SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.16 suppl.1FUNCTIONAL ASPECTS OF HEPATIC REMMANESCENT AFTER PARCIAL HEPATECTOMY IN ISCHEMIA AND REPERFUSION CONDICTIONDUODENOPLASTY PLUS PROXIMAL GASTRIC VAGOTOMY IN THE TREATMENT OF STENOSING DUODENAL ULCERS author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

  • Article in xml format
  • How to cite this article
  • SciELO Analytics
  • Curriculum ScienTI
  • Automatic translation

Indicators

Related links

Share


Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.16  suppl.1 São Paulo  2001

https://doi.org/10.1590/S0102-86502001000500026 

EXPRESSÃO IMUNOHISTOQUÍMICA DO MIB-1 EM CARCINOMA DE CÉLULAS TRANSICIONAIS DE BEXIGA1

IMMUNOEXPRESSION OF MIB-1 IN TRANSITIONAL CELL CARCINOMAS OF THE URINARY BLADDER

 

Neto J. A. D.2, Martins A. C. P.3,
Pastorello M. T.4, Tucci Jr. S.3, Suaid H. J.3, Cologna A. J.3

 

 

Resumo: A expressão do MIB-1 é um excelente marcador da atividade proliferativa e correlaciona-se com a agressividade biológica do carcinoma de células transicionais da bexiga.Correlacionamos a expressão do MIB-1 com a evolução dos pacientes.
Revisamos 90 pacientes do HC-FMRP-USP entre 1980-2000, com idade entre 29 a 93 anos (média 71 anos);sendo 70 (77,8%) homens e 20 (22,2%) mulheres; e seguidos em média por 55 (2-231) meses. 45 (50%) tumores tinham grau I, 29 (32,2%) grau II e 16 (17,8%) grau III. Os tumores foram estadiados em pTA: 54 (60%), pT1: 8 (8,9%) e pT2-4: 28 (31,1%). Foi utilizado o anticorpo monoclonal anti-MIB-1 (Immunotech). Emprega-se o limite de 10% de núcleos corados como nível de corte para o MIB-1. Utilizamos para análise estatística os testes Mann-Whitney, Kaplan-Meier, e log rank, e nível de significância 5%.
Expressaram MIB-1, 63 pacientes (70%) variando de 0 a 80%(mediana 5%, média 22,8%), com diferença significativa (P<0,05) entre tumores invasivos (pT2-4) e não invasivos (pTA-1) e entre os estádios pTA e pT1 (P=0,01). Houve associação com o grau dos tumores: significativa entre G1 e G2 (P<0,001) e G1 e G3 (P<0,001), e sem significância entre G2 e G3 (P=0,2). A relação do MIB-1 com o tamanho da lesão foi significante (P<0,02). As recidivas não foram preditas pelo índice MIB-1 (P=0,86), entretanto em pacientes MIB-1 positivos foi significantemente menor o intervalo livre de metástase (P=0.04), e a sobrevida entre tumores não invasivos (P=0.009) e na população total (P=0.0002),
Há correlação entre a alta expressão do MIB-1 e os estádios invasivos, os graus avançados e os tumores maiores, contudo, não há diferença em tumores recidivados.
O índice de positividade do MIB-1 não distinguiu os pacientes com menor tempo livre da doença, foi, contudo, significante para apontar aqueles com menor sobrevida e tempo livre de metástase.

 

 

Introdução: O carcinoma de células transicionais (CCT) da bexiga é uma doença de história natural variável. Não há como prever seu curso individual baseado somente em características histopatológicas tradicionais6. Daí o interesse em se investigar marcadores moleculares nesta neoplasia e testar suas relações com a evolução.

O antígeno Ki-67 é descrito como excelente marcador da atividade proliferativa, porém seu uso está restrito em material fresco congelado1,5. O MIB-1 constitui um anticorpo monoclonal produzido pelos recombinantes do Ki-67 com característica equivalente, sendo resistente à formalina3,7. Vários grupos já relataram uma correlação positiva entre o índice de marcação nuclear do Ki-67 ou do MIB1 e a agressividade biológica do carcinoma de células transicionais da bexiga, mas há controvérsias2,4,8,9,15,16.

