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Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo

Print version ISSN 0103-0663

Rev Odontol Univ São Paulo vol. 11 no. 3 São Paulo July/Sept. 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-06631997000300006 

RESISTÊNCIA À REMOÇÃO POR TRAÇÃO E INFILTRAÇÃO MARGINAL DE COROAS TOTAIS FUNDIDAS, CIMENTADAS EM DENTES NATURAIS RECONSTRUÍDOS COM IONÔMERO DE VIDRO*

TENSILE STRENGTH AND MICROLEAKAGE EVALUATION OF FULL CAST CROWNS CEMENTED ON CORE BUILDUPS REINFORCED WITH GLASS-IONOMER

 

Romualdo Caldeira de ANDRADA**
Eduardo Batista FRANCO***
Carlos Eduardo FRANCISCHONE****

 

 

ANDRADA, R. C. et al. Resistência à remoção por tração e infiltração de coroas totais fundidas, cimentadas em dentes naturais reconstruídos com ionômero de vidro. Rev Odontol Univ São Paulo, v. 11, n. 3, p. 181-188, jul./set. 1997.

O objetivo deste estudo foi verificar a resistência à remoção por tração e a infiltração marginal de coroas totais fundidas cimentadas com cimento de ionômero de vidro, em dentes reconstruídos com duas formulações de cimento de ionômero de vidro, ou seja, Cermet e "mistura milagrosa", em comparação às coroas totais cimentadas em dentes com preparo para coroa total (sem reconstrução). Foram selecionados trinta molares superiores recém-extraídos, dez para cada condição experimental. Uma liga do sistema prata/estanho (M3) foi utilizada para obtenção das coroas totais. As amostras foram submetidas a ciclagens térmicas nas temperaturas de 5ºC, 37ºC e 55ºC, por sessenta minutos, durante sete dias. Para a última ciclagem térmica, foi utilizado o corante Rhodamina B a 0,1%, em solução aquosa. A seguir, as amostras foram lavadas e mantidas em condições ambientais por vinte e quatro horas, para serem levadas à máquina de ensaios universal, para os testes de remoção por tração axial. A análise de variância mostrou diferença estatisticamente significante, no nível de 5%, dos dentes sem reconstrução (controle), com relação aos dentes reconstruídos com "mistura milagrosa" e dentes reconstruídos com Cermet. Os dentes sem reconstrução apresentaram maior média aos testes de resistência por tração. Verificou-se, pela comparação individual entre as condições avaliadas, que o grupo reconstruído com "mistura milagrosa" e Cermet não mostrou diferença estatisticamente significante. Da mesma forma, foram elaboradas comparações individuais entre as condições avaliadas dos escores de infiltração, em que se pôde observar que houve significância entre os grupos de "mistura milagrosa" e Cermet com o grupo controle (dentes sem reconstrução). Os dentes reconstruídos com "mistura milagrosa" e Cermet não mostraram diferenças estatisticamente significantes entre si.

UNITERMOS: Coroas; Cimentos de ionômeros de vidro; Cimentos Cermet.

 

 

INTRODUÇÃO

A reconstrução de dentes tratados endodonticamente ou seriamente destruídos constitui um desafio freqüente para muitos clínicos, que procuram, cada vez mais, novos recursos que permitam integrar esses dentes à sua função e à estética. Em função do grau de destruição coronária, a dentina que foi perdida deverá ser reconstruída, criando-se uma base ou uma dentina artificial para se conseguir um preparo uniforme e com características favoráveis, que permitam adaptação e fixação de uma restauração fundida.

Numerosos métodos têm sido discutidos e, em geral, os mais utilizados e aceitos são os núcleos fundidos26 e os núcleos de preenchimento com amálgama ou resina composta18,32, que são fixados em dentina ou nos condutos radiculares com auxílio de pinos; mais recentemente, uma nova geração de cimento de ionômero de vidro tem sido utilizada para esse fim3,21,34.

A resina composta apresenta algumas vantagens como material de preenchimento, tais como facilidade de manipulação e inserção, custo, coloração próxima à da estrutura dentária e possibilidade de preparo na mesma sessão. Seu coeficiente de expansão térmica linear, porém, é maior do que o do cimento de ionômero de vidro.

O amálgama, quando usado como material para núcleo, tem características favoráveis, com relação às suas propriedades físicas, possuindo maior estabilidade dimensional28, menor micro-infiltração13 e uma camada de óxido que se forma, agindo como um selamento na junção dente-amálgama29.

