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Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo

Print version ISSN 0103-0663

Rev Odontol Univ São Paulo vol. 12 no. 1 São Paulo Jan./Mar. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-06631998000100003 

ANÁLISE AO MICROSCÓPIO ELETRÔNICO DE VARREDURADAS PROJEÇÕES DE RESINA ("TAGS") EM DENTES RESTAURADOS APÓS INTERVENÇÃO ENDODÔNTICA

SCANNING ELECTRON MICROSCOPE ANALYSIS OFRESIN PROJECTIONS (TAGS) IN RESTORED TEETH AFTERENDODONTIC PROCEDURES

 

Danilo Minor SHIMABUKO*
Carlos Eduardo AUN**

 

 

SHIMABUKO, D. M.; AUN, C. E. Análise ao microscópio eletrônico de varredura das projeções de resina ("tags") em dentes restaurados após intervenção endodôntica. Rev Odontol Univ São Paulo, v.12, n.1, p.5-12, jan./mar. 1998.

Avaliou-se in vitro, em 25 caninos humanos restaurados em nível coronário com resina composta fotopolimerizável após sofrerem intervenção endodôntica, a formação de projeções de resina ("tags") quanto a sua uniformidade e quantidade, variando-se o modo de aplicação, e a influência do ataque ácido e do uso de adesivos dentinários nas superfícies restauradas. Através da avaliação qualitativa por 3 observadores de fotomicrografias obtidas ao microscópio eletrônico de varredura, observou-se que houve formação de "tags" com melhor uniformidade no grupo em que se aplicou a resina fluida com bolinhas de algodão e imediata colocação da resina composta, sendo os dois materiais polimerizados conjuntamente, e com maior quantidade no grupo em que a resina fluida foi homogeneizada com jateamento de ar. A ausência de ataque ácido ou a não aplicação do sistema de adesão à dentina podem prejudicar a formação dos "tags" de resina.

UNITERMOS: Restauração dentária; Ataque ácido dentário; Resinas compostas.

 

 

INTRODUÇÃO

Ao final de um adequado tratamento endodôntico, espera-se que o elemento dental volte a exercer suas funções estéticas e funcionais, fazendo parte integrante do sistema mastigatório. Para que esses objetivos possam ser alcançados, a restauração de sua anatomia coronária assume um caráter primordial, principalmente no que diz respeito à substituição das estruturas removidas durante a terapia endodôntica quando da eliminação de tecido cariado ou de restaurações existentes e da cirurgia de acesso aos canais radiculares.

Nesse particular, PAIVA; ANTONIAZZI9 (1988) salientam que, em dentes anteriores onde houve remoção somente de estrutura dental o suficiente para a abertura cirúrgica necessária à endodontia, esses elementos dentais deveriam ser restaurados com resina composta fotopolimerizável. Nos casos de aberturas coronárias amplas ou quando o dente possui colo cervical estreito, um pino intra-radicular deveria ser associado ao material restaurador com o objetivo de aumentar a resistência contra fratura.

Nesse contexto, o uso de resinas compostas tem sido amplamente pesquisado, seja em dentes anteriores, seja posteriores, não só pelas propriedades estéticas desse material, como pela sua adequada resistência à compressão, quando corretamente indicado, conforme salientam TROPE et al.13,14 (1986,1985).

Além dessa função restauradora, RABIE et al.10,11 (1985, 1986) têm utilizado resinas compostas no fortalecimento de dentes permanentes jovens durante seu processo de apicificação/apicigênese, com o objetivo de diminuir a incidência de fraturas radiculares verticais ou horizontais.

A aplicabilidade desse material é devido principalmente à íntima adesão com as estruturas dentais, que é conseguida clinicamente com o uso da técnica de condicionamento ácido tanto do esmalte como da dentina. Em nível de esmalte, observa-se a formação de poros em forma de crateras. Já em nível de dentina, apesar de o ataque ácido não agir em profundidade, ele modifica a superfície dentinária, que se apresenta rugosa e com a dentina peritubular dissolvida, conforme observam LEE et al.8 (1972) empregando ácido fosfórico e ácido cítrico como agentes descalcificantes.

Essa modificação da superfície dentinária apresentando-se não só com aumento dos túbulos dentinários, mas também com a dentina peritubular desintegrada confere aos canalículos uma forma de funil, por onde haverá um melhor escoamento da resina e a conseqüente formação de projeções ou "tags" de resina, como salientam IWAKU et al.7 (1981) avaliando grupos de dentes vitais, recém-extraídos ou armazenados por determinado período de tempo.

