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Revista Paulista de Pediatria

Print version ISSN 0103-0582

Rev. paul. pediatr. vol.30 no.3 São Paulo Sept. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822012000300018 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Obesidade e testes de função pulmonar em crianças e adolescentes: uma revisão sistemática

 

Obesidad y pruebas de función pulmonar en niños: una revisión sistemática

 

 

Luís Henrique S. TenórioI; Amilton da Cruz SantosII; Adriana Sarmento de OliveiraIII; Anna Myrna J. de LimaIV, Maria do Socorro Brasileiro-SantosV

Instituição: Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB; Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE, Brasil
IPós-Graduando do Programa de Mestrado em Fisioterapia da UFPE, Recife, PE, Brasil
IIDoutor em Fisiologia pela Universidade de São Paulo (USP); Professor Adjunto do Departamento de Educação Física da UFPB, João Pessoa, PB, Brasil
IIIMestre em Fisioterapia pela UFPE, Recife, PE, BrasilIVDoutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP; Professora Adjunta do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife, PE, Brasil
VDoutora em Ciências pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Professora Adjunta do Departamento de Educação Física da UFPB, João Pessoa, PB, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Realizar uma revisão sistemática sobre os estudos observacionais que analisaram a relação entre os parâmetros espirométricos e a obesidade em crianças e adolescentes.
FONTES DE DADOS: Os dados foram selecionados sem restrição de idioma, utilizando-se as bases de dados PubMed/Medline, Scopus, Lilacs e SciELO, sem data inicial até dezembro de 2010. Os descritores foram extraídos do Medical Subject Headings e incluíram "respiratory function tests" e "childhood obesity".
SINTESE DOS DADOS: Por meio da estratégia de busca, 89 artigos foram encontrados, dos quais apenas cinco foram selecionados. Foram incluídos estudos observacionais com descrição dos parâmetros espirométricos e do índice de massa corpórea, sendo excluídos estudos com outros métodos de avaliação da função pulmonar, população não exclusiva de crianças/adolescentes e presença de comorbidades associadas à obesidade. Para avaliação da qualidade dos estudos utilizou-se a escala para estudos observacionais da Agency for Healthcare Research and Quality. Os estudos avaliaram a capacidade vital forçada e o volume expiratório forçado no primeiro segundo. Quatros artigos avaliaram também o fluxo expiratório forçado entre 25 e 75%, aquele em 50%, o pico de fluxo expiratório e a relação entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital forçada.
CONCLUSÕES: Os artigos mostram evidências significativas de associação entre a diminuição dos valores de capacidade vital forçada e volume expiratório forçado no primeiro segundo com a obesidade em crianças e adolescentes.

Palavras-chave: obesidade; crianças; adolescentes; espirometria.


RESUMEN

OBJETIVO: Realizar una revisión sistemática sobre los estudios observacionales que analizaron la relación entre los parámetros espirométricos y la obesidad en niños y adolescentes.
FUENTES DE DATOS: Los datos fueron seleccionados sin restricción de idioma, utilizándose las bases de datos PubMed/Medline, Scopus, Lilacs y Scielo, sin fecha inicial hasta diciembre de 2010. Los descriptores fueron extraídos del Medical Subject Headlings e incluyeron «respiratory function tests» y «childhood obesity».
SÍNTESIS DE LOS DATOS: Por medio de la estrategia de búsqueda, se encontraron 89 artículos, de los que solamente cinco fueron seleccionados. Se incluyeron estudios observacionales con descripción de los parámetros espirométricos y del índice de masa corporal, siendo excluidos estudios con otros métodos de evaluación de la función pulmonar, población no exclusiva de niños/adolescentes y presencia de comorbidades asociadas a la obesidad. Para evaluación de la calidad de los estudios, se utilizó la escala para estudios observacionales de la Agency for Healthcare Research and Quality. Los estudios evaluaron la capacidad vital forzada y el volumen espiratorio forzado en el primer segundo. Cuatro artículos evaluaron también el flujo espiratorio forzado entre 25 y 75%, aquél en 50%, el ápice de flujo espiratorio y la relación entre el volumen espiratorio forzado en el primer segundo y la capacidad vital forzada.
CONCLUSIONES: Los artículos muestran evidencias significativas entre la reducción de los valores de capacidad vital forzada, volumen espiratorio forzado en el primer segundo y viceversa, con la obesidad en niños y adolescentes.

Palabras clave: obesidad; niños; adolescentes; espirometría.


 

 

Introdução

A obesidade, caracterizada pelo excesso de tecido adiposo, colabora para o desenvolvimento de diversas doenças sistêmicas e para o aumento da mortalidade(1-3). Algumas condições clínicas, como diabetes melito tipo II, acidente vascular encefálico, dislipidemia, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e respiratórias, depressão e alguns tipos de câncer, estão associadas com a síndrome metabólica, cujas causas são complexas e ainda não se encontram definidas(3,4). Outro aspecto preocupante é o fato de a obesidade ter assumido contornos pandêmicos, com aumento acelerado da sua prevalência nas crianças e nos adultos em diversos países(5-7).

