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Acta Cirúrgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.15  suppl.2 São Paulo  2000

https://doi.org/10.1590/S0102-86502000000600012 

ANTÍGENO NUCLEAR DE PROLIFERAÇÃO CELULAR EM TUMORES DE ADRENAL

PROLIFERATING CELL NUCLEAR ANTIGEN IN ADRENAL TUMORS

 

Rodrigo A.R. Falconi1 , Antonio C. P. Martins2, Maria Angeles L. Velludo3
Haylton J. Suaid4, Silvio Tucci Jr S4 , Adauto J. Cologna4, Luciano N. Serafini5

FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO - USP
Departamento de Cirurgia e Anatomia- Disciplina de Urologia
Departamento de Patologi
Pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

Unitermos: PCNA, carcinoma da adrenal, adenoma da adrenal
Key Words: PCNA, adrenocortical carcinoma, adrenal mass, adrenal adenoma
Agradecimentos: Prof. Dr. Roberto Silva Costa e Fernando Silva Lisboa

 

 

Resumo: Fez-se um estudo imunohistoquímico do antígeno nuclear de proliferação celular (PCNA) em 26 adenomas e 24 carcinomas de adrenal através da técnica da avidina-biotina-peroxidase. O índice de marcação (IP) do PCNA, definido com o número de células marcadas/1000 contadas, foi em média de 77,4± 66,1 (mediana – 63,5) para os adenomas enquanto que para os carcinomas foi 215,8± 56,0 (mediana – 217,5) (p<0,0001). Estabelecendo-se o IP de 100 o marcador (para a discriminação de carcinomas dos adenomas) o marcador exibiu sensibilidade, especificidade e valor preditivo positivo seguintes, respectivamente: 100%, 69% e 75%.

 

 

Introdução: Os tumores da adrenal são raros. A incidência dos carcinomas é de cerca de 2 casos novos para cada 1 milhão de habitantes/ano18 e representa de 0,05% a 0,2% dos casos de câncer em seres humanos11, sendo mais predominante nas faixas etárias mais avançadas1, embora possa ser evidenciado em todas as idades. A maioria se apresenta como tumores funcionantes com a produção de algum hormônio levando a diferentes síndromes clínicas como síndrome de Cushing, virilização, feminização ou síndrome de Conn6, embora existem também os casos assintomáticos descobertos acidentalmente.

A diferenciação entre adenoma e carcinoma da adrenal não é simples usando apenas os aspectos histológicos ou macroscópicos9,13,22. Esta característica ganhou importância ainda maior recentemente, pois as novas técnicas de imagem mostram com freqüência massas da adrenal descobertas acidentalmente, e diferenciá-las torna-se algo muito relevante17.

Várias técnicas tem sido desenvolvidas com o fim de permitir esta diferenciação, como a citometria de fluxo20 e a imunohistoquímica. Esta última tem-se mostrado muito promissora. O antígeno celular de proliferação celular (PCNA) é uma molécula que participa como co-fator da DNA polimerase16, está presente em todas as fases do ciclo celular principalmente na fase S19. Sua expressão indica que a célula está em processo ativo de divisão ou em processo de reparo do DNA7, sendo por esta razão hoje investigada para tentar caracterizar o grau e o comportamento de alguns tumores14,15,25.

Este trabalho tem como objetivo verificar se a marcação imunohistoquímica do PCNA é capaz de discriminar tumores malignos e benignos da cóprtex adrenal.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram estudados 52 pacientes operados no HCFMRP-USP no período de 1979 a 1998, dos quais 26 casos eram de carcinoma e 26 de adenoma, sendo observado predomínio do sexo feminino e da cor branca em ambos os grupos, com 73% e 88,5%, e 68,7% e 96,2% respectivamente. A mediana da idade dos portadores de carcinoma foi de 7,5 anos enquanto que no grupo de adenoma foi de 25 anos.

Virilização e síndrome de Cushing foram as síndromes clínicas mais freqüentes com 84,8% nos dois grupos. No grupo com câncer houve 3 casos de descoberta incidental e 1 no grupo com adenoma. Hipertensão arterial esteve presente em 9 pacientes (34,7%) nos dois grupos. Todos os pacientes (com exceção de um com doença avançada) foram submetidos a adrenalectomia, associada ou não a nefrectomia.