Observa-se ainda que, dependendo do tipo de resina utilizado, pode haver diferenciação quanto a tamanho, forma e número de projeções ou "tags" formados, fato esse observado por SOUZA et al.12 (1988), que constataram diferenciação entre o comprimento dos "tags" não só entre marcas comerciais distintas, mas também dependendo do tipo de ácido fosfórico empregado — em forma de gel ou solução.

Tem-se observado que a associação da técnica de ataque ácido com o uso de condicionadores de dentina ("primer"), adesivos dentinários e resinas fluidas ("bond") permitiu que a resina composta apresentasse menor contração de polimerização, com a formação de uma interface resina/dentina a mais íntima possível, conforme resultados de CHIGIRA et al.4 (1991); BARNES1 (1977).

Procurando relacionar o mecanismo de união resina/dentina, TYAS et al.15 (1988) enfatizam a necessidade do uso de um condicionador dentinário ("primer") que seja tanto hidrofílico como hidrofóbico, para que possa ser "compatível" à dentina e à resina composta, respectivamente.

Outro fator a ser considerado é o modo de aplicação do material restaurador, pois, apesar de se ter como consenso a técnica incremental para inserção da resina composta, conforme CRIM; CHAPMAN5 (1986) e HANSEN; ASMUSSEN6 (1989), a colocação da resina fluida ("bond") ainda merece avaliações, principalmente devido à constante renovação de materiais disponíveis ao profissional.

Diante do exposto, o presente trabalho procurou: a) analisar a formação de "tags" de resina quanto à sua uniformidade e quantidade, variando-se o modo de aplicação e b) avaliar a influência do ataque ácido e do uso de adesivos dentinários nas estruturas a serem restauradas.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Para o presente estudo, foram utilizados 25caninos humanos recentemente extraídos e sem a presença de cáries ou material restaurador. De início, procedeu-se a cirurgia de acesso e o preparo químico-cirúrgico, acorde técnica preconizada por PAIVA; ANTONIAZZI9 (1988), em todos os dentes utilizados. Após irrigação e aspiração com TergentolI -FuracinII e secagem com cânulas e cones de papel absorventes, aplicou-se pequena camada de guta-percha nas imediações da entrada do canal radicular, delimitando a região coronária da radicular. Os dentes foram então agrupados aleatoriamente em 5 grupos experimentais:

  • Grupo 1: Realizou-se ataque ácido com ácido ortofosfórico a 37% em forma de gel(Esticid III ), por toda a   câmara pulpar, abrangendo as superfícies dentinárias e de esmalte por 1 minuto; apóslavagem com "spray" de ar e água por 15segundos e secagem com ar, aplicou-se "primer" (EDTA IV ) em toda a região condicionada por 30 segundos e, em seguida, adesivo dentinário (Denthesive II V ) durante 15 segundos na superfície dentinária. Através de um pincel, cobriu-se toda a superfície da câmara pulpar com resina fluida (Adhesive Bond VI ) e, através de "spray" de ar, procurou-se obter uma camada fina e homogênea. Polimerizou-se então por 20segundos em cada face dental. Fez-se posteriormente a aplicação da resina composta (CharismaVII ), em porções incrementais polimerizadas por 20segundos, até o completo preenchimento de toda a câmara pulpar.
  • Grupos 2 e 3: Como descrito para o Grupo 1, procedeu-se nesses dois grupos ataque ácido (Esticid), aplicação de "primer" (EDTA) e adesivo dentinário (Denthesive II), sendo que, para o Grupo 2, a resina fluida (Adhesive Bond) foi aplicada e homogeneizada com uma bolinha de algodão, recebendo em seguida a resina composta (Charisma). Já no Grupo 3, houve a aplicação da mesma resina fluida com algodão e, imediatamente, preenchimento da câmara pulpar com a resina composta, sendo os dois materiais polimerizados conjuntamente.
  • Grupo 4: Fez-se ataque ácido, como descrito para o Grupo 1, porém não se aplicou o "primer" nem adesivo dentinário, sendo a aplicação da resina fluida e da resina composta realizada como descrita para o Grupo 1.
  • Grupo 5: Não se procedeu ataque ácido, sendo as demais etapas — "primer", adesivo dentinário, resina fluida e aplicação da resina composta — realizadas como descrito para o Grupo 1.

