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Saúde em Debate

versão impressa ISSN 0103-1104versão On-line ISSN 2358-2898

Saúde debate vol.40 no.110 Rio de Janeiro jul./set. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/0103-1104201611019 

REVISÃO

A saúde física e mental do profissional médico: uma revisão sistemática

Mariana Evangelista Gracino1 

Ana Laura Lima Zitta2 

Otavio Celeste Mangili3 

Ely Mitie Massuda4 

1Centro Universitário Cesumar (Unicesumar) - Maringá (PR), Brasil. mariana.gracino@hotmail.com

2Centro Universitário Cesumar (Unicesumar) - Maringá (PR), Brasil. ana-zitta@hotmail.com

3Centro Universitário Cesumar (Unicesumar) - Maringá (PR), Brasil. otaviomangili@yahoo.com.br

4Centro Universitário Cesumar (Unicesumar), Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde (PPGPS) e Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (Iceti) - Maringá (PR), Brasil. elymitie@hotmail.com


RESUMO

O objetivo desta revisão sistemática da literatura foi de identificar as principais doenças que acometem os médicos em todo o mundo, mediante uma pesquisa eletrônica na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) baseada na metodologia Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (Prisma). Foram analisados 57 dos 374 artigos científicos encontrados sobre o tema em inglês, português e espanhol, publicados entre 2005 e 2015. Os resultados encontrados apontaram que os acometimentos mentais prevaleceram, destacando-se o esgotamento profissional (síndrome de burnout). Entre as doenças físicas, predominaram os acometimentos musculoesqueléticos.

PALAVRAS-CHAVE Doenças profissionais; Esgotamento profissional; Saúde do trabalhador

ABSTRACT

The objective of this systematic literature review was to identify the main diseases that affect physicians worldwide, through an electronic survey in the Virtual Health Library (BVS) database based on the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (Prisma) methodology. We analyzed 57 of the 374 scientific papers published on this subject between 2005 and 2015 in English, Portuguese, and Spanish. The findings showed that mental affections prevailed, highlighting the occupational exhaustion (burnout syndrome). Among the physical ailments, musculoskeletal affections prevailed.

KEYWORDS Occupational diseases; Burnout, professional; Occupational health

Introdução

As modificações no mercado de trabalho da medicina na atualidade, com novas tecnologias diagnósticas e terapêuticas, a influência da indústria farmacêutica, a mercantilização dos serviços médicos, tiveram consequências na profissão médica, como perda da autonomia, diminuição da remuneração, mudanças no estilo de vida, prejuízo na saúde do médico e mudanças no seu comportamento ético. Associado a isso, a mídia tem contribuído para distorção da imagem social desse profissional, divulgando os erros médicos com sensacionalismo e supervalorizando os recursos tecnológicos, com impacto no exercício da profissão (NOGUEIRA-MARTINS, 2003).

Ademais, esses profissionais também sofrem influência das condições de trabalho, como a falta de infraestrutura, falta de recursos para o atendimento da demanda do serviço, alta jornada de trabalho, baixa remuneração, instabilidade e insegurança (ASAIAG et al., 2010). Essas más condições do ambiente de trabalho motivam os profissionais médico a procurarem outras alternativas de trabalho, provocando, assim, uma alta rotatividade de médicos em algumas regiões do País (PIERANTONI et al., 2015). Outrossim, torna-se inevitável a especialização médica e a sua maior concentração e atuação em centros especializados, de alto nível de complexidade, onde há disponibilização de recursos para a adequada prática médica (CARVALHO; SANTOS; CAMPOS, 2013).

Também é importante destacar as repercussões na gestão financeira do sistema de saúde público e privado decorrentes do absenteísmo por doenças, desmotivação, acidentes de trabalho e até mesmo rejeição ao trabalho (JUNKES; PESSOA, 2010).

Pouco se trabalha com esses profissionais as possibilidades de enfrentamento das diversas situações da profissão. Por falta de preparo, que não é oferecido no ambiente acadêmico, o médico é confrontado com situações que ultrapassam os limites profissionais e atingem o pessoal causando o adoecimento.

Este artigo apresenta os resultados de uma revisão sistemática com o objetivo de identificar os principais acometimentos da saúde física e mental do profissional médico.

Material e métodos

Esta revisão sistemática de literatura foi realizada por meio de uma síntese de evidências, interpretando criticamente as pesquisas de relevância disponíveis a respeito da saúde dos profissionais médicos.

Utilizou-se o método Prisma (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), que consiste em uma revisão do Quorom (Quality Of Reporting Of Metaanalyses), cuja finalidade é aprimorar a qualidade dos estudos de revisão sistemática e metanálise. Apesar de esse método ser fundamentado para os estudos clínicos randomizados, será utilizado por meio de adaptações para a abrangência de todos os tipos de estudos a respeito do tema escolhido.

O estudo incluiu, inicialmente, todos os tipos de estudos encontrados sob a forma de artigo científico, datados de 2005 a 2015, na base de dados eletrônica Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que inclui as seguintes bases de dados: Lilacs, SciELO, Medline, PubMed, Cochrane. A análise restringiu-se aos artigos escritos nos idiomas inglês, português e espanhol. Os descritores utilizados na busca realizada durante o período de 26 de agosto de 2015 a 2 de setembro de 2015 foram: 'esgotamento profissional', 'saúde do trabalhador' e 'doenças profissionais', com o assunto principal 'médicos'.

Foram localizados 194 artigos referentes ao descritor 'esgotamento profissional', dos quais 113 foram selecionados pela análise do título e resumo. Destes, nove não foram disponibilizados na íntegra e/ou gratuitamente, e nove se repetiram nos outros dois descritores - 'saúde do trabalhador' e 'doenças profissionais'. Portanto, examinaram-se 95 artigos que resultaram na seleção de 27 para compor esta revisão sistemática.

Quanto ao descritor 'saúde do trabalhador', foram encontrados 92 artigos, dos quais mantiveram-se 12 após a seleção por título e resumo. Uma vez realizada a leitura completa destes, dois deles foram excluídos.

Referente ao descritor 'doenças profissionais', identificaram-se 88 artigos na base de dados BVS, dos quais foram selecionados 26 artigos pelos seus respectivos títulos e resumos. O acesso gratuito a dois desses artigos foi negado, restando 24 para a leitura integral, após o que se excluíram três artigos, permanecendo, portanto, 21 artigos.

Os critérios de exclusão foram a abordagem de condutas diagnósticas, preventivas e terapêuticas, artigos de opiniões e comentários, inclusão de outros profissionais da área da saúde, amostra não significativa e informações repetidas ou disponíveis em outros artigos, além da impossibilidade de acesso gratuito. Diante disso, o presente trabalho contempla a inclusão de 57 artigos, conforme a figura 1.

