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Estudos de Psicologia (Campinas)

versão On-line ISSN 1982-0275

Estud. psicol. (Campinas) vol.34 no.1 Campinas jan./mar. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1982-02752017000100015 

PSICOLOGIA DA SAÚDE

A cognição social dos psicopatas: achados científicos recentes

Social cognition in psychopaths: Recent scientific findings

Silvio José Lemos VASCONCELLOS1 

Roberta SALVADOR-SILVA2 

Fernanda de VARGAS1 

Fernanda Xavier HOFFMEISTER1 

Priscila Flores PRATES1 

Renan Meirelles da SILVA1 

1Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde. R. Floriano Peixoto, 1750, 3º andar, Sala 313, 97015-372, Centro, Santa Maria, RS, Brasil.

2Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Faculdade de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Porto Alegre, RS, Brasil.

Resumo

O psicopata apresenta traços na personalidade relacionados à ausência de remorso e uma maior dominância social, expressos muitas vezes como manipulação de outros indivíduos. Em estudos atuais sugere-se que psicopatas podem apresentar deficiências no processamento de estímulos emocionais em uma situação de interação social. Este estudo tem por objetivo realizar uma revisão teórica, não sistemática, discutindo pesquisas recentes sobre o tema. A partir da leitura, conclui-se que novas considerações revelam-se pertinentes, pois nem sempre o tipo de disfunção da cognição social dos psicopatas é explícito na literatura. Sugere-se que outros métodos para avaliar a capacidade dos psicopatas em identificar as emoções possam ser investigadas, além de identificar a medida das estratégias interpessoais. Em termos gerais, apresenta-se uma proposta de reflexão para um transtorno cuja compreensão etiológica deve ser biopsicossocial, contribuindo para assinalar novas direções nas pesquisas voltadas para a cognição social dos psicopatas.

Palavras-chave: Cognição social; Emoções; Personalidade; Personalidade antissocial; Relações interpessoais

Abstract

Psychopaths have personality traits related to the failure to feel remorse and greater social dominance, which are often expressed in their manipulation of others. Current studies have suggested that psychopaths may have deficiencies in processing emotional stimuli in situations of social interaction. The objective of this study is to conduct a literature review and discuss recent research on this topic. Based on the studies reviewed, it can be said that new considerations are important since the type of social cognition impairment in psychopaths is not commonly addressed in the literature. It is suggested the use of different methods to evaluate the ability of psychopaths to identify emotions that can be investigated in addition to identifying the measure of interpersonal strategies. Overall, the present study proposes a reflection upon a disorder whose etiology should be understood from a biopsychosocial perspective, contributing to new directions in research on social cognition in psychopaths.

Keywords :  Social cognition; Emotions; Personality; Antisocial personality; Interpersonal relations

A psicopatia pode ser entendida como um conjunto de traços de personalidade relacionados à ausência de remorso, baixa empatia, impulsi-vidade, busca por estimulação, além de uma maior dominância social, cuja expressão pode se dar a partir da capacidade de manipular outros indivíduos (Hauck Filho, Teixeira, & Dias, 2012; Patrick, Fowles, & Krueger, 2009). Características desse tipo já fo-ram, em outras épocas, consideradas por propo-nentes de construtos que se assemelham ao atual conceito de psicopatia, a exemplo de denominações como loucura moral ou mania sem delírio (Pinel, 2007). Essa última denominação, conforme Pinel, descreve indivíduos que não apresentariam lesões intelectuais, mas apenas afetivas, apresentando ain-da um furor instintivo e uma maior propensão à violência (Pinel, 2007). Aproximações conceituais dessa natureza, bem como considerações sobre o trabalho de autores mais recentes que se apoiam no uso das escalas que avaliam o transtorno, per-mitem considerar que a própria capacidade de manipulação no contexto interpessoal pode estar no cerne do quadro.

Estudos atuais, no entanto, sugerem que psi-copatas também podem apresentar deficiências específicas no que se refere ao processamento de estímulos emocionais em uma situação de interação social. Deficits na chamada cognição social que, por sua vez, abarca a capacidade de processar e pon-derar informações sociais podem, nesse sentido, estar presentes como um elemento constitutivo do quadro (Flavell, Miller, & Miller, 1999). Uma menor capacidade para identificar expressões faciais que explicitam emoções negativas tem sido, por exem-plo, verificada em psicopatas quando comparados a grupo controle (Sharp & Vanwoerden, 2014; Vasconcellos, Salvador-Silva, Dias, Davoglio, & Gauer, 2014a). Achados indicando um proces-samento deficitário em indivíduos que ainda não apresentam o transtorno plenamente consolidado também têm sido verificados em maior ou menor grau na literatura científica sobre o tema (Blair, Colledge, Murray, & Mitchell, 2001).