Removeu-se então a porção radicular abaixo da camada de guta-percha, com o objetivo de facilitar o processo de descalcificação. Para esse processo, os dentes foram imersos por 3 dias em ácido nítrico a 5%, sendo a solução renovada diariamente. Lavou-se em água corrente por 2 horas, eliminando-se resíduos da substância desmineralizadora, e armazenou-se por 2 dias em água destilada. Feito isso, os espécimes permaneceram em hipoclorito de sódio a 5,25% por 2 dias, para remoção das estruturas remanescentes, sofrendo posteriormente lavagem em água corrente e armazenamentopor 24 horas.

Ao término desse processo, obteve-se a total descalcificação da coroa de cada elemento dental, restando somente a resina composta (Charisma*), que foi colocada na câmara pulpar. Esses pequenos espécimes em resina sofreram então desidratação em escala crescente de álcoois e preparo para serem analisados quanto à formação de "tags" de resina, através do microscópio eletrônico de varredura.

Fotomicrografias de 1000 aumentos foram obtidas de cada espécime, as quais foram ordenadas e qualificadas por 3 cirurgiões-dentistas, sem prévio conhecimento do grupo analisado, quanto à uniformidade e/ou quantidade de "tags" observados em cada amostra dos 5 grupos experimentais. Para tanto, os observadores graduaram as amostras segundo a pontuação do Quadro 1.

 

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RESULTADOS

As vinte e cinco fotomicrografias obtidas foram ordenadas qualitativamente pelos três observadores, considerando-se individualmente os critérios "uniformidade" e "quantidade de `tags' formados", totalizando setenta e cinco leituras, ou seja , quinze para cada grupo experimental. 

 

Uniformidade

Quanto a esse parâmetro, o grupo que apresentou maior número de avaliações com índice 4 (uniformidade total) foi aquele em que se polimerizaram a resina fluida e a resina composta conjuntamente, resultado obtido em 7 leituras. Os piores índices foram observados no grupo 4 (sem adesivo dentinário, com 6 leituras) e grupo 5 (sem ataque ácido, com 5 leituras), recebendo graduação 0, ou seja, ausência de "tags", conforme pode ser observado na Tabela 1. Pode-se verificar também que nos grupos em que houve aplicação de adesivo dentinário e condicionamento ácido da dentina (Grupos1, 2 e 3) não houve leituras com índice 0, isto é, nesses grupos, apesar de haver variação quanto à uniformidade dos "tags" formados, eles foram detectados em todos os espécimes avaliados.

 

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As avaliações realizadas sofreram análise estatística pelo teste de Nemeyi, obtendo-se o Gráfico1 e a Tabela 2. O Gráfico 1 representa a soma dos postos de cada grupo experimental, isto é, uma representação quantitativa das leituras realizadas pelos 3 avaliadores. Observa-se o maior índice alcançado pelo Grupo 3, seguido decrescentemente pelos Grupos 1, 2, 4 e 5. Na análise estatística, confrontaram-se os grupos dois a dois, sendo os resultados significantes estatisticamente (em nível de 5%) quando a diferença entre os postos fosse igual ou maior que o valor crítico determinado estatisticamente de 322,2. Pela Tabela 2, a qual representa a diferença duas a duas entre os 5grupos experimentais, nota-se que houve variação estatisticamente significante entre os grupos 3 e 4 e os grupos 3 e 5 (diferença igual ou maior que 322,2).

 

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GRÁFICO 1 - Teste de Nemeyi. Soma dos postos de cada grupo (uniformidade).

 

 

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Quantidade

Quanto a esse parâmetro "quantidade de `tags' formados", conforme demonstra a Tabela 3, os melhores resultados foram encontrados no Grupo1 (aplicação da resina fluida com pincel e homogeneização com "spray" de ar), em que houve 10 leituras com índice 4 (muitos "tags"), e no Grupo 3 (polimerização da resina fluida e da resina composta conjuntamente), com 9 leituras com graduação máxima. Confirmando os dados obtidos acima, observa-se que o Grupo 3 não obteve nenhuma leitura com índices baixos (0 ou 1), ao contrário dos outros grupos experimentais, principalmente o grupo 5 (sem ataque ácido), que apresentou 3 leituras com índice 0 e 5com índice 1.

