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Estudos de Psicologia (Campinas)

Print version ISSN 0103-166X

Estud. psicol. (Campinas) vol.22 no.4 Campinas Oct./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2005000400008 

ARTIGO

 

Preferência musical, atitudes e comportamentos anti–sociais entre estudantes adolescentes: um estudo correlacional1

 

Music preference, attitudes and antisocial behaviors among adolescent students: a correlational study

 

 

Carlos Eduardo Pimentel; Valdiney Veloso Gouveia; Tatiana Cristina Vasconcelos

Universidade Federal da Paraíba, CCHLA, Departamento de Psicologia, Campus Universiatário, s/n, Castelo Branco, 58051–900, João Pessoa, PB, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: C.E. PIMENTEL. E–mail: <cedups@bol.com.br>

 

 


RESUMO

Considerando que a preferência musical é pouco estudada para compreensão do comportamento anti–social, pretenderam–se conhecer as relações que esse construto guarda com os comportamentos desviantes, tendo em conta também as atitudes frente ao uso de maconha. Contou–se com uma amostra de 548 estudantes do ensino médio de escolas públicas (46,4%) e privadas (53,6%), sendo a maioria do sexo feminino (54,9%). Os participantes responderam à Escala de Preferência Musical, Escala de Atitudes frente ao Uso de Maconha e Escala de Condutas Anti–sociais e Delitivas, além de perguntas de caráter sociodemográfico. Os resultados indicaram que a preferência por estilos musicais anticonvencionais (heavy metal e rap) se correlacionou diretamente com as atitudes favoráveis frente ao uso de maconha e com os comportamentos anti–sociais e delitivos. Por outro lado, a preferência pelos estilos convencionais (pop music e música religiosa) apresentou um padrão de correlação inverso com essas variáveis. Foram observadas diferenças na preferência musical, nas atitudes frente ao uso de maconha e nos comportamentos anti–sociais e delitivos em função do sexo, tendo as mulheres se ajustado mais aos padrões convencionais vigentes. Esses resultados são consistentes com os previamente publicados. Conclui–se, todavia, que existe ainda um longo caminho a se explorar para que se possa oferecer uma explicação definitiva sobre a influência das preferências musicais.

Palavras–chave: comportamento anti–social; maconha; música.


ABSTRACT

As there are not many studies about musical preferences as an antisocial behavior understanding method , this study aimed to raise possible relation among this construct and deviant behaviors, considering also the attitudes toward marijuana use. This sample was composed by 548 high school students from public (46.4%) and private (53.6%) schools, most of them female (54.9%). They had answered the Musical Preference Scale, Attitudes toward Marijuana Use Scale and Antisocial and Deviant Behaviors Scale, besides demographic questions Results have indicated that the preference for unconventional musical styles (heavy metal, rap) was directly correlated to attitudes favorable toward marijuana use and antisocial and deviant behaviors. On the other hand, the conventional styles preference (pop music, gospel music) showed an inverse correlation pattern with these variables. Differences were observed in the musical preference, attitudes toward marijuana use, and antisocial and deviant behaviors according to sex, in which women are more adjusted to the conventional patterns. These findings are consistent, compared to the previous published ones. Nevertheless, there is a long path to follow for a definitive explanation about musical preference influence.

Key words: anti–social behavior; marijuana; music.


 

 

Extremamente frio, ele não se arrependeu / Matou sua família como se fossem animais / Remorso em sua mente um dia vai corroer / Será que minha herança ainda vou receber? O ódio que ele tinha em sua mente doentia / Explodiu um dia em sua casa numa briga com a mãe / Na madrugada escura tenebrosamente fria / Banhou–se numa cena de horror. Metamorfoseado / Numa fera sanguinária/ A loucura o possui / Sua vista escureceu. Ele deu dois tiros na cabeça de seu pai / Matou sua mãe com uma faca de cozinha / Sua irmã menor simplesmente estrangulou / O irmão mais velho ele decapitou. Morte no ar / Morte no ar / Morte no ar / Morte no ar / Morte no ar / Morte no ar... .

Digo fodam–se as leis e todas as regras / Eu não me adequo a nenhuma delas / Me chamam de marginal só por fumar minha erva / Porque isso tanto os interessa / Já está provado cientificamente o verdadeiro poder, que ela age sobre a mente / Querem nos limitar de ir mais além / É muito fácil criticar sem se informar / Se informe antes de falar e legalize ganja / (Refrão) Legalize já, legalize já / Porque uma erva natural não pode te prejudicar.