É importante salientar que a obesidade pode afetar diversos sistemas corporais e, desta forma, acarretar taxas elevadas de morbimortalidade na população(8-10). Dentre os sistemas afetados, o respiratório merece especial atenção, uma vez que a obesidade promove alterações na mecânica respiratória, na tolerância ao exercício, nas trocas gasosas pulmonares, no controle do padrão respiratório e na força e endurance dos músculos respiratórios(11-14).

Com relação à mecânica ventilatória e à função pulmonar, este acúmulo de gordura pode causar disfunções nas diversas estruturas que compõem o sistema respiratório, em especial nos músculos que participam da respiração. Este fato resultará em alterações na função pulmonar devido ao aumento do esforço respiratório e do comprometimento no sistema de transporte dos gases(15,16). O impacto negativo na função pulmonar em adultos obesos é diretamente proporcional ao grau da obesidade, havendo diminuição do volume de reserva expiratório (VRE); aumento da resistência em pequenas vias aéreas; elevação da relação entre volume residual e capacidade pulmonar total (VR/CPT); redução das complacências pulmonar e torácica; redução da pressão arterial de oxigênio; aumento da diferença arterioalveolar de oxigênio e hipoventilação alveolar(17-19). Por outro lado, estudos prévios verificaram que a obesidade leve tem pouca influência sobre a função pulmonar(20-22).

Na infância, é difícil avaliar a obesidade devido à intensa modificação da estrutura corpórea durante o crescimento. Sendo assim, não existe um sistema para classificação da obesidade infantil universalmente aceito. Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) baseia-se na distribuição do escore Z de peso/altura, que é a relação entre o peso encontrado e o ideal para a altura do indivíduo, ou seja, utiliza-se o índice de massa corpórea (IMC)(4,23,24). O número de crianças obesas tem crescido de forma significativa, predispondo-as às mesmas alterações na mecânica respiratória do adulto(25,26). Apesar de a correlação entre sobrepeso/obesidade com as pressões respiratórias ser descrita em alguns estudos, tal associação não está bem esclarecida nas crianças e nos adolescentes(15,27,28).

Portanto, o objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática de estudos observacionais para avaliação das evidências científicas disponíveis sobre a associação entre a obesidade infantil e a função pulmonar.

 

Método

A pesquisa foi realizada nas bases de dados eletrônicas PubMed/Medline, Scopus, Lilacs e SciELO, sem restrição de data inicial e até dezembro de 2010. Os descritores foram extraídos do Medical Subject Headings (MeSH) e dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), de acordo com a seguinte sistematização: "respiratory function tests" e "childhood obesity".

As pesquisas foram feitas por dois pesquisadores experientes de forma independente nas bases de dados eletrônicas. Os artigos foram selecionados de acordo com os critérios: estudos completos com humanos e sem restrição de idiomas. Os critérios de inclusão dos artigos foram: estudos observacionais com parâmetros espirométricos e relato do IMC. Os estudos que realizaram outros tipos de avaliação da função pulmonar, cujos sujeitos não fossem exclusivamente constituídos por crianças e que tivessem a presença de comorbidades associadas, foram excluídos desta revisão sistemática.

Para avaliar a qualidade dos artigos, foi utilizada uma escala apropriada para estudos observacionais da Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ), modificada e validada por West et al(29). Esses critérios têm sido usados por diversas revisões sistemáticas com e sem escore final de avaliação(30-32). A escala da AHRQ, modificada por West et al(29), apresenta em sua análise os seguintes critérios de avaliação (pontos): questão do estudo (2), população estudada (8), comparabilidade dos sujeitos (22), exposição ou intervenção (11), medidas dos resultados (20), análise estatística (19), resultados (8), discussão (5) e suporte ou patrocínio (5), totalizando 100 pontos.

Os títulos e resumos foram identificados por meio de pesquisa independente realizada por dois pesquisadores experientes para a seleção dos estudos potencialmente relevantes. As situações de discordância foram discutidas com um terceiro avaliador. Uma vez selecionados, os estudos foram avaliados de acordo com os critérios de qualidade.

 

Resultados

Por meio da estratégia de busca, 89 artigos foram encontrados, e sete (8%) foram selecionados para análise dos dados de acordo com os critérios preestabelecidos. Destes, um (1%) foi excluído por incompatibilidade com os critérios de inclusão/exclusão, pois os autores não consideravam a função pulmonar, e um (1%) em virtude de a população estudada apresentar asma.