Nosso objetivo é estudar se existe relação entre a expressão do MIB-1 e o prognóstico do CCT da bexiga numa amostra de 90 pacientes.

Métodos: POPULAÇÃO: Revisamos os prontuários e as lâminas histológicas de 90 pacientes com carcinoma de células transicionais operados no HC-FMRP-USP no período de 1980-2000. A idade variou de 29 a 93 anos com média de 71 anos, sendo 70 (77,8%) homens e 20 (22,2%) mulheres que tiveram seguimento médio de 55 meses (2-231 meses). Constatamos 45 (50%) tumores com grau I, 29 (32,2%) com grau II e 16 (17,8%) com grau III. O estádio local dos tumores foi: pTA - 54 (60%), pT1 - 8 (8,9%) e maiores que pT1 - 28 (31,1%).

Imunohistoquímica: As lâminas das peças cirúrgicas foram revistas no método hematoxilina-eosina para seleção das áreas de melhor representatividade tumoral com seus respectivos blocos de parafina arquivados no Departamento de Patologia do HC-FMRP-USP. Resumidamente, secções de 4µm foram desparafinizadas com xilol e rehidratadas em álcoois decrescentes. Após recuperação antigênica com tampão citrato por aquecimento, a peroxidase endógena foi inativada com peróxido de hidrogênio (H202 a 3%). Os cortes foram incubados com soro normal de cavalo na temperatura ambiente por 20 minutos, com anticorpo primário monoclonal anti-MIB-1 (Immunotech, SA) na diluição 1/100 por 2 horas, depois com o anticorpo secundário Anti-Mouse (Dako) na diluição 1/200 por 30 minutos, subseqüentemente com Streptavidin (Dako) diluição 1/100 por 30 minutos, e finalmente utilizamos a diaminobenzidina como cromógeno. Usamos sempre lavagens com salina fosfato tamponada (PBS,PH 7,4) entre os passos. Por último contracoramos com hematoxilina de Harris por 30 segundos.

Contagem de Células Marcadas: Todas as lâminas foram examinadas simultaneamente por dois observadores, sem conhecimento da evolução das neoplasias, utilizando aumento de 400X, e pelo menos 500 células foram contadas em campos bem preservados de tumores. O grau de expressão do MIB-1 foi relatado como porcentagem de células com núcleos marcados. Consideraram-se positivos os tumores com proporção de células marcadas igual ou superior a 10%.

Análise Estatística: Marcadores e parâmetros clínico-patológicos foram comparados em todos os pacientes. Distribuições de freqüência foram analisadas com o teste não paramétrico de Mann-Whitney. Intervalos livres de doença, livres de metástase e de sobrevida foram definidos como o tempo decorrido entre o tratamento ou estadiamento e a data da recorrência, metástase ou morte devido ao câncer, respectivamente, e o ponto final para os demais pacientes foi a data da última cistoscopia. O método de Kaplan-Meier14 foi utilizado para comparar estes eventos relacionados com o tempo, e o teste log rank10 para comparar as curvas.

Resultados: A expressão do MIB-1 variou de 0 a >80% (mediana 5%, média 22,8%), sendo que 63 tumores (70%) eram MIB-1 positivos.

Observamos diferença significativa (p < 0,05) na imunomarcação do MIB-1 entre tumores invasivos (pT2-4) e não invasivos (pTA-1) e também entre os estádios pTA e pT1 (p = 0,01). A comparação das medias entre G1 e G2 (p < 0,001) e G1 e G3 (p < 0,001) mostrou diferenças muito significativas enquanto a diferença entre G2 e G3 (p = 0,2) não foi significante. Testamos também a relação do MIB-1 com o tamanho da lesão, classificada como > 2cm ou < 2cm, e encontramos significância (p <0,02). Não houve diferença significante quando comparamos a marcação de MIB-1 em tumores com recidiva e sem recidiva (p = 0,86).

