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Associação entre intoxicação exógena e exposição ocupacional e ambiental de pacientes com câncer em Mato Grosso

Association between exogenous intoxication and occupational and environmental exposure of cancer patients in Mato Grosso

RESUMO

O objetivo deste estudo foi investigar a associação entre características sociodemográficas relacionadas à exposição ambiental e ocupacional e o autorrelato de intoxicação de pacientes com diagnóstico de câncer em Mato Grosso, Brasil. Trata-se de um estudo transversal, com 998 pacientes com câncer atendidos em hospitais de referência do estado. A variável dependente foi obtida a partir do autorrelato de algum sintoma de intoxicação nos últimos 5 anos e se a intoxicação foi decorrente ou não do trabalho/ocupação. A associação entre características sociodemográficas relacionadas à intoxicação e à exposição ambiental e ocupacional e o autorrelato de intoxicação foi avaliada pelo teste exato de Fisher. Do total de entrevistados, 7,4% (IC95%: 6,0; 9,2) referiram intoxicação, sendo 2,3% dos casos (IC95%: 1,5; 3,4) decorrentes do trabalho. Os fatores associados ao autorrelato de intoxicação decorrente do trabalho foram ser do sexo masculino, ter escolaridade menor que 4 anos, sintoma de dor de cabeça, intoxicação por agrotóxico agrícola, por via respiratória e ter trabalhado com agrotóxicos, amianto, metais pesados e poeira industrial. Conclui-se que os indivíduos com maior exposição ocupacional aos agrotóxicos e a outros produtos químicos referiram maior ocorrência de intoxicações decorrentes do trabalho.

PALAVRAS-CHAVE
Intoxicação; Vigilância em saúde do trabalhador; Agroquímicos; Câncer ocupacional

ABSTRACT

The aim of this study was to investigate the association between sociodemographic characteristics, related to environmental and occupational exposure and self-report of intoxication in patients diagnosed with cancer in Mato Grosso, Brazil. This is a cross-sectional study, with 998 cancer patients seen at referral hospitals in the state. The dependent variable was obtained from the self-report of some intoxication symptom in the last 5 years and whether or not the intoxication was caused by work/occupation. The association between sociodemographic characteristics, related to intoxication and environmental and occupational exposure and self-report of intoxication was assessed by Fisher’s exact test. Of all respondents, 7.4% (95%CI: 6.0; 9.2) reported intoxication, and 2.3% (95%CI: 1.5; 3.4) were work-related. Factors associated with self-reported work-related intoxication were being male, having less than 4 years of education, headache, intoxication by agricultural pesticides, by respiratory route and having worked with pesticides, asbestos, heavy metals and industrial dust. It was concluded that individuals with higher occupational exposure to pesticides and other chemicals reported higher occurrence of poisoning due to work.

KEYWORDS
Poisoning; Surveillance of the workers health; Pesticide; agrochemicals; Occupational cancer

