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Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.17  suppl.3 São Paulo  2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86502002000900005 

Fatores de risco em carcinomas de células transicionais da bexiga1

 

Transitional cell carcinoma of the bladder: risk factors

 

 

Ricardo Brianezi TiraboschiI; José Anastácio Dias-NetoI; Antonio Carlos Pereira MartinsII; Adauto José ColognaII; Haylton Jorge SuaidII; Silvio Tucci JrII

IMédico residente da Divisão de Urologia, HCFMRP-USP
IIDocentes da Divisão de Urologia, FMRP-USP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Investigar alguns dados epidemiológicos do câncer vesical bem como fatores de risco.
MÉTODOS: Foram selecionados 125 pacientes atendidos no período 1980-2002, com idade média de 63,6±11,3 anos, sendo 97 (77,6%) homens e 28 (22,4%) mulheres. As proporções de tumores G1, G2 e G3 foram: 48%, 35,2% e 16,8%. As proporções dos estádios da lesão primária foram: pTa-1 - 85 ( 68%) e pT2-4 - 40 ( 32%). Entre os pacientes com tumores superficiais houve recidiva em 41 (48,2%).
RESULTADOS: O grau da lesão primária mostrou relação com o estádio T (p<0,0001) e sobrevida (p<0,0001), mas não com a taxa de recidiva vesical dos tumores superficiais (p=0,72). O estádio T também mostrou forte correlação com a sobrevida (p<0,0001).
CONCLUSÕES: O CCT é mais comum em homens que mulheres e acomete pacientes com idade média de 63,9 anos. O grau e o estádio T mostram forte correlação com a progressão da doença e a sobrevida.

Descritores: Carcinoma de células transicionais da bexiga, fatores de risco, sobrevida


ABSTRACT

OBJECTIVE: To analyse some epidemiological data of patients with transitional cell carcinoma of the bladder (TCC) and the predictive value of conventional risk factors.
METHODS: From 1980 to 2002, 125 patients were treated at our hospital and selected retrospectively for this study. The series mean age was 63,6±11,3 years, being 77.6% males and 22.4% females. The proportions of G!, G2 and G3 TCC were: 48%, 35.2% and 16.8%. The T stage was: pTa-1 – 85 (68%) and pT2-4 – 40 (32%). Superficial tumors were treated by TUR alone or plus BCG (>G1), and the invasives ones by radical cystectomy. The vesical reccurence rate of superficial TCC was 48.2%.
RESULTS: TCC grade showed a positive association with T stage (p<0.0001) and patient survival (p<0.0001), but not with local bladder reccurence of superficial tumors (p=0.72). The T stage also showed a strong correlation with patient survival (p<0.0001).
CONCLUSION: The TCC is more common in male than in female with mean age of 63.2 years. The tumor grading and staging exhibited as strong predictive value for disease progression and patient survival. Available from URL: http://www.scielo.br/acb

Keywords: Transitional cell carcinoma of the bladder, risk factors.


 

 

INTRODUÇÃO

O carcinoma de células transicionais corresponde a aproximadamente 90% dos casos de câncer de bexiga (CCT)1. É o quarto câncer mais comum entre homens e o oitavo mais comum em mulheres, constituindo o segundo mais comum do trato genito-urinário após o câncer de próstata2 incidência aumenta com a idade em ambos os sexos. É 2,5 vezes mais comum entre homens do que em mulheres2. O CCT é o segundo câncer mais prevalente na meia idade e entre idosos, tendo seu número total de casos elevado pela alta taxa de recidiva característica desta patologia3. A idade média no diagnóstico é de 69 anos entre homens e 71 entre mulheres4. Tabagismo, exposição ocupacional a borracha, tinturas, derivados do petróleo, corantes artificiais, infecção crônica, cálculos e instrumentação das vias urinárias são fatores de risco envolvidos na carcinogênese4,5,6.

Os dados epidemiológicos sobre esta neoplasia são escassos em nosso país. O objetivo deste trabalho é o de analisar alguns dados epidemiológicos, bem como a evolução da doença em relação a alguns fatores de risco convencionais.

 

MÉTODOS

Revisamos retrospectivamente os prontuários de 125 pacientes com CCT de bexiga diagnosticados e tratados no HCFMRP-USP no período de 1980-2002. A idade média da amostra foi de 63,6±11,3 anos, com variação de 29 a 93 anos. Noventa e sete (77,6%) eram homens e 28 (22,4%) mulheres.

Classificamos os tumores pelo grau segundo a OMS e o estádio pelo sistema TNM7. Os tumores superficiais (pTa/pT1) foram tratados por Ressecção Transuretral e terapia adjuvante com BCG intravesical nos casos de grau II ou III. Os tumores invasivos foram tratados por cistectomia e derivação urinária ou substituição vesical quando possível. O tempo médio de seguimento foi de 45,8±35,8 meses (intervado de 3 a 231 meses).