A letra da primeira música pertence aos Ratos de Porão, uma das bandas mais tradicionais do punk nacional; já a segunda fez sucesso na voz de Marcelo D2, do Planet Hemp. Provavelmente, essa tenha sido uma das bandas brasileiras que mais tiveram problemas com a justiça nos últimos anos, tendo sido impedida de tocar várias vezes por alegação de apologia ao uso de maconha. Entretanto, cabe aqui uma questão: é suficiente uma análise de conteúdo dessas músicas para se afirmar algo acerca da sua influência na violência e uso de drogas entre jovens adolescentes? De fato, pode–se dizer que letras como essas influem no comportamento e na personalidade com base no conteúdo que divulgam? Realmente podem induzir alguém a usar drogas, agir de modo interpessoalmente agressivo ou apresentar outro comportamento anti–social?

Todas essas questões são verdadeiramente polêmicas e, se o propósito for compreender o efeito da música, devem–se superar os debates acalorados e buscar fatores que potencialmente possam explicar a adesão por um ou outro estilo musical e suas implicações no comportamento humano. Logo, é importante que essa temática encontre lugar na agenda da psicologia social, da personalidade, família e adolescência, só para citar algumas disciplinas específicas. Embora se contemplem vários trabalhos na Sociologia (Outhwaite & Bottomore, 1996; Pais, 1998), Antropologia (Lima, 2002) ou História (Friedlander, 2002; Hobsbawm, 2004) acerca da música no contexto sociocultural e histórico, as pesquisas sobre o impacto da música no comportamento, especificamente dos efeitos de letras violentas no comportamento agressivo, ainda estão num estágio inicial (Anderson, Carnagey & Eubanks, 2003). Também são escassos os estudos que relacionam a música com variáveis psicológicas, a exemplo dos traços de personalidade. A esse respeito, Rentfrow e Gosling (2003), em exaustiva revisão de aproximadamente 11 mil artigos em revistas especializadas nas áreas da Psicologia Social e da Personalidade, publicadas entre 1965 e 2002, encontraram apenas sete artigos que fizeram referência à música. Portanto, justifica–se a necessidade da presente pesquisa, cujo objetivo principal é investigar se os estilos musicais estão relacionados aos comportamentos anti–sociais e às atitudes frente ao uso de maconha.

Preferência musical

Apesar de terem despertado pouco interesse dos pesquisadores da Psicologia, ao menos dois manuais da disciplina procuraram contemplar a música: Social Psychology of Music (Farnsworth, 1969) e, recentemente, The Social Psychology of Music (Hargreaves & North, 1997). Em ambos parece evidente o seu papel no comportamento; o último deles procura abordá–la a partir de diferenças individuais, grupos sociais, influências sociais e culturais e suas aplicações na promoção de saúde, marketing e educação. A música, portanto, compreende um fenômeno sumamente importante na vida das pessoas, servindo a diferentes propósitos e interesses (Pais, 1998; Novaes, 2001; Friedlander, 2002; Tekman & Hortaçsu, 2002; Rentfrow & Gosling, 2003; Schwartz & Fouts, 2003). Seu poder influenciador e mesmo conquistador, de acordo com Abdounur (2002), é perceptível já na mitologia grega em Orfeu, cujo canto acompanhado de lira sustava rios, amansava feras e movia pedras.

Segundo Tekman e Hortaçsu (2002), a preferência por determinados estilos musicais é preponderante na configuração da identidade pessoal e social. De acordo com esses autores, os indivíduos utilizam a música com propósitos avaliativos no processo de identificação grupal, sugerindo a importância desse veículo de comunicação de massa em diversas situações em que o adolescente se encontra no dia–a–dia, permeando seu relacionamento interpessoal e, inclusive, influenciando a escolha do vestuário e a atração e rejeição por determinados grupos (Sim & Koh, 2003).

Quanto ao protagonismo da música nas culturas juvenis, Pais (1998) assinala que "as preferências musicais são acompanhadas de atitudes específicas que reforçam – mas também ultrapassam – os gostos musicais" (p.104). Esse autor ainda explica que a música, o vestuário, a aparência ou a linguagem são "elementos simbólicos" que dão coerência interna aos grupos, servindo para formar e consolidar uma identidade grupal e, conseqüentemente, diferenciações com outros grupos. Na sua análise, a música é considerada um "signo juvenil geracional", pois seria universal aos grupos de jovens, em oposição aos "signos juvenis grupais" que seriam elementos peculiares a certos grupos, agindo como diferenciadores. Sendo assim, um determinado estilo musical, como o heavy metal ou o punk rock, pode agir como "signo de diferenciação grupal" por opor grupos que atribuem à preferência musical um papel crucial nos processos de formação de identidade social.

