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Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.15  suppl.1 São Paulo  2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86502000000500007 

ESTUDO DA TRANSMIGRAÇÃO BACTERIANA NA APENDICITE EXPERIMENTAL EM COELHOS

 

RAMOS ECF,
RAMOS DFC,
RAMOS EFC,
BAZZANO FCO,
NASCIMENTO LR,
RODRIGUES AC,
TAHA MO,
NIGRO AJT,

 

 


Ramos ECF, Ramos DFC, Ramos EFC, Bazzano FCO, Nascimento LR, Rodrigues AC, Taha MO, Nigro AJT. Estudo da transmigração bacteriana na apendicite experimental em coelhos. Acta Cir Brás 2000;15(Suppl 1):

RESUMO: Introdução: A queda extrínseca dos mecanismos de defesa de um hospedeiro é vista classicamente como uma infecção, que resulta na aquisição de um tecido normal, de um novo microorganismo, cuja virulência é fundamental para a sua patogenia.Na década de 50, estudos comprovaram que bactérias e endotoxinas podem ultrapassar a barreira intestinal e atingir a circulação, demonstrando ainda, que a flora intestinal representa uma importante fonte para o desenvolvimento da infecção sistêmica. Objetivo: o presente estudo visa avaliar a ocorrência de transmigração bacteriana em apendicite experimental induzida em coelhos, mediante a oclusão completa do apêndice vermiforme. Métodos: foram utilizados 24 coelhos brancos, da linhagem Nova Zelândia, com peso corporal variando de 2500 a 3000 gramas, sendo então divididos em 2 grupos. Os animais do Grupo I foram submetidos a laparotomia mediana e retirada de fragmentos do baço, rim esquerdo, pulmão direito, linfonodo abdominal, conteúdo da luz do apêndice vermiforme e sangue da veia porta para cultura. Os animais do Grupo II foram submetidos a laparotomia mediana e oclusão completa do apêndice vermiforme para a indução de apendicite e, após 24 horas, realizada a coleta do material nos moldes do Grupo I. Resultados: No Grupo controle (Grupo I), não se observou o crescimento de bactérias nas amostras analisadas. No Grupo experimento (Grupo II), observou-se o crescimento de Escherichia coli em todos os animais. Conclusão: Ocorreu transmigração bacteriana após 24 horas de observação em coelhos com apendicite experimental.

DESCRITORES: Apendicite experimental. Transmigração bacteriana. Coelhos.


 

 

INTRODUÇÃO

A quebra extrínseca dos mecanismos de defesa de um hospedeiro é vista classicamente como uma infecção, que resulta na aquisição em um tecido normal, de um novo microorganismo, cuja virulência é fundamental para a sua patogenia. Exceções são encontradas e podem ser resumidas em três categorias. Uma envolvendo infecções que resultam de traumas sobre as vísceras, com rompimento mecânico das barreiras dérmicas ou mucosas. A segunda aglomera mecanismos iatrogênicos, incluindo a contaminação cirúrgica. A terceira categoria identifica o intestino como fonte potencial de infecção sistêmica e envolve translocação bacteriana através das membranas das mucosas intestinais7.

Na década de 50, estudos comprovaram que bactérias e endotoxinas podem ultrapassar a barreira intestinal e atingir a circulação e, demonstraram que a flora intestinal representava uma importante fonte para o desenvolvimento da infecção sistêmica8.

Isso tem estimulado uma grande produção de estudos experimentais1,2,3,4,6,10,11,12.

Em razão do exposto, nos dispomos a avaliar a transmigração bacteriana na apendicite experimental em coelhos mediante a oclusão completa do appendix vermiformis5.

 

OBJETIVO

Estudar a ocorrência de transmigração bacteriana em apendicite experimental em coelhos

 

MÉTODOS

Amostra

Foram utilizados 24 coelhos brancos, da linhagem Nova Zelândia, adquiridos em criadouro da região de Pouso Alegre-MG, com peso corporal variando de 2500 a 3000 gramas.

Procedimentos

Os animais foram alojados em gaiolas individuais com ventilação adequada, temperatura ambiente, acesso a água e ração comercial própria para a espécie, com antecedência mínima de duas semanas com a finalidade de adaptação ao novo ambiente.

No dia do experimento foram submetidos a anestesia com solução de Acepromazina - 2 miligramas por quilograma de peso corporal (mg/Kg), Xilazina - 5 mg/Kg e Ketamina - 35 mg/Kg, administrada por via intramuscular.

Nos animais do Grupo I, após a anestesia, foi realizada a laparotomia mediana, localização do appendix vermiformis, cultura do conteúdo de sua luz, punção da veia porta para hemocultura, retirada de fragmento do fígado, linfonodo abdominal, fragmento do baço, rim esquerdo e pulmão direito para cultura. Em seguida eutanásia.