 

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Quando da análise estatística pelo teste de Nemeyi, adotando-se os mesmos critérios utilizados para o parâmetro "uniformidade", observou-se, pela análise do Gráfico 2 e da Tabela 4, diferença estatisticamente significante quando comparados os Grupos 1 e 5 e os Grupos 3 e 5 (diferença entre a soma dos postos igual ou maior que 322,2).

 

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GRÁFICO 2 - Teste de Nemeyi. Soma dos postos de cada grupo (quantidade).

 

 

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Através das fotomicrografias (Figuras 1 a 5), procurou-se selecionar amostras representativas de cada grupo experimental, considerando-se os parâmetros "uniformidade" e "quantidade de `tags' observados".

 

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FIGURA 1 - Grupo 1 ("spray" de ar).

 

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FIGURA 2 - Grupo 2 (bolinha de algodão).

 

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FIGURA 3 - Grupo 3 (polimerização conjunta: resina fluida + composta).

 

 

FIGURA 4 - Grupo 4 (sem adesivo destinatário)

 

 FIGURA 5 - Grupo 5 (sem ataque ácido).

 

 

DISCUSSÃO

Com o desenvolvimento dos adesivos dentinários permitindo uma melhor adesão entre o material restaurador e as paredes dentinárias, a restauração de dentes tratados endodonticamente tem sido facilitada, principalmente quanto ao fortalecimento das paredes remanescentes e nos casos de dentes traumatizados, os quais se apresentam com paredes finas e frágeis, conforme RABIE et al.10,11 (1985, 1986).

Esse fortalecimento seria conseguido pela formação de "tags" ou cordões de resina que, penetrando nos canalículos dentinários, permitem a formação de uma adesão mecânica, havendo uma correlação direta entre o comprimento do "tag" e a sua força de adesão (CHEN3, 1990). CHAPELL et al.2 (1994) salientam que, dependendo do tipo de resina ou de adesivos utilizados, pode haver uma penetração em nível de canais laterais, com a formação de uma estrutura tridimensional de adesão dos "tags". Portanto, a sua formação estaria relacionada ao tipo de material utilizado, a sua forma de aplicação e ao tipo de condicionamento ácido aplicado ao esmalte e/ou à dentina (IWAKU7, 1981; WALSHAM16, 1994).

Em nosso estudo, utilizamos o mesmo tipo de resina composta fotopolimerizável, Charisma, e seu sistema de adesivo dentinário, Denthesive II, nos 5grupos avaliados, variando-se somente seu modo de aplicação, como demonstrado em Materiais e Métodos. Com o objetivo de avaliar o padrão de "tags" formados, adotou-se uma metodologia qualitativa, em que os avaliadores foram orientados a graduar as fotomicrografias em uma escala crescente de 0 a 4 quanto aos parâmetros "uniformidade" e "quantidade" de projeções observadas, dois fatores intimamente relacionados à adesão do material restaurador à superfície dentinária.

Quanto ao fator "uniformidade dos `tags' formados", observamos que, no Grupo 3, em que se aplicou resina fluida com bolinhas de algodão e, em seguida, a resina composta, sendo os dois materiais polimerizados conjuntamente, os "tags" mostraram-se mais uniformes, não só quanto a sua forma cilíndrica, mas com a extremidade mais nítida. Observou-se também que os grupos em que não foi feito aplicação do sistema de adesão dentinária (Grupo 4) ou ataque ácido (Grupo 5) apresentaram os piores índices, estatisticamente significantes quando comparados aos obtidos pelo Grupo 3. As amostras do Grupo 1, em que foi realizada a aplicação da resina fluida com pincel e posterior jateamento de ar, e as do Grupo 2, em que a resina fluida foi aplicada com o uso de bolinhas de algodão, apresentaram índices semelhantes, demonstrando não haver diferenças entre os dois métodos de colocação da resina fluida quanto ao aspecto de uniformização dos "tags" formados, principalmente quando associado à técnica incremental para restauração, como foi utilizado nos 5 grupos experimentais, estando os resultados de acordo com os encontrados por CRIM et al.5 (1986); HANSEN; ASMUSSEN6 (1989).