Embora a música, como aqui vem sendo ressaltada, tenha um efeito sobre o comportamento das pessoas, parece evidente que os estilos têm efeitos variados. Nesse sentido, faz–se necessário conhecê–los. Apesar de não existirem muitos trabalhos que relacionem preferência musical com períodos da vida, pelo menos com relação aos anticonvencionais, estima–se que são preferidos por adolescentes e jovens. O rock e o punk, por exemplo, vêm sendo classicamente associados com a adolescência, juventude e protesto (Chacon, 1995; Bivar, 2001; Friedlander, 2002). Certamente, pode–se dizer o mesmo quanto ao heavy metal, que vem sendo relacionado com vários comportamentos anti–sociais entre adolescentes (Ballard, Dodson & Bazzini, 1999; McNamara & Ballard, 1999; Lacourse, Claes & Villeneuve, 2001; Villani, 2001). Contudo, mesmo antes do heavy metal, alguns estilos musicais já preocupavam a sociedade no tocante à influência perniciosa que poderiam ter sobre os adolescentes. Friedlander (2002) comenta que, em meados dos 1950, o rhythm and blues e o rock clássico já surgem como alvo de críticas de muitos pais, representantes governamentais, religiosos e educadores. Outros estilos musicais também vêm sendo relacionados com a adolescência, como o funk ou o reggae (Lima, 2002).

Ballard et al. (1999) encontraram que a maioria dos participantes de sua pesquisa, estudantes de graduação em Psicologia, com idade média de 18 anos, não preferia apenas um gênero musical. Muitos responderam não ter um gênero favorito (24%), outros reportaram preferência por música alternativa (16%), outros por música country (14%), pop (13%) e rock clássico (11%). Vários outros estilos, aproximadamente uma dúzia, foram referenciados por 22% dos participantes como sendo os das suas preferências, mas não foram apresentados pelos autores.

Outro estudo em que se verificou o percentual de preferências dos participantes foi o de McNamara e Ballard (1999). Esses autores, considerando igualmente estudantes de Psicologia, com média de 19 anos, observaram que a maioria deles preferia rock alternativo (32,2%), rock clássico (15,6%) e rock (Top 40; pop rock) (14,6%). Por outro lado, 36,8% de tais participantes afirmaram não gostar de música religiosa, 21,1% de heavy metal e 12,6% de bluegrass.

Portanto, fica evidenciada uma preferência generalizada dos jovens – ao menos aqueles de outras culturas, como a dos Estados Unidos – por estilos musicais "excitantes", provavelmente em razão de uma tendência marcada de busca de sensações, característica da adolescência, predominante, sobretudo, entre os rapazes (McNamara & Ballard, 1999; Zuckerman, 1994). McNamara e Ballard (1999), fazendo mensurações fisiológicas – através da verificação da pressão sangüínea – encontraram correlações positivas entre níveis de excitação fisiológica (arousal), preferência por músicas excitantes (por exemplo, rap e heavy metal), busca de sensações e comportamento anti–social em homens. Esse aspecto tem preocupado pais e educadores, pois o traço de busca de sensações tem sido relacionado com comportamentos anti–sociais e uso de drogas entre adolescentes (ver Vasconcelos, 2004). A seguir, precisamente, procura–se conceituar o comportamento anti–social.

Comportamento anti–social

O comportamento anti–social pode ser entendido como qualquer comportamento que fere as normas grupais (anti–social, no sentido estrito) e as normas jurídicas (delitivo). Vale ressaltar que o conceito comportamento anti–social, em acepção ampla, engloba o comportamento delitivo; podemos chamá–los também de comportamentos (socialmente) desviantes (Rhee & Waldman, 2002; Scaramella, Conger, Spoth & Simons, 2002). Todavia, para evitar confusões entre tais conceitos, optou–se na presente pesquisa por utilizar a expressão comportamentos desviantes para fazer referência aos anti–sociais, em sentido específico, e aos delitivos. Sendo assim, compreende vários comportamentos, como violência, uso de drogas, vandalismo, além daqueles socialmente desviantes, tidos como mais brandos, como fazer brincadeiras pesadas, bagunçar em sala de aula, tocar a campainha do vizinho e sair correndo etc.

Atualmente, pode–se verificar um número verdadeiramente abundante de pesquisas acerca dos comportamentos socialmente desviantes, considerando diversas variáveis antecedentes, como o sexo (Herrenkohl, Maguin, Hawkins, Abbot & Catalano, 2000), os traços de personalidade (Greene, Krcmar, Walters, Rubin & Hale, 2000), a disciplina parental (Vuchinich, Bank & Patterson, 1992), a identificação grupal (Kiesner, Cadinu, Poulin & Bucci, 2002) ou as condições financeiras desfavoráveis (Eamon, 2000). Além dessas, outras variáveis têm recebido atenção na explicação de tais comportamentos, surgindo como um fator potencial a preferência musical dos adolescentes, que merecerá um tratamento mais pormenorizado a seguir.

