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Estudos de Psicologia (Campinas)

Print version ISSN 0103-166X

Estud. psicol. (Campinas) vol.32 no.2 Campinas April/June 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0103-166X2015000200011 

Seção Especial Temática: Coping E Autorregulação

Teoria Motivacional do Coping: uma proposta desenvolvimentista de análise do enfrentamento do estresse

Motivational Theory of Coping: A developmental proposal for the analysis of coping with stress

Fabiana Pinheiro Ramos 1  

Sônia Regina Fiorim Enumo 2  

Kely Maria Pereira de Paula 3  

1Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Psicologia. Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, 29075-910, Vitória, ES, Brasil

2Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Centro de Ciências da Vida, Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Campinas, SP, Brasil

3Universidade Federal do Espírito Santo, Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Vitória, ES, Brasil

RESUMO

A Teoria Motivacional do Coping é uma proposta desenvolvimentista recente de análise do enfrentamento do estresse relacionada à abordagem do coping como ação regulatória. Qualquer evento pode ser percebido como estressante na medida em que desafie ou ameace as necessidades psicológicas básicas de relacionamento, competência e autonomia. Essa teoria propõe um sistema de análise a partir da organização das estratégias de enfrentamento em 12 categorias, segundo seu provável desfecho adaptativo: (a) positivo: autoconfiança, busca de suporte, resolução de problemas, busca de informações, acomodação e negociação; e (b) negativo: delegação, isolamento, desamparo, fuga, submissão e oposição. A utilização desse sistema na análise do coping infantil permite identificar padrões de enfrentamento relacionados à idade, bem como possibilita avaliar o papel das mudanças desenvolvimentais no uso de determinadas estratégias, contribuindo, assim, para a análise da evolução do coping ao longo da infância.

Palavras-Chave: Coping; Saúde mental; Estresse

ABSTRACT

Coping Motivational Theory is a recent developmental research designed to analyze the coping with stress related to the coping approach as a regulatory action. Any event may be perceived as stressful as it challenges or threatens the basic psychological needs of relationships, competence and autonomy. This theory proposes an analysis system based on the organization of coping strategies into 12 categories according to their probable adaptation outcome: (a) positive: self-confidence, search for support, problem resolution, search for information, accommodation and negotiation; and (b) negative: delegation, isolation, hopelessness, escape, submission and opposition. The use of this system in the analysis of children's coping allows us to identify patterns of coping related to age, as well as to evaluate the role of developmental changes in the use of specific strategies, thus contributing to the analysis of the evolution of coping throughout childhood.

Key words: Coping; Mental health; Stress

O estresse e os eventos negativos da vida nem sempre trazem resultados danosos para a saúde física e mental dos indivíduos, apesar de estudos mostrarem relações claras entre estressores, como luto, e morbidade ou mortalidade; estressedo cuidador e efeitos deletérios sobre o funcionamento imunológico; e entre emoções, como raiva e hostilidade, e danos no sistema cardiovascular (Folkman, 2011a). As diferentes consequências do estresse para os indivíduos seriam, em parte, explicadas por processos de coping (Aldwin, 2009; Folkman, 2011b; Skinner & Wellborn, 1994) - termo do original em inglês, que tem sido traduzido para o português por processo de enfrentamento ou enfrentamento, significando lidar com (Antoniazzi, Dell'Aglio, & Bandeira, 1998).

O estudo das estratégias de enfrentamento de situações adversas é fundamental por permitir explicar os mecanismos psicológicos envolvidos na superação das adversidades e na construção de trajetórias de desenvolvimento saudáveis, e por embasar estudos no campo da resiliência, do bem-estar e da qualidade de vida (Compas, 2006). Além disso, contribui para a compreensão dos fatores envolvidos nos desfechos menos favoráveis de eventos estressantes, incluindo as psicopatologias (Aldwin, 2009; Folkman, 2011a; Rutter, 2007).

