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vol.36 número1RASTREAMENTO DE PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL EM CRIANÇAS PRÉ-ESCOLARES NO CONTEXTO DA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDERIZOTOMIA DORSAL SELETIVA NA PARALISIA CEREBRAL: CRITÉRIOS DE INDICAÇÃO E PROTOCOLOS DE REABILITAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PÓS-OPERATÓRIA índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
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Revista Paulista de Pediatria

versão impressa ISSN 0103-0582versão On-line ISSN 1984-0462

Rev. paul. pediatr. vol.36 no.1 São Paulo jan./mar. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1984-0462/;2018;36;1;00010 

ARTIGOS DE REVISÃO

CONSUMO DE BEBIDAS AÇUCARADAS, LEITE E SUA ASSOCIAÇÃO COM O ÍNDICE DE MASSA CORPORAL NA ADOLESCÊNCIA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Ana Carolina Corrêa Caféa  * 

Carlos Alexandre de Oliveira Lopesa 

Rommel Larcher Rachid Novaisa 

Wendell Costa Bilaa 

Daniely Karoline da Silvaa 

Márcia Christina Caetano Romanoa 

Joel Alves Lamouniera 

aUniversidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Divinópolis, MG, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

Sistematizar as referências da literatura relacionadas à associação entre consumo de bebidas açucaradas não alcoólicas, leite e índice de massa corporal (IMC) em adolescentes.

Fontes de dados:

Realizou-se a pesquisa dos artigos nos portais PubMed (US National Library of Medicine National Institutes of Health) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). Os descritores foram: adolescente, adulto jovem, bebidas, ingestão de líquidos, obesidade, sobrepeso, IMC e estado nutricional. Utilizaram-se os filtros: idade entre 10 e 19 anos e artigos em português e inglês, publicados entre 2011 e 2015.

Síntese dos dados:

Trinta estudos foram selecionados (22 transversais, 4 coortes, 1 ensaio clínico aleatório, 1 caso-controle e 1 quase experimental). Dos 20 estudos que abordaram bebidas açucaradas em geral, 55% encontraram associação entre consumo e aumento do IMC. Em relação aos estudos sobre a ingestão de refrigerantes, todos apresentaram associação entre consumo e aumento do IMC. Dos estudos sobre leite, somente um demonstrou associação entre consumo e aumento do IMC. Três artigos mostraram proteção entre consumo de leite e aumento do IMC, e três trabalhos não encontraram associação de seu consumo com aumento do IMC. Dezenove estudos possuíam amostras representativas e outros 20 declararam ter amostras aleatórias. Dos artigos com questionários, 84% eram validados.

Conclusões:

Verifica-se que não há consenso na literatura pesquisada sobre a associação entre consumo de bebidas açucaradas não alcoólicas, leite e IMC de adolescentes.

Palavras-chave: Adolescente; Bebidas; Obesidade; Índice de massa corporal

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, mudanças no padrão alimentar e nutricional ocorreram no mundo, inclusive no Brasil, resultando no aumento da obesidade e na redução da desnutrição. O fenômeno da transição epidemiológica e nutricional acomete crianças e adolescentes.1 Entre os fatores relacionados, mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares têm importante papel. Observa-se, entre outros alimentos e bebidas consumidas pela população, maior consumo de bebidas não alcoólicas açucaradas. Simultaneamente, ocorre redução no consumo de leite e derivados, principalmente em adolescentes.2,3,4,5

Entre as causas ambientais da obesidade na adolescência, destacam-se mudanças no padrão nutricional, motivadas por transformações políticas e econômicas, ocorridas em todas as nações. A forte tendência para o consumo de alimentos e bebidas processados e ultraprocessados é geral. Destaque especial deve ser dado ao elevado consumo de bebidas açucaradas. Na literatura internacional, artigos sobre o tema englobam na categoria sugar-sweetened beverage (SSB) refrigerantes, sucos adoçados, suco em pó, suco de caixinha, bebidas esportivas, águas, chás adoçados e bebidas energéticas.6,7 O consumo em excesso dessas bebidas é um dos principais contribuintes para a epidemia da obesidade no Brasil e no mundo.2,3,5,8

