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Estudos de Psicologia (Campinas)

versão impressa ISSN 0103-166Xversão On-line ISSN 1982-0275

Estud. psicol. (Campinas) v.24 n.4 Campinas out./dez. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2007000400015 

ARTIGO

 

Sentimentos sobre a paternidade e o envolvimento paterno: um estudo qualitativo1

 

Feelings concerning fatherhood and fathers' involvement: a qualitative study

 

 

Milena da Rosa Silva; Cesar Augusto Piccinini

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Psicologia. R. Ramiro Barcelos, 2600, 90035-003, Porto Alegre, RS, Brasil. Correspondencia para/Correspondence to: M.R. SILVA. E-mail: <milenarsilva@hotmail.com>

 

 


RESUMO

As crenças e as expectativas sobre o papel paterno na criação dos filhos sofreram uma grande transformação nas últimas décadas. Pouco se sabe, porém, sobre como essas mudanças estão afetando a rotina de pais e filhos, e como os pais têm se avaliado nesse papel. O presente estudo buscou compreender, por meio de uma abordagem qualitativa, os sentimentos relacionados à paternidade e o envolvimento paterno de três pais casados que tinham um único filho em idade pré-escolar. Os pais foram entrevistados e as suas respostas foram examinadas pela análise de conteúdo. Os resultados revelaram que os pais dividiam com suas esposas as responsabilidades pelas crianças. Os pais acreditavam, em geral, que sua participação na vida dos filhos era muito importante, e mostravam-se satisfeitos com a paternidade. Foram observadas, contudo, importantes diferenças entre os casos quanto ao envolvimento paterno, principalmente em relação às responsabilidades financeiras e ao tempo disponível para a criança.

Unitermos: desenvolvimento infantil; paternidade; relação pai-criança.


ABSTRACT

The beliefs and expectations concerning father's role in childbearing had an extensive transformation in the last decades. However, little is known about how these changes are affecting the routine of parents and children, and how fathers are evaluating themselves in this role. Based on a qualitative approach, the present study aimed to investigate the feelings concerning fatherhood and father involvement in three married fathers who had an only child, preschool-aged. The fathers were interviewed and their answers were examined through content analysis. The results revealed that fathers shared child rearing responsibilities with their wives. Fathers believed that their participation in their children's life was very important and they are generally satisfied with fatherhood. However, there were important differences regarding father involvement, especially related to financial responsibilities and time available to their child.

Uniterms: chilhood development; fatherhood; parent child relations.


 

 

O interesse pelo estudo do papel do pai e de sua importância no desenvolvimento infantil é relativamente recente na Psicologia. Até poucas décadas, o modelo predominante de pai privilegiava o papel de provedor financeiro, permanecendo distante do espaço familiar e dos cuidados dos filhos. Permanecia, no entanto, simbolicamente importante para os filhos como representante da autoridade e da lei (Giffin, 1998; Lamb, 1999; Lewis & Dessen, 1999).

Revisões da literatura (Ramires, 1997; Rezende & Alonso, 1995) têm assinalado que essa imagem da paternidade consolidou-se com a família nuclear burguesa, caracterizada por uma rígida divisão de papéis sexuais, e pelo distanciamento entre o lar e o espaço de trabalho. Contudo essa caracterização do pai como essencialmente provedor do sustento econômico, desempenhando um papel reduzido ou indireto sobre a criação dos seus filhos, não mais corresponde à realidade das famílias em grande parte das sociedades ocidentais (Lamb, 1975; Parke, 1996).

Os papéis sociais atribuídos a homens e mulheres estão mudando rapidamente, criando novas expectativas, crenças e atitudes sobre o que pais e mães devem fazer no contexto familiar (Cabrera, Tamis-LeMonda, Bradley, Hofferth & Lamb, 2000). De acordo com Lamb (1997), a definição de paternidade abrange, hoje, um grande número de atividades tipicamente vistas como componentes da maternidade. Essas transformações têm raízes em importantes questões sociais que alteraram o contexto no qual as crianças se desenvolvem, entre elas: o movimento feminista e suas exigências de novas definições dos papéis sexuais, o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, a flexibilização do papel do homem na instituição familiar, e o aumento do índice de divórcios e de pais que não vivem com seus filhos (Cabrera et al., 2000; Lamb, 1975; Neubauer, 1989; Rezende & Alonso, 1995). Além disso, a partir da década de 80, as pesquisas e a observação do comportamento dos recém-nascidos mostraram que, desde os primeiros dias, o bebê possui a percepção do pai (Maldonado, Dickstein & Nahoum, 1997). Portanto o pai entra muito mais cedo na vida da criança do que se costumava supor.

Dentre as investigações a respeito das mudanças relativas à paternidade, bem como dos seus efeitos sobre os filhos, muitas foram realizadas pela observação e descrição dos comportamentos dos pais com as crianças (Parke, 1996), surgindo daí o conceito de envolvimento paterno. Esse conceito tem sido caracterizado de diferentes maneiras na literatura em Psicologia e Ciências Sociais. Alguns autores o utilizam simplesmente como um sinônimo de participação do pai na família, enquanto outros o entendem como um construto que engloba aspectos como: comportamento do pai - interação com a criança, cuidados, recreação, apoio à esposa; sentimentos do pai - a satisfação com a paternidade; e/ou a qualidade da relação pai-criança. Contudo, a falta de uma definição clara e consistente desse conceito tem se constituído um grande obstáculo para o estudo do papel do pai (McBride & Rane, 1997).

Uma das caracterizações de envolvimento paterno mais bem definida e mais aceita e utilizada pela literatura internacional foi proposta por Lamb, Pleck, Charnov e Levine (1985), que sugeriram três aspectos de avaliação do envolvimento paterno: interação, acessibilidade e responsabilidade. Interação refere-se ao contato direto com o filho em cuidados e atividades compartilhadas; acessibilidade à disponibilidade - física e psicológica - para a criança, possibilitando a ocorrência de interações; e responsabilidade diz respeito ao papel que o pai exerce, garantindo cuidados e recursos para a criança, providenciando, por exemplo, a contratação de uma babá, a marcação de uma consulta com o pediatra ou a compra de roupas e alimentos. Ainda inclui ansiedade, preocupações e planejamentos que fazem parte da parentalidade.

