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Saúde em Debate

Print version ISSN 0103-1104On-line version ISSN 2358-2898

Saúde debate vol.42 no.118 Rio de Janeiro July/Sept. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/0103-1104201811814 

ARTIGO ORIGINAL

Tecnologia mHealth na prevenção e no controle de obesidade na perspectiva do letramento em saúde: Lisa Obesidade

Leyla Márcia Ramos Oliveira1 
http://orcid.org/0000-0001-5478-1664

Clarice Maria Araújo Chagas Vergara2 
http://orcid.org/0000-0003-1709-9951

Helena Alves de Carvalho Sampaio3 
http://orcid.org/0000-0001-5353-8259

José Eurico de Vasconcelos Filho4 
http://orcid.org/0000-0002-6881-0814

1Universidade Estadual do Ceará (Uece), Departamento de Saúde Coletiva – Fortaleza (CE), Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5478-1664. leylaeleyla@hotmail.com

2Universidade Estadual do Ceará (Uece), Departamento de Saúde Coletiva – Fortaleza (CE), Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-1709-9951. clarice.araujo@uece.br

3Universidade Estadual do Ceará (Uece), Departamento de Saúde Coletiva – Fortaleza (CE), Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5353-8259. dr.hard2@gmail.com

4Universidade de Fortaleza (Unifor), Laboratório de Inovação em TIC – Fortaleza (CE), Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6881-0814. euricovasconcelos@unifor.br

RESUMO

O estudo objetivou descrever a tecnologia mHealth, utilizada para auxiliar na prevenção e no controle da obesidade em adultos à luz do letramento em saúde. A tecnologia foi desenvolvida pelo método do design participativo por uma equipe interdisciplinar que envolveu enfermeira, nutricionista, um designer e um analista de sistemas. Os autores desenvolveram um design de baixa e alta fidelidade, baseado no design interativo centrado no usuário, à luz do letramento em saúde. O estudo proporcionou desenvolver conhecimento do uso do letramento para desenvolvimento de tecnologia móvel, visando a uma maior acessibilidade dos indivíduos à prevenção e ao controle da obesidade. Foi considerada a percepção de equipe interdisciplinar sobre as questões relacionadas à saúde, o desenvolvimento e a aplicação da tecnologia mHealth para o enfrentamento do problema. Obteve-se tecnologia denominada Lisa Obesidade, com objetivo de empoderamento do usuário. Espera-se ser uma ferramenta para auxiliar profissionais da saúde a realizar ações promotoras de saúde.

PALAVRAS-CHAVE Aplicativos móveis; Obesidade; Promoção da saúde

Introdução

O Brasil tem cerca de 18 milhões de pessoas consideradas obesas, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a 70 milhões, o dobro de três décadas atrás. A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo. Suas causas podem estar relacionadas ao patrimônio genético do indivíduo, a maus hábitos alimentares, disfunções endócrinas, sedentarismo. É fator de risco para uma série de doenças, como hipertensão arterial sistêmica, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, entre outras1,2.

A obesidade é, hoje, reconhecida como uma pandemia e, já há algumas décadas, tem sido apontada como prioridade na agenda das políticas públicas nos âmbitos nacional e internacional. Alguns progressos pontuais podem ser observados. No entanto, nenhum país conseguiu controlar essa epidemia. Estão correlacionados a esse fato o lobby do setor privado comercial; a falta de prioridade de política específica dos governos para implementar medidas efetivas diante do não entendimento da população da real dimensão dos problemas correlacionados a essa patologia, que tem como consequência a insuficiente pressão da sociedade civil para a ação política; e a escassa avaliação empírica de medidas implementadas3.

As mHealths podem ser definidas como a utilização de informações e de tecnologias de comunicação para oferta e melhoria de serviços de saúde. A saúde móvel cria condições para a avaliação contínua de parâmetros de saúde, configura um novo cenário de incentivo a comportamentos saudáveis e auxilia a autogestão de condições crônicas, entre outras vertentes de aplicação4.