Nesse cenário de mudanças, verifica-se, nos domicílios nacionais, que o consumo de refrigerantes aumentou 400% de 1975 a 2003 e 16% de 2003 a 2009.4 Essa elevação considerável é alarmante diante das evidências de que esteja associada à maior ingestão de calorias e ao ganho excessivo de peso em adolescentes.8 Já em relação ao consumo de leite, houve redução de 40% entre 1975 e 2003 e de 10% entre 2003 e 2009.4

Uma provável explicação para as bebidas açucaradas aumentarem o IMC é o fato de a ingestão de hidratos de carbono líquido causar menos saciedade em comparação à de hidratos de carbono sólido, o que leva ao aumento do total da energia consumida.9 Em relação ao leite e aos produtos lácteos, vários estudos na literatura sugerem que esses alimentos, nas versões integrais, são protetores contra a obesidade, fato explicado pela influência de mecanismos de ação da proteína, do cálcio e das vitaminas lipossolúveis, e por causarem maior saciedade.10,11,12,13

O adolescente recebe influência da escola, dos amigos e da mídia, os quais interferem diretamente na formação de seus hábitos alimentares.14 Inadequações alimentares nessa idade podem determinar a evolução da puberdade, o atraso e até a interrupção da taxa de crescimento.15 Nessa etapa da vida, os adolescentes passam a ter mais autonomia, decidindo o que, quando e como comer. A alimentação fora de casa vem acompanhada de modificações. O consumo de lanches em detrimento das refeições principais, a omissão do café da manhã e o baixo consumo de frutas, legumes, verduras, leite e derivados podem trazer consequências como a inadequação na ingestão de cálcio, fibras e água.16

A força da mídia e a valorização social dos alimentos ultraprocessados, hoje acessíveis a grande parte da população, estimulam o consumo de produtos densamente calóricos.17 Entre a vasta oferta de alimentos, o tema bebidas foi escolhido para o presente estudo por sua presença constante em discussões na literatura e na mídia atuais.18,19,20,21 Empresas brasileiras de bebidas não alcoólicas decidiram, em consenso, não fazer mais propaganda de refrigerantes e sucos artificiais para crianças de até 12 anos.19 Além disso, discute-se o fim da comercialização dessas bebidas nas escolas do país.18 Segundo essas empresas, o fim da publicidade para essa faixa etária apresenta-se como tendência global, inspirada em exemplos de outros países.19 No Brasil, projetos de lei sobre o assunto, como os de n.o 4.910/2016 e 1.755/2007, estão em tramitação.22 Pesquisas de mercado demonstram que haverá queda no consumo de bebidas como refrigerantes no futuro, e as companhias parecem se preparar mercadologicamente para isso.18

O tema bebidas açucaradas está em ascendência nas pesquisas estrangeiras, mas ainda é pouco abordado no Brasil. Apesar da vasta literatura internacional, ainda não há consenso sobre a relação do consumo de bebidas açucaradas não alcóolicas e leite com a obesidade em adolescentes. O objetivo deste estudo foi sistematizar as referências da literatura relacionadas à associação entre o consumo de bebidas açucaradas não alcoólicas e leite e o IMC em adolescentes. A presente investigação poderá apoiar a prática clínica de profissionais da área da saúde pediátrica e colaborar com investigações futuras, com o diferencial de ser uma revisão sistemática que avalia se o questionário aplicado sobre o consumo das bebidas foi validado ou não e analisa o nível de evidência conforme o tipo de estudo, a aleatoriedade e a representatividade da amostra dos estudos selecionados.

