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Revista Paulista de Pediatria

Print version ISSN 0103-0582On-line version ISSN 1984-0462

Rev. paul. pediatr. vol.38  São Paulo  2020  Epub Nov 25, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1984-0462/2020/38/2018177 

ARTIGO ORIGINAL

EXCESSO DE PESO EM ADOLESCENTES: INSEGURANÇA ALIMENTAR E MULTIFATORIALIDADE NO CENÁRIO DO SEMIÁRIDO DE PERNAMBUCO

Natália Fernandes dos Santosa  * 
http://orcid.org/0000-0002-5376-267X

Pedro Israel Cabral de Liraa 
http://orcid.org/0000-0002-1534-1620

Fernanda Cristina de Lima Pinto Tavaresa 
http://orcid.org/0000-0003-2118-7268

Vanessa de Sá Lealb 
http://orcid.org/0000-0001-9492-2580

Juliana Souza Oliveirab 
http://orcid.org/0000-0003-1449-8930

Jussara Tavares Pessoaa 
http://orcid.org/0000-0001-5098-6734

Poliana Coelho Cabrala 
http://orcid.org/0000-0002-2709-4823

Emília Chagas Costab 
http://orcid.org/0000-0002-7664-5994

aUniversidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brazil.

bUniversidade Federal de Pernambuco, Vitória de Santo Antão, PE, Brazil.


RESUMO

Objetivo:

Investigar o excesso de peso em adolescentes do Sertão e Agreste de Pernambuco, considerando a multifatoriedade dos determinantes do excesso de peso e as condições de insegurança alimentar e nutricional da região.

Métodos:

Estudo transversal, de base populacional, realizado no período de setembro a outubro de 2015. O estado nutricional dos adolescentes foi avaliado pelo índice de massa corpórea (IMC) e classificado pelo indicador IMC/idade, segundo o sexo. Para analisar os fatores associados ao excesso de peso, as variáveis foram agrupadas em: socioeconômicas, demográficas, ambientais, de estilo de vida, psicológicas, biológicas e segurança alimentar e nutricional. A regressão de Poisson foi utilizada para verificar a associação entre o excesso de peso e as variáveis independentes.

Resultados:

A prevalência de excesso de peso encontrada foi de 20,1%, sendo 13,4% de sobrepeso e 6,7% de obesidade. Após o ajuste para as variáveis de confusão, as variáveis regime de ocupação (casa cedida, alugada), consumo de álcool, segurança alimentar, insegurança alimentar leve, percepção corporal (sobrepeso e obesidade) e faixa etária (10 a 14 anos) mostraram-se associadas ao excesso de peso. Destaca-se a elevada insegurança alimentar e nutricional, em 80,4% da população, sendo as formas moderadas e graves as mais frequentes, como também as precárias condições sociais ainda prevalentes na região.

Conclusões:

A prevalência de excesso de peso foi elevada, superando o esperado para uma população com melhores condições de vida. Os determinantes do excesso de peso foram: consumo de álcool, regime de ocupação, autopercepção do peso, faixa etária e segurança alimentar/insegurança alimentar leve.

Palavras-chave: Adolescente; Sobrepeso; Obesidade; Segurança alimentar; Fatores socioeconômicos; Estudos transversais

ABSTRACT

Objective:

To investigate context of overweight adolescents from the semiarid and rural areas of Pernambuco, considering the multifactorial nature of the determinants of being overweight, and the food and nutritional insecurity conditions of the region.

Methods:

A population based cross-sectional study was conducted from September to October 2015. The nutritional status of adolescents was assessed by body mass index (BMI) and classified by the BMI/Age indicator, according to sex. To analyze the factors associated with being overweight, the variables were grouped into: socioeconomic, demographic, environmental, lifestyle, psychological, biological and food and nutritional security. Poisson regression was used to verify the association between being overweight and independent variables.

Results:

The prevalence of excessive weight found was 20.1%, namely: 13.4% overweight and 6.7% obese. After adjusting for the confounding variables, the variables: occupancy situation (rented house), alcohol consumption, food security and light food insecurity, body perception (overweight and obese) and age range (10 to 14 years), were associated with being overweight. High food and nutritional insecurity was identified in 80.4% of the population. The moderate and severe forms were more frequent, and precarious social conditions were still prevalent in the region.

Conclusions:

The prevalence of being overweight was high, exceeding the expected for a population with better living conditions. The determinants of being overweight were: alcohol consumption, occupancy situation, self-perceived weight, age and food security/mild food insecurity.