Introdução

O Câncer Relacionado ao Trabalho (CRT) é estabelecido pelo impacto na frequência, surgimento ou gravidade dos casos de câncer associados a agentes e condições ocupacionais carcinogênicas, assim, o CRT resulta da exposição do trabalhador a condições e substâncias carcinogênicas no seu ambiente de trabalho, que aumentam o risco de desenvolver um câncer11 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Atlas do câncer relacionado ao trabalho no Brasil: Análise regionalizada e subsídios para vigilância em Saúde do Trabalhador. 2021. [acesso em 2022 abr 9]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atlas_cancer_relacionado_trabalho_brasil.pdf.
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A relação entre a exposição ambiental aos agrotóxicos e os casos de câncer, mediada por atividades de trabalho rural, tem sido objeto de desvelamento contínuo devido à sua variabilidade decorrente da multiplicidade de substâncias, formulações, equipamentos, manejo, modos de aplicação, variações das condições ambientais (solo, ar, água) locais e das especificidades das pragas e culturas envolvidas22 Lopes CVAA, Cavalcanti GS. Agrotóxicos e seus impactos na saúde humana e ambiental: uma revisão sistemática. Saúde debate. 2018 [acesso em 2023 ago 16]; 42(117):518-534. Disponível em https://doi.org/10.1590/0103-1104201811714.
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A plausibilidade dessa associação decorre do uso intensivo no Brasil e no estado do Mato Grosso, em particular, de substâncias comprovadas e suspeitas de serem carcinogênicas como agrotóxicos e fertilizantes, segundo o sistema de classificação da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc)11 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Atlas do câncer relacionado ao trabalho no Brasil: Análise regionalizada e subsídios para vigilância em Saúde do Trabalhador. 2021. [acesso em 2022 abr 9]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atlas_cancer_relacionado_trabalho_brasil.pdf.
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. A escolha do estado, refere-se ao fato de ser considerado o maior consumidor de agrotóxicos do Brasil e o líder na produção de soja, milho e algodão33 Pignati WA, Lima FANS, Lara SS, et al. Distribuição espacial do uso de agrotóxicos no brasil: uma ferramenta para a vigilância em saúde. Ciênc. saúde coletiva. 2017 [acesso em 2023 ago 16]; 22(10):3281-3293. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-812320172210.17742017
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A relevância dessa abordagem decorre da pouca visibilidade do impacto dos agrotóxicos na população trabalhadora rural, oriundos da multiplicidade da exposição ocupacional aos agrotóxicos. Nesse sentido, observa-se uma limitação metodológica dos estudos sobre contaminações químicas relacionadas ao trabalho rural, ao não considerarem a exposição complexa a múltiplos agentes associados, restringindo-se a sítios contaminados e aos estudos de carga de doença voltados ao câncer, como se pode constatar nas revisões de Azevedo et al.44 Azevedo e Silva G, Moura L, Curado MP, et al. The Fraction of Cancer Attributable to Ways of Life, Infections, Occupation, and Environmental Agents in Brazil in 2020. PLoS ONE. 2016; 11(2):e0148761. e Takala et al.55 Takala J. Eliminating occupational câncer in Europe and globally. 2017. [acesso em 2022 abr 5]. Disponível em: https://oshwiki.eu/wiki/Eliminating_occupational_cancer_in_Europe_and_globally.
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A partir do exposto, o objetivo deste estudo é investigar a associação entre características sociodemográficas relacionadas à exposição ambiental e ocupacional e o autorrelato de intoxicação exógena de pacientes com diagnóstico de câncer em Mato Grosso.

Material e métodos

Trata-se de um estudo de delineamento transversal e observacional, com base em dados de um questionário estruturado aplicado a pacientes com diagnóstico de câncer, atendidos nos hospitais de referência no estado de Mato Grosso.

Os serviços de saúde selecionados foram o Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), que é o hospital-escola da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e o Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan), uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) responsável por cerca de 70% do total de atendimentos oncológicos em Mato Grosso66 Mato Grosso. Secretaria Estadual de Saúde. Plano Estadual de Saúde - PES. 2016-2019. Relatório. Mato Grosso SES-MT: Cuiabá; 2017. Disponível em: http://www.saude.mt.gov.br/nger/arquivos/685/plano-estadual-saude.
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Neste estudo, consideraram-se os casos de intoxicação provenientes da informação autorreferida pelo(a) trabalhador(a), com metodologia testada e validada por Murphy et al.77 Murphy HH, Hoan NP, Matteson P, et al. Farmers’ self-surveillance of pesticide poisoning: a 12-month pilot in northern Vietnam. Int J Occup Environ Health. 2002 [acesso em 2022 abr 5]; 8(3):201-11. Disponível em: https://doi.org/10.1179/107735202800338894.
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. Para o cálculo amostral, considerou-se o número de internações do Registro Hospitalar de Câncer (2015) de pacientes com 18 anos ou mais devido à ausência de informações sobre o quantitativo de pacientes atendidos nos ambulatórios, proporção máxima (p = 0,50), erro tolerável de 2,5% e nível de confiança de 95%. A amostra estimada foi de 1.050 pacientes atendidos nos dois hospitais, considerando 10% de perdas. Para a entrevista foram selecionados 1.122 pacientes maiores de 18 anos de idade, dos quais, 6 recusaram, 21 não tiveram seus prontuários localizados e 83 tiveram diagnóstico de câncer não confirmado. Dessa forma, a amostra final foi de 1.012 pacientes. Os critérios de inclusão para a seleção dos participantes foram: pessoas de ambos os sexos com 18 anos ou mais atendidas nos ambulatórios do HCan e do HUJM com diagnóstico citopatológico ou histopatológico de câncer, durante o período da coleta de dados. Foram incluídos no presente estudo somente os residentes no estado de Mato Grosso (n = 998).

