidade de determinada população escolher democraticamente indivíduos que adotem a violência com fim político como uma das suas estratégias.

Por fim, os discursos de Tony Blair demonstram uma tensão sobre como podemos medir a intensidade dos resultados obtidos pelos terroristas. Em alguns discursos, o primeiro-ministro afirma que as perdas materiais e a morte das vítimas dos atentados não seriam referência imediata para mensurarmos a efetividade dos ataques da Al Qaeda. De acordo com Blair, o verdadeiro objetivo de ataques terroristas seria gerar medo e pânico na população com fins de ganhos políticos. Nesta visão, quanto maior o terror instaurado, maior a vitória dos ataques de 11 de setembro. O número de vítimas, ou até os prejuízos econômicos, seriam secundários perto do estado de tensão provocado pelos ataques daquele dia.8 Mais do que provocar um sentimento de insegurança na população, os atentados teriam também como objetivo produzir uma cisão entre o mundo ocidental e o mundo mulçumano. O 11 de setembro seria, assim, muito mais uma tentativa de gerar insegurança e polarizar posições entre Ocidente e mundo mulçumano do que propriamente de infligir sofrimento por meio de mortes imediatas.

[...] nós reconhecemos que nesta situação o propósito dos terroristas que levaram a cabo o ataque do 11 de setembro não foi apenas matar um grande número de pessoas inocentes, apesar de o fazer. Mulheres e crianças, o sangue de várias centenas de muçulmanos foi derramado naqueles ataques, mas o propósito não foram os ataques somente. O propósito foi encadear uma série de eventos que iria dividir as pessoas, dividir o povo árabe e ocidental, dividir o povo muçulmano e de outras fés, dividir pessoas por todo o mundo.9

Como o nome sugere, terrorismo é sobre terror. É para amedrontar pessoas, transtornar suas vidas normais, produzir caos e desordem, distorcer as verdadeiras e sensatas tomadas de decisões. O dilema é reconciliar nas pessoas advertência e preocupação, tomando medidas preventivas sem destruir a vida normal.10

Para que a coerência política seja mantida, uma vez que se identifica o objetivo final terrorista como sendo a produção de uma sensação de insegurança e ausência de ordem, as medidas para mitigar os efeitos dos ataques devem ter como alvo a reinstauração do sentimento de segurança perdido. Assim, em uma entrevista coletiva para a imprensa em 19 de outubro de 2001, Blair identifica os objetivos de suas políticas em relação ao medo instaurado pelos ataques:

Mas eu penso que o que tudo isso nos traz de volta é como o mundo mudou desde o 11 de setembro; mudou no sentido de as pessoas estarem preocupadas e inseguras. Pessoas estão temerárias lá fora e uma das razões por que é tão importante que tomemos atitudes contra as redes terroristas é o intuito de reestabelecer a segurança e o senso de ordem que as pessoas querem.11

Por outro lado, se a sensação de insegurança e sectarismo que tomou conta da população após o 11 de setembro é citada como objetivo último dos terroristas - em detrimento de perdas materiais -, em outros discursos o ex-primeiro-ministro Tony Blair foca apenas as mortes geradas, os prejuízos econômicos e a possibilidade de que outros ataques aconteçam com um número maior de vítimas.

E deixe-nos lembrar: o que foi chocante sobre o 11 de setembro não foi apenas o massacre de inocentes, mas o conhecimento de que, se tivessem os terroristas sido capazes, teria havido não apenas 3 mil mortes de inocentes, mas 30 mil ou 300 mil, e quanto maior o sofrimento, maior seria o regozijo dos terroristas.12

Como veremos a seguir, o fenômeno do terrorismo que é apresentado, em princípio, como homogêneo em todo o mundo começa a ganhar especificidades quando instabilidades aparecem.

Desse modo, podemos agrupar os elementos e instabilidades dos discursos sobre terrorismo após o 11 de setembro como representado na Figura 2.