O alcance dessa tecnologia, apesar de facilitado pelo maior acesso da população, precisa não só ser acessível, mas agregar o fator do real entendimento do conteúdo vinculado para sensibilizar o seu uso. Nessa perspectiva, o letramento em saúde é uma ferramenta que permite aos usuários dessas tecnologias entenderem e interagirem com os conteúdos que devem ser validados e, se possível, retroalimentados.

Letramento em saúde pode ser definido como o grau segundo o qual os indivíduos têm capacidade para obter, processar, entender informações básicas e serviços necessários para a tomada de decisões adequadas em saúde5. Pela crença dos autores nessa concepção, houve a proposta de desenvolvimento, de forma interdisciplinar, de uma ferramenta tecnológica mHealth designada Lisa Obesidade, cujo objetivo é descrever uma tecnologia para auxiliar na prevenção e no controle da obesidade em adultos à luz do letramento em saúde. A perspectiva é de que ela possa contribuir para auxiliar na redução dos índices de obesidade que têm trazido tanto sofrimento à população devido a comorbidades a ela associadas.

Procedimentos metodológicos

No processo de concepção da tecnologia mHealth Lisa Obesidade, adotou-se a metodologia do processo de design de interação participativo centrado no usuário6, cujo principal objetivo é a concepção e a construção de produtos interativos que melhorem e aumentem o leque de possibilidades de comunicação, interação e trabalho entre as pessoas. Essa metodologia destaca-se por considerar as necessidades e a participação contínua dos usuários (pesquisadores) em todas as fases de concepção e desenvolvimento do projeto. O objetivo desse processo é tornar a interação do usuário com a ferramenta o mais simples e eficiente possível.

Essa tecnologia foi elaborada por um profissional de design, com orientação de uma enfermeira mestranda em saúde coletiva, professores doutores em nutrição e um professor doutor em ciências da computação.

O processo de design de interação contempla quatro etapas: A primeira etapa prevê a identificação das necessidades do(s) cliente(s) e/ou usuário(s) e, com base nelas, o estabelecimento dos requisitos do sistema. A etapa seguinte é o design de possíveis ‘soluções’ para as necessidades identificadas com base nos requisitos. Seleciona-se uma proposta de design, inicia-se a etapa de construção de um protótipo funcional, uma versão interativa. Com o protótipo funcional pronto, realiza-se a última etapa de avaliação. É possível que durante a execução de uma atividade, identifique-se ser necessário retomar uma etapa anterior para correção ou melhora, por isso, é interativo. A quarta e última etapa contempla a compilação e a análise dos resultados obtidos.

Neste estudo, para cumprir a primeira etapa, ocorreram reuniões de brainstorming, onde foram identificados os requisitos técnicos/funções que o sistema deveria contemplar, visando a mitigar a problemática apresentada.

A seguir, são apresentados os principais requisitos identificados:

  • Identificação do perfil clínico – cadastro clínico do usuário. Permite que o usuário preencha características de saúde a fim de ser associado ao tipo de perfil clínico. Através deste item, é possível saber se o usuário tem comorbidades, como diabetes ou hipertensão arterial sistêmica.

  • Cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), permitindo ao usuário que, ao colocar o seu peso (Kg) e sua altura (m), conheça sua classificação, segundo a tabela de classificação de peso1. O resultado do cálculo do IMC permite a visualização, através de sinalizações de cores (verde, amarelo e vermelho). O usuário saberá se está em risco para obesidade ou se está obeso, bem como sua classificação, e, a partir daí, receberá informações para possíveis condutas.

  • Informações sobre obesidade à luz do letramento em saúde, baseado no Guia7 e na metodologia do processo de design de interação participativo centrado no usuário6.

  • Controle e alerta de alimentos perigosos a determinadas patologias através da foto do seu prato com a participação de profissionais de saúde.

  • Centros mais próximos de tratamento da obesidade – o usuário receberá possíveis localizações de centros para tratamento de obesidade.