Preferência musical e comportamento anti–social

No que tange às relações específicas entre preferência musical e comportamento anti–social, com efeito, algumas pesquisas já demonstraram a existência de correlação positiva entre a preferência pelo heavy metal e vários tipos de comportamentos desviantes (Ballard et al., 1999). De acordo com Myers (1996), por exemplo, existe uma correlação positiva, porém moderada, entre a preferência por esse estilo, atitudes positivas frente ao sexo pré–marital, uso de álcool e drogas ilícitas. Coerente com esses achados, Singer, Levine e Jou (1993), por sua vez, encontraram mais comportamentos desviantes em adolescentes que mostraram maior preferência pelo estilo musical heavy metal.

Em uma amostra de 248 estudantes, Arnett (1992 citado por Villani, 2001) verificou correlação positiva entre preferência musical e comportamento imprudente (ou arriscado). Especificamente, seus dados mostram uma relação direta entre preferência por heavy metal e comportamentos de alto risco, como dirigir intoxicado, dirigir em alta velocidade, uso de drogas, promiscuidade sexual e vandalismo. Nessa mesma linha, outras pesquisas também verificaram correlações diretas entre preferência por heavy metal e diversos fatores de risco, como pobres relações parentais, depressão, sentimentos de alienação e anonimato e uso de drogas (McNamara & Ballard, 1999; Lacourse, et al., 2001). Entretanto, não se tem confirmado que a preferência por rock influencie o comportamento agressivo entre crianças e adolescentes (McNamara & Ballard, 1999).

O conjunto das pesquisas antes citadas sugere a importância da preferência musical para compreender comportamentos socialmente desviantes. Contudo, não se encontrou nenhum estudo a respeito no Brasil. A presente pesquisa, nesse contexto, é justificável; permitirá não somente conhecer a influência da música sobre o comportamento dos adolescentes deste país, mas contribuirá com a consolidação de uma área de estudo da Psicologia que, de acordo com o que antes se assinalou, ainda é muito carente de pesquisas empíricas. Pretende–se, pois, conhecer as relações entre preferência musical, comportamentos desviantes e atitudes frente ao uso de maconha.

 

Método

Participantes

Contou–se com a participação voluntária de 548 estudantes de escolas públicas (46,4%) e privadas (53,6%) de João Pessoa (PB), a maioria do sexo feminino (54,9%). Essa é uma amostra não probabilística, considerando a participação daqueles que, presentes em sala de aula, concordaram em fazer parte do estudo. Da amostra total, 201 dos participantes (36,7%) cursavam o primeiro, 158 (28,8%) o segundo e 189 (34,5%) o terceiro ano do ensino médio. Da amostra, 97,6% estavam na faixa etária entre 13 e 19 anos (M = 16,2; DP = 1,74) e 93,6% reportaram ser solteiros.

Instrumentos

Os participantes responderam a um questionário composto pelas seguintes medidas, todas auto–aplicáveis, tipo lápis e papel:

– Escala de Preferência Musical (EPM):Essa medida visa saber o grau de preferência com relação a treze estilos ou gêneros musicais, ancorados em escala formato Likert, sendo que cada item representa um estilo, respondido numa escala que vai de 1 = Detesto a 5 = Gosto muito. Esses itens se reúnem em quatro fatores principais, a saber (o Alfa de Cronbach e os estilos figuram entre parênteses): música de massa (a = 0,80; pagode, forró, funk, samba e sertaneja), anticonvencional (a = 0,73; rap, punk, heavy metal e reggae), refinado (a = 0,57; samba, música clássica e MPB) e convencional (a = 0,63; pop music, música religiosa e música sertaneja).

– Escala de Condutas Anti–sociais e Delitivas (CAD): Adaptada para o contexto brasileiro por Formiga (2001), consiste em uma medida de 40 itens, igualmente distribuídos entre comportamentos anti–sociais (a = 0,91) e delitivos (a = 0,86). Os itens do primeiro fator representam comportamentos que desafiam a norma e a ordem social (por exemplo, tocar a campainha da casa de alguém e sair correndo ou jogar lixo no chão); já aqueles referentes ao segundo fator são relativos a comportamentos delitivos, pois infringem a lei vigente (por exemplo, roubar objetos ou dinheiro ou usar drogas). Cada item é respondido em escala tipo Likert, a partir da avaliação da realização de cada comportamento pelo sujeito, com pontuações variando de 0 = Nunca a 9 = Sempre.

– Escala de Atitudes frente ao Uso de Maconha:Baseia–se em escalas do tipo diferencial semântico, desenvolvida por Crites, Fabrigar e Petty (1994). Consiste em saber a avaliação global de estar sob a influência de maconha, tendo em conta os quatro itens seguintes, formados por adjetivos bipolares: positivo vs. negativo; agradável vs. desagradável; bom vs. ruim; e desejável vs. indesejável. A escala de resposta constou de 9 pontos, com as pontuações 1, 2, 3 e 4 representando atitudes positivas e as 6, 7, 8 e 9, as negativas; o 5 compreendeu o ponto neutro da escala. Sua consistência interna (Alfa de Cronbach) foi 0,94.

