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Saúde em Debate

versão impressa ISSN 0103-1104

Saúde debate vol.38 no.101 Rio de Janeiro abr./jun. 2014

http://dx.doi.org/10.5935/0103-1104.20140019 

ARTIGO ORIGINAL

Quem são e como são tratados os pacientes que internam por diabetes mellitus no SUS?

Who they are and how are cared of the patients hospitalized for diabetes mellitus in SUS?

Martha Maria Vieira de Salles Abreu Artilheiro1 

Selma Cristina Franco2 

Victor Cubas Schulz3 

Camila Carneiro Coelho4 

1Mestre em Saúde em Meio Ambiente pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) - Joinville (SC), Brasil. Médica de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde - Rio de Janeiro (RJ), Brasil. marthaabreuartilheiro@gmail.com

2Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) - Campinas (SP), Brasil. Professora da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) - Joinville (SC), Brasil. scfranco@terra.com.br

3Graduado em Medicina pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) - Joinville (SC), Brasil. Médico residente da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB) - Blumenau (SC), Brasil. victorcs02@gmail.com

4Graduanda em Medicina pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) - Joinville (SC), Brasil. camila.carneiro10@gmail.com


RESUMO

Esta pesquisa objetivou descrever o perfil de pacientes de 30 a 59 anos internados por Diabetes mellitus (DM) e complicações, os aspectos relativos à saúde e atenção recebida, listar as principais causas de internação e verificar a adesão dos pacientes ao tratamento recomendado. Realizou-se estudo transversal com uso do Sistema de Informações Hospitalares do SUS e entrevistas. Encontrou-se a taxa de internação de 1,77 por 10 mil e entrevistaram-se 50 pacientes, predominantemente do sexo masculino com várias comorbidades. A maioria foi atendida na atenção primária, havendo relatos de dificuldade no acesso. O sub-registro das internações por DM e suas complicações limita o uso desse indicador.

Palavras-Chave: Diabetes mellitus; Atenção primária à Saúde; Hospitalização; Avaliação da qualidade dos cuidados de saúde; Avaliação de programas e projetos de saúde

ABSTRACT

This research aimed to describe the profile of patients between 30 and 59 years hospitalized with diabetes mellitus and its complications, health-related aspects and care received, to list the main causes of hospitalization and to verify the adherence of patients to treatment. A cross-sectional study was conducted by means of SUS Hospital Information System and by interviews. A hospitalization index of 1.77 per 10 thousand cases was found and fifty patients were interviewed, predominantly males with several comorbidities. Most of them were assisted at primary care level and reported difficulties in accessing the service. The underreporting of hospitalization cases by diabetes and its complications restricts the use of this indicator.

Key words: Diabetes mellitus; Primary health care; Hospitalization; Quality assurance; Health care; Program evaluation

Introdução

O Diabetes Mellitus (DM) tipo 2 é uma doença crônica de caráter evolutivo que acomete cerca de 347 milhões de pessoas no mundo (DANAEI ET AL, 2011) e constitui causa direta de mais de 3,5 milhões de óbitos (WHO, 2009).

No Brasil, estima-se que cerca de 5% da população adulta possui DM, concentrando-se em faixas etárias mais avançadas, atingindo aproximadamente 7% da população entre 30 e 69 anos e 18% acima de 65 anos (BRASIL, 2009C). O DM representa 5,2% das causas de mortes no Brasil e, juntamente com outras doenças crônicas, atinge especialmente grupos populacionais vulneráveis, como idosos e aqueles de baixa renda e escolaridade (FREITAS; GARCIA, 2012), tornando um tema de interesse para a saúde pública.

Sabe-se que o controle metabólico adequado pode retardar a progressão da doença e, atualmente, há um consenso entre os autores de que a Atenção Primária à Saúde (APS) dispõe das tecnologias necessárias para diagnosticar, intervir e acompanhar os pacientes diabéticos com efetividade, propiciando-lhes melhor qualidade de vida e reduzindo lesões nos órgãos-alvo (PAIVA; BERSUSA; ESCUDER, 2006; ROSA ET AL, 2007). Dessa forma, a APS vem sendo considerada o nível preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS) para coordenar os cuidados a esses pacientes, tanto a Estratégia Saúde da Família (ESF) como os modelos tradicionais.

