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Revista Paulista de Pediatria

versão impressa ISSN 0103-0582versão On-line ISSN 1984-0462

Rev. paul. pediatr. vol.36 no.1 São Paulo jan./mar. 2018  Epub 15-Jan-2018

http://dx.doi.org/10.1590/1984-0462/;2018;36;1;00005 

Artigos de Revisão

RIZOTOMIA DORSAL SELETIVA NA PARALISIA CEREBRAL: CRITÉRIOS DE INDICAÇÃO E PROTOCOLOS DE REABILITAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PÓS-OPERATÓRIA

Renata D’Agostini Nicolini-Panissona  * 

Ana Paula Tedescob 

Maira Rech Folleb 

Márcio Vinicius Fagundes Donadioa 

aPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.

bInstituto de Neuro-Ortopedia, Caxias do Sul, RS, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

Identificar critérios de seleção para a rizotomia dorsal seletiva (RDS) na paralisia cerebral (PC), analisar os instrumentos de avaliação e descrever as características da fisioterapia nos protocolos pós-operatórios.

Fontes de dados:

Revisão do tipo integrativa nas bases de dados SciELO, PEDro, Cochrane Library e PubMed. Os termos em português e inglês “paralisia cerebral”, “rizotomia dorsal seletiva” e “fisioterapia” foram utilizados na busca. Os critérios de inclusão foram: artigos que arrolaram indivíduos com PC, que realizaram fisioterapia nos protocolos de RDS e que descreviam características desses protocolos. Foram excluídos artigos de revisão da literatura e não houve restrição de período de publicação.

Síntese dos dados:

Incluíram-se 18 estudos, sendo a maioria coortes prospectivas, com acompanhamento dos pacientes de oito meses a dez anos. Os instrumentos das avaliações contemplam, na maior parte dos trabalhos, os domínios de funções e estruturas corporais e atividade. O percentual de secção das raízes posteriores foi próximo a 50%. A principal indicação para a RDS incluiu deambuladores com diplegia espástica, que preenchiam os seguintes critérios: espasticidade que interfere com a mobilidade, boa força muscular de membros inferiores e tronco, sem deformidades ortopédicas, distonia, ataxia ou atetose e boa função cognitiva. A fisioterapia é parte integrante dos protocolos de tratamento com RDS, devendo ser intensiva, específica e enfatizada principalmente no primeiro ano.

Conclusões:

Os estudos salientam a importância da seleção adequada dos pacientes para o sucesso dos resultados. A fisioterapia é intensiva e de longa duração, devendo necessariamente ter estratégias para modificar o antigo padrão motor.

Palavras-chave: Espasticidade muscular; Rizotomia; Fisioterapia; Cuidados pós-operatórios; Paralisia cerebral

INTRODUÇÃO

A espasticidade é a principal característica clínica de pacientes com paralisia cerebral (PC) espástica e é considerada a causa mais importante de desconforto, anormalidades na marcha e limitações funcionais.1 Além disso, ela gera encurtamentos musculares que influenciam o crescimento ósseo e levam a deformidades. Seu controle, portanto, tem papel crucial no tratamento da PC.2

A rizotomia dorsal seletiva (RDS) é um procedimento neurocirúrgico utilizado em crianças com PC espástica bilateral com o objetivo de reduzir a espasticidade dos membros inferiores.3 A cirurgia é mais frequentemente realizada no nível lombossacral e baseia-se na interrupção do estímulo aferente do reflexo do estiramento monossináptico.3 A fim de preservar a função sensorial e de esfíncteres, a raiz dorsal é dividida em radículas separadas e apenas uma porção destas é seccionada.3

A RDS foi descrita inicialmente por Foerster em 1908, a partir da observação de que a secção de radículas dorsais (sensoriais) poderia diminuir a espasticidade; também foi observada fraqueza muscular significativa com perdas sensoriais e proprioceptivas após o procedimento.2 Dessa forma, Fasano, em 1978, introduziu a estimulação eletrofisiológica intraoperatória e a secção de uma porção de radículas dorsais, ambas utilizadas atualmente.2 A técnica foi adotada e popularizada por Peacock e Arens em 1980.2

