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Revista Paulista de Pediatria

Print version ISSN 0103-0582

Rev. paul. pediatr. vol.29 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822011000100006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Erros alimentares na dieta de crianças frequentadoras de berçários em creches públicas no município de São Paulo, Brasil

 

Errores alimentares en dietas de niños frecuentadores de nidos en guarderías públicas en el municipio de São Paulo, Brasil

 

 

Christine Kochi GolinI; Maysa Helena de A. ToloniII;  Giovana Longo-SilvaII;  José Augusto de A. C. TaddeiIII 

IEspecialista em Saúde, Nutrição e Alimentação Infantil pela Unifesp, São Paulo, SP, Brasil
IIDoutoranda do Programa de Pós-Graduação em Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria da Unifesp, São Paulo, SP, Brasil
IIILivre-Docente pela Unifesp; Professor Associado da Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Unifesp, São Paulo, SP, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever os erros alimentares presentes na introdução da alimentação complementar e na oferta de leite não materno em crianças frequentadoras de creches públicas do município de São Paulo (SP).
MÉTODOS: Estudo descritivo transversal, composto por 255 crianças, com faixa etária entre cinco e 29 meses. Os questionários estruturados e pré-codificados, com perguntas abertas e fechadas, foram elaborados para a coleta de dados, que ocorreu entre abril e novembro de 2007. Estes foram transcritos e analisados no programa estatístico Epi-Info 2000. As variáveis avaliadas foram a introdução de leite não materno, a introdução de alimentos e a consistência inicial da alimentação complementar.
RESULTADOS: A introdução do leite não materno ocorreu em 40% das crianças até três meses e em 78% até seis meses. Aos três meses, aproximadamente 50% recebiam líquidos não lácteos e 15%, papas de frutas, legumes, verduras e carnes. Na introdução do leite não materno, 68% dos bebês receberam leite de vaca e 31%, fórmulas infantis. Fígado e peixe foram os alimentos mais tardiamente oferecidos. Quanto à consistência das refeições oferecidas, 49% foram inadequadas.
CONCLUSÕES: O fato de as crianças serem frequentadoras de creches públicas aponta para a importância da capacitação dos profissionais que nelas atuam e que, eventualmente, são os responsáveis pela introdução da alimentação complementar.

Palavras-chave: suplementação alimentar; consumo de alimentos; creches; lactente.


RESUMEN

OBJETIVO: Describir los errores alimentares presentes en la introducción de la alimentación complementar y en la oferta de leche no materna en niños frecuentadores de guarderías públicas en el municipio de São Paulo.
MÉTODOS: Estudio descriptivo transversal, compuesto de 255 niños en la franja de edad entre 5 y 29 meses. Los cuestionarios estructurados y precodificados, con preguntas abiertas y cerradas, fueron elaborados para la recolección de datos, que tuvo lugar entre abril y noviembre de 2007. Éstos fueron transcriptos y analizados en el programa estadístico Epi-Info 2000. Las variables evaluadas fueron la introducción de leche no materna, introducción de alimentos y la consistencia inicial de la alimentación complementaria.
RESULTADOS: La introducción de la leche no materna ocurrió en 40% de los niños hasta 3 meses y en 78% de los niños hasta 6 meses. A los 3 meses de edad, un 50% recibía líquidos no lácteos y un 15% papillas de frutas, legumbres, verduras y carnes. En la introducción de la leche no materna, 68% de los bebés recibieron leche de vaca y 31%, fórmulas infantiles. Hígado y pescado fueron los alimentos más tardíamente ofrecidos. Respecto a la consistencia de las comidas ofrecidas, el 49% fue inadecuada.
CONCLUSIONES: El hecho de que los niños son frecuentadores de guarderías públicas señala la importancia de la capacitación de los profesionales que ahí actúan, y que eventualmente son los responsables de la introducción de la alimentación complementar.