Questionamentos sobre a coexistência des-ses mecanismos supostamente antagônicos mos-tram-se pertinentes para compreender a etiologia da psicopatia. Afinal, revela-se cabível perguntar como psicopatas podem ser, na maioria dos casos, manipuladores eficazes, sendo, ao mesmo tempo, processadores menos perspicazes no que diz res-peito a determinadas informações sociais de con-teúdo emocional. A explicação para esses achados supostamente paradoxais demanda uma análise aprofundada, bem como uma discussão embasada quanto às pesquisas recentes sobre o tema.

Dessa forma, entende-se que um artigo teórico pode viabilizar avanços sobre o entendi-mento desse construto, bem como subsidiar novas pesquisas nesse campo. Os autores do presente tra-balho postulam, nesse sentido, que uma discussão teórica dessa natureza revela-se adequada para elucidar pontos que podem, em um primeiro mo-mento, parecer obscuros ou mesmo cindidos quanto ao estado atual de conhecimento sobre o assunto. Faz-se necessário considerar, em termos científicos, esse aparente paradoxo. Entende-se ainda que explanações desse tipo revelam-se compatíveis com um artigo teórico sobre o tema, reservando um maior espaço para explicar o porquê da capacidade manipulativa dos psicopatas coexistir com deter-minadas deficiências de processamento. O presente trabalho visa, portanto, complementar estudos an-teriores e gerar avanços nessa área.

Para tanto, foi realizado um levantamento das publicações feitas nos últimos dez anos e in-dexadas no portal PsycInfo, por intermédio de uma busca feita com os descritores psychopathy e social cognition, bem como psychopathy e emotion. A partir disso, foram selecionados artigos abordando alterações no processamento de informações de conteúdo emocional em psicopatas, verificadas a partir de estudos experimentais envolvendo os processos psicológicos básicos. Essa revisão foi com-plementada a partir da busca de outros trabalhos voltados para o comportamento manipulativo associado ao transtorno e publicados no mesmo período.

Aspectos etiológicos e neurocognitivos da psicopatia

A psicopatia pode ser entendida como um transtorno cujas origens remetem a eventos neuro-biológicos e psicossociais relativos ao desenvol-vimento da personalidade. Isso significa dizer que as diferentes estruturas cerebrais verificadas como alteradas em psicopatas adultos revelam-se, no que se refere à suas regularidades funcionais, passíveis de manutenção ou modificação, conforme o próprio ambiente no qual o indivíduo se desenvolve (Perez, 2012). O considerável desenvolvimento volumétrico da amígdala cerebral até cerca de oito ou nove anos de idade, bem como o acréscimo de substância cinzenta que essa estrutura pode comportar em anos subsequentes (Uematsu et al., 2012), sugerem que fatores genéticos e ambientais podem interagir para a consolidação do transtorno na idade adulta (Fallon, 2006).

No que se refere às estruturas cerebrais en-volvidas, dois modelos explicativos revelam-se pro-missores para uma compreensão do quadro, ainda que o estado atual de conhecimento sobre o assunto não permita inferir qual deles verdadeiramente retrata o número exato de áreas relacionadas, em termos causais, à psicopatia. Os modelos decorren-tes dos trabalhos de Blair e Kiehl apregoam, indistintamente, que o sistema límbico, o qual com-porta um conjunto de regiões cerebrais envolvidas na utilização da informação emocional, exerce uma significativa influência para os sintomas da psico-patia (Anderson & Kiehl, 2012). O modelo de Blair, no entanto, possui maior ênfase nas disfunções amigdalares verificadas em psicopatas. A amígdala é conhecida como a "porta de entrada do sistema límbico" e permite formar associações entre as infor-mações ambientais processadas e o próprio estado emocional do organismo (Ramachandran, 1998). Já o Modelo da Disfunção Paralímbica proposto por Kiehl é mais abrangente e apoia-se nos pressupostos da citoarquitetura celular, mas não demonstra ser uma plena refutação do modelo anterior. Esse mo-delo considera fatores relativos à densidade, tipo e estrutura neuronal das regiões periféricas ao sistema límbico, bem como o papel das mesmas para o pro-cessamento de informações sociais (Kiehl, 2006). Nesses termos, estruturas como o giro temporal su-perior, cingulado anterior, cingulado posterior, cór-tex orbitofrontal, ínsula e regiões para-hipocampais são descritas como intervenientes nos sintomas afe-tivos, interpessoais e comportamentais da psicopatia (Ermer, Cope, Nyalakanti, Calhoun, & Kiehl, 2012).