MÉTODO

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura. A pesquisa dos artigos relevantes foi realizada em julho de 2015, nas bases de dados Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online) e Ibecs (Índice Bibliográfico Espanhol de Ciências da Saúde). Utilizaram-se os portais PubMed (US National Library of Medicine National Institutes of Health) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). Os descritores integram a lista de Descritores em Ciências da Saúde (DeCs) e da Medical Subject Headings (MeSH). Os operadores booleanos foram or e and. Realizaram-se as seguintes combinações em português: (adolescente OR adulto jovem) AND (bebidas OR ingestão de líquidos) AND (obesidade OR sobrepeso) AND (índice de massa corporal OR estado nutricional); e em inglês: (adolescent OR young adult) AND (beverages OR drinking) AND (obesity OR overweight) AND (body mass index OR nutritional status). Posteriormente, utilizaram-se os filtros: faixa etária entre 10 e 19 anos, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS); e artigos publicados em português e inglês entre 1.o de janeiro de 2011 e 31 de julho de 2015, sendo esta a data da última busca realizada.

Avaliaram-se publicações selecionadas crítica e independentemente por dois autores. As dúvidas sobre a seleção dos artigos foram avaliadas e consensuadas entre os pesquisadores até se obter concordância. Para classificar o nível de evidência dos artigos, foi utilizada a categorização da Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ) de 2016,23 segundo a qual o nível 1 é considerado o de maior força de evidência, no qual são incluídas as metanálises de múltiplos estudos controlados. Projetos individuais com desenho experimental, como os ensaios clínicos aleatórios, são considerados de nível 2. Estudos de coorte, caso-controle e quase experimentais, como estudos não randomizados, são classificados como nível 3. Estudos com desenho não experimental, como os transversais, recebem o nível de evidência 4. Relatórios de caso são considerados nível 5, e opiniões de autoridades respeitáveis baseadas na competência clínica ou opinião de comitês de especialistas e interpretações de informações não baseadas em pesquisas estão no nível 6.23

A estratégia de busca dos trabalhos incluídos na presente revisão foi conduzida conforme proposta apresentada pelo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses, 2009), de acordo com os critérios de elegibilidade do PICOS (participantes, intervenção, comparação, outcomes - resultados - e study design - desenho de estudo).24 Considerando a pergunta norteadora - “Há associação entre o consumo de bebidas açucaradas não alcoólicas e leite e o IMC em adolescentes?” -, os critérios PICOS foram: participantes de ambos os gêneros e com faixa etária entre 10 e 19 anos. A intervenção considerada foi o consumo de leite ou de bebidas não alcoólicas adoçadas com açúcar, tais como suco e refrigerante. Em relação à comparação, foi observado o consumo ou não da bebida em questão. A respeito dos resultados, analisou-se se o consumo da bebida estudada teve ou não associação com o aumento do IMC. Nos casos de associação, verificou-se se esta foi direta ou inversa. Na associação direta, o consumo das bebidas aumentou o IMC. Logo, na associação inversa, o consumo das bebidas reduziu o IMC. Dessa maneira, os estudos selecionados foram distribuídos em três tabelas, levando-se em consideração o desenho de estudo e seu nível de evidência.23

A Tabela 1 abrange os artigos com estudos do tipo transversal, exclusivamente sobre bebidas açucaradas. A Tabela 2 apresenta os artigos também transversais que abordam bebidas açucaradas e consumo de leite. Na Tabela 3 estão todos os artigos com outros desenhos de estudo.

Tabela 1: Estudos transversais (n=15) sobre o consumo de bebidas açucaradas e sua associação com o índice de massa corporal em adolescentes. 