Encontramos 60 (48%) tumores grau I (G1), 44 (35,2%) grau II (G2) e 21 (16,8%) com grau III (G3). As proporções de pacientes segundo o estádio tumoral foram: pTa-1 - 85 ( 68%) e pT2-4 - 40 ( 32%). Entre os pacientes com tumores superficiais (85) houve recidiva em 41 (48,2%). O tempo médio e desvio padrão para recidiva dos tumores superficiais foram respectivamente: G1 – (23/52) 39,7±38,9 meses (intervalo – 5 a 144 meses), G2 – (13/29) 23±24,7 (intervalo – 1 a 90 meses) e G3 – (2/4) 21±8,4 (intervalo – 15 a 27 meses). Dos tumores pTa-1 que evoluiram de doença localizada inicial para disseminação 2 eram G2 e 1 G3.

As variáveis categóricas foram analisadas pelo teste exato de Fischer. As curvas de sobrevida foram comparadas pelo teste Logrank. Considerou-se como nível de significância p<0,05. Os testes foram executados através do "software" GraphPad Prism, versão 3,0.

 

RESULTADOS

A Tabela 1 mostra muito significativa entre o grau tumoral e o estádio local (p < 0,0001).

 

 

Observou-se associação positiva entre o grau da lesão primária com a existência de doença metastática (p=0,003) – Tabela 2.

 

 

A relação entre o grau da lesão primária vesical superficial e a recidiva local está exposta na Tabela 3 (p=0,72).

 

 

As curvas de sobrevida dos pacientes em função do grau tumoral são apresentadas na Figura 1. A comparação dessas curvas pelo teste Logrank mostrou diferença significativa entre o G1 e demais graus (p<0,0001), mas não houve diferença entre os G2 e G3. As curvas de sobrevida em relação à lesão primária são apresentadas na Figura 2.

 

 

 

DISCUSSÃO

O CCT apresenta dois aspectos importantes na sua evolução, distintos porém relacionados: recidiva local e progressão da lesão. A evolução para doença disseminada é sem dúvida o evento de maior gravidade e mortalidade. A recidiva vesical dos tumores superficiais, mesmo sem invasão, causa morbidade por exigir seguimento prolongado com reavaliações periódicas, instrumentação da vias urinárias, ressecção endoscópica e algumas vezes aplicação tópica de BCG ou quimioterápicos8.

Nossos resultados mostram relação entre o grau do tumor e o estádio da lesão primária, presença de mestástases e sobrevida. Observou-se ainda associação entre o estádio T e a sobrevida. Estes dados estão de acordo com outros relatos da literatura9,10. Mas, nossos resultados não mostram diferença da recorrência dos tumores superficias entre os diversos graus, ao contrário do publicado por outros autores9,10,11. Esse dado chama a atenção e possivelmente decorre do fato de que o tratamento intravesical com BCG torna os tumores G2 e G3 de comportamento semelhante aos G1 em relação à recidiva vesical. Tanto a taxa de recorrência quanto a sobrevida dos tumores superficiais tratado ou não com BCG são compatíveis com relatos recentes da literatura12.

 

CONCLUSÃO

O CCT é mais comum em homens que mulheres e acomete pacientes com idade média de 63,9 anos. O grau tumoral mostra relação com o estádio T e a progressão da doença e a sobrevida. O estádio da lesão primária apresenta relação com a sobrevida dos pacientes.

 

REFERÊNCIAS

1. Epstein JI, Amin MB, Reuter VR, Mostofi FK. The Bladder Consensus Conference Committee. The WHO / The International Society of Urologic Pathology consensus classification of urothelial neoplasms of the urinary bladder. Am J Surg Pathol 1998; 22: 1435.        [ Links ]

2. Greenlee RT, Murray T, Bolden S, Wings PA. Cancer statistics, 2000. CA Câncer J Clin 2000; 50: 7.        [ Links ]

3. Feldman AR, Kessler L, Myers MH, Naughton MD. The prevalence of cancer: Estimates based on the Connecticut Tumor Registry. N Engl J Med 1986; 315: 1394.        [ Links ]

4. Lynch CF, Cohen MB. Urinary system. Cancer 1995; 75(suppl): 316.        [ Links ]

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11. Skinner DG, Lieskovsky G, et al. Management of invasive bladder cancer: A meticulous lymph node dissection can make a difference. J Urol 1982;128:34        [ Links ]

12. Lamm DL, Riggs DR, Shriver JS, et al. BCG in transitional cell carcinoma – schedules of application, results and limitations. In: Kurth KH, Mickisch GH, Schröder FH. Renal, bladder, prostate and testicular cancer, an update, The Parthenon Publishing Group, New York; 2000. p.257-63.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Antonio Carlos Pereira Martins
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP, Divisão de Urologia
Av. Bandeirantes, 3900, Ribeirão Preto, SP
CEP: 14.048-900
E-mail: acpmartins@convex.com.br

 

 

1 Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da FMRP-USP com auxílio FAEPA

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