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Revista Paulista de Pediatria

Print version ISSN 0103-0582

Rev. paul. pediatr. vol.33 no.1 São Paulo May 2015

 

Press Release

Introdução de refrigerantes e sucos industrializados na dieta de lactentes que frequentam creches públicas

Giovana Longo-Silva


Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em São Paulo (SP), publicaram recentemente um estudo na Revista Paulista de Pediatria de março de 2015, que analisou a introdução de refrigerante e sucos industrializados na dieta de lactentes em berçários de creches públicas.

No estudo, os autores ressaltam que padrões alimentares saudáveis iniciados na infância não só trazem benefícios imediatos à saúde, mas também influenciam as práticas e preferências futuras e associam-se à proteção da saúde na vida adulta. Por isso, recomenda-se, como medida de saúde pública, o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, seguido da introdução de alimentos complementares, com manutenção do leite materno até os dois anos de idade ou mais, além de não incentivar a oferta de alimentos industrializados, nos primeiros anos de vida. No que se refere aos alimentos líquidos, especificamente bebidas artificias – como refrigerantes e sucos industrializados – os autores destacam que, além dos prejuízos imediatos decorrente do consumo dessas bebidas como comprometimento da ingestão de leite materno e outros alimentos saudáveis e da adequação nutricional de micronutrientes, a sua manutenção na dieta habitual pode ter impacto em médio e longo prazo no incremento do sobrepeso, obesidade e doenças crônicas associadas. Nesse sentido, o objetivo do estudo foi identificar a idade de introdução de refrigerante e sucos industrializados na dieta de lactentes matriculados em berçários de creches públicas e comparar as composições nutricionais dessas bebidas com as do suco de fruta natural.

Foi realizado um estudo observacional em sete creches públicas da Coordenadoria de Educação do bairro de Santo Amaro, em São Paulo (SP), totalizando 636 crianças, de ambos os sexos, com faixa etária entre quatro e 38 meses. A primeira observação foi realizada no segundo semestre de 2007, e a segunda no segundo semestre de 2010.

“Embora, na atualidade, o consumo de bebidas artificiais esteja em ascensão de forma generalizada, creio que os resultados são de relevância para a sociedade. Nossa pesquisa revelou que as mães introduzem sucos industrializados e refrigerantes muito precocemente na dieta das crianças. Tais bebidas trazem prejuízos à saúde e não deveriam ser oferecidas nos primeiros anos de vida. No entanto, foram consumidos antes do primeiro ano de vida por mais da metade das crianças estudadas, sendo que cerca de 10% o consumiram antes dos seis meses”, alerta Giovana Longo- Silva, uma das autoras do estudo. Segundo Giovana, quando comparadas à composição do suco de laranja natural, estas bebidas forneceram quantidades de 9 a 13 vezes superiores de sódio e 15 vezes inferiores de vitamina C.

“A pesquisa não é inovadora, mas revela dados interessantes não só à comunidade científica, mas aos profissionais de saúde, educadores e pais, no sentido de alertá-los para a tendência de consumo alimentar atual, auxiliando inclusive na formulação de intervenções e ações no contexto da saúde pública que objetivem combater este novo padrão alimentar que contribui para ocorrência cada vez mais precoce de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas”, ressalta Giovana. “Deve-se acrescentar que as crianças são atendidas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar no contexto das creches, o qual traz uma série de normas para estabelecer hábitos saudáveis. No entanto, há necessidade de comunicação com os pais no sentido de orientá-los para manutenção e extensão da alimentação saudável no contexto domiciliar”, finaliza a autora.

Giovana Longo-Silva Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, AL, Brasil E-mail: giovana_longo@yahoo.com.br

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