Os resultados da RDS mostram redução da espasticidade, ganhos na força muscular, na velocidade e cinemática da marcha, além de melhora na função motora grossa.4,5,6Quando se comparam os resultados de pacientes submetidos à RDS e fisioterapia com aqueles que receberam apenas fisioterapia, existe redução significativa da espasticidade e melhora funcional no primeiro grupo.7,8 A fisioterapia específica tem papel fundamental no pós-operatório, sendo que, além de suas condutas formais, as primeiras semanas de pós-operatório requerem ainda cuidados em relação ao procedimento ósseo vertebral, laminectomia ou laminotomia.9,10

Os vários centros nos quais a RDS é realizada empregam protocolos especiais para o período pós-operatório. No Brasil, a técnica está começando a ser difundida e, devido às suas peculiaridades no tratamento pós-operatório, esta revisão dos protocolos descritos na literatura visa auxiliar os profissionais em um maior entendimento sobre o papel da fisioterapia na reabilitação. Assim, os objetivos deste estudo foram identificar os critérios de seleção para a RDS e descrever as características da fisioterapia nos protocolos pós-operatórios.

FONTES DE DADOS

Esta é uma revisão da literatura do tipo integrativa. Realizou-se a seleção das referências por pesquisa eletrônica, no mês de agosto de 2016, nas bases de dados SciELO, PEDro, Cochrane Library e PubMed. Os termos em português e inglês paralisia cerebral / cerebral palsy, rizotomia dorsal seletiva / dorsal selective rhizotomy e fisioterapia/ physical therapy foram utilizados na busca. Os títulos, resumos e, se necessário, o estudo na íntegra, foram revisados para determinar a sua inclusão ou exclusão, de acordo com o critério: artigos que incluíram indivíduos com PC, que realizaram fisioterapia nos protocolos de RDS e descreviam características desses protocolos. Não foram utilizados filtros nas buscas e não houve restrições de idade e período de publicação dos trabalhos. Foram excluídos os com delineamento de revisão da literatura. Ainda, a lista de referências dos selecionados foi analisada a fim de buscar outros manuscritos relevantes.

Após a seleção, realizou-se a sua leitura crítica, na qual as principais informações foram localizadas e apresentadas nas categorias:

  • Caracterização dos estudos incluídos.

  • Características das amostras dos estudos.

  • Critérios de seleção para a RDS.

  • Características dos protocolos de fisioterapia.

SÍNTESE DE DADOS

De acordo com os critérios preestabelecidos, foram selecionados 18 artigos para esta revisão. A Figura 1 apresenta o fluxograma de busca e seleção dos trabalhos.

Figura 1: Fluxograma da busca e seleção dos artigos. 

Caracterização dos estudos incluídos

A caracterização dos estudos incluídos nesta revisão está demonstrada na Tabela 1. Dos 18 estudos incluídos, cinco (27,8%) eram ensaios clínicos randomizados,6,8,11,12,13seis (33,3%) séries de casos (quatro prospectivas14,15,16,17e duas retrospectivas4,7) e sete (38,9%) estudos de coorte prospectiva.5,18,19,20,21,22,23O tamanho da amostra dos estudos variou de nove a 68 indivíduos, sendo a maioria distribuída em grupos de intervenção de RDS associados à fisioterapia4,5,6,7,8,11,13,14,16,17,18,19,21,22,23 ou apenas de fisioterapia.4,6,8,11 O período de acompanhamento dos pacientes variou de 8 meses15 a 10 anos.22,23 O fisioterapeuta, na maior parte dos trabalhos, realizou as avaliações pré e pós-operatórias.

Tabela 1: Caracterização dos estudos incluídos na revisão. 

