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Revista Paulista de Pediatria

Print version ISSN 0103-0582

Rev. paul. pediatr. vol.30 no.4 São Paulo Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822012000400020 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Efeito do treinamento físico na pressão arterial de adolescentes com obesidade

 

 

Breno Quintella FarahI; Mariana de Freitas BerenguerII; Wagner Luiz do PradoIII; Crivaldo Gomes C. JúniorIV; Raphael Mendes R. DiasV

Instituição:Escola Superior de Educação Física da Universidade de Pernambuco (ESEF/UPE), Recife, PE, Brasil
IMestrando em Hebiatria pela UPE, Recife, PE, Brasil
IIGraduação em Bacharelado em Educação Física pela UPE, Recife, PE, Brasil
IIIDoutor em Nutrição pela Universidade Estadual de São Paulo "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp); Professor Adjunto da UPE, Recife, PE, Brasil
IVDoutor em Educação Física pela Universidade de São Paulo (USP); Docente do Curso de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, PR, Brasil
VDoutor em Saúde Pública pela USP; Professor Adjunto da UPE, Recife, PE, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever, por meio de uma revisão sistemática, os efeitos do treinamento físico sobre a pressão arterial em adolescentes com obesidade.
FONTES DE DADOS: Recorreu-se à revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados que analisaram o efeito do treinamento físico sobre a pressão arterial de adolescentes obesos, publicados em periódicos indexados nas bases de dados PubMed/Medline, Lilacs, SciELO e ISI Web of KnowledgeSM. Foram incluídos os estudos que avaliaram adolescentes publicados até 2010, e que possuíam Grupo Controle.
SÍNTESE DOS DADOS: Oito estudos atenderam aos critérios de inclusão. Dois deles utilizaram exercícios de força combinados com aeróbios, enquanto seis empregaram apenas os aeróbios. Cinco estudos utilizaram intervenções complementares, sendo a nutricional a mais frequente. Quatro estudos observaram redução da pressão arterial sistólica no Grupo Exercício comparado ao Controle. Nesses quatro estudos, além da redução da pressão arterial, notou-se diminuição da massa corpórea. Todos aqueles que verificaram redução da pressão arterial utilizaram 12 a 24 semanas de exercícios aeróbios, três a seis sessões semanais, com duração de 50 a 90 minutos e intensidade entre 55 e 75% da frequência cardíaca máxima.
CONCLUSÕES: O efeito do treinamento físico na pressão arterial de adolescentes obesos é controverso. A redução da pressão arterial parece ocorrer com programas de treinamento aeróbios que promovam também a redução da massa corpórea.

Palavras-chave: adolescentes; obesidade; pressão arterial; exercício.


 

 

Introdução

A obesidade é uma das doenças mais prevalentes em adolescentes(1), variando, no Brasil, entre 6 e 22%, a depender da região(2-5). A hipertensão arterial, principal fator de risco cardiovascular, é também altamente prevalente em adolescentes, principalmente nos obesos(6-13). De fato, em estudo recente(9) observou-se que a prevalência de hipertensão arterial é seis vezes maior em adolescentes obesos comparados aos eutróficos. Dessa forma, o tratamento desses adolescentes deve contemplar tanto o controle ponderal(14-16) como a redução dos níveis de pressão arterial(10,17-22).

O treinamento físico é considerado parte importante no tratamento dos adolescentes obesos. Diversos estudos demonstram que aqueles submetidos a programas de treinamento físico sistematizados apresentam melhoria na aptidão física(23), na composição corporal(14) e na redução dos marcadores inflamatórios(24,25). Em contrapartida, os efeitos do treinamento físico nos níveis de pressão arterial desses indivíduos ainda é controverso(20-22,26-32). Enquanto alguns estudos observaram diminuição(19,28,30,31) da pressão arterial sistólica, outros notaram sua manutenção(20-22,29) após um programa de treinamento. São controversos também os resultados das pesquisas que analisaram os efeitos do treinamento físico na pressão arterial diastólica e média(19-22,28-31).

Diante desse quadro, faz-se necessário sintetizar os resultados referentes aos efeitos do treinamento físico na pressão arterial em adolescentes obesos, objetivando identificar os fatores relacionados às divergências encontradas. Assim, o objetivo do presente estudo foi descrever, por meio de uma revisão sistemática da literatura, os efeitos do treinamento físico sobre a pressão arterial em adolescentes obesos.

 

Método

O desfecho principal dessa revisão foi a alteração na pressão arterial após um programa de treinamento físico em adolescentes obesos. Dessa forma, realizou-se uma revisão sistemática de estudos originais publicados em periódicos indexados nas bases de dados eletrônicas PubMed/Medline (National Library of Medicine - NLM), Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online) e ISI Web of knowledgeSM, que continham análises referentes ao efeito do treinamento físico sobre a pressão arterial em adolescentes obesos.