Para construir as curvas de intervalo livre de doença, livre de metástase e sobrevida usamos 10% como ponto de corte, como sugerido pela literatura17,20,14.

 

 

Apesar da marcação com MIB-1 não ter se mostrado significativa para predizer o intervalo livre de doença (p = 0,93) – Figura.1, foi significativa a diferença entre as curvas de intervalos livres de metástase (p=0,04) – Figura.2,assim como também altamente significativa a diferença das curvas de sobrevida entre pacientes com tumores não invasivos -pTA-1- (p = 0,009) – Figura.3 e na população total (p = 0,0002) – Figura.4.

 

 

 

 

 

 

 

 

Discussão: Muitos estudos têm analisado o índice de Ki-67 em carcinoma de bexiga. Okamura et al.9 descreveram a correlação entre Ki-67 e os graus mais avançados; Mulder et al.8 relataram um índice de mais de 10% de células MIB1-positivas em todos os tumores invasivos (pT2-pT4); Stavropoulos et al.15 observaram a significativa diferença de imunomarcação entre pTA e pT1; Pfister et al.11 utilizando o ponto de corte de 10% mostraram correlação do MIB1 com o grau e estádio dos tumores uroteliais; e Bush et al.2 mostraram correlação com grau e estágio.

No presente estudo foi possível mostrar a correlação entre a proliferação celular dos carcinomas de células transicionais medida pela expressão do MIB-1 com os estádios mais invasivos, os graus mais avançados e os tumores de maior tamanho. Contudo, os tumores que recidivaram não mostraram diferença significante em relação aqueles sem recidiva.

A curva de tempo livre da doença não dependeu do índice de marcação do MIB-1 o que talvez seja devido ao alto índice de imunomarcação em tumores grau 1 e estádio pTA. Porém, a sobrevida dos indivíduos com índice MIB-1 maior que 10% foi significativamente menor que aqueles com índices menores que 10%, o que está de acordo com a literatura12,16, inclusive para os tumores superficiais no momento do diagnóstico. As curvas de tempo livre de metástases também foram significativamente diferentes.

Conclusão: O MIB-1 avaliado por imunohistoquímica mostrou correlação com a sobrevida, o tempo livre de metástase e o estádio dos tumores de células transicionais da bexiga, mas não teve valor prognóstico para a recidiva dos tumores superficiais.

 

 

Abstract: We investigate the immunoexpression of MIB-1 antigen on the outcome of the transitional carcinoma of the bladder.

We revised 90 patients with a mean follow-up of 55 (2-231) months. Forty five (50%) tumors were grade I, 29 (32.2%), grade II and 16 (17.8%) grade III. The tumors were staged in pTa-1: 62 (68.9%) and pT2-4: 28 (31.1%). We considered positive the tumors with more than 10% imunostained cells.

Sixty three patients (70%) expressed MIB-1, with significant difference (P <0,05) between invasive tumors (pT2-4) and non-invasive (pTA-1) and between pTA and pT1 tumors (P=0,01). There was also a significant association of MIB-1 immunostaining with tumor grade: G1 versus G2 (p < 0,001) and G1 versus G3 (p < 0,001). But such difference did not occur with G2 and G3 tumors ( p = 0,2). The relationship of MIB-1 expression with the size of the lesion was significant (p <0,02). The recurrence was not predicted by the MIB-1 labeling pattern (p=0,86), though, the MIB-1-positive patients had significant smaller metastasis free intervals (p = 0.04), and lower survival rates, both among superficial tumors (p=0.009) and in total sample (p = 0.0002).