Estudo Delineamento n Grupos Avaliações CIF
Graubert et al.6 ECR controlado cegado 32 RDS + FT FT Basal, 6, 12 e 24 meses FC/EC, A
Wright et al.12 Ensaio clínico randomizado 24 RDS + FT + TO FT + TO Basal, 6 e 12 meses FC/EC, A
McLaughlin et al.14 Série de casos prospectiva 34 RDS + FT Basal e ±12 meses (10 a 18) FC/EC, A
McLaughlin et al.11 ECR investigador cegado 38 RDS + FT FT Basal 6, 12 e 24 meses FC/EC, A
Josenby et al.22 Coorte prospectiva 29 RDS + FT Basal, 6, 12 e 18 meses; 3, 5 e 10 anos FC/EC, A
Chan et al.7 Série de casos retrospectiva 22 RDS + FT Basal, 2 semanas; 3, 6 e 12 meses FC/EC, A, P
Engsberg et al.18 Coorte prospectiva 22 RDS + FT Basal, 2 anos FC/EC, A
Engsberg et al.4 Série de casos retrospectiva 68 RDS + FT FT SD Basal, 8 e 20 meses FC/EC, A
Schie et al.16 Série de casos prospectiva 9 RDS + FT Pré-RDS: mensal (4 meses); Pós-RDS: bimensal (12 meses) FC/EC, A, P
Engsberg et al.17 Série de casos prospectiva 59 RDS + FT Basal, 8 e 24 meses FC/EC
Buckon et al.21 Coorte prospectiva 18 RDS + FT Basal, 6 e 12 meses FC/EC
Steinbok et al.13 Ensaio clínico randomizado 26 RDS + FT FT + RDS + FT Basal, 9 e 18 meses FC/EC, A
Engsberg et al.15 Série de casos prospectiva 25 RDS + FT + PEC FT + PEC Basal, 8 meses FC/EC, A
Hodgkinson et al.19 Coorte prospectiva 18 RDS + FT 3 meses (pré-RDS) e 1, 2 e 3 anos FC/EC, A
Dudgeon et al.20 Coorte prospectiva 29 RDS + TO + FT Basal, 6 e 12 meses FC/EC, A, P
Josenby et al.23 Coorte prospectiva 24 RDS + FT Basal, 6, 12 e 18 meses, e 3, 5 e 10 aos A, P e FP
Nordmark et al.5 Coorte prospectiva 35 RDS + FT Basal, 6, 12 e 18 meses, e 3 e 5 anos FC/EC, A, P
Steinbok et al.8 ECR investigador cegado 28 RDS + FT FT Basal, 3, 6 e 9 m FC/EC, A, P

n: tamanho amostral; RDS: rizotomia dorsal seletiva; FT: fisioterapia; SD: sem deficiência; TO: terapia ocupacional; PEC: programa de exercícios para casa; CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde; ECR: ensaio clínico randomizado; FC/EC: função e estrutura corporal; A: atividade; P: participação; FP: fatores pessoais.

Instrumentos de avaliação de acordo com os domínios da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

A avaliação dos pacientes candidatos à RDS deve ser o mais abrangente possível e conter elementos da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Um estudo7 utilizou a classificação quantitativa da CIF, e as demais, avaliações que contemplam os domínios da CIF conforme descrito a seguir.

A literatura é variável quanto aos itens a serem avaliados, sendo o domínio estrutura e função corporal da CIF considerado em todos os estudos, exceto um.23 Quanto aos instrumentos utilizados para a avaliação do domínio, estrutura e função corporal, os estudos incluíram: avaliação da espasticidade (por meio da escala de Ashworth,5,6,7,8,11,12,13,14,16,22 dos sinais clínicos da espasticidade,11,15 de avaliação quantitativa da espasticidade6,11,19 ou do dinamômetro isocinético4,17,18), avaliação da amplitude de movimento;5,6,7,8,11,12,13,14,15,19,22 de reflexos,12,14 da força muscular,4,8,13,15,17,18,19 do ângulo poplíteo,22 das deformidades musculoesqueléticas,14 com radiografias dos quadris e da coluna vertebral,7 avaliação da seletividade7 e avaliações de contração isométrica com eletromiografia.21