Além dos instrumentos antes listados, os participantes foram solicitados a responder a algumas perguntas de natureza demográfica (por exemplo, sexo, estado civil, classe social, bairro de residência), constantes no final do questionário.

Procedimento

Inicialmente, para a realização da coleta de dados, contataram–se as direções das escolas escolhidas com o fim de obter permissão para a aplicação dos questionários. Após consentimento da direção, a aplicação foi efetuada por alunos de iniciação científica da graduação em Psicologia. Com o objetivo de seguir um procedimento padrão, foi oferecido, ainda, um treinamento que consistia em instruí–los a apresentar sumariamente os objetivos da pesquisa, solicitar a colaboração voluntária e anônima dos estudantes e, antes de começar a coleta propriamente, ler as instruções acerca de como os participantes deveriam responder. Os colaboradores foram ainda instruídos a não prestarem esclarecimentos de conteúdo, apenas de forma. A propósito, os colaboradores permaneceram atentos em sala para possíveis dúvidas. Finalmente, depois de coletados e verificados os questionários respondidos, agradeceu–se a colaboração dos participantes. Em média, 30 minutos foram suficientes para concluir a coleta de dados em cada sala de aula.

 

Resultados

Antes de iniciar a descrição da análise principal, considerou–se importante apresentar as porcentagens com relação à preferência pelos estilos musicais listados, intentando assim uma melhor caracterização dos adolescentes que participaram deste estudo.

Percentual de preferência musical

Com relação à preferência musical, consideraram–se apenas as pontuações de favorabilidade, isto é, aquelas maiores do que o ponto médio da escala de resposta (3). Inicialmente, descrevem–se as respostas em relação aos quatro fatores globais de estilos musicais, com a porcentagem de preferência entre parênteses (as porcentagens são apresentadas em ordem decrescente): música de massa (40,9%), convencional (39,9%), refinada (37,1%) e, finalmente, anticonvencional (28,2%). Quanto aos estilos específicos, adotando o mesmo critério antes indicado, percebeu–se a seguinte ordem de preferência dos jovens: forró (50,6%), MPB (46,1%), música religiosa (43%), pop music (39,5%), samba (33,4%), pagode (33,2%), reggae (33,2%), heavy metal (25,9%), funk (20,8%), punk/hardcore (19,9%), música sertaneja (17,7%), música clássica (16,8%) e rap (15,9%).

Atitudes frente ao uso de maconha e comportamentos anti–sociais e delitivos

Com o propósito de conhecer em que medida os participantes deste estudo apresentam atitudes e comportamentos socialmente desviantes, decidiu–se comprovar o padrão de respostas para as medidas correspondentes. No caso da Escala de Atitudes frente ao Uso de Maconha, tendo em conta as respostas abaixo do ponto médio da escala (5), uma menor porcentagem de respondentes (6,1%) apresentou atitudes positivas, concordando com a afirmação de que "estar sob a influência da maconha" é positivo, agradável, bom e desejável. As respostas dos participantes foram consideradas também em relação à Escala de Condutas Anti–Sociais e Delitivas, definindo–se como críticas (indicação de comportamentos desviantes) as pontuações acima do ponto médio da escala de resposta (4,5). Em termos dos comportamentos anti–sociais, observou–se que foram apresentados por 5% dos participantes; os comportamentos delitivos foram características de menos de 1% desses, isto é, 0,4%.

O Papel do sexo nas preferências musicais, atitudes e comportamentos desviantes

A despeito de não ter sido objetivo principal do presente estudo, considerou–se pertinente verificar em que medida o sexo poderia diferenciar os participantes em termos das preferências musicais, das atitudes frente ao uso de maconha e dos comportamentos socialmente desviantes. O sexo tem sido freqüentemente mencionado como uma variável principal na explicação de diversos comportamentos e atitudes socialmente indesejáveis, como antes ficou evidenciado: os homens são, em teoria, mais propensos a apresentar comportamentos socialmente desviantes do que as mulheres (Herrenkohl et al., 2000), bem como têm maior preferência do que essas por músicas excitantes, como o heavy metal e o rap (McNamara & Ballard, 1999) (Tabela 1).

Inicialmente, procurou–se saber se os participantes teriam diferentes preferências musicais em função do sexo. Nesse sentido, consideraram–se os quatro fatores gerais de preferência, tendo sido observadas diferenças estatísticas em três deles. Especificamente, as mulheres apresentaram maior preferência (M=3,2) por estilos convencionais do que os homens (M=2,4) [t (536) = –9,38, p<0,001]; um padrão de resposta similar foi observado para os estilos de música de massa, isto é, as mulheres apresentaram maior preferência (M=2,8) do que os homens (M=2,6) [t (530) = –2,46, p<0,05]. Contra–riamente, no caso dos estilos anticonvencionais, os homens indicaram maior preferência (M=2,8) com relação às mulheres (M=2,4) [t (523) =4,82, p<0,001]. Finalmente, nenhuma diferença foi observada para os estilos refinados, t (536) = –1,51, p>0,05.