No contexto internacional, desde a década de 90, autores têm utilizado indicadores da atividade hospitalar como medida da qualidade da atenção ambulatorial a diversas doenças, entre as quais o DM. São as chamadas Condições Sensíveis à Atenção Primária (CSAP), i.e., uma lista de condições de saúde para as quais a atenção primária efetiva, oportuna e suficiente seria capaz de reduzir os riscos de agravamento e complicações e, consequentemente, de internações (CAMINAL ET AL, 2004; LADITKA; LADITKA; PROBST, 2005).

No Brasil, a utilização desse indicador é recente e tem contribuído para conhecer tanto o perfil da atenção ambulatorial ofertada aos pacientes que internam com CSAP como a magnitude e evolução temporal das internações evitáveis para grupos de patologias ou para grupos populacionais após a implantação da estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS) e ESF (BRASIL, 2008A; ALFRADIQUE ET AL, 2009; DIAS-DA-COSTA ET AL, 2008; FERNANDES ET AL, 2009; NEDEL ET AL, 2008).

A partir de 2008, o Ministério da Saúde incluiu a taxa de internação por DM e complicações em pessoas de 30 anos ou mais como um indicador de pactuação obrigatória para os municípios brasileiros e, a partir de 2010, restringiu a faixa etária, que passou a ser de pessoas de 30 a 59 anos, considerando-se a possibilidade de evitar o evento, uma vez que, com o passar dos anos, a possibilidade de intervir na história da doença declina (BRASIL, 2008B; BRASIL, 2009A; BRASIL, 2009B).

A ocorrência de internação por DM e suas complicações seria, assim, um indicativo de falha na atenção aos pacientes portadores dessa doença crônica, que requer seguimento contínuo e prolongado, com ações de prevenção de complicações tais como o coma ou a cetoacidose diabética, as renais, oftálmicas, neurológicas, circulatórias, periféricas e múltiplas (BRASIL, 2008A).

Face ao contexto, este estudo tem como objetivo principal traçar o perfil dos pacientes entre 30 a 59 anos, internados por complicações do DM e identificados pelo Sistema de Internação Hospitalar (SIH), nos anos de 2008 a 2010. Como objetivos específicos: descrever o perfil sóciodemográfico, os aspectos relativos à saúde e à atenção recebida pelos pacientes, listar as principais causas de internação relacionadas ao DM e verificar a adesão dos pacientes ao tratamento recomendado.

Metodologia

Trata-se de estudo transversal com o emprego de dados secundários obtidos no SIH gerenciado pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS, 2012).

Universo do estudo

Realizou-se a pesquisa no município de Joinville, Santa Catarina, que possui cerca de 500 mil habitantes e uma rede básica estruturada composta por 56 unidades que cobrem a totalidade dos munícipes, 20 das quais funcionam segundo o modelo tradicional de APS, com cobertura de 62,4% e 36 delas segundo a ESF, cobrindo 37,6% da população.

Desde 1995, a Secretaria Municipal de Saúde possui programa para atenção aos pacientes com DM cujo protocolo prevê a realização de consultas médicas rotineiras a cada seis meses e consultas de enfermagem, com realização da dosagem do hemoglicoteste (HGT) mensal, bimensal, trimestral ou conforme necessidade, além de grupos educativos. Há revisões periódicas do protocolo assistencial e um programa de educação continuada para atualização dos profissionais de saúde. Entretanto, não ocorre avaliação rotineira dos resultados das ações e das metas pactuadas; dessa forma, inexistem dados sobre a eficácia do programa e do protocolo vigente.

Critérios de inclusão e exclusão

Foram convidados a participar do estudo os sujeitos que atenderam aos seguintes critérios: ter idade entre 30 e 59 anos no momento da internação; ser residente no município; ter tido ao menos uma internação nos hospitais públicos ou conveniados ao SUS no município, nos anos de 2008, 2009 e 2010, devido ao diabetes ou complicações associadas e registradas no SIH com os seguintes CIDs (Código Internacional de Doenças): coma ou cetoacidose: E10.0, E10.1, E11.0, E11.1, E12.0, E12.1, E13.0, E13.1, E14.0, E14.1; complicações (renais, oftálmicas, neurológicas, circulatórias, periféricas, múltiplas, outras e não especificadas) E10.2, E10.8, E11.2, E11.8, E12.2, E12.8, E13.2, E13.8, E14.2, E14.8; e sem complicações específicas: E10.9, E11.9, E12.9, E13.9, E14.9 (BRASIL, 2008A).