Nos animais do Grupo II, após a anestesia, foi realizada a laparotomia mediana, localização do appendix vermiformis, oclusão completa de sua luz e, fechamento da parede. Após 24 horas de observação, anestesia, laparotomia, localização do appendix vermiformis e ressecção do mesmo com cultura do conteúdo de sua luz, punção da veia porta para hemocultura, retirada de fragmento do fígado, linfonodo abdominal, fragmento do baço, rim esquerdo e pulmão direito para cultura. Em seguida eutanásia.

O delineamento da pesquisa obedeceu a uma padronização de fichas individuais por meio de um protocolo previamente elaborado.

 

PROTOCOLO

Identificação do animal: Grupo:
Peso:
Operação:
Data:
Coleta sangue (  ) Linfonodo abdominal (  ) Biópsia Fígado (  )
Biópsia Baço (  ) Biópsia Rim esquerdo (  ) Biópsia Pulmão direito (  )
Data da eutanásia

 

RESULTADOS

 

 

 

DISCUSSÃO

A apendicite humana, doença com diversas apresentações clínicas, pode avançar para complicações irreversíveis, culminando com a morte, caso o processo não seja identificado e, sua progressão interrompida pela apendicectomia.

Várias doenças possuem sinais e sintomas que sugerem o da apendicite.

Macacos antropóides possuem appendix vermiformis semelhante ao do humano. Nestes animais, que morreram em cativeiro, foi demonstrada a evidência de apendicite espontânea. Porém, esta espécie é de difícil obtenção para estudos experimentais.

Desta forma cães e coelhos são utilizados para estudos experimentais.

Por não secretar muco, como o coelho, o macaco e o homem, o apêndice do cão é considerado impróprio para este tipo de pesquisa.

Descrição prévia de MORI em 1903, relata apendicite espontânea no coelho, e, desta forma, considerado animal ideal e de fácil obtenção para estudos experimentais.

A utilização de coelhos para estudos biomédicos é freqüente, porém ainda limitada para procedimentos experimentais na área cirúrgica, por não se conhecer suas alterações no pós-operatório.

Apesar das dificuldades encontradas para o coelho, esforços devem ser feitos para que haja utilização deste animal em experimentos cirúrgicos, devido às vantagens oferecidas - facilidade de manipulação, animais dóceis, exigência de pequeno espaço para alojamento, fácil controle das doenças. São animais que se recuperam rapidamente do efeito dos agentes anestésicos e de porte físico adequado para muitos procedimentos cirúrgicos experimentais, notadamente aqueles que exijam estudo de órgãos.

No sentido de evitar alterações, notadamente nos parâmetros hematológicos, a coleta do material foi realizada sempre no mesmo período.

Há importância no controle da ingestão de água e alimentos na fase pré-experimental, pois servirá de parâmetro na evolução experimental do animal. A dieta foi feita com ração comercial apropriada para coelhos.

As acomodações para os animais ocupam lugar de importância pois podem interferir no seu comportamento. Sabe-se que o ambiente onde o animal permanece deve ter condições adequadas de higiene, iluminação e ventilação.

Na revisão da literatura consultada, não foram encontrados trabalhos relacionados especificamente a estudos sobre a transmigração bacteriana na apendicite experimental em coelhos.

O termo transmigração bacteriana é definido como a passagem de bactérias viáveis, através da barreira intestinal, para linfonodos mesentéricos, circulação sangüínea e órgãos sistêmicos2.

A função da barreira intestinal é importante em limitar ou prevenir a transmigração bacteriana, que pode ocorrer em diversas situações, tais como: pacientes imunodeprimidos, grandes queimados, choque hemorrágico, politraumatizados, etc.. Inúmeros estudos experimentais a respeito do tema são encontrados na literatura, entretanto, não se tem uma definição exata de seu mecanismo10.

A descrição do conceito de migração bacteriana através da mucosa intestinal data de 1891 por FRAENKEL.

Para descrever a passagem de bactérias através da mucosa intestinal, em 1966 WOLOCHOW et al. utiliza pela primeira vez o termo translocação bacteriana. A translocação bacteriana ocorre em três estágios. No primeiro ocorre a translocação para os linfonodos mesentéricos, sem manifestação sistêmica, exceto quando há ocorrência de bactérias de alta virulência. No segundo estágio há as bactérias se disseminam dos linfonodos para fígado, baço, rins e pulmões. No estágio seguinte, o terceiro, as bactérias alcançam a circulação sangüínea, ocorrendo a disseminação sistêmica.

Por se tratar da bactéria mais freqüente da flora intestinal do coelho, a Escherichia coli foi a bactéria utilizada como modelo para o estudo da transmigração bacteriana neste trabalho.