A relação entre estresse, enfrentamento e saúde física e mental tem sido estudada nas duas últimas décadas, exigindo uma perspectiva multi-disciplinar, com foco na relação entre o enfrentamento do estresse e suas consequências de curto e longo prazo (Compas, Connor-Smith, Saltzman, Thomsen, & Wadsworth, 2001; Folkman, 2011a). Nesse contexto, tem tido destaque a compreensão da maneira como o indivíduo enfrenta o estresse e como isso influencia no seu desfecho adaptativo (Aldwin, 2009). Assim, a vulnerabilidade ao estresse deve ser compreendida por meio da avaliação das estratégias de enfrentamento que o indivíduo usa para se adaptar às situações estressantes (Aldwin, 2011).

Ao longo da evolução do campo de estudos sobre coping, diferentes modelos teóricos de conceituação, interpretação e avaliação do fenômeno têm sido propostos pela Psicologia, podendo ser agrupados em três grandes abordagens: (a) copingcomo estilos hierárquicos e centrados em mecanismos de defesa e estilos de personalidade, em uma abordagem psicodinâmica; (b) coping como processo de interação indivíduo-ambiente ou perspectiva cognitiva do coping; e (c) coping como ação regulatória, em uma perspectiva desenvolvimentista (Aldwin, 2009; 2011; Compas, 1987; Folkman, 2011a; Lazarus, 1993a; Skinner & Wellborn, 1994). Considerando que a abordagem do coping como ação regulatória é menos conhecida, especialmente no País, este trabalho apresenta a Teoria Motivacional do Coping (TMC), uma das propostas de entendimento do coping como autorregulação, e discute suas principais contribuições para a área do enfrentamento.

Breve histórico do estudo do coping

Inicialmente, nas décadas de 1960 e 1970 do século XX, o coping foi concebido como estilos hierárquicos por autores da Psicologia do Ego, como Menninger, Haan e Vaillant (Antoniazzi et al., 1998; Lazarus & Folkman, 1984). Baseados na formulação psicanalítica do desenvolvimento humano e utilizando o conceito de mecanismo de defesa, tais autores enfatizavam o grau de maturidade ou imaturidade no uso de uma determinada estratégia de enfrentamento. Adotou-se, assim, uma visão estrutural do coping, que incluiria desde comportamentos mais adaptativos ou saudáveis até defesas neuróticas e psicóticas, com destaque para os traços de personalidade (Aldwin, 2011; Folkman, 2011a).

A perspectiva hierárquica ou psicodinâmica do coping sofreu inúmeras críticas (Antoniazzi et al., 1998; Lazarus, 1993b) como: (a) a falta de consistência geral dos traços de personalidade (por se apoiar em noções preconcebidas sobre saúde ou patologia); (b) confusão entre o enfrentamento e seus resultados; e (c) subestimação do papel dos fatores situacionais e culturais no enfrentamento. Assim, por essa perspectiva, o enfrentamento não era analisado como um processo em que as respostas de coping poderiam mudar ao longo do tempo ou de acordo com o contexto situacional, e sim como um estilo, relativamente estável, do indivíduo (Lazarus & Folkman, 1984).

Uma segunda abordagem para a compreensão do coping surgiu na década de 1960, com o livro seminal de Lazarus (1966) "Psychological Stress and Coping Process". Esse autor apresentou uma nova proposta que procurava entender o coping como um processo resultante de uma transação entre o indivíduo e o ambiente, buscando seus determinantes situacionais e cognitivos. Denominado modelo integrativo do estresse e coping, também conhecido como modelo cognitivo do estresse ecoping ou ainda como perspectiva cognitiva do coping, o trabalho de Lazarus e colaboradores tem predominado na área desde então (Folkman, 2011a; Folkman & Lazarus, 1985; Folkman & Moskowitz, 2004; Lazarus & Folkman, 1984).

O coping foi definido nessa perspectiva cognitiva como:

Mudanças constantes nos esforços, cognitivos e comportamentais, utilizado pelos indivíduos com objetivo de lidar com demandas específicas, internas ou externas, que são avaliadas como sobrecarregando ou excedendo seus recursos pessoais (Lazarus & Folkman, 1984, p.141, tradução nossa).