Figura 1 Representação esquemática da metodologia segundo o Prisma 

Resultados e discussão

Os 57 artigos inclusos nesta revisão sistemática de literatura foram analisados nos aspectos ano, periódico, país e língua de publicação, método de estudo e categorizados de acordo com seus resultados e discussões em dois grupos temáticos: saúde mental e física, conforme representado nos quadros 1 e 2, respectivamente, os quais contam com uma definição sintética de cada estudo.

Quadro 1 Características dos estudos incluídos na categoria temática saúde mental 

Estudo (autores) Ano Periódico País Língua Método Definição sintética
Aldrees et al. 2013 Annals of Saudi Medicine Índia Inglês Estudo transversal Prevalência da síndrome de burnout em médicos de diversas especialidades de um hospital da Arábia Saudita.
Arigoni et al. 2009 Supportive Care in Cancer Alemanha Inglês Estudo transversal Prevalência de burnout e doenças psiquiátricas entre oncologistas, pediatras e médicos gerais na Suíça.
Assunção et al. 2013 Occupational Medicine Reino Unido Inglês Estudo transversal Detecta que os distúrbios mentais comuns afetam mais mulheres entre os médicos brasileiros.
Balch et al. 2011 Annals of Surgical Oncology Estados Unidos Inglês Estudo transversal Comparativo da incidência de burnout, depressão, ideação suicida, satisfação profissional e qualidade de vida entre cirurgiões oncologistas e outras 14 especialidades cirúrgicas.
Bellieni et al. 2012 Journal of Maternal-Fetal and Neonatal Medicine Reino Unido Inglês Estudo transversal Nível de esgotamento profissional de neonatologistas e sua associação com ideação suicida, tempo de profissão, filhos, religião.
Beltrán; Moreno 2007 Revista Medica del Uruguay Uruguai Espanhol Estudo transversal Enfermidades mais frequentes: musculoesqueléticas, respiratórias, gastrintestinais e psicológicas.
Brown; Goske; Johnson 2009 Journal of the American College of Radiology Holanda Inglês Revisão bibliográfica Interferência de condições como depressão, burnout e estresse sobre o comportamento disruptivo dos médicos, comprometendo o exercício da profissão.
Chen et al. 2013 International Journal of Medical Sciences Austrália Inglês Estudo transversal Incidência de burnout e sua correlação com a insatisfação e a má prática profissional e o abuso de bebidas alcoólicas em médicos de Taiwan.
Dewa et al. 2014 BMC Health Services Research Reino Unido Inglês Revisão sistemática Incidência da síndrome de burnout em cinco estudos e seu impacto na produtividade dos médicos.
Dyrbye et al. 2013 Mayo Clinic Proceedings Reino Unido Inglês Estudo transversal Incidência da síndrome de burnout ao longo da carreira nas diversas especialidades médicas nos Estados Unidos.
Dyrbye et al. 2014 Academic Medicine Estados Unidos Inglês Estudo transversal Comparação da prevalência do esgotamento profissional, depressão, ideação suicida e fadiga nos diferentes estágios da carreira médica com a população em geral estadunidense.
Escribà-Agüir; Artazcoz; Pérez-Hoyos 2008 Gaceta Sanitária Espanha Espanhol Estudo transversal Interferência dos fatores de risco psicossociais e das fontes satisfação no trabalho sobre a síndrome de burnout nas diversas especialidades e estágios da carreira de médicos da Espanha.
Fogaça; Carvalho; Nogueira-Martins 2010 Revista da Escola de Enfermagem da USP Brasil Português Estudo descritivo Detecção de baixa qualidade de vida de médicos intensivistas pediátricos e neonatais.
Galán-Rodas et al. 2011 Revista Peruana de Medicina Experimental y Salud Pública Peru Espanhol Estudo de linha de base Relaciona a depressão com a falta de recursos logísticos e humanos para a prática médica.
Gander et al. 2010 Academic Medicine Estados Unidos Inglês Estudo transversal Os médicos da Nova Zelândia participantes descreveram isolamento social devido às longas jornadas de trabalho.
Garcia et al. 2014 Pediatric Critical Care Medicine Estados Unidos Inglês Estudo de coorte Relaciona a grande responsabilidade acerca da vida do paciente com a maior incidência de burnout em pediatras intensivistas brasileiros.
Gurman; Klein; Weksler 2012 Journal of Clinical Monitoring and Computing Holanda Inglês Revisão bibliográfica Alta incidência de burnout entre os anestesiologistas devido à grande responsabilidade de resguardar a vida de um paciente em cirurgia.
Harms et al. 2005 Annals of Surgery Estados Unidos Inglês Estudo transversal Evidencia a taxa de dependência de álcool dentre os cirurgiões entrevistados.
Lee et al. 2013 Human Resources for Health Reino Unido Inglês Meta-análise Principais fatores associados ao esgotamento profissional nas diversas regiões e especialidades.
Leiter; Frank; Matheson 2009 Canadian Family Physician Canadá Inglês Estudo transversal Influência da elevada carga de trabalho e da incongruência dos valores pessoais com o sistema de saúde sobre a síndrome de burnout em médicos canadenses.
Lim; Pinto 2009 Journal of Medical Imaging and Radiation Oncology Reino Unido Inglês Estudo transversal Taxas de esgotamento profissional e estresse entre médicos radiologistas atuantes em hospitais públicos e privados na Nova Zelândia.
Liu et al. 2012 BMC Public Health Reino Unido Inglês Estudo transversal Caracteriza a exposição às grandes demandas físicas e emocionais como geradores dos estresses intrínseco e extrínseco.
Lovseth et al. 2013 Stress and Health Estados Unidos Inglês Estudo transversal Confidencialidade médica como barreira na busca de apoio emocional entre médicos hospitalares da Suécia, Noruega, Islândia e Itália, influindo no esgotamento profissional.
Magnavita; Fileni 2013 Radiologia Medica Itália Inglês Estudo transversal Prevalência de sintomas depressivos e ansiosos em médicos radiologistas participantes do Congresso Nacional da Sociedade Italiana de Radiologia Médica.
Magnavita et al. 2008 Radiologia Médica Itália Inglês Estudo piloto Estresse ocupacional e seus efeitos psicossociais em radiologistas e radioterapeutas italianos.
McAbee et al. 2015 Journal of Neurosurgery Estados Unidos Inglês Estudo transversal Taxa da síndrome de burnout em neurocirurgiões estadunidenses e seu impacto na má prática médica e na satisfação com a carreira.
Misiołek et al. 2014 Anaesthesiology Intensive Therapy Polônia Inglês Estudo transversal Risco para esgotamento profissional em médicos atuantes em cuidados intensivos e ambulatórios de cuidado da dor.
Mendonça; Coelho; Júca 2012 Psicologia em Pesquisa Brasil Português Estudo transversal Correlação do estresse no trabalho com o esgotamento profissional e a fadiga entre médicos docentes de uma faculdade brasileira.
Nishimura et al. 2014 Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes Estados Unidos Inglês Estudo transversal Incidência e fatores de risco para síndrome de burnout em neurologistas e neurocirurgiões japoneses.
Oliveira Júnior et al. 2013 Anesthesia and analgesia Estados Unidos Inglês Estudo transversal Taxa de depressão e esgotamento profissional entre médicos residentes em anestesiologia, correlacionados com a taxa de ideação suicida, abuso de drogas e erros médicos.
Opoku; Apenteng 2014 International Health Reino Unido Inglês Estudo transversal Fatores associados com a síndrome de burnout e com a satisfação profissional em médicos de Gana.
Picard et al. 2015 Psychology, Health and Medicine Reino Unido Inglês Estudo transversal Relação entre empatia e esgotamento profissional em residentes.
Pistelli et al. 2011 Archivos Argentinos de Pediatria Argentina Espanhol Estudo transversal Incidência da síndrome do desgaste profissional em residentes em pediatria e pediatras de um hospital infantil da Argentina.
Popa et al. 2010 Journal of Medicine and Life România Inglês Estudo transversal Fatores causais, mecanismos de enfrentamento e repercussões do esgotamento profissional e depressão em médicos emergencistas.
Roth et al. 2011 Pediatric Blood and Cancer Estados Unidos Inglês Estudo transversal Prevalência de esgotamento profissional em pediatras oncológicos de 13 países.
Rubin 2014 JAMA - Journal of the American Medical Association Estados Unidos Inglês Reflexão teórica Reflexão sobre as taxas de suicídio entre a população médica.
Serralheiro et al. 2011 Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde Brasil Português Estudo transversal Prevalência da síndrome de burnout em anestesiologistas brasileiros e sua relação com atividade física.
Shanafelt et al. 2011 JAMA Surgery Estados Unidos Inglês Estudo transversal Taxa de ideação suicida entre cirurgiões americanos e sua ligação com depressão, esgotamento profissional, erros médicos e uso de antidepressivos.
Nascimento Sobrinho et al. 2006 Revista da Associação Médica Brasileira Brasil Português Estudo transversal Identifica o cansaço mental como sintoma mais prevalente entre os médicos brasileiros entrevistados.
Stafford; Judd 2010 Gynecologic Oncology Estados Unidos Inglês Estudo transversal Prevalência de doenças psiquiátricas e esgotamento profissional em ginecologistas oncológicos da Austrália e sua influência na satisfação profissional.
Taft; Keefer; Keswani 2011 Journal of Clinical Gastroenterology Estados Unidos Inglês Estudo transversal Formas de enfretamento por gastroenterologistas americanos em situações estressantes e sua relação com burnout.
Tomioka et al. 2011 Occupational Medicine Reino Unido Inglês Estudo transversal Demonstra uma relação positiva entre horas de trabalho e prevalência de depressão.
Torres et al. 2011 Revista Brasileira de Epidemiologia Brasil Português Estudo transversal Autoavaliação da qualidade de vida, satisfação profissional, saúde física e mental por médicos do Brasil.
Wada et al. 2010 BMC Public Health Reino Unido Inglês Estudo transversal Relaciona o estado depressivo com a quantidade de dias de folga de médicos japoneses.
Wang et al. 2010 International Archives of Occupational and Environmental Health Alemanha Inglês Estudo transversal Associa o sofrimento inerente à profissão médica com a maior taxa de sintomas depressivos entre médicos chineses do que na população chinesa em geral.