No grupo controle não se observou o crescimento de bactérias nas amostras analisadas, exceto em dois apêndices onde se observa o crescimento de bastonetes gram positivos, o que nos sugere animais clinicamente sadios.

No grupo experimento com apendicite provocada, após 24 horas de evolução, observamos o crescimento de Escherichia coli, em todos os animais, excetuando-se um fragmento de baço, um de pulmão direito, um fragmento de rim esquerdo e um fragmento de fígado, em animais diferentes, onde não houve crescimento e, um fragmento de baço onde houve crescimento de bastonetes gram positivos.

Estudos futuros devem ser realizados, na tentativa de se estabelecer qual é o tempo de ocorrência da transmigração bacteriana e o seu exato mecanismo, para que se possa agir com segurança e eficácia na prevenção deste processo

 

CONCLUSÃO

Ocorreu transmigração bacteriana após 24 horas de observação, em coelhos com apendicite experimental

 

REFERÊNCIAS

1. Alexander JW, Gianotti L, Pyles TBS. Distribution and survival of Escherichia coli translocating from the intestine after thermal injury. Ann Surg 1991;213:558-67.        [ Links ]

2. Alverdy JC, Aoys E, Moss GS. Total parenteral nutrition promotes bacterial translocation from the gut. Ann Surg 1985;202:681-4.        [ Links ]

3. Alverdy JC, Aoys E. The effect of glucocorticoide administration on bacterial translocation evidence for na acquired mucosal immunodeficient state. Ann Surg 1991; 214:719-23.        [ Links ]

4. Arnold L. Alterations in the endogenous enteric bacterial flora in microbic permeability of the intestinal wall in relation to the nutritional and meteriological changes. J Hyg 1930; 29:82-116.        [ Links ]

5. Bazzano FCO. Avaliação dos efeitos da ligadura da base do appendix vermiformis do coelho. São Paulo, 1996. 46p. (Tese-Mestrado-Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo).        [ Links ]

6. Berg RD, Garlington AW. Translocation of certain indigenous bacterias from gastrointestinal tract to the mesenteric lymph nodes and others organs in a gnotobiotic mouse model. Infect Immun 1979;23:403-11.        [ Links ]

7. Fine J, Frank H, Schweinburg F. The bacterial factor in traumatic shock. Ann N Y Acad Sci 1952;55:429-37.        [ Links ]

8. Schweinburg FB, Frank HA, Frank ED. Transmural migration of intestinal bacteria during peritoneal irrigation in dogs. Proc Soc Exp Biol Med 1950;71:150-3.        [ Links ]

9. Sisson S. Anatomia de los animales domesticos. Barcelona, Salvat, 1972.        [ Links ]

10. Yong SZ, Lin DY, Hong WX. Bacterial translocation and multiple system organ failure in bowel ischemia and reperfusion. J Trauma1992;32:148-53.        [ Links ]

11. Zapata-Sirvent RL, Hansbrough JF. Translocacion bacteriana: papel en la etiologia de la sepsis y la falla de multiples organos. Rev Soc Venez Gastroenterol 1992; 46:137-51.        [ Links ]

12. Zeni Neto C. Translocação bacteriana em ratos com oclusão intestinal: efeito do nível da oclusão e da isquemia. Curitiba, 1994 (Tese-Doutorado - Universidade Federal do Paraná).        [ Links ]

 

 


Ramos ECF, Ramos DFC, Ramos EFC, Bazzano FCO, Nascimento LR, Rodrigues AC, Taha MO. Nigro AJT. A study about bacterial transmigration in experimental Appendicitis in rabbits. Acta Cir Bras 2000;15(Supl 1):.

ABSTRACT: The present study aims to evaluate the occurrence of the bacterial transmigration in induced ezxperimental appendicitis in rabbitis through complete oclusion of the vermiform appendix. 24 New Zealand white rabbits with a body weight ranging from 2500 to 3000 grams were used. They were divided into 2 groups. The animals from group I were submitted to a median laparotomy and fragments from the spleen, left kidney, right lung, abdominal limphonode, light content from the vermiform appendix and blood from the portal vein were withdrawn for culture. The animals from group 2 were submitted to median laparotomy and complete occlusion of the vermiform appendix in order to induce appendicitis and, after 24 hours, material was collected following the steps of group 1. It was not observed an increase in bacteria in the samples analysed in the Control Group Group 1). The increase of Escherichia coli was observed in all the animals from the Experiment Group (Group 2). The bacterial transmigration occured after 24-hour observation in rabbits with experimental appendicitis.

SUBJECT HEADINGS: Experimental appendicitis. Bacterial transmigration. Rabbits.

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