No que diz respeito à quantidade de "tags" formados, os melhores resultados foram apresentados pelo Grupo 1, em que foi feita aplicação da resina fluida com pincel e posterior jateamento de ar; isso talvez tenha sido ocasionado pela pressão exercida contra a abertura dos canalículos dentinários, que, encontrando-se em forma de funil, permitiram um melhor escoamento da resina fluida. Observou-se também que a ausência do sistema de adesivo dentinário (Grupo 4) não alterou a quantidade de "tags" formados, uma vez que os resultados foram semelhantes aos do Grupo 2, em que houve aplicação do adesivo dentinário. Quanto ao ataque ácido, observa-se que, quando esse passo operatório não foi realizado, a quantidade de "tags" formados foi estatisticamente menor, como demonstram os resultados dos Grupos 1 e 3 quando confrontados com o Grupo 5, resultados esses em conformidade com os encontrados por LEE et al.8 (1972); BARNES1 (1977); CHEN3 (1990).

Através da análise desses dois parâmetros — "uniformidade" e "quantidade de `tags' formados" por um mesmo tipo de resina composta fotopolimerizável, variando-se seu modo de aplicação —, observamos a eficácia tanto do uso do jateamento de ar como do esfregaço com bolinhas de algodão com o objetivo de homogeneizar a camada de resina fluida aplicada, havendo conseqüentemente a formação de uma união mais rígida e íntima entre o material restaurador e as paredes dentinárias. É interessante observar que a grande maioria das pesquisas sobre a formação de "tags" está relacionada à sua mensuração quantitativa, ou seja, à avaliação de seu comprimento, como demonstram SOUZA et al.12 (1988); CHEN3 (1990); WALSHAW; COMB16 (1994), não se importando com o aspecto qualitativo, como procuramos analisar em nosso trabalho.

Portanto, a partir dos resultados encontrados, o mais desejável clinicamente seria a formação de "tags" em maior quantidade possível, auxiliado pelo uso de adesivos dentinários e ataque ácido. Entretanto, o profissional deve ter em mente que os dois parâmetros analisados, quantidade e uniformidade, estão intimamente relacionados e interdependentes, ou seja, a melhor adaptação do material restaurador ocorrerá quando houver a formação de "tags" em maior quantidade possível e com um padrão uniforme quanto à sua morfologia.

 

CONCLUSÕES

De posse dos resultados encontrados, podemos afirmar que:

  • Houve formação de "tags" ou projeções de resina nos 5 grupos avaliados, havendo maior uniformidade nas amostras do Grupo 3 e maior quantidade nas amostras do Grupo 1.
  • O jateamento de ar e o esfregaço com bolinhas de algodão mostraram-se métodos eficazes para aplicação da resina fluida ("bond").
  • A ausência de ataque ácido (Grupo 5) ou a não aplicação do sistema de adesão à dentina (Grupo 4) podem prejudicar a formação dos "tags" de resina e, conseqüentemente, diminuir a adesão tanto ao esmalte quanto à dentina.

 

 

SHIMABUKO, D. M.; AUN, C. E. Scanning electron microscope analysis of resin projections (tags) in restored teeth after endodontic procedures. Rev Odontol Univ São Paulo, v.12, n.1, p.5-12, jan./mar. 1998.

Twenty-five human canines restored at the coronal level with photoactivated composite resin after endodontic procedures were evaluated for the following factors: a) resin tags formation, uniformity and amount, while varying the application method; b) acid etch and dentin adhesives importance on restored surfaces. Through qualitative evaluation by 3 examiners of photomicrographs obtained by SEM, it was observed that resin tag formation with best uniformity was found in the group where the bond was applied by cotton pellets with the immediate placement of the composite resin, being both materials polymerized together. Greater amount of tags was found in the group where the bond was homogenized with air spray. The absence of acid etch or the lack of application of the dentin adhesion system can hinder the formation of resin tags.

UNITERMS: Dental restoration; Acid etching, dental; Composite resins.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 21/05/97
Aceito para publicação em 22/08/97

 

* Professor Adjunto da Disciplina de Endodontia da UNICID. Pós-graduando, nível de Mestrado, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

** Professor Associado da Disciplina de Endodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Professor Titular de Endodontia da UNICID.

I Tergentol. Laboratório Veafarm Ltda. São Paulo

II Furacin/Solução. Laboratório Eaton do Brasil Ltda. São Paulo.

III Esticid gel. Ácido ortofosfórico 37%. Heraeus Kulzer Gmbh.

IV Primer. Edta (ácido diamino-tetracético 17%). Heraeus Kulzer Gmbh.

V Denthesive II. Heraeus Kulzer Gmbh.

VI Adhesive Bond. Heraeus Kulzer Gmbh.

VII Charisma. Heraeus Kulzer Gmbh.

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