Apenas dois estudos17,21 não abordaram o domínio atividade nas suas mensurações, sendo que naqueles que mencionaram, os instrumentos utilizados foram: Gross Motor Function Measure (GMFM),4,5,6,7,8,11,12,14,16,18,22 estado de deambulação,6,8,11,14Gross Motor Classification System (GMFCS),5,7,22,23 análise tridimensional da marcha,4,6,7,12,18 análise observacional da marcha7,16 (Observacional Gait Score7, Edinburgh Visual Gait Score16), urodinâmica,7Peabody Fine Motors Scale,8 avaliação de autocuidados,8,20 distância de caminhada em 60 segundos12 e Physiological Cost Index.8

Seis estudos5,7,8,16,20,23 contemplaram o domínio participação com os seus instrumentos de avaliação, sendo os utilizados: Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI),5,7,16,20,23Canadian Occupational Performance Measure (COMP)7 e avaliação de autocuidados.8,20 A avaliação da RDS deve ser realizada por meio de protocolos abrangentes, com análise pós-operatória dos mesmos instrumentos, permitindo, assim, avaliação mais exata dos resultados, com melhor delineamento de conclusões.

Características da amostra dos estudos

A Tabela 2 apresenta as características da amostra dos estudos incluídos. Todos consideraram em suas amostras indivíduos com PC espástica. O estudo de Chan et al mencionou um participante com paraparesia espástica familiar, além dos 20 indivíduos com PC.7 Apesar de o diagnóstico de PC ser um dos critérios de inclusão da presente revisão, a RDS também pode ser realizada em pacientes com espasticidade devido a outros diagnósticos, como esclerose múltipla,24 síndrome de Leigh,25 acidente vascular cerebral,26 lesão medular24 e mielite transversa.27

Tabela 2: Características da amostra dos estudos incluídos. 

Estudo Idade Topografia GMFCS Nível de secção Percentual seccionado Tipo cirúrgico
Graubert et al.6 6,5 (3,3-14,5)* Diplegia - - - -
Wright et al.12 58,0±12,7 (41-91) meses Diplegia - L2-S2 50 Laminectomia parcial L2-L5
McLaughlin et al.14 QE: 7,2±3,4; DE: 8,9±3,9** Diplegia, quadriplegia - L2-S2 49 (29-60) Laminotomia T12-S2
McLaughlin et al.11 6,1±3,0 (2,9-14,3)* Diplegia - 34 (20-56) Laminectomia ou laminotomia
Josenby et al.22 4,3 (2,6-6,7) Diplegia I-V - - -
Chan et al.7 8,6±2,6 (5,9-11,2) Diplegia, quadriplegia I-IV L1-S2 49,7±2,2 Laminotomia articulada L2-S1
Engsberg et al.18 8,8±4,8 Diplegia I-III L1-S2 (60-65) Laminectomia L1
Engsberg et al.4 9,0±5,3* Diplegia I-III L1-S2 65 Laminectomia L1
Schie et al.16 65 (43-82) meses Diplegia II-III L2-S1 50 (31-68) Laminotomia L1-L5
Engsberg et al.17 8,5±4,4 (4-18)# Diplegia I-III L1-S2 - Laminectomia L1-L2
Buckon et al.21 63 (48-86) meses# Diplegia - L2-S1 42 (36-48) Laminoplastia L2-L5
Steinbok et al.13 (3-7) Diplegia - L2-S1 (33-62) Laminotomia L1-S1
Engsberg et al.15 9±4,2 (4-16)* Diplegia - L1-S2 (60-80) Laminectomia L2 e se necessário L1
Hodgkinson et al.19 9 (5,5-16,5) Quadriplegia - - 60 Laminotomia T12-L2
Dudgeon et al.20 8,1±4,1 (3,7-22) Diplegia, quadriplegia - L2-S1 42 -
Josenby et al.23 4,1 (2,5-6,4) Diplegia I-V L2-S2 40 Laminoplastia em bloco L1-L5
Nordmark et al.5 4,5±1,1 (2,5-6,6) Diplegia I-V L2-S2 40 Laminoplastia em bloco L1-L5
Steinbok et al.8 50 (35-75) meses# Diplegia I-IV L2-S2 45±5 Laminotomia L1-S1

Idade: média±desvio padrão (intervalo mínimo e máximo) apresentada em anos, a não ser que indicado de outra forma; *dados do grupo rizotomia dorsal seletiva + fisioterapia; #dados do grupo paralisia cerebral; **dados dos grupos QE: quadriplegia espástica e DE: diplegia espástica; GMFCS: Gross Motor Function Classification System; percentual seccionado: média±desvio padrão (intervalo mínimo e máximo); -- não apresenta.

