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Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.14 n.2 São Paulo Apr. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86501999000200004 

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE A SUTURA MECÂNICA E A MANUAL NO PARÊNQUIMA ESPLÊNICO DE CÃES1

 

Susi Lauz2
Amaury José Teixeira Nigro3
Alberto Goldenberg4
Yara Juliano5
Neil Ferreira Novo6
Murched Omar Taha7

 

 

Lauz S, Nigro AJT, Goldenberg A, Juliano Y, Novo FN, Taha MO. Estudo comparativo entre a sutura mecânica e a manual no parênquima esplênico, de cães. Acta Cir Bras [serial online] 1999 Apr Jun, 14(2). Available from: URL:  http://www.scielo.br/acb

RESUMO: O baço é o órgão intra-abdominal mais comumente lesado no trauma abdominal contuso (60%). Sabe-se que este órgão tem uma função imunológica definida, havendo uma preocupação em preservá-lo. O objetivo deste trabalho foi o de comparar a sutura mecânica, com a manual. Vinte e oito cães, machos, adultos foram operados, distribuídos em dois grupos de 14 cães. Cada grupo foi subdividido em dois subgrupos de 7 animais, sendo avaliados no 3º e 7º pós-operatório, respectivamente. No grupo controle (grupo I- sutura manual) a hemostasia foi feita com pontos em "U", com o fio de categute cromado 00. No grupo experimento (grupo II- sutura mecânica) foi utilizado o grampeador (TA 55). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes nos dados da hematimetria, quando comparados os dois grupos. Macroscopicamente houve maior hemorragia no grupo I do que no grupo II. Concluiu-se que a sutura mecânica é tão eficaz quanto à sutura manual para realizar a hemostasia do baço.
DESCRITORES: Baço. Suturas. Grampeadores cirúrgicos.

 

 

INTRODUÇÃO

O trauma é considerado um grave problema social no mundo atual. O baço é o órgão intra-abdominal mais comumente lesado no trauma abdominal contuso (60%), seguido pelas lesões do fígado. 9

A esplenectomia total foi o procedimento preferencial para as lesões traumáticas do baço e algumas doenças hematológicas. Entretanto, ficou comprovada a função imunológica deste órgão, havendo uma preocupação em preservá-lo. 4

O parênquima esplênico tem uma textura muito frágil e altamente vascularizado. Estudos têm sido realizados sobre qual o melhor tipo de sutura capaz de apresentar hemostasia eficaz.2

NGUYEN e col. (1982) realizaram a sutura mecânica do baço de cães, obtendo bons resultados quando o trauma ocorria em um dos pólos, sendo impossível de realizar o grampeamento do parênquima próximo ao hilo. 6

Neste estudo experimental o objetivo é comparar a sutura mecânica do baço com a manual, em cães.

 

MÉTODO

Vinte e oito cães, machos, adultos, com peso entre 15 e 20 Kg foram distribuídos em dois grupos de 14 cães, sendo o grupo I- controle (sutura manual) e o grupo II- experimento (sutura mecânica).Cada grupo foi subdividido em dois subgrupos de 7 animais, para serem reoperados no 3º e 7º pós-operatório (PO) respectivamente.

A anestesia foi por via endovenosa, com a associação de cloridrato de tiletamina à cloridrato de zolazepam (Zoletil®), na dose de 0,2 ml/ Kg de peso, seguido de sulfato de atropina (0,015 mg/ Kg de peso) e a manutenção, com pentobarbital sódico a 3 % (1 ml/ Kg de peso).5 Utilizou-se antibioticoterapia profilática (penicilina benzatina 1 200 000 UI).

O baço foi exposto após abertura da cavidade abdominal e o pedículo vascular esplênico clampeado. Realizou-se a ressecção de 5cm do parênquima no sentido do maior eixo, deixando-se uma superfície cruenta. Nos animais do grupo I, aplicou-se pontos em "U", com fio de categute cromado 00. Nos animais do grupo II, utilizou-se o grampeador linear cortante (TA 55).

Após 6 e 72 horas de PO fazia-se a Segunda e terceira coleta de sangue respectivamente.

Os parâmetros do hemograma analisados foram: hematócrito (microhematócrito); número de eritrócitos e dosagem de hemoglobina (contagem eletrônica).

Macroscopicamente avaliou-se a presença de hemorragia e a presença de aderência.

No estudo microscópico utilizou-se a histomorfometria computadorizada. Digitalizou-se as áreas dos cortes histológicos através do scanner e de uma câmera fotográfica. 

Utilizou-se os testes: de MANN-WHITNEY para estudar os dados da hematimetria e a área de hemorragia no estudo morfométrico computadorizado; análise de variância por postos de FRIEDMAN para estudar os períodos do experimento para cada variável acima referida; teste exato de FISHER para comparar os grupos e os dias do experimento, segundo a presença de hemorragia e de aderência. Fixou-se em 0,05 (a £ 0,05) o nível de rejeição da hipótese de nulidade.

 

RESULTADOS

Os dados da hematimetria comportaram-se com curvas similares, por isto apresenta-se os gráficos dos valores do hematócrito.

 

DISCUSSÃO

No presente estudo realizou-se o trauma por incisão com lâmina de bisturi no pólo inferior e comparou-se a sutura mecânica com a manual, diferindo de alguns autores que não padronizaram o local do trauma e a comparação do tipo de sutura. 6,7,8,9,10,11

Os dados da hematimetria observados no 3º e 7º PO no grupo II foram semelhantes aos do grupo I (Fig. 1 e 2). 3

 

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Fig. 1– Valor das médias do hematócrito (%) em cães submetidos à sutura manual (GRUPO I) e mecânica (GRUPO II) avaliados até o 3º PO

 

 

n2a04f2.gif (3548 bytes)

Fig. 2 – Valor das médias do hematócrito (%) em cães submetidos à sutura manual (GRUPO I) e mecânica (GRUPO II) avaliados até o 7º PO

 

Quanto à hemorragia macroscópica próximo à borda da sutura, o teste exato de FISHER não mostrou diferença significante entre os dois grupos, apesar de se observar no grupo I maior presença de hemorragia do que no grupo II (Tab. 1).