Palabras-clave: alimentación complementar; consumo de alimentos; guarderías; lactante.


 

 

Introdução

A alimentação nos primeiros anos de vida é fundamental para o crescimento e ganho de peso na infância, assim como para o desenvolvimento psicomotor e prevenção de doenças crônicas e agudas. Para tanto, o aleitamento materno deve durar até os 24 meses ou mais, sendo exclusivo até o sexto mês, quando indica-se a introdução da alimentação complementar, que contribuirá para atender as necessidades nutricionais da criança nessa nova fase de desenvolvimento(1-4).

Nas últimas décadas, houve mundialmente um progresso considerável em ações de incentivo e promoção do aleitamento materno, mas o mesmo não é observado com relação à alimentação complementar, que habitualmente inicia-se fora da época preconizada e, com frequência, é nutricionalmente inadequada e microbiologicamente insegura(1,2,5,6). A divulgação de informações sobre a forma menos prejudicial de substituir o leite materno, na impossibilidade de amamentar, também é escassa(7,8).

A introdução precoce de alimentos na infância acarreta prejuízos tanto pela diminuição ou abandono do aleitamento materno, quanto pela exposição a fatores que podem causar danos à saúde da criança, como consumo de alimentos manipulados inadequadamente e uso de utensílios como mamadeiras, que trazem maior chance de contaminação, aumentando o risco de doenças diarreicas. Em contrapartida, o aleitamento materno, por suas propriedades imunológicas, age na prevenção de doenças gastrintestinais não só em sociedades em desenvolvimento, mas também nas desenvolvidas, proporcionando uma melhor evolução pôndero-estatural com relação às crianças não amamentadas exclusivamente(1-4,9).

As práticas alimentares inadequadas, especialmente a introdução precoce de leite de vaca não enriquecido, também têm impacto negativo na biodisponibilidade de ferro. Estabelecer uma boa prática de alimentação complementar, com a introdução de carnes e vegetais ricos em vitamina C, que aumentam a disponibilidade de ferro de outros alimentos, pode ser importante na prevenção de anemia ferropriva, que é a carência nutricional específica mais prevalente no mundo nessa faixa etária(10,11).

Por outro lado, a inserção da mulher no mercado de trabalho e, consequentemente, a busca por instituições destinadas ao cuidado e educação de seus filhos podem causar impacto importante na alimentação dessas crianças. Apesar da existência de leis que protegem o aleitamento materno da mulher que trabalha - com direito a períodos de descanso para amamentação durante seu expediente e creches nos locais de trabalho, ou próximas a ele - associadas à licença maternidade por seis meses, muitas vezes, as mulheres não são efetivamente beneficiadas por tais políticas(12-14).

Quando as mães não têm disponibilidade para cuidar de seus filhos, transferem o cuidado do lactente às instituições denominadas creches, locais onde as crianças permanecem de oito a 12 horas diárias. Nessas instituições, os cardápios são muitas vezes monótonos, com predominância de alimentação láctea, introdução precoce de açúcar, enlatados, embutidos, doces, entre outros alimentos industrializados. Dessa forma, seria necessário que, tanto em casa como na creche, a criança fosse amamentada e que ocorresse o estímulo à introdução de novos alimentos, dando-se preferência aos naturais, como cereais, vegetais, carnes e leguminosas(15-17).

Diante do papel importante da alimentação para saúde, crescimento e desenvolvimento, da formação de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros anos de vida e dos prejuízos que uma alimentação inadequada podem acarretar, o objetivo deste trabalho foi descrever os erros alimentares presentes na introdução da alimentação complementar e na oferta de leite não materno em crianças frequentadoras de berçários de creches públicas e filantrópicas do município de São Paulo (SP).

