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Estudos de Psicologia (Campinas)

versão impressa ISSN 0103-166Xversão On-line ISSN 1982-0275

Estud. psicol. (Campinas) v.25 n.4 Campinas out./dez. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2008000400006 

ARTIGOS

 

Impacto na qualidade de vida e no estado depressivo de idosas participantes de uma universidade da terceira idade

 

Impact on the quality of life and on the depressive state of elderly women attending a senior citizens university

 

 

Tatiana Quarti Irigaray; Rodolfo Herberto Schneider

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Instituto de Geriatria e Gerontologia. Av. Ipiranga, 6690, 3° andar, 90610-000, Porto Alegre, RS, Brasil. Correspondênciapara/Correspondence to: T.Q. IRIGARAY. E-mail: <tatiana.irigaray@superig.com.br>

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi examinar a associação entre o tempo de participação na Universidade para a Terceira Idade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e as dimensões de personalidade, a qualidade de vida e a depressão em idosas. O método amostral utilizado foi o de conveniência. Cento e três idosas que participavam do grupo da Universidade da Terceira Idade foram avaliadas e responderam a instrumentos sobre condições sociodemográficas, aspectos de personalidade, qualidade de vida e depressão. Os resultados mostraram uma associação entre tempo de participação superior a um ano na Universidade da Terceira Idade e menor intensidade de depressão, bem como melhor percepção de qualidade de vida nos domínios físico, psicológico e social. Os resultados sugerem que o tempo de participação superior a um ano na Universidade da Terceira Idade atua como um possível fator protetor contra a depressão em idosos e auxilia na percepção de uma melhor qualidade de vida nos domínios físico, psicológico e social.

Unitermos: Depressão. Idoso. Personalidade. Qualidade de vida.


ABSTRACT

In this study we examine the association between the length of participation in the University for Senior Citizens (Rio Grande do Sul Federal University) and personality dimensions, quality of life and depression in elderly women. We used the convenience sampling method. One hundred and three elderly women who participated in the Senior Citizens University group were evaluated and responded to questionnaires involving sociodemographic conditions, aspects of personality, quality of life and depression. The data showed an association between the length of participation of over one year at the Senior Citizens University and lower intensity of depression as well as a better perception of quality of life in the physical, psychological and social domains. The outcome suggests that a length of participation in excess of one year at the Senior Citizens University acts as a possible protective factor against depression in the elderly. Furthermore, it helps with the perception of a better quality of life in the physical, psychological and social domains.

Uniterms: Depression. Aged. Personality. Quality of life.


 

 

Devido ao aumento do número de idosos na população brasileira e ao aumento da longevidade na última década houve uma proliferação de programas e atividades destinados ao público idoso. Dentre eles, destacam-se os trabalhos realizados nas universidades da terceira idade, que têm como objetivo principal rever os estereótipos e preconceitos associados ao envelhecimento, promover a auto-estima e o resgate da cidadania, incentivar a autonomia, a independência, a auto-expressão e a reinserção social em busca de um envelhecimento bem-sucedido (Palma, 2000).

Os programas das universidades brasileiras da terceira idade, em sua maioria, caracterizam-se como propostas de educação permanente ou de educação continuada (Neri & Cachioni, 1999). A educação permanente é concebida como um fato educativo global, sem limites de idade, que surge da necessidade de acompanhar as transformações rápidas que estão acontecendo no mundo nos aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais. De forma diferente, a educação continuada equivale à educação convencional de adultos, referindo-se ao prolongamento do sistema escolar ao longo de toda a vida, segundo a demanda do indivíduo e da sociedade (Giubilei, 1993).

Segundo Neri (1996), os principais motivos que levam os idosos a procurarem as universidades da terceira idade são a busca por conhecimentos, atualização cultural, autoconhecimento, autodesenvolvimento, contato social, ocupação do tempo livre e o desejo de ter maior conhecimento para ajudar outras pessoas na defesa de seus direitos. O estudo de Guerreiro (1993) revelou que a solidão é uma das razões para a procura pela universidade, que oferece aos seus participantes a oportunidade de ampliação do círculo de amizades com um grupo específico de pessoas. Para Silva (1999), a motivação para engajamento deve-se à necessidade de complementar a educação e atualizar-se, buscando suprir deficiências presumidas e melhorar a imagem social. Segundo Castro (1998), os principais motivos que levam os idosos às universidades da terceira idade são a busca por relacionamentos, convivência, atualização, troca de experiências, conhecimentos sobre o processo de envelhecimento e o autoconhecimento.