Com relação às atitudes frente ao uso de maconha, foi verificado que as mulheres apresentaram médias de atitudes negativas (M=8,4) mais altas do que os homens (M= 8,1), [t (522) = –2,28, p<0,05]. Em outras palavras, as adolescentes do sexo feminino se mostraram mais contrárias ao uso de maconha – lembrando que a pontuação 9, na escala tipo diferencial semântico, indica ser negativo, desagradável, ruim e indesejável "estar sob o efeito de maconha" – do que os do sexo masculino. Por fim, a propósito dos comportamentos desviantes, verificou–se que os garotos obtiveram médias mais altas (M=2,1) do que as garotas (M=1,4) com relação ao comportamento anti–social [t (536)=5,45, p<0,001]. Esse mesmo padrão de respostas foi comprovado para os comportamentos delitivos: os jovens do sexo masculino apresentaram maior média (M= 0,4) do que os do sexo feminino (M=0,1), t (524)=6,34, p<0,001.

Preferências musicais, atitudes e comportamentos anti–sociais

Para finalizar as análises estatísticas, procurou–se correlacionar a preferência musical, as atitudes frente ao uso de maconha e os comportamentos anti–sociais e delitivos (Tabela 2). Considerando unicamente os estilos musicais entre si, a preferência por música de massa se correlaciona negativamente com música anticonvencional (r=–0,25, p<0,001), e o faz positivamente com música refinada (r=0,33, p<0,001) e música convencional (r=0,58, p<0,001); esse último estilo musical se correlacionou negativamente com a preferência por música anticonvencional (r=–0,35, p<0,001). A preferência pelos estilos de música refinada e música anticonvencional não se correlacionaram entre si (r= –0,02, p>0,05).

As atitudes negativas frente ao uso da maconha se correlacionaram diretamente com a preferência pelos estilos de música de massa (r=0,12, p<0,01) e música convencional (r=0,21, p<0,001) e se correlacionaram inversamente com a preferência pelo estilo de música anticonvencional (r=–0,27, p<0,001).

Os comportamentos anti–sociais e delitivos se correlacionaram diretamente entre si (r=0,68, p<0,001). No caso dos comportamentos anti–sociais, eles se correlacionaram positivamente com a preferência por músicas anticonvencionais (r=0,21, p<0,001) e negativamente com a preferência por música de massa (r=–0,10, p<0,05), música refinada (r=–0,19, p<0,001) e música convencional (r=–0,31, p<0,001). Um padrão de correlações muito similar foi observado para os comportamentos delitivos, excetuando sua correlação com a preferência por música de massa (r=–0,08, p>0,05); sua correlação foi positiva com a preferência pelo estilo de música anticonvencional (r=0,23, p<0,001), e negativa com os outros dois fatores de preferência musical: música refinada (r=–0,14, p<0,01) e música convencional (r=–0,29, p< 0,001).

 

Discussão

De acordo com o antes descrito, o objetivo principal do presente estudo foi conhecer em que direção e medida a preferência musical estaria correlacionada com os comportamentos socialmente desviantes e as atitudes frente ao uso de maconha entre os adolescentes estudantes. Espera–se que o objetivo tenha sido alcançado. Contudo, é necessário levantar ao menos duas limitações potenciais:

– Validade Interna: O tipo de método correlacional não permite estabelecer relações de causa e efeito entre a preferência musical e os comportamentos anti–sociais. Nesse caso, dificilmente seria possível afirmar, por exemplo, que a preferência por heavy metal e rap seria a causa do engajamento em comportamentos socialmente desviantes e mesmo das atitudes frente ao uso de maconha. Além disso, por falta de controle experimental das condições de estudo, como ocorre em qualquer delineamento correlacional, não é possível descartar a possibilidade de as relações entre esses construtos serem mediadas por um terceiro fator, alguma variável externa. Entretanto, a literatura a respeito dá suporte à conclusão ora apresentada.

Com relação a essa discussão, vários pesquisadores coincidem em afirmar que a preferência pelo heavy metal atrai adolescentes com problemas afetivo–comportamentais, como uso de drogas, delinqüência, depressão, problemas nas relações familiares, ao invés de causar esses problemas na adolescência (Schell & Westefeld, 1999). Martin et al. 1993 (citados por Schell & Westefeld, 1999) explicam que os adolescentes com problemas pré–existentes (no caso específico, psicopatologia pessoal e familiar) podem procurar ou se identificar com o rock/heavy metal por esse estilo refletir temas nos quais os próprios sentimentos dos jovens adolescentes estariam representados.