Em suas primeiras formulações, o conceito de envolvimento paterno enfocava principalmente a quantidade de envolvimento, sem atentar para o seu conteúdo e qualidade (Jain, Belsky & Crnic, 1996; Pleck, 1997). Pleck sugeriu que essa ênfase quantitativa refletia a preocupação dos primeiros pesquisadores que estudaram o pai, os quais, tendo em vista o grande aumento dos índices de divórcios e filhos fora de relações conjugais, buscavam verificar o quanto esses pais "ausentes" reduziam sua participação na vida de seus filhos. Quando os pesquisadores começaram a se interessar por algo além de uma caracterização global do pai como ausente versus presente, a qualidade do envolvimento passou também a ser foco de estudos, iniciando o olhar para os pais e não apenas para os comportamentos paternos (Jain et al., 1996).

O envolvimento paterno vem aumentando, gradualmente, nas últimas décadas (Amato & Gilbreth, 1999). Porém esse crescimento ainda não é grande em termos absolutos, estando os pais ainda distantes de uma paridade com as mães (Pleck, 1997). Embora poucos estudos sobre o modo como os pais vêm exercendo a paternidade tenham sido realizados no contexto brasileiro, especialmente nos primeiros anos de vida da criança, eles têm evidenciado um panorama semelhante. Nesse sentido, Trindade, Andrade & Souza (1997) afirmaram que as mudanças efetivas na divisão de papéis no cotidiano familiar parecem ainda estar mais localizadas na qualidade do relacionamento estabelecido entre pais e filhos, que vem se tornando mais íntimo e expressivo.

Um estudo anterior do qual participaram os autores do presente trabalho (Piccinini, Silva, Gonçalves, Lopes & Tudge, 2004) abordou a questão no período da gestação, verificando a existência de um expressivo envolvimento dos pais com seus filhos nesse período, tanto em termos emocionais quanto comportamentais. Os dados revelaram, portanto, mudanças importantes quanto à experiência da paternidade na gestação, período tradicionalmente restrito ao universo feminino. No entanto alguns pais ainda mostraram resistências ou dificuldades diante do vínculo com o bebê e da participação nesse período, evidenciando que o grau de envolvimento paterno na gestação é bastante variável.

O mesmo tipo de resistência paterna quanto ao envolvimento com seus filhos foi verificado em um estudo de cunho etnográfico realizado por Bustamante (2005) com famílias de camadas populares da cidade de Salvador, Bahia, cujos pais tinham baixa escolaridade e trabalhavam em atividades consideradas pouco qualificadas. A autora observou resistências dos pais cujos filhos estavam no período pré-escolar em tomar contato com o corpo das crianças, não realizando atividades de higiene e outros cuidados, especialmente com as meninas. Porém isso não correspondia à totalidade dos casos, havendo pais que assumiam essas tarefas de cuidado dos filhos. Outro dado destacado pela autora foi que o papel de provedor era visto pelos pais como o mais importante componente da paternidade. Assim, diante da falta de condições financeiras de sustentar os filhos, os pais tendiam a se afastar, deixando de assumir também outras funções. Contudo os pais entrevistados acreditavam que deviam ser emocionalmente próximos de seus filhos.

Um estudo realizado em Porto Alegre constatou uma realidade um pouco distinta, embora, nesse caso, os participantes fossem pais de crianças mais velhas, em idade escolar, e formassem famílias de classe média (Wagner, Predebon, Mosmann & Verza, 2005). Investigando uma amostra de 100 famílias, as autoras verificaram que a maioria dos pais assumia, de forma conjunta com as mães, o exercício da disciplina, a educação básica em termos de higiene, o compromisso com a escola e o sustento econômico da família. As funções de nutrição e de acompanhamento das tarefas escolares dos filhos, no entanto, permaneciam sendo consideradas trabalhos femininos.

De qualquer forma, o papel que o pai exerce hoje, particularmente nas sociedades ocidentais, é único na história da humanidade (Hewlett, 2000). Desse modo, embora o envolvimento paterno, por vezes, ainda não apresente um grande crescimento quantitativo, existe hoje um maior desejo de participação, por parte dos pais, na criação de seus filhos, acompanhado de uma nova capacidade de paternagem, cujas características estão mais associadas à figura materna (Anderson, 1996; Hall, 1994; Rezende & Alonso, 1995).

Apesar do recente interesse de diversos pesquisadores pelas mudanças de expectativas em relação ao papel paterno, pouco se sabe sobre como os pais estão vivenciando tais mudanças, como se avaliam nesse pa-pel e que sentimentos nutrem a respeito da paternidade. A partir disso, o presente estudo buscou compreender, por meio de uma abordagem qualitativa, os sentimentos relacionados à paternidade e o envolvimento paterno de pais casados que tinham um único filho em idade pré-escolar.

 

Método

Participantes

Participaram deste estudo três pais casados com a mãe de seu filho(a). A idade da criança variava entre 21 e 27 meses, sendo duas meninas e um menino. Os pais residiam em Porto Alegre; dois deles tinham 37 anos de idade e o outro 27 anos. Os participantes foram convidados a participar do estudo em escolas de educação infantil e por meio de indicação, sendo entrevistados os três primeiros pais voluntários, desde que tivessem apenas um(a) filho(a) com idade aproximada de dois anos. A Tabela 1 apresenta as características demográficas dos participantes. Com base na escolaridade, profissão e condições de moradia, pode-se dizer que eles representam famílias de nível socioeconômico médio.

Procedimentos

Foi utilizado um delineamento de estudo de casos coletivos (Stake, 1994). O primeiro contato com os pais realizou-se por telefone, quando foram explicados os objetivos da pesquisa e garantidos o direito ao sigilo e a opção em não participar do estudo. Aqueles que aceitaram participar responderam à Ficha de Contato Inicial, que tinha como objetivo selecionar os possíveis participantes, investigando dados como idade, escolaridade, profissão, estado civil, número de filhos e suas idades. Foi marcado, em seguida, um encontro, na casa do pai (nos casos de Leandro e Luís) ou no seu local de trabalho (no caso de Rafael), para a realização da coleta de dados. Nesse momento, os participantes foram solicitados a assinar um Consentimento Livre e Esclarecido, sendo, posteriormente, realizada a Entrevista de dados demográficos e a Entrevista sobre a paternidade e o envolvimento paterno. Essa última entrevista, realizada de maneira semidirigida, foi organizada em sete blocos de questões que investigavam: aspectos do desenvolvimento da criança; envolvimento paterno; qualidade do relacionamento entre pai e criança; avaliação da paternidade; qualidade do relacionamento entre pai e mãe; e história do casal e da criança.