Referência Tamanho amostral e faixa etária Inquérito alimentar e validação Associação do consumo da bebida com o índice de massa corporal
Al-Hazzaa et al., 201134 n=2.908 14 a 19 anos Questionário* Bebidas açucaradas: Associação inversa
Al-Hazzaa et al., 201210 n=2.906 14 a 19 anos Questionário* Bebidas açucaradas: Associação inversa
Danyliw et al., 201235 n=10.038 2 a 18 anos Recordatório 24h Refrigerante: Associação direta
Jia et al., 201236 n=702 11 a 15 anos Recordatório 24h Bebidas açucaradas: Associação direta
Liu et al., 201237 n=2.286 12 a 19 anos Recordatório 24h Bebidas açucaradas: Associação direta
Emandi et al., 201338 n=3.626 7 a 18 anos Questionário** Bebidas açucaradas: Associação direta
French et al., 201330 n=1.015 16 a 65 anos Questionário* Refrigerante: Associação direta
Sluyter et al., 201339 n=5.714 12 a 22 anos Questionário** Refrigerante: Associação direta
Wate et al., 201340 n=6.871 13 a 18 anos QFA* Bebidas açucaradas: Associação inversa
Chan et al., 201441 n=2.727 12 a 16 anos QFA** Bebidas açucaradas: Associação direta
Chan et al., 201442 n=200 12 a 16 anos QFA* Bebidas açucaradas: Associação direta
Mâsse et al., 201428 n=11.385 12 a 19 anos Questionário* Bebidas açucaradas: Associação direta
Nasreddine et al., 201427 n=868 6 a 19 anos Recordatório 24h Bebidas açucaradas: Associação direta
Schröder et al., 201412 n=1.149 10 a 18 anos Recordatório 24h Refrigerante: Associação direta
Vanderlee et al., 201431 n=10.188 13 a 18 anos Questionário* Bebidas açucaradas: Não houve associação

N: Tamanho amostral; QFA: Questionário de Frequência Alimentar; *Questionário validado; **Não citada a validação do questionário.

Tabela 2: Estudos transversais (n=7) que analisaram o consumo de leite e bebidas açucaradas e sua associação com o índice de massa corporal em adolescentes. 

Referência Tamanho amostral e faixa etária Inquérito alimentar e validação Associação do consumo da bebida com o índice de massa corporal
Abreu et al., 201443 n=1.209 15 a 18 anos QFA* Leite: Não houve associação
Gates et al., 201311 n=443 9 a 18 anos Recordatório 24h e questionário* Leite: Associação inversa
Liu et al., 201244 n=14.332 2 a 19 anos Recordatório 24h Leite: Associação direta Bebidas açucaradas: Associação direta
Fayet et al., 201345 n=4.487 2 a 16 anos Recordatório 24h Leite: Não houve associação
Albar et al., 201413 n=636 11 a 18 anos Diário alimentar Leite: Associação inversa Refrigerante: Associação direta
Beck et al., 201446 n=319 8 a 10 anos QFA* Leite: Associação inversa Refrigerante: Associação direta
Nassar et al., 201447 n=190 16 a 18 anos Questionário* Leite: Não houve associação Bebidas açucaradas: Não houve associação

N: Tamanho amostral; QFA: Questionário de Frequência Alimentar; *Questionário validado.

Tabela 3: Estudos tipo coorte, ensaio clínico aleatório, caso-controle e quase experimental (n=8) que avaliaram o consumo das bebidas e sua associação com o índice de massa corporal em adolescentes. 

Referência e delineamento do estudo Tamanho amostral e faixa etária Inquérito alimentar e validação Associação do consumo da bebida com o índice de massa corporal
Stoof et al., 201348 Coorte n=238 13 anos Recordatório 24h Bebidas açucaradas: Não houve associação
Ebbeling et al., 201249 Ensaio clínico aleatório n=224 14 a 16 anos QFA* Bebidas açucaradas: Não houve associação
Laska et al., 201232 Coorte n=723 11 a 17 anos Recordatório 24h Refrigerante diet: Associação direta
Rhee et al., 201250 Caso-controle n=2.045 18 a 86 anos QFA* Bebidas açucaradas: Associação direta
Ambrosini et al., 201351 Coorte n= 433 14 a 17 anos QFA* Bebidas açucaradas: Associação direta
Jensen et al., 201329 Quase experimental. n=1.465 4 a 18 anos Questionário* Bebidas açucaradas: Associação direta
Jensen et al., 201352 Coorte n=324 6,9 a 13,0 anos Diário alimentar Bebidas açucaradas: Não houve associação
Vericker, 201453 Coorte n=1.550 13 a 14 anos Questionário* Bebidas açucaradas: Não houve associação

N: Tamanho amostral; QFA: Questionário de Frequência Alimentar; *Questionário validado.