Os descritores utilizados na pesquisa eletrônica foram definidos mediante consulta ao Medical Subject Headings (MeSH), no portal da NLM, e aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), por meio do portal da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os descritores foram separados em quatro blocos, e, posteriormente, combinados, conforme exibido na Figura 1.

A busca eletrônica nas bases de dados foi realizada com a combinação dos descritores e a aplicação dos limites, sendo incluídos os estudos que avaliaram indivíduos com idades entre 10 e18 anos, foram publicados até 2010, realizados com seres humanos, eram ensaios clínicos randomizados e possuíam Grupo Controle.

A partir da pesquisa inicial foi feita a leitura dos títulos e dos resumos das publicações. Com base nisso, foram incluídos os estudos que preencheram as seguintes características: a amostra era composta por adolescentes obesos, independentemente do fato de os artigos abrangerem outras faixas etárias, a pressão arterial foi aferida e incluíam Grupo Controle sem exercício.

Na etapa subsequente, realizou-se a leitura dos artigos na íntegra e a extração dos dados. Nessa etapa, foram extraídos os dados que poderiam interferir no desfecho analisado, tais como a característica da amostra, a massa corpórea, o protocolo de exercício e as intervenções complementares. Além disso, foi feita a análise da qualidade dos estudos por meio da escala PEDro(33), que é composta por 11 questões, sendo atribuídas notas que variam de zero (mínima) a dez (máxima).

Todas as etapas (busca eletrônica nas bases de dados, seleção e avaliação dos artigos potenciais, extração dos dados dos estudos e análise da qualidade dos estudos) foram realizadas por dois pesquisadores independentes. Os resultados de cada etapa foram comparados por um terceiro avaliador a fim de verificar a concordância entre os pares. Na eventualidade de divergências, um terceiro pesquisador foi responsável pela análise final.

 

Resultados

Foram identificados 106 artigos (Figura 2) na base de dados PubMed/Medline, 103 na Lilacs, 77 na ISI e nenhum na SciELO. Destes, apenas 15 investigaram os efeitos do treinamento físico nas variáveis cardiovasculares de adolescentes obesos(17-22,26-31,34-36). No entanto, quatro foram excluídos por não apresentarem Grupo Controle(26,27,35,36) e outros três por não analisarem os efeitos do treinamento físico na pressão arterial(17,18,34).

Na Tabela 1 estão descritas as características gerais dos estudos incluídos na revisão. Dos oito estudos, seis foram publicados a partir de 2000(19-22,28,29). O tamanho das amostras variou de 19 a 443 adolescentes, com idades entre 10 e 17 anos. A média do índice de massa corporal (IMC) variou de 29,2 a 34,4kg/m2. A análise da escala de PEDro revelou pontuação variando de quatro a sete.

Cinco estudos empregaram algum tipo de intervenção complementar(19,28-31), sendo a nutricional a mais frequente (Tabela 2). O tempo de treinamento variou de 8 a 48 semanas. Quanto aos protocolos de exercício, dois estudos utilizaram os de força combinados com aeróbios(21,22), enquanto seis utilizaram apenas exercícios aeróbios. Destes, três combinaram a caminhada com atividades desportivas(22,28,30). A maioria dos estudos utilizou três sessões semanais de exercício, as quais variavam de 40 a 90 minutos, com intensidade entre 55 e 95% da frequência cardíaca máxima.

Na Tabela 3 estão apresentados os resultados dos estudos quanto ao efeito do treinamento na pressão arterial. Quatro estudos observaram redução da pressão arterial sistólica no grupo treinamento comparado ao Controle(19,28-30), enquanto outros quatro não evidenciaram qualquer alteração(20-22,29). Dois estudos(29,30) observaram redução na pressão arterial diastólica, e um(30) mostrou diminuição da pressão arterial média no grupo treinamento comparado ao Controle. Os quatro estudos que indicaram redução da pressão arterial sistólica também verificaram diminuição na massa corpórea.

 

Discussão

Os principais resultados encontrados neste estudo foram: os efeitos do treinamento físico na pressão arterial de adolescentes obesos são controversos; a redução da pressão arterial com o treinamento físico parece ocorrer concomitantemente com a redução da massa corpórea; os estudos que observaram redução da pressão arterial com o treinamento físico utilizaram exercício aeróbio realizado de três a seis sessões semanais, com duração de 50 a 90 minutos, intensidade entre 55 e 75% da frequência cardíaca máxima e tempo de treinamento variando de 12 a 24 semanas.

Para a presente revisão realizou-se pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed/Medline, Lilacs, ISI e SciELO, as quais representam as principais fontes de dados científicos originais na área das ciências da saúde. A partir da pesquisa realizada, evidenciou-se que artigos sobre a temática do presente estudo foram identificados apenas nas bases PubMed/Medline e ISI. Tais resultados ressaltam que as informações originais referentes aos efeitos do treinamento físico na pressão arterial de adolescentes obesos não são veiculadas na literatura latino-americana, de forma que os profissionais interessados em obter informações sobre essa temática devem necessariamente ter acesso a outras bases de dados, com conteúdo em língua inglesa.