Foram excluídos os sujeitos que não tinham condições intelectuais para compreender os procedimentos do estudo ou se recusaram a participar.

Procedimentos metodológicos

Utilizou-se o aplicativo Tabwin do DATASUS (2012) para acessar a base de dados do SIH e selecionar os pacientes. A sistemática adotada na busca utilizou filtros de exclusão por registros de ano de competência anterior ao estudo, por idade, município de residência, por Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), e conferência de nome do paciente e data da internação para exclusão de duplicidades de informações. Dessa forma, identificaram-se 115 internações. Após a exclusão de cinco pacientes que, ao serem contatados negaram o diagnóstico, restaram 110 internações que corresponderam a 100 pacientes, pois cinco deles foram internados mais de uma vez. Ao serem contatados por telefone para entrevista, verificou-se que 24 deles foram a óbito e 26 não foram encontrados após diversas tentativas por telefone ou visita aos endereços registrados no cadastro da Secretaria Municipal de Saúde. A amostra final foi de 50 pacientes que aceitaram fazer parte do estudo. Após o aceite verbal, agendou-se uma visita no domicílio em dia e horários marcados conforme a conveniência dos participantes e a disponibilidade dos pesquisadores. As entrevistas foram realizadas por dois acadêmicos do curso de Medicina sob supervisão direta da pesquisadora. Foi assinado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição com processo nº 095/2011.

Para a coleta de dados elaborou-se questionário com 36 questões fechadas a respeito das condições sóciodemográficas, econômicas e de saúde, bem como sobre a utilização dos serviços de APS do Município e adesão ao tratamento recomendado.

Os dados dos questionários foram digitados em uma planilha MS-Excel (v. 2003) e conferidos por outro digitador visando garantir a qualidade da digitação. Para a apresentação das características gerais da amostra, foram utilizados a média e o desvio padrão para as variáveis quantitativas contínuas, e análise de frequências (absoluta e relativa) para as variáveis qualitativas.

Para a análise estatística dos dados, utilizou-se o programa MsExcel2003, procedendo-se à programação das fórmulas dos testes. Adotou-se 5% (p<0,05) como nível de significância estatística. Utilizaram-se os seguintes testes estatísticos, conforme as escalas das variáveis e circunstâncias: qui-quadrado clássico com correção de Yates, teste exato de Fisher bicaudal, teste U de Mann-Whitney e teste rho de Pearson.

Resultados

No período estudado, identificou-se 110 internações, perfazendo uma taxa média de internação por DM e suas complicações de 1,77 por 10.000 habitantes entre 30 e 59 anos, com taxas anuais de 1,59, 1,66 e 2,04, correspondente, respectivamente, aos anos de 2008, 2009 e 2010. Chamou a atenção o baixo número de registros de internação por DM no período.

A comparação entre os pacientes participantes e não participantes da pesquisa não mostrou diferenças significativas com relação ao sexo (p=0,95). Quanto à idade, no grupo de não participantes, havia mais pacientes na faixa etária entre 50 e 59 anos (p=0,046).

As características sóciodemográficas dos pacientes que compuseram a amostra mostrou um predomínio do sexo masculino (56%), da faixa etária entre 40 e 49 anos (46%), de casados (60%), sendo que a grande maioria morava acompanhado (94%). Mais da metade deles possuía baixa escolaridade, sendo que 50% completou apenas o ensino fundamental e 14% se declarou analfabeto. Com relação ao aspecto econômico, a maioria (88%) possuía renda, encontrava-se em situação de independência financeira (90%) e pertencia às classes econômicas B ou C (88%), consideradas intermediárias. Não houve pacientes das classes extremas, A e E (tabela 1).