Keywords: Adolescent; Overweight; Obesity; Food supply; Socioeconomic factors, Cross-sectional studies

INTRODUÇÃO

A adolescência representa um período crítico para o desenvolvimento da obesidade, devido às alterações fisiológicas pertinentes a essa fase, tais como as modificações da composição corporal, alterações hormonais, cognitivas e emocionais1,2. As consequências da obesidade à saúde do adolescente incluem: dislipidemias, hipertensão e intolerância à glicose, além dos efeitos à saúde mental, tais como depressão e baixa autoestima, e maiores chances de permanência da obesidade na vida adulta.3,4 Mesmo em regiões com elevada insegurança alimentar e nutricional (INSAN), o excesso de peso (EP) alcança progressivamente valores semelhantes a regiões desenvolvidas devido à mudança da condição de extrema privação qualitativa e quantitativa para um padrão alimentar industrializado e estilo de vida sedentário.5

O Semiárido nordestino é a macrorregião mais pobre do Brasil, incluindo os municípios do Sertão e do Agreste do estado. Possui clima semiárido e as chuvas nessa sub-região são irregulares e escassas, ocorrendo constantes períodos de estiagem. As características da região resultam em consequências econômicas e sociais graves, com danos à produção agropecuária e crises alimentares agudas. Nesse aspecto, há poucos estudos avaliando o estado nutricional de adolescentes no Semiárido. O último estudo representativo na região foi a Chamada Nutricional no Semiárido,5 em 2005, que considerou apenas crianças menores de cinco anos, sendo que nenhum outro estudo avaliou as condições de vida e o estado nutricional dos adolescentes da região. Em busca na literatura do período de 2007 a 2017, apenas sete estudos avaliaram o estado nutricional de adolescentes no Sertão6,7,8,9,10,11,12, e apenas um no Agreste,13 apresentando resultados variados. Isso destaca a evidente lacuna existente na vigilância nutricional dessa população, e que na dependência das características regionais, os fatores associados às alterações nutricionais podem ser diferentes.

Considerando o aumento marcante e progressivo do EP, as consequências sociais à saúde dos indivíduos afetados, como também a origem multifatorial que o EP apresenta, torna-se essencial compreender os múltiplos aspectos desse agravo. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi investigar a prevalência do EP em adolescentes do Sertão e do Agreste (Semiárido) de Pernambuco, considerando a multifatoriedade dos determinantes do EP, a saber, os determinantes sociais, demográficos, biológicos, psicológicos e a insegurança alimentar e nutricional da região.

MÉTODO

Estudo transversal, de base populacional, com dados de duas pesquisas que utilizaram a mesma amostra: “Avaliação da segurança alimentar e nutricional em conglomerados urbanos e rurais afetados pela seca no Sertão de Pernambuco” e “Saúde, alimentação, nutrição, serviços e condições socioeconômicas na população materno-infantil do estado de Pernambuco”. Ambas as pesquisas foram realizadas no período de setembro a outubro de 2015. A população elegível para o estudo foi constituída por todos os indivíduos entre 10 e 19 anos, residentes nos domicílios selecionados. Foram excluídos os adolescentes que estivessem gestantes ou com alguma limitação funcional que comprometesse a realização da avaliação antropométrica.

O cálculo amostral considerou a prevalência de EP de 15%,14 com um erro máximo de ±5,5% e um nível de confiança de 95%, estimando um número amostral de 162 indivíduos (mais 10% para cobrir eventuais perdas), totalizando o número amostral de 178 indivíduos. Para a estimativa dos fatores associados, considerou-se um nível de confiança de 95%, um poder do estudo de 80% e a razão entre expostos e não expostos de 1 para 1, com base em um risco estimado de 2,7; totalizando 184 indivíduos, sendo 92 expostos e 92 não expostos.

O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se em quatro estágios:

  • Sorteio das macrorregiões de desenvolvimento, nas quais é dividido o território do Agreste e do Sertão pernambucano (Figura 1).

  • Sorteio dos municípios a serem incluídos no estudo.

  • Sorteio dos setores censitários (unidades territoriais demarcadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE).

  • Sorteio dos domicílios dentro de cada setor censitário para selecionar as famílias, numa quota amostral de 35±5 famílias.

Figura 1 Mapa de localização dos municípios do Semiárido de Pernambuco. 

Para o sorteio dos municípios e setores censitários foi utilizada a lista de números randômicos do subprograma EPITABLE, do Epi-Info™, versão 6.04.