Após esse levantamento prévio, foram estabelecidos os requisitos funcionais da ferramenta e elaborado um documento de requisitos:

  1. Acessar o sistema: local de inclusão do usuário (login e logoff);

  2. Registrar dados cadastrais: uma opção na tela inicial para inserção dos dados dos usuários: senha, e-mail, idade, sexo e nível de escolaridade;

  3. Realizar cálculo do IMC por meio da fórmula: ao inserir seu peso e altura, o usuário será ‘classificado’ ou terá a informação do seu risco para obesidade. De acordo com a classificação: Baixo peso (< 18,5), peso normal (18,5 – 24,9), sobrepeso ( &ge; 25), pré-obeso (25,0 a 29,9), obeso I (30,0 a 34,9), obeso II (35,0 a 39,9), obeso III ( &ge; 40). Desse modo, ele pode estabelecer sua meta de perda de peso e acompanhar seu progresso;

  4. Avaliação da refeição: o usuário tira a foto e posta no aplicativo, e seu prato será avaliado por uma rede de colaboradores (usuários, nutricionista e alunos de nutrição);

  5. Notícias e eventos: ferramenta para visualização dos principais eventos sobre promoção da saúde que estejam ocorrendo.

A segunda etapa consta dos processos de design e redesign. Esta etapa foi o momento de definir como seria o produto. No caso dos artefatos tecnológicos, o design contempla os protótipos das interfaces (telas) do sistema aplicativo. Esses protótipos contemplam os requisitos identificados que foram atendidos nas telas por meio dos elementos de interface e do layout.

Um protótipo é uma representação da interface com a qual o usuário pode interagir e oferecer informações para propor mudanças e melhorias. É um modelo semifuncional do produto final8. Usar uma versão parcialmente finalizada do site/aplicativo é uma maneira comum de realizar testes de usabilidade já nas fases iniciais do ciclo de vida do projeto9.

São considerados os seguintes níveis de prototipagem: baixa fidelidade, média fidelidade e alta fidelidade. Cada um desses três níveis de fidelidade de protótipo apresenta benefícios singulares importantes de serem incluídos no processo de projeto (design) de interface9.

Na fase de design, adota-se a concepção dos protótipos de baixa fidelidade. Um protótipo de baixa fidelidade possui baixo grau de detalhamento. Somente apresenta visualmente a funcionalidade, não possui recursos de interação9. O objetivo foi oferecer uma visão geral do layout de tela e dos elementos de interface, permitindo uma discussão mais clara sobre a proposta.

Nesta fase, deu-se o início à criação do design da ferramenta, com a participação dos membros da equipe nas discussões, tendo como base os passos de criação de material segundo o letramento em saúde, com o intuito de aproximar as funcionalidades do sistema, a linguagem e o entendimento do usuário. Também se discutiu nessa fase quais motivações levam um profissional de nutrição a entrar no aplicativo.

O processo de design dos protótipos de baixa fidelidade produzido pelo designer utilizou a ferramenta Photoshop.

O protótipo de alta fidelidade foi construído na versão interativa, contemplando as características presentes no protótipo de baixa fidelidade, tipografia, iconografia e paleta de cores.

As discussões entre os membros da equipe continuaram durante todo o processo, gerando adaptações e mudanças, como a alteração do nome da tecnologia, a interatividade e os formatos que despertassem maior interesse do usuário.

Na elaboração das telas de alta fidelidade, utilizou-se, também, a ferramenta Photoshop.

O estudo descrito no artigo foi finalizado nessa etapa, na qual obteve-se a elaboração do design interativo.

Resultados e discussão

No contexto da engenharia de software, a prototipação é um processo que capacita o desenvolvedor a criar um modelo do produto final que será posteriormente desenvolvido10.

Os modelos de prototipação podem ser de baixa e alta fidelidade. O protótipo de alta é muito semelhante à versão final, pois é um programa que executa parte ou todas as características que serão melhoradas no produto final6,10.

