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Saúde em Debate

Print version ISSN 0103-1104On-line version ISSN 2358-2898

Saúde debate vol.41 no.spe2 Rio de Janeiro June 2017

https://doi.org/10.1590/0103-11042017s201 

APRESENTAÇÃO

Apresentação

Maria Helena Barros de Oliveira1 

Aldo Pacheco Ferreira2 

Telma Abdalla de Oliveira Cardoso3 

Simone Cynamon Cohen4 

Débora Cynamom Kligerman5 

Katia Reis de Souza6 

1Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS) - Rio de Janeiro [(RJ), Brasil

2Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

3Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) - >Rio de Janeiro (RJ), Brasil

4Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

5Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

6Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil


O CENÁRIO MUNDIAL APRESENTA ENORMES DESAFIOS no que diz respeito à relação saúde e ambiente. Além da fome, o desequilíbrio e a poluição ambiental têm contribuído para mudança climática e para crise hídrica mostrando como a ação antrópica impacta o alarmante quadro de saúde e a reincidência ou aumento de doenças como a febre amarela, dengue, zika e as parasitoses. Assim, ações de controle ambiental, como o saneamento, dentro e fora de ambientes laborais são essenciais para a redução de externalidades causadas à saúde pública. Enfocam o estudo de fatores ambientais no meio físico no qual o homem habita, trabalha e convive, que possa exercer efeito danoso ao bem-estar físico, mental e social. Visam contribuir para a promoção de ambientes saudáveis, redução de riscos ambientais e a mitigação de seus impactos na saúde. A sua atuação também abrange situações de desastres causados por fatores naturais ou por interferência humana.

No tocante à relação saúde e trabalho, o panorama não é diferente, uma vez que somos igualmente desafiados a compreender as atuais configurações dos processos produtivos, bem como das organizações de trabalho e suas repercussões sobre a saúde da população trabalhadora. Aspectos como intensificação e precarização social do trabalho, perda de direitos sociais, previdenciários e trabalhistas refletem retrocessos históricos de conquistas da classe trabalhadora, apontando para a necessidade, imprescindível, de fortalecimento dos movimentos sociais e de resistências locais com a participação dos trabalhadores. Nesse contexto, este número temático da revista ‘Saúde em Debate’ pretende contribuir para uma reflexão sobre questões atuais da saúde, trabalho e ambiente.

Este suplemento é fruto de um compromisso institucional do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz. A proposta da Coordenação do Programa de Pós-Graduação, homologada na Coordenação de Pós-graduação (CPG), constitui-se na publicação de uma sequência de números temáticos, que reúnem áreas institucionais do referido programa. Aqui, neste número, são apresentadas duas áreas de conhecimento, a saber: saúde, trabalho e ambiente e de saneamento ambiental.

É válido mencionar que a chamada aberta possibilitou o envio de trabalhos de diversas instituições de ensino e pesquisa em saúde coletiva no Brasil, incluindo países da América Latina. De fato, o tema saúde, trabalho e ambiente, aqui analisado sob diferentes perspectivas teóricas e abordagens metodológicas, espelhou de forma exitosa a produção de conhecimento nessas áreas, tanto nacional quanto internacionalmente. Foram recebidos 127 artigos de todo o Brasil e da América latina, que, por meio da equipe de editores convidados, foram submetidos à avaliação (peer review) e, após aprovação e revisão pelos autores, compuseram este número temático especial da revista. Assim, este número contém 19 artigos originais, 4 ensaios, 1 revisão bibliográfica e 3 relatos de experiência, todos resultantes de dissertações, teses e investigações procedentes de grupos de pesquisa de diferentes programas de pós-graduação.

Os temas tratados recobrem os mais diferentes aspectos do trabalho e sua relação com a saúde, sendo eles: violência doméstica e trabalho; trabalho infantil; o trabalho das mulheres no agronegócio; o processo de trabalho em uma unidade de produção de imunobiológicos; as trajetórias educacionais e ocupacionais de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS); a reorganização do trabalho em uma agência da Previdência Social; impactos da sericultura em trabalhadores; avaliação dos trabalhadores na Atenção Primária à Saúde; trabalhadores em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal; riscos ocupacionais em biotérios; avaliação da síndrome de burnout em trabalhadores no sistema hospitalar; as repercussões da Doença de Chagas em trabalhadores; as políticas da saúde do trabalhador na saúde mental; as questões de saúde do trabalho de imigrantes; e a exposição ocupacional a substâncias químicas.

Há artigos sobre questões das políticas públicas e a redução de desastres, sobre a Convenção de Minamata, riscos à leptospirose no Rio de Janeiro, riscos ambientais em matadouros, do território como categoria de importância na saúde pública, as interfaces entre vulnerabilidade, território e metabolismos social.

Há que se mencionar ainda trabalhos que aprofundam aspectos subjetivos de bombeiros militares na dinâmica do reconhecimento e análise de malformações congênitas na utilização de agrotóxicos em monoculturas.

São apresentados três relatos de experiências que abordam a questão territorial e o risco de forma diferenciada com análises e propostas de soluções. O primeiro aborda o desastre da Região Serrana, em 2011, onde a população atingida ficou em abrigos temporários, sendo analisadas as falhas e lacunas no planejamento desses abrigos. Em sequência, apresenta a proposta metodológica participativa nominada de ‘Oficina Mapa Vivo’ de combate ao mosquito Aedes aegypti, e conclui com a descrição de ações de educação ambiental realizadas na bacia do Ribeirão Izidora.

Por fim, a expectativa é que esse conjunto de estudos sirva de referência para refletir e agir perante as adversidades de contexto, tomando por base o conhecimento crítico e socialmente engajado.

Esperamos que desfrutem da leitura.

Maria Helena Barros de Oliveira
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Aldo Pacheco Ferreira
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Telma Abdalla de Oliveira Cardoso
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Simone Cynamon Cohen
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Débora Cynamom Kligerman
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Katia Reis de Souza
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

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