A coleta dos dados foi realizada por uma equipe de técnicos previamente treinada para aplicação do questionário e aferição das medidas antropométricas, que seguiram os procedimentos técnicos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).15 O peso foi obtido utilizando balança digital (TANITA Corporation, São Paulo, Brasil) com capacidade para 150 kg e precisão de 100 g. A altura foi aferida utilizando estadiômetro portátil (Alturaexata Ltda., Belo Horizonte, Brasil) com precisão de 1 mm em toda a extensão. Para garantir a precisão das mensurações, as medidas foram tomadas 2 vezes para cada indivíduo, observando-se que a diferença entre as avaliações não deveria exceder 0,5 cm. Para avaliação do estado nutricional dos adolescentes foi usado o índice antropométrico - índice de massa corpórea (IMC)/idade. O IMC foi obtido a partir da divisão da massa corporal em quilogramas pela estatura em metros, elevada ao quadrado (kg/m2). A classificação dos resultados do IMC/idade foi realizada com o software Anthro plus-2007, e considerou as recomendações da OMS:16 magreza: <-2 escore Z (EZ); eutrofia: ≥-2 EZ e ≤+1 EZ; sobrepeso: >+1 EZ e ≤+2 EZ; obesidade: >+2 EZ.

As variáveis socioeconômicas foram coletadas em um questionário próprio da pesquisa e incluíram: classe socioeconômica segundo critérios da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP),17 escolaridade do chefe (anos de estudo), escolaridade do adolescente, situação ocupacional do adolescente, renda per capita em salário mínimo, participação no Programa Bolsa Família, número de cômodos, número de pessoas na família.

A avaliação da INSAN foi efetuada mediante a aplicação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA).18 O questionário é composto por 14 questões fechadas para domicílios com menores de 18 anos ou 8 perguntas para domicílios com maiores de 18 anos; e perguntas relativas à percepção dos entrevistados sobre a situação de insuficiência alimentar vivida nos últimos 3 meses anteriores à entrevista. Cada resposta afirmativa do questionário corresponde um ponto e a soma dos pontos corresponde à pontuação da escala. A soma dos escores é classificada em quatro níveis: 0 (zero)=segurança alimentar; 1 a 5 pontos ou 1 a 3 pontos=insegurança leve; 6 a 10 pontos ou 4 a 6=insegurança moderada; e 11 a 14 pontos ou 7 a 8 pontos=insegurança grave, para domicílios com menores de 18 anos e maiores de 18 anos, respectivamente.

A maturação sexual foi determinada com base nos estágios de desenvolvimento propostos por Tanner,19 que incluem cinco estágios para o desenvolvimento dos genitais (meninos) e mamas (meninas), avaliados quanto à forma e ao tamanho, além da avaliação da pilosidade pubiana em ambos os sexos. Os adolescentes receberam instruções sobre o preenchimento do questionário e foram convidados a realizar uma autoavaliação. Com base na combinação dos componentes do estadiamento, os adolescentes foram classificados em três estágios de maturação: o estágio 1 (E1) correspondente à fase infantil (impúbere); estágio 2 (E2, E3, E4) correspondente à fase púbere; e o estágio 5 (E5), à fase pós-puberal (adulta).19

As variáveis comportamentais avaliadas foram: nível de atividade física, tempo de tela e consumo de álcool. Os adolescentes foram considerados ativos quando acumularam 300 minutos ou mais de atividade física semanal; insuficientemente ativo quando acumularam de 1 a 299 minutos de atividade física por semana; e inativos quando referiram não praticar atividade física no período de referência.20 O tempo de tela excessivo foi definido como o tempo diário gasto assistindo televisão, usando videogame ou computador superior a duas horas por dia.21 Em relação ao consumo do álcool, foi considerado quando o adolescente respondia que já havia experimentado e no momento da entrevista ainda fazia uso dessa substância.

A autopercepção do peso corporal foi avaliada através de um questionário e incluía quatro opções de respostas: magro, normal, um pouco acima do peso e muito acima do peso. Foi considerada como autopercepção inadequada a resposta em desacordo com o diagnóstico do estado nutricional realizado previamente pelo IMC.22 A satisfação com o peso corporal foi avaliada através da questão: “Você está satisfeito(a) com seu peso corporal?”, e as opções de resposta eram sim e não.

A digitação dos dados foi realizada em dupla entrada e verificada no módulo Validate do programa Epi-Info, versão 6.04 (Centers for Disease Control and Prevention - CDC, Estados Unidos). Para o processamento e a análise dos dados foram utilizados os pacotes estatísticos Epi-Info versão 6.04, Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 13.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, Estados Unidos) e o Stata versão 7.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos). Para efeito de interpretação, o limite de erro tipo I foi de 5% (p≤0,05).