Uma característica marcante das universidades para a terceira idade é a predominância de mulheres, que representam a maioria da população total (Castro, 2004; Goldstein, 1995). Esse fato pode estar relacionado às diferenças entre homens e mulheres quanto à representação do envelhecimento e como esses indivíduos percebem estas mudanças: as mulheres com maior interesse cultural, e os homens mais pelos assuntos políticos (Debert, 1999).

A Universidade para a Terceira Idade (UNITI) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é um exemplo bem sucedido de programa de educação permanente voltado exclusivamente ao público idoso. A UNITI é um projeto de extensão, ensino e pesquisa que funciona junto ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Esse programa iniciou suas atividades no primeiro semestre de 1991 e está no 17° ano de funcionamento. O grupo da UNITI é composto semestralmente, em média, por 150 pessoas da comunidade com idade >60 anos. Participam da UNITI, atualmente, 148 idosas e dois idosos; ao longo dos seus dezessete anos de existência, o número de homens nunca ultrapassou os 5%.

O objetivo principal da UNITI é potencializar os recursos humanos nas pessoas com idade >60 anos, viabilizando mudanças sociais que permitam a estes idosos o direito de participar com seus próprios recursos. A dinâmica de trabalho apóia-se na própria capacidade dos idosos e nas suas necessidades específicas, dentro de uma filosofia que privilegia a autodescoberta. Na prática, trabalham-se os conceitos de plasticidade, mutualidade, resiliência, informalidade, colaboração, solidariedade, autodiagnóstico compartilhado, técnicas de experiência e mensuração conjunta de programas (Castro, 2004).

Dentro desse conceito, o projeto UNITI vem contribuindo para o desenvolvimento pessoal e social do idoso, incentivando-o a adotar um estilo de vida mais saudável, passível de maior adaptação e sobrevivência na sociedade atual, de acordo com as suas características de personalidade. Segundo a teoria de Murray (Hall, Lindzey & Campbell, 2000), a personalidade refere-se a uma série de eventos que abrangem toda a vida do indivíduo, refletindo elementos duradouros e recorrentes do comportamento, bem como elementos novos e únicos. Para ele, a personalidade seria o agente organizador ou governador do indivíduo.

A influência da personalidade ao longo do processo de envelhecimento ainda é alvo de muitas discussões. As primeiras pesquisas sugeriram que a personalidade se tornava mais rígida com o envelhecimento e que se desenvolvia muito pouco na idade avançada (Neugarten, Moore & Lowe, 1965; Papalia & Olds, 2000; Tavares, 2005). Estudos posteriores sugeriram o contrário, que ocorreria uma estabilidade dos traços de personalidade ao longo da vida adulta e da velhice; assim, a personalidade não se tornaria mais rígida com o passar dos anos, mas permaneceria da mesma forma desde a vida adulta (Costa, Herbst, McCrae & Siegler, 2000; Herbst, McCrae, Costa, Feaganes & Siegler, 2000; McCrae & Costa, 1987, 1994). Porém, alguns autores defendem a idéia de que diferenças entre coortes refletem na personalidade de idosos, sendo que pessoas de coortes mais recentes parecem apresentar maior flexibilidade do que as de coortes anteriores (Hilgard, Atkinson & Atkinson, 1979; Ruth & Coleman, 1996; Schaie & Willis, 1991). Teorias atuais de personalidade indicam que, apesar da aparente estabilidade da personalidade na idade adulta, existe considerável potencial para mudança (Field & Millsap, 1991; Helson, Jones & Kwan, 2002; Labouvie-Vief, Diehl, Tarnowski & Shen, 2000; McAdams, 1995; Maiden, Peterson, Caya & Hayslip, 2003).