Tabela 1 Características sociodemográficas e económicas dos diabéticos internados em 2008, 2009 e 2010 

Características (n=50) N %
Gênero    
  Masculino 28 56
  Feminino 22 44
Faixa etária (anos)*    
  30-39 3 6
  40-49 23 46
  50-59 18 36
  60-69* 6 12
Estado civil    
  Solteiro 15 30
  Casado 30 60
  Viúvo 5 10
Situação de moradia    
  Mora acompanhado 47 94
  Mora sozinho 3 6
Escolaridade    
  Analfabeto 7 14
  Até quarta série 25 50
  Fundamental completo 10 20
  Médio completo 7 14
  Superior completo 1 2
Possui renda própria    
  Sim 44 88
  Não 6 12
Depende de ajuda para subsistência    
  Sim 5 10
  Não 45 90
Classe econômica (ABEP)    
  Média (B/C) 44 88
  Baixa (D) 6 12
Diabetes prejudica as atividades diárias    
  Sim 39 78
  Não 11 22

*Refere-se à idade no momento da entrevista e não da internação.

Fonte: Elaboração própria

Quanto ao perfil de saúde, encontrou-se elevado percentual de pacientes em tratamento para hipertensão arterial (52%). Outras comorbidades foram mencionadas em percentual elevado, principalmente as oftalmopatias (32%), doença vascular periférica (32%), nefropatias (28%) e cardiopatias (22%), muitas delas associadas. Vale ressaltar que 48% relataram possuir duas ou mais doenças concomitantes ao DM, mostrando tratar-se de um grupo com elevado acúmulo de morbidades graves. Quase a totalidade dos pacientes (92%) possuía DM do tipo 2 (adulto), com um percentual importante (44%) de pacientes que relataram tempo de evolução igual ou superior a dez anos. No período do estudo, 64% dos pacientes apresentaram duas ou mais internações por DM, corroborando o perfil de gravidade que caracterizou essa casuística.

Vale mencionar que, no banco de dados do DATASUS (2012), encontrou-se 90% de pacientes com apenas uma internação e 10% com duas durante os anos de 2008 a 2010, informação esta que não coincide com o relato dos pacientes obtido nas entrevistas. Cerca de um terço dos pacientes relatou ter realizado cirurgia devido ao DM ou complicações na vida e 4% afirmou estar em diálise atualmente. Com relação à necessidade de cuidados domiciliares, 4% dos pacientes eram acamados e 12% declararam necessitar de cuidador (tabela 2).

Tabela 2 Perfil de saúde dos diabéticos internados em 2008, 2009 e 2010 

Características (n=50) N %
Hipertensão associada    
  Sim 26 52
  Não 24 48
Comorbidade relacionadas ao diabetes    
  Oftalmopatia 16 32
  DVP 16 32
  Nefropatia 14 28
  Cardiopatia 11 22
  Outros 2 4
  Pneumopatia 0 0
Número de doenças associadas ao diabetes    
  Uma 10 20
  Duas 8 16
  Três ou mais 16 32
Diabetes desde criança    
  Sim 4 8
  Não 46 92
Tipo de diabetes    
  Tipo 1 4 8
  Tipo 2 46 92
Tempo de diabetes    
  0-9 anos 28 56
  10-19 anos 13 26
  20-29 anos 5 10
  30 ou mais anos 4 8
Número de internações devido ao diabetes    
  Uma internação 18 36
  Duas internações 15 30
  3 ou mais 17 34
Cirurgia devido ao diabetes    
  Sim 18 36
  Não 32 64
Diálise    
  Sim 2 4
  Não 48 96
Acamado    
  Sim 2 4
  Não 48 96
Necessita cuidador    
  Sim 6 12
  Não 44 88

Fonte: Elaboração própria

Quanto ao uso dos serviços de saúde, chamou a atenção que cerca de um quarto dos pacientes não realizou nenhuma consulta nos últimos 12 meses nas unidades de APS. Ao serem perguntados sobre a unidade na qual costumavam se consultar, verificou-se que predominaram as unidades básicas convencionais (68%) com um percentual bastante inferior (28%) de unidades de saúde da família, percentuais estes que acompanham a cobertura dos dois modelos de APS no município. Apenas 4% frequentavam serviços privados (tabela 3).