Para associação do EP com as variáveis de exposição, foi utilizado o teste do qui-quadrado de Pearson e/ou com tendência linear, quando aplicável. Para análise dos determinantes do EP foi realizada a regressão de Poisson, com opção de erro padrão robusto, a fim de avaliar os efeitos ajustados das variáveis componentes do modelo hierárquico. As variáveis independentes que apresentaram valor p<0,20 na análise bivariada entraram na análise multivariada. No modelo hierárquico, as variáveis socioeconômicas e ambientais constituíram o nível mais distal, o nível 1; a segurança alimentar e nutricional, o nível 2; as variáveis comportamentais e psicológicas, o nível 3; e as variáveis biológicas, o nível 4, o nível mais proximal. A análise hierarquizada iniciou-se com as variáveis do nível 1 e subsequentemente foram introduzidas as variáveis dos outros níveis. Os resultados foram expressos por razões de prevalências (RP) ajustadas com respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%), sendo considerados estatisticamente significantes valores p<0,05.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (CAAE: 38878814.9.0000.5208) e do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (CAAE: 44508215.7.0000.5201), de acordo com a Portaria nº 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. Os responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e os adolescentes assinaram o termo de assentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS

A amostra foi composta por 179 indivíduos de ambos os sexos, com mediana de idade de 14,7 anos, com intervalo interquartil (IQ) 12,1-17,7. Do total da amostra, a maioria (67%) era do sexo feminino e mais de 90% encontravam-se no estágio de maturação sexual púbere. Quase metade da população residia na zona rural (48,6%), predominando a precária condição socioeconômica (classes D e E; e renda per capita de até 0,25 salários mínimo). A vulnerabilidade socioeconômica também foi elevada (80,4%), prevalecendo as formas moderada e grave (48%). Destaca-se que 39,1% dos adolescentes mostraram escolaridade inadequada à idade, representada pelo analfabetismo ou atrasos nas etapas do nível fundamental e médio (Tabela 1).

Tabela 1 Excesso de peso em adolescentes de 10 a 19 anos segundo variáveis socioeconômicas e demográficas. Sertão e Agreste, Pernambuco, 2015. 

Total Excesso de peso p-valor
Não Sim
n=179 % n=143 % n=36 %
Cor da pele
Branco 53 29,6 43 81,1 10 18,9 0,34
Negro 15 8,4 14 93,3 1 6,7
Pardos/outros 111 62,0 86 77,5 25 22,5
Segurança alimentar e nutricional
SAN/INSAN leve 93 52,0 70 75,3 23 24,7 0,10
INSAN moderada/grave 86 48,0 73 89,4 13 15,1
Classe econômica#
B1, B2, C1 18 110,1 14 77,8 4 22,2 0,07
C2 72 40,2 52 72,2 20 27,8
D, E 89 49,7 77 86,5 12 13,5
Escolaridade adequada à idade
Sim 108 60,3 88 81,5 20 18,5 0,48
Não 70 39,1 54 77,1 16 22,9
Escolaridade do chefe
Analfabeto/F1 incompleto 101 56,4 82 81,2 19 18,8 0,33
F1 completo, F2 incompleto, F2 completo, EM incompleto 65 36,3 52 80 13 20,0
EM completo, superior incompleto e completo 13 7,3 9 69,2 4 30,8
Situação ocupacional
Trabalha 47 26,3 38 80,9 9 19,1 0,84
Não trabalha 132 73,7 105 79,5 27 20,5
Renda per capita (em quartis)
Até 0,25 SM 101 57,4 82 81,2 19 18,8 0,38
0,26 a 0,5 SM 52 29,5 43 82,7 9 17,3
>0,5 SM 23 13,1 16 69,6 7 30,4
Programa Bolsa Família
Sim 130 72,6 102 78,5 28 21,5 0,43
Não 49 27,4 41 83,7 8 16,3
Número de cômodos
1 a 4 130 14,5 102 78,5 28 21,5 0,43
5 a 10 49 85,5 41 83,7 8 16,3
Número de pessoas/família
1 a 3 32 17,9 27 84,4 5 15,6 0,19
4 a 5 71 39,7 52 73,2 19 26,8
≥6 76 42,5 64 84,2 12 15,8

SAN: segurança alimentar e nutricional; INSAN: insegurança alimentar e nutricional; #classe econômica: critérios da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (2014); F1: ensino fundamental 1; F2: ensino fundamental 2; EM: ensino médio; SM: salário mínimo. Os totais diferem em virtude de perdas nas variáveis.

A prevalência de EP foi elevada (20,1%), sendo 13,4% de sobrepeso e 6,7% de obesidade (Gráfico 1). O déficit estatural foi observado em 7,8% da amostra (dados não apresentados).

Gráfico 1 Estado nutricional segundo o índice de massa corpórea /idade, em adolescentes de 10 a 19 anos. Sertão e Agreste, Pernambuco, 2015. 