 

Método

O presente estudo é do tipo descritivo transversal, sendo parte integrante de um projeto mais amplo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ao qual está vinculado, o "Projeto Crecheficiente" - Impacto do Treinamento de Educadoras de Creches Públicas/Filantrópicas nas Práticas Higiênico-Dietéticas e na Saúde/Nutrição dos Lactentes. Trata-se de estudo do tipo ensaio institucional randomizado, com controle concomitante e tempo de acompanhamento de sete meses, realizado de abril a novembro de 2007, composto por duas fases, com o objetivo de avaliar o efeito de treinamento dos educadores de creche na saúde dos lactentes atendidos e na aquisição de conhecimento e mudanças nas práticas desenvolvidas(11,18,19).

No início do projeto, 36 creches pertencentes à Coor-denadoria da Educação de Santo Amaro, São Paulo, foram contatadas e, dessas, 16 foram visitadas pela equipe, considerando-se a facilidade de transporte e acesso às suas dependências. Após o contato inicial e as visitas a essas instituições para coleta de informações, aplicou-se o método de seleção proposto por Beghin(20), utilizando-se como critérios de prioridade o maior número de educadoras e de lactentes, segurança para a execução da pesquisa, ausência de intervenção prévia de educação em saúde, receptividade e facilidade de acesso à instituição. Selecionaram-se, então, quatro creches públicas e quatro filantrópicas.

A população do estudo foi composta por 255 crianças de ambos os sexos, com faixa etária entre cinco e 29 meses e que foram autorizadas pelos pais ou responsáveis a participarem da pesquisa, os quais assinaram o termo de consentimento informado livre e esclarecido. Elas frequentavam regularmente os berçários das oito creches públicas e filantrópicas selecionadas. Foram excluídas do estudo crianças portadoras de síndrome de Down (n=2), paralisia cerebral (n=2), síndrome genética (n=1), aquelas cujos pais ou responsáveis recusaram-se a assinar o termo de consentimento livre e esclarecido (n=2) e aquelas que não estavam presentes nos dias de coleta de dados (n=18), totalizando uma perda amostral de 8,9%.

Os questionários estruturados e pré-codificados, compostos por perguntas abertas e fechadas, foram elaborados e previamente testados para a coleta de dados, realizada pela equipe de pesquisadores do projeto, devidamente treinados, no período de abril a novembro de 2007.

Para o preenchimento desses instrumentos, foi elaborado um manual com orientações aos entrevistadores e com a codificação das variáveis a fim de uniformizar a anotação e análise dos dados coletados. Todos os questionários foram avaliados quanto à sua consistência interna, antes de serem digitados. As informações foram transcritas em banco de dados, com dupla digitação e posterior validação visando à correção de erros, e analisadas no programa estatístico Epi-Info 2000, versão 3.4.3(21).

As variáveis avaliadas foram a introdução de leite não materno, a introdução de alimentos e a consistência inicial da alimentação complementar, utilizando-se 24 perguntas contidas nos questionários aplicados. Para cada um dos itens avaliados, foi registrada a idade em meses de introdução, considerando-se as recomendações do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS)(2,7).

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Unifesp, ao qual está vinculado.

 

Resultados

Entre as crianças estudadas, observou-se pequena predominância do gênero masculino (52,9%). A mediana de idade foi de 19 meses (amplitude de 5-29).

A Tabela 1 apresenta a frequência acumulada (%) das crianças estudadas segundo faixa etária, com relação à introdução dos alimentos complementares. Observa-se que, já nos três primeiros meses, há oferta de água, sucos e leite não materno.

 

 

A Tabela 2 apresenta os tipos de leite consumidos pelas crianças que estavam em aleitamento não materno, notando-se que o leite de vaca, na forma de leite fluido, diluído e em pó foi o mais frequente.

 

 

A Tabela 3 mostra a consistência da refeição oferecida, observando-se predominância de alimentos amassados com o garfo, seguidos dos liquidificados.