Tabela 3 Uso dos serviços de saúde nos diabéticos internados em 2008, 2009 e 2010 

Características (n=50) N %
Consulta na unidade básica últimos 12 meses    
  Nenhuma 12 24
  1-2 17 34
  3-4 15 30
  5-6 3 6
  7 ou mais 3 6
Local de atendimento    
  Unidade básica convencional 34 68
  Unidade básica de saúde da família 14 28
  Consulta particular 2 4
Motivo referido para não consultar na unidade básica    
  Sem vaga 14 28
  Não consegue ir 2 4
  Não se aplica 34 68
Consultas programadas/desejadas não realizadas na unidade básica    
  Nenhuma/ não se aplica 35 70
  Uma ou mais 15 30
Consultas com endocrinologista nos últimos 3 anos    
  Nenhuma/não se aplica 27 54
  Uma ou mais 23 46
Motivo da não consulta ao endocrinologista    
  Não foi encaminhado 23 46
  Não tinha vaga disponível 4 8
  Não se aplica 23 42

Fonte: Elaboração própria

A inexistência de vagas na agenda da unidade de APS foi relatada por 28% dos pacientes como motivo de não terem conseguido acesso. Dois pacientes que não conseguiram ir à unidade eram acamados. Ao serem perguntados sobre as consultas programadas (marcadas pela equipe de saúde) ou desejadas (busca espontânea do paciente), mas que não foram realizadas, 30% fez referência a uma ou mais, mostrando que nem sempre a porta de entrada garantiu o acesso a estes pacientes. Com relação à retaguarda especializada, quase a metade (46%) dos pacientes relatou ter se consultado com o endocrinologista nos últimos três anos. Entre os que não se consultaram (27 pacientes), 23 não foram encaminhados pelos profissionais da atenção primária e quatro não conseguiram acesso devido à falta de vagas (tabela 3).

Com relação às causas de internação encontradas nos registros do SIH, observou-se que 28 tiveram cetoacidose diabética, 16 apresentaram complicações circulatórias periféricas, seis pacientes entraram em coma, três apresentaram complicações renais, dois tiveram complicações oftálmicas, um teve outras complicações relacionadas ao diabetes, um teve múltiplas complicações, 33 apresentaram complicações não especificadas e 11 sem complicações identificadas pelo CID 10 na internação.

Os relatos dos pacientes sobre as recomendações recebidas e a adesão a elas mostram que, apesar de praticamente todos terem recebido as orientações quanto aos hábitos alimentares, prática de atividades físicas e tabagismo, poucos cumpriam diariamente (tabela 4).

Tabela 4 Distribuição dos pacientes diabéticos quanto às orientações recebidas e adesão às mesmas em 2008, 2009 e 2010 

Características (n=50) N %
Recebeu orientação sobre a dieta
  Sim 50 100
  Não 0 0
Realiza a dieta diariamente    
  Sim 28 56
  Não 22 44
Recebeu orientação sobre exercício físico    
  Sim 47 94
  Não 3 6
Realiza exercício físico diariamente    
  Sim 11 22
  Não 39 78
Recebeu orientação para parar de fumar*    
  Sim 12 100
  Não 0 0
Tabagista    
  Sim 11 22
  Não 39 78

*Os dados referem-se apenas aos que declararam ser tabagistas.

Fonte: Elaboração própria

Os achados quanto ao tratamento medicamentoso dos pacientes mostraram que a maioria (74%) fazia uso de insulina e um elevado percentual usava hipoglicemiante oral (60%). Apesar de quase 90% relatar uso correto da insulina quanto a horários e doses, 8% referiu falhas no uso diário. No caso do hipoglicemiante oral, a falha ocorreu em 10% dos pacientes. O principal motivo de falha foi o esquecimento (12%), sendo que a falta de disponibilidade nas unidades básicas foi relatada apenas por um paciente (tabela 5).

Tabela 5 Características do tratamento medicamentoso dos diabéticos internados em 2008, 2009 e 2010 

Características (n=50) N %
Usa insulina    
  Sim 37 74
  Não 13 26
Usa insulina conforme orientação médica*    
  Sim 33 89
  Não 4 11
Usa hipoglicemiante oral    
  Sim 30 60
  Não 20 40
Falha no uso dos remédios    
  Sim 9 18
  Não 41 82
Qual medicamento costuma falhar    
  Hipoglicemiante oral 5 10
  Insulina 4 8
  Toma corretamente 41 82
Motivo da falha no uso do medicamento    
  Toma corretamente 41 82
  Esquece de tomar 6 12
  Parou por conta própria 2 4
  Não tinha disponível no posto 1 2

*Os dados referem-se apenas aos que informaram o uso de insulina e dizem respeito aos horários e doses recomendados pelo médico.