Na análise bivariada, as variáveis que apresentaram associação significativa com o EP foram: local de domicílio, fonte de abastecimento de água, tratamento de água, nível de atividade física, percepção corporal, satisfação corporal e faixa etária (Tabelas 1, 2 e 3). Após o ajuste das variáveis de confusão, na análise multivariada, os fatores que se mostraram associados ao EP foram: regime de ocupação (casa cedida ou alugada), consumo de álcool, se autoavaliar como obeso, ter idade entre 10 e 14 anos e segurança nutricional e alimentar (SAN)/INSAN leve (Tabela 4).

Tabela 2 Excesso de peso em adolescentes de 10 a 19 anos segundo variáveis ambientais. Sertão e Agreste, Pernambuco, 2015. 

Total Excesso de peso p-valor
Não Sim
n=179 % n=143 % n=36 %
Local de domicílio
Urbano 92 51,4 66 71,7 26 28,3 0,005
Rural 87 48,6 77 88,5 10 11,5
Regime de ocupação
Própria 128 71,5 106 82,8 22 17,2 0,12
Cedida, alugada 51 28,5 37 72,5 14 27,5
Destino do lixo
Coletado 122 68,2 93 76,2 29 23,8 0,07
Queimado, enterrado, outros 57 31,8 50 87,7 7 12,3
Fonte de abastecimento de água
Rede geral 108 60,3 79 73,1 29 26,9 0,006
Poço, cisterna, outro 71 39,7 64 90,1 7 9,9
Tratamento da água
Fervida, filtrada, mineral 88 49,2 64 72,7 24 27,3 0,01
Sem tratamento/outros 91 50,8 79 86,8 12 13,2
Destino dos dejetos
Rede geral, fossa com tampa 139 79,0 109 78,4 30 21,6 0,47
Fossa sem tampa, curso d’água 37 21,0 31 83,8 6 16,2
Tipo de piso
Cerâmica 70 39,1 51 72,9 19 27,1 0,06
Cimento, terra, outro 109 60,9 92 84,4 17 15,6
Tipo de parede
Tijolo 167 93,3 134 80,2 33 19,8 0,66
Taipa e outros materiais 12 6,7 9 75,0 3 25,0
Tipo de telhado
Laje 14 7,8 11 78,6 3 21,4 0,89
Telha de barro, amianto 165 92,2 132 80,0 33 20,0

Os totais diferem em virtude de perdas nas variáveis.

Tabela 3 Excesso de peso em adolescentes de 10 a 19 anos segundo variáveis biológicas, comportamentais e psicológicas. Sertão e Agreste, Pernambuco, 2015. 

Total Excesso de peso p-valor
Não Sim
n=179 % n=143 % n=36 %
Sexo
Masculino 59 33,0 49 83,1 10 16,9 0,45
Feminino 120 67,0 94 78,3 26 21,7
Faixa etária (anos)
10 a 14 94 52,5 70 74,5 24 25,5 0,05
15 a 19 85 47,5 73 85,9 12 14,1
Grau de maturação
Pré-púbere 15 8,6 14 93,3 1 6,7 0,18
Púbere/pós-púbere 159 91,4 126 79,2 33 20,8
Consumo de álcool
Sim 27 15,1 19 70,4 8 29,6 0,18
Não 152 84,9 124 81,6 28 18,4
Atividade física
Sim 89 49,7 73 82,0 16 18,0 0,47
Não 90 50,3 70 77,8 20 22,2
Nível de atividade física
Ativo 18 10,1 10 55,6 8 44,4 0,006
Insuficientemente ativo 71 39,6 63 88,7 8 11,3
Inativo 90 50,3 70 77,8 20 22,2
Tempo de tela (na semana)
<2 horas/dia 64 35,8 48 75,0 16 25,0 0,22
≥2horas/dia 115 64,2 95 82,6 20 17,4
Tempo de tela (no final de semana)
<2 horas/dia 55 30,7 41 74,5 14 25,5 0,23
≥2horas/dia 124 69,3 102 82,3 22 17,7
Percepção do peso
Magro/normal 145 81,5 132 91,0 13 9,0 <0,001
Sobrepeso/obesidade 33 18,5 11 33,3 22 66,7
Satisfação corporal
Satisfeito 111 62,0 99 89,2 12 10,8 <0,001
Insatisfeito 68 38,0 44 64,7 24 35,3

Os totais diferem em virtude de perdas nas variáveis.

Tabela 4 Razões de prevalência bruta e ajustada para o excesso de peso em adolescentes de 10 a 19 anos. Agreste e Sertão, Pernambuco, 2015. 