Para avaliar possíveis riscos de vieses entre os estudos, analisou-se o instrumento utilizado para mensurar o consumo das bebidas, podendo ser o recordatório de 24 horas, o questionário de frequência alimentar (QFA) ou outra ferramenta. No caso do questionário, averiguou-se se este era validado ou não. Ainda em relação aos instrumentos e à antropometria, observou-se o possível autorregistro dos dados ou se pesquisadores treinados colheram as informações. Para avaliar outros possíveis riscos de vieses em cada estudo, foi incluído no instrumento de extração dos dados dos artigos o item limitação, que analisou a limitação de cada artigo eleito para esta revisão de literatura.

RESULTADOS

A busca pelos descritores, conforme as combinações citadas, resultou na identificação inicial de 907 artigos. Na triagem, retiraram-se cinco artigos repetidos. Posteriormente ao uso dos filtros ou limites, foram excluídos 513 trabalhos, permanecendo elegíveis 389 artigos. Mediante a leitura dos títulos e resumos, aplicaram-se os seguintes critérios de exclusão em 353 artigos: gestantes, bebidas alcoólicas, relatos de caso e revisões de literatura. Foi realizada a leitura integral de 36 trabalhos elegíveis, dos quais 6 foram excluídos por não responderem à questão da pesquisa. Por fim, incluíram-se 30 estudos que respondiam à questão norteadora desta investigação (Figura 1).

Figura 1: Fluxograma da pesquisa: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos científicos na revisão sistemática, conforme PRISMA (2009). 

Os estudos apresentaram amostras que, somadas, incluíram 77.869 pessoas avaliadas. Os 30 artigos eleitos apresentaram amostras internacionais. Não foi encontrado artigo nacional que avaliasse o tema em questão dentro dos critérios pré-definidos. Entre os selecionados, 22 artigos apresentaram delineamento transversal e foram caracterizados como nível 4 de evidência, correspondendo a 73,3% do total. Cinco trabalhos eram de coorte; um, caso-controle; e um, quase experimental: estes foram de nível 3 e representaram 23,3% do total. Um estudo era do tipo ensaio clínico aleatório e foi classificado como nível 2 de evidência. Os 30 artigos relevantes foram divididos em três tabelas. Na Tabela 1 constam 15 artigos com delineamento transversal, dos quais 11 abordaram bebidas açucaradas em geral, como refrigerantes, diversos tipos de suco, chás e bebidas esportivas, e 4, investigaram somente refrigerante. A Tabela 2 apresenta sete artigos, também transversais, que abordaram bebidas açucaradas e consumo de leite. Na Tabela 3 estão oito artigos com estudos de coorte, ensaio clínico aleatório, caso-controle e quase experimental.

Entre os estudos avaliados, 22 (73,3%) identificaram associação do consumo das bebidas com aumento do IMC. Nos 30 artigos, 34 bebidas foram avaliadas, pois em 4 artigos pesquisaram-se 2 tipos de bebida no mesmo estudo, por exemplo, leite e bebidas açucaradas. Na análise das 34 bebidas, para 19 delas (56%) identificou-se associação direta, isto é, aumento do IMC; em 6 houve associação inversa, com redução do IMC; e em 8 estudos (26,7%) com nove bebidas, não houve associação entre consumo e IMC.