 

 

Discussão

Apesar de todas as vantagens e benefícios que o aleitamento materno exclusivo traz para a saúde da criança, sua prática até o sexto mês não é frequente em nossa população(1,22-24). A estimativa de duração mediana do aleitamento materno foi de 342 dias (11 meses) no conjunto das capitais brasileiras(25). No presente estudo, a introdução do leite não materno, que caracteriza o período de aleitamento materno predominante, ocorreu em 40% das crianças até os três meses e em 78% das crianças até os seis meses. Achados semelhantes ocorreram em estudo de Souza et al, ao avaliarem a prática alimentar no primeiro ano de vida de crianças atendidas em centros de saúde escola do município de São Paulo. Os autores observaram que 51% delas já recebiam outro tipo de leite com três meses e 75%, com seis meses(26). A maior oferta de leite não materno neste estudo pode-se dever ao fato de as crianças serem frequentadoras de creches que, muitas vezes, não são próximas aos locais de trabalho da mãe, impossibilitando a oferta do leite materno em todos os momentos necessários(15,16).

Em relação ao tipo de leite não materno introduzido, 68% dos bebês estudados receberam leite de vaca e 31%, fórmulas infantis. O consumo precoce de leite de vaca está associado à anemia, devido à baixa quantidade de ferro biodisponível e altas concentrações de cálcio. Os estudos também mostram que sua introdução precoce pode causar micro-hemorragias no trato gastrintestinal infantil imaturo, levando à perda de sangue(10). Salvioli et al(27), ao estudarem crianças menores de seis meses entre 1983 e 1992, encontraram uma redução considerável na prevalência da deficiência de ferro e de anemia ferropriva associada ao decréscimo da alimentação com leite de vaca, maior utilização de fórmulas infantis fortificadas com ferro e maior prevalência e duração da amamentação.

O leite de vaca também possui uma composição inadequada à criança com relação aos macronutrientes, com concentrações altas de proteína que podem sobrecarregar os rins imaturos dos lactentes e causar reações alérgicas, carência de oligossacarídeos, que promovem proteção contra infecções, e ausência de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa decosahexaenoico (DHA) e aracdônico (ARA), importantes para o desenvolvimento neurológico das crianças. Algumas fórmulas infantis têm DHA e ARA adicionados em sua composição, mas isso pode não conferir vantagens, pois sua composição difere daquela própria do leite materno(1).

O uso de fórmulas infantis como substituto do aleitamento materno também não deve ser estimulado, pois, além dos riscos apresentados pela ausência da proteção imunológica proporcionada pelo aleitamento materno, o estabelecimento do vínculo entre mãe e filho é prejudicado e não há desenvolvimento adequado da musculatura facial da criança estimulada pela sucção da mama. Além disso, o lactente é exposto ao alto risco de contaminação pelo uso de mamadeira, que requer habilidade da mãe ou do cuidador em realizar a higiene durante o preparo e em ler e compreender as instruções de diluição dos rótulos dos formulados(22).

Na impossibilidade de a criança ser amamentada, de acordo com a situação, deve ser escolhida uma alternativa melhor, como leite materno extraído da própria mãe ou de um banco de leite ou, ainda, um substituto formulado oferecido em copo(2). Porém, o que se observou neste estudo foi o uso preponderante de leite de vaca sem modificações na substituição ou na complementação do leite materno, devido à falta de informação ou ao seu custo, muito inferior em comparação aos preços praticados na comercialização de fórmulas infantis. Em casos de restrição financeira, a utilização de formulações caseiras como leite de vaca diluído, que foi consumido por apenas 1,2% das crianças neste estudo, é menos prejudicial do que o uso deste inalterado. Nesses casos, a partir da introdução de leites não enriquecidos com ferro, é necessária sua suplementação para prevenir o desenvolvimento de anemia ferropriva, sendo que as crianças em aleitamento materno exclusivo devem recebê-la a partir dos quatro a seis meses(7,28,29).