Fonte: Elaboração própria

A aderência aos diversos componentes do tratamento - medicamentos, alimentação, atividade física e tabagismo - mostrou que apenas 4% realizou o tratamento correto com aderência a todos os itens mencionados. A despeito de o uso correto dos medicamentos ser essencial para evitar as descompensações do DM, percentual elevado (18%) de pacientes informou não tomar regularmente. Por outro lado, 34% relatou usar apenas os medicamentos sem aderir a outras medidas terapêuticas. Vale mencionar que o uso correto do medicamento associado à alimentação adequada apresentaram maior aderência (40%), sendo a atividade física e o tabagismo os menos citados.

Discussão

Este estudo objetivou traçar o perfil de pacientes portadores de DM que frequentam a rede pública de saúde em um município de médio porte no sul do Brasil e que apresentaram, no período entre 2008 a 2010, uma ou mais internações por DM e complicações, eventos esses considerados evitáveis, em sua maioria, e entendidos como marcadores indiretos da qualidade da atenção ambulatorial, principalmente da APS. O conhecimento do perfil de tais pacientes, bem como dos fatores associados a esses eventos, permite esclarecer aspectos da assistência prestada aos portadores de DM e, assim, contribuir para seu aprimoramento.

O número de casos registrados no SIH foi bastante inferior ao esperado quando comparado com índices encontrados em estudos nacionais, como o de Alfradique et al (2009) que identificaram que, das internações realizadas na rede hospitalar do SUS em 2006, houve mais de 120.000 internações só em relação ao DM, correspondendo a 4,3% de todas as internações por CSAP, a uma taxa de 6,5 por 10.000 habitantes. O mesmo ocorre quando se compara com dados existentes no próprio Ministério da Saúde (BRASIL 2009A), que apontam como meta nacional para o indicador Taxa de Internação por DM e suas complicações o valor de 6,0 por 10 mil em 2010 e 5,7 por 10 mil em 2011, ou seja, índices tres vezes mais elevados do que o encontrado no presente estudo. Esse sub-registro pode ser devido a falhas no registro das causas de internação do SIH, conforme já relatado por autores como Cavalini e De Leon (2007), Mendes et al(2012), Escosteguy et al(2002), Feijó e Portela (2001), Schramm e Szwarcwald (2000), Ferreira e Portela (1999) e Mathias e Soboll (1998).

Além do sub-registro das internações devido às CSAP, outro ponto que merece atenção refere-se aos pacientes que buscam os serviços de urgência (Pronto Atendimentos e Pronto Socorros) com quadros de descompensação, sendo medicados ou permanecendo em observação sem serem internados. Esses pacientes não são registrados nas estatísticas oficiais, embora tenham sofrido um agravo indicativo de possível falha assistencial, como mostrou estudo recentemente realizado em Paranaguá-PR com pacientes portadores de condições cardiológicas sensíveis à APS, revelando que apenas 18,8% dos que buscaram os serviços de urgência foram internados (MARTINS; FRANCO, 2012). Dessa forma, cabe uma crítica ao próprio indicador, que integra uma lista proposta pelo Ministério da Saúde para acompanhar o desempenho da rede assistencial dos municípios brasileiros em instrumentos como o Pacto pela Saúde (BRASIL, 2006B) e, mais recentemente, o Contrato Organizativo de Ação Pública (COAP) (BRASIL, 2011). Portanto, o sub-registro identificado neste estudo deve servir de alerta para outros estudos que pretendam monitorar a qualidade assistencial a partir desse indicador.

Chamou a atenção a elevada letalidade do grupo (24%), revelando tratar-se de pacientes em situação clínica de risco, que, portanto, devem ser monitorados rotineiramente pela rede ambulatorial, atenção primária e secundária. O perfil dos pacientes que internam por DM revelou predomínio do sexo masculino e faixa etária relativamente jovem (40-49 anos), o que difere de outros estudos realizados no Brasil no contexto da APS, onde houve predomínio de mulheres com faixa etária acima de 60 anos (ASSUNÇÃO; SANTOS; COSTA, 2002; HENRIQUE ET AL, 2008; COTTA ET AL, 2009).