 

 

Blair e o conceito de terrorismo antes e depois do 11 de setembro

O evento de 11 de setembro de 2001 provocou mudanças tanto na utilização quanto nas estabilidades das estruturas discursivas de Tony Blair. Em primeiro lugar, é possível notar um deslocamento de temas do centro para a periferia da agenda discursiva do ex-primeiro-ministro. Temáticas ligadas à Irlanda do Norte e às questões da educação deixaram de ser enfatizadas após os ataques e foram gradualmente relegadas à periferia dos seus registros discursivos. Por outro lado, assuntos relativos ao fenômeno do terrorismo, não muito frequentes em suas declarações anteriores ao 11 de setembro, passaram a ser enfatizados, deixando de ser secundários para integrarem o centro das narrativas após os atentados aos Estados Unidos (Figuras 3 e 4).

 

 

 

 

Ao mesmo tempo em que temas foram deslocados entre as áreas centrais e periféricas da agenda discursiva, novas instabilidades também surgiram a partir destes movimentos. O conceito de terrorismo começou a apresentar aberturas estruturais na medida em que a utilização das mesmas ganhou centralidade. A frequência e intensidade na utilização dos temas revelam que a repetição dos mesmos acaba por gerar um processo de esgarçamento de sentidos relativos a cada conceito ou lógica argumentativa. Assim, as estabilidades verificadas nos discursos de Tony Blair somente se sustentariam se os temas em questão estivessem situados na periferia dos seus discursos. Enquanto a repetição de conceitos e temáticas estiver relativamente preservada do excesso de exposição, as estruturas lógicas que a sustenta conseguiriam manter a coerência necessária na produção de sentidos. Por outro lado, uma vez que os temas são focados na agenda discursiva, tem-se uma maior repetição dos mesmos, o que faz com que as instabilidades até então adormecidas comecem a sofrer um processo de sobrecarga de sentidos e tenham, inevitavelmente, que conviver com as aberturas estruturais antes ocultas.

Esta relação direta entre a centralidade de um tema e sua maior instabilidade gera a necessidade que o produtor dos discursos sente em buscar estratégias que consigam relativizar as aberturas geradas pelo excesso de exposição dos conceitos. No caso específico de Blair, a política adotada em relação às instabilidades, sejam elas situadas nos discursos anteriores ou posteriores ao 11 de setembro, consiste em assumir as instabilidades e relativizá-las por meio de especificidades do próprio contexto. Desse modo, elementos que, em princípio, colocariam uma lógica geral em xeque são contemporizados ao se especificar o caráter de cada situação. A partir do uso de uma política de transparência conceitual, Blair não nega a existência de aberturas em sua argumentação. Entretanto, ao invés de tentar estabilizá-las por meio de um aprofundamento nas descrições conceituais, o ex-primeiro-ministro prefere fazê-las coexistir com as instabilidades, confrontando a inevitabilidade das suas existências com a necessidade de julgamentos particulares.

 

A política como estabilizadora de significantes

Após o 11 de setembro, em virtude da reconfiguração dos registros discursivos, estruturas até então estáveis começam a esgarçar seus feixes de sentido e a apresentar incongruências antes adormecidas. A principal instabilidade destacada neste trabalho se refere ao conceito de terrorismo.

O conceito de terrorismo, após o 11 de setembro, tem que conciliar a utilização de categorias estáveis como a adjetivação de "internacional" e "global" e a necessidade de se acabar com o uso da violência com a possibilidade de haver terrorismo por parte de Estados. Outro elemento de instabilidade seria a existência de grupos eleitos democraticamente - como o Hamas - que fazem uso do terrorismo como estratégia política. Ainda, em relação às aberturas estruturais, encontraríamos discursos do ex-primeiro-ministro que ora localizam o objetivo terrorista na criação de um estado de tensão independente dos prejuízos causados em suas ações, ora citam as perdas materiais sofridas nos atentados como maior preocupação relacionada a este fenômeno.