Revisões sistemáticas têm mostrado que as abordagens tradicionais para o excesso de peso, em especial, os tratamentos clínico e farmacológico, têm obtido pouco êxito no controle da doença e que existe consenso quanto à necessidade de adotarem-se modelos ecológicos nas ações de saúde pública para prevenção e controle do excesso de peso e da obesidade. Tais modelos reconhecem a existência de múltiplos fatores associados ao ganho de peso. Além disso, o apoio das tecnologias atualmente disponíveis pode ser outro ponto importante na condução das estratégias para o enfrentamento dos aumentos da prevalência da doença. O desenvolvimento de uma tecnologia para prevenção e tratamento da obesidade, à luz do letramento em saúde, com o objetivo de auxiliar usuários e profissionais como um instrumento de promoção da saúde, concretizou-se com o design Lisa Obesidade, o qual se dispõe a ser uma ferramenta de aprendizagem e de interação com o usuário, além de disponibilizar interfaces que possibilitam hábitos saudáveis11.

E essa abordagem é reforçada quando se destaca a importância da preocupação com o usuário no desenvolvimento de uma interface, a qual só se mostra eficaz quando o usuário é capaz de realizar a ação por meio da ferramenta. A partir desse pensamento, surgiram processos de design que colocavam o usuário como figura central e partiam de suas características para definir o resultado final do artefato criado. Esse conjunto de métodos é englobado no conceito do design centrado no usuário, cuja principal característica está no envolvimento efetivo dos usuários finais no processo de design e na maneira como eles influenciam na forma do projeto12.

A pesquisa favoreceu aprofundar o conhecimento do contexto apresentado, considerando a percepção da equipe interdisciplinar (nutrição, enfermagem, designer e tecnologia) sobre as questões relacionadas à saúde, o desenvolvimento e a aplicação da tecnologia mHealth para o enfrentamento do problema.

No primeiro momento, foram realizados a concepção e o desenvolvimento de 23 telas no protótipo de baixa fidelidade (figura 1). Nessa etapa, propiciou-se a avaliação prévia, pela equipe interdisciplinar, das telas e interfaces, havendo uma especial preocupação com a sua estrutura, o seu conteúdo e a sua compreensão.

Fonte: Elaboração própria, 2017.

Figura 1 Telas de perfil do usuário do protótipo de baixa fidelidade 

No segundo momento, foi elaborado o protótipo de alta fidelidade, com desenvolvimento de 14 telas que, após discussões entre a equipe interdisciplinar (figuras 2 a 5), permitiram a percepção das necessidades de ajustes relacionadas à interatividade e às imagens. Assim, posteriormente, foram elaboradas 34 telas de alta fidelidade, o que proporcionou telas mais limpas, com conteúdo mais acessível, sendo algumas transformadas em duas.

Fonte: Elaboração própria, 2017.

Figura 2 Telas de metas e gráfico de peso, avaliação de prato, cálculo do IMC e informações gerais do protótipo de baixa fidelidade 

Fonte: Elaboração própria, 2017.

Figura 3 Telas de perfil do usuário do protótipo de alta fidelidade 

Fonte: Elaboração própria, 2017.

Figura 4 Telas de metas e gráfico de peso, avaliação de prato, cálculo do IMC e informações gerais do protótipo de alta fidelidade 

Fonte: Elaboração própria, 2017.

Figura 5 Telas de informações gerais e personalizadas do protótipo de alta fidelidade 

A tecnologia desenvolvida para prevenção da obesidade permite um melhor controle por parte dos profissionais dos cuidados prestados pelos usuários. O cuidado por meio da equipe multidisciplinar deve ser repensado, porque muito do que cada profissional pode oferecer, ou efetivamente oferece aos pacientes, perde-se em ações estanques e dissociadas do cuidado construído pelo grupo. Por outro lado, tal realidade não parece ser um fenômeno relacionado unicamente ao Brasil, onde a experiência aqui relatada se desenvolve. O material desenvolvido pela Advisory Board Company13 demonstra que tem sido uma preocupação de diferentes países o esforço em encorajar as partes interessadas a trabalharem juntas, em uma abordagem centrada na pessoa, para tratar pacientes de forma eficaz no cenário adequado. A expressão maior de tal esforço resulta na compreensão de que uma nova definição de trabalho deve ser pensada em favor da transformação do cuidado.