Alguns estudos mostraram que as dimensões de personalidade podem estar relacionadas aos índices de resiliência e bem-estar subjetivo (Ryff, 1991; Staudinger, Marsiske & Baltes, 1993), além de desencadeamento de sintomas depressivos (Costa, McCrae & Zonderman, 1987; Costa et al., 2000; Diener & Diener, 1996; Martin, Valora & Poon, 2002; Small, Herzog, Hultsch & Dixon, 2003; Steunenberg, Beekman, Deeg & Kerkhof, 2006; Watson & Walker, 1996). O bem-estar tem sido considerado por alguns autores como sinônimo de qualidade de vida (Fleck, Chachamovich & Trentini, 2003).

Conforme o Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde (The World Health Organization Quality of life Assessment Group- WHOQOL, 1998), o conceito de qualidade de vida é definido como a percepção que o indivíduo tem sobre a sua posição na vida e no contexto de sua cultura, de acordo com os sistemas de valores da sociedade em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

Existe uma relação direta entre qualidade de vida e intensidade de sintomas depressivos (Trentini, 2004). Dessa forma, os indivíduos que avaliam a sua qualidade de vida como negativa apresentam significativamente mais sintomas depressivos do que aqueles que têm esperança; conforme alguns estudos, esses últimos apresentam melhores condições de saúde (Carpenito, 1995; Farran, Herth & Popovich, 1995; Miller, 1985). Outros estudos também têm encontrado uma associação entre má qualidade de vida e depressão (Herman et al., 2002; Kuehner, 2002; Xavier et al., 2002).

No idoso, os fatores que podem desencadear sintomas depressivos são a falta ou a perda de contatos sociais, história de depressão pregressa, viuvez, eventos de vida estressantes, institucionalização em casas asilares, baixa renda, insatisfação com o suporte social, ansiedade, falta de atividades sociais, nível educacional baixo e uso de medicação antidepressiva (Djernes, 2006; Papalia & Olds, 2000). Sabe-se ainda que a perda do estado de saúde física pode ser o desencadeador do início e da persistência da depressão (Argimon & Stein, 2005; Geerlings, Beekman, Deeg & Vantilburg, 2000).

A depressão pode ser evitada ou minimizada por intermédio do apoio que o indivíduo recebe nas relações interpessoais (Jefferson & Greist, 1999). Papalia et al. (2006) reforçaram a hipótese de que uma forte rede de amigos e de familiares pode ajudar os idosos a evitar e/ou a enfrentar a depressão. Determinados contextos afetivos de amizades ou vínculos de confiança com cônjuge, parceiro ou amigo podem tanto desencadear quanto proteger os indivíduos contra o surgimento de sintomatologia depressiva.

Este estudo examinou a relação entre o tempo de participação na UNITA da UFRGS e os aspectos de personalidade, depressão e qualidade de vida de idosas.

 

Método

Participantes

Foram incluídas 103 participantes com idade >60 anos, do sexo feminino, participantes da UNITI. O processo de amostragem foi o de conveniência. Todos os integrantes da UNITI (150 indivíduos) foram convidados a participar do estudo, mas apenas 109 consentiram em fazê-lo; destes, seis foram excluídos por apresentarem menos de 60 anos.

Instrumentos

Os instrumentos utilizados foram os seguintes:

1. Ficha de dados sociodemográficos: A ficha de dados sociodemográficos incluiu as seguintes variáveis: sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda, situação de moradia, ano de aposentadoria, ocupação, ano de ingresso na UNITI, número de filhos, netos e bisnetos, atividades físicas realizadas, percepção de saúde e uso de medicação.

2. Inventário Fatorial de Personalidade - (IFP) de Pasquali, Azevedo & Ghesti (1997), É um inventário da personalidade objetivo, que avalia 15 necessidades ou motivos psicológicos (assistência, dominância, ordem, denegação, intracepção, desempenho, exibição, heterossexualidade, afago, mudança, persistência, agressão, deferência, autonomia e afiliação). O IFP é composto por 155 itens que constituem afirmações às quais o indivíduo deve responder utilizando alternativas de uma escala do tipo Likert, composta de sete pontos. Os pontos da escala correspondem progressivamente de 1 (nada característico) a 7 (totalmente característico). Foi utilizada a versão do instrumento em português.