O coping seria um tipo de processo adaptativo que faria a mediação de uma relação pessoa-ambiente vista como estressante, sendo que o processo de avaliação cognitiva explicaria as diferenças individuais e grupais na vulnerabilidade a eventos estressores.

Lazarus e Folkman (1984) dividiram o coping, inicialmente, em duas categorias funcionais: (a) Enfrentamento focalizado na emoção, que visaria à regulação da perturbação emocional (no nível somático ou de alívio de sentimentos) e envolveria mudanças no significado da situação, sem mudança na situação objetiva, sendo preferencialmente utilizado em situações percebidas como inalteráveis; e (b) Enfrentamento focalizado no problema, que objetivaria gerir o problema que se encontra na gênese da perturbação do sujeito, buscando controlar ou alterar a situação que originou o estresse. Ambas as formas de enfrentamento seriam utilizadas em todos os episódios de enfrentamento de estressores, e qualquer ação ou pensamento poderia ter mais de uma função dependendo do contexto no qual o enfrentamento acontecesse (Folkman & Lazarus, 1985).

Para avaliar o enfrentamento, esses autores (Folkman & Lazarus, 1985) propuseram a "Ways of coping checklist", um dos principais instrumentos da área, ainda referência na avaliação das estratégias de enfrentamento, e que contribuiu para a popularização dessa perspectiva teórica. Tal instrumento sofreu diversas adaptações, inclusive para o português brasileiro (Savóia, 1999; Seidl, Trócolli, & Zannon, 2001; Vitaliano, Russo, Carr, Maiuro, & Becker, 1985).

Na ausência de modelos específicos que explicassem o processo de copinginfantil naquele momento, o modelo de Lazarus e Folkman (1984), desenvolvido inicialmente para adultos, foi utilizado como referência teórica em várias investigações sobre o enfrentamento em crianças e adolescentes (Compas, 1987). Apesar de Folkman e Lazarus, (1980) e Lazarus e DeLongis, (1983) discorrerem sobre as mudanças no enfrentamento ao longo do processo de envelhecimento, desde os anos 1980, não analisaram o coping na infância e na adolescência, nem suas transformações ao longo do desenvolvimento (Motta & Enumo, 2004).

Historicamente, a proposta de Lazarus e Folkman (1984) foi a que apresentou maior impacto na área e foi relevante por modificar a tradição do estudo do enfrentamento baseado no estilo ou traço de personalidade, passando a ser visto como um processo. Tal avanço foi, para a época, a chave para a ampliação do campo de pesquisas do fenômeno; mas, apesar disso, a proposta original de Lazarus e Folkman (1984) recebeu críticas no que se refere à definição do coping como envolvendo apenas as respostas que requerem esforço consciente (Skinner, Edge, Altman, & Sherwood, 2003), e por não abordar aspectos desenvolvimentais do enfrentamento (Compas, 1987; Compas et al., 2001).

A classificação do coping nas categorias de focalização no problema e na emoção, tal como postulada pelos autores (Lazarus & Folkman, 1984), também sofreu críticas. Posteriormente, outras categorias foram incluídas na análise do enfrentamento, tais como coping orientado para o futuro, religioso e espiritual, e interpessoal, com reflexos importantes na elaboração de instrumentos de avaliação do enfrentamento (Folkman, 2011b). Além disso, a proposta também evoluiu ao incluir na análise do enfrentamento aspectos relativos ao processo de regulação emocional (Lazarus, 1993a; 1993b), que passou a ser a ênfase das perspectivas de estudo do enfrentamento que surgiram a partir da década de 1990 (Compas et al., 2001).

Com o crescente interesse no processo de resiliência relacionado ao estresse, emergiu uma terceira perspectiva teórica, que entende o coping como ação regulatória, no contexto da qual se destaca a Teoria Motivacional do Coping, de Ellen Skinner e colaboradores (Skinner, 1992; 1999; 2007; Skinner et al., 2003; Skinner & Edge, 2002a; 2002b; Skinner & Wellborn, 1994; 1997; Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007; 2009; Zimmer-Gembeck & Skinner, 2008; 2009; 2011), com contribuições dos estudos de Compas (1987; 2006), Compas et al. (2001), Compas, Malcarne e Banez (1992) e Compas, Malcarne e Fondacaro (1988) sobre aspectos do enfrentamento em crianças e adolescentes. A TMC, uma perspectiva motivacional e desenvolvimentista de análise do coping, tem-se expandido nas últimas décadas (Aldwin, 2009; 2011; Lodge, 2006), e seus principais pressupostos serão apresentados em detalhes a seguir.