No presente estudo, a alimentação complementar foi introduzida precocemente. Aos três meses, aproximadamente 50% das crianças já recebiam líquidos não lácteos e 15%, papas de frutas, legumes, verduras e carnes, corroborando resultados de outros estudos(23,25,30-33). No entanto, recomenda-se que os alimentos complementares sejam introduzidos somente a partir dos seis meses, quando as necessidades nutricionais da criança superam aquilo que pode ser fornecido pelo aleitamento materno exclusivo, assegurando energia, proteínas e micronutrientes suficientes. Os alimentos devem ser seguros, preparados e armazenados de forma higiênica, oferecidos de forma lenta e gradual, sem rigidez de horários, respeitando-se o apetite e a saciedade da criança e com a manutenção do aleitamento materno(2).

O fígado e o peixe foram os alimentos mais tardiamente oferecidos, sendo que, entre sete e nove meses, 55,7% das crianças haviam consumido fígado e 33,3%, peixe. Dessa forma, quantidades suficientes de ferro são difíceis de serem alcançadas, reforçando a importância dos alimentos-fonte na alimentação complementar. Em avaliação dietética de três creches de Brasília, a presença inexpressiva de peixes e vísceras foi constatada no cardápio. A baixa oferta desses alimentos nas creches pode contribuir para os altos índices de anemia ferropriva encontrados em crianças nessa faixa etária(16,17).

A alimentação nos primeiros anos de vida deve ser rica, com oferta de carne bovina, vísceras, frango e peixe, os quais, mesmo quando incorporados à dieta, podem não suprir as necessidades da criança devido ao seu volume gástrico. As leguminosas podem ser boa fonte de ferro quando consumidas com alimentos ricos em vitamina C, que auxilia na absorção do ferro não heme. Neste estudo, 90% das crianças entre sete e nove meses consumiam feijão. Além do ferro, alimentos de origem animal também são boas fontes de proteína, zinco, folato e vitamina A(1,2,10).

Quanto à consistência dos alimentos, 49% foram oferecidos liquidificados e peneirados, consistências não indicadas, pois não estimulam a mastigação, além de dificultarem a distinção de textura, sabores e cores dos novos alimentos. A alimentação complementar deve ser oferecida como um purê consistente, amassado com um garfo, evoluindo gradativamente para alimentos mais sólidos, a fim de desenvolver a musculatura facial e a capacidade de mastigação. A partir dos oito meses, a criança pode consumir a alimentação da família(1,2,34,35).

Como conclusões, os resultados deste estudo mostraram que os erros na introdução da alimentação complementar em crianças de creches são frequentes, tais como a idade de introdução, consistência e tipos de alimentos oferecidos, principalmente a oferta precoce de líquidos e leite não materno. Tal prática pode afetar diretamente o sucesso das campanhas de aleitamento materno, já que, dessa forma, a amamentação deixa de ser o ideal, distanciando-se do recomendado para obter seus efeitos protetores e potenciais. Além disso, o fato de as crianças serem frequentadoras de creches públicas aponta para a importância da capacitação dos profissionais que nelas atuam, por atenderem lactentes que ainda deveriam estar em aleitamento materno exclusivo, sendo corresponsáveis pela introdução da alimentação complementar. Dessa forma, este estudo contribui para dimensionar a importância de esses profissionais incorporarem conhecimentos sobre o valor do aleitamento materno e da alimentação complementar correta para o sucesso da alimentação nos primeiros anos de vida e, consequentemente, para o bom crescimento e desenvolvimento dos lactentes.

 

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Endereço para correspondência:
José Augusto de A. C. Taddei
Rua Loefgreen, 1.647 - Vila Clementino
CEP 04040-032 - São Paulo/SP
E-mail: taddei.dped@epm.br

Recebido em: 9/2/2010
Aprovado em: 12/7/2010
Fonte de financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (processo n.º 2006/02597-0)
Conflito de interesse: nada a declarar

 

 

Instituição: Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), São Paulo, SP, Brasil

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