Fonte: Elaboração própria.

Quadro 2 Características dos estudos incluídos na categoria temática saúde física 

Estudo (autores) Ano Periódico País Língua Método Definição sintética
Auerbach et al. 2011 Spine Estados Unidos Inglês Estudo transversal Prevalência de acometimentos musculoesqueléticos em cirurgiões de coluna decorrente da má ergonomia.
Brennan et al. 2011 British Journal of Oral and Maxillofacial Surgery Estados Unidos Inglês Estudo hipotético Elevação diretamente proporcional da testosterona sérica de cirurgiões de cabeça e pescoço de acordo com a complexidade do procedimento a ser realizado.
Beloyartseva et al. 2012 Archives of Osteoporosis Reino Unido Inglês Estudo transversal Comprova que 79% dos sujeitos indianos do estudo possuíam deficiência de vitamina D devido a longas jornadas de trabalho em ambientes sem exposição solar.
Krupinski; Berbaum 2009 Academic Radiology Estados Unidos Inglês Estudo transversal Trabalho na interface com displays digitais causando fadiga do nervo oculomotor.
Liang et al. 2013 PLoS One Estados Unidos Inglês Estudo transversal Acometimentos musculoesqueléticos frequentes em cirurgiões devido ao surgimento de técnicas cirúrgicas menos invasivas, porém ergonomicamente desfavoráveis.
Magnavita; Fileni 2014 Radiologia Médica Itália Inglês Estudo transversal Aumento dos níveis de HDL, triglicerídeos e gordura abdominal em radiologistas, decorrente do estresse ocupacional.
Mehrdad; Dennerlein; Morshedizadeh 2012 Archives of Iranian Medicine Irã Inglês Estudo transversal Relação das condições de trabalho com os riscos ergonômicos e os principais acometimentos musculoesqueléticos em clínicos.
Mohseni-Bandpei et al. 2011 Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics Estados Unidos Inglês Estudo transversal Influência da baixa satisfação com o trabalho no aumento do risco de lombalgia.
Mrena et al. 2011 Scandinavian Journal of Work, Environment & Health Escandinávia Inglês Estudo transversal Prevalência de opacidade do cristalino e catarata entre médicos finlandeses.
Peters et al. 2011 BMC Infectious Diseases Reino Unido Inglês Revisão sistemática Maior taxa de infecção de gastrenterologistas por H. pylori.
Rauchenzauner et al. 2009 European Heart Journal Reino Unido Inglês Estudo transversal Influência da jornada e condições de trabalho na saúde cardiovascular de médicos austríacos.
Ruitenburg; Frings-Dresen; Sluiter 2013 International Archives of Occupational and Environmental Health Alemanha Inglês Estudo transversal Relaciona os movimentos finos e a postura relativamente estática de cirurgiões com as queixas físicas e relacionadas ao trabalho.

Fonte: Elaboração própria.