O coping como ação regulatória e a Teoria Motivacional do Coping

A proposição do coping como ação regulatória tem por base os estudos sobre a autorregulação, que consiste na capacidade de monitorar o próprio comportamento em resposta a diferentes demandas situacionais, a partir do conhecimento de si mesmo e do contexto (Sameroff, 2009). O coping como ação regulatória se vincula mais especificamente à autorregulação emocional, uma competência desenvolvida particularmente nos seis primeiros anos de vida da criança, que envolve a capacidade de ajustar respostas afetivas, de atenção e de comportamento motor voluntário, de forma dirigida ao alcance de objetivos (Klein, Gaspardo, & Linhares, 2011).

O coping é entendido pela TMC como ação regulatória, sendo que o termo ação se refere a padrões organizados de comportamento, emoção, atenção e motivação, também chamados de esquemas de ação (Zimmer-Gembeck & Skinner, 2009). Para Skinner (1999), a abordagem da ação nem sempre foi mencionada pelas teorias anteriores do coping, mas é consistente com a maior parte delas, indicando que sua proposta não representa, necessariamente, uma ruptura com a proposta anterior de compreensão do fenômeno de Lazarus e Folkman (1984), mas, sim, uma ampliação.

O coping é desencadeado, para a TMC, quando uma dada experiência é percebida pelo sujeito como ameaça ou desafio a alguma de suas necessidades psicológicas básicas ou a várias delas, quais sejam: (a) necessidade de relacionamento: refere-se a ter relacionamentos próximos com outras pessoas e sentir-se conectado a outros de forma segura, e à necessidade de se experimentar como valoroso e capaz de amar (autoestima); (b) necessidade de competência: diz respeito a ser efetivo em interações com o ambiente, alcançando resultados positivos e evitando os negativos; e (c) necessidade de autonomia: relaciona-se à livre determinação do curso de ação dos eventos, ou seja, à capacidade de escolha (Skinner & Wellborn, 1994). Nessa teoria, tais necessidades são entendidas como universais, inatas e de valor evolutivo adaptativo (Skinner, 1999; Skinner & Edge, 2002b; Skinner & Wellborn, 1994), com base nos pressupostos do modelo motivacional de Deci e Ryan (1985). O coping engloba, portanto, os esforços individuais para manter, restaurar ou reparar as necessidades psicológicas básicas de relacionamento, competência e autonomia.

A avaliação cognitiva da situação é fundamental para sua interpretação como evento estressor, e é construída pelas demandas do evento e pelos recursos pessoais e sociais que cada indivíduo traz (Skinner, 1999), podendo ser, de acordo com Skinner e Wellborn (1994), uma avaliação de dano, ameaça ou desafio, conforme já apontado por Lazarus e Folkman (1984). Dano se refere ao prejuízo ou perda que já ocorreu; ameaça é a antecipação de um dano iminente; e desafio ocorre quando a pessoa se sente ou se percebe confiante para dominar a situação estressora (Lazarus & Folkman, 1984). Esses três tipos de percepção do estressor relacionam-se a diferentes emoções, mostrando a vinculação entre esses dois aspectos (percepção e emoção) na análise do enfrentamento.

A partir dessa conceituação teórica sobre o processo de enfrentamento, os autores da TMC propuseram um sistema estrutural e hierárquico, com distinção de níveis em que as respostas de coping, as estratégias de enfrentamento e o processo adaptativo se relacionam. Tal sistema baseia-se em categorias mais amplas de coping, as chamadas "famílias" de enfrentamento, que organizam as estratégias de acordo com a emoção e a orientação motivacional a elas associadas, bem como sua funcionalidade.