3. (WHOQOL-bref) (Fleck et al., 1999), para avaliar a percepção de qualidade de vida: É uma versão abreviada do instrumento WHOQOL-100, desenvolvido pelo grupo de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde. Este questionário baseia-se no pressuposto de que qualidade de vida é um construto subjetivo (percepção do indivíduo em questão), multidimensional e composto por dimensões positivas e negativas. Esse instrumento avalia quatro domínios (físico, psicológico, relações sociais e ambiente), incluindo questões de avaliação global de qualidade de vida. Essas últimas geram um escore global (chamado qualidade de vida geral), que também foi incluído na análise dos resultados. É composto por 26 questões. Foi utilizada a versão do instrumento em português.

4. Escala de Depressão Geriátrica (GDS), de Sheikh & Yesavage (1986): A GDS é uma medida utilizada para o rastreamento de depressão em idosos, e é um dos instrumentos mais freqüentemente utilizado para este fim. A versão curta é composta por 15 perguntas (a escala original é composta por 30 perguntas), apresentando respostas classificadas em sim ou não. O escore total da GDS, versão curta, é feito a partir do somatório das respostas assinaladas pelos examinandos nos 15 itens. O menor escore possível é zero e o maior é 15. Foi utilizada a versão do instrumento em português.

Análise dos dados

Inicialmente, todas as idosas preencheram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e, a partir daí, foram convidadas a responder a respeito de informações sociodemográficas, fatores de personalidade (Pasquali et al., 1997), aspectos de qualidade de vida (Fleck et al., 1999) e sintomatologia depressiva (Sheikh & Yesavage, 1986).

Os dados sociodemográficos provenientes do IFP, do WHOQOL-bref e da GDS foram obtidos por meio de auto-administração, contudo, um auxiliar de pesquisa (estudante de psicologia) sempre esteve à disposição das idosas para qualquer esclarecimento. A aplicação dos instrumentos foi feita em grupos de até 15 participantes nas salas de aulas da Escola Técnica da UFRGS, local onde funciona a UNITI.

O projeto foi devidamente examinado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil (n° 06/0309).

Procedimentos para análise dos dados

A descrição das variáveis foi realizada pelas freqüências absolutas e relativas, bem como média e desvio-padrão.

O Teste t de Student foi utilizado para a comparação realizada entre os fatores do IFP, depressão (GDS), os domínios de qualidade de vida (WHOQOL-bref) e o tempo de participação na UNITI.

Foram consideradas significativas as associações com valores de p<0,05.

Para análise dos dados, foi utilizado o programa Statistical Packadge of Social Sciences (SPSS) para ambiente Windows, versão 13.0.

 

Resultados

As características sociodemográficas da amostra em estudo são apresentadas na Tabela 1. A amostra contou com 103 mulheres idosas na faixa etária entre 60 e 86 anos, idade média de 69,2 (desvio-padrão - DP=6,46). O estado civil mais encontrado foi viuvez (44,7%), a escolaridade mais prevalente foi o ensino superior (40,8%) e a renda de 6 a 10 salários mínimos foi a mais presente (38,8%). Quanto à situação de moradia, predominou a moradia com a família (52,4%); a profissão de professora foi a ocupação anterior mais freqüentemente citada (28,1%) e a aposentadoria foi a ocupação atual prevalente (73,8%). A percepção de saúde predominante foi a de saudável (81,6%); a realização de atividade física (74,8%) e o uso de medicação (89,3%) também foram bastante citados entre as idosas. Dentre o percentual de idosas que utilizavam medicação, 95% usavam anti-hipertensivos e/ou fármacos para dislipidemia, e somente 5% usavam antidepressivos. A maior parte delas (84,4%) participa da UNITI há mais de um ano.

 

 

Na Tabela 2 é possível observar os resultados da comparação entre os fatores do IFP, depressão (GDS), qualidade de vida (WHOQOL-bref) e o tempo de participação na UNITI. Por meio do Teste t de Student foi possível verificar uma diferença estatisticamente significativa (p<0,05) entre o tempo de participação e as variáveis depressão e qualidade de vida, mais especificamente nos domínios físico, psicológico e relacionamentos sociais, sendo que no domínio ambiente houve uma tendência à significância. Para todos os itens de qualidade de vida apontados obteve-se uma diferença estatisticamente significativa em relação ao tempo de participação: todos os escores mostraram-se mais altos após um ano de participação na UNITI. Os sintomas depressivos foram menos pontuados por aquelas pessoas com maior tempo de participação no grupo. Para os fatores de personalidade avaliados, não foram encontradas diferenças significativas em relação ao tempo de participação, no entanto houve uma tendência à significância no fator assistência, em que a média das idosas com tempo de participação superior a um ano foi mais alta.