Apesar de os núcleos metálicos fundidos exigirem maior tempo do profissional e apresentarem custo elevado, alguns autores14,26 os consideram como a melhor opção para a reconstrução coronária nos casos de destruições extensas ou quando o dente em questão for retentor de prótese fixa ou removível.

O cimento de ionômero de vidro, desenvolvido a partir de 1971 e lançado por WILSON; KENT40, vem sofrendo, com o decorrer dos anos, aprimoramentos importantes a respeito de suas propriedades e de sua manipulação. Como resultado, o material tem suportado mudanças básicas, as quais têm melhorado sua utilidade e seu emprego clínico. O uso dos cimentos de ionômero de vidro é destinado a restaurações, tendo indicações precisas, assim como para forramento de cavidades, como agente cimentante e para núcleos. Além disso, o material tem algumas características atrativas devido às suas importantes propriedades de liberação de flúor1,2,35, adesividade1,7,10,15,24,37,39,40 e coeficiente de expansão térmica linear7,33 próximo ao do dente, proporcionando resultados favoráveis à estrutura dental, como o efeito anticariogênico e cariostático. Possui, ainda, baixa solubilidade, sendo de 0,1 a 0,16 após sete minutos de endurecimento, e biocompatibilidade com os tecidos dentários41.

Um cimento de ionômero de vidro de presa rápida, contendo pequenas partículas de prata incorporadas ao vidro, recebeu o nome genérico de Cermet20,23,38, obtido através da sinterização de pós-metálicos (prata e ouro) e partículas de vidro. Houve uma melhora nas propriedades físicas, devido a uma adesão resistente entre metal e vidro, tornando esse cimento adequado para núcleo de preenchimento10,22.

SIMMONS34 (1983) descreveu o uso de uma mistura de liga dental de prata em pó e cimento de ionômero de vidro, que utilizava em uma proporção de 7:1 em volume, ou seja, sete partes de pó do cimento de ionômero de vidro para uma parte da liga de prata, denominando-a de "mistura milagrosa", cuja indicação principal era servir como material de preenchimento ou de reconstrução coronária.

Além da indicação como material restaurador forrador, selador e de núcleos de preenchimento, o cimento de ionômero de vidro é indicado com vantagens como agente cimentante de restaurações metálicas fundidas2,5,6,7,19,37,38, pois seu alto percentual anticariogênico, sua união química à dentina, sua baixa solubilidade e, principalmente, a espessura de sua película satisfazem as especificações da ADA1 (1979).

Em geral, materiais restauradores ou de cimentações exibem graus variáveis de infiltração, em virtude de não se adaptarem perfeitamente, ou de não se aderirem quimicamente à estrutura dental. A microinfiltração permanece como uma das causas de fracassos obtidos na Odontologia. Nesse sentido, o uso de materiais que aderem quimicamente ao esmalte/dentina, como os ionômeros de vidro, pode contribuir para minimizar as infiltrações marginais.

Embora as propriedades físicas e biológicas dos cimentos de ionômero de vidro sejam bem documentadas, pouco tem sido feito para avaliar o uso desses materiais na confecção de núcleos de preenchimento, com relação às possíveis influências na retenção e na infiltração das restaurações metálicas fundidas. Com o objetivo de comprovar o comportamento das reconstruções dentárias com cimento de ionômero de vidro, propôs-se a realização deste trabalho, com o intuito de comparar a resistência à remoção por tração, assim como avaliar a infiltração marginal de coroas totais cimentadas em dentes reconstruídos, nas condições a seguir:

1. dentes com preparo para coroa total (sem reconstrução);
2. dentes reconstruídos com 2 (duas) formulações de cimento de ionômero de vidro:
     2.1. "mistura milagrosa";
     2.2. Cermet.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram selecionados trinta molares superiores recém-extraídos, sendo dez dentes para cada condição experimental, os quais foram incluídos em bases plásticas, com resina acrílica ativada quimicamente, até a altura de 1 mm da junção cemento-esmalte. Todos os dentes receberam um preparo tipo coroa total27,32. Com exceção da condição controle (dentes sem reconstrução), os demais sofreram o corte da porção coronária a 1,5 mm do ângulo cavo-superficial e a remoção do teto da câmara pulpar. Os dentes foram reconstruídos com Cermet e "mistura milagrosa", com auxílio de pinos retidos no conduto radicular.