A recente ênfase verificada nos trabalhos de Blair, quanto ao papel do córtex ventromedial, es-trutura contígua ao córtex orbitofrontal situada na extremidade inferior do lobo frontal e fortemente conectado à amígdala, também se encarrega de aproximar a compreensão neurocognitiva desses pesquisadores (Anderson & Kiehl, 2012; Blair et al., 2001). Na atualidade, pressupõe-se que o córtex orbital como um todo, a partir da sua estreita inter-face com a ínsula, pode estar mais envolvido em mapear experiências agradáveis ou desagradáveis. Já o córtex ventromedial permitiria uma avaliação mais direta quanto ao fato de o indivíduo estar obtendo o que deseja ou evitando o que não deseja; porém a linha divisória entre essas estruturas pode ser difusa, um fato que faz com que alguns autores optem por usar apenas a palavra orbital para des-crevê-las conjuntamente (Pinker, 2013).

No que se refere aos estudos de neuroima-gem, dados concordantes com a disfuncionalidade amigdalar verificada em psicopatas, ampliam a pos-sibilidade de que as diferentes facetas que perfazem o quadro possam ser mais bem compreendidas a partir de seus correlatos neurocognitivos. Um menor nível de ativação da amígdala tem sido verificado em psicopatas quando comparados a grupo con-trole diante da exposição de imagens de impacto emocional envolvendo a violação de normas morais (C.L. Harenski, Harenski, Shane, & Kiehl, 2010), bem como para o processamento de emoções negativas (Dollan & Fullam, 2009) e durante processo de con-dicionamento aversivo (Rilling et al., 2007). Altera-ções volumétricas, sugerindo um desenvolvimento atrofiado da amígdala também têm sido verificadas em psicopatas na literatura recente (Anderson & Kiehl, 2012).

De outro modo, considerando, por exemplo, o papel multimodal dos núcleos constituintes da amígdala, Boccardi et al. (2011) demonstraram que alterações morfológicas dessa estrutura em psico-patas parecem não ocorrer em uma única e mesma direção. Dito de outro modo, o trabalho em questão permitiu a identificação de alguns núcleos que se apresentam diminuídos, ao mesmo tempo que outros estariam aumentados em psicopatas. Nesses termos, os núcleos basolaterais, fortemente co-nectados com o córtex orbitofrontal e que exercem um importante papel na memória emocional e uma função reforçadora basilar para a introjeção de valo-res sociais (Paré, 2003) apresentam-se diminuídos em psicopatas (Boccardi et al., 2011). Já os núcleos centrais e laterais, envolvidos no circuito de de-tecção de ameaças, revelaram-se aumentados na amostra avaliada (Boccardi et al., 2011).

Embora achados nesse campo se demons-trem incipientes e embora o estudo de Boccardi et al. (2011) não tenha controlado a questão da co-morbidade com a dependência química, os dados sugerem que mecanismos diferentes podem, em termos de psicopatia, fundamentar-se na ocorrência concomitante de alterações neuroanatômicas e fun-cionais caracteristicamente distintas. Inferências desse tipo também podem ser estendidas para o modelo paralímbico de Kiehl, indicando a possibi-lidade de mecanismos compensatórios no que se refere à cognição social dos psicopatas, mas que, por certo, ainda demandam investigações mais aprofundadas.