Sempre que provocado a respeito destas instabilidades, Blair opta por assumir as supostas contradições e tenta anulá-las por meio de especificidades contextuais. Assim, quando perguntado se Israel poderia ser considerado um Estado terrorista em razão das retaliações realizadas pelo mesmo contra os palestinos, o ex-primeiro-ministro não responde negativamente de forma categórica, uma vez que prefere relativizar esta possibilidade, tendo em vista a violência praticada pelos seus opositores:

Eu discordo da política que objetiva assassinatos e eu espero que consigamos chegar a uma situação diferente na qual possamos mover à frente da liderança que explicitamente endossa este terrorismo e explicitamente financia e encoraja isso. Agora não é para justificar a relação feita, mas é para reconhecer que Israel perdeu grande número dos seus cidadãos nestes atos terroristas, cidadãos que morreram, não nos territórios ocupados, mas no próprio Estado de Israel. Então eu apenas acho que nós devemos balancear aquela situação um pouco.13

Quanto à questão do Hamas, Blair é interrogado várias vezes se não seria uma incoerência considerar como terrorista um grupo eleito democraticamente. As respostas a estas indagações são sempre no sentido de especificar, mais uma vez, as condições por meio das quais um caso particular deve ser julgado. No caso do Hamas, apenas a democracia não seria suficiente. Se o grupo em questão quiser o apoio e o financiamento da Inglaterra, o mesmo deveria, além da democracia, concordar com outros pontos como, por exemplo, a existência do Estado de Israel.

Eu respeito totalmente o mandato que o Hamas obteve, eles venceram a eleição. Na verdade, foram pessoas como eu que estavam dizendo que a eleição precisava seguir em frente, e vamos saber o que o povo pensa, e as pessoas falaram, e nós respeitamos isso. Mas, se eles querem que nós ponhamos dinheiro no seu governo e se eles querem levar à frente o processo de paz com Israel, isso apenas poderá ser feito se eles estiverem preparados para permitir que Israel exista. Você não pode dizer eu quero uma solução com dois Estados - Israel e Palestina - se uma das partes do processo está dizendo mas nós não queremos que o outro exista.14

[...] não é que nós não reconheçamos o mandato do Hamas, nós o fazemos, nós reconhecemos o mandato de um grupo eleito democraticamente pelo povo, o problema é que ao final nós não podemos avançar, a negociação não pode avançar a não ser que avance em bases nas quais o povo aceite que Israel também possui o direito de existir.15

Quanto à questão dos reais alvos do terrorismo, Blair diferencia o terrorismo europeu daquele praticado por redes internacionais. Para Blair, apesar de o terrorismo ser afirmado, após o 11 de setembro, como um fenômeno global, seria preciso separar aquele terrorismo exercido, por exemplo, pelo IRA, do terrorismo exercido pela Al Qaeda. Em um discurso de 2006, esta separação é explicitada pelo ex-primeiro-ministro. Para Blair, apesar de ambos estarem errados, o segundo tipo representaria maior perigo por se pautar não apenas na insegurança gerada por seus atos de violência, mas também na própria perda de vidas e prejuízos materiais alcançados nas ações. Já o terrorismo europeu seria limitado por tentar focar suas ações em alvos políticos e, na medida do possível, restringir o número de vítimas em cada atentado.

Cada indivíduo morto pelo IRA, ou atirador monarquista morto, é algo igualmente errado. Vocês sabem que qualquer morte de pessoas inocentes feita pelo terrorismo é absolutamente errada. Mas a diferença entre este movimento terrorista global que temos agora é que eles mataram 3 mil pessoas nas ruas de Nova Iorque, vocês sabem que eles mataram mais pessoas nas ruas de Londres, duzentas pessoas em Madri, mas, se eles pudessem, teriam multiplicado qualquer um destes números pela décima potência, eles teriam feito isso, e esta é a diferença.16