A coleta de dados ocorreu entre novembro de 2019 e março de 2020, e deu-se por um questionário estruturado em 12 blocos por meio de entrevista face a face nos próprios ambulatórios, em local reservado para tal, utilizando um coletor eletrônico de dados (Open Data Kit - ODK) instalado num tablet com sistema Android. Já a coleta de dados em prontuário foi realizada nos períodos de dezembro de 2019 a março de 2020 e abril a junho de 2021, devido à pandemia da Covid-19.

A variável dependente para este estudo foi obtida a partir do autorrelato de algum sintoma de intoxicação exógena por agrotóxicos nos últimos 5 anos, se a intoxicação foi decorrente do trabalho/ocupação e classificada como intoxicado devido ao trabalho ou intoxicado não devido ao trabalho (figura 1).

Figura 1
Fluxograma da amostra de estudo e grupos de comparação conforme o autorrelato de intoxicação entre pacientes com câncer atendidos nos hospitais de referência do estado de Mato Grosso, 2019-2020

As variáveis independentes foram as características sociodemográficas de sexo, local de residência, faixa etária, escolaridade, ocupação anterior. A variável ocupação foi classificada segundo os grandes grupos de ocupações da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO)88 Brasil. Ministério do Trabalho. Classificação Brasileira de Ocupações. [acesso em 2022 set 10]. Disponível em: https://empregabrasil.mte.gov.br/76/cbo/.
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. Para a análise, foram consideradas três categorias, a atividade agropecuária (trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca), outras atividades (todos os outros grandes grupos) e nunca trabalhou/estuda. As variáveis de intoxicação geral foram: sintomas de intoxicação, causas, qual tipo de intoxicação, circunstância de exposição e se houve atendimento hospitalar ou no local de trabalho. Também foram analisadas as variáveis de exposição ambiental e ocupacional, se já trabalhou com agrotóxicos, amianto, chumbo, metais pesados, formol, benzeno e poeira industrial. Adicionalmente, foram avaliados aspectos específicos sobre a exposição ocupacional ao agrotóxico, como o trabalho direto com agrotóxicos, as atividades laborais desenvolvidas, o uso de equipamentos de proteção individual, forma de realização da pulverização na área de trabalho e onde eram lavadas as roupas.

Foi realizada análise descritiva por meio de frequências absolutas e relativas e estimadas as prevalências de autorrelato de intoxicação e seus respectivos Intervalos de Confiança (IC95%). Para avaliar a associação entre as características sociodemográficas relacionadas à intoxicação e à exposição ambiental e ocupacional e o autorrelato de intoxicação, foi utilizado o teste exato de Fisher. As análises foram realizadas no software STATA, versão 16.0. Adotou-se um nível de significância de 5%.