– Validade Externa: Os estudos experimentais, apesar de poderem testar relações de causalidade, ainda são muito escassos e os resultados são tidos como artificiais e pouco generalizáveis para situações em que o fenômeno ocorre naturalmente. Leve–se em conta, ainda, que a informação sobre as relações de causa e efeito que provém desses estudos não permite concluir que esse tipo de mídia presumivelmente violenta (heavy metal e rap) seja tida como uma precursora da agressão, por exemplo (Bushman & Anderson, 2001). Além do mais, deve–se entender melhor o efeito de variáveis moderadoras (gênero e idade) e mediadoras (influência de estilos parentais e fatores ambientais).

Os estudos correlacionais, a despeito de suas desvantagens, possibilitam detectar em grandes amostras possíveis variáveis associadas em uma situação não artificial e restrita como a que se tem nas pesquisas experimentais de laboratório. Portanto, essa poderia ser uma justificativa para empregar esse tipo de método. Porém, é preciso ainda atentar para a especificidade da amostra considerada; ela até pode ser numericamente representativa do conjunto de estudantes de João Pessoa, mas não inclui adolescentes de outras regiões do país, que podem conviver com outros problemas e ter diferentes oportunidades de acesso às drogas. Além disso, claramente os participantes deste estudo são de um grupo "normal", que não apresenta índices preocupantes de comportamentos socialmente desviantes, como ficou evidenciado na pontuação obtida na Escala de Condutas Anti–Sociais e Delitivas. Destaca–se ainda que se trata, predominantemente, de adolescentes entre 13 e 19 anos do sexo feminino, que participaram da pesquisa voluntariamente. Essas características da amostra podem, eventualmente, limitar extrapolações dos resultados previamente apresentados.

Acrescente–se a esses comentários o fato de que ainda são escassos os dados a respeito da relação entre comportamento anti–social e preferência musical, o que impede dar uma resposta definitiva. Todavia, é bem verdade que se apresenta aqui uma contribuição para a compreensão desses fenômenos, cujos principais resultados são tratados a seguir.

Preferência musical, atitudes frente ao uso de maconha e comportamentos anti–sociais

Deve–se ressaltar aqui que a preferência musical dos participantes deste estudo reflete a natureza da amostra, que pode ser considerada como não delinqüente. O fato mesmo de serem estudantes regularmente matriculados diminui a possibilidade de envolvimento com drogas e práticas socialmente desviantes (Gouveia, Coelho Júnior, Gontiès, Andrade & Andrade, 2003; Hawkins, Catalano & Miller, 1992). São adolescentes, pois, que se ajustam aos padrões da "sociedade convencional", isto é, vivem de acordo com instituições convencionais (escola, igreja e família). A propósito, como seria esperado, refletindo um aspecto emic da cultura nordestina, o estilo musical que mais preferência despertou entre os participantes foi o forró; seguiram–lhe os estilos MPB e música religiosa. A referência ao padrão de comportamento normal dos participantes do presente estudo é reforçada ao se inspecionar suas pontuações na medida de comportamentos anti–sociais e delitivos, bem como na direção das suas atitudes frente ao uso da maconha.

Quanto às diferenças observadas por sexo, verificou–se que os homens, mais que as mulheres, apresentaram preferência por música anticonvencional (heavy metal, rap e punk), o que é coerente com a literatura. Por exemplo, McNamara e Ballard (1999) encontraram que os homens deram mais preferência do que as mulheres aos estilos musicais excitantes (anticonvencionais). As diferenças com relação aos comportamentos desviantes e atitudes frente ao uso de maconha também eram esperadas e são consensuais com a literatura; pesquisas recentes confirmam uma maior propensão do adolescente do sexo masculino em apresentar comportamentos desviantes (Minayo, 1993; Herrenkohl et al., 2000; Espinosa, 2000; Formiga, 2002; Vasconcelos, 2004).

É interessante verificar que esse conjunto de variáveis inter–relacionadas serve também para representar o quadro típico do público majoritariamente fã de estilos anticonvencionais alternativos (McNamara & Ballard, 1999), isto é, que não se pautam por idéias e crenças difundidas por instituições tradicionais, como a família ou a igreja. Esses são, geralmente, adolescentes, na maioria do sexo masculino, que, entre outras coisas, obviamente, querem se divertir, serem notados como diferentes e quebrar as normas. Note–se que o rock, nas suas várias ramificações, vem sendo historicamente relacionado com rebeldia e delinqüência (Chacon, 1995; Bivar, 2001). Trata–se da representação forte de um desejo de "curtir a vida adoidado" e correr riscos. Destaca–se que um padrão de correlação inverso foi verificado com respeito à maior preferência pelos estilos do fator música refinada (música clássica, MPB) e os comportamentos desviantes. Nesse ponto, cabe, entretanto, lembrar que a condição de fã de música anticonvencional pode não refletir as preferências dos participantes deste estudo, como antes ficou evidenciado.