Variáveis Excesso de peso p-valor
RP bruta (IC95%) p-valor RP ajustada (IC95%)
Nível 1
Classe
B1, B2, C1, 1,07 (0,9-1,27) 0,07 1,02 (0,85-1,23) 0,46
C2 1,12(1,01-1,24) 1,09 (0,97-1,22)
D, E 1,0 1,0
Número de pessoas/família
4 a 5 1,09 (0,95-1,25) 0,20 1,08 (0,94-1,24) 0,68
≥6 pessoas 1,00 (0,87-1,14) 1,00(0,87-1,14)
1 a 3 1,0 1,0
Local de domicílio
Urbano 1,15 (1,04-1,26) 0,003 1,01 (0,85-1,20) 0,69
Rural 1,0 1,0
Regime de ocupação
Cedida, alugada 1,08 (0,97-1,21) 0,14 1,13 (1,04-1,24) 0,004
Própria 1,0 1,0
Destino do lixo
Coletado 1,1 (0,99-1,2) 0,05 0,98 (0,87-1,11) 0,85
Queimado, enterrado, outros 1,0 1,0
Fonte de abastecimento de água
Rede geral 1,15 (1,05-1,26) 0,002 1,06 (0,89-1,26) 0,49
Poço, cisterna, outro 1,0 1,0
Tratamento da água
Fervida, filtrada, mineral 1,12 (1,02-1,23) 0,01 1,06 (0,98-1,15) 0,13
Sem tratamento/outros 1,0 1,0
Tipo de piso
Cerâmica 1,09 (0,99-1,21) 0,06 1,04 (0,92-1,17) 0,531
Cimento, terra, outro 1,0 1,0
Nível 2
Segurança alimentar
SAN/INSAN leve 1,08 (0,98-1,19) 0,10 1,08 (1,0-1,17) 0,03
INSAN moderada/grave 1,0 1,0
Nível 3
Consumo de álcool
Sim 1,94 (0,94-1,26) 0,21 1,11 (1,01-1,20) 0,04
Não 1,0 1,0
Nível de atividade física
Insuficientemente ativo 0,77 (0,64-0,91) 0,006 0,90 (0,78-1,04) 0,83
Inativo 0,84 (0,71-1,00) 0,97 (0,84-1,11)
Ativo 1,0 1,0
Percepção do peso
Sobrepeso/obesidade 1,52 (1,37-1,70) 0,0001 1,45 (1,29-1,61) <0,001
Magro/normal 1,0 1,0
Satisfação corporal
Insatisfeito 1,2 (1,10-1,34) 0,0001 0,97 (0,89-1,05) 0,87
Satisfeito 1,0 1,0
Nível 4
Faixa etária
10 a 14 anos 1,1 (0,99-1,21) 0,051 1,09 (1,0-1,18) 0,03
15 a 19 anos 1,0 1,0
Grau de maturação
Púbere/pós-púbere 1,13 (0,99-1,28) 0,061 1,07 (0,92-1,23) 0,34
Pré-púbere 1,0 1,0

RP: razão de prevalência; IC95%: intervalo de confiança de 95%; nível 2: ajustado pelas variáveis do nível 1; SAN: segurança alimentar e nutricional; INSAN: insegurança alimentar e nutricional; nível 3: ajustado pelas variáveis dos módulos 1 e 2; nível 4: ajustado pelas variáveis dos módulos 1, 2 e 3.

DISCUSSÃO

Neste estudo, observa-se elevada prevalência de EP que, embora inferior à média nacional, ultrapassa o valor limítrofe estabelecido pela OMS. Outros estudos, realizados no Semiárido de diversas partes do Brasil, encontraram prevalências de EP que variam de 10,5 a 41,1%.5,6,8,9,13 Nossos resultados foram semelhantes ao estudo realizado no Semiárido de Pernambuco em 2011 (25%)13 e inferiores aos observados no Semiárido do Rio Grande do Norte, Alagoas e Piauí (28,5 a 41,1%).7,9,11 Esse achado merece atenção, visto que demonstra que, mesmo em populações com condições sociais adversas, o EP configura-se um problema de saúde pública que cresce progressivamente.

Existe uma tendência do EP se concentrar nas classes sociais menos privilegiadas. As famílias de adolescentes com menor nível socioeconômico apresentam uma maior ingestão de alimentos industrializados, moram em bairros com pouca estrutura física para atividade física e se preocupam menos com a aparência física do que jovens de famílias de melhor classe social.23 No entanto, a associação da condição social com o EP depende de vários fatores, tais como o sexo, a idade e o país de residência13,14. Neste estudo, a condição social não foi associada diretamente ao EP; variáveis como a renda familiar e a classe social não apresentaram associação significativa. Provavelmente devido à pobreza generalizada da população, não houve contraste suficiente entre as categorias desses indicadores para demonstrar tal associação. Por outro lado, o indicador regime de ocupação do tipo casa cedida ou alugada, que também reflete uma pior condição social, foi associado ao EP, talvez indicando que essa variável tenha sido mais sensível para identificar a associação da condição social ao EP. De fato, das famílias com casa cedida/alugada, 49% apresentaram INSAN moderada/grave, indicando comprometimento na qualidade dos alimentos consumidos e possivelmente repercutindo no peso dos adolescentes.23