Este estudo faz parte do projeto de pesquisa ‘Câncer e seus fatores associados: análise de registro de base populacional e hospitalar de Cuiabá-MT’, desenvolvido pelo Instituto de Saúde Coletiva (UFMT) em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT), com financiamento do Ministério Público do Trabalho, 23ª região, do estado de Mato Grosso. Foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário Júlio Muller (CEP-HUJM) CAAE: 98150718.1.0000.8124, número do parecer 3.048.183, de 20/11/2018, e pelo CEP SES-MT CAAE: 98150718.1.3003.5164, número do parecer 3.263.744, em 12/04/2019. Todos os participantes do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Resultados

Dos 998 pacientes, a média de idade foi de 56,70 anos (DP: 14,32), com maior proporção na faixa etária de 60 a 69 anos (25,6%) e em menores proporções entre 18-39 anos (13,3%). A maioria era do sexo feminino (54,9%), possuía menos de oito anos de escolaridade (60,9%) e residia na macrorregião Centro-Sul (55,4%), onde se localiza a capital, Cuiabá (26,8%), seguida da macrorregião sudeste (14,2%) e, em menores proporções, da macrorregião Nordeste (3,5%). Do total de entrevistados, 7,4% (IC95%: 6,0; 9,2) referiram intoxicação: 2,3% (IC95%: 1,5; 3,4) decorrentes do trabalho e 5,1% (IC95%: 3,9; 6,7) não decorrentes do trabalho.

Com relação às características sociodemográficas, verificou-se maior frequência de autorrelato de intoxicação decorrente do trabalho entre os pacientes do sexo masculino (65,2%) e com escolaridade menor que 4 anos de estudo (69,6%). Para as variáveis local de residência, faixa etária e ocupação anterior, não foi observada diferença significativa entre os grupos de comparação (tabela 1).

Tabela 1
Associação entre variáveis sociodemográficas e o autorrelato de intoxicação entre pacientes com câncer atendidos nos hospitais de referência do estado de Mato Grosso, 2019-2020

Os pacientes que referiram intoxicação decorrente do trabalho relataram em maior frequência dor de cabeça (91,3%), intoxicação por agrotóxico agrícola (78,3%), por via respiratória (69,6%) e devido à exposição ambiental (43,5%). Enquanto isso, entre aqueles que referiram intoxicação não decorrente do trabalho, o sintoma mais frequente foi a diarreia (74,5%), as principais causas de intoxicação foram o uso de produtos químicos domiciliares (21,6%) e medicamentos (43,1%); a via mais frequente foi digestiva (70,6%); e devido ao uso habitual (58,8%) (tabela 2).

Tabela 2
Associação entre variáveis relacionadas aos sintomas e causas da intoxicação e o autorrelato de intoxicação entre pacientes com câncer atendidos nos hospitais de referência do estado de Mato Grosso, 2019-2020

A frequência de exposição aos agrotóxicos (60,9%), amianto (30,4%), metais pesados (26,1%) e poeira industrial (73,9%) foi maior entre os pacientes que referiram intoxicação decorrente do trabalho (tabela 3).

Tabela 3
Associação entre exposição ocupacional e o autorrelato de intoxicação entre pacientesco m cânceres atendidos nos hospitais de referência do estado de Mato Grosso, 2019-2020

Ao avaliar o trabalho realizado diretamente com agrotóxicos, a maior frequência foi observada entre os pacientes que relataram intoxicação decorrente do trabalho (87,5%). (tabela 4).

Tabela 4
Associação entre exposição aos agrotóxicos e o autorrelato de intoxicação entre pacientes com câncer atendidos nos hospitais de referência do estado de Mato Grosso, 2019-2020