Uma liga do sistema prata/estanho (M3) foi utilizada para obtenção das coroas totais, as quais foram cimentadas com cimento de ionômero de vidro nos respectivos troquéis sob a aplicação de uma carga estática de 5 kg.

As amostras foram armazenadas em água destilada e mantidas em estufas a 37ºC, durante toda a fase de realização da pesquisa. Vinte e quatro horas após a cimentação, as amostras foram submetidas a ciclagens térmicas nas temperaturas de 5ºC, 37ºC e 55ºC, por sessenta minutos, durante sete dias. Para a última ciclagem térmica, foi utilizado o corante Rhodamina B a 0,1%, em solução aquosa. A seguir, as amostras foram lavadas e mantidas em condições ambientais por vinte e quatro horas, para serem levadas à máquina de ensaios universal, para os testes de remoção por tração axial.

A avaliação da infiltração marginal foi realizada por três examinadores previamente calibrados, utilizando o método de somatória de escores.

As superfícies preparadas dos dentes foram divididas em regiões e, à medida em que o corante atingia cada uma dessas regiões, recebiam um escore, sendo que a soma destes correspondia ao escore da face; a soma dos escores atribuídos às faces axiais resultava no escore do dente. Esses escores foram atribuídos adotando-se o seguinte critério:

0. sem infiltração;
1. infiltração apenas na região chanfrada;
2. infiltração atingindo a parede axial até sua metade;
2. infiltração atingindo a parede axial além da sua metade;
2. infiltração atingindo o limite oclusal da parede axial.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Quadro 1 apresenta os valores individuais e suas respectivas médias, obtidas nos ensaios de resistência à remoção por tração de coroas totais cimentadas com cimento de ionômero de vidro, em dentes reconstruídos com "mistura milagrosa", com Cermet e em dentes sem reconstrução (controle).

 

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Uma análise desse quadro demonstra haver diferença numérica entre a resistência à remoção por tração das coroas totais cimentadas nas diferentes condições experimentais. Com a finalidade de determinar se essas diferenças observadas eram estatisticamente significantes, foi aplicada uma análise de variância para os valores obtidos no Quadro 1. Essa análise (Tabela 1) mostra que existe diferença estatisticamente significante, no nível de 5%, entre as diversas condições estudadas neste trabalho.

 

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Na Tabela 2, foram preparados os contrastes pelo método de Tukey, para verificar quais condições seriam as responsáveis pela significância estatística. Verifica-se, pela comparação individual entre as condições avaliadas, que apenas uma delas, ou seja, grupos reconstruídos com "mistura milagrosa" e Cermet, não mostrou diferenças estatisticamente significantes. Pode-se concluir, à luz desse teste, que apenas no caso de comparação entre os materiais de preenchimento não houve diferença estatisticamente significante.

 

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Quando se compara a condição controle ou grupo sem reconstrução com os grupos que foram reconstruídos com cimento de ionômero de vidro, verifica-se uma diferença estatisticamente significante, com vantagem para o grupo que não recebeu reconstrução. Esse fato indica que a união do agente cimentante no grupo sem reconstrução foi mais efetiva, resultando em uma resistência à remoção por tração superior.

É de fundamental importância, no entanto, a conservação de estrutura dentária com suficiente suporte, pois, além da proteção do próprio remanescente dentário com relação a possíveis fraturas, propicia ainda estabilidade e resistência superior à remoção por tração de restaurações fundidas, haja vista que, pelos resultados obtidos, o grupo de dentes sem reconstrução mostrou melhor comportamento. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de se manter ao máximo a estrutura dentária remanescente sadia, pois não existe no momento um material restaurador ou de preenchimento que substitua em condições de igualdade a estrutura dentária perdida.

Com relação aos dentes reconstruídos com "mistura milagrosa", esta, com a incorporação de limalha de prata, embora tenha mostrado um valor numérico ligeiramente superior, comparada à reconstrução com Cermet, mostrou, durante o teste de tração das coroas, fraturas coesivas no núcleo, praticamente em 100% dos casos. Isso demonstra que a ligação com o agente cimentante foi maior, provavelmente pela maior rugosidade da superfície, devido à incorporação da limalha de prata e, ainda, pelas partículas de vidro disponíveis para interação durante a cimentação. No entanto, em função da baixa resistência à tração ou da força coesiva do material, deduz-se que os valores obtidos durante o teste de tração estejam mais relacionados à resistência intrínseca do núcleo do que à resistência entre a coroa e o dente reconstruído. Importante nesse sentido é destacar a necessidade de que os pinos se estendam o mais oclusalmente possível, no caso de reconstrução com esse material, ou associar pinos em dentina, para favorecer a retenção e a estabilidade do mesmo.