A capacidade dos psicopatas identificarem emoções expressas pela face

Estudos recentes sugerem que os psicopatas apresentam uma capacidade diminuída quanto à identificação de determinadas emoções expressas pela face, quando comparados a grupo controle (Eisenbarth, Alpers, Segrè, Calogero, & Angrilli, 2008; Iria & Barbosa, 2009; Vasconcellos, Salvador--Silva, Gauer, & Gauer, 2014b). De um modo geral, tais deficiências têm sido encontradas principal-mente no que se refere ao processamento de emoções negativas. Nessa perspectiva, incluem-se estudos que evidenciaram deficits quanto à iden-tificação da emoção de medo (Blair et al., 2004; Del Gaizo & Falkenback, 2007; Iria & Barbosa, 2009; Montagne et al., 2005; Vasconcellos et al., 2014b); medo e tristeza (Blair & Coles, 2000; Blair et al., 2001; Stevens, Charman, & Blair, 2001) e repugnân-cia (Hansen, Johnsen, Waage, & Thayer, 2008; Kosson, Suchy, Mayer, & Libby, 2002).

Até o momento, constata-se que a maioria desses trabalhos vem utilizando o paradigma das seis emoções básicas e universais propostas nas pesquisas de Paul Ekman: medo, alegria, surpresa, raiva, repugnância e tristeza. Outras emoções, consi-deradas mais recentemente como fazendo parte do rol das emoções básicas, como a emoção de desprezo ou outras expressões capazes de traduzir emoções híbridas (mais de uma emoção sendo expressa ao mesmo tempo), não foram investigadas nos estudos sobre a capacidade de psicopatas iden-tificarem emoções expressas pela face.

Variações quanto aos métodos utilizados, incluindo o controle do tempo de exposição dos estímulos (imagens das expressões faciais) e a intensidade das expressões, também têm sido, mais recentemente, verificadas em estudos nesse campo (Vasconcellos et al., 2014a). No entanto, a maioria dos achados indica que pode existir uma deficiência de processamento emocional em psicopatas rela-cionadas à própria capacidade de decodificar emo-ções expressas pela face. O refinamento meto-dológico em tais pesquisas sugere ainda que essa deficiência pode ser bastante sutil, sendo que a sua detecção irá depender da acurácia das tarefas ela-boradas para esses mesmos fins (Vasconcellos et al., 2014a).

Constata-se, porém, que a simples existência de algum nível de deficiência, ainda que sutil e específico para determinadas emoções expressas pela face é, por si só, aparentemente pouco com-patível com a capacidade de manipulação que costuma caracterizar os psicopatas. Explicar, por-tanto, uma possível razão de ser desses achados é a proposta do presente artigo, conforme ficará evi-denciado na sequência deste trabalho. Ressalta--se, ainda, que essa mesma deficiência coaduna-se com estudos de neuroimagem anteriormente descritos, uma vez que o sistema límbico e, em termos ainda mais específicos, a amígdala, estão diretamente envolvidos nessa capacidade (Moul, Kilcross, & Dadds, 2012).

A manipulação e outras manifestações na esfera interpessoal

Evidências sobre o fato de a psicopatia abar-car um comprometimento na esfera interpessoal têm sido obtidas principalmente por intermédio da Psicometria. Nesse sentido, uma série de estudos com as escalas Hare, destacando-se dentre os mes-mos o Psychopath Checklist Revised (PCL-R; Hare, 2003), indicam que um dos fatores capazes de expressar um determinado traço latente do quadro envolve os sintomas interpessoais da psicopatia. Nesse mesmo instrumento, podem-se destacar, por exemplo, itens como manipulação, mentira patoló-gica e charme superficial.

Outros testes, a exemplo da Medida Inter-pessoal de Psicopatia (IM-P, Interpersonal Measure of Psychopathy) (Kosson, Steuerwald, Forth, & Kirkhart, 1997), também preconizam que psico-patas, em situações de interação social, tendem a valer-se de diferentes estratégias com o objetivo de persuadir e manipular seus interlocutores (Sal-vador-Silva, Vasconcellos, Davoglio, Gauer, & Kosson, 2012). Nessa escala, itens relacionados à postura corporal, à entonação da voz, ao modo pelo qual o entrevistado se dirige ao entrevistador, ao contato por intermédio do olhar, à dramaticidade e à perseveração no tema, dentre outros, são consi-derados para efeito de pontuação (Davoglio, Gauer, Vasconcellos, & Lühring, 2011). Tais manifestações estão, indubitavelmente, relacionadas a estratégias de manipulação que demandam um constante mo-nitoramento relacionado à expressão das próprias emoções, bem como à identificação das emoções provocadas no entrevistador.

