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Acta Cirurgica Brasileira

versão On-line ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. v.19 n.2 São Paulo mar./abr. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86502004000200014 

PONTO DE VISTA

 

Classificação de Nyhus e a opção técnica para o reparo das hérnias inguinais: a tênue linha de fronteira entre as próteses e o reparo convencional das hérnias inguinais

 

 

Edgar Valente de Lima Neto

Professor Assistente de Técnica Operatória da Universidade Federal de Alagoas. Mestre em Gastroenterologia Cirúrgica pela Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina.

Endereço para correspondência

 

 

Que técnica de reparo devo usar nesta hérnia? Não raro nos interrogamos assim após a dissecção do saco herniário. Tema de vários encontros científicos, até hoje a grande discussão sobre a opção técnica deverá ainda ocupar grandes espaços. Altos índices de satisfação, baixos índices de recidiva e complicações são avidamente procurados por todos aqueles que como Bassini há mais de 100 anos se interessam pela hérnia inguinal.

A linha de fronteira que separa o Canadá dos Estados Unidos da América, divide também duas grandes escolas do tratamento da hérnia. A escola que não usa prótese, liderada pela famosa Clínica Shouldice, com suas 260.000 hérnias tratadas e a não menos importante escola americana onde se destaca o Instituto Lichtenstein onde o uso de próteses é rotineiro. Interessante é observar que ambas as escolas relatam índices de recidiva em torno de 1%, o que nos faz pensar que ambas estão certas, e que as técnicas empregadas são muito boas.

Dentre as várias classificações propostas para as hérnias, é possível que a de Nyhus tenha sido a que mais contribuiu para o entendimento das hérnias. Ela é baseada em critérios anatômicos, como o tamanho do anel inguinal e a integridade da parede posterior. Tenho estimulado colegas e residentes a utilizarem e anotarem em prontuário que tipo de hérnia foi encontrado na classificação de Nyhus junto com o tipo de operação praticada, pois isto pode facilitar a opção pela técnica adequada ao tipo de hérnia e favorecer o entendimento das recidivas e o acompanhamento dos pacientes.

Sabe-se que as hérnias tipo Nyhus I possuem um baixíssimo potencial de recidiva, independente do tipo de reparo que seja praticado, por que colocar uma prótese nestes doentes? Já as hérnias tipo III C deveriam ser tratadas com próteses, pois possuem índices de recidiva elevados.

Assim a classificação de Nyhus que é didática e fácil, pode contribuir e facilitar o encontro da correta opção técnica para o reparo herniário, opção esta que deve estar em algum lugar ao longo desta imensa fronteira.

 

 

Endereço para correspondência
Prof. Edgar Valente de Lima Neto
Rua Guarabú, 147
57052-390 Maceió - AL

Data do recebimento: 03/01/2004
Data da revisão: 26/01/2004
Data da aprovação: 11/02/2004