 

 

Discussão

Embora não se possa estabelecer uma relação causal, o tempo de participação superior a um ano na UNITI parece ter exercido uma influência positiva na avaliação da sintomatologia depressiva e na percepção de qualidade de vida nos domínios físico, psicológico e relacionamentos sociais. Em concordância com os resultados aqui obtidos, diversos estudos descrevem o impacto positivo que a participação em programas educacionais traz aos idosos, em relação à sua saúde física e mental, às suas atitudes e às relações sociais (Cachioni, 1998; Cox, 1991; Erbolato, 1996; Loures & Gomes, 2006; Scala, 1996; Silva, 1999). Para Goldstein (1995), esses programas dão ao indivíduo a oportunidade de obter suporte emocional, informacional e instrumental, podendo ter efeitos positivos no enfrentamento do estresse e, conseqüentemente, contribuem para a conquista de um envelhecimento bem-sucedido. Os resultados apresentados corroboram os estudos citados anteriormente, demonstrando que a freqüência de idosos em programas para a terceira idade tem um impacto positivo no seu estado depressivo e na sua qualidade de vida.

Não foram encontradas associações significativas entre os fatores de personalidade e o tempo de participação na UNITI. Esse resultado concorda com diversos estudos sobre a estabilidade dos aspectos de personalidade ao longo da vida e no idoso (Costa et al., 2000; Herbst et al., 2000; McCrae & Costa Júnior, 1987, 1994). De acordo com esses autores, a personalidade do idoso permaneceria da mesma forma como sempre foi, desde a vida adulta. O fator assistência apresentou uma tendência à significância em relação ao tempo de participação na UNITI, uma vez que a média das idosas com tempo de participação superior a um ano foi mais elevada. Assim, a participação superior a um ano levaria as idosas a apresentar mais sentimentos de piedade, compaixão e ternura; tenderiam a fornecer maior suporte emocional e consolo na tristeza, na doença e em outros infortúnios. Uma possível explicação para esse achado é de que a UNITI incentiva a solidariedade entre os idosos, estimulando-os a desenvolverem trabalhos solidários em diferentes comunidades necessitadas; deste modo, o grupo consiste em um espaço que privilegia a troca, a colaboração e a solidariedade entre os indivíduos.

De maneira geral, as idosas participantes da UNITI apresentaram escores que indicaram ausência de sintomatologia depressiva. No entanto, as participantes com tempo de participação superior a um ano mostraram uma menor intensidade de sintomas depressivos, em relação àquelas com tempo de participação igual ou inferior a um ano. Esse resultado concorda com o estudo de Loures e Gomes (2006), que encontraram menor prevalência de depressão com a participação na Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Católica de Goiás (UNATI-UCG). Para as autoras, o convívio dos participantes com seus colegas e/ou professores fez com que eles se sentissem menos abandonados, com menos solidão e menos desprezados.

Outra possibilidade de explicação para a associação entre ausência de sintomatologia depressiva e participação na UNITI estaria nas características sociodemográficas da amostra estudada. A amostra foi composta, em sua maioria, por idosas com nível de escolaridade elevado. Assim, essa característica poderia explicar o baixo escore total na Escala de Depressão Geriátrica. Alguns estudos têm encontrado uma relação entre nível de escolaridade e intensidade de sintomatologia depressiva (Cacciatore, 1998; Leite, Carvalho, Barreto & Falcão, 2006; Trentini et al., 2005). Segundo Trentini et al. (2005), essa associação ocorreria de forma inversa: quanto maior a escolaridade menor a intensidade de sintomas psicológicos (cognitivos) ou de somatizações (somáticos). Assim, a escolaridade poderia exercer um papel protetor para sintomas depressivos ou para sua expressão (Argimon & Stein, 2005). Os resultados aqui obtidos não permitem inferir se a escolaridade, por si só, influencia a expressão de sintomas depressivos, ou se ela é uma variável que compreende outras intervenientes, tais como o alto nível de independência e boas condições socioeconômicas, características presentes na amostra estudada.