Neste estudo, predominaram os pacientes casados ou que vivem acompanhados, o que parece ser um fator protetor já identificado para os cuidados que devem receber em casa, tais como apoio para tomar medicamentos, seguimento correto da dieta e mudanças no estilo de vida para manter hábitos saudáveis (BRASIL, 2001; BRASIL 2006A; OPAS, 2003; PONTIERI, BACHION, 2010). A baixa escolaridade e o elevado percentual de pacientes analfabetos revelam possíveis dificuldades na relação com os profissionais de saúde, conforme apontado por outros autores (COTTA ET AL, 2009; ESPIRITO SANTO ET AL, 2012; MENDES ET AL, 2011).

A inserção socioeconômica média, por outro lado, favorece o controle adequado da doença já que possibilita o acesso financeiro a produtos que a rede pública não fornece, tais como alimentos com alto teor de fibra, que reduzem a velocidade de absorção da glicose pelo intestino, contribuindo para o bom controle glicêmico e a melhoria do perfil lipídico; a redução do consumo de gorduras e aumento da ingesta de ácidos graxos ômega-3, que auxiliam na prevenção das complicações vasculares do diabetes, favorecendo a perda de peso e a adequação dos níveis sanguíneos de lipídios (COSTA ET AL, 2011; OPAS, 2010; PONTIERI; BACHION, 2010).

Apesar de o grupo estudado possuir um perfil de saúde indicativo de risco, assim como elevada proporção de outras comorbidades associadas ao DM, com destaque para a hipertensão arterial, e relato de duas ou mais internações por descompensação do DM, chamou a atenção que 24% não realizou nenhuma consulta nos últimos 12 meses, mostrando insuficiência na oferta de serviços. A falta de acesso à APS ficou evidente quando 28% desses pacientes informou não ter conseguido vaga na agenda das unidades básicas. Considerando que a grande maioria é usuária da rede de APS e que, no modelo assistencial proposto pelo SUS, ela é a coordenadora do cuidado, cabe aqui uma reavaliação do processo de trabalho das equipes com relação ao vínculo que estabelecem com os pacientes portadores de doenças crônicas, especialmente o acolhimento, o monitoramento rotineiro e a oferta de outros elencos de cuidados de saúde não limitados às consultas médicas ou de enfermagem, tais como as ações educativas e o autocuidado com responsabilização, a mobilização de recursos na comunidade, entre outros.

Tais aspectos vêm sendo ressaltados por diversos autores nacionais e internacionais que preconizam mudanças na APS com vistas à construção de modelos mais responsivos para o enfrentamento de problemas e necessidades de saúde complexas, como é o caso das doenças crônicas (ROCHA, 2003; PONTIERI, BACHION, 2010; NUNES, 2010; OPAS, 2010).

Vale mencionar que o acesso ao nível secundário não pareceu tão dificultado, uma vez que quase a metade dos pacientes teve consulta com endocrinologista nos últimos três anos e somente 8% não conseguiu consultas por falta de vaga. Nesse sentido, a rede assistencial pública de Joinville parece atender, ao menos em parte, às recomendações de Mendes (2012), que afirma ser fundamental a presença equilibrada de médicos generalistas e especialistas no seguimento conjunto dos pacientes portadores de condições crônicas. Entretanto, não se verifica a construção de um trabalho compartilhado entre esses profissionais e seus pacientes, bem como um maior protagonismo da APS na coordenação do cuidado aos pacientes com condições crônicas, reproduzindo um modelo de atenção fragmentada e com desperdício de recursos.

Com relação à adesão ao tratamento, verificou-se que, apesar de as recomendações terem sido fornecidas pelas equipes de saúde, poucos pacientes relataram mudanças nos hábitos alimentares, de atividade física, ingestão de álcool e tabagismo, elementos considerados primordiais para o controle adequado da doença (ASSUNÇÃO; SANTOS; COSTA, 2002; COTTA ET AL, 2009; ESPIRITO SANTO ET AL, 2012; PÉRES ET AL, 2007).

A falha no uso de medicamentos foi menor do que a adesão às demais medidas, mas, considerando que a interrupção do tratamento medicamentoso traz consequências graves para o paciente com DM, essa recomendação precisa ser bastante enfatizada e estratégias devem ser elaboradas para evitar a descontinuidade do uso (ESPIRITO SANTO ET AL, 2012), especialmente aquelas centradas no apoio ao autocuidado dos próprios pacientes (MENDES, 2012). É importante mencionar que a variedade e o abastecimento da rede de saúde com medicamentos para o DM têm melhorado consideravelmente nos últimos anos. Dessa forma, o compromisso dos pacientes com sua saúde parece ter se tornado central no controle da doença (ESPIRITO SANTO ET AL, 2012; MENDES, 2012).