A OMS20 e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)24 recomendam que os jovens em idade escolar pratiquem no mínimo 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa todos os dias da semana, e que tenham um tempo de tela inferior a duas horas ao dia. Neste estudo, verificou-se que 89,9% dos adolescentes são inativos ou insuficientemente ativos. Ao comparar estudos com adolescentes brasileiros que utilizaram o mesmo ponto de corte da presente pesquisa para avaliar inatividade física, os resultados aqui obtidos foram superiores aos da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)21 (60,8% insuficientemente ativos e 4,8% inativos) e ao do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA)25 (54,3% de inatividade). A elevada frequência de inatividade física neste estudo poderia, em parte, ser explicada pelas características ambientais desfavoráveis à prática de atividade física no Semiárido, como o clima quente, o nível de urbanização e a infraestrutura precária. Nessa região há poucos espaços recreativos comunitários como parques, ciclovias e pistas de corrida/caminhada que, se presentes, poderiam estimular uma vida mais ativa.

A prevalência de tempo de tela excessivo neste estudo foi elevada (64,2 a 69,3%), maior do que a observada em uma pesquisa com estudantes nordestinos,26 que avaliou o lazer sedentário (66,1 a 57,8%). Recente revisão sistemática aponta que duas ou mais horas de televisão por dia estão associadas a vários danos à saúde, como altos níveis de peso corporal, diminuição da aptidão física, baixa autoestima e piora do desempenho dos alunos.27 Os dados encontrados ratificam a tendência de globalização do Semiárido. A população acompanha o comportamento de grandes centros urbanos, com estilo de vida sedentário e possível alteração do padrão alimentar.

Em nossa pesquisa, os indivíduos ativos apresentaram frequência maior de EP. Esse resultado contraditório poderia ser explicado pelo fenômeno da causalidade reversa, característica dos estudos transversais. Os indivíduos podem ter iniciado a prática de atividade física após terem se percebido obesos, porém, até a realização da pesquisa, ainda não teria havido tempo suficiente para a atividade física ter efeitos na redução da obesidade.

A maturação sexual neste estudo não foi associada ao EP. Os estudos que avaliam essa associação geralmente consideram o atraso ou a precocidade do processo. Sabe-se que, na adolescência, o estágio puberal influencia os parâmetros antropométricos e de composição corporal, mas devido à variabilidade da maturação sexual segundo o sexo e a idade e às limitações do método de classificação da maturação, tal relação nem sempre é estabelecida nos estudos.28 Já em relação à idade cronológica, observou-se uma tendência de diminuição da prevalência de EP e da atividade física com o aumento progressivo da idade. No início da adolescência, os indivíduos são mais suscetíveis à influência dos pares e da mídia, o que propiciaria o EP. Já no estágio final da adolescência, com a identidade pessoal já desenvolvida, os adolescentes tornam-se menos influenciáveis, já conseguem refletir sobre as consequências dos seus hábitos e escolhas e estão mais preocupados com sua aparência física.29

No que diz respeito à associação do consumo de álcool, ele se associou a uma chance 11% maior para EP. Outros estudos confirmam que, comparados a os jovens com peso normal, os adolescentes com EP apresentam maior probabilidade de serem bebedores frequentes ou de terem iniciado o uso do álcool precocemente.30 Se por um lado o uso frequente do álcool, que é uma fonte calórica considerável, pode conduzir um jovem de peso normal ao EP, o adolescente que é obeso pode se tornar um bebedor frequente. Os adolescentes com EP geralmente apresentam dificuldade em fazer amigos, sofrendo discriminação frequentemente. Os adolescentes obesos tendem a escolher pares similarmente marginalizados, combinando influências baseadas em pares para comportamento de risco como tabagismo, etilismo e dietas restritivas ou lançam mão desses comportamentos no intuito de mudar sua forma corporal e serem aceitos.30 De fato, dos adolescentes com EP, apenas 10,8% estiveram satisfeitos com sua situação corporal, enquanto naqueles sem EP a satisfação corporal foi de 89,2%

A comparação entre as categorias de IMC e a autopercepção do peso corporal mostrou que, entre os adolescentes classificados com EP, 33,3% subestimaram seu estado nutricional. É provável que a baixa condição socioeconômica e o baixo nível de escolaridade dos pais tenham influenciado os resultados da percepção corporal dos adolescentes. Pais com menor nível educacional geralmente subestimam o peso dos filhos, pois tendem a associar o EP a melhor condição de saúde. Enquanto os jovens com melhor condição socioeconômica são mais pressionados para se adequarem ao ideal de beleza magro.31 O fato de o adolescente se autoavaliar com EP associou-se a uma chance 45% maior dele realmente ser obeso. O reconhecimento da obesidade pelo adolescente e pelos pais pode constituir o primeiro passo no seu tratamento. Por outro lado, quando o adolescente ou os pais não reconhecem a obesidade, a busca pelo profissional de saúde pode ser tardia e aumentar a chance de o adolescente não realizar adequadamente o tratamento prescrito.31