Discussão

Os resultados deste estudo revelam a magnitude das intoxicações exógenas entre os pacientes com diagnóstico de câncer no estado de Mato Grosso. Analisando as diferenças por sexo, ser do sexo masculino se associou à ocorrência de intoxicações decorrentes do trabalho. Esse achado corrobora as evidências de Silva et al.99 Silva DO, Ferreira MJM, Silva SA, et al. Exposição aos agrotóxicos e intoxicações agudas em região de intensa produção agrícola em Mato Grosso, 2013. Epidemiol. Serv. Saúde. 2019 [acesso em 2022 abr 5]; 28(3):e2018456. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742019000300013
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, Oesterlund et al.1010 Oesterlund AH, Thomsen JF, Sekimpi DK, et al. Pesticide knowledge, practice and attitude and how it affects the health of small-scale farmers in Uganda: a cross-sectional study. Afr Health Sci. 2014 [acesso em 2022 abr 5]; 14(2):420-33. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4314/ahs.v14i2.19.
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, Silva et al.1111 Silva AMC, Soares MR, Silva NA, et al. Environmental and occupational exposure among cancer patients in Mato Grosso, Brazil. Rev. bras. epidemiol. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 25(supl1):e220018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720220018.supl.1.
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, que apontam para maior intoxicação entre trabalhadores do sexo masculino. Silva et al.99 Silva DO, Ferreira MJM, Silva SA, et al. Exposição aos agrotóxicos e intoxicações agudas em região de intensa produção agrícola em Mato Grosso, 2013. Epidemiol. Serv. Saúde. 2019 [acesso em 2022 abr 5]; 28(3):e2018456. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742019000300013
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evidenciaram que entre indivíduos do sexo masculino houve 3,47 (IC95% 2,24;5,35) vezes maior ocorrência de intoxicações agudas do que entre indivíduos do sexo feminino. Silva et al.1111 Silva AMC, Soares MR, Silva NA, et al. Environmental and occupational exposure among cancer patients in Mato Grosso, Brazil. Rev. bras. epidemiol. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 25(supl1):e220018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720220018.supl.1.
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analisam essa evidência indicando que os homens estão mais expostos a substâncias cancerígenas por acessarem trabalhos de risco. Oesterlund et al.1010 Oesterlund AH, Thomsen JF, Sekimpi DK, et al. Pesticide knowledge, practice and attitude and how it affects the health of small-scale farmers in Uganda: a cross-sectional study. Afr Health Sci. 2014 [acesso em 2022 abr 5]; 14(2):420-33. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4314/ahs.v14i2.19.
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apresentam resultados que indicam um risco menos significante para exposição a agrotóxicos para o sexo feminino em relação ao masculino, contudo, pontuam que poucos estudos analisam a exposição de ambos os sexos.