As questões eram apresentadas aos pais seguindo a seqüência de temas exposta acima, de modo que a entrevista começava por questões relativas à criança e ao dia-a-dia dos pais, para só depois tratar de temas mais complexos, como a história do casal. Cada tema era constituído por questões abertas e, quando necessário, a pesquisadora utilizava subquestões para obter maiores esclarecimentos. A entrevista demorava aproximadamente uma hora, era gravada e, posteriormente, transcrita. As respostas dos pais a essa entrevista foram examinadas pela análise de conteúdo qualitativa (Bardin, 1977; Laville & Dionne, 1999). Com base nessa técnica, o conteúdo manifesto dos textos foi recortado e organizado em categorias temáticas que privilegiaram as especificidades e nuanças de sentido presentes no texto, não se detendo às freqüências.

As categorias temáticas, criadas com base na literatura revisada e também no conteúdo das entrevistas, são: envolvimento paterno, relacionamento pai-criança, avaliação da paternidade e relacionamento pai-mãe. Cada uma dessas categorias foi dividida em subcategorias.

A primeira categoria temática, denominada de envolvimento paterno, diz respeito ao modo como o pai participa da vida de seu filho e contempla os principais aspectos constitutivos do envolvimento paterno (Lamb et al., 1985). Essa categoria envolve quatro subcategorias: interação, que inclui falas dos pais a respeito das atividades (de cuidado ou lazer) que eles realizam com seus filhos; acessibilidade, que descreve o tempo que o pai disponibiliza para a criança; responsabilidade, que inclui as preocupações do pai a respeito de seu filho e a sua participação nas decisões sobre a educação/cuidados da criança; e avaliação do seu envolvimento, que engloba as falas dos pais em que eles avaliam o quanto estão satisfeitos (ou não) com seu envolvimento atual.

A segunda categoria temática, relacionamento pai-criança, refere-se à qualidade da relação conforme avaliada pelo pai, e inclui duas subcategorias: avaliação do relacionamento com a criança, que envolve a descrição das características desse relacionamento; e avaliação das características da criança, englobando falas em que os pais descrevem seus filhos, seus comportamentos e atitudes de maneira positiva ou negativa.

A terceira categoria, avaliação da paternidade, diz respeito ao modo como o pai vivencia o papel de pai e inclui cinco subcategorias: sentimentos relativos à paternidade, que engloba todas as falas dos pais que descrevem seus sentimentos em relação ao papel de pais, como felicidade, satisfação e frustração; características como pai, que se refere aos adjetivos usados pelos participantes para descreverem-se como pais (cuidadoso, compreensivo, maternal, desligado); modelos de pai, que se refere às pessoas citadas pelos pais como modelos de paternidade a serem seguidos e/ou evitados; principal atribuição/função do pai, que inclui as crenças dos pais a respeito do que é a principal responsabilidade de um pai (como dar amor, ser um modelo, contribuir financeiramente) e dificuldades vividas pelo pai, que inclui as verbalizações que destacavam algum aspecto da paternidade sentido como difícil.

A quarta categoria, relacionamento pai-mãe, diz respeito à percepção do pai sobre o relacionamento pai-mãe e inclui duas subcategorias: avaliação da mãe, que se refere ao modo como eles avaliam o exercício da maternidade por parte de suas companheiras; e grau de conflito entre pai e mãe, avaliado com base nas falas dos pais.

 

Resultados e Discussão

A seguir serão apresentados individualmente os três casos estudados, destacando-se inicialmente alguns aspectos de sua história. Serão examinadas, em seguida, as categorias temáticas, sendo exemplificadas por vinhetas oriundas das próprias entrevistas. Na dissertação de mestrado que deu origem ao presente artigo, encontram-se inúmeras outras vinhetas que, por razões de espaço, não foram incluídas aqui. Ao final da apresentação dos três casos, serão discutidas suas semelhanças e particularidades.

Caso 1: Leandro

Leandro estava casado com Lúcia há mais de sete anos quando ela engravidou. Embora não tenha sido planejada - eles pretendiam viajar para o exterior para visitar amigos -, a gestação foi recebida pelo casal com grande alegria. Leandro afirmou que o nascimento de Luciano melhorou o relacionamento do casal, tornando-os ainda mais próximos. O pai, que sempre teve grande participação nas rotinas domésticas, mostrou-se muito envolvido nos cuidados do bebê. Lúcia e Leandro trabalhavam fora, mas ela tinha uma carga horária maior e também ganhava mais que o esposo, o que parecia influenciar o envolvimento de pai e mãe com seu filho.

Envolvimento paterno

Leandro foi um pai bastante envolvido durante toda a gestação de Lúcia. Ele acompanhou a esposa a todas as consultas médicas, participou da escolha do pediatra do filho, Luciano, e realizou, com Lúcia, um curso para gestantes: "Eu acho que eu fui o único pai assíduo no curso de gestante. Tinha um ou outro que ia de vez em quando. Eu sempre fui. Foi muito legal". Ele e a esposa também procuraram obter informações sobre gestação e bebês, fazendo buscas na internet. O pai assistiu ao nascimento de Luciano e o filmou, e foi ele quem deu seu primeiro banho.

Quando da realização deste estudo, no segundo ano de vida do filho, Leandro ainda se considerava muito envolvido com a paternidade, acompanhando de perto o desenvolvimento de Luciano. Ele preferia passar mais tempo com o filho do que sua esposa, devido às distintas exigências de trabalho: "Olha eu procuro tá sempre em tudo ... não por culpa da Lúcia, mais em função do ritmo de trabalho dela, eu que fico bem mais tempo com ele". Por isso, sua interação com o filho era muito variada, incluindo as atividades de cuidado, na realização das quais Leandro referia obter muita satisfação. O pai dava banho em seu filho, trocava fraldas, fazia mamadeira, colocava-o para dormir, atendia-o durante a madrugada, quando necessário, e estava ensinando-o a usar o peniquinho. Ele também acompanhava mãe e filho às consultas médicas e buscava Luciano na escola todos os dias. Dentre as atividades de cuidado, a única que Leandro não realizava era escolher as roupas para o filho vestir, "porque eu sou péssimo pra escolher roupa". O pai participava da educação de Luciano, afirmando que ele e a esposa "trabalham parelho" na colocação de limites para a criança. Pai e filho também brincavam bastante juntos, passeavam e ouviam música.