Observa-se, no entanto, que poucos estudos mensuraram diretamente desempenhos mais espe-cíficos de psicopatas, no que se refere às estratégias verbais e não verbais presentes em situações de interação social. Um estudo identificou que psico-patas tendem a acentuar estratégias interpessoais como forma de despistar a atenção do seu inter-locutor diante das mentiras proferidas. Foi consta-tado, nesse grupo, maior movimento com a cabeça e fala mais rápida em situações de mentira deli-berada (Klaver, Lee, & Hart, 2007). Outro estudo utilizou uma ferramenta de análise linguística e identificou que psicopatas, quando comparados a grupo controle, incluem mais conjunções explica-tivas ao relatarem seus crimes, apresentam maior alusão às necessidades pessoais durante o relato, além de evidenciarem, de forma mais recorrente, disfluências e uso de tempos verbais no passado ao longo do discurso quando falam sobre atos antissociais (Hancock, Woodworth, & Porter, 2013). Outro estudo analisou milhares de quadros cons-tantes em filmagens nas quais foi possível observar 2.437 expressões faciais. Utilizando um instrumento de autorrelato para avaliar traços de psicopatia, os resultados assinalaram que o fator diretamente as-sociado à faceta interpessoal da psicopatia mostrou--se relacionado à brevidade da expressão facial não intencional e, por outro lado, que os psicopatas não estariam completamente imunes à possibilidade de vazamento emocional quando tentam ocultar ou despistar determinadas emoções expressas pela face (Porter, Brinke, Baker, & Wallace, 2011).

Observa-se, dessa forma, que ainda são inci-pientes os estudos sobre as estratégias de mani-pulação de psicopatas em tempo real em situações de interação social. Conjuntamente, esses trabalhos indicam que as estratégias de manipulação empre-gadas no contexto interpessoal por parte de psico-patas atrelam-se a uma constante necessidade de avaliar as reações provocadas em seus interlocu-tores. Considerando o próprio fato de que a maior parte da comunicação humana se dá por uma via não verbal e dependente significativamente da iden-tificação correta das expressões faciais alheias (Ekman, 2003), faz-se então necessário explicar a suposta incongruência dos achados descritos. Os autores apresentam, a partir disso, possíveis expli-cações para o aparente paradoxo.

Identificação e manipulação de estados emocionais

Na linguagem rotineiramente verificada em veículos de divulgação científica ou da mídia em geral, é comum ler ou ouvir afirmações peremptó-rias sobre a impossibilidade dos psicopatas expe-rimentarem determinadas emoções. Essa negativa ampla estende-se, em termos mais recentes, à divul-gação de estudos que envolvem a própria identi-ficação das emoções alheias em psicopatas. Porém, conforme já foi mencionado, tais achados sugerem apenas uma dificuldade dos psicopatas em reconhe-cerem emoções específicas.

O controle do tempo de exposição ou da intensidade desses estímulos - relacionados, por sua vez, às emoções básicas expressas pela face -, tem permitido ainda problematizar o quão sutil pode ser essa mesma dificuldade. Esse fato, por si só, atesta que qualquer dificuldade branda está longe de ser, em tais casos, sinônimo de uma incapacidade plena. Em estudos empíricos recentes, o controle do tempo de exposição tem gerado a possibilidade de comparar desempenhos específicos em tempos específicos no que se refere a psicopatas e grupo controle (Eisenbarth et al., 2008; Salvador-Silva, Grizon, & Arteche, 2014; Vasconcellos et al., 2014a).

No trabalho de Eisenbarth et al. (2008), foi usada, por exemplo, exposição com tempo livre, bem como a partir de frames de 33 milissegundos. Esse é um tempo suficiente apenas para um enqua-dramento mínimo e detecção das características mais salientes da imagem, conforme sugerem estudos recentes (Potter, Wyble, Hagmann, & McCourt, 2014). Já os trabalhos de Vasconcellos et al. (2014b) envolvendo a comparação entre ado-lescentes com e sem traços de psicopatia, e o trabalho de Salvador-Silva et al. (2014) comparando mulheres psicopatas, mulheres não psicopatas com transtorno da personalidade antissocial e grupo controle, valeram-se de tempos de 200 milissegun-dos, 500 milissegundos e 1 segundo para efeito dessas comparações.