Assim, uma das diferenças entre o terrorismo sustentado por grupos ditos islâmicos e o terrorismo de grupos europeus, como o IRA - podemos também aqui incluir o ETA -, seria que o primeiro estaria interessado não somente em produzir uma sensação de insegurança na população, mas, também, no prejuízo causado - seja de vidas ou econômico-pelopróprio atodeterror. Já oterrorismoeuropeunão teria interesse em aumentar indefinidamente o número de vítimas de cada atentado. Estas seriam limitadas por uma economia da violência em que o ideal seria gerar o máximo de insegurança a partir de um mínimo de vítimas.17

 

Conclusão

A análise dos discursos de Tony Blair, produzidos antes e depois do 11 de setembro de 2001, revela-nos uma substituição estrutural narrativa sobre o uso do termo terrorismo. Entretanto, é preciso notar que a comparação entre as estruturas discursivas sobre terrorismo que antecedem os ataques aos Estados Unidos com as novas estruturas criadas a partir daquela data nos mostra não apenas a presença de uma simples substituição estável de termos ou estratégias. Dentro de algumas estruturas analisadas, é possível apontar um processo de desestabilizações discursivas em relação às narrativas até então estáveis.

Como foi mostrado ao longo deste trabalho, pode-se notar uma relação direta entre um maior uso do conceito terrorismo e a presença destas instabilidades. De acordo com a lógica de Derrida, observa-se que quanto mais determinados significantes são utilizados, maior a necessidade de elaboração dos seus sentidos e, consequentemente, mais visíveis ficam suas contradições. Quanto mais certos termos se repetem, mais seus significantes se desgastam, o que revela incoerências e complexidades até então não notadas. Esta lógica também pode ser vista de forma inversa. É possível afirmar que o uso periférico de determinados termos da agenda discursiva facilita a estabilização das suas estruturas narrativas. Quanto menos se repete determinado conceito, menor a necessidade de se aprofundar na significação do mesmo e, deste modo, menos instabilidades são verificadas.

A partir destas constatações, pode-se perceber como cada autor elabora estratégias próprias na tentativa de neutralizar estas instabilidades. No caso específico dos discursos de Tony Blair, é visível a consciência do autor a respeito dessas irresoluções. O que chama a atenção, entretanto, é a utilização de meios políticos próprios na neutralização das mesmas. Assim, a legitimidade política de decidir sobre as exceções (SCHMITT, 2006) é ampliada para o nível discursivo, o que faz com que as instabilidades de determinada estrutura discursiva sejam apagadas - mesmo que de maneira efêmera - a partir das próprias especificidades que as acompanham. Desta forma, verifica-se que a repetição do termo terrorismo gera a necessidade de especificações sobre seus sentidos. Este aprofundamento do uso conceitual, ao mesmo tempo em que revela instabilidades sobre suas estruturas discursivas, gera também a possibilidade de se caracterizar cada situação a partir de suas especificidades. O que Tony Blair faz é apoderar-se dessa oportunidade de individualizar cada contexto gerando contenções para as aberturas criadas pela repetição narrativa do conceito.

 

Notas

1. Metáfora, no sentido derridiano, não significa ilustração. De acordo com Derrida (2004), metáforas produzem sentido por si, não podendo ser confundidas como meras representações.

2. Repetição no sentido derridiano seria a possibilidade de gerar sentidos fixos a partir do constante movimento da existência. Esta noção seria a aceitação do ser e da mudança no sentido dado por Kierkegaard ao termo repetition. Paraeste último autor, recollection, a base de toda filosofia grega, seria o passo atrás, enquanto repetition seria a lógica do Cristianismo que significaria repetir a partir da inovação. Recollection e repetition seriam estratégias diferentes para lidar com a presença do constante fluxo. "Sem recollection ou repetition, não há nada além do fluxo, nada além de uma desordem sem sentido. Recollection tranquiliza a desordem; repetition encontra um modo de manter uma referência no centro da mesma. Recollection diz que tudo importante já passou. Repetition diz que a realidade deve ser produzida constantemente, trazida sempre adiante, incessantemente. Identidade deve ser estabelecida, produzida. Identidade, como Derrida diria, é um efeito da repetição" (CAPUTO, 1987, p. 17).