Leandro mostrava-se um pai bastante acessível para seu filho, passando com ele todas as noites e o final de semana. O pai também participava da preparação da criança para ir à escola, pela manhã, antes do seu trabalho. Além desses momentos, Leandro também costumava dedicar algum tempo para participar de festas e reuniões da escola de Luciano. Mesmo assim, o pai considerava seu tempo para o filho muito pequeno, pois gostaria de poder aproveitar bem mais a sua companhia: "Se desse pra ficar o dia inteiro junto...".

Quanto às responsabilidades para com Luciano, percebe-se que elas eram divididas quase que igualmente entre pai e mãe. Todas as decisões a respeito da criança eram tomadas em conjunto, pelo casal, em diálogos freqüentes. Em relação à contribuição financeira, Lúcia era responsável pela maior parte das despesas do filho, pois seu salário era maior que o de Leandro. A questão financeira era a maior preocupação de Leandro em relação à paternidade. Ele se mostrava, assim, bastante arrependido de não ter concluído seu curso superior. Imaginava que, tendo um curso universitário, teria mais opções de trabalho e poderia, talvez, dar melhores condições de vida ao seu filho.

Relacionamento pai-criança

Leandro avaliava seu relacionamento com Luciano de maneira bastante positiva. Afirmou que sua relação com o filho era marcada por muito entrosamento e carinho: "A gente se curte", e esperava que essa relação fosse se tornar cada vez melhor pela maior facilidade de interação e de comunicação que viria com o crescimento do filho.

Leandro descreveu seu filho de maneira bastante detalhada, mencionando muitas características positivas e também algumas dificuldades. Ele referiu que Luciano era muito carinhoso, sociável, pois tinha facilidade para se dar bem com todos, e responsivo. O pai também considerava seu filho bastante inteligente: "Ele é bem, bem esperto pra sua idade, que a gente vê muito com as outras crianças que tem a idade dele na creche ... eu acho que ele é bem vivo". Contudo, Leandro referiu que seu filho era uma criança muito agitada, um pouco ativa demais, e também bastante teimosa: "E quando ele embesta com uma coisa é terrível ... a gente vai tentando domar esse tourinho".

Avaliação da paternidade

Leandro mostrou-se muito satisfeito com a paternidade, que vinha sendo, para ele, a realização de um sonho: "Ah, eu tô realizado, é o que eu sempre quis. Eu sempre tive muita adoração por criança". Ele se considerava um bom pai, bastante carinhoso, amoroso e compreensivo. Também se considerava um pai liberal, mais do que sua esposa, embora não se considerasse permissivo. A principal dificuldade que vinha sendo sentida pelo pai, no exercício da paternidade, referia-se às demandas de atenção da criança. Luciano era muito ativo e, diversas vezes, deixava seu pai fisicamente esgotado: "Ele quer que levante, que dance com ele, que vá pro corredor jogar bola com ele. Aí tá cansado, também não tá muito a fim né, mas não tem jeito".

Quanto às crenças de Leandro a respeito do papel paterno, ele referiu que a principal função de um pai seria dar aos filhos orientação e carinho, mantendo uma relação de proximidade: "Eu acho que é orientação, é tá junto orientando. Mostrando carinho, tentando caminhar junto". Em relação aos seus modelos de pai, afirmou que se sentia muito diferente do seu próprio pai, pois ele tinha certa dificuldade com a imposição de limites. Leandro não desejava ser um pai muito rígido, repressor, mas considerava importante a colocação de limites claros aos filhos.

Relação pai-mãe

O relacionamento entre Leandro e Lúcia era, no momento da realização do estudo, bastante bom. Os dois tinham facilidade para conversar sobre o filho, sobre si mesmos e sobre o relacionamento, e existiam poucas divergências: "A gente leva bem legal". O pai avaliou sua esposa de maneira positiva, como uma boa mãe, muito carinhosa e atenciosa com seu filho. Leandro também a considerava bastante exigente e organizada, cobrando mais disciplina de Luciano do que o pai, embora ambos se preocupassem com a colocação de limites.

Caso 2: Rafael

Rafael estava casado com Letícia há seis anos. Eles namoraram durante oito anos, pois planejavam se formar antes de casar, o que realmente ocorreu. Rafael afirmou que, no período de namoro e noivado, o relacionamento do casal era muito bom. Algum tempo após o casamento, no entanto, eles passaram a enfrentar problemas por questões ligadas às suas famílias de origem. O casal buscou ajuda em uma terapia de casal, e o relacionamento voltou a ser tranqüilo. A chegada de Ana Maria, que ocorreu em seguida, consolidou ainda mais a união do casal.

A gravidez de Letícia foi bastante planejada pelo casal, e a notícia de que seria pai foi recebida por Rafael com muita felicidade e muita emoção. Quando da realização do presente estudo, o relacionamento entre Rafael e Letícia permanecia bastante bom, embora Ana Maria ocupasse quase que totalmente o tempo que antes era destinado ao casal. Rafael tinha um amplo envolvimento com sua filha, embora seu tempo fosse bastante restrito em função das exigências do seu trabalho, que o ocupava por aproximadamente 12 horas diárias, de segunda a sexta-feira. Letícia também trabalhava fora de casa.

Envolvimento paterno

Rafael foi um pai bastante envolvido durante toda a gestação, tanto emocionalmente como em termos práticos. Ele costumava conversar com sua filha, ainda na barriga da mãe. Além disso, ele acompanhou sua esposa a quase todas as ecografias, tendo perdido apenas a primeira: "Cheguei cinco minutos atrasado e no que eu cheguei a Lê já tinha entrado na sala e eu não consegui ver a primeira ecografia. ... a Lê disse que nunca me viu com aquela cara, parecia que eu tinha sido derrotado naquele dia. Enquanto que nas outras eu saía meia hora antes do serviço e ia pra lá e esperava". O pai também acompanhou sua esposa durante o parto.

