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Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.17 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86502002000200010 

10 – INFORME TÉCNICO

TREINAMENTO EM MICROANASTOMOSES UTILIZANDO TUBOS DE LÁTEX1

 

Breno Bezerra Gomes de Pinho Pessoa2
Salustiano Gomes de Pinho Pessoa3

 

 

Pessoa BBGP, Pessoa SGP. Treinamento em microanastomoses utilizando tubos de látex. Acta Cir Bras [serial online] 2002 Mar-Abr;17(2). Disponível em URL: http://www.scielo.br/acb.

RESUMO: Introdução: Treinamento em materiais inertes é um pré-requisito para o emprego experimental e clínico da técnica microcirúrgica. Apresenta-se uma nova abordagem para treinamento em microanastomoses vasculares que consiste na confecção de tubos a partir de luvas de látex. Métodos: Utilizando-se retângulos de látex obtidos de uma luva cirúrgica confeccionou-se tubos de diâmetros variados (menor diâmetro de 0,5mm) onde se realizou microanastomoses término-terminais e término-laterais utilizando fios de Nylon números 9, 10 e 11-0. Conclusão: Acredita-se que o modelo acrescenta as formas tradicionais de treinamento em microcirurgia no sentido de minimizar custos e poupar animais de experimentação.

DESCRITORES: Microcirurgia. Cirurgia. Modelos cirúrgicos.

 

 

INTRODUÇÃO

A técnica microcirúrgica, nascida na década de 60, tem seu emprego consolidado na prática clínica atualmente, sendo utilizada desde a cirurgia oftalmológica ao reimplante de membros.

Para o exercício da técnica microcirúrgica é imprescindível treinamento prévio em materiais inertes e animais de experimentação, sendo preconizado por alguns autores um índice superior a 98% de sucesso em anastomoses em vasos de 0,5mm, para a seguir empregá-la em seres humanos1,2. No entanto, com os crescentes aumentos nos custos e a busca de um uso mais prudente dos animais de laboratório, torna-se necessário a criação de alternativas para o treinamento em diversos setores da cirurgia experimental.

É no sentido de minimizar custos e preservar ao máximo a vida que se propõe essa nova abordagem ao treinamento em microanastomoses vasculares.

 

MÉTODOS

Foram utilizados palitos de madeira, luvas de látex, fita adesiva, papel milimetrado, pinça de relojoeiro 12 cm reta e com ponta de 45 graus, porta agulha Castroviejo 12 cm curvo sem trava, tesoura microcirúrgica reta e curva de 12 cm, clamps tipo Acland com barra para vasos de menos de 1 mm, microscópio cirúrgico Mc 5 DF Vasconcelosâ ou lupa para microcirurgia e fios de Nylon microcirúrgicos 9, 10 e 11-0 (Fig. 1).

 

 

Para a confecção dos tubos fixou-se retângulos de borracha medindo 3 x 1cm obtidos de luvas cirúrgicas sobre papel milimetrado com as mesmas dimensões nos palitos de madeira (Fig. 2-A). A seguir, realizou-se duas incisões paralelas variando a distância entre estas dependendo do diâmetro do tubo que se desejava obter (Fig. 2-B). As duas incisões foram então unidas com sutura contínua (Fig. 2-C) ou pontos simples(Fig. 2-D). Assim, por exemplo, duas incisões que distassem 1mm ao serem unidas formariam um tubo de 0,5 mm .

 

 

Após a confecção dos tubos, seguiu-se a divisão do mesmo, a colocação dos clamps e a anastomose término-terminal (Fig. 3) com os fios citados anteriormente em tubos de diversos diâmetros.

 

 

Para a realização de uma anastomose término-lateral (Fig. 4), confecciona-se dois tubos paralelos de comprimento suficiente para que, após seccionado, a boca anastomótica de um possa alcançar a parede lateral do tubo vizinho.