Dos 30 artigos selecionados para a revisão, 18 (60,0%) estudaram a relação entre bebidas açucaradas em geral e IMC; 5 (16,7%), somente a ingestão de refrigerante; 3 (10,0%), apenas a ingestão de leite; 2 (6,7%), a associação de refrigerante e leite com IMC; e 2 (6,7%), a relação do consumo de bebidas açucaradas em geral e leite com o IMC. Entre os estudos, houve 20 abordagens sobre bebidas açucaradas; 7, exclusivamente sobre refrigerante e 7, sobre leite.

Entre os 20 estudos (66,7%) que abordaram bebidas açucaradas em geral, 55% encontraram associação entre consumo e aumento do IMC. Em relação aos 7 estudos sobre refrigerantes, 100% apresentaram associação entre ingestão e aumento do IMC, sendo que um deles considerou o refrigerante em sua versão diet. Por último, em relação aos sete estudos sobre leite, somente um (14,3%) mostrou associação entre consumo e aumento do IMC, enquanto três (42,8%) apresentaram proteção do consumo de leite e aumento do IMC e três não encontraram associação do consumo com o aumento ou a redução do IMC.

Em relação aos estudos nível 4 de evidência, tipo transversal, nos quais foi encontrada associação positiva entre consumo e IMC, oito (57,1%) eram referentes à ingestão de bebidas açucaradas em geral; seis (42,8%) estavam relacionados somente à ingestão de refrigerante; e um (7,1%) fazia referência ao consumo de leite. Entre os estudos nível 3 de evidência, nos quais foi identificada associação entre consumo e aumento do IMC, 75% eram relacionados à ingestão de bebidas açucaradas em geral. Em 42,9% dos estudos nível 3 não houve associação do consumo de bebidas açucaradas com o IMC. Apenas um artigo desta revisão foi um ensaio clínico aleatório, no qual o consumo de bebidas açucaradas não se associou ao IMC.

DISCUSSÃO

Em primeiro lugar, foi observada a escassez de artigos nacionais sobre o tema. Enfatiza-se que pesquisas sobre a temática são fundamentais para discutir a associação do IMC com o consumo dessas bebidas.

A maioria dos estudos foi do tipo transversal (73,3%), caracterizados como nível 4 de evidência científica. Assim, deve-se estimular o desenvolvimento de outros tipos de estudo que favoreçam a identificação dos fatores de risco para o aumento do IMC em adolescentes.12 Apesar do menor número de estudos que não apontaram associação entre o consumo das bebidas e o aumento do IMC, 50% desses eram publicações de nível 3 ou 2, dos quais um era um ensaio clínico aleatório, com elevada força de evidência científica, e três, estudos de coorte (37,5%).23 Portanto, necessita-se de mais estudos sobre bebidas e IMC para apontar uma conclusão robusta. Na revisão sistemática de Malik et al., são apresentadas evidências de que deixar de consumir bebidas açucaradas permite controlar e diminuir os indicadores de adiposidade.25 Em outra revisão sistemática, publicada em 2013, apontaram-se indícios para estabelecer uma associação positiva entre consumo de bebidas açucaradas e aumento do IMC. Na mesma revisão, porém, um dos três artigos selecionados não encontrou associação significativa entre IMC e consumo.26

Em relação à estratificação das bebidas, o grupo bebidas açucaradas obteve o maior número de publicações (66,7%). Há um obstáculo para identificar as bebidas analisadas, pois a expressão bebidas açucaradas envolve uma variedade de produtos, dificultando a estratificação e a retirada de conclusões a respeito de cada bebida. Embora houvesse maior número de artigos no grupo bebidas açucaradas, o refrigerante, quando analisado isoladamente, foi a bebida com maior associação (100%) entre consumo e aumento do IMC, o que constitui um alerta para aos prejuízos de sua ingestão.