ARCORIA et al.2 (1989) verificaram, quando da reconstrução de dentes empregando "mistura milagrosa" com quatro pinos rosqueados em dentina, uma grande porcentagem (41,80%) de fratura que se processava lateralmente aos pinos. Preocupados com esse problema, LLOYD; BUTCHART17 (1990), WILSON; McLEAN41 (1998) recomendam que tanto a "mistura milagrosa" como o Cermet sejam empregados como material de preenchimento em áreas com grande suporte dentário e que não haja tensões que favoreçam a fratura coesiva, ou seja, que as estruturas remanescentes protejam e envolvam o material de preenchimento. Assim, neste trabalho, conforme observações de FRANCO9 (1983) e FERNANDES8 (1986), para que a retenção friccional não se estabelecesse totalmente às custas do material de preenchimento, os corpos-de-prova do presente trabalho foram obtidos reconstruindo-se a porção coronária com "mistura milagrosa" e Cermet em dentes humanos, com a restauração metálica fundida englobando totalmente o material de reconstrução, estendendo-se 1,5 mm em estrutura dentária.

Analisando a Tabela 3, que mostra a soma dos valores dos escores de infiltração, verifica-se que existe diferença numérica no total dos escores, para cada condição testada. Observou-se, pelo coeficiente de concordância de Kendal (Tabela 4), que os escores atribuídos pelos examinadores eram consistentes e havia perfeita calibração entre os mesmos.

 

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A comparação entre os grupos foi feita pelo teste de Kruskal-Wallis (Tabela 5), utilizando-se postos médios dos três examinadores. Observa-se Hc = 6,298, que é estatisticamente significante (valor crítico a 5% = 5,991). Foram elaboradas comparações individuais, segundo a técnica de MILLER JR.25 (Tabela 6), para evidenciar qual dos materiais seria responsável por essa diferença. Pode-se observar, por essas comparações, que houve significância na comparação dos grupos de "mistura milagrosa" e Cermet com o grupo controle (dentes sem reconstrução).

 

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De modo geral, este trabalho evidenciou que o grupo controle (dentes sem reconstrução) foi o que melhor se comportou em termos de minimizar a infiltração marginal. Embora ARCORIA et al.2 (1989) afirmem que a cimentação com cimento de ionômero de vidro sobre núcleos de cimento de ionômero de vidro forma uma massa totalmente interligada, que é extremamente forte, e salientem como grande vantagem a efetiva união química que ocorreria entre os materiais da mesma natureza, permitindo um melhor desempenho e, clinicamente, exibindo melhores resultados, tal fato não ficou evidenciado em nosso trabalho.

Da mesma forma como verificado com o teste de tração, as hipóteses referentes ao acabamento, ao preparo do núcleo de preenchimento e à rugosidade podem ter contribuído para que essa união fosse prejudicada, favorecendo a infiltração marginal. Por outro lado, acredita-se que a adesão ocorra somente em algumas áreas do preparo7,31 e que a adição de 40% de prata ao cimento de vidro reduza substancialmente sua capacidade de adesão36, ocasionando zonas de favorecimento à infiltração marginal.

O número de ciclos térmicos empregados é passível de discussão. Recentemente, foi relatado por CRIM; GARCIA-GODOY4 (1987) que a ciclagem a curto prazo parece ser tão efetiva quanto a ciclagem mais longa. GUSMAN et al.12 (1969), por outro lado, acreditam que o número de ciclos térmicos empregados in vitro é limitado e relativamente pequeno quando comparado ao número de ciclos que podem ocorrer somente após umas poucas semanas na cavidade bucal. No entanto, PISANESCHI30 (1979) obteve, em seu trabalho, valores numéricos de infiltração mais elevados para os testes realizados in vitro do que in vivo, demonstrando que as condições da experimentação laboratorial são muito mais severas do que as da cavidade bucal em igual tempo, significando que os experimentos laboratoriais estariam simulando condições clínicas de períodos de duração maiores.