 

 

DISCUSSÃO

O uso de luvas de látex para treinamento microcirúrgico é preconizado de longa data1. No entanto, seu uso limitava-se a unir incisões lineares que, apesar de serem de grande valia para a iniciação no manuseio do instrumental de microcirurgia e da confecção dos nós, não possibilitam uma visão tridimensional que é necessária à realização de microanastomoses. Os tubos agora propostos possibilitam tanto a sutura linear (por ocasião da confecção dos mesmos) quanto a visão tridimensional ao se realizar as microanastomoses.

Daniel & Terzis3 propõem o uso de vasos de cadáver para treinamento, no entanto, torna-se necessária a obtenção de cadáveres frescos, o que nem sempre é de fácil acesso, além de limitar a prática aos anfiteatros de anatomia. Já o treino em tubos de látex pode ser realizado em qualquer local, basta que esteja disponível uma lupa binocular, podendo o treinamento ser até domiciliar.

A possibilidade de reproduzir os passos para a realização de microanastomoses vasculares (colocação dos clamps, pontos de reparo e sutura) em tubos de diâmetros variados (o menor utilizado foi de 0,5mm) foi facilitador na etapa seguinte de treino em animais, haja visto ter sido melhor assimilados os conhecimentos teóricos de microcirurgia vascular. Nota-se também que a consistência dos tubos tem semelhança com a dos vasos reais, apesar da menor elasticidade destes quando comparados com a dos tubos.

Acredita-se que com essa contribuição seja possível a diminuição de custos tanto com o uso de animais, na medida que se minimiza o uso destes quando se têm a técnica bem assimilada, quanto pelo fato do material utilizado na confecção dos tubos ser de baixo custo. Além disto, este é um esforço no sentido de poupar os animais de experimentação, estando em sintonia com os guidelines para uso de animais de laboratório.

 

CONCLUSÕES

Acredita-se que o modelo acrescenta as formas tradicionais de treinamento em microcirurgia no sentido de minimizar custos e poupar animais de experimentação.

 

REFERÊNCIAS

1. Acland RD. Equipment for microsurgical practice. In: Acland RD. Microsurgery practice manual. St. Louis, Missouri: The C.V. Mosby; 1980. p 7-16.         [ Links ]

2. O' Brien B, Morrison W. Reconstructive microsurgery. New York: Churchill Livingstone; 1987.         [ Links ]

3. Daniel RK, Terzis JK. Microvascular surgical techniques. In: Daniel RK, Terzis JK. Reconstructive microsurgery. Boston: Little, Brown; 1979. p 98-9.         [ Links ]

 

 

Pessoa BBGP, Pessoa SGP. Rubber tubing for microvascular practice. Acta Cir Bras [serial online] 2002 Mar-Apr;17(2). Available from URL: http://www.scielo.br/acb.

ABSTRACT: Introduction: Practice in inanimate materials are necessary for laboratorial and clinical microsurgical technique use. A new approach to microsurgical training is now propose. Methods: Rubber tubes from látex surgical gloves were made in different diameter (the smaller with 0.5mm) where end-to-end and end-to-side microanastomosis were done using 9, 10 and 11-0 Nylon microsurgical thread. Conclusions: The model is a contribution to the traditionals models of training in microsurgery as it diminish costs and spare experimentation animals.

KEY WORDS: Microsurgery. Surgery. Surgical models.

 

 

Conflito de interesses: nenhum
Fonte de financiamento: São Lucas – HC&A

Endereço para correspondência:
Breno Pessoa
Rua Vicente de Castro Filho, 1540
Fortaleza - Ceará
60813-540
Fone: (85) 273-6053

b_pessoa@yahoo.com

Data do recebimento: 04/09/2001
Data da revisão: 10/10/2001
Data da aprovação: 06/11/2001

 

 

 

1. Trabalho realizado na SãoLucas - HC&A e no Laboratório de Cirurgia Experimental (LABCEX) Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (FMUFC).
2. Acadêmico da FMUFC.
3. Professor Mestre Assistente do Departamento de Cirurgia da FMUFC.

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