Apenas um trabalho não incluiu indivíduos com PC do tipo diplegia espástica19 e quatro estudos consideraram indivíduos com quadriplegia espástica.7,14,19,20 Com relação aos níveis do GMFCS, apenas a metade dos estudos4,5,7,8,16,17,18,22,23 se refere a essa classificação e são mencionados indivíduos de todos os níveis. Em geral, a RDS é o procedimento de escolha para tratar a espasticidade de membros inferiores em crianças diplégicas,9 uma vez que elas têm mais envolvimento de membros inferiores e a presença de distonia é pequena.9 Já nas com quadriplegia espástica, com maior probabilidade de apresentar distonia e envolvimento, tanto de membros superiores quanto de inferiores, o tratamento com infusão contínua de baclofen intratecal é mais indicado,9 embora alguns estudos tenham defendido o uso da RDS.7,14,19,20 Outro aspecto considerado para indicar a RDS é o potencial de deambulação,9 que inclui os níveis do GMFCS I, II e III. Entretanto, pesquisas têm utilizado RDS nos níveis IV e V com objetivos específicos e sugerem ser essa uma alternativa ao uso da infusão contínua de baclofen intratecal, uma vez que o manejo e acompanhamento da infusão são bastante complexos.28

A maioria dos estudos apresentou um percentual de secção próximo a 50% das raízes posteriores que variaram de L1 ou L2 até S1 ou S2. Uma metanálise demonstrou relação direta entre o percentual de secção e a magnitude do ganho na função, ou seja, a diminuição da espasticidade auxilia na aquisição de habilidades funcionais.1

Critérios de seleção para a RDS

Conforme demonstrado na Tabela 3, de maneira geral, os estudos trazem como critérios de seleção pacientes com diplegia espástica4,6,7,11,12,13,14,15,16,17,18,20 e a presença dos cinco “s”:2,3,7spastic - espasticidade em membros inferiores que interferem na funcionalidade;4,6,7,11,12,13,14,15,16,17,18,19,20,22strong - adequada força e controle muscular nos membros inferiores;7,12,22 straigh - adequado controle de tronco6,7,22 e cabeça6 sem deformidade ortopédica fixa;7,11,12,16,17,22 slim - ser magro; e smart - não apresentar déficit cognitivo grande.4,6,7,11,18 Além disso, são citados critérios que incluem o bom suporte familiar,16,29 a reabilitação11,16 e a capacidade de colaborar com a reabilitação (de forma cognitiva e emocionalmente).18 Mesmo não sendo a população em que a RDS é idealmente indicada, alguns estudos indicam a RDS para pacientes com quadriplegia espástica7,14,17,20 com os seguintes critérios:3,7 espasticidade significativa interferindo com posicionamento, cuidados e alongamentos passivos; ausência de outros distúrbios do movimento; e ausência de contraturas fixas em múltiplas articulações. Em ambas as topografias são consideradas contraindicações para a RDS as anormalidades de movimentos (distonia, ataxia, coreoatetose, hipotonia, rigidez),4,6,7,11,13,17,18,22 a instabilidade dos quadris,11 a escoliose significante,11 a presença de contraturas fixas significativas,7,11,12,16,17,22 ausência de força muscular antigravitacional11 e problemas visuais que limitem a mobilidade.11

Tabela 3: Critérios de seleção para a rizotomia dorsal seletiva em indivíduos com paralisia cerebral.  