Os resultados dos estudos que analisaram os efeitos do treinamento físico sobre a pressão arterial de adolescentes obesos revelaram grande controvérsia. Dos oito que avaliaram os efeitos do treinamento físico na pressão arterial sistólica, apenas quatro verificaram redução significante. Da mesma maneira, apenas uma parte dos estudos que investigaram os efeitos sobre a pressão arterial diastólica e média verificou diminuição dessas variáveis com o treinamento físico. Essa controvérsia parece estar relacionada às alterações na massa corpórea, decorrentes dos programas de treinamento físico. De fato, os estudos que verificaram redução da pressão arterial sistólica também observaram redução da massa corpórea e, em dois deles(30,31), as alterações nessas variáveis estavam correlacionadas.

A redução da pressão arterial mediada pela redução da massa corpórea pode ser explicada por fatores mecânicos (menor compressão mecânica do tecido gorduroso sobre os vasos sanguíneos), metabólicos (redução dos níveis de leptina(37) e resistência à insulina(38)), inflamatórios (redução dos agentes pró-inflamatórios(39)) e neurais (redução da atividade nervosa simpática(40)). Estes resultados demonstram a importância da redução da massa corpórea para a diminuição da pressão arterial, reforçando o valor da intervenção nutricional na terapêutica do adolescente obeso(41-43).

Com base na síntese das evidências deste estudo, foi possível identificar grande variabilidade nos protocolos de treinamento empregados, o que também pode ter contribuído para os resultados controversos encontrados. Dos oito estudos incluídos, cinco utilizaram apenas o exercício aeróbio, enquanto dois utilizaram-no junto com os exercícios de força; somente um aplicou o treinamento aeróbio intervalado. A intensidade variou de 55 a 95% da frequência cardíaca máxima e a duração de cada sessão variou de 40 a 90 minutos. A redução da pressão arterial mediada pelo treinamento físico tem sido atribuída a uma série de fatores, tais como: melhoria na função endotelial(21), redução do tônus simpático cardíaco(44-46), aumento da sensibilidade dos reflexos cardiovasculares(47) e diminuição dos níveis de leptina(48-50), entre outros. Todavia, esses fatores parecem ser menos importantes para a diminuição da pressão arterial do que para a diminuição da massa corpórea, uma vez que nem todos os estudos que realizaram treinamento físico observaram diminuição no nível de pressão.

Na análise dos protocolos dos estudos que verificaram redução da pressão arterial, é possível notar alguns pontos em comum: todos utilizaram o exercício aeróbio com, no mínimo, três sessões por semana, durando entre 50 e 90 minutos e com intensidade variando de 55 a 75% da frequência cardíaca máxima. Além disso, não foi observada diferença na pressão arterial em estudos com treinamento inferior a 12 semanas. Nesse sentido, programas de treinamento físico que tenham por objetivo a redução da pressão arterial de adolescentes obesos devem se basear nesses protocolos de treino.

O presente estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas. A pesquisa bibliográfica foi realizada apenas em periódicos indexados nas bases de dados eletrônicas PubMed/Medline, Lilacs e ISI. Dessa forma, é possível que alguns estudos sobre esta temática não tenham sido incluídos. Contudo, vale ressaltar que as bases de dados utilizadas no presente estudo são as mais consultadas para pesquisa bibliográfica de manuscritos em línguas portuguesa e inglesa. Ademais, a pesquisa bibliográfica deste estudo não incluiu os bancos de dados de teses e dissertações, motivo pelo qual o número de estudos também pode ter sido limitado. A investigação foi realizada utilizando apenas descritores em português ou inglês, portanto, estudos existentes em outros idiomas não foram incluídos.

Os resultados desta revisão indicaram que não há um consenso na literatura sobre os efeitos cardiovasculares do treinamento físico na pressão arterial de adolescentes obesos. Não obstante, foi possível identificar que os estudos que observaram redução na pressão arterial também verificaram diminuição da massa corporal, possuindo, como protocolo de exercício aeróbio, a realização de três a seis sessões semanais, com duração de 50 a 90 minutos, intensidade entre 55 e 75% da frequência cardíaca máxima e tempo de treinamento variando de 12 a 24 semanas. Apesar desses resultados, deve-se levar em consideração que o treinamento físico bem planejado deve ser estimulado para essa população, independentemente da resposta da pressão arterial, tendo em vista os demais benefícios associados a esse treinamento na diminuição do risco cardiovascular.

 

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Endereço para correspondência:
Raphael Mendes R. Dias
Rua Arnobio Marques, 310
CEP 50100-130 - Recife/PE
E-mail: raphaelritti@gmail.com

Recebido em: 30/10/2011
Aprovado em: 27/2/2012

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