 

n2a04t1.gif (5510 bytes)

 

Em relação à aderência no local da sutura, o teste exato de FISHER não apresentou diferença significante entre os grupos, ainda que os valores no grupo I mostrassem maior presença de aderências do que no grupo II (Tab. 2).

 

n2a04t2.gif (5389 bytes)

 

A histomorfometria computadorizada mostrou que a área de hemorragia na sutura manual foi proporcionalmente maior do que na mecânica, ainda que não houvesse diferença estatisticamente significante (Fig. 3).1

 

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Fig. 3–Avaliação da área de hemorragia através do exame de histomorfometria computadorizada (m m2), nos cães submetidos à sutura manual (GRUPO I) e mecânica (GRUPO II).

 

CONCLUSÃO

A sutura mecânica é tão eficaz quanto à sutura manual para realizar a hemostasia do parênquima esplênico.

 

REFERÊNCIAS

1. Bartels PH. Quantitation in histopathology: objectives, origins, digital image analysis and unresolved issues. In: Marchevsky AM, Bartels PH. Image analysis: a primer for pathologists. New York: Raven Press, 1994. p1648.         [ Links ]

2. Christo MC. Bases anatômicas e experimentais das esplenectomias parciais. Rev Bras Cir 1963; 46:80-90.         [ Links ]

3. Goldenberg A. Estudo sobre os efeitos hemostáticos do raio laser de CO² e da sutura simples no baço de cães [dissertação]. São Paulo: Escola Paulista de Medicina; 1984.

4. King H, Shumacker Jr HB. Splenic studies. I. Susceptibility to infection aafter splenectomy performed in infancy. Ann Surg 1952; 136:239-42.         [ Links ]

5. Massone F. Anestesiologia veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1994.         [ Links ]

6. Nguyen H, Person H, Hong H, Vallee B, Nguyen HV. Splénectomie partille expérimentale et agrafeuse automatique. J Chir 1982; 119:335-40.         [ Links ]

7. Pinheiro LCSF. Contribuição à técnica da esplenectomia parcial: bases experimentais. Rev Bras Cir 1982; 72:137-46.         [ Links ]

8. Ravo B, Ger R. Splenic preservation with the use of a stapling instrument: a preliminary communication. J Trauma 1988; 28:115-7.         [ Links ]

9. Uranüs S, Mischinger HJ, Pfeifer J, Kronberger L, Rabl H, Werkgartner G, Steindorfer P, Kirz JK. Hemostatic methods for the management of the spleen and liver injuries. World J Surg 1996; 20:1107-12.         [ Links ]

10. Valarini R, Aleotti E, Regazzo MA, Tenius FP, Polonio B. Estudo experimental em cães com a utilização do grampeador como alternativa para sutura na esplenectomia parcial. Rev Col Bras Cir 1992; 19:221-4.         [ Links ]

11. Waldron DR, Robertson J. Partial splenectomy in the dog: a comparison of stapling and ligation techniques. J Am Med Hosp Assoc 1995; 4:343-8.         [ Links ]

 

 

Lauz S, Nigro AJT, Goldenberg A, Juliano Y, Novo N, Taha MO. Comparative study between mechanic and manual suture in splenic tissue, of dogs. Acta Cir Bras [serial online] 1999 Apr Jun, 14(2). Available from: URL: http://www.scielo.br/acb

SUMMARY: The spleen is the most common intra-abdominal organ hurt in contuso abdominal trauma (60%). It is known that the spleen has a defined immunologic function. The aim of this work was to comparar the mechanic suture in the spleen with the manual suture, in dogs. Twenty eight male adult dogs were operated, distributed in two groups of 14 dogs each. Each group was subdivided in two sub groups of 7 animals, in order to be operated in the 3rd and 7th post operative respectively. In the operative procedure of the control group (group I- manual suture) the hemostasia was accomplished being applied stitches in "U", with thread of 00 chromed catgut holed. In experimental group (group II- mechanic suture) the sharp lineal stapler was applied (TA55) to accomplish the hemostasis. It was found no significant statistical differences in the hematological exams of both groups. Macroscopy suggested larger haemorrhage presence in the group I, larger than in the group II, with no statistical significance. In conclusion, the mechanic suture, is a technique able to do the spleen’s hemostasis.
SUBJECT HEADINGS:
Spleen. Sutures. Surgical taplers.

 

 

 

Endereço para correspondência:
Profa. Susi Lauz
e-mail: dmblauz@super.furg.br
Tel: (0532) 321405

Data do recebimento: 10/03/99
Data da revisão: 10/04/99
Data da aprovação: 05/05/99

 

 

 

1 Resumo da tese de mestrado defendida e aprovada no Curso de Pós-Graduação em Técnica   Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESP - EPM
2 Prof. Assistente da Displina de Anatomia Humana da Fundação Universidade do Rio Grande - FURG
3 Prof. Titular e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESP - EPM
4 Prof. da Disciplina de Cirurgia Gastroenterológica da UNIFESP - EPM
5 Prof. da Disciplina de Bioestatística da UNIFESP - EPM
6 Prof. da Disciplina de Bioestatística da UNIFESP - EPM
7 Prof. da Disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESP - EPM

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