Critérios de inclusão Critérios de exclusão
3-18 anos6,11 3-21 anos14 3-7 anos8,13,16 4-17 anos15 >2 anos17 >4 anos4,18 <7 anos5 crianças, adolescentes e adultos jovens20 Envolvimento bulbar6 Distonia, atetose, rigidez, hipotonia moderada a grave4,14,17,18,22,23 Distonia, atetose, ataxia5,7,8,11,13 Malformações do SNC4,18
Diplegia espástica4,5,6,7,8,11,12,13,14,15,16,17,18,20,21 Quadriplegia espástica com ressalvas7,14,17,20,21,22,23 Problemas visuais que limitem a mobilidade11
Bom controle de tronco e cabeça6,7,22,23 Razoável força muscular de MMII12,22,23 Dependente da espasticidade para ficar em pé e caminhar22,23
Habilidade ou potencial para deambular com e sem dispositivo auxiliar,4,6,12,18 por três metros12 Ser capaz de andar descalço por oito minutos, com ou sem suporte;4,18 de sentar, ajoelhar e engatinhar independente por curtos períodos;16 de agachar por sete vezes;16 sentar em um banco com braços livres e levantar com apoio8,13 Contratura fixa de MMII5,7 Contraturas fixas graves:11,12,16,17,22,23 >30º em quadril e joelho;12 >15º em quadril e joelho e >30º em tornozelo;11 >20º em quadril, joelhos e tornozelo e >80º ângulo poplíteo
GMFCS I - III,4,18 I-V,5 II-III16 Subluxação progressiva de quadris8,11
Função intelectual de 36 meses ou mais6,11 Habilidades cognitivas mínimas para participar ativamente4,5,18 Crianças com deficiência intelectual23 Deformidades na coluna vertebral, epilepsia descontrolada, contraindicação para anestesia prolongada11
Espasticidade de MMII que interfere com tarefas funcionais como sentar, ficar em pé e andar4,5,7,8,12,13,14,16,17,18,19,20,22,23 Espasticidade em ao menos seis grupos musculares de ambos MMII16 Cirurgia ortopédica prévia,4,12,18 no ano precendente4,5,18 ou planejamento próximo8 Toxina Botulínica ou gesso em seis meses4,18
Disponibilidade para a fisioterapia intensiva5,8,11 Bom suporte familiar e de reabilitação11,16 Atraso cognitivo severo4,5,7,11,18

MMII: membros inferiores; GMFCS: Gross Motor Function Classification System; SNC: sistema nervoso central.

A seleção correta dos pacientes para a realização da RDS é fundamental para o sucesso do tratamento.3,30 Os critérios de seleção têm sido descritos e a literatura relata a importância dessa decisão ocorrer em equipe multidisciplinar, com treinamento e conhecimento especializado no cuidado da espasticidade em pacientes com PC e com acesso a todas as opções de tratamento.1,2,3,10,31 Essa equipe normalmente é composta por fisioterapeuta, pediatra, ortopedista e neurocirurgião, todos com treinamento e conhecimentos específicos.1,31 Toda equipe, inclusive familiares, deve concordar com a decisão da RDS e com os objetivos do tratamento individual para cada criança.2,9 Uma recente revisão sistemática refere ainda que esses critérios de seleção são variáveis entre os estudos e estão baseados mais em raciocínio clínico do que em evidência científica, sendo importante a criação de um consenso entre especialistas do assunto.3

Características dos protocolos de fisioterapia

A Tabela 4 descreve as características dos protocolos de fisioterapia utilizados após a RDS, incluindo período de início da fisioterapia, tempo de internação e frequência. Tipicamente, os estudos mostram que, após serem submetidos à RDS, os pacientes realizam reabilitação fisioterapêutica intensiva com duração aproximada de um ano, iniciando nos primeiros dias após a cirurgia e permanecendo internados de seis dias a seis semanas. Dois trabalhos13,15 relatam a realização de fisioterapia pré-operatória e três12,20,21 mencionam a realização de terapia ocupacional no pós-operatório.

Tabela 4: Características dos protocolos de fisioterapia após rizotomia dorsal seletiva. 