 

 

Referências

1. Brown DC, Gatter KC. Monoclonal antibody Ki-67: its use in histopathology. Histopathology 1990;17:489-503.         [ Links ]

2. Bush C, Price P, Norton J, et al. Proliferation in human bladder carcinoma measured by Ki-67 antibody labeling: Its potential clinical importance. Br J Cancer 1991;64:357-60.         [ Links ]

3. Cattoretti G, Becker MH, Key G, Duchrow M, Schuluter C, Galle J, et al. Monoclonal antibodies against recombinant parts of the Ki-67 antigen (MIB-1 and MIB-3) detect proliferating cells in microwave-processed formaline fixed paraffin sections. J Pathol 1992;168:357-63.         [ Links ]

4. Fontana D, Bellina M, Gubetta L, et al. Monoclonal antibody Ki-67 in the study of the proliferativeactivity of bladder carcinoma. J Urol 1992;148:1149-51.         [ Links ]

5. Gerdes J. Ki-67 and other proliferation markers useful for immunohistological diagnostic and prognostic evaluations in human malignancies. Sem Cancer Biol 1990;1:199-206.         [ Links ]

6. Heney NM, Ahmed S, Flanagan MJ, et al. Superficial bladder cancer: progression and recurrence. J Urol 1983;130:1083-6.         [ Links ]

7. Mazerolles C, Rishmann P, Chopin D, Popov Z, Malavaud B, Selves J,et al. Usefulness of MIB-1 monoclonal antibody in assessing the proliferative index in human bladder carcinoma: comparison with Ki-67 antibody. Histopathology 1994;25:563-8.         [ Links ]

8. Mulder AH, Van Hootegen JCSP, Sylvester R, et al. Prognostic factors in bladder carcinoma: Histologic parameters and expression of a cell cycle related nuclear antigen (Ki-67). J Pathol 1992;166:37-43.         [ Links ]

9. Okamura K, Miyake K, Koshikawa T, et al. Growth fractions of the transitional cell carcinomas of the bladder defined by the monoclonal antibody Ki-67. J Urol 1990;144:875-8.         [ Links ]

10. Peto R, Pike MC, Armitage P, Breslow NE, Cox DR, et al. Design and analysis of randomized clinical trials requiring prolonged observation of each patient. II. Analysis and examples. Br J Cancer 1977;35:1-39.         [ Links ]

11. Pfister C, Lacombe L, Vezina MC, et al. Prognostic value of the proliferating index determined by Ki-67 immunostaining in superficial bladder tumors. Hum Pathol 1999;30:1350-5.         [ Links ]

12. Rey A, Lara PC, Redondo E, et al. Ki-67 proliferation index in tumors of the urinary tract as related to established prognostic factors and long term survival. Arch Esp Urol 1998;51:204-10.         [ Links ]

13. Rudolph P, Peters J, Lorenz D, et al. Correlation between mitotic and Ki-67 labelling indices in paraffin embedded carcinoma specimens. Hum Pathol 1998;29:1216-22.         [ Links ]

14. Simon RM. Design and conduct of clinical trials. In: DeVita VT Jr., Hellman S, Rosemberg SA. Cancer principles and pratice of oncology. Volume 1. 3rd edition. Philadelphia : Lippincott, 1989:396-420.         [ Links ]

15. Stavropoulos NE, Joackim-Velogianni E, Hastazeris K, Kitsiou E, et al. Growth fractions in bladder cancer defined by Ki-67: association with cancer grade, category and recurrence rate of superficial lesions. Br J Urol 1993;72:736-9.         [ Links ]

16. Tsuji M, Kojima K, Murakami Y,eyal. Prognostic value of Ki-67 antigen and p53 protein in urinary bladder cancer: Immunohistochemical analysis of radical cystectomy specimens. Br J Urol 1997;79:367-72.         [ Links ]

 

 

 

1 Trabalho realizado na Divisão de Urologia, Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP)
2 Médico Residente junto à Disciplina de Urologia do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP
3 Professores junto à Divisão de Urologia do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP
4 Médica Assistente do Hospital das Clínicas da FMRP-USP

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License