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Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.14 n.3 São Paulo Sept. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86501999000300010 

Simulador eletrônico – uma contribuição para o treinamento inicial em cirurgia videoendoscópica1

 

Alvino Jorge Guerra2
Luís Antonio Sanches da Silva3

 

 

Guerra AJ, Silva LAS. Simulador eletrônico: uma contribuição para o treinamento inicial em cirurgia videoendoscópica. Acta Cir Bras [serial online] 1999 Jul-Sept;14(3). Available from: URL: http://www.scielo.br/acb.

RESUMO: Os autores relatam a utilização de uma microcâmera colorida; destas usadas em sistemas eletrônicos de segurança, montada sobre uma haste com movimentos verticais, horizontais e oblíquos, dentro de uma caixa de madeira revestida de fórmica, alimentada por uma fonte estabilizada de 12 volts. Uma outra fonte de alimentação ajustada de 12 volts, fornece energia para uma ventoinha, responsável pelo arrefecimento do sistema. A intensidade de luz de duas lâmpadas dicróicas de 50 watts cada uma, é regulada por um dimmer. O resultado foi a construção de um Simulador Eletrônico (SE) que fornece imagens semelhantes às dos equipamentos originais de cirurgia videoendoscópica, contribuindo para que o iniciante adquira coordenação motora necessária ao domínio da técnica, com simulação real superior ao que se obtém com "caixas pretas" com espelhos ou câmeras estáticas. Cursos de cirurgia videoendoscópica podem contar com o simulador eletrônico como importante instrumento de treinamento e demonstração cirúrgica.
DESCRITORES: Cirurgia videoendoscópica. Cirurgia experimental. Simulador eletrônico.

 

 

INTRODUÇÃO

A cirurgia, como todas as áreas da medicina tem progredido muito. A associação da tecnologia eletrônica com a miniaturização de equipamentos de imagem, proporcionaram uma verdadeira transformação nos procedimentos cirúrgicos, introduzindo novos termos e opções, abrindo um horizonte infinito a nossa frente e estimulando a criatividade. Neste crepúsculo de 3º milênio a cirurgia videoendoscópica representa uma revolução na ciência e arte de curar com as mãos.

A cirurgia videoendoscópica significa hoje, uma nova abordagem cirúrgica. Sua prática requer equipamentos de imagem, manipulação de instrumental específico e sobretudo condicionamento e sincronismo de habilidades manuais e visuais.

Para dinamizar a etapa inicial e tornar mais real esse treinamento, utilizou-se o SE; dotado de uma microcâmera colorida montada sobre uma haste, com articulação esferóide, capaz de realizar movimentos verticais, horizontais e oblíquos, dentro de uma caixa de madeira revestida de fórmica, acoplada através de um cabo de vídeo a um receptor de TV, permitindo inclusive gravações em vídeo-cassete. As imagens observadas são similares às dos equipamentos de videoendoscopia cirúrgica.

 

MÉTODO

Durante a realização do 6º Curso Básico de Cirurgia Videolaparoscópica do Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental – EMESCAM, no período de 11 a 14 de setembro de 1998, foi utilizado com a finalidade de treinamento, o SE; composto por uma microcâmera colorida, a mesma utilizada em sistemas eletrônicos de segurança, montada sobre uma haste com movimentos verticais, horizontais e oblíquos, alimentada por uma fonte estabilizada de 12 volts. Uma outra fonte de alimentação ajustada de 12 volts, fornece energia para uma ventoinha, responsável pelo arrefecimento do sistema. A intensidade de luz de duas lâmpadas dicróicas de 50 watts cada uma, é regulada por um dimmer (figuras 1 e 2).

 

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Figuras 1 e 2 – Simulador Eletrônico

 

O conjunto completo foi conectado a um receptor de TV de 14 polegadas através de um cabo de vídeo (figura 3).

 

3a10f3.gif (56252 bytes)

Figura 3 – Simulador eletrônico conectado a um receptor de TV de 14 polegadas

 

Para o treinamento inicial utilizaram-se duas pinças dissectoras e uma tesoura. Nessa fase o uso de frutas como mamão, uva e outras, foram úteis para o exercício de preensão, bem como secção com tesoura. Ainda nessa etapa, pôde-se também manusear fios, agulhas, porta agulhas e exercitar suturas e nós internos.

O passo seguinte foi o uso do SE na coordenação dos movimentos através do uso de órgãos frescos como fígado de porco. A realização da colecistectomia na peça foi possível, conseguindo-se imagens semelhantes às dos equipamentos de cirurgia videoendoscópica e muito superiores às obtidas das "caixas pretas" com spelhos ou câmeras estáticas (Figura 4).

 

3a10f4.gif (49855 bytes)

Figura 4 – Caixa preta com espelhos ou câmera estática

 

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS ELÉTRICAS DO SE

Quantidade de lâmpadas:
2(independentes).