Estudo Início da FT (dia) Tempo de internação Frequência da fisioterapia
Graubert et al.6 -- 4 semanas de terapia:10 horas/semana + 5 meses: 4-5 horas/ semana + 6 meses: 1-3 horas/semana
Wright et al.12 2º ou 3º 6 semanas 6 semanas: 45 minutos/dia de fisioterapia e 2 terapias/semana (45 minutos de terapia ocupacional); após a alta, até 1 ano: 2 terapias/semana (120 minutos)
McLaughlin et al.14 4º a 6º 1 mês 1º mês: 2 horas/dia por 5 dias/semana; próximos 5 meses: 3-5 horas/semana; 6º mês: terapia habitual
McLaughlin et al.11 1 mês 4 semanas: 2 horas/dia por 5 dias/semana (40 horas) + 5 meses: 1 hora/dia por 4-5 dias/semana + 6 meses: 1 hora/dia por 1-4 dias/semana
Josenby et al.22 -- 6 meses: 2 vezes/semana (1 hora); 6º-18º mês: 1 vez/semana e atividades físicas
Chan et al.7 4 semanas 4 semanas: 5 horas/dia por 5 vezes/semana; 2º-12º mês: 3-6 horas/semana
Engsberg et al.18 1 semana 5º dia-8º mês: 4 vezes/semana; 8º-16º mês: 3 vezes/semana
Engsberg et al.4 -- -- 8 meses: 4 vezes/semana + 12 meses: 3 vezes/semana
Schie et al.16 1 semana 5º dia: sentar na CR e terapia 3 vezes/dia (1 hora); 6º dia: ortostatismo e, se possível, marcha com ORS; 3 meses: 5 vezes/semana (1 hora); 3º-6º mês: 4 vezes/semana (1 hora); 6º-12º mês: 3 vezes/semana (30 minutos)
Engsberg et al.17 1 semana 1ª semana: 2 vezes/dia + 8 meses: 4-5 vezes/semana; após 8º mês: 3-4 vezes/semana
Buckon et al.21 1 mês 1º mês: 2 vezes/dia + terapia ocupacional: 1vez/dia; 2º-6º mês: 3-4 vezes/semana, terapia ocupacional: 1-2 vezes/ semana; 6º mês-1 ano: 1-2 vezes/semana
Steinbok et al.13 -- -- 3 meses: 3 vezes/semana + 6 meses: 2 vezes/semana (9 meses pré e pós-operatório)
Engsberg et al.15 -- Pré-operatório, 6 meses: 2 vezes/semana; 3º dia pós-operatório: 3 vezes/dia; até 6 meses: 4-5 vezes/semana; 6º-8º mês: 3-4 vezes/semana
Hodgkinson et al.19 -- -- 6 meses: 1 vez/dia
Dudgeon et al.20 -- 4 semanas 4 semanas: 2 horas/dia por 5 vezes/semana; terapia ocupacional: 3-5 horas/semana + 5 meses: 4-5 horas/semana
Josenby et al.23 -- 6 meses: 1 hora/2 vezes/semana; até 18 meses: 1 vez/semana e atividades físicas
Nordmark et al.5 3 a 5 dias UTI 1ª semana: 45 minutos/2 vezes/dia; 2ª-3ª semana: 45 minutos/3 vezes/dia; 2º-6º mês: 1 hora/2 vezes/semana; 6 meses: 1 hora/1 vez/semana
Steinbok et al.8 6 dias 6º dia: suporte de peso em pé; 2ª semana: marcha; 3 meses: 3 vezes/semana + 6 meses: 2 vezes/semana

FT: fisioterapia; CR: cadeira de rodas; ORS: órtese de reação ao solo.

A metade dos estudos relata que, após o período de fisioterapia interna, diretrizes de tratamento específico foram enviadas para os terapeutas locais, tendo havido contato prévio com o terapeuta responsável para manter a continuidade do plano de tratamento.