As publicações se distribuíram por diversas revistas, entre as quais se repetiram as seguintes: 'Academic Medicine', 'BMC Public Health', 'Radiologia Médica', 'Occupational Medicine' e 'International Archives of Occupational and Environmental Health'.

Saúde mental

De acordo com os dados apresentados no quadro 1, a categoria 'saúde mental' foi a abordada no maior número de artigos, 45 dos 57 analisados, representando 78,94% dos resultados.

O maior número de publicações sobre a saúde mental dos médicos ocorreu em 2011 (20%), seguido de 2013 com participação relativa de 17,77% e 2014 com 15,55%. Em relação ao país de publicação, Estados Unidos e Reino Unido predominaram com 31,11% e 24,44% dos artigos respectivamente. Em terceiro lugar, o Brasil contribuiu com 11,11% dos trabalhos. A língua de publicação de 80% dos artigos foi a inglesa, enquanto a portuguesa foi responsável por 11,11% deles e a espanhola, 8,88%. A respeito do método dos estudos, predominaram os estudos transversais (80%). Já os estudos de revisão (bibliográfica e sistemática) representaram 6,66%.

A condição mental mais abordada nos artigos analisados foi o esgotamento profissional ou síndrome de burnout, sendo definida como uma síndrome patológica resultante do estresse ocupacional prolongado. As três principais características dessa condição são: exaustão emocional, despersonalização e sentimento de ineficácia profissional. Postula-se que as dimensões da síndrome de burnout aparecem sequencialmente no tempo. Assim, desenvolve-se primeiro a exaustão emocional, e depois surge a despersonalização na tentativa de enfrentar a exaustão e, finalmente, a capacidade de resistir às demandas de trabalho diminui, resultando em uma redução nos sentimentos de realização pessoal (BROWN; GOSKE; JOHNSON, 2009).

No Brasil, a síndrome de burnout, considerada doença relacionada com o trabalho, está presente na lista de transtornos mentais e do comportamento associados ao trabalho, de acordo com a Portaria/MS nº 1.339/1999. Conforme o Ministério da Saúde (BRASIL, 2001), o trabalhador perde a significação do trabalho em sua vida e normalmente se desinteressa pelas atividades laborais, parecendo inútil qualquer esforço realizado.

Ao analisar a incidência da síndrome de burnout ao longo da carreira médica, Dyrbye et al. (2013) constataram que os médicos na metade da carreira apresentaram maior pontuação na dimensão exaustão emocional e os profissionais no início da carreira, na dimensão despersonalização. Já em estudo posterior de Dyrbye et al. (2014), contemplando estudantes de medicina e residentes, observou-se que eles pontuaram ainda mais na despersonalização, exaustão emocional e fadiga. No aspecto qualidade de vida, os médicos no início da carreira demonstram maior pontuação do que os estudantes e residentes, porém 51,4% estavam com esgotamento profissional, 40% relataram pelo menos um sintoma de depressão e 50,3% apresentaram elevada fadiga.

A satisfação com a escolha da carreira médica obteve crescimento com o decorrer dos anos - o que foi observado nos dois estudos acima citados - sendo válido destacar que os médicos com mais de 10 anos de profissão tiveram que se adaptar às modificações na prática profissional que vêm ocorrendo, o que é um aspecto desafiador. Esse incremento na satisfação ao longo dos anos pode ser devido às habilidades de enfrentamento ou devido à seleção dos médicos mais aptos em virtude do abandono da profissão por aqueles mais insatisfeitos, visto que a síndrome de burnout se mostrou presente entre os médicos aposentados ou que não estavam em prática, provavelmente tendo sido fator contribuinte para tais decisões.

Ainda no estudo de Dyrbye et al. (2013), a variação na satisfação com a carreira foi observada entre as especialidades, sendo menor entre os médicos no início da carreira na atenção primária e cirurgiões e nos médicos na metade da carreira de medicina interna e pediatria. A respeito da área de atuação, observou-se que indivíduos na prática acadêmica tiveram menor índice de burnout e maior satisfação com a carreira.

O período de início de carreira (internato e residência) é o mais hostil durante a carreira médica, expondo o profissional a níveis elevados de estresse (BROWN; GOSKE; JOHNSON, 2009; CHEN et al., 2013; ESCRIBÀ-AGÜIR; ARTAZCOZ; PÉREZ-HOYOS, 2008; ROTH et al., 2011). Segundo estimativas, de um terço a metade dos médicos internos sofre de depressão, e mais de três quartos dos residentes apresentam esgotamento profissional, estimativas mais altas do que as encontradas por Dyrbye et al. (2013). Foi descrita a síndrome house office em médicos residentes, que é caracterizada por comprometimento cognitivo episódico, distúrbios do sono, raiva crônica, cinismo generalizado e conflitos familiares.

Entre os fatores de risco para o adoecimento psicológico dos médicos mais abordados nos estudos, destacam-se a elevada demanda de trabalho tanto física quanto emocional, conflitos familiares devido à profissão, dificuldades financeiras e descontentamento com o sistema de saúde (BROWN; GOSKE; JOHNSON, 2009; CHEN et al., 2013; LEITER; FRANK; MATHESON, 2009; OPOKU; APENTENG, 2014; STAFFORD; JUDD, 2009). Além dessas, outras condições estressantes crônicas afetam esses profissionais, como ansiedade, exaustão, distúrbios do sono, raiva e abuso de substâncias, demonstrando a importância das práticas de autocuidado e da boa gestão da vida pessoal e familiar. Conforme Aldrees et al. (2013), a privação de sono acometeu 86% dos médicos.

Em estudo realizado por Picard et al. (2015) com 24 residentes, estes revelaram considerar a empatia uma prática que possui impacto direto sobre o estado emocional, pois a escuta empática de vários pacientes devido à elevada carga de trabalho se torna cansativa e pode ser responsável pelo desenvolvimento de fadiga. Entretanto, uma barreira na busca de apoio emocional para aliviar o estresse foi a confidencialidade médica, conforme estudo de Lovseth et al. (2013) com 2.095 médicos hospitalares da Suécia, Noruega, Islândia e Itália. Diante disso, ocorre o desenvolvimento da despersonalização, que prejudica ainda mais o estabelecimento da empatia.

Segundo Wang et al. (2010), 63,5% dos médicos chineses entrevistados apresentaram sintomas depressivos, frequência duas vezes maior do que a população geral da Ásia. A grande exposição ao sofrimento, à morte, as grandes demandas físicas e emocionais e a missão de salvar vidas são, segundo Liu et al. (2012), geradores dos estresses intrínseco e extrínseco responsáveis pelo aparecimento de sintomas depressivos.