3. A imortalidade a que se refere Derrida significa busca e não possibilidade. Para o autor, apesar de a expressão que afirma a imortalidade ser capaz de gerar sentido, a mesma não expressa uma possibilidade, pois a própria consciência de imortalidade não seria condizente com a necessidade de morte rotineira. "O aparecer e o eu asimesmo no eu sou é, portanto, originariamente relação com o seu desaparecimento. Eu sou quer dizer originariamente sou mortal. Sou imortal é uma afirmação impossível" (DERRIDA, [s.d.], p. 68, ênfase no original).

4. Discurso do ex-primeiro-ministro Tony Blair em café da manhã com membros do Congresso norte-americano, 5 de fevereiro de 1998. Este e os demais discursos aqui citados estão disponíveis em: <http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/+/number10.gov.uk>. Acesso em: jul. 2010. Esta e as demais citações de originais em língua estrangeira foram livremente traduzidas para este artigo.

5. Ex-primeiro-ministro Tony Blair na Royal Agricultural Society Belfast, 16 de maio de 1997.

6. Ex-primeiro-ministro Tony Blair na Royal Agricultural Society Belfast, 16 de maio de 1997.

7. As figuras e o gráfico apresentados neste artigo foram por mim elaborados.

8. Notem que esta abordagem vai ao encontro das principais tentativas de definição do termo "terrorismo". De acordo com grande parte dos autores que lidam com o tema, o objetivo de qualquer ataque terrorista não seria gerar mortes ou perdas materiais, mas gerar um sentimento de insegurança coletiva que elevaria o ganho político do grupo que o praticou (DINIZ, 2004; CRENSHAW, 2003).

9. Ex-primeiro-ministro Tony Blair e presidente Mubarak em conferência à imprensa, 11 de outubro de 2001.

10. Discurso do ex-primeiro-ministro no Lord Mayor's Banquet, 11 de novembro de 2002.

11. Conferência dada pelo ex-primeiro-ministro Tony Blair a jornalistas árabes, 19 de outubro de 2001.

12. Pronunciamento do ex-primeiro-ministro Tony Blair abrindo debates sobre o Iraque, 18 de março de 2003.

13. Pronunciamento do ex-primeiro-ministro em 22 de abril de 2004.

14. Pronunciamento do ex-primeiro-ministro em 11 de fevereiro de 2006.

15. Conferência mensal do ex-primeiro-ministro à imprensa, 3 de agosto de 2006.

16. Entrevista com o ex-primeiro-ministro no Downing Street website, 6 de junho de 2006.

17. Fazendo uma análise histórica dos atentados do IRA e do ETA, verificamos que esta lógica é procedente. Tanto que, na maioria das ações violentas destes grupos, telefonemas são dados às autoridades com um mínimo de antecedência para diminuir ao máximo a possibilidade de mortes de inocentes.

 

Referências Bibliográficas

CAPUTO, J. Radical hermeneutics. Repetition, desconstruction and the hermeneutic project. Indianapolis: Indiana University Press, 1987.         [ Links ]

CRENSHAW, M. (Ed). Terrorism in context. Pennsylvania: The Pennsylvania State University Press, 2003.         [ Links ]

DERRIDA, J. A voz e o fenômeno. Lisboa: Ed. 70, [s.d.         [ Links ]].

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DINIZ, E. Compreendendo o fenômeno do terrorismo. In: BRIGAGÃO, C; PROENÇA JR., D. Pazeterrorismo: textos do seminário "Desafios para a política de segurança internacional: missões de paz da ONU, Europa e Américas". Rio de Janeiro: Ed. Hucitec, 2004.         [ Links ]

SCHMITT, C. Teologia política. Belo Horizonte: Del Rey, 2006.         [ Links ]

 

 

Artigo recebido em julho de 2009 e aprovado para publicação em maio de 2010.