Na Figura 1 é possível observar os cinco (6%) artigos que foram incluídos nesta revisão: Lazarus et al(27), Ulger et al(33), Eisenmann et al(34), He et al(35) e Chow et al(36). As características dos estudos selecionados estão apresentadas em ordem cronológica de publicação (Tabela 1). Dos cinco artigos selecionados, 5.579 crianças e adolescentes de ambos os gêneros foram estudados, sendo 2.742 (49%) do gênero feminino e 2.837 (51%) do masculino. Existiu grande variação no tamanho da amostra utilizada para os estudos quantitativos. Quatro estudos foram realizados no continente asiático(33-36) e um na Oceania(37). Quanto ao critério para classificação da obesidade, apenas os estudos de Ulger et al(33) e Chow et al(36) descreveram o escore Z para suas amostras.

Na avaliação da função pulmonar, os estudos selecionados(27,33-36) utilizaram espirômetros, no entanto, apenas três trabalhos, de Ulger et al(33), Eisenmann et al(34) e He et al(35), descreveram a calibração do equipamento. As seguintes variáveis espirométricas foram avaliadas pelos estudos(27,33-36): CPT, VR, VR/CPT, capacidade vital forçada (CVF), fluxo expiratório forçado em 25 e 75% (FEF25 - 75%), fluxo expiratório forçado no 1º segundo (VEF1), VEF1/CVF e pico de fluxo expiratório (PFE). Quanto às variáveis espirométricas e ao aumento de peso corpóreo, Lazarus et al(27), Ulger et al(33), Eisenmann et al(34), He et al(35) e Chow et al(36) são unânimes sobre a relação inversa entre IMC, CRF e VEF1. Na Tabela 1 também estão elencadas as limitações dos estudos citadas por tais autores.

Nenhum estudo atingiu a pontuação total da escala da AHRQ, entretanto, a publicação com melhor escore obteve 81 pontos(27). Essa análise quantitativa é apresentada na Tabela 2.

 

Discussão

O desempenho ventilatório está alterado na obesidade infantil, provavelmente devido às modificações da mecânica dos músculos respiratórios na expansibilidade torácica, na complacência e na resistência pulmonar, levando o indivíduo a um padrão respiratório rápido e de baixa amplitude, com aumento do trabalho respiratório e redução da capacidade ventilatória máxima(37-39).

Vários estudos têm demonstrado uma associação entre as alterações ventilatórias e a obesidade em adultos(40-44), no entanto, outros relatam a necessidade de mais investigações para elucidar a influência da obesidade infantil no padrão ventilatório(27,33-36). A dificuldade em analisar essa associação na criança deve-se principalmente às alterações respiratórias presentes na infância. Porém, nos adultos, outros fatores comportamentais e/ou ambientais podem estar envolvidos, como, por exemplo, o tabagismo(45,46).

O aumento da obesidade na infância contribui de forma direta para sua manutenção na fase adulta, tendo como consequência a elevação da incidência de doenças associadas à mortalidade, como as cardiovasculares, a síndrome metabólica, a dislipidemia, o diabetes melito, a hipertensão arterial e, inclusive, as alterações respiratórias, entre outras(47-49).

Lazarus et al(27) exploraram os efeitos da obesidade na função ventilatória em crianças australianas de nove, 12 e 15 anos. A principal hipótese foi de que a porcentagem de gordura corpórea poderia influenciar a função ventilatória, independentemente de altura, peso, idade e gênero. Os dados dos sujeitos de seu estudo foram coletados no Australian Health and Fitness Survey (AHFS) of Schoolchildren em 1985, envolvendo 8.484 crianças entre sete e 15 anos. Os dados da função ventilatória estavam disponíveis em apenas 2.464 indivíduos (1.222 do gênero masculino e 1.242, do feminino). Como principais resultados, os autores relataram uma associação positiva entre o peso e o aumento da CVF e do VEF1, independentemente da altura, da idade ou do gênero. Esses autores relataram que grandes proporções de gordura corpórea estão associadas a valores diminuídos da função ventilatória, e ainda descrevem duas importantes limitações em seu estudo: a falta de uma equação de predição de acordo com a etnia da população e, ainda, de um método direto para avaliação da composição corpórea.

Por outro lado, Ulger et al(33) objetivaram estender os achados dos estudos prévios explicando os efeitos da obesidade nos testes de função respiratória na infância e definindo uma relação entre o grau de obesidade e a função respiratória. A amostra foi composta por 68 crianças entre nove e 15 anos, sendo 38 (55%) obesas e 30 (44%) eutróficas, utilizadas como controle. Os autores descreveram critérios de inclusão e exclusão com a finalidade de abstrair os vieses no estudo, tais como a idade, a ausência de história prévia de tabagismo e de doença cardiopulmonar. As provas de função pulmonar foram obtidas por meio de um espirômetro devidamente calibrado e seguindo as diretrizes da European Respiratory Society (ERS). Os autores encontraram heterogeneidade entre o peso e o IMC nos grupos. As medidas da função respiratória, exceto a relação VEF1/CVF, foram menores no grupo de obesos quando comparado ao controle. Ainda nesse estudo, os investigadores citaram como limitação do teste da função respiratória a falta de parâmetros de referência para a população turca.