Quanto ao seu envolvimento com sua filha na época da realização do estudo, quando ela estava com dois anos e três meses, Rafael preferiu fazer o melhor que podia, dentro das suas condições. O pai mencionou o seu trabalho como o principal empecilho para uma maior participação. Contudo ele percebia que se eximia de algumas tarefas para com a filha, como atendê-la durante a madrugada, o que ficava ao encargo de sua esposa: "Nesse aspecto nós não dividimos muito a madrugada".

Em relação ao modo como se dava o envolvimento do pai com Ana Maria, pôde-se perceber que pai e filha interagiam de diversas maneiras. Rafael tinha uma grande participação nos cuidados da criança. Ele dava banho em Ana Maria, vestia, arrumava, dava comida e mamadeira e colocava-a para dormir. Também era o responsável por buscá-la na escola três dias por semana. O pai também costumava acompanhar a filha e a esposa às consultas ao pediatra: "Participei em todas ... sempre procurando marcar pro último horário da tarde pra poder acompanhar as consultas dela com a pediatra".

Rafael e a filha também costumavam brincar bastante, passear, ir a parques e praças, almoçar fora e ficar juntos em casa. As atividades que o pai mais gostava de realizar com sua filha eram brincar, passear e contar histórias. Já as que menos gostava eram dar banho e escovar os dentes, por considerar tais tarefas mais trabalhosas.

Quanto à acessibilidade de Rafael, ele mostrava-se disponível para sua filha durante a noite, de segunda a sexta-feira, e durante todo o dia aos finais de semana. Embora se considerasse um pai bem disponível para sua filha, Rafael gostaria de ficar mais tempo com ela. O pai também procurava participar dos eventos na escola da filha: "Dia dos pais, dia das mães, ontem tinha feira de ciência dela. ... participo em todas".

A respeito das responsabilidades do pai para com a criação de sua filha, Rafael afirmou que ele e a esposa costumavam tomar juntos as decisões. O casal costumava conversar todos os dias sobre Ana Maria, tanto para tomar decisões relativas aos seus cuidados e educação, quanto para falar do seu dia-a-dia. Quando todos chegavam em casa, eles sentavam para ler a agenda da menina, preenchida pela sua professora, e comentar tudo que ela fez durante o dia, na escola: "A agenda a gente lê os três juntos. A gente chega em casa, abre a agenda da Ana Maria pra saber como é que foi o dia dela na creche ... Ela [filha] participa e fica contente".

As responsabilidades financeiras também eram divididas igualmente entre Rafael e Letícia: "Eu fiz uma planilha com o que a gente gastava com fralda, esse negócios todo. Ranchos pra ela e coisa, a gente planeja pra depois ratear". De acordo com o pai, essa divisão era feita porque ambos trabalhavam e tinham a sua renda, e assim as despesas não ficariam excessivamente pesadas para nenhum dos dois.

Relacionamento pai-criança

Rafael descreveu seu relacionamento com Ana Maria como muito agradável, tendo como principais características o carinho e o entrosamento entre pai e filha: "A proximidade nossa é muito grande". O pai acreditava que a relação tenderia a se tornar cada vez melhor em virtude da maior facilidade de comunicação entre eles à medida que ela fosse se desenvolvendo:"Porque ela tá entendendo mais a gente, e começa a ficar até mais gostoso, começa a contar os segredos, começa a perguntar mais". Ao descrever Ana Maria, Rafael destacou diversas características positivas, mostrando-se um pai bastante contente com sua filha e muito orgulhoso. Segundo o pai, Ana Maria era uma criança carinhosa, muito ativa e inteligente.

Avaliação da paternidade

Rafael avaliou o modo como vinha desempenhando o papel de pai de maneira positiva, sentindo-se feliz e satisfeito. Ele se considerava um bom pai, próximo de sua filha e orgulhoso, ou "coruja", conforme suas palavras. Também se considerava um pai liberal, menos exigente em relação à disciplina do que sua esposa.

Rafael acreditava que a principal função de um pai seria educar os seus filhos, preparando-os para a vida. Ele destacou a importância da educação sexual, incluindo aí a preparação para que a filha buscasse, no futuro, relações afetivas sadias. No entanto Rafael imaginava que teria bastante dificuldade para orientar sua filha em relação à sexualidade, principalmente por ela ser uma menina: "Até já teve vezes que ela perguntou. Faz as perguntas e aí eu fico meio encabulado né, mas eu acho que ao natural eu vou aprendendo também com ela isso ... a parte sexual que eu acho que é um troço que fica mais difícil".

Rafael afirmou ter o seu próprio pai como modelo. As principais características de seu pai que ele procurava seguir com sua filha eram o bom relacionamento e a preocupação com a educação. Quanto às referências de pai evitadas por Rafael, ele afirmou que não gostaria de ser um pai demasiadamente exigente com sua filha, que cobrasse muitos resultados dela a fim de satisfazer a si próprio.

Relacionamento pai-mãe

O relacionamento entre Rafael e Letícia era, no momento avaliado, bastante "tranqüilo", sem maiores conflitos ou divergências. O casal tinha muita facilidade de diálogo e conversavam sobre a filha e o seu relacionamento com freqüência. As discordâncias, portanto, costumavam ser resolvidas dessa forma.

O pai descreveu sua esposa como uma mãe muito competente, "fantástica". Rafael destacou que Letícia era mais paciente do que ele com sua filha, e também tinha uma maior participação na sua educação, "além de ela ter um domínio maior sobre a Ana Maria, em matéria de acalmar ela quando ela tá muito nervosa". O pai também referiu que sua esposa incentivava a relação entre pai e filha: "Ela deixa à noite que eu fico com a Ana Maria ... enquanto ela faz a janta eu tô brincando, a Lê deixa eu curtir essa brincadeira com a Ana Maria". No entanto, de forma um pouco contraditória, ele caracterizava sua esposa como um pouco possessiva em relação à filha.

Caso 3: Luís

Luís estava casado com Luísa há três anos. Eles namoraram aproximadamente um ano e meio antes de casar e pretendiam casar alguns meses mais tarde, mas Luísa ficou grávida e eles resolveram antecipar o casamento. A gravidez de Luísa não foi planejada, mas foi bem recebida. Durante a gestação o casal passou por momentos difíceis, pois Luísa teve algumas complicações e precisou ficar três meses em repouso absoluto. Quando da realização do presente estudo, Luís mostrava-se muito feliz com a paternidade. Ele afirmou ter uma relação muito boa com sua filha, mas não conseguia estar muito presente no seu dia-a-dia por falta de tempo, devido ao seu trabalho. Ele tinha uma carga horária de cerca de 60 horas semanais. Luíza não trabalhava fora de casa, mas estudava durante um turno.