Sistema hierárquico do coping

Na base do sistema hierárquico de análise do enfrentamento, estão as instâncias de coping ou comportamentos de coping, que são as respostas do indivíduo (aquilo que ele faz ou pensa) ao lidar com situações estressantes. Esse nível corresponde, em geral, aos comportamentos descritos nas escalas e instrumentos de autorrelato, que avaliam os comportamentos de copingem situações reais. Acima desse nível estão as estratégias de enfrentamento, uma categorização dos comportamentos de coping a partir de seu propósito, significado ou valor funcional. Já no nível mais alto da hierarquia de enfrentamento, estão as famílias de coping, que são classificações das estratégias de enfrentamento que fazem a ligação com os processos adaptativos, e que são multidimensionais e multifuncionais (Skinner et al., 2003).

A noção de família de coping permite que diferentes estratégias de enfrentamento sejam consideradas como participantes de um mesmo grupo, com base em características comuns. Assim, por exemplo, descrições como: "Eu tentei fazer um plano de ação para seguilo" ou "Tentei encontrar diferentes soluções para o meu problema" seriam exemplos de comportamentos de coping que poderiam ser agrupados em uma estratégia de enfrentamento, denominada planejar estratégias, que, por sua vez, pertenceria à família de coping de resolução de problemas. Tal família de coping estaria relacionada ao processo adaptativo, pois permitiria ao indivíduo levantar ferramentas para lidar efetivamente com o estressor e modificá-lo.

Todos os membros da mesma família têm em comum um tipo particular de avaliação e um padrão típico de comportamento, emoção e orientação que caracterizam uma tendência de ação. Assim, as estratégias de enfrentamento, que são potencialmente infinitas, dependendo das características específicas de um evento estressor, podem ser alocadas em um número finito de categorias que sejam significativas - no caso, 12 famílias (Skinner et al., 2003).

No sistema proposto pela TMC, cada família de enfrentamento se relaciona a uma das três necessidades básicas (relacionamento, competência ou autonomia), a um tipo de processo adaptativo, e à avaliação do estressor como ameaça ou desafio, tanto ao self (si mesmo) como ao contexto (Skinner et al., 2003). Tal sistema pode ser visto na Tabela 1.

Tabela 1  Famílias de coping e suas relações com avaliação do estressor, necessidades básicas e processos adaptativos  

Família de coping Avaliação do estressor Necessidade básica Processo adaptativo
Autoconfiança Desafio ao self
Busca de suporte Desafio ao contexto Relacionamento Coordenar a confiança e os recursos sociais disponíveis.
Delegação Ameaça ao self
Isolamento Ameaça ao contexto
Resolução de problemas Desafio ao self
Busca de informações Desafio ao contexto Competência Coordenar ações e contingências no ambiente.
Desamparo Ameaça ao self
Fuga Ameaça ao contexto
Acomodação Desafio ao self
Negociação Desafio ao contexto Autonomia Coordenar preferências e opções disponíveis.
Submissão Ameaça ao self
Oposição Ameaça ao contexto

Nota: Baseado em Skinner e Zimmer-Gembeck (2007; 2009), Skinner et al. (2003) e Zimmer-Gembeck e Skinner (2008).

O primeiro conjunto de famílias é organizado em termos de desafio ou ameaça ao relacionamento, e envolve a avaliação da disponibilidade (ou falta) de outros em quem confiar. Engloba também a necessidade de se sentir seguramente conectado a outros e a necessidade de experimentar a si mesmo como tendo valor e capacidade de amar. As famílias relacionadas às avaliações de desafio são autoconfiança e busca de suporte, e as famílias associadas à avaliação de ameaça incluem a delegação e o isolamento. O processo adaptativo que está em jogo é a coordenação da confiança e dos recursos sociais disponíveis (Skinner, 2007; Skinner et al., 2003; Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007).

O segundo conjunto de famílias de enfrentamento é organizado em torno dos desafios e ameaças à competência, e se refere à necessidade de interações efetivas com o ambiente, ou seja, de alcançar consequências positivas e evitar negativas. Na avaliação de desafio, têm-se as famílias de enfrentamento resolução de problemas e busca de informações; e na percepção de ameaça, tem-se desamparo e fuga. O processo adaptativo que está em jogo é a coordenação de ações e contingências (Skinner, 2007; Skinner et al., 2003; Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007).