Nascimento Sobrinho et al. (2006) identificaram que a queixa predominante entre 7.897 médicos era o cansaço mental, atingindo 54,1% dos entrevistados. A prevalência de distúrbio psíquico menor entre esses profissionais foi de 26%, acometendo mais mulheres; esta predominância feminina para distúrbios depressivos também foi proposta por outros autores (ASSUNÇÃO et al., 2013; BROWN; GOSKE; JOHNSON, 2009; MAGNAVITA; FILENI, 2013).

Wada et al. (2010) encontraram, em seu estudo, uma relação direta entre o estado depressivo e o fato de os médicos não terem dias de folga ou estarem de plantão ou sobreaviso por vários dias seguidos. A relação entre horas de trabalho e prevalência de depressão também foi positiva no estudo de Tomioka et al. (2011).

A falta de recursos logísticos e humanos para a prática médica e a falta de reconhecimento da região onde se trabalha foram a justificativa dada por Galán-Rodas et al. (2011) em seu estudo, o qual concluiu que 26% das médicas do serviço rural do Peru e 14,5% dos médicos tinham depressão.

As manifestações sociais dos distúrbios mentais foram evidenciadas por Gander et al. (2010) em seu estudo, no qual a maioria dos participantes descrevia isolamento social devido às longas jornadas de trabalho, muito cansaço para participarem de outras atividades sociais, bem como de se relacionar com outros indivíduos. Roth et al. (2011) também descreveram que os médicos não destinam tempo para práticas de lazer como consequência da carga de trabalho.

De acordo com Magnavita e Fileni (2014), a porcentagem de médicos afetados com sintomas de depressão é alta nos dois hemisférios do planeta, estando os médicos mais novos sob maior risco, o que foi confirmado no estudo de Dyrbye et al. (2014), no qual os sintomas de depressão e ideação suicida foram mais prevalentes durante a faculdade do que na residência e no início da carreira. Oliveira Júnior et al. (2013) avaliaram 1.508 residentes em anestesiologia nos Estados Unidos e aferiram uma taxa de depressão de 22%. Taxa semelhante foi obtida por Brown, Goske e Johnson (2009) em sua revisão bibliográfica, sendo de 13% a 20%.

Os distúrbios mentais podem evoluir para números alarmantes de suicídio. No estudo de Oliveira Júnior et al. (2013), a taxa de ideação suicida entre os médicos foi o dobro da observada na população em geral. Já Shanafelt et al. (2011) constaram que essa taxa pode ser até três vezes maior entre os cirurgiões americanos com mais de 44 anos em relação à população em geral. Nesse estudo, 1 em cada 16 (6,4%) dos 7.825 médicos avaliados relataram ideação suicida nos últimos 12 meses. Segundo Rubin (2014), a cada ano, 300 a 400 médicos tiram suas próprias vidas nos EUA, sendo que a taxa de suicídio entre as mulheres médicas é 130% maior que a população feminina geral. Brown, Goske e Johnson (2009) também observaram que, entre os médicos, esse risco é maior entre as mulheres.

Shanafelt et al. (2011) observaram que a desvalorização pelos cirurgiões de sua própria saúde afeta adversamente seus alunos, pois o índice de ideação suicida entre os estudantes de medicina e residentes foi maior do que entre os cirurgiões em exercício. Relatou-se ainda que, dos 5,8% médicos que usaram antidepressivos nos últimos 12 meses, 8,9% realizaram autoprescrição, e 7,4% receberam a prescrição de um colega sem análise clínica. A ideação suicida esteve fortemente relacionada de forma direta com os sintomas depressivos, síndrome de burnout e erros médicos e de forma inversa com a qualidade de vida. A relação entre ideação suicida e burnout é reversível, uma vez que, após a recuperação da síndrome, o risco de suicídio decai. Oliveira Júnior et al. (2013) também estabeleceram a relação positiva entre esgotamento profissional, depressão e autorrelato de erros médicos, associando ainda a não adesão às melhoras práticas médicas com consequente redução da qualidade de atendimento aos pacientes.

Outras consequências do estresse e do esgotamento profissional incluem absenteísmo, rotatividade de emprego, deterioração da relação médico-paciente e com os demais profissionais de saúde, mais pedidos de exames complementares, aposentaria antecipada e utilização de seguro por invalidez (BROWN; GOSKE; JOHNSON, 2009).

A revisão sistemática da literatura de Dewa et al. (2014) incluiu cinco pesquisas com diferenças entre as incidências da síndrome de burnout, com valores como 6%, 13% e 31%. As taxas de exaustão emocional variaram de 13,3% a 43%, e de despersonalização entre 4,5% e 35,3%. Os estudos relacionaram a síndrome com prejuízos na produtividade, licenças por adoecimento, menor intenção de continuar praticando medicina por longo período, intenção de mudar de emprego e autopercepção de habilidades de trabalho insuficientes.

Escribà-Agüir, Artazcoz e Pérez-Hoyos (2008) avaliaram a síndrome de burnout em uma amostra de 1.021 médicos de diversas especialidades da Espanha. As taxas mais altas de cansaço emocional foram observadas nas especialidades oncologia (22,4%) e traumatologia (20,5%), entre os residentes, mulheres e nos médicos em atividade profissional há mais de 20 anos. Já a taxa de satisfação pessoal foi menor em radiologistas (54,8%) e mulheres, e a despersonalização foi maior entre os traumatologistas, os médicos atuantes há menos de 10 anos e no sexo masculino. Concluiu-se que os fatores de risco psicossociais intrínsecos à prática médica (contato com o sofrimento e morte, privação da vida familiar e sobrecarga de trabalho) influem em duas dimensões da síndrome de burnout - cansaço emocional e despersonalização - e que os fatores extrínsecos (baixo estímulo intelectual no trabalho, poucas recompensas profissionais, baixa satisfação com a relação com os pacientes e familiares e não realização de atividades de docência) atuam predominantemente na terceira dimensão da síndrome, a satisfação pessoal. Destacou-se que a qualidade da relação médico-paciente influencia sobre todas as dimensões, e cada vez há menos tempo destinado a essa relação, o que pode aumentar ainda mais a incidência dessa síndrome.

Chen et al. (2013) estimaram a incidência de burnout em 809 médicos de Taiwan, nas três dimensões dessa síndrome, sendo o nível mais elevado encontrado em 13,1% dos médicos na exaustão emocional; 9,3% deles em despersonalização e 49,9% na dimensão satisfação profissional. Ainda, 62,3% estavam insatisfeitos com a relação médico-paciente, e 29,5%, com a sua especialidade médica.