Também com o objetivo de avaliar a influência da obesidade sobre a função pulmonar em crianças, Eisenmann et al(34) analisaram 813 crianças entre cinco e 12 anos, sendo 557 (68%) da Reserva de Navajo e 256 (21%) da Reserva de Hopi, ambas do estado do Arizona, nos Estados Unidos da América. Da Reserva de Navajo, 274 crianças eram do sexo masculino (49%) e 283 do feminino (51%); já na de Hopi, 110 crianças (43%) eram do sexo masculino e 146 do feminino (67%). Todas foram avaliadas para afastar a presença de alergias e doenças pulmonares existentes. A espirometria foi realizada de acordo com os padrões estabelecidos pela American Thoracic Society (ATS), e o dispositivo foi calibrado devidamente. Os autores notaram diminuição da função pulmonar em crianças obesas. Como limitação, o estudo ressalta a dificuldade de quantificar a composição corpórea nas crianças devido à alteração na massa magra e à presença de puberdade na faixa etária analisada.

Já o estudo de Chow et al(36), além de investigar a associação entre a obesidade e os parâmetros espirométricos em crianças, também avaliou a inflamação nas vias aéreas. Crianças e adolescentes entre seis e 18 anos foram recrutados (n=55) e divididos em quatro grupos de estudo: não obesas não asmáticas (n=13); obesas não asmáticas (16); não obesas asmáticas (n=15) e obesas asmáticas (n=11). Os autores classificaram a obesidade segundo o critério estabelecido pela OMS, utilizando o escore Z. De modo similar ao estudo de Ulger et al(33), os autores fizeram uso de rigorosos critérios de inclusão e exclusão de forma a evitar vieses na coleta dos dados, tais como excluir pacientes com exposição ao tabagismo e portadores de doenças sistêmicas. Não foi aplicada nenhuma diretriz para padronizar a coleta de dados espirométricos e também não há descrição da forma de calibração do espirômetro utilizado. O principal resultado relacionado às variáveis espirométricas foi a correlação positiva entre o escore Z e a CVF; no entanto, essa variável antropométrica relacionou-se inversamente ao VEF1. Sobre as limitações do estudo, os autores discorrem sobre o tamanho da amostra estudada, o que pode inferir resultados falso-positivos.

He et al(35) examinaram a relação entre obesidade e asma, associando os sintomas característicos da asma com a função pulmonar. A amostra foi composta por 2.179 crianças divididas em três grupos: peso normal (n=1.845), sobrepeso (n=183) e obesidade (n=151). A função pulmonar foi obtida segundo os padrões estabelecidos pela ATS. Os autores utilizaram o teste de Pearson para comparar as características entre os grupos e a regressão linear para associar os parâmetros espirométricos aos graus de obesidade. Como principal resultado em relação à obesidade e à função pulmonar, verificou-se correlação positiva entre a CVF e o aumento do IMC. Quanto às limitações, os autores mencionaram a necessidade de realizar um acompanhamento longitudinal da função pulmonar a fim de investigar os efeitos do IMC com o tempo. Não foi avaliado o diagnóstico de gravidade da asma nas crianças.

A principal limitação da presente revisão sistemática foi a escassez de estudos relacionando a obesidade infantil com a função pulmonar, como também a falta de padronização e a homogeneidade dos valores da função pulmonar nas crianças e adolescentes. Desta forma, não foi possível realizar uma metanálise da revisão sistemática para o fornecimento de evidências científicas quantitativas sobre a função pulmonar neste ciclo de vida.

A partir desta revisão sistemática, os artigos analisados demonstraram evidências de diminuição nos valores de CVF, VEF1 e VEF1/CVF em crianças e adolescentes obesos. Futuras investigações sobre a função pulmonar na obesidade infantil são necessárias, uma vez que os estudos publicados são escassos e apresentam falhas no rigor metodológico. Outra questão importante é a necessidade de estabelecer parâmetros de referência para a população de crianças e adolescentes com relação aos valores de IMC nesses grupos.

 

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Endereço para correspondência:
Maria do Socorro Brasileiro-Santos
Universidade Federal da Paraíba - Cidade Universitária I
CEP 58051-900 - João Pessoa/PB
E-mail: sbrasileiro@pq.cnpq.br

Recebido em: 28/7/2011
Aprovado em: 16/11/2011
Conflito de interesse: nada a declarar

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