O terceiro conjunto é organizado em torno dos desafios ou ameaças à Autonomia e contém a avaliação das oportunidades (ou ameaças) de ação autodeterminada e controle, ou seja, a possibilidade de fazer escolhas nas interações com o ambiente. No par evocado pelas avaliações de desafio, tem-se acomodação e negociação e, no par evocado pela avaliação de ameaça, estão a submissão e a oposição. O processo adaptativo que está em jogo é a coordenação de preferências e opções disponíveis (Skinner, 2007; Skinner et al., 2003; Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007).

O sistema das 12 famílias de enfrentamento proposto pelos autores (Skinner, 2007; Skinner et al., 2003; Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007) apresenta, além dos comportamentos observados em cada família de coping, as emoções a ela relacionadas e as tendências de rota de ação do sujeito. Cada família pode, portanto, ser analisada em termos de seus comportamentos típicos, da emoção associada e da orientação motivacional, englobando inúmeras estratégias de enfrentamento.

Os resultados do enfrentamento - seu desfecho adaptativo positivo ou negativo -, referem-se às consequências para a saúde física e mental do indivíduo, no médio e no longo prazo. Assim, na TMC, seis famílias estariam associadas a um provável resultado ou desfecho desenvolvimental positivo (autoconfiança, busca de suporte, resolução de problemas, busca de informações, acomodação e negociação), e outras seis ao estresse negativo (delegação, isolamento, desamparo, fuga, submissão e oposição) ou a respostas que provavelmente resultariam em danos à saúde (Skinner, 2007; Skinner et al., 2003; Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007).

A proposição desse sistema hierárquico de análise em 12 famílias de enfrentamento baseou-se em um estudo de revisão da classificação das estratégias de enfrentamento, realizado por Skinner et al. (2003) em 100 trabalhos publicados em língua inglesa, nos quais foram identificadas mais de 400 categorias de coping. Dentre elas, foram selecionadas as categorias centrais que atenderam a sete critérios básicos para uma boa categorização: (a) a definição da categoria é clara; (b) as categorias são mutuamente exclusivas; (c) o conjunto de categorias é compreensivo ou exaustivo (refere-se à estrutura da categoria); (d) cada categoria é funcionalmente homogênea; (e) as categorias são funcionalmente distintas entre si (refere-se às funções do coping); (f) as categorias são produtivas; e (g) as categorias são flexíveis, isto é, podem ser aplicadas a vários estressores, contextos e níveis de idade. A relação dessas 12 famílias com os resultados do enfrentamento (prováveis consequências adaptativas positivas ou negativas) também foi baseada nessa revisão (Skinner et al., 2003).

Aspectos desenvolvimentistas da Teoria Motivacional do Coping e pesquisas empíricas

O modelo das 12 famílias de enfrentamento consegue, segundo Skinner e Zimmer-Gembeck (2007), captar o espectro de desenvolvimento do coping nas diferentes idades, a partir da avaliação de como cada uma dessas famílias se manifesta em diferentes níveis de desenvolvimento. Inicialmente, do nascimento aos dois anos de idade, o coping seria composto basicamente de reflexos que formam a base dos esquemas de ação; já nas crianças pré-escolares (2 a 5 anos de idade), haveria um aumento da habilidade de regular o ambiente por meio do desenvolvimento de habilidades motoras e linguísticas que permitiriam o surgimento de estratégias rudimentares de solução de problemas e também de busca de informações e fuga (Skinner & Zimmer-Gembeck, 2009).

O uso de estratégias cognitivas para enfrentamento do estresse, como as pertencentes à família de acomodação (distração cognitiva, minimização e aceitação, por exemplo), só emergiriam mais tardiamente na infância (a partir dos 6 anos), uma vez que dependem do próprio desenvolvimento cognitivo da criança. As estratégias de busca de suporte, por sua vez, seriam as mais frequentes em todas as idades, com progressivo aumento fora do ambiente familiar à medida que a criança fica mais velha. Já na adolescência, as estratégias de resolução de problemas seriam mais frequentes que a busca de suporte (Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007).