Observou-se, nos dois últimos estudos cita-dos, que, conforme se aumentava o tempo de expo-sição dos estímulos, também melhorava o desem-penho dos psicopatas ou indivíduos com traços de psicopatia para a identificação das emoções nega-tivas. Uma atenção especial pode ser dada à melho-ra vislumbrada na mudança de tempo de 200 milissegundos para 500 milissegundos. Uma sutil deficiência de processamento pode, de algum mo-do, ser parcialmente compensada quando a infor-mação se torna mais disponível no que se refere ao seu uso em termos de memória visual de curto prazo em condições não patológicas (Sligte, Scholte, & Lamme, 2008). Infere-se daí que o mesmo pode acontecer com a psicopatia no que se refere ao pro-cessamento de informações expressas pela face. Deve-se ressaltar, no entanto, que, considerando o caráter incipiente desses achados, a proposta do presente artigo é tão somente elucidar a direção dos mesmos e sinalizar algumas possibilidades para novos estudos que possam aprofundar as inferên-cias aqui discutidas.

Por outro lado, destaca-se o fato de que a melhora no desempenho de psicopatas diante de um tempo brevemente mais dilatado de exposição das expressões faciais, não verificadas com a mesma intensidade no grupo controle, é condizente com as explicações neuropsicológicas já destacadas. Em outras palavras, as estruturas subcorticais que se mostram disfuncionais na psicopatia são exatamen-te aquelas que viabilizam um processamento mais rápido, porém não ponderado, das informações sociais (LeDoux, 1996). Assim, é possível que psico-patas, de um modo geral, viabilizem um modo com-pensatório de fazer uso dessas informações em um contexto de interação social. Tais deficiências não seriam sinônimo de insuficiências no que se refere aos mecanismos voltados para o uso de informações relativas aos estados mentais alheios. Cabe destacar, nesse sentido, que psicopatas apresentam desem-penho satisfatório em tarefas voltadas para a teoria da mente, uma capacidade que contempla a pos-sibilidade de compreender os estados mentais alheios (Richell et al., 2003).

Pressupõe-se, com base no estado atual de conhecimento sobre o assunto, que psicopatas apre-sentam deficits específicos, porém, bastante sutis em termos de cognição social. Esse mesmo grau de sutileza explicaria a concordância nem sempre pre-sente em diferentes estudos que investigam a capa-cidade dos psicopatas identificarem emoções expressas pela face. De outro modo, explicaria ainda a possibilidade de que os sintomas diretamente relacionados a estratégias de manipulação no con-texto interpessoal coexistam com tais deficiências de processamento.

De um modo geral, é possível que, em ter-mos interpessoais, a manipulação eficaz não de-penda de uma identificação incondicionalmente perspicaz no que se refere às emoções alheias. Pode existir um limiar de detecção das emoções a ser concebido como minimamente suficiente no uso das informações sociais em uma situação de inte-ração. Até o presente momento, no entanto, os es-tudos nesse campo não permitem inferir qual seria esse limiar, ainda que alguns achados já sugiram que o tempo de 200 milissegundos é necessário e, em condições não patológicas (indivíduos saudá-veis), suficiente para o processamento de uma expressão facial (Schyns, Petro, & Smith, 2009).

Na condição de um estudo teórico, os auto-res, neste artigo, propuseram uma explanação sobre um elevado, porém nem sempre explícito, nível de convergência relacionado aos achados mais atuais sobre a cognição social dos psicopatas. Essa reflexão revela-se pertinente pelo próprio fato de que a etiologia da psicopatia não foi plenamente expli-cada. Na condição de um transtorno influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais, faz-se necessário compreender a forma pela qual os indi-víduos acometidos pelo mesmo conseguem atuar sobre as emoções e expectativas alheias.

Em outras palavras, o estado atual de conhe-cimento sobre o assunto permite inferir que a psi-copatia abarca mecanismos aparentemente contra-postos. Entretanto, o nível em que os mesmos se apresentam demonstra ser a explicação quanto à possibilidade dessa coocorrência. Nesses termos, a possibilidade de estudar conjuntamente a capa-cidade de manipulação das emoções alheias em psicopatas e uma sutil deficiência no processamento de alguma dessas emoções parece ser um caminho promissor para as novas pesquisas, visando comple-mentar uma série de investigações anteriores.

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Recebido: 29 de Abril de 2014; Revisado: 09 de Outubro de 2015; Aceito: 03 de Dezembro de 2015

Correspondência para/Correspondence to: S.J.L. VASCONCELLOS. E-mail: <silviojlvasco@hotmail.com>

Colaboradores Todos os autores contribuíram na concepção e desenho do estudo, análise de dados e redação final.

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