Taft, Keefer e Keswani (2011) questionaram 410 gastroenterologistas sobre suas atitudes diante de situações estressantes. Constataram que o enfrentamento planejado e positivo com busca de apoio social está relacionado com menor estresse psicológico, despersonalização e incidência de complicações endoscópicas e maior sentimento de autoeficácia profissional. Sobre esse aspecto, Lee et al. (2013) observaram que os médicos com mais anos de experiência demonstraram melhor manejo dos fatores de risco. Além disso, o estudo de Mendonça, Coelho e Júca (2012) também destacou que o controle dos médicos sobre suas atividades e o apoio social reduzem os danos da excessiva demanda de trabalho.

Arigoni et al. (2009) realizaram um comparativo entre 371 médicos suíços oncologistas, pediatras e generalistas e observaram que 32% dos participantes apresentam sinais de doenças psiquiátricas e síndrome de burnout, principalmente nos médicos generalistas. As características de trabalho que predispuseram o maior acometimento psicológico foram a carga de trabalho maior que 50 horas por semana, a dedicação de menos de seis horas por mês em educação continuada e o trabalho em instituições públicas.

Opoku e Apenteng (2014) em estudo com 200 médicos africanos concluíram que estes estavam satisfeitos no que se refere ao relacionamento com a equipe de saúde e moderadamente satisfeitos com a carreira profissional, principalmente os atuantes em áreas rurais e os que trabalham mais de 40 horas semanais. A incidência de burnout foi baixa no geral, sendo um pouco maior entre as mulheres e os residentes.

Pistelli et al. (2011) avaliaram a síndrome do desgaste profissional em 39 residentes em pediatria e 69 pediatras de um hospital infantil na Argentina. Os valores observados nos aspectos cansaço emocional e despersonalização foram altos, superiores aos encontrados em outros estudos com pediatras em Buenos Aires e na Espanha. A alta despersonalização alia-se ao fato de que os médicos deixam de se envolver com o paciente infantil como forma de defesa ao estresse assistencial, fato ratificado por Garcia et al. (2014) e Fogaça, Carvalho e Nogueira-Martins (2010). Todavia, a taxa de realização pessoal foi intermediária, indicando que ao mesmo tempo que os profissionais estão expostos a condições de trabalho que favorecem o esgotamento profissional, eles estão satisfeitos com a sua vocação. Ademais, com o decorrer dos anos de profissão, as taxas de despersonalização diminuem enquanto as de realização pessoal aumentam, em consequência da consolidação da autoestima profissional.

Roth et al. (2011) analisaram a prevalência de esgotamento profissional em 410 pediatras oncológicos de 13 países. Obtiveram que 38% estão em nível elevado de burnout e 72%, moderado. Mais de um terço dos participantes relatou sintomas da síndrome, dos quais 94% foram confirmados com nível intermediário e 73% com nível alto. As maiores taxas da síndrome foram observadas nas mulheres, também obtidas por Leiter, Frank e Matheson (2009).

Bellieni et al. (2012), em pesquisa com 110 neonatologistas, constaram que a maioria deles está em nível crítico de burnout, correlacionado com a experiência profissional menor de cinco anos, ter filhos - o que intensifica a empatia com o sofrimento de outras crianças -, a crença pessoal de que não vale a pena viver com limitações físicas - influenciando na menor ressuscitação de prematuros -, a presença de ideação suicida e ser ateu ou agnóstico.

Serralheiro et al. (2011) avaliaram 59 médicos anestesiologistas ligados a uma faculdade de medicina brasileira e constataram que todos os médicos da amostra apresentaram algum nível de burnout, mas foi prevalentemente baixo, com apenas 3,4% demonstrando nível alto. A prática de atividade física foi apontada como fator promotor de qualidade de vida, reduzindo a pontuação no aspecto despersonalização da síndrome. Em contraste, Misiołek et al. (2014), em pesquisa cuja amostra contou com 373 anestesistas da Polônia, evidenciaram que 69,4% dos participantes estavam em risco moderado e elevado para a síndrome de burnout, uma vez que trabalham em departamentos de cuidados intensivos e ambulatórios de cuidado da dor - locais conhecidamente de risco para o desenvolvimento da síndrome. A incidência de burnout em residentes em anestesiologia dos Estados Unidos, em estudo de Oliveira Júnior et al. (2013), foi de 41%, intermediária entre os valores dos dois estudos anteriores, sendo maior entre as mulheres. Os principais fatores associados foram as pressões no ambiente de trabalho que provocam o estresse ocupacional, como a carga horária semanal maior que 70 horas e mais que um dia de plantão a cada cinco dias. Para Gurman, Klein e Weksler (2012), essa alta incidência entre os anestesiologistas se deve adicionalmente à grande responsabilidade que é resguardar a vida de um paciente durante uma cirurgia.

No estudo de Torres et al. (2011) com 1.224 médicos egressos de uma faculdade de medicina brasileira, 66,1% relataram elevada satisfação profissional: 68% avaliaram positivamente sua qualidade de vida, 79% avaliaram da mesma forma sua saúde física e 85%, a sua saúde mental. Esses fatores se associaram positivamente entre si e com a participação frequente em congressos e eventos científicos, dedicação de tempo para lazer, alta renda, não fumar e praticar atividades físicas. Entretanto, 56,3% referiram médio, alto ou muito alto nível de estresse para lidar com mortes, 54,7% para lidar com pacientes graves, 27,7% na comunicação com o paciente e familiares e 31,1% para lidar com processos civis.

Popa et al. (2010), em amostra de 263 médicos emergencistas, constataram maior vulnerabilidade ao estresse profissional e taxas de burnout e depressão crescentes com o decorrer dos anos de atuação na área, associados à redução da qualidade de vida, à satisfação profissional e à qualidade do atendimento médico. Dentre as estratégias de enfretamento, destacaram-se o enfrentamento ativo, o desligamento comportamental e abuso de substâncias.

Entre 2.564 médicos neurologistas e neurocirurgiões que trabalham em centros de tratamento de acidentes vasculares encefálicos no Japão, Nishimura et al. (2014) detectaram que 41,1% estavam em esgotamento profissional, sendo que 21,8% eram casos severos. Os fatores de risco encontrados foram o número excessivo de horas de trabalho por semana, privação de sono, pouca experiência, sobrecarga de responsabilidade nessas situações emergenciais, insuficiência de equipe de saúde e baixa qualidade de saúde mental. Na pesquisa nacional com 783 neurocirurgiões estadunidenses realizada por McAbee et al. (2015), a taxa de síndrome de burnout foi ainda mais elevada (56,7%), sendo um fator intrinsicamente relacionado com a má prática médica. Entretanto, a taxa de satisfação com a carreira foi de 81,2%, demonstrando que o burnout pode ocorrer em episódios durante a carreira, e a satisfação permanece apesar disso. Os principais fatores negativos associados aos índices obtidos foram o desequilíbrio entre a vida profissional e pessoal, preocupação com a remuneração futura, não desempenhar atividade acadêmica e maior tempo de profissão.

