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Revista Paulista de Pediatria

Print version ISSN 0103-0582

Rev. paul. pediatr. vol.30 no.4 São Paulo Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822012000400010 

ARTIGO ORIGINAL

 

Parâmetros antropométricos e de composição corporal na predição do percentual de gordura e perfil lipídico em escolares

 

 

Lorena BarbosaI; Otaviana Cardoso ChavesII; Rita de Cássia L. RibeiroIII

Instituição: Universidade Federal de Viçosa (UFV), Viçosa, MG, Brasil
IMestre em Ciência da Nutrição pela UFV; Docente das Faculdades Unidas do Vale do Araguaia, Barra do Garças, MT, Brasil
IIMestre em Ciência da Nutrição pela UFV; Docente do Departamento de Nutrição da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Diamantina, MG, Brasil
IIIDoutora em Saúde Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Docente do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV, Viçosa, MG, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a eficácia de indicadores antropométricos e da composição corporal na predição do percentual de gordura e perfil lipídico em escolares.
MÉTODOS: Estudo transversal envolvendo 209 escolares entre sete e nove anos. Foram consideradas as seguintes variáveis: peso, estatura, índice de massa corporal, percentual de gordura corporal, circunferências do braço e cintura, índice de conicidade, razão cintura/estatura, razão cintura/quadril, colesterol total, triglicerídeos e lipoproteínas de alta e baixa densidades. O tratamento estatístico incluiu a utilização dos testes de Kolmogorov-Smirnov, t de Student, Mann-Whitney e a correlação de Pearson e Spearman. Para identificação dos preditores do elevado percentual de gordura corporal e das alterações lipídicas, adotou-se a análise da Receiver Operating Characteristic Curve.
RESULTADOS: O percentual de gordura corporal foi a variável que apresentou maior número de correlações, correlacionando-se fortemente com peso, índice de massa corporal e circunferência do braço em ambos os gêneros, além de apresentar fortes correlações com a circunferência da cintura e a razão cintura/estatura nos meninos. O índice de massa corporal, as circunferências do braço e da cintura em ambos os gêneros e a razão cintura/quadril para o sexo masculino apresentaram poder discriminatório satisfatório para predição do percentual de gordura corporal elevado. Os parâmetros antropométricos e de composição corporal não foram capazes de predizer alterações no perfil lipídico, com exceção do percentual de gordura corporal, da circunferência do braço e cintura e da razão cintura/quadril, que se mostraram bons preditores de alterações de triglicerídeos no gênero masculino.
CONCLUSÕES: A dislipidemia não pôde ser predita por medidas antropométricas e de composição corporal na faixa etária pediátrica, especialmente no gênero feminino, sugerindo a necessidade da investigação do perfil lipídico por meio de exames laboratoriais.

Palavras-chave: criança; dislipidemias; antropometria; composição corporal.


 

 

Introdução

O aumento crescente de doenças cardiovasculares em crianças(1) traz a necessidade de mais cuidado frente ao diagnóstico dos fatores de risco para tais doenças. Na população de cinco a nove anos, quase metade das crianças apresentava-se acima do peso na ocasião da realização da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), entre 2008 e 2009. O excesso de peso foi observado em 33,5% das crianças, enquanto a obesidade já atingia 14,3% delas(2).

Entre os adultos está bem estabelecido o papel da obesidade e da gordura abdominal como fatores determinantes do risco cardiovascular(3). No entanto, entre as crianças este ainda é um assunto que requer mais estudos, devido aos resultados contraditórios encontrados por vários autores(4-7) e à relevância do tema. As dislipidemias são os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, que constituem a principal causa de morte no Brasil(8). Embora essas doenças se manifestem, em geral, na fase adulta, sabe-se que se iniciam silenciosamente ainda na infância, progredindo com o avançar da idade(9).

Considerando que exames laboratoriais para avaliação do perfil lipídico não são rotineiramente solicitados a crianças, espera-se que medidas mais fáceis de serem obtidas, como as antropométricas, possam ser utilizadas como instrumentos de triagem na prática clínica. Desta forma, este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia de indicadores antropométricos e de composição corporal na predição do percentual de gordura e do perfil lipídico em escolares.

 

Método

Este estudo transversal foi desenvolvido com crianças provenientes das escolas públicas e particulares da zona urbana do município de Diamantina (total de 13 escolas, sendo dez públicas e três particulares), no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Foram estudadas 209 crianças, sendo 126 do gênero feminino, com idades entre sete e nove anos. O trabalho faz parte de uma investigação de maior abrangência, intitulada Características gestacionais e de nascimento e alimentação no primeiro ano de vida e sua relação com dislipidemias e excesso de peso em escolares(10), a qual foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Esta pesquisa foi desenvolvida para investigar a associação entre o aleitamento materno e a ocorrência de obesidade e/ou dislipidemia na idade escolar.