Após a avaliação dos estudos, percebe-se que, para mensurar o consumo de bebidas, utilizaram-se frequentemente questionários gerais e de frequência alimentar (60,0%) e recordatório alimentar (30%). Dois artigos (7,0%) utilizaram o diário alimentar e um aplicou o QFA concomitantemente ao recordatório de 24 horas, o que fortalece o conhecimento sobre o hábito alimentar. Vale ressaltar os pontos negativos desses instrumentos de coleta: no recordatório alimentar de 24 horas, há subnotificação por depender de memória e pela dificuldade de estimar o tamanho das porções, não representando a variabilidade da ingestão alimentar do dia a dia.11,27 Sobre os questionários, constatou-se, em alguns, a falta de informação sobre sua validação. Dos 19 artigos com questionários e QFA, 84% eram validados. Para o recordatório de 24 horas e o diário alimentar não é necessária validação, apenas a anotação pelo pesquisador ou participante de todos os alimentos e bebidas consumidas.

Verificou-se também se o questionário foi autoaplicado ou administrado por pesquisadores treinados. Do total de questionários, constatou-se que 26% foram autorrespondidos pelos adolescentes. A autorresposta pode induzir a erros que tendem a mascarar ou atenuar associações existentes.28 Ademais, em dois artigos o questionário foi aplicado por ligação telefônica. Sabe-se que questões respondidas por telefone podem ter viés de memória, sub-registro e desejabilidade social.29,30 Em outros, foi aplicado recordatório de forma presencial. O instrumento de extração de dados, quando administrado por pesquisadores treinados, é uma medida de controle de qualidade.27 No estudo de Albar et al., o diário alimentar foi realizado por mais de quatro dias consecutivos, durante os quais um pesquisador treinado visitou cada participante três vezes em casa. Esse tipo de inquérito permite averiguar maior variabilidade alimentar. A visita do pesquisador treinado possibilita revisar o diário, lidar com problemas, editar possíveis falhas - como omissões - e incluir detalhes.13

Em relação à coleta de informações para obtenção do IMC, também houve variação. Em alguns trabalhos, o peso e a altura foram obtidos por autorrelato,28,31 o que permite concluir a complexidade em obter conclusões consistentes, tendo em vista a tendência para superestimar a altura e subestimar o peso.11 Ademais, a abrangência dos instrumentos utilizados na coleta de dados dificulta a homogeneidade para a discussão dos resultados encontrados.

Em relação à representatividade da amostra e sua aleatoriedade, 19 (63,3%) dos estudos selecionados possuíam amostras representativas e 20 (66,7%) declararam ter amostras aleatórias. Assim, há dificuldade para julgar se os dados coletados nesse grupo de artigos eram representativos de uma população.32 A representatividade e a aleatoriedade das amostras são fundamentais, do ponto de vista estatístico, para extrapolar as informações coletadas para a população.33

As limitações deste estudo baseiam-se na complexidade da retirada de conclusões de artigos que, em sua maioria, não avaliam o seguimento do indivíduo, a variedade dos instrumentos de coleta e a forma de aplicação. Além disso, nota-se que alguns artigos não apresentam descrição da aleatoriedade e representatividade da amostra.

As potencialidades deste trabalho consistem na análise detalhada dos artigos selecionados, tanto no que tange à avaliação da relação entre o consumo de bebidas açucaradas e leite e o IMC de adolescentes, quanto à verificação dos estudos, especialmente dos instrumentos utilizados, da aleatoriedade e representatividade da amostra, da forma de aplicação dos inquéritos e da aferição das medidas antropométricas.

Pode-se concluir que não há consenso na literatura pesquisada sobre a associação entre o consumo de bebidas açucaradas não alcoólicas e leite e o IMC de adolescentes. O índice global de consumo de bebidas açucaradas não alcoólicas por adolescentes é alto, e estudos adicionais de acompanhamento devem ser implementados para elucidar seu efeito no IMC e na saúde em geral.

AGRADECIMENTOS

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

REFERÊNCIAS

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Financiamento: O estudo não recebeu financiamento.

Recebido: 23 de Novembro de 2016; Aceito: 04 de Abril de 2017

*Autor correspondente. E-mail: anacarolinacorreacafe@gmail.com.br (A.C.C. Café).

Conflito de interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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