Stafford e Judd (2009) entrevistaram 29 dos 37 médicos ginecologistas oncológicos praticantes na Austrália e detectaram que mais da metade deles está satisfeita com a carreira, porém mais de um terço está com exaustão emocional, sendo ambos os resultados maiores do que os encontrados em outras especialidades. Observou-se, entre os médicos em burnout, que eles estão mais propensos a abandonar a profissão, diminuir a carga horária de trabalho, aposentar-se e desenvolver doenças psiquiátricas. Sendo este último fator encontrado em 17,2% deles, sendo associado ao sacrifício pessoal em favor da profissão e também ao autodiagnostico e automedicação, contudo esse valor foi inferior ao encontrado em outras especialidades médicas, devido a maior satisfação profissional. Ao contrário do pressuposto, a exposição constante ao sofrimento dos pacientes e a comunicação de más notícias comum à prática na área oncológica não foram associadas ao burnout. Fato também constatado por Balch et al. (2011) em um comparativo entre 407 cirurgiões oncologistas com outras 14 especialidades cirúrgicas. Ademais, observou-se que os primeiros apresentaram menor incidência de depressão e maior satisfação com a carreira. Entretanto, os cirurgiões oncologistas informaram maiores conflitos entre o trabalho e a vida pessoal, demonstrando maior desejo de dedicar mais tempo para a família. Os conflitos familiares devido ao trabalho foram relatados por 75% dos médicos no estudo de Aldrees et al. (2013).

Ainda conforme os mesmos autores, observou-se maior ingestão de bebidas alcoólicas, sendo que 72,4% ingerem semanalmente, e um terço faz o uso abusivo (mais de duas doses por dia). Chen et al. (2013) confirmaram esta prática de busca de alívio à pesada carga de trabalho, principalmente entre os médicos homens de Taiwan. Oliveira Júnior et al. (2013) também observaram que o risco de burnout entre residentes em anestesiologia foi maior entre os consumidores de bebidas alcoólica e tabagistas. Galán-Rodas et al. (2011) constataram que 22% das mulheres evidenciariam uso problemático contra 26% dos homens. Já Harms et al. (2005) verificaram a dependência de álcool na faixa de 7,3%.

Aldrees et al. (2013) concluíram que a prevalência de burnout entre 348 médicos de diversas especialidades de um hospital terciário da Arábia Saudita foi elevada (70%), afetando os mais jovens residentes ou no início da carreira, mulheres e solteiros. A taxa de exaustão emocional foi de 54%, a de despersonalização, 35%, e a de satisfação pessoal, 33%. As maiores porcentagens foram observadas entre ginecologistas-obstetras, médicos da família, anestesistas, intensivistas e pediatras; enquanto as menores foram entre os cardiologistas.

Radiologistas e radioterapeutas estão mais suscetíveis a uma reação desagradável, negativa e não adaptativa ao estresse (MAGNAVITA et al., 2008). Em pesquisa com 136 radiologistas da Nova Zelândia, Lim e Pinto (2009) observaram que, em comparação aos médicos atuantes no serviço privado, os médicos do serviço público apresentavam maior taxa de estresse e burnout associada à insatisfação profissional. Conflitos com a demanda de tempo constituem a principal fonte de estresse no trabalho, afetando 59% dos radiologistas no serviço público, além da queixa de má remuneração por 38% deles e também pela maior proporção de pacientes hospitalares com doenças complexas e sérias. Quando o nível de estresse atinge um limiar clínico importante, passa a ser chamado de desordem relacionada ao estresse. Esse termo engloba várias condições clínicas, como neurastenia, transtorno do ajustamento, ansiedade e depressão. As doenças psiquiátricas acometeram 21% dos servidores público e 15% dos privados. Enquanto Magnavita e Fileni (2013) encontraram taxas ainda maiores, 43,7% com prováveis casos de ansiedade e 43,9% com casos de depressão.

Saúde física

Conforme demonstrado no quadro 2, a saúde física dos médicos foi contemplada em 12 artigos, representando 21,05% dos 57 artigos analisados. A totalidade dos estudos sobre saúde física, bem como sobre saúde mental, foi editada em inglês, sendo que os países que mais realizaram publicações foram Estados Unidos (41,66%) e Reino Unido (25%). O ano com maior número de publicações sobre o tema, assim como sobre saúde mental, ocorreu em 2011 com 41,66%. A maioria (83,3%) dos estudos publicados foram estudos transversais. Dentro desse tipo de metodologia, os assuntos principais tratados naqueles que abordavam a saúde física foram acometimentos musculoesqueléticos (AUERBACH et al., 2011; MEHRDAD; DENNERLEIN; MORDHESIZADEH, 2012; RUITENBURG; FRINGS-DRESEN; SLUITER, 2013; MOHSENI-BANDPEI et al., 2011; LIANG et al., 2013) e saúde oftalmológica (MRENA et al., 2011; KRUPINSKI; BERBAUM, 2009).

Para Rauchenzauner et al. (2009), as frequentes situações estressantes, o deficit das horas de sono e a desregulação do ciclo circadiano são causas da incidência de doenças cardiovasculares nesse grupo de profissionais. Antes das doenças cardiovasculares manifestarem seus sintomas, observou-se, após noites de plantão, o aumento da frequência cardíaca dos plantonistas, bem como elevação da pressão arterial, disritmias, alteração da secreção de catecolaminas, elevação do colesterol sérico, do ácido úrico e do potássio. O eletrocardiograma de 24h registrou maiores taxas de batimentos ventriculares prematuros em médicos durante o plantão. A monitorização da pressão durante 24h indicou aumento da pressão diastólica, aumento desta durante a noite e aumento da pressão sistólica durante os breves períodos de sono do plantão.

Segundo Magnavita e Fileni (2014), a literatura deixa bem clara a relação entre o estresse laboral e o risco de doenças cardiovasculares. Os radiologistas, aos quais o artigo volta seu foco, sofrem por intensa pressão ambiental que gera um prolongado estresse ocupacional e redução da satisfação com o emprego. Dos entrevistados, 41,9% relataram níveis anormais de HDL, e 11,3% tinham seus níveis de triglicerídeos aumentados. A obesidade abdominal atingiu 24% dos envolvidos, e daqueles que apresentavam três ou mais anomalias patológicas, 7,1% foram diagnosticados com síndrome metabólica.

