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Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650

Acta Cir. Bras. vol.12 no.2 São Paulo Apr./May/June 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86501997000200008 

8 – ARTIGO ORIGINAL

 

Anestesia pelas vias intrapleural e intraperitoneal na cobaia

 

Intrapleural and intraperitoneal anesthesia in guinea-pigs

 

 

Rogério Saad-Hossne

Médico do Laboratório de Cirurgia Experimental da Faculdade de Medicina de Botucatu

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Em estudo experimental randomizado foi realizada análise comparativa, quando ao efeito anestésico, das vias de administração intrapleural e intraperitoneal, na cobaia. Foram utilizados 24 animais; empregou-se como droga anestésica, o pentobarbital sódico (0,33mg/Kg peso, solução 100mg em 3ml da solução fisiológica), injetado com seringa de insulina, agulha 13x4. Os efeitos de sedação, anestesia e de resuperação foram mais rápidos no caso de via intrapleural. Conclui-se que a via intrapleural pode ser útil em trabalhos de pesquisa experimental, quando se utiliza a cobaia como animal de experimentação.

Descritores: Anestesia. Pleura. Peritônio. Cobaias.


SUMMARY

In a randomized experimental trial, the intrapleural was compared with the intraperitoneal anesthesia (pentobarbital), in guinea-pig (24 animals).
Best results were observed in the intrapleural injection group: sedation and recuperation developed more quickly than the peritoneal group. Accidents and/or adverse reactions were not observed in either group. The author consider this technique useful for surgical procedures, in experimental surgery and for research, in guinea-pig.

Subject headings: Anesthesia. Pleura. Peritoneum. Guinea-pigs.


 

 

INTRODUÇÃO

A via intrapleural raramente é utilizada para anestesias de pequenos animais de lobatório e em medicina veterinária1,2,3,9.

Recentemente, vários autores tem recomendado o emprego de bupivacaina, por via intrapleural, para analgesia em situações clínicas5,6,7,8,9,11.

Em pesquisa experimental de laboratório, as drogas anestésicas são rotineiramente administradas por injeção intravenosa ou intraperitoneal.

A administração intrapleural, contudo, pode ser vantajosa em certas circunstâncias.

A atual publicação se refere ao estudo comparativo dos efeitos da administração de pentobarbital (Neumbutalâ) por via intrapleural e intraperitoneal.

 

MÉTODO

Foram utilizadas 24 cobaias adultas (12 machos e 12 fêmeas) distribuídas, por randomização, em dois grupos: injeção intrapleural e intrapetinoneal.

Após período de jejum (18 horas), com água "ad'libitum", foi feita a injeção de pentobarbital sódico (1mg/kg solução 100 mg, em 3 ml de solução fisiológica).

A injeção intrapleural foi realizada no hemitórax direito (face lateral, 4º espaço intercostal - Fig. 1).

 

 

A injeção intraperitoneal foi feita no quadrante inferior esquerdo do abdome. (Fig. 2). As injeções foram feitas com emprego de seringa de insulina (1ml), com agulha 13 x 4, antes da instilação de pentobarbital nas cavidades torácica ou abdominal, foi feita a aspiração, pela seringa, com objetivo de evitar a injeção do anestésico em órgão ou vasos.

 

 

Após a injeção intrapleural ou intraperitoneal de pentobarbital, avaliou-se o intervalo de tempo decorrido até a perda de sustentação dos membros posteriores e até o momento em que o animal perde totalmente a sustentação, tombando.

Periodicamente foram pesquisados os reflexos palpebral e interdigital, bem como a reação ao pinçamento da pele abdominal; mediu-se também o tempo de recuperação ("até o animal levantar-se").

Doze animais foram submetidos a necropsia imediatamente após a anestesia e doze, 24 horas após.

 

RESULTADOS

Em nenhum dos grupos foram observadas reações adversas ou acidentes.

À necrópsia não se encontraram alterações. As superfícies serosas (pleural ou peritoneal) se mostraram de aspecto normal, sem qualquer sinal de reação inflamatória ou presença de exsudatos.

Os melhores resultados foram observados no grupo de injeção intrapleural; a sedação e a recuperação foram mais rápidas do que no grupo intraperitoneal. Nos dois grupos a perda de sustentação dos membros posteriores foi a rpimeira manifestação clínica de efeito de sedação.

Os resultados estão expostos na Tabela 1.

No grupo de injeção intrapleural foi possível a execução, sob anestesia, de laparotomia 8 a 10 minutos após a injeção; no grupo intraperitoneal este período variou de 12 a 15 minutos.

O intervalo de tempo decorrido até o retorno completo dos reflexos e até o "levantar" do animal foi mais curto no grupo intrapleural.

 

DISCUSSÃO

Em pesquisa experimental, as drogas anestésicas são rotineiramente administradas por via venosa ou intraperitoneal.

A administração intrapleural, contudo, pode ser vantajosa em certas circunstâncias, por exemplo, quando se objetiva estudar os efeitos de outra droga injetada na cavidade abdominal ou quando o protocolo de experimentação exige que não haja manipulação peritoneal.

Esta situação ocorreu em nosso laboratório, quando de investigação sobre efeitos de drogas não anestésicas injetadas por via intraperitoneal, em cobaias.

Na cobaia, a injeção intravenosa é de difícil execução. Em virtude da copiosa secreção no trato respiratório que se observa na cobaia durante a anestesia por inalação, o uso da atropina está indicado (com possível interferência no protocolo experimental).

Estas alternativas tiveram que ser excluídas em nosso delineamento e a anestesia intrapleural foi usada, com bons resultados.

Não encontramos referências na literatura quanto ao emprego da anestesia intrapleural em cobaias.

 

CONCLUSÕES

Em vista dos bons resultados obtidos com a anestesia intrapleural, concluímos que esta técnica pode ser útil em pesquisas de natureza experimental realizadas em cobaia.

 

REFERÊNCIAS

1. BOYD, R.J. - Succinilcholine Chloride for Immobilization of Colorado Mule Deer. J. Wildil. Man., 26:332-3, 1962.         [ Links ]

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3. ENGOLD, G.L. - Pathologic Effects of Intrathoracic Barbiturate Anesthesia in Cats. Javma., 140:795-978, 1962.         [ Links ]

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10. STROMSKAG, K.E.; MINOR, B.G.; LINDERBERG, A. - Comparision of 40 mililiters of 0,25% intrapleural Bipivacaina with Epinephrine with 20 mililiters of 0,5% intrapleural Bupivacaine with epinephrine after cholecystectomy. Anesth. Analg., 73:397-400, 1991.         [ Links ]

11. SWINHOE, C.F. & PEREIRA, N.H. - Intrapleural analgesia in child with a mediastinal tumor. Can. J. Anasth., 41:427-30, 1994.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Dr. Rogério Saad-Hossne
R. Vitória Régia, 61
Botucatu - São Paulo
CEP 18607-070
Fone (014) 8220284
Fax (014) 8225475

Data recebimento: 27.01.97
Data de revisão: 27.04.97
Data de aprovação: 10.04.97

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