Quanto ao programa de fisioterapia propriamente dito, na primeira semana após a RDS são realizadas mobilizações precoces de membros inferiores para a manutenção da amplitude de movimento e posicionamento, incluindo postura prona, supina e sentar com membros inferiores estendidos.5,7,12,16 Especificamente nos primeiros cinco dias, iniciam-se os exercícios de força muscular de abdutores e extensores de quadril, extensores de joelho, dorsiflexores e prática de padrões normais de ortostase e marcha.16 O início do ortostatismo é descrito sendo iniciado pelo uso do parapodium no oitavo dia,12 ou com o uso de órteses Ankle Foot Orthoses (AFO) fixas ou de reação ao solo, para estimular a extensão dos joelhos no sexto dia,16 e equipamentos de adaptação.14 O fortalecimento muscular é utilizado na descrição dos programas de reabilitação da maioria dos estudos,4,7,8,11,12,13,14,16,17,20,21 com ênfase nas musculaturas dos membros inferiores de extensores e abdutores de quadril, extensores de joelho e dorsiflexores,8,12,13,16 além de fortalecimento de membros superiores12 e musculatura de tronco,4,12 treino isolado,20 resistido progressivo,11 de controle seletivo7 ou funcional.21 O treino de marcha inicia na segunda7 ou terceira semana,12 com ênfase no padrão motor normal e com o uso de dispositivos auxiliares,17 se necessário. Além disso é descrito o uso de facilitações de padrões de movimentos normais (teoria de neurodesenvolvimento),8,11,12,13,21 treino de habilidades motoras finas,12 atividades funcionais,4,5,7,12,14,17,20,21,22 atividades de vida diária,5,7 controle e alinhamento postural8,13,14,22 e treinamento de transferências posturais com ênfase no equilíbrio para sentar, semiajoelhar e ajoelhar, rastejar, levantar a partir de sentado no chão e na cadeira, em pé e na marcha.5,7,12,17,21,22 A realização de hidroterapia,5,16 equoterapia5,16 e atividades físicas5,22,23 também é citada.

Conforme as mais recentes recomendações do National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) para o tratamento da espasticidade em crianças e adolescentes com desordens não progressivas do cérebro, um programa de fisioterapia específico é essencial após a abordagem clínica da espasticidade com RDS,31 sendo determinante para o sucesso do resultado final da RDS.30

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diversos estudos relatam o tratamento da espasticidade por meio da RDS associada à fisioterapia. De forma geral, os trabalhos salientam a importância da seleção adequada de pacientes para esse procedimento com equipe multidisciplinar, incluindo o fisioterapeuta. A principal indicação inclui pacientes deambuladores com diplegia espástica com objetivo de melhora da marcha e do padrão motor funcional. Além disso, há outra indicação menos frequente em pacientes com quadriplegia espástica, que deve incluir a clareza dos objetivos de posicionamento, controle da espasticidade, sentar, higiene e cuidados diários para a família e o paciente. É unânime o reconhecimento da fisioterapia pós-operatória intensiva e de longa duração (principalmente no primeiro ano pós-operatório), que deve necessariamente ter estratégias para modificar o antigo padrão motor.

Sugere-se a realização de novos estudos prospectivos, considerando seguimento a longo prazo, metodologia adequada com a descrição dos protocolos de reabilitação e a utilização de instrumentos de avaliação validados para análise tanto dos aspectos estáticos quanto funcionais e de qualidade de vida a fim de esclarecer se os critérios de indicação para a RDS e a reabilitação pós-operatória empregados no momento são adequados.

Assim, esta revisão da literatura mostrou que a fisioterapia tem papel atuante na reabilitação de pacientes com PC submetidos à RDS. Essa atuação ocorre desde a seleção inicial dos pacientes em conjunto com a equipe, nas avaliações pré e pós-operatórias, até a reabilitação. Esta revisão poderá auxiliar os profissionais da saúde no tratamento pós-RDS de pacientes com PC espástica bilateral.

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Financiamento: O estudo não recebeu financiamento.

Recebido: 05 de Outubro de 2016; Aceito: 11 de Abril de 2017

*Autor correspondente. E-mail: dagostinirenata@hotmail.com (R.D. Nicolini-Panisson).

Conflito de interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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