Estudo realizado na Finlândia, por Mrena et al. (2011), foram pesquisados médicos expostos à radiação ionizante a prevalência de opacidade do cristalino e catarata. A grande maioria dos médicos do estudo eram radiologistas, e, do total, apenas 11% usavam óculos de proteção regularmente na rotina do trabalho. Algum grau de opacidade do cristalino foi encontrado em 42% dos médicos examinados. Além da opacidade do cristalino, radiologistas estão mais propensos a apresentar fadiga do nervo oculomotor, o que pode diminuir a acurácia do diagnóstico, segundo Krupinski e Berbaum (2009). De acordo com estes autores, a sobrecarga de trabalho aos olhos resulta em fadiga ocular, clinicamente conhecida como astenopia. O trabalho prolongado com displays digitais pode ainda levar à miopia nesses profissionais.

Os acometimentos musculoesqueléticos são muito mais comuns em cirurgiões do que em médicos clínicos, mas ainda assim chega a ser a queixa mais frequente entre os médicos de atenção primária em Guadalajara, México, acometendo 20% dos profissionais (BELTRÁN; MORENO, 2007).

Segundo Auerbach et al. (2011), cirurgiões de coluna trabalham por longas horas em cirurgias de ergonomia complexa. A prevalência de cervicalgia foi de 59% nos médicos entrevistados, um valor muito acima da prevalência na população geral, 20% aproximadamente. Hérnia de disco lombar e dorsalgia com radiculopatia foram relatados por 31% dos cirurgiões, dos quais 41% necessitaram se absentar do trabalho e 23% foram submetidos a tratamento cirúrgico. Outro tipo de dor e desconforto descrito por esses autores foi edema de membros inferiores e varizes (20%). Em comparação com médicos clínicos do hospital do estudo de Ruitenburg, Frings-Dresen e Sluiter (2013), cirurgiões realizam movimentos finos repetitivos 26 vezes mais tempo e ficavam 130% mais tempo de pé. Além disso, 73% dos cirurgiões estavam incomodados por trabalhar em posturas desconfortáveis e exaustivas.

Além das relações com as condições de trabalho e ergonomia gerando os sintomas físicos em cirurgiões, Mohseni-Bandpei et al. (2011) encontraram uma relação entre a baixa satisfação com o trabalho e o aumento do risco de lombalgia. Corroborando o fato, Aldrees et al. (2013) observaram que 65% dos médicos de sua amostra da Arábia Saudita sofrem de dor nas costas, e, entre eles, a prevalência de burnout também foi mais elevada.

Segundo Mehrdad, Dennerlein e Morshedizadeh (2012), a principal queixa dos médicos em sua pesquisa foi de dor nos joelhos, seguida de lombalgia e cervicalgia. Grandes períodos em pé, sentados e o pescoço flexionado foram os riscos ergonômicos mais comuns relatados.

Para Liang et al. (2013), o aumento da incidência de dormência, dor e rigidez no pescoço, ombros, costas e pernas em cirurgiões urologistas está relacionado com o surgimento de técnicas cirúrgicas menos invasivas, mas ergonomicamente menos favoráveis.

Entre outras afecções da saúde do médico, constam na literatura: uma maior taxa de infecção de gastrenterologistas por H. pylori (PETERS et al., 2011) e uma elevação diretamente proporcional da testosterona sérica de cirurgiões de cabeça e pescoço de acordo com a complexidade do procedimento (BRENNAN et al., 2011).

Harms et al. (2005) abordam o fato de que apesar de médicos cirurgiões estarem em íntimo contato com o cuidado da saúde do próximo, deixam a desejar no cuidado da própria saúde. Em seu estudo, nem todos os cirurgiões acima de 50 anos pesquisados estavam em conformidade com os padrões preventivos básicos. Apenas 73% possuíam uma avaliação cardíaca de base, 81% dos homens receberam uma avaliação de próstata e 73% relataram ter uma colonoscopia. Uma deficiência orgânica que pode ser relatada é a de vitamina D em profissionais da saúde indianos (BELOYARTSEVA et al., 2012).

Conclusão

De acordo com os resultados desta revisão sistemática, foi possível apresentar um perfil da pesquisa brasileira e internacional sobre a saúde mental e física do profissional médico, identificando seus principais acometimentos patológicos.

Predominam artigos produzidos na língua inglesa, seguidos daqueles nas línguas portuguesa e espanhola respectivamente. Destacaram-se, no número de publicações, os Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, nessa ordem. A maior frequência das publicações ocorreu em 2011, 2013 e 2014. Pesquisas transversais foram as mais frequentes no período considerado.

O número de artigos sobre a saúde mental dos médicos foi consideravelmente superior aos referentes à saúde física. No que diz respeito às doenças mentais, a mais abordada foi a síndrome do esgotamento profissional, seguida do abuso de substâncias e dos transtornos de humor (ansiedade e depressão). Entre os acometimentos físicos mais comumente relatados nos artigos, sobressaíram-se as doenças musculoesqueléticas e oftalmológicas.

Observou-se que o prejuízo da qualidade de vida do médico decorre de longas jornadas de trabalho em ambientes, na sua maioria, carentes de condições ideais de atuação, privação de sono e alta demanda emocional. Em contrapartida, foram observados fatores protetores, como a dedicação à prática acadêmica de ensino e pesquisa, o aprimoramento técnico e a dedicação de tempo ao lazer e atividades físicas. Também foi possível observar que o início da carreira médica, principalmente internato e residência, é o mais exaustivo e exigente da saúde mental e física dos médicos.

O comprometimento da qualidade de vida do médico e, consequentemente, do seu exercício profissional pode interferir de forma impactante na sociedade, principalmente mediante os possíveis erros médicos muitas vezes irreparáveis. Diante desse panorama, destaca-se a importância de medidas intervencionistas profiláticas contra o adoecimento dos médicos por doenças relacionadas com o trabalho.

Suporte financeiro: bolsa pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Probic) pelo Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), nº do processo: 83702

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Recebido: Março de 2016; Aceito: Junho de 2016

Conflito de interesses: inexistente

Colaboradores

As autoras Ana Laura Lima Zitta e Mariana Evangelista Gracino contribuíram conjuntamente na definição do tema da pesquisa, elaboração da metodologia do projeto científico, seleção dos artigos por meio dos critérios de inclusão e exclusão e leitura dos resumos. Além disso, realizaram a leitura integral dos artigos selecionados individualmente e, posteriormente, discutiram entre si sobre eles. Após isso, elaboraram o artigo científico, com introdução, metodologia, resultados, discussão e conclusão.

Os autores Ely Mitie Massuda e Otávio Celeste Mangili realizaram a orientação da delimitação temática quanto à relevância científica, auxiliaram na definição dos critérios de inclusão e exclusão dos artigos e na escolha da base de dados. Ademais, conduziram a metodologia da síntese dos resultados e realizaram a revisão final do artigo.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.