A falta de adesão ao tratamento medicamentoso não se associou à maior chance de internações (GUIDONI ET AL,2009), sugerindo que a adesão ao conjunto das recomendações e não apenas aos medicamentos pode ter efeito protetor contra as internações (SARTORELLI; FRANCO, 2003; GUIDONI ET AL, 2009).

Este estudo mostrou que grande parte desse grupo de risco de elevada morbimortalidade não segue as orientações médicas quanto a mudanças nos seus hábitos de vida. Tal achado traz reflexões sobre o entendimento que o paciente possa ter sobre a doença e suas possíveis repercussões em diferentes âmbitos de sua vida que o mobilize para mudanças e também sobre as ferramentas que os profissionais de saúde necessitam para provocar mudanças de atitude nesses pacientes, produzindo a corresponsabilização necessária para o sucesso no controle da doença. Dentre elas, cabe destacar aqui as tecnologias leves e a clínica ampliada e compartilhada propostas por Merhy e Gastão Wagner (CAMPOS; AMARAL, 2007; CUNHA, 2004), respectivamente, com a finalidade de oferecer aos profissionais de saúde subsídios para enriquecer e modificar suas práticas e habilidades relacionais, abandonando a postura tradicional que tende a transformar o paciente em um objeto inerte ou em uma criança que deveria acatar, de maneira acrítica e sem restrições, todas as prescrições e diretrizes disciplinares da equipe de saúde, e caminhando no sentido da construção da autonomia e do autocuidado.

A construção do processo saúde-doença e o enfrentamento desses problemas devem basear-se na busca pela qualidade de vida, que é singular, em que a pessoa deixa de ser o paciente para ser o protagonista da sua história, embasado no apoio que a equipe de saúde deve dar para a construção de suas escolhas e da vida que quer ter.

Conclusões

A taxa média de internação por DM e complicações foi de 1,77 por 10.000 habitantes entre 30 e 59 anos. Identificou-se predomínio do sexo masculino (56%), da faixa etária entre 40 e 49 anos (46%), de casados (60%), sendo que a grande maioria morava acompanhada (94%). Mais da metade deles possuía baixa escolaridade e pertencia às classes econômicas B ou C (88%). Observou-se um perfil de risco, com elevado percentual de pacientes em tratamento para hipertensão arterial (52%), portadores de outras comorbidades (68%) e com necessidade de cuidador (12%). Apesar disso, 24% dos pacientes não realizou nenhuma consulta nos últimos 12 meses nas unidades de atenção primária e 30% relatou dificuldade no acesso.

As principais causas de internação foram a cetoacidose diabética, complicações circulatórias periféricas e coma. Proporção elevada de pacientes recebeu tratamento medicamentoso, insulina (74%) e hipoglicemiante oral (60%), sendo que 18% relataram falhas no uso diário. Apesar de os pacientes receberem orientações para controle da doença, a grande maioria não cumpria de forma rotineira.

Os limites deste estudo foram o sub-registro das internações identificadas no SIH, ocasionando uma amostra subestimada, e o fato de o instrumento de coleta de dados ser um questionário autorreferido, o que pode ter afetado a acurácia dos resultados.

É importante ressaltar que o sub-registro das internações encontrado constitui uma importante limitação para o uso dessa base de dados para o DM e levanta dúvidas sobre seu uso para outras condições clínicas que compõem a lista de doenças consideradas CSAPS.

Sugere-se maior sensibilização sobre a importância desse registro para que o indicador ganhe sensibilidade e seja capaz de mostrar as mudanças ocorridas em relação à internação por tais doenças, permitindo uma adequada avaliação da qualidade da atenção ambulatorial, especialmente da APS, e subsidiando a implementação de programas nacionais de melhorias na qualidade da atenção.

Cabe ainda fazer uma consideração a respeito do indicador estudado, para o qual deveria ser especificado se o paciente era portador de DM tipo 1 ou DM tipo 2, uma vez que são doenças com evoluções completamente distintas e, consequentemente, a possibilidade de se prevenir eventos negativos relacionados a elas também é bastante diferente.

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Suporte financeiro: não houve

Recebido: Novembro de 2013; Aceito: Maio de 2014

Conflito de interesse: inexistente

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