Para o cálculo do tamanho da amostra, a frequência máxima esperada para excesso de peso na faixa etária estudada foi de 10%, considerando-se dados municipais e estudos realizados previamente(11,12). O intervalo de confiança adotado foi de 95%. O tamanho mínimo da amostra foi estabelecido em 150 crianças.

Para participação no trabalho, realizou-se sorteio nas salas de aula que tinham alunos da faixa etária desejada em todas as escolas. O número de alunos sorteados em cada uma foi proporcional ao total daqueles matriculados. Foram incluídas no estudo crianças que: residiam na zona urbana do município; não portavam doenças crônicas e/ou utilização de medicamentos para tais enfermidades; não apresentaram episódio de diarreia na semana anterior à entrevista (definida como mais de três evacuações líquidas por dia por um período de no mínimo três dias); e não possuíam condições médicas que pudessem interferir no crescimento (diabetes melito, artrite reumatoide juvenil, doença inflamatória intestinal, paralisia cerebral, síndrome de Down, leucemia, condições ortopédicas ou anomalias congênitas).

A coleta de dados foi realizada de agosto de 2008 a fevereiro de 2009, nos períodos matutino e vespertino, pela nutricionista responsável pela pesquisa, que foi devidamente treinada. As variáveis antropométricas aferidas no estudo foram: peso corporal; estatura; pregas cutâneas tricipital e subescapular; circunferências da cintura, do quadril e do braço. Foram coletadas amostras sanguíneas para dosagem de colesterol total, triglicerídeos, lipoproteína de baixa (LDL) e alta densidades (HDL).

A medida de peso corporal foi aferida utilizando-se balança com capacidade para 136kg e sensibilidade de 100g; as crianças retiraram calçados e adereços. Na mesma ocasião, a estatura foi obtida com estadiômetro de extensão de 200cm e resolução de 0,5cm, com as crianças em posição ortostática e sem calçados. A partir da medida de peso corporal e da estatura, determinou-se o índice de massa corporal (IMC) para classificação do estado nutricional por meio dos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2007(13). O ponto de corte adotado para classificar o excesso de peso foi igual ou superior a +1 no escore Z.

As pregas cutâneas tricipital e subescapular foram aferidas do lado direito do corpo com o equipamento Lange Skinfold Caliper. Cada medida foi verificada três vezes, sendo o resultado calculado pela média dos dois valores mais próximos. A prega cutânea tricipital foi aferida na parte posterior do braço direito sobre o tríceps, no ponto médio entre o acrômio e o olécrano, enquanto a subescapular foi aferida imediatamente abaixo e para fora do ângulo da omoplata direita(14). O percentual de gordura corporal (%GC) das crianças foi estimado pelas equações propostas por Slaughter et al(15), derivadas de um modelo multicomponente e ajustadas por sexo, grau de maturação e etnia. Tais equações foram baseadas nos valores das pregas cutâneas tricipital e subescapular. Adiposidade excessiva nas crianças foi diagnosticada conforme os limites de gordura corporal propostos por Lohman (16), acima de 20% para meninos e de 25% para meninas.

As circunferências da cintura, do quadril e do braço foram verificadas com fita métrica flexível e inelástica, sendo que a primeira foi aferida na posição intermediária entre o rebordo costal e a crista ilíaca, e a segunda foi obtida na região de maior proeminência das nádegas. A circunferência do braço foi aferida com a criança em pé; inicialmente, o braço direito foi posicionado de modo a formar um ângulo de 90º, identificando-se o ponto médio entre a região lateral do acrômio e do olécrano, local onde foi realizada a medição. O alto valor de circunferência da cintura (CC) foi identificado conforme os pontos de corte propostos por Taylor et al(17), segundo os quais a elevada CC é definida por valores ≥62 e 62,9cm aos sete anos; 64,7 e 65,3cm, aos oito; e 67,3 e 67,7cm, aos nove, para meninas e meninos, respectivamente(17).

A relação cintura/quadril foi calculada pela divisão entre os valores da CC pela circunferência do quadril. A relação cintura/estatura foi obtida dividindo-se a CC (cm) pela estatura (cm). O índice de conicidade (IC) foi calculado a partir das medidas de circunferência da cintura (CC), do peso e da estatura, conforme a Equação:

As amostras de sangue para avaliação do perfil lipídico sérico foram coletadas pela manhã, após jejum de 12 horas, por meio de punção venosa em um laboratório de referência do município, com material descartável. As determinações plasmáticas dos triglicerídeos, do colesterol total e da HDL foram realizadas pelo método colorimétrico enzimático. A fração LDL foi determinada segundo a fórmula de Friedwald et al(18). O perfil lipídico foi classificado de acordo com a I Diretriz Brasileira para Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência(1).