Envolvimento paterno

Luís foi um pai bastante envolvido durante toda a gravidez de Luísa, tanto no aspecto prático quanto emocional. Ele participou de todas as consultas do pré-natal de Luísa, acompanhou todas as ecografias e assistiu ao parto. Quanto ao aspecto emocional, Luís mostrou-se uma importante figura de apoio para Luísa, ajudando-a a passar pelos momentos mais difíceis de sua gestação: "Ela ficou três meses de cama que ela saía de cadeira de rodas e que ela não andava, ela ficava sentada 20 minutos por dia, no máximo uma hora. Então não foi uma coisa muito tranqüila, mas eu sempre procurei apoiar".

Na época em que foi realizado o estudo, o envolvimento de Luís com a filha Isadora, então com um ano e nove meses, era bastante limitado por questão de tempo, em função do seu trabalho. Ele referiu precisar trabalhar muito, pois era responsável por todo o sustento da família. Desse modo, a acessibilidade era bastante limitada, restringindo-se às noites, mesmo durante os finais de semana. Embora desejasse estar mais presente, Luís não avaliava sua participação na criação de sua filha como pequena ou insatisfatória, afirmando que fazia o melhor possível dentro das condições que lhe eram oferecidas: "Olha, eu não sou mais presente por falta efetivamente de tempo. Gostaria de estar mais presente, mas como hoje eu sou o pilar econômico da família a gente tem que fazer sacrifícios e opções".

Luís sempre procurou participar dos cuidados da filha. Durante alguns meses após o nascimento de Isadora, ele lhe dava banho, trocava fraldas, fazia mamadeira e a colocava para dormir. No entanto, quando da realização deste estudo, estas atividades eram raramente realizadas por ele: "Agora, com esse novo emprego, [faço mamadeira] muito pouco". Quando possível, o pai procurava buscar a filha na escola. O acompanhamento das consultas da filha com o pediatra e a participação em eventos da sua escola foram atividades mantidas pelo pai, que procurava agendar seus compromissos de modo a estar sempre presente. O pai também afirmou ter uma grande participação na educação de Isadora, especialmente na imposição de limites. Ele referiu ser bem mais rígido que sua esposa e, por isso, era quase sempre ele quem dizia não para a menina.

O pai preferiu brincar com a filha, principalmente com o computador e em brincadeiras de faz-de-conta, mas reclamou que não tinha disponibilidade para brincar com Isadora tanto quanto gostaria: "Que volta e meia eu venho bem cansado ou ... muitas vezes eu chego em casa cedo, mas eu ainda tenho compromissos pra deixar pronto pro outro dia ... então no final a gente acaba sempre brincando um pouquinho que seja, nem que seja um, dois minutinhos". Outras atividades realizadas por pai e filha eram passear e ajudar Isadora a realizar trabalhinhos da escola. Luís afirmou que as atividades que mais gostava de realizar com a filha eram passear, caminhar com ela, e dormir, "porque eu dormia muito com ela, até quase um ano, volta e meia era eu que levava ela pra embalar de madrugada".

Quanto às decisões a respeito da criação de Isadora, Luís referiu que elas eram sempre tomadas em consenso entre pai e mãe. Luís e a esposa conversavam freqüentemente a respeito da filha, especialmente sobre como criá-la e educá-la, e sobre sua rotina em casa e na escola. Quanto à questão financeira, as despesas da filha, bem como da casa, eram de inteira responsabilidade do pai. Essa questão foi combinada pelo casal desde o seu casamento, pois Luísa pretendia terminar seus estudos, e Luís comprometeu-se a ajudá-la, mantendo a família: "Quando eu assumi a família, quando eu me casei, quando nós começamos a esperar a Isadora, isso foi uma coisa que me ficou bem claro. A minha esposa vai terminar os estudos, terminados os estudos ela vai ter condição de fazer aquilo que ela quer e sendo bem remunerada ou, pelo menos, regularmente remunerada pra isso. Até porque não adianta sair de casa, passar o dia na rua, deixar a filha o dia inteiro na creche pra ganhar o valor da creche".

Relacionamento pai-criança

Luís afirmou que o relacionamento entre ele e Isadora era bastante bom, e a convivência entre eles era muito agradável. No entanto ele preferiu ser um pouco exigente em termos de disciplina e, por isso, tinha certa dificuldade para lidar com as desobediências da filha: "Uma das coisas que me deixam, muitas vezes, nervoso é quando ela começa a se fazer de surda pra certas coisas ... só que eu de vez em quando dou uns gritos com ela que eu não deveria. Volta e meia eu perco um pouquinho o controle".

Ao descrever Isadora, embora afirmasse que ela era um pouco teimosa, Luís enfatizou características positivas, inclusive o bom comportamento da filha. O pai afirmou que ela era bem mais disciplinada do que ele foi quando criança. Ele caracterizou Isadora como uma menina carinhosa, sensível, ativa e inteligente. Além disso, o pai referiu que Isadora era uma menina muito sociável: "É uma criança que se dá muito facilmente com as pessoas, tu mesmo viste, né, que foi entrar aqui, não deu cinco minutos ela já tava conversando contigo."

Avaliação da paternidade

Luís mostrou-se bastante satisfeito em relação à paternidade, pois sempre quis ser pai e tinha um relacionamento muito bom com Isadora. Ele se considerava um pai presente para sua filha, embora suas possibilidades de participar de sua rotina fossem maiores antes de ele ser admitido no seu emprego atual: "Eu sempre fui um pai bem presente. Pelo menos até o segundo ano dela direto, fui eu que dei o primeiro banho, fui eu que troquei a primeira fralda, troquei fralda e dei banho por um bom tempo".

