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Revista Paulista de Pediatria

versión impresa ISSN 0103-0582

Rev. paul. pediatr. vol.30 no.2 São Paulo jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822012000200001 

EDITORIAL

 

Alimentação nos primeiros três meses de vida

 

 

José Augusto C. TaddeiI; Sarah WarkentinII

IProfessor Livre-docente; Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),  São Paulo, SP, Brasil
II
Mestranda em Ciências Aplicadas à Pediatria pela Unifesp,  São Paulo, SP, Brasil

Endereço para correspondência

 

 

O tempo de aleitamento materno e os fatores que levam ao seu sucesso são tema de extrema relevância. Diante das evidências dos benefícios do aleitamento materno exclusivo e devido ao grande incentivo no país, por meio de diferentes políticas e programas ao longo das últimas três décadas, é indispensável atualizar periodicamente o conhecimento sobre a epidemiologia do desmame precoce(1-3).

Um dos destaques da Revista Paulista de Pediatria de março de 2012 é o artigo de autoria de Cristina Kaufmann, Elaine Albernaz, Regina Silveira e Maria Mascarenhas sobre a alimentação de lactentes(4). Os objetivos do estudo foram avaliar o padrão alimentar nos primeiros três meses de vida, identificar fatores relacionados ao desmame/introdução precoce de alimentos complementares e avaliar a adequação do uso de utensílios durante este período.

Trata-se de estudo de coorte com dois componentes: perinatal (triagem hospitalar) e acompanhamento (visitas domiciliares aos bebês entre um e três meses de idade). Os dados foram coletados a partir de entrevistas com as mães dos bebês nascidos entre setembro de 2002 e maio de 2003. Foram feitas visitas domiciliares em uma amostra de 30% dos nascimentos, selecionada aleatoriamente. Compuseram a amostra final 2.741 mães, sendo 973 selecionadas para acompanhamento domiciliar.

O estudo indica prevalência de aleitamento materno exclusivo de apenas 60% no primeiro mês e de 39% no terceiro mês, dados que refletem a alimentação inadequada dos bebês da cidade de Pelotas. No primeiro mês, 10% das crianças já estavam desmamadas e, no terceiro, esse valor triplicou. Apesar de insatisfatórios, esses dados, quando comparados com os de décadas anteriores, demonstram aumento na duração do aleitamento materno em Pelotas, em conformidade com que se observa em outras regiões do país. Os dados representam, portanto, mais uma evidência de que as ações de proteção ao aleitamento materno têm levado à diminuição do desmame precoce, conhecimento indispensável para que sejam mantidos e ampliados os programas e políticas existentes no país.

Foram identificados como fatores de risco para o desmame no primeiro mês: escolaridade paterna, intenção de amamentar, tabagismo na gravidez e uso de bico ou chupeta. Já para o desmame no terceiro mês de vida, os fatores de risco foram: escolaridade paterna, cor materna branca, o fato de a mãe viver com o companheiro, intenção de amamentar, tabagismo durante a gravidez, uso de bico ou chupeta e uso de mamadeira. Os dois modelos trazem contribuições para uma melhor compreensão dos determinantes do aleitamento materno já que, como complexo processo que envolve o binômio mãe-filho e sua inserção na família e na sociedade, apresentam comportamento causal diferente no seu estabelecimento durante o período neonatal e na sua manutenção, nos meses subsequentes.

 

Referências bibliográficas

1.  Labbok MH, Wardlaw T, Blanc A, Clark D, Terreri N. Trends in exclusive breastfeeding: findings from the 1990s. J Hum Lact 2006;22:272-6.         [ Links ]

2.  Venancio SI, Escuder MM, Saldiva SR, Giugliani ER. Breastfeeding practice in the Brazilian capital cities and the Federal District: current status and advances. J Pediatr (Rio.J) 2010; 86:317-24.         [ Links ]

3.  Lutter CK, Chaparro CM, Grummer-Strawn LM. Increases in breastfeeding in Latin America and the Caribbean: an analysis of equity. Health Policy Plan 2011;26:257-65.         [ Links ]

4.  Kaufmann C, Albernaz E, Silveira R, Silva MB, Mascarenhas M. Alimentação nos primeiros três meses de vida dos bebês de uma coorte na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Rev Paul Pediatr 2012;30:157-65.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
José Augusto Taddei
Rua Loefgreen, 1.647 – Vila Clementino
CEP 04040-032 – São Paulo/SP
E-mail: ieddat.taddei@gmail.com

Recebido em: 9/3/2012
Conflito de interesse: nada a declarar