As peças operatórias foram conservadas em formol, e as respectivas lâminas foram obtidas no Arquivo do Serviço de Patologia. Inicialmente realizou-se a análise das lâminas para avaliar os melhores cortes e assim constituídas novas lâminas de 4 m para a coloração em hematoxilina-eosina para o estudo do índice mitótico (número de mitoses em 50 campos de grande aumento). Outras lâminas de 4 m foram montadas para o estudo imunohistoquímico, incicialmente realizando-se a desparafinização com xilol seguido de hidratação com álcool etílico e recuperação antigênica com panela de pressão e tampão citrato em pH 6,010. Os cortes após esta preparação incial foram processados para detecção imunohistoquímica do PCNA pelo método da avidina-biotina-peroxidase21, sendo empregado o anticorpo primário monoclonal anti-PCNA (DAKO®), e o anticorpo secundário biotínilado produzido em coelhos contra camundongos (Kit ABC Vector®, pK 4,002). A revelação foi realizada com substrato cromogêmico DAB-Sigma® e após a revelação o material foi contra-corado, azulado, desidratado, diafanizado e montado. Estas lâminas foram utilizadas para se calcular o índice de proliferação (número de células marcadas em 1000 células analisadas) para cada caso utilizando-se para isso microscópio óptico acoplado ao computador (KS 400®).

Todos os pacientes foram estudados com exceção de dois (com carcinoma) em relação aos aspectos histopatológicos e imunohistoquímica porque as lâminas e os blocos correspondentes às peças cirúrgicas não puderam ser encontrados no Serviço de Patologia.

A relação entre o índice mitótico ou o índice de proliferação com a classificação da neoplasia foi analisada pelo teste de Mann-Whitney para amostras não pareadas. A relação entre as médias desses índices com o estádio tumoral foi investigada pela análise de variança (IM) e Tukey-Kramer (IP). Elegeu-se o nível de significância a 5%.

Resultados: O índice mitótico encontrado apresentou valor médio de 1,4± 1,9 (mediana de 1) nos adenomas e de 20,2± 15,9 (mediana de 16,0) nos carcinomas (p <0,0001).

O estudo imunohistoquímico com o PCNA mostrou um valor médio para o índice de proliferação de 77,4± 66,1 (mediana – 63,5) para os adenomas enquanto que para os carcinomas foi 215,8± 56,0 (mediana – 217,5) A comparação entre os adenomas e carcinomas mostrou p<0,0001. No gráfico 1 pode-se observar a distribuição de todos os valores do índice de proliferação nos dois grupos.

 

 

Também realizou-se a associação entre o índice de proliferação com o índice mitótico, como pode ser observado na Tabela 1.

 

 

Fez-se também a correlação do índice de proliferação com alguns parâmetros clínicos no caso dos carcinomas, como pode ser averiguado na Tabela 2 . As médias do IM e do IP não mostraram relação com o estádio tumoral (p>0,05).

 

 

Discussão: Somente em relação a idade foram encontradas diferenças com outros trabalhos da literatura, já que em nossa casuística o carcinoma da córtex de supra-renal predominou em crianças, diferindo consideravelmente de outros países onde a incidência é maior em adultos1. Já os demais parâmetros epidemiológicos foram semelhantes aos evidenciados na literatura: sexo, cor, manifestações clínicas e peso da massa tumoral1,11.

O valor do índice mitótico encontrado para os casos de adenoma foi consideravelmente menor que para os casos de carcinoma. A grande maioria dos carcinomas apresentava valor maior que 20 (média de 20 e mediana de 16) enquanto que todos os casos de adenoma apresentaram valores menores que 10 (média de 1,4 e mediana de 1), havendo 11 casos onde o índice mitótico foi zero. Isto tudo está compatível com outros trabalhos que verificaram ser o valor para o IM de 20 como de pior prognóstico13,23. Outros consideram o valor de cinco para o IM24, sendo que se assim também considerássemos apenas dois carcinomas estariam fora deste valor e somente três adenoma com valores maior que este.

Há controvérsias a respeito da real importância do PCNA para diferenciar tumores benignos de malignos4,5. Em nosso estudo, o valor médio encontrado para o IP no grupo com carcinoma foi significativamente maior que para o grupo com adenoma, o que sugere que este marcador pode ser de utilidade em contraposição com o achado de outros autores5. Por outro lado, o IP médio de 215,8 para os carcinomas parece consideravelmente inferior ao de 590 relatado em outro estudo4.

Para a população estudada, caso se considerasse um valor de corte de 100 para o IP na tentativa de diferenciar tumores benignos de malignos a ssensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo do PCNA seriam respectivamente: 100%, 69%, 75% e 100%.

Pôde-se verificar também que tanto o IM quanto o IP não mostraram relação com o estádio, o que está de acordo com outra publicação5 .

As divergências encontradas com a literatura podem ser casuais ou refletirem problemas de amostragem e variações da metodologia empregada, o que indica a necessidade de mais estudos sobre o tema.

Conclusões: Podemos concluir que na nossa população o PCNA serviu como um instrumento a mais na diferenciação entre os tumores da córtex da surpra-renal mostrando diferença importante na marcação entre adenomas e carcinomas.

 

REFERÊNCIAS

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1 Doutorando da FMRP-USP
2 Professor Titular de Urologia - FMRP-USP
3 Professora Assistente - Patologia - FMRP-USP
4 Professor Assistente Doutor - Urologia - FMRP-USP
5 Médico Contatado - HCFMRP-USP

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