As idosas com participação superior a um ano mostraram melhores escores nos domínios físico, psicológico e social. Outros estudos encontraram, da mesma maneira, melhoras nas áreas pessoal, intelectual, social, afetiva e no estado de saúde com a participação em universidades da terceira idade (Cachioni, 1998; Erbolato, 1996; Goldstein, 1995). Segundo Cachioni (1998), a participação das alunas na Universidade da Terceira Idade de São Francisco levou-as a se sentirem socialmente mais valorizadas e respeitadas, resultando em maior autoconfiança e auto-eficácia, no âmbito cognitivo e de produtividade. Da mesma maneira, Erbolato (1996) verificou que a participação na Universidade da Terceira Idade da PUC-Campinas trouxe benefícios nas áreas pessoal, intelectual e social, que resultaram em mudanças positivas nas concepções de envelhecimento, nos cuidados com a saúde, na rotina de vida, no enfrentamento de problemas, no relacionamento com os amigos e na autopercepção dos alunos. Os resultados aqui encontrados referentes à melhora na qualidade de vida de idosas devido à participação em uma universidade da terceira idade estão em harmonia com alguns dados da literatura apresentados anteriormente (Cachioni, 1998; Erbolato, 1996; Goldstein, 1995).

Uma das hipóteses propostas a respeito da referida associação é a de que, de um modo geral, nas universidades para a terceira idade os idosos são incentivados a conquistar, manter e preservar a autonomia e a independência, o que favorece a qualidade de vida. O indivíduo idoso sente-se valorizado e estimulado a conquistar um novo sentido de vida, adquirir novas informações e ampliar conhecimentos. Assim, as atividades grupais com pessoas da mesma geração parecem favorecer a boa qualidade de vida porque possibilitam a vivência e a construção de significados comuns, a conquista de novas amizades e a obtenção de suporte social, ajudando-os em condições normais e sob estresse. Da mesma maneira, Goldstein (1995) defendeu a idéia de que esses programas facilitam aos idosos a obtenção de suporte emocional, informacional e instrumental, contribuindo para o enfrentamento do estresse. Além disso, as informações e aprendizagens obtidas aumentam os recursos pessoais, como a auto-eficácia, habilidades sociais e solucionamento de problemas. Neri e Cachioni (1999) sugeriram a existência de uma relação entre participação em iniciativas educacionais e implementação da atividade, da satisfação, da saúde percebida e das habilidades cognitivas entre os alunos idosos, embora não se possa afirmar que a ida à universidade seja a causa desse envelhecer saudável. Desta forma, a participação superior a um ano na UNITI apareceu relacionada com menor número de sintomas depressivos e melhor qualidade de vida nos domínios físico, psicológico e social, fato em concordância com os estudos de Goldstein (1995) e Neri e Cachioni (1999).

O estudo apresentou como limitações a homogeneidade do grupo no que diz respeito à alta escolaridade e à renda, que pode não ser a realidade de outros grupos de idosos, e o fato de a amostra ter sido por conveniência, pois os idosos que participam desses programas podem ter características distintas daqueles que não participam.

É necessária a realização de novos estudos a fim de explorar a associação entre qualidade de vida, sintomas depressivos e tempo de participação em universidades para a terceira idade, devido à escassez de literatura com dados sobre os efeitos resultantes da participação de idosos nesses programas.

 

Considerações Finais

O tempo de participação na UNITI superior a um ano apontou para uma associação entre menor intensidade de sintomas depressivos e melhor percepção de qualidade de vida nos domínios físico, psicológico e social.

Outros estudos são sugeridos a fim de confirmar ou levantar outras hipóteses a respeito de quais variáveis podem estar relacionadas à participação em uma universidade para a terceira idade. Novas pesquisas poderão auxiliar no desenvolvimento de políticas educacionais que resultem em programas voltados ao público idoso.

 

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Recebido em: 5/1/2007
Versão final reapresentada em: 23/8/2007
Aprovado em: 11/3/2008

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