A INSAN neste estudo totalizou 80,4% da população, sendo as formas moderadas e graves as mais frequentes. Esse resultado é semelhante ao estudo de Oliveira,6 com adolescentes de uma cidade do Semiárido, que encontrou uma prevalência de INSAN de 91,5%. Em termos econômicos, o Semiárido nordestino é a macrorregião mais carente do Brasil, concentrando a maioria da população pobre. Suas características de clima irregular e solos pobres acarretam consequências econômicas e sociais severas, com perdas na produção agropecuária e crises alimentares agudas. O adolescente estar em SAN ou em INSAN leve apresentou uma maior chance de ter EP. É possível que as condições de SAN/INSAN reflitam melhores condições para a compra de alimentos, mesmo que não saudáveis. Enquanto a INSAN moderada e grave reflete a fome ou a dificuldade de acesso ou compra de alimentos em termos de quantidade suficiente para as necessidades nutricionais. Um segundo aspecto um tanto surpreendente é a coexistência de uma elevada INSAN com baixa prevalência de desnutrição e elevada prevalência de eutrofia. Esse paradoxo nutricional é considerado um momento rápido do processo de transição epidemiológica que ocorre no Brasil.6

Em 2005, a Chamada Nutricional do Semiárido5 avaliou o estado nutricional e as condições sociais de crianças menores de cinco anos do Semiárido e assentamentos do Nordeste e norte de Minas Gerais. Essa pesquisa revelou as condições socioeconômicas adversas dos domicílios em Pernambuco: prevalência das classes D e E de 41,6 e 33,3%, respectivamente; analfabetismo e baixa escolaridade em 12,7 e 30,1% dos chefes de família, respectivamente; e rede pública de abastecimento de água em 76,7% dos domicílios. No presente estudo, a maioria das famílias dos adolescentes avaliados pertence às classes D e E (49,7%), a maioria dos chefes da família apresenta baixa ou nenhuma escolaridade (56,4%) e a fonte de abastecimento de água referida ainda é insatisfatória, sendo que apenas 60,3% do fornecimento de água vêm da rede pública. Quanto à renda familiar, não houve diferença significativa nos extratos, o que talvez se deva à homogeneidade da amostra. Por outro lado, o adolescente residir em casa cedida ou alugada foi associado ao maior risco de EP. O regime de ocupação é um indicador de condição social, sugerindo que piores condições de vida estão associadas ao EP.

Este estudo apresentou algumas limitações. Primeiro a sua natureza transversal, que não possibilita testar relações de causalidade; a não inclusão de dados de consumo alimentar e de medidas de composição corporal; e a utilização de um questionário para avaliar atividade física que não possibilitou discriminar intensidade, frequência e duração das atividades físicas. Os dados foram coletados em uma região específica do país e, por isso, a generalização dos resultados para outras regiões deve ser efetuada com cautela.

Apesar das limitações, o presente estudo traz contribuições relevantes ao investigar a prevalência de EP em uma população de adolescentes no Semiárido, no qual são escassos os estudos na literatura. Quanto aos aspectos metodológicos, a amostra foi probabilística e a qualidade dos dados foi garantida mediante a realização de estudo piloto, treinamento de entrevistadores, checagem de questionários e digitação do banco de dados em dupla entrada. As medidas foram aferidas utilizando técnicas apropriadas, com instrumentos científicos e avaliadores qualificados. Adicionalmente, poucos estudos avaliam o EP com o amplo espectro de variáveis que foram utilizadas neste estudo, que contempla a multiplicidade de fatores de risco que o EP apresenta.

A prevalência de EP em adolescentes no semiárido foi elevada, apesar de a população apresentar elevada vulnerabilidade socioeconômica e insegurança alimentar. Os fatores associados ao EP foram: consumo de álcool, regime de ocupação, autopercepção do peso, faixa etária e SAN/INSAN leve. Almeja-se, com este estudo, alertar sobre a necessidade de políticas públicas para o combate à pobreza e ao EP também nessas áreas mais pobres da região nordeste

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Financiamento

Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Recebido: 08 de Junho de 2018; Aceito: 09 de Novembro de 2018; Publicado: 08 de Novembro de 2019

*Autor correspondente. E-mail: natalia_fersant@hotmail.com (N.F. dos Santos)

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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