No que diz respeito ao padrão de correlação da preferência por estilos anticonvencionais com os comportamentos socialmente desviantes e as atitudes favoráveis ao uso de maconha, os resultados são igualmente bastante consistentes com aqueles de pesquisas prévias. Especificamente, como esperado, verificou–se empiricamente uma correlação direta entre preferência por música anticonvencional e atitudes favoráveis frente ao uso de maconha. Por exemplo, Arnett 1996 (citado por McNamara & Ballard, 1999) observou correlação semelhante entre preferência por heavy metal e comportamento de usar drogas. Myers (1996) também indica que a preferência por heavy metal está diretamente correlacionada ao uso de drogas ilícitas e bebidas alcoólicas.

De acordo com Ballard, et al. (1999), já existem pesquisas empíricas que relatam uma relação positiva entre preferência musical – mais especificamente pelo gênero heavy metal – e os diversos comportamentos anti–sociais. Contudo, em tais estudos, inclusive no desses mesmos autores, não se diferenciam os comportamentos anti–sociais dos delitivos. Na presente pesquisa, que fez essa diferenciação, observaram–se coeficientes de correlação bastante similares para os comportamentos delitivos (r=0,23) e os anti–sociais (r=0,21), reforçando que, claramente, desviar dos padrões convencionais – rompendo normas sociais ou legais, por exemplo – tem uma relação direta com os gostos e estilos musicais. Por outro lado, pôde–se também observar um padrão de correlação que pode ser interpretado como oposto ao antes mencionado quando se tratou da preferência por estilos musicais convencionais (pop music, música religiosa e música sertaneja), que se correlacionou negativamente (e com a mesma magnitude) com os comportamentos anti–sociais e delitivos (r=–0,31, p<0,001; para ambos). O conjunto desses resultados sugere a importância da mídia, especificamente da música, para a compreensão das atitudes e comportamentos de jovens e adolescentes no dia–a–dia (Novaes, 2001; Friedlander, 2002; Rentfrow & Gosling, 2003; Schwartz & Fouts, 2003), contribuindo inclusive para definir sua identidade (Pais, 1998; Tekman & Hortaçsu, 2002).

 

Considerações Finais

Entender os comportamentos socialmente desviantes entre adolescentes, considerando a preferência musical como mais uma variável importante para explicá–los, parece essencial para uma análise coerente com a realidade de jovens e adolescentes. Chama–se a atenção para a escassez de estudos na literatura psicológica e psicossocial que, conseqüentemente, demandam novas pesquisas que deverão permitir igualmente comparações dentro da cultura brasileira, enfocando os diferentes estilos musicais que podem ser específicos de alguns estados e regiões, mas também estimular colaborações com colegas de outras culturas, no intento de conhecer o que é específico (emic) e mesmo comum (etic) das diversas preferências musicais juvenis, identificando seus efeitos em atitudes e comportamentos que indiquem (des)ajustamento social. A propósito, deve–se registrar que as pesquisas realizadas sobre a relação entre preferência musical e comportamentos socialmente desviantes abarcaram jovens predominantemente de países de língua inglesa, mais principalmente dos Estados Unidos. Todavia, quando ora se verificam achados similares àqueles encontrados nessas pesquisas, torna–se possível pensar na força explicativa da preferência musical quanto aos comportamentos desviantes.

A preferência pelos estilos anticonvencionais..que atraem cerca de um quarto dos participantes deste estudo..reflete a popularidade que a música rock segue tendo entre os adolescentes do mundo inteiro, com destaque especial para o heavy metal. Certamente, é com base nessa asserção que o professor Jeffrey Jersen Arnett vem estudando sistematicamente as culturas heavy metal (HM), que encerram elementos próprios que as distinguem de outras, o que inclui regras e normas comportamentais, crenças que prescrevem o vestuário, a linguagem, tipo de cabelo etc. Esse fenômeno de conformação grupal mediante assimilação de vários elementos comuns pode ser visto em outras culturas juvenis ( Pais, 1998; Bivar, 2001).

Finalmente, é importante ressaltar que a integração de diversos tratamentos metodológicos, como pesquisas experimentais, longitudinais e correlacionais, pode ser útil para conhecer a relação entre a preferência por estilos musicais considerados agressivos e alterações na personalidade. Desde logo, recomendam–se outras pesquisas que compreendam tal relação, permitindo considerar parte crucial do estilo de vida e identidade pessoal de jovens e adolescentes.

 

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Recebido para publicação em 6 de maio de 2004 e aceito em 27 de junho de 2005.

 

 

1 Artigo elaborado a partir da dissertação de C.E. PIMENTEL, intitulada "Valores humanos, preferência musical, identificação grupal e comportamentos anti–sociais". Universidade Federal da Paraíba, 2004.