Embora se considerasse um pouco negligente em termos da atenção dada à filha e rigoroso demais quanto à sua disciplina, Luís se avaliou como um bom pai. Ele também se considerava bastante carinhoso e alegre. Quanto às crenças de Luís em relação ao papel paterno, ele afirmou que a principal função de um pai seria estar presente para seus filhos: "Papel do pai é, dentro das suas possibilidades, assim como a mãe, estar presente e tentar fazer o melhor pelo filho". Luís referiu ter o seu próprio pai como modelo de paternidade, destacando suas características de bom profissional, responsável pelo sustento da família: "O meu pai como pai era um ótimo exemplo ... . Nunca nos faltou nada, eu nunca vi uma pessoa bater na porta pra cobrar um centavo que fosse, sempre foi uma pessoa com uma ética muito grande". Ele também enfatizou a importância de dar aos filhos o direito de falar, de ter e expressar suas opiniões, afirmando que seu pai sempre deu aos filhos esse direito.

Relacionamento pai-mãe

Luís caracterizou seu relacionamento com Luísa como bastante bom, sem maiores conflitos ou desentendimentos sérios. O casal tinha facilidade de diálogo, e costumava resolver suas pequenas discordâncias dessa forma. O pai descreveu Luísa como uma "ótima mãe". De acordo com Luís, a esposa o incentivava constantemente a cuidar de sua filha, brincar e conversar com ela: "Isso é uma coisa que ela me chama muito a atenção, até pra que eu não esqueça simplesmente que eu tenho filho".

Examinando as semelhanças e particularidades entre os pais

Ao analisar, em conjunto, os relatos dos três pais que participaram do presente estudo, destacou-se a satisfação com a paternidade. Eles referiram estar muito felizes no desempenho desse papel e se considerar bons pais, presentes e próximos de seus filhos. Os pais também referiram ter um bom relacionamento com os filhos, marcado por alegria, prazer e muito carinho. Embora dois deles (Leandro e Luís) tenham mencionado alguns problemas de comportamento das crianças, especialmente birra e teimosia, em geral esses pais mostravam-se orgulhosos e satisfeitos com os filhos. A satisfação dos três pais com a paternidade e sua proximidade em relação aos filhos teve início já durante a gestação. Os três pais se mostraram bastante envolvidos, emocional e concretamente, durante esse período. Dois deles (Leandro e Rafael) acreditavam que, com o desenvolvimento das crianças, seu relacionamento com elas ficaria cada vez melhor, pelas suas maiores capacidades de comunicação e interação. Isso parece associado aos achados de Lamb et al. (1985) que verificaram que tanto a interação quanto a acessibilidade do pai, quando avaliadas em proporção à mãe, costumam ser mais elevadas se a criança é mais velha. Uma criança com mais de três anos está mais aberta para outras relações, sendo menos dependente de sua mãe e, por isso, o pai passa a ter mais espaço para aproximar-se dela.

Outra característica comum entre esses pais foi a qualidade das suas relações com as esposas. Os relacionamentos foram caracterizados como bastante bons, marcados por pouco conflito e grande facilidade de diálogo. Todos também caracterizaram suas esposas como boas mães, afirmando que elas incentivavam o relacionamento entre pai e filho. Nesse sentido, Lamb et al. (1985) destacaram os papéis da mãe e da relação conjugal, aliados a outros fatores, entre eles os psicossociais, na determinação do envolvimento do pai com seus filhos. Pode-se pensar, portanto, que o bom relacionamento com suas esposas facilitava o envolvimento dos pais com seus filhos. Além desse envolvimento direto, o bom relacionamento entre pai e mãe pode fazer com que o pai esteja psicologicamente mais presente para seus filhos através do discurso materno. A importância da presença do pai no discurso da mãe, desde que caracterizado de maneira positiva, foi destacada por Lebovici (1987).

Quanto ao envolvimento paterno, também foram observadas algumas semelhanças entre os três casos analisados. A interação desses pais com seus filhos era variada, não estando restrita a um único tipo de atividade. Eles participavam dos cuidados básicos dos filhos, embora com freqüência bastante irregular. A responsabilidade pela criação dos filhos era, nos três casos, dividida entre pai e mãe, e as decisões sobre a criança eram tomadas em conjunto em conversas freqüentes.

Apesar da existência de características comuns entre os três pais residentes, diversas particularidades também foram observadas. Em relação ao envolvimento paterno, existiam diferenças marcantes entre os casos, referentes, principalmente, à acessibilidade e às responsabilidades financeiras. Nesse sentido, um dos pais (Leandro) tinha uma ampla participação na vida de seu filho, bem maior que a dos demais. Sua acessibilidade para o filho era, inclusive, maior que a de sua esposa, que trabalhava até mais tarde e, portanto, chegava em casa depois do marido.

Outro pai (Luís), por sua vez, tinha uma carga horária de trabalho muito extensa, que incluía os finais de semana, o que impunha severas restrições ao modo como ele vinha desempenhando a paternidade. Esse dado confirma os achados de diversos autores que constataram que alguns homens enfrentam dificuldades para envolverem-se mais diretamente com as crianças devido às suas demandas de trabalho (Grossman, Pollack & Golding, 1988; Hall, 1994; Lamb et al., 1985). Desse modo, Luis era um pai pouco acessível à sua filha, estando disponível para ela apenas em algumas horas durante as noites. Por fim, o outro pai do estudo (Rafael) também tinha sua participação na vida da filha restringida pelas demandas do trabalho, mas não de maneira tão extrema quanto Luís.

A acessibilidade desses pais para os filhos, determinada, em grande parte, pelas suas demandas de trabalho, parecia exercer uma influência crucial sobre sua interação com as crianças. Assim, uma vez que Leandro ficava mais tempo com seu filho, durante a noite, do que sua esposa, ele se tornou responsável pela maior parte das tarefas de cuidado da criança, além de dividir as tarefas domésticas com a esposa, o que não é um padrão predominante entre os pais brasileiros (Aquino & Menezes, 1998; Jablonski, 1998). Dessa forma, sua interação constituía-se basicamente de cuidados. O tipo de interação estabelecido por esse pai com seu filho se contrapõe aos achados de Bailey (1994) e Belsky, Gilstrap e Rovine (1984) de que os pais costumam se mostrar mais envolvidos em interação social do que em outras atividades. Embora a literatura possa revelar a tendência mais comum entre os pais, esse padrão não pode mais ser generalizável. Pelo menos um dos casais do presente estudo (Leandro e Lúcia) mostrou-se bastante distante das perspectivas tradicionais de paternidade e maternidade, construídas de acordo com o padrão de famílias nucleares compostas pelo "marido ganha-pão" e pela "esposa dona-de-casa" (Fein, 1978).