O vínculo entre o profissional de saúde e o usuário é fundamental para o controle e a prevenção da obesidade. O trabalho em grupo permite melhor estímulo à adesão e gera melhor qualidade de vida para os pacientes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a adesão ao tratamento de enfermidades crônicas como um fenômeno multidimensional determinado pela conjugação de cinco conjuntos de fatores, denominados dimensões: sistema de saúde, doença, tratamento, paciente e fatores relacionados ao cuidador. Essa classificação deixa claro ser enganosa a crença de que os pacientes são os únicos responsáveis pelo tratamento14.

A metodologia proposta para o desenvolvimento da tecnologia se mostrou bastante eficiente, tanto nas fases iniciais quanto na atividade de elaboração dos requisitos para a compreensão das necessidades dos usuários. A importância da participação de uma equipe interdisciplinar durante todo o processo se deve ao fato de proporcionar uma melhor definição das etapas, dos parâmetros e das avaliações de alternativas que melhor atendessem ao objetivo deste estudo, bem como do produto gerado. O uso dos protótipos de baixa e alta fidelidade, ao longo de todo o processo de design, contribuiu para identificar e selecionar as formas mais precisas, as melhores alternativas que permitam melhor interação e aprendizado do usuário.

Acredita-se que os princípios que embasaram a metodologia centrada em protótipos tornaram o processo de design mais interativo, ampliando o uso de protótipos para todas as fases do processo de design; criando um número maior de ciclos interativos; adequando o protótipo em cada fase e considerando as características das fases, área de design, finalidades, propósitos e nível de fidelidade a cada ciclo.

A visão dos protótipos foi ampliada para algo além de uma ferramenta de apresentação do projeto, entendendo que elas podem contribuir tanto para a compreensão do problema e do que deve ser projetado nas fases iniciais de design como para o levantamento de parâmetros com usuários, realização de avaliações com as alternativas e aprovação do produto final.

Acredita-se que esses princípios podem contribuir para tornar o processo de design e os produtos desenvolvidos a partir dele mais eficientes. Nesse momento, foi importante a associação do design centrado no usuário e a aplicação dos princípios do letramento em saúde. Para as informações e o conteúdo abordados, tentou-se a utilização de linguagem clara e de fácil entendimento. As telas com informações/imagens foram contextualizadas e acessíveis. No desenvolvimento de tecnologias à saúde, não se pode dissociar o design centrado no usuário do letramento em saúde.

Com o número expressivo de usuários de aplicativos móveis, a equipe de saúde deve aproveitar esse interesse e fazer dessa ferramenta uma aliada nas orientações de prevenção e tratamento da obesidade, bem como na manutenção de hábitos de vida saudáveis. A seleção de aplicativos de maneira criteriosa pode promover uma maior aproximação do profissional e melhorar a compreensão do usuário sobre seu estado de saúde, além de aguçar o seu interesse em cuidar da própria saúde.

Tecnologias móveis já fazem parte de nossas vidas cotidianas e, pelos motivos expostos, têm o potencial de impactar a promoção de saúde de forma positiva, especialmente na prevenção e no tratamento do excesso de peso e da obesidade, que são atualmente grandes desafios para a saúde pública no mundo11.

Considerações finais

Após todas as etapas percorridas e discussões constantes da equipe interdisciplinar de desenvolvimento do design Lisa Obesidade, obteve-se um recurso tecnológico do qual se espera que possa oferecer aos usuários a adoção de medidas amplas de cuidado com a saúde, favorecendo o seu empoderamento e configurando-se como uma ferramenta a mais para auxiliar profissionais da saúde a realizar ações promotoras de saúde.

A tecnologia desenvolvida neste estudo está disponível para a etapa de avaliação de juízes e do público.

Diante do exposto, fica patente que a ferramenta ora desenvolvida faz parte de uma estratégia para empoderamento dos usuários, que não dispensa o acompanhamento periódico com os profissionais de saúde.

Suporte financeiro: não houve

Referências

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Recebido: 03 de Junho de 2018; Aceito: 13 de Agosto de 2018

Conflito de interesses: inexistente

Colaboradores

Oliveira LMR participou da concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho; Vergara CMAC participou na interpretação dos dados e análise da redação do presente artigo; Sampaio HAC trouxe contribuições na revisão crítica do artigo; Vasconcelos JE participou da concepção, planejamento, análise, interpretação de dados.

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