A análise dos dados foi feita com o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 11.0. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05). O teste de Kolmogorov-Smirnov foi usado para verificar a distribuição das variáveis; para os casos em que houve distribuição normal foram utilizados o teste t de Student e a correlação de Pearson; para as demais, aplicaram-se o teste de Mann-Whitney e a correlação de Spearman. A magnitude das correlações foi interpretada segundo a classificação proposta por Callegari-Jacques(19). Foram construídas curvas ROC (Receiver Operating Characteristics Curve) e calculadas as áreas abaixo das curvas, com um intervalo de confiança de 95%.

As crianças somente foram avaliadas após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido pelos pais ou responsáveis.

 

Resultados

Foram avaliados 209 escolares, sendo 60,3% do sexo feminino. Em relação ao estado nutricional, 7,7% (n=16) da amostra apresentou baixo peso, 72,2% (n=151) dos participantes foram classificados como eutróficos e 20,1% (n=42) apresentaram excesso de peso. Em relação ao perfil lipídico, a alteração mais frequente foi a de colesterol total (60,6%), seguida das frações LDL (32,1%) e HDL (25,5%) e de triglicerídeos (8,5%). Em relação ao percentual de gordura corporal, observou-se que 32,4% dos escolares estavam acima do limite preconizado por Lohman(16).

As características dos escolares estudados estão apresentadas na Tabela 1. Observaram-se maiores valores médios de IMC e medianos de CC, IC, razão cintura/estatura (RCE) e razão cintura/quadril (RCQ) nos meninos, enquanto as meninas tinham maior percentual de gordura corporal.

O %GC foi a variável que apresentou maior número de correlações com os demais parâmetros antropométricos e de composição corporal, mostrando forte correlação com peso, IMC e circunferência do braço, em ambos os gêneros, além de se correlacionar fortemente com a CC e a RCE nos meninos. O colesterol total apresentou correlação positiva somente com o percentual de gordura corporal, ao passo que o HDL correlacionou-se negativamente com a RCQ em meninos e meninas. As correlações apresentadas entre o perfil lipídico (CT, TG e HDL) e as variáveis antropométricas e de composição corporal foram de baixa magnitude. Os níveis plasmáticos de LDL, em ambos os gêneros, não se correlacionaram com nenhuma das variáveis analisadas (Tabela 2).

As áreas sob a curva ROC para RCE, RCQ, IMC, IC, CB e CC como preditoras de elevados valores de percentual de gordura corporal, colesterol total, triglicerídeos e LDL, assim como baixos níveis de HDL em meninos e meninas podem ser observadas nas Figuras 1 e 2.

Nota-se que o IMC, a CB e a CC em ambos os gêneros, e a RCQ para os participantes do sexo masculino apresentaram poder discriminatório satisfatório para predição do %GC elevado. De forma geral, os parâmetros antropométricos e de composição corporal não foram capazes de predizer alterações no perfil lipídico, com exceção do %GC, CB, CC e RCQ, que se apresentaram como bons preditores de alterações de triglicerídeos no gênero masculino (Tabela 3).

Na avaliação dos pontos de corte com maior acurácia, o %GC e a CC alcançaram a maior soma entre os valores de sensibilidade e especificidade para os pontos de corte de 18,99% e 63,2cm, respectivamente. Estes dois indicadores apresentaram melhor eficácia para identificar triglicerídeos nos meninos, com menor quantidade de falsos-positivos e falsos-negativos.

 

Discussão

Observou-se que 27,8% dos escolares apresentavam estado nutricional alterado, predominando o excesso de peso (20,1%). Este grupo etário tem acompanhado a transição nutricional que ocorreu no Brasil, ou seja, ao mesmo tempo em que mostra alterações relacionadas a carências nutricionais, também existem aquelas decorrentes do excesso de peso(20). Os resultados observados apontam para a necessidade de intervenção, visto que o excesso de peso encontrado na infância e na adolescência está correlacionado com fatores de risco para enfermidades nestas fases(21,22) e nas posteriores(23,24). Além disso, quando se inicia no começo da vida, tende a permanecer ou se agravar com o avançar da idade(25). Vale destacar também a prevalência de alteração no perfil lipídico observada entre as crianças deste estudo, bem como em análises realizadas em outras regiões brasileiras, por exemplo, Florianópolis, em Santa Catarina(4), e Belém, no Pará(7).