A família de Luís, por sua vez, comportava-se de maneira mais próxima à perspectiva tradicional de paternidade, uma vez que o pai era totalmente responsável pelo sustento financeiro da família. E, embora ele realizasse diversas atividades de cuidado de sua filha, essa tarefa era de responsabilidade de sua esposa. Contudo essa era uma situação temporária, pois a esposa de Luís estava estudando a fim de, posteriormente, exercer uma profissão com boa remuneração. Além disso, o modo como o pai interagia com a filha ainda era bastante amplo, podendo ser visto como satisfatório do ponto de vista qualitativo. As maiores restrições se davam no aspecto quantitativo, principalmente em função de sua pequena acessibilidade para a filha. A preocupação com os aspectos qualitativos do envolvimento paterno é, de acordo com Jain et al. (1996), relativamente recente nos estudos a respeito da paternidade. Esses autores verificaram a existência de diferentes estilos de envolvimento paterno, caracterizados pelo conjunto de atividades mais comumente realizadas pelos pais, formando padrões de atuação no papel paterno. Nesse sentido, no presente estudo verificou-se que os três pais apresentavam estilos bastante distintos de envolvimento paterno. No entanto ainda não existem estudos que investiguem se diferentes estilos de envolvimento influenciariam de maneiras distintas o desenvolvimento infantil, sendo esse um tema relevante para futuras pesquisas sobre paternidade.

Em relação ao modo como os pais avaliaram seu desempenho no papel paterno, embora predominassem sentimentos de satisfação, dois deles (Rafael e Luís) percebiam-se distantes de uma paternidade ideal, acreditando que sua participação na vida de seus filhos deveria ser maior, o que era impedido pelo trabalho. Assim parecia existir um embate entre o sentimento de que deveriam se envolver mais com seus filhos e o de que isso não era possível, ou seja, um conflito entre a paternidade ideal e a real. Isso também se evidenciou pela análise das crenças desses pais a respeito das principais funções de um pai. O primeiro deles (Rafael) destacou a importância do pai na educação de seus filhos, sendo, em sua casa, sua esposa a maior responsável por essa tarefa. Outro pai (Luís), por sua vez, apontou para a necessidade de o pai fazer-se presente para seus filhos, mostrando-se ele pouco presente na vida da filha. Nesse sentido, Daly (1996) afirmou que existiria uma lacuna entre o que os pais pensam a respeito do seu papel e o que efetivamente fazem.Talvez essa lacuna marque um momento de transição em nossa cultura, vivenciado por esses pais, na definição de paternidade. Diversos autores apontam que as transformações sociais que vêm ocorrendo nas relações homem-mulher estão sendo, lentamente, incorporadas às representações sociais da paternidade, apontando para a produção de novos modelos de papéis parentais (Jablonski, 1998; Trindade, 1993; Trindade et al., 1997).

Essa transição também pôde ser percebida quando os pais falaram de seus próprios pais. De modo geral, eles se consideravam bastante diferentes, embora os pais ainda fossem, muitas vezes, vistos como um modelo. Assim, embora o modo como foram criados fosse fundamental para a construção dos seus ideais de paternidade (Szejer & Stewart, 1997), parece que isso não era suficiente para mostrar-lhes como ser pai na sociedade atual.

 

Considerações Finais

Os achados do presente estudo revelam que os pais podem ter uma ampla participação na vida dos seus filhos, não restringindo seu envolvimento ao sustento financeiro, a passeios e a brincadeiras. Os pais entrevistados participavam dos cuidados básicos dos filhos e dividiam com suas esposas as responsabilidades pelas crianças. Contudo foram observadas importantes diferenças entre os casos quanto ao envolvimento paterno, principalmente em relação às responsabilidades financeiras e à acessibilidade, que, por sua vez, mostrou-se fortemente influenciada pelas exigências do trabalho dos pais.

Quanto aos sentimentos dos pais em relação à paternidade, destacou-se sua satisfação com esse papel e sua auto-avaliação como bons pais, presentes e próximos de seus filhos. Apesar disso, os pais mostraram-se críticos quanto à sua participação no dia-a-dia das crianças, acreditando que ela deveria ser maior, demonstrando a existência de um conflito entre a paternidade ideal e a real.

Esses resultados, que indicam distintos padrões de participação paterna na vida de seus filhos, também evidenciam a importância de que as investigações a respeito das repercussões da paternidade sobre o desenvolvimento infantil examinem os efeitos dessas diferentes formas de participação. De acordo com Pleck (1997), a maior parte dos estudos realizados até o momento não exploram as especificidades do envolvimento paterno e, especialmente, suas conseqüências. Apesar dessa limitação, eles têm demonstrado que a interação é o aspecto do envolvimento paterno que traz maiores benefícios para as crianças, enquanto a acessibilidade e a responsabilidade afetam-nas indiretamente por meio dos benefícios à mãe.

Algumas características dos participantes deste estudo merecem consideração especial. A formação do grupo de participantes se deu através de indicação, tendo sido os pais convidados a participar do estudo pela própria pesquisadora (por telefone) ou por profissional da escola de seus filhos. É provável que eles fossem, de antemão, pais envolvidos e preocupados com o papel de pai a ponto de aceitarem participar de um estudo sobre o tema.

Outra característica marcante dos pais que participaram do presente estudo é seu elevado nível de escolaridade, que pode também ter influenciado os resultados encontrados. De qualquer modo, o objetivo deste estudo foi explorar e descrever - qualitativamente - a experiência singular de alguns pais. Por meio desta abordagem pôde-se chegar a uma boa compreensão do modo como esses pais exerciam o papel de pai e lançar algumas hipóteses a respeito dos aspectos envolvidos na determinação do seu envolvimento com os filhos, o que pode contribuir para uma construção teórica e para futuras investigações sobre a paternidade.

 

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Recebido em: 20/3/2006
Versão final reapresentada em: 6/10/2006
Aprovado em: 22/11/2006

 

 

Agradecimentos: A colaboração de Airana Fidelis Moura e Cibele Vargas Machado na fase de coleta e análise dos dados e à Capes pelo auxílio financeiro.
1 Artigo elaborado a partir da dissertação de M.R. SILVA, intitulada "Sentimentos sobre a paternidade e envolvimento de pais que residem e pais que não residem com seus filhos". Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003.

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