A baixa escolaridade também foi fator de associação à ocorrência de intoxicações decorrentes do trabalho neste estudo, corroborando os achados de De-Assis et al.1212 De-Assis MP, Barcella RC, Padilha JC, et al. Health problems in agricultural workers occupationally exposed to pesticides. Rev Bras Med Trab. 2021 [acesso em 2022 abr 5]; 18(3):352-363. Disponível em: http://dx.doi.org/10.47626/1679-4435-2020-532.
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, Silva et al.99 Silva DO, Ferreira MJM, Silva SA, et al. Exposição aos agrotóxicos e intoxicações agudas em região de intensa produção agrícola em Mato Grosso, 2013. Epidemiol. Serv. Saúde. 2019 [acesso em 2022 abr 5]; 28(3):e2018456. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742019000300013
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e Silva et al.1111 Silva AMC, Soares MR, Silva NA, et al. Environmental and occupational exposure among cancer patients in Mato Grosso, Brazil. Rev. bras. epidemiol. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 25(supl1):e220018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720220018.supl.1.
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. evidenciaram maior prevalência de intoxicações agudas em participantes com ensino médio incompleto. Silva et al.1111 Silva AMC, Soares MR, Silva NA, et al. Environmental and occupational exposure among cancer patients in Mato Grosso, Brazil. Rev. bras. epidemiol. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 25(supl1):e220018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720220018.supl.1.
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evidenciaram maior exposição a agrotóxico, poeira industrial, benzeno, amianto e metais pesados entre participantes de menor escolaridade (0 a 4 anos). De-Assis et al.1212 De-Assis MP, Barcella RC, Padilha JC, et al. Health problems in agricultural workers occupationally exposed to pesticides. Rev Bras Med Trab. 2021 [acesso em 2022 abr 5]; 18(3):352-363. Disponível em: http://dx.doi.org/10.47626/1679-4435-2020-532.
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evidenciam a baixa escolaridade relacionada à incompreensão da periculosidade da exposição e da importância e forma correta de utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), contribuindo para o aumento da exposição aos agrotóxicos. A literatura descreve que a não adesão ao uso de equipamentos de proteção individual e a falta do conhecimento necessário para manuseio de produtos químicos como os agrotóxicos são fatores de risco para os trabalhadores e as pessoas que vivem nesses ambientes1313 Bortolloto CC, Hirschmann R, Martins-Silva T, et al. Exposição a agrotóxicos: estudo de base populacional em zona rural do sul do Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2020 [acesso em 2022 abr 5]; (23):e200027. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-549720200027.
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Neste estudo, não foi observada associação entre o autorrelato de intoxicação e a atividade laboral desenvolvida, o uso de equipamento individual, forma de realização da pulverização na área e onde as roupas eram lavadas, o que pode revelar a incompreensão entre a percepção da associação da exposição ocupacional correlacionada aos casos de intoxicação exógena decorrente da baixa escolaridade dos participantes, corroborando as evidências de De-Assis et al.1212 De-Assis MP, Barcella RC, Padilha JC, et al. Health problems in agricultural workers occupationally exposed to pesticides. Rev Bras Med Trab. 2021 [acesso em 2022 abr 5]; 18(3):352-363. Disponível em: http://dx.doi.org/10.47626/1679-4435-2020-532.
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Mesmo não encontrando associação entre a atividade laboral e a intoxicação decorrente do trabalho, as intoxicações mais referidas neste estudo ocorreram durante colheita, pulverização e tratamento de sementes. Esse dado deve ser interpretado com ressalvas, pois a baixa escolaridade, somada às pressões pelo ocultamento, pode dificultar a realização da associação dos sintomas de intoxicação com a exposição ocupacional entre os participantes da pesquisa, por subnotificação1414 Nasrala Neto E, Lacaz FAC, Pignati WA. Health surveillance and agribusiness: the impact of pesticides on health and the environment. Danger ahead! Ciênc. saúde coletiva. 2014 [acesso em 2022 abr 5]; 19(12):4709-4718. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-812320141912.03172013.
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15 Pignati WA, Soares MR, Lara SS, et al. Exposição aos agrotóxicos, condições de saúde autorreferidas e Vigilância Popular em Saúde de municípios mato-grossenses. Saúde debate. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 46(esp2):45-61. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-11042022E20345.
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-1616 Bombardi LM. Agrotóxicos e agronegócio: arcaico e moderno se fundem no campo brasileiro. Direitos humanos no Brasil 2012: relatório da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Tradução. São Paulo: Rede Social de Justiça e Direitos Humanos; 2012.
. Corroborando os achados de Pessoa et al.1717 Pessoa VM, Rigotto RM. Agronegócio: geração de desigualdades sociais, impactos no modo de vida e novas necessidades de saúde nos trabalhadores rurais. Rev. bras. saúde ocupac. 2012 [acesso em 2022 abr 5]; 37(125):65-77. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0303-76572012000100010.
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, que analisam a incapacidade das pessoas sintomáticas para intoxicação, associaram a intoxicação com a exposição aos agrotóxicos.

Com relação aos sinais e sintomas identificados após a intoxicação, a dor de cabeça apresentou maior frequência. Bortolotto et al.1313 Bortolloto CC, Hirschmann R, Martins-Silva T, et al. Exposição a agrotóxicos: estudo de base populacional em zona rural do sul do Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2020 [acesso em 2022 abr 5]; (23):e200027. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-549720200027.
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evidenciaram resultado semelhante em trabalhadores da zona rural do Sul do País. Também identificaram fraqueza generalizada e dores abdominais. De-Assis et al.1212 De-Assis MP, Barcella RC, Padilha JC, et al. Health problems in agricultural workers occupationally exposed to pesticides. Rev Bras Med Trab. 2021 [acesso em 2022 abr 5]; 18(3):352-363. Disponível em: http://dx.doi.org/10.47626/1679-4435-2020-532.
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evidenciam a dor de cabeça entre os sintomas mais relatados. Silva et al.1111 Silva AMC, Soares MR, Silva NA, et al. Environmental and occupational exposure among cancer patients in Mato Grosso, Brazil. Rev. bras. epidemiol. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 25(supl1):e220018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720220018.supl.1.
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evidenciam a cefaleia como 2º sintoma mais relatado entre participantes com diagnóstico de intoxicação aguda por agrotóxicos, precedida por tontura e seguida por náusea. Em seu estudo, Oesterlund et al.1010 Oesterlund AH, Thomsen JF, Sekimpi DK, et al. Pesticide knowledge, practice and attitude and how it affects the health of small-scale farmers in Uganda: a cross-sectional study. Afr Health Sci. 2014 [acesso em 2022 abr 5]; 14(2):420-33. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4314/ahs.v14i2.19.
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reportaram como sintomas mais relatados a irritação da pele, dor de cabeça, cansaço extremo, sudorese excessiva, visão turva e tontura.