Abordar o enfrentamento a partir de uma perspectiva desenvolvimentista é uma das vantagens teóricas da proposta do coping como ação regulatória, e da TMC (Lees, 2007). A TMC é considerada, segundo Aldwin (2011), como "a mais compreensiva teoria do desenvolvimento das estratégias de enfrentamento na infância" (p.23, tradução nossa), pois permite identificar padrões de enfrentamento relacionados à idade, bem como mapear mudanças em sistemas cognitivos e emocionais em desenvolvimento e seu impacto no uso de determinadas estratégias de enfrentamento.

O sistema de análise do coping em 12 famílias de enfrentamento tem sido utilizado em diversas pesquisas internacionais (Beers, 2012; Kramer & Drapeau, 2009; Lees, 2007; Skinner & Edge, 2002a; Snyder, 2011; Zimmer-Gembeck, Lees, Bradley, & Skinner, 2009; Zimmer-Gembeck, Lees, & Skinner, 2011; Zimmer-Gembeck & Skinner, 2008) e nacionais (Carnier, 2010; Garioli, 2011; Moraes & Enumo, 2008; Motta & Enumo, 2010; Oliveira, 2013; Oliveira, Enumo, & Paula, 2013; Ramos, 2012; Ramos et al., 2011), demonstrando seu valor empírico na avaliação do coping infantil. Os autores da TMC têm elaborado instrumentos para avaliação: do coping em crianças (Skinner & Wellborn, 1997); da percepção de controle (Skinner, Chapman, & Baltes, 1988; Wellborn, Connell, & Skinner, 1989); do engajamento do aluno em sala de aula (Marchand & Skinner, 2007; Skinner, Kindermann, & Furrer, 2009); e da interação pais-crianças (Skinner, Johnson, & Snyder, 2005).

Skinner e Edge (2002a) realizaram, por exemplo, uma pesquisa longitudinal, durante três anos, com 1.600 crianças, investigando o efeito do suporte parental no coping infantil e os efeitos recíprocos do coping infantil nas mudanças no suporte parental, demonstrando a viabilidade do sistema de análise baseado nas 12 famílias de enfrentamento. O mesmo sistema de categorias também foi utilizado por Zimmer-Gembeck e Skinner (2011), em uma metanálise de 58 pesquisas sobre coping, mostrando as mudanças desenvolvimentais nas estratégias de enfrentamento de crianças de diferentes grupos etários. As autoras enfatizaram os aspectos normativos do desenvolvimento do coping, destacando as estratégias tipicamente utilizadas pelas crianças e adolescentes em diferentes idades.

Outro exemplo de aplicação das 12 famílias de enfrentamento foi feito por Lees (2007), que elaborou a Motivational Theory of Coping Scale - 12, aplicada em crianças de diferentes idades e sexos, após assistirem a pequenos vídeos com situações potencialmente estressoras. As respostas de coping da criança, bem como as medidas de temperamento e as formas de enfrentamento dos pais foram correlacionadas às reações de estresse da criança e suas avaliações acerca do evento estressante. A pesquisa gerou outros trabalhos que também demonstraram a viabilidade do sistema de 12 categorias (Zimmer-Gembeck et al., 2009; Zimmer--Gembeck et al., 2011).

Já no Brasil, a partir do trabalho de Motta (2007) e Motta & Enumo, (2010) sobre o enfrentamento da hospitalização em crianças com câncer, pesquisas têm sido realizadas usando esse modelo teórico-metodológico, especificamente avaliando as estratégias de enfrentamento de crianças em situação de hospitalização por razões diversas (Carnier, 2010; Moraes & Enumo, 2008). Motta e Enumo (2010) basearam-se no sistema das 12 famílias de coping ao analisar o enfrentamento da hospitalização em crianças com câncer, por meio do instrumento de Avaliação do Enfrentamento da Hospitalização (AEH). Tal avaliação, com enfoque na TMC, subsidiou a elaboração de um programa de intervenção psicológica lúdica para alteração das estratégias de enfrentamento dessa população. Esse procedimento foi feito por Oliveira (2013) e Oliveira et al. (2013), na avaliação e intervenção psicológica com crianças com Anemia Falciforme.