Esses resultados demonstram o quadro de elevado risco coronariano presente em uma faixa etária ainda muito jovem. Uma das possíveis explicações para o aumento na prevalência de dislipidemia em crianças pode ser a mudança no padrão alimentar e no nível de atividade física pela qual a população brasileira vem passando nos últimos anos(26). O estilo de vida atual privilegia o consumo de alimentos industrializados (por vezes mais gordurosos e mais pobres nutricionalmente), o consumo de lanches, a alimentação em restaurantes em detrimento da alimentação de casa, além de alimentos mais ricos em calorias e pobres em fibras. As facilidades da vida moderna, como elevadores e escadas rolantes, controle remoto, automóveis etc., e as novas formas de diversão experimentadas pelas crianças, como computadores e video games, estimulam o sedentarismo(6).

A dislipidemia é, classicamente, um dos principais fatores de risco para a aterosclerose, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, dentre outros eventos cerebrovasculares. Por isso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) preconiza que a prevenção e o tratamento devem ser iniciados ainda na infância(1), fase em que os eventos ateroscleróticos, embora silenciosamente, começam a se desenvolver(9).

Assim, o diagnóstico da dislipidemia na infância vem merecendo destaque devido à importância da detecção e do tratamento precoce desta doença. O que se observa na rotina de avaliação pediátrica, porém, é que os exames sanguíneos para a verificação do perfil lipídico não são solicitados, embora seja uma recomendação da SBC, quando a criança apresentar algum fator de risco(1). Cabe ressaltar que, neste estudo, fatores de risco clássicos para a dislipidemia em adultos, como o elevado percentual de gordura corporal, sobrepeso/obesidade e elevada circunferência da cintura, não se mostraram bons preditores da dislipidemia em crianças. Portanto, aquelas que não possuem fatores de risco para a doença podem apresentar alterações séricas dos lipídios e lipoproteínas e não ser diagnosticadas.

No presente estudo, o triglicerídeo foi a principal variável lipídica correlacionada com as variáveis antropométricas. De acordo com as análises de correlação, nas curvas ROC somente os triglicerídeos séricos no gênero masculino foram preditos pelas variáveis antropométricas, uma vez que o percentual de gordura corporal, a circunferência da cintura e do braço e a relação cintura/quadril apresentaram as maiores áreas abaixo da curva ROC para esse parâmetro lipídico.

É importante conhecer não apenas a massa gorda, mas também a distribuição da gordura. A gordura abdominal, além de ser um importante preditor de aumento dos níveis de triglicerídeos, está também relacionada à diminuição nos níveis de HDL e ao aumento da massa ventricular esquerda em crianças e adolescentes(27).

O ponto de corte de 18,99% para a gordura corporal sugerido neste estudo para predição de hipertrigliceridemia nos meninos está abaixo do valor de referência, ou seja, mesmo aqueles com %GC considerado adequado por Lohman(16) já poderiam apresentar alterações nos níveis séricos de triglicerídeos. No caso do ponto de corte da circunferência da cintura, nota-se estar muito próximo daquele sugerido para crianças de sete anos. No entanto, sabe-se que a CC em crianças aumenta gradativamente com a idade, ficando clara a necessidade de um ponto de corte ajustado à idade de forma a possibilitar a melhor predição dos níveis de triglicerídeos nos meninos.

As medidas antropométricas avaliadas neste estudo também foram estudadas como preditores dos níveis de lipídios séricos por outros autores, que obtiveram resultados semelhantes(28). Em crianças mais velhas e adolescentes, as associações entre medidas antropométricas e perfil lipídico já são mais evidentes(5,7,29), embora existam resultados contraditórios(6).

Devido à falta de concordância entre os estudos, a realização de outras pesquisas que avaliem a capacidade das medidas antropométricas para predizer o perfil lipídico de crianças torna-se necessária para que o diagnóstico desta desordem seja realizado o mais precocemente possível na vida, já que é sabido que cerca de 50% das crianças que apresentam valores de CT e LDL elevados permanecem deste modo por 10 a 15 anos (fenômeno de trilha/tracking)(30,31).

Ainda assim, este estudo mostrou que na faixa etária estudada não foi possível predizer a dislipidemia por medidas antropométricas e de composição corporal, especialmente no gênero feminino, com exceção de hipertrigliceridemia isolada, bem predita pelo %GC e CC nos meninos. É necessário que a investigação do perfil lipídico por meio de exames laboratoriais torne-se rotina para esta faixa etária, em vista da prevalência de alterações de lipídios séricos observadas neste estudo e de suas graves consequências para a Saúde Pública.

 

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Endereço para correspondência:
Lorena Barbosa
Travessa Vista Alegre, 105, apto. 5 - Centro
CEP 78600-000 - Barra do Garças/MT
E-mail: lorenanutricao@gmail.com

Recebido em: 16/1/2012
Aprovado em: 26/5/2012

Fonte financiadora: Prefeitura Municipal de Diamantina, MG, Brasil
Conflito de interesse: nada a declarar

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