A infiltração marginal ocorrida nas amostras submetidas à ciclagem térmica pode ser atribuída não só às diferenças nos coeficientes de expansão térmica linear entre os dentes e materiais restauradores utilizados, como também ao agente cimentante. A incorporação de partículas metálicas, quando esses materiais são utilizados para reconstrução, altera essa característica, elevando esse coeficiente, tanto para o cimento tipo "mistura milagrosa" como para o Cermet. KERBY; BLEIHOLDER16 (1991) salientam que a incorporação de partículas metálicas ao cimento de ionômero de vidro altera suas propriedades físicas.

Para os dentes sem reconstrução, também foi verificado um padrão de infiltração marginal que pode ser considerado significativo com relação a outros trabalhos encontrados na literatura8,30. Por outro lado, acredita-se que as infiltrações marginais por corantes em estudos laboratoriais não constituem, por si só, provas de que as restaurações irão fracassar clinicamente. Embora as margens das mesmas possam ser penetradas por corantes, a vasta maioria das restaurações obtém sucesso11.

Um outro aspecto é o fato de que os valores laboratoriais obtidos neste estudo não podem prever inteiramente o comportamento clínico desses cimentos, devido a variáveis clínicas menos controláveis, sendo, portanto, de fundamental importância, nesse sentido, a utilização de materiais que liberem flúor, haja vista sua efetividade em termos de minimizar a reincidência de cárie, provavelmente pelo fator inibidor do flúor em relação às bactérias, tendo, portanto, efeito anticariogênico.

 

CONCLUSÕES

De acordo com os resultados obtidos e a análise estatística aplicada aos mesmos, é possível concluir, para os materiais testados neste trabalho, que:

1. Houve diferença estatisticamente significante na resistência à remoção por tração das coroas totais cimentadas nas diferentes condições experimentais.

2. Os dentes reconstruídos com "mistura milagrosa" e Cermet mostraram resistência à remoção por tração das coroas metálicas fundidas estatisticamente inferior quando comparada a do grupo controle (dentes sem reconstrução).

3. Quando comparados os grupos de dentes reconstruídos com "mistura milagrosa" e Cermet, não foi encontrada diferença estatística entre os mesmos.

4. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes entre os padrões de infiltração marginal em dentes reconstruídos com núcleo de "mistura milagrosa" e o grupo reconstruído com Cermet.

5. Foram encontradas diferenças estatisticamente significantes entre os padrões de infiltração marginal em dentes reconstruídos com núcleo de "mistura milagrosa" e Cermet quando comparados com o grupo sem reconstrução (controle).

 

 

ANDRADA, R. C. et al. Tensile strength and microleakage evaluation of full cast crowns cemented on core buildups reinforced with glass-ionomer. Rev Odontol Univ São Paulo, v. 11, n. 3, p. 181-188, jul./set. 1997.

The aim of this work was to measure tensile strength and microleakage of full cast crowns cemented on built-up cores using two formulations of glass-ionomer cement, Cermet and "miracle-mix", as compared to full cast crowns cemented exclusively on tooth structure. Thirty freshly extracted upper molars were selected, ten for each experimental condition. An alloy of the silver/tin system (M3) was employed to obtain the full crowns. The samples were thermocycled at 5ºC, 37ºC and 55ºC, for 60 minutes, during 7 days. For the last thermal cycle, 1% Rhodamine B aqueous solution dye was used. After that, the samples were washed and kept at room temperature for 24 hours, and taken to a universal testing machine for testing. The data were analyzed by parametric and non parametric statistical methods and the following conclusions were drawn: 1 - there was a statistically significant difference in removal resistance of cemented full crowns under the various conditions; 2 - the crowns cemented on the "miracle-mix" and Cermet reconstructed teeth showed statistically significant lower removal resistances than controls (teeth which had not been reconstructed); 3 - no statistically significant difference was found comparing teeth reconstructed either with "miracle-mix" or Cermet; 4 - no statistically significant differences were found between microleakage patterns in teeth rebuilt with the "miracle-mix" and with Cermet; 5 - statistically significant differences were found between microleakage patterns in teeth rebuilt with "miracle-mix" and Cermet cores as compared to the non reconstructed group (control).

UNITERMS: Crowns; Glass-ionomer cements; Cermet cements.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 08/04/96
Aceito para publicação em 07/04/97

 

 

*Trabalho apresentado como requisito para cumprimento de créditos do Curso de Pós-Graduação em Doutorado no Departamento de Dentística da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo.
**Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Santa Catarina.
***Professor Doutor do Departamento de Dentística da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo.
****Professor Associado do Departamento de Dentística da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo.

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