Ramos (2012) e Ramos et al. (2011) também utilizaram esse sistema das 12 famílias para avaliar o enfrentamento da hospitalização por mães de bebês prematuros e com baixo peso, internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, a partir de entrevistas, questionários e outros instrumentos de avaliação, evidenciando a viabilidade de utilização desse sistema também em adultos. Demonstrou-se que, na ausência de um instrumento especificamente delineado a partir das proposições da TMC e validado para a população brasileira, o sistema das 12 famílias pode ser utilizado para a análise do enfrentamento com dados coletados por diferentes medidas (entrevistas, questionários e escalas de autorrelato, por exemplo), cuja funcionalidade pode ser posteriormente identificada nas categorias propostas por Skinner et al. (2003).

Teoria Motivacional do Coping:

análises e conclusões

O sistema de análise nas 12 famílias de enfrentamento proposto por Skinner et al. (2003) pode contribuir para o avanço teórico da área na medida em que um número potencialmente infinito de estratégias de enfrentamento pode ser agrupado em poucas categorias, facilitando a comparação de estudos com diferentes populações, estressores e contextos. Além disso, esse sistema proposto por Skinner (2007), Skinner et al. (2003) e Skinner & Zimmer-Gembeck (2007) consegue fazer a adequada diferenciação entre as estratégias de enfrentamento e os resultados do enfrentamento, um dos grandes desafios da área, dado o uso intercambiável e às vezes confuso dos dois conceitos (Aldwin, 2009; 2011). Essa é uma importante contribuição teórica da TMC, na medida em que permite analisar a vinculação das estratégias de enfrentamento com seus prováveis efeitos na saúde dos indivíduos.

Outro mérito da proposta de Skinner e colaboradores (Skinner, 2007; Skinner et al. 2003; Skinner & Zimmer-Gembeck, 2007) é fazer a ligação do enfrentamento com os processos adaptativos, segundo Less (2007) e Lodge (2006), pois, para esses autores, as estratégias de enfrentamento não são simplesmente uma lista de ações que as pessoas fazem em tempos de dificuldade. Sua taxonomia reflete processos adaptativos, que levam a diferentes efeitos do estresse no funcionamento e adaptação do indivíduo, envolvendo risco, resiliência e competência (Skinner, 2007). Assim, o sistema proposto por esses autores apresenta um avanço, do ponto de vista teórico, ao explicitar a relação das estratégias de enfrentamento com suas funções adaptativas, e suas prováveis consequências.

Apesar de a abordagem cognitivista ter predominado no estudo do coping nos últimos 30 anos (Folkman, 2011a), a perspectiva desenvolvimentista, com uma base estrutural e hierárquica de análise do enfrentamento, proposta por Skinner et al. (2003), pode ser considerada como um modelo mais ampliado no que se refere à proposição das 12 famílias de enfrentamento. A TMC contribui, não só para a análise da evolução do coping ao longo da infância, mas também permite explicar o fenômeno do coping de forma mais abrangente, da infância até a vida adulta. Novas pesquisas poderão confirmar as vantagens teóricas e metodológicas da adoção desse modelo, que pode contribuir para o progresso da pesquisa na área do enfrentamento, e para o avanço dos estudos que vinculam o estresse e o enfrentamento à resiliência e à saúde, particularmente na análise do coping infantil.

Referências

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O artigo foi elaborado a partir da tese de F.P. RAMOS, intitulada: "Uma proposta de análise do coping no contexto de grupo de mães de bebês prematuros e com baixo peso na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal". Universidade Federal do Espírito Santo, 2012.

Apoio: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Processo nº 142308/2009-9) e (Processo nº 303717/2009-4).

Recebido: 29 de Maio de 2013; Revisado: 20 de Setembro de 2013; Aceito: 13 de Novembro de 2013

Correspondência para/ Correspondence to : F.P. RAMOS. E-mail: <fabiana.pinheiro.ramos@gmail.com>.

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