Tipo de lâmpadas:
Halógenas dicróicas.

Tensão das lâmpadas:
120 Volts (comutáveis através de jumper interno).

Controle de luminosidade:
Através de microcontrolador.

Liga e desliga das lâmpadas:
Microcontrolada em forma exponencial evitando o choque térmico do filamento.

Alimentação do equipamento:
110/220 Volts; 50/60 Hz.

Potência:
Máxima 100 Watts.

Microcâmera:
Color ccd camera (Kal 1012n) DC 12V, 250mA, 2 lux, 330 lines.

Adaptadores:
Para cabos de vídeo com terminais RCA.

Potência das lâmpadas:
De 50 Watts até 100 Watts.

 

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS MECÂNICAS DO SE

Comprimento: 450mm

Altura: 270mm

Largura: 300mm

Peso: 5 kg

Chassis: Totalmente em madeira revestida de fórmica.

CUSTO APROXIMADO: R$ 550,00

 

RESULTADOS

Houve preferência unânime dos treinandos do grupo pelo SE quando comparado com os sistemas mais simples. Foi utilizado com sucesso e mostrou-se eficiente no uso de frutas como mamão e uva para o treinamento de preensão e secção com tesoura, bem como no manuseio de fios, agulhas, porta agulhas e nós internos.

O uso de órgãos frescos como fígado de porco foi fundamental no treinamento da colecistectomia. Observou-se um melhor desempenho individual quando passou-se para a operação de colecistectomia no porco anestesiado.

 

DISCUSSÃO

A construção do SE para cirurgia videoendoscópica, permitiu ao cirurgião em treinamento, já na fase inicial, utilizar um sistema com imagens semelhantes às obtidas nos equipamentos reais de cirurgia videoendoscópica.

A introdução do SE nos cursos de cirurgia videoendoscópica, possibilitou o treinamento com imagens similares às dos equipamentos de videocirurgia, a um custo bastante reduzido; resultando em maior dinamismo para o grupo já nas etapas iniciais, além do realismo para a aquisição de coordenação motora.

 

CONCLUSÃO

Dentre os dispositivos até hoje utilizados na etapa experimental, o SE mostrou ser um recurso melhor, guardando grande similaridade com os equipamentos convencionais para a operação videoendoscópica.

 

REFERÊNCIAS

1. Paula RA. Treinamento, habilitação e credenciamento em cirurgia videoscópica. São Paulo: Robe Editorial; 1994.        [ Links ]

2. Marchesini JB. Treinamento em cirurgia laparoscópica. São Paulo: Robe Editorial; 1993.        [ Links ]

3. Buess G, Creuz O. Treinamento em cirurgia video-endoscópica. In: Buess G, Creuz O. Manual de cirurgia vídeo-endoscópica. Rio de Janeiro: RevinteR, 1993. p. 53-68.        [ Links ]

4. Rahal F. Treinamento em videocirurgia. Rio de Janeiro: MEDSI, 1995. p. 11-6.        [ Links ]

5. Batista E F N. Vídeo-cirurgia experimental: uso de micro-câmera no interior da "caixa preta". Revista científica da SOBRACIL. Ano 1 – Nº 2, 1998. p. 36-8.        [ Links ]

 

 

Guerra AJ, Silva LAS. Electronic simulador: a contribution for the initial training in videoendoscopy surgery. Acta Cir Bras [serial online] 1999 Jul- Sept;14(3). Available from: URL: http://www.scielo.br/acb.

SUMMARY: The authors report the use of a colored microcamera; one of these used in eletronic systems of safety, mounted on a stem with vertical, horizontal and obliques movements, inside a wooden box covered witer fórmica, fed by a stabilized source of 12 volts. Another source of ajusted feeding of 12 volts, suplies energy to a blower, which is responsible for the cooling of the system. The intensity of light of two lamps dicroic of 50 watts each is regulated by a dimmer. In that way, the obtained images become similar to the one from the original equipments of videoendoscopy surgery, helping the beginners to acquire necessary motor coordination to the domain of the technique, with real simulation, superior to the that obtained with "black boxes" with mirrors and static cameras. Courses of videoendoscopy surgery have in electronic simulator an important training instrument and surgical demonstration.
SUBJECT HEADINGS: Videoendoscopy surgery. Experimental surgery. Electronic simulator.

 

 

 

Endereço para correspondência:
Dr. Luís Antonio Sanches da Silva
Rua Horácio Santana, 260 – salas 201/202
Caixa Postal 276
29200-000 Guarapari-ES.

Data do recebimento: 15/02/99
Data da revisão: 13/08/99
Data da aprovação: 15/09/99

 

 

 

1 Trabalho realizado no Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da Escola Medicina da Santa Casa de Misericórdia – EMESCAM.
2 Professor Adjunto de Clínica Cirúrgica da EMESCAM.
3 Cirurgião Geral do Serviço de Clínica Cirúrgica do Hospital São Pedro.

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