Com relação à exposição a produtos químicos no ambiente ocupacional, identificou-se associação com o trabalho diretamente com agrotóxicos e já ter trabalhado com amianto, poeiras industriais e metais pesados. Estudos evidenciaram maiores incidências de intoxicação nas regiões com elevada produção agrícola e pulverização de agrotóxicos nas macrorregiões de maior produção no estado do Mato Grosso1313 Bortolloto CC, Hirschmann R, Martins-Silva T, et al. Exposição a agrotóxicos: estudo de base populacional em zona rural do sul do Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2020 [acesso em 2022 abr 5]; (23):e200027. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-549720200027.
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,1818 Lara SS, Pignati WA, Pignatti MG. A agricultura do agronegócio e sua relação com a intoxicação aguda por agrotóxicos no Brasil. Hygeia - Rev. bras. geo. méd. saúde. 2019 [acesso em 2022 abr 5]; 15(32):1-19. Disponível em: https://doi.org/10.14393/Hygeia153246822.
https://doi.org/10.14393/Hygeia153246822...
.

Silva et al.1111 Silva AMC, Soares MR, Silva NA, et al. Environmental and occupational exposure among cancer patients in Mato Grosso, Brazil. Rev. bras. epidemiol. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 25(supl1):e220018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720220018.supl.1.
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observou que os agrotóxicos e a poeira industrial foram as exposições de maior frequência, e que se associaram ao sexo masculino, a maiores faixas etárias e menor escolaridade. Moura et al.1919 Moura LTR, Bedor CNG, Lopez RVM, et al. Exposição ocupacional a agrotóxicos organofosforados e neoplasias hematológicas: uma revisão sistemática. Rev. bras. epidemiol. 2020; (23):e200022. associam exposição ocupacional aos organofosforados e ao desenvolvimento de neoplasias hematológicas. Nogueira et al.2020 Nogueira FAM, Szwarcwald CL, Damacena GN. Exposição a agrotóxicos e agravos à saúde em trabalhadores agrícolas: o que revela a literatura? Rev. bras. saúde ocup. 2020; (45):e36. associam a exposição a agrotóxicos e metais (zinco, chumbo, cobre, arsênio, manganês e níquel) ao aumento do risco de desenvolvimento de diferentes tipos de cânceres.

O câncer ocupacional é considerado uma forma contínua de exposição e que necessita da avaliação da história clínica-epidemiológica e do nexo-causal, tendo como desfecho à exposição/intoxicação a agentes químicos, físicos ou biológicos classificados como cancerígenos, presentes no ambiente de trabalho2121 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Diretrizes para a vigilância do câncer relacionado ao trabalho. 2. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: INCA; 2013.. Esses produtos químicos, físicos e biológicos são considerados potencialmente cancerígenos, aumentando, ainda, a associação entre a exposição contínua e o surgimento de CRT2222 Brasil. Ministério da Saúde. Agrotóxicos na ótica do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2018.,2323 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Ambiente, trabalho e câncer: aspectos epidemiológicos, toxicológicos e regulatórios. Rio de Janeiro: INCA; 2021. [acesso em 2022 abr 10]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//ambiente_trabalho_e_cancer_-_aspectos_epidemiologicos_toxicologicos_e_regulatorios.pdf.
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.in...
. Em 2014, a incidência de intoxicações exógenas por agrotóxicos foi de 6,23 casos por 100 mil habitantes, e, no estado de Mato Grosso, foi de 6,51. No período de 2007 a 2015, houve um incremento de 139% dos casos notificados, totalizando 84.206 casos1515 Pignati WA, Soares MR, Lara SS, et al. Exposição aos agrotóxicos, condições de saúde autorreferidas e Vigilância Popular em Saúde de municípios mato-grossenses. Saúde debate. 2022 [acesso em 2022 abr 5]; 46(esp2):45-61. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-11042022E20345.
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.

Cabe ressaltar, por fim, os altos custos sociais e econômicos para o Estado brasileiro decorrentes do desenvolvimento de câncer na vida dos trabalhadores, além do afastamento pela perda da capacidade de trabalho, por se tratar de uma doença de longo período de latência1717 Pessoa VM, Rigotto RM. Agronegócio: geração de desigualdades sociais, impactos no modo de vida e novas necessidades de saúde nos trabalhadores rurais. Rev. bras. saúde ocupac. 2012 [acesso em 2022 abr 5]; 37(125):65-77. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0303-76572012000100010.
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.

Limitações

Uma limitação do estudo se deve ao delineamento transversal, ao avaliar fatores de exposição e desfecho simultaneamente, e a ausência de grupo de comparação, ou seja, de participantes sem câncer. A amostragem por conveniência também pode inferir em viés de seleção, todavia, a pesquisa foi realizada em hospital de referência para tratamento de câncer que recebe 70% dos pacientes de todo o estado do Mato Grosso.

Conclusões

Neste estudo, verificou-se maior frequência de autorrelato de intoxicação decorrente do trabalho, por intoxicação por agrotóxico agrícola, entre os pacientes do sexo masculino e com escolaridade menor que 4 anos de estudo. A dor de cabeça foi o sintoma de intoxicação decorrente do trabalho citado com maior frequência. Os produtos químicos relacionados à exposição mais frequentes foram agrotóxicos, amianto, metais pesados e poeira industrial entre os pacientes que referiram intoxicação decorrente do trabalho e ambiental por via respiratória.

Faz-se necessário analisar os processos de adoecimento por câncer decorrentes das exposições ocupacionais e ambientais aos agrotóxicos e outros contaminantes químicos como parte da complexidade da determinação social do processo saúde-doença, no qual os modos de produção e reprodução social produzem padrões de exposição, adoecimento, empobrecimento e de vulnerabilidade desiguais para as diferentes populações.

Nessa direção, aponta-se para a necessidade da intersetorialidade do setor saúde para prevenção e combate à exposição por agrotóxicos no Brasil, que supõe a integração dos órgãos de fiscalização dos poderes executivo e judiciário, as vigilâncias em saúde, a atenção básica, média e de alta complexidade do Sistema Único de Saúde. Além disso, faz-se necessário integrar políticas de emprego e renda, educação universal para jovens e adultos e ações de educação em saúde a fim de minimizar a desinformação, o assédio financeiro e político dos grandes conglomerados agroexportadores e mineradores sobre as condições materiais de existência dos trabalhadores, que são submetidos aos riscos de adoecimento pela necessidade de trabalhar para se sustentar.

  • Suporte financeiro: Ministério Público do Trabalho (MPT) 23ª Região, através do termo de Cooperação técnica nº 08/2019

Agradecimentos

À equipe de trabalhadores do Hospital de Câncer de Mato Grosso e do Hospital Universitário Júlio Muller pela disponibilidade e auxílio durante a coleta de dados do prontuário, bem como aos pacientes do estudo e bolsistas do projeto. Agradecemos, também, pela parceria institucional entre o instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso e a Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Nov 2023
  • Data do Fascículo
    Oct-Dec 2023

Histórico

  • Recebido
    24 Jan 2023
  • Aceito
    13 Jul 2023
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