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Estudos de Psicologia (Campinas)

Print version ISSN 0103-166XOn-line version ISSN 1982-0275

Estud. psicol. (Campinas) vol.35 no.3 Campinas July/Sept. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1982-02752018000300008 

PSICOLOGIA DA SAÚDE

Universidade e voluntariado: o papel do gênero nas crenças dos estudantes

University and volunteering: The role of gender in the student’s beliefs

Adriana Yanina ORTIZ1  2 
http://orcid.org/0000-0002-0460-1036

1Universidad Nacional de Salta. Av. Bolivia 5150, 4400, Salta, Argentina. E-mail: <ortizadrianayanina@gmail.com>.

2Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación Productiva, Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. Salta, Argentina.

Resumo

O presente estudo examina as diferenças de gênero nas crenças de estudantes universitários frente ao voluntariado. A literatura destaca a influência que os papéis sociais estereotipados podem exercer nas crenças das pessoas e na adoção de condutas pró-sociais. Participaram da pesquisa 303 estudantes da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa, e foi utilizado o Questionário de Atitudes Face às Funções do Voluntariado para a coleta dos dados. Os resultados da Análise de Variância indicaram que os homens valorizam a função instrumental do voluntariado como fonte para o desenvolvimento profi ssional, enquanto as mulheres destacam-no como uma forma de expressão de seus valores pessoais. O sexo e a experiência são fatores diferenciadores das crenças. A análise possibilitou compreender quais as expectativas dos estudantes frente ao voluntariado e de que modo podem ser satisfeitas, bem como repensar as práticas, com vistas a fomentar propostas educacionais não sexistas para promover uma maior participação de homens e mulheres nos diferentes projetos.

Palavras-chave Atitude; Diferenças de gênero; Estudantes universitários; Voluntários

Abstract

This study examined gender differences in the beliefs of university students about volunteering. The investigations highlight the infl uence that stereotyped social roles, which are traditionally attributed to men and women, can exert on people’s beliefs and on the adoption of prosocial behaviors. A total of 303 students from the University of Lisbon and the Portuguese Catholic University participated in the study, and the Volunteer Functions Attitudes Questionnaire was used to collect data. The results of Analysis of Variance indicate that men value the instrumental function of volunteering as a source for professional development, and women highlight it as a framework for the expression of personal values. The analysis makes it possible to understand the students’ expectations of volunteering and how they can be met. It is important to rethink volunteering practices in order to foster non-sexist educational proposals to promote greater participation of men and women in different projects.

Keywords Attitude; Gender differences; Students; Volunteers

A contribuição deste artigo inscreve-se no debate acerca da prática de voluntariado em contextos universitários em perspectiva de gênero. O objetivo principal é identificar se existem diferenças significativas entre homens e mulheres nas crenças frente ao voluntariado, bem como analisar a diferenciação a partir dos aportes da teoria dos papéis sociais e estereótipos de gênero.

As práticas de voluntariado e o nível de participação adquirem características particulares em cada contexto. Portugal apresenta as taxas mais baixas de voluntariado, comparado com os outros países europeus (Delicado, 2002, Instituto Nacional de Estatística [INE], 2013). Mais de 50% da população voluntária portuguesa tem idade superior a 56 anos, enquanto 10,7% são jovens entre 15 e 25 anos, dos quais apenas 10,9% são estudantes universitários. A percentagem de mulheres que praticam voluntariado é superior à dos homens (57,3% vs. 42,7%).

Em relação a este último dado, observa-se uma tendência geral das mulheres se envolverem mais em voluntariado (Chacón, Vecina, & Dávila, 1998; García-Cano, Paterna & Martínez, 2016; INE, 2013; Perelló, 2007; Romão, Gaspar, Correia, & Amaro, 2012), particularmente quando essas atividades são socioassistenciais ou formativas (Chacón et al.,1998; Eagly, 2009; Einolf, 2011). Além disso, as estatísticas em Portugal têm revelado uma falta de participação da população juvenil na prática do voluntariado (INE, 2013; Romão et al., 2012).

Quais as razões que explicam esses fenômenos? Na literatura existem várias. Este artigo examinará, por um lado, razões de índole social sob o argumento do voluntariado ter maioria feminina por causa da influência dos papéis e estereótipos sociais que colocam, na mulher, a responsabilidade pelo contexto doméstico e o cuidado dos outros, concebendo o voluntariado, assim, como uma atividade associada tipicamente à mulher (Caprara & Steca, 2007; Chacón et al., 1998; Delicado, 2002; Taniguchi, 2006). Por outro lado, explorará razões de índole psicológica, a partir da indagação das crenças e atitudes que subjazem à conduta voluntária. Conhecer quais são essas crenças pode contribuir não apenas para compreender os motivos que levam às pessoas a se envolverem em voluntariado (Clary et al., 1998; Holdsworth, 2010; Oostlander, Guntert, van Schie, & Wehner, 2014), mas tam-bém para adequar as propostas às inquietudes motivacionais (Chacón et al., 1998, Clary et al., 1998) e, assim, promover uma maior participação. A Teoria Funcional do Voluntariado (Clary et al., 1998) contribuirá na abordagem dessa questão.

Salienta-se que na recolha dos dados foi indicada a variável sexo, para possibilitar a comparação dos comportamentos segundo a medição feita pelo instrumento. No entanto, dado que diversos estudos têm revelado a influência das atribuições de gênero na realização de determinados tipos de atividades (Chacón et al., 1998; García-Cano et al., 2016; Neves, Nogueira, Topa, & Silva 2016; Scopinho & Rossi, 2017), foi relevante interpretar os dados à luz de uma perspectiva de gênero. Isso porque os fatores que levam aos homens e às mulheres a adotar esse tipo de comportamento são socialmente construídos. E são justamente essas construções sociais as que atuam na formação das crenças das pessoas, motivando ou inibindo condutas de participação.

Voluntariado e gênero

As motivações têm-se revelado um fator importante no estudo da conduta voluntária (Chacón et al., 1998; Clary et al., 1998; Esmond & Dunlop, 2004; Fletcher & Major, 2004; Holdsworth, 2010; Oostlander et al., 2014). O Enfoque Funcional do Voluntariado centra-se nos processos motivacionais que subjazem à ação voluntária e postula que o envolvimento dos indivíduos depende da combinação das inquietudes motivacionais com oportunidades que o voluntariado pode oferecer para satisfazê-las. Clary et al. (1998) propõem seis funções psicológicas que explicam as motivações para o voluntariado: Expressão de Valores, Compreensão, Desenvolvimento Profissional, Ajuste Social, Proteção e Realização Pessoal. Das seis motivações, expressão de valores é considerada como a única do tipo altruísta, “heterocentrada”, que indica quando uma pessoa faz voluntariado por uma preocupação genuína com os outros. As restantes são classificadas como motivações instrumentais ou egoístas, “autocentradas”, e sugerem que o indivíduo faz voluntariado pelas vantagens ou benefícios consequentes (Clary et al., 1998; Fletcher & Major, 2004; Ortiz, 2013).

Na perspectiva desta pesquisa entende-se que o envolvimento, tanto quanto as condutas de não participação, pode estar vinculado às crenças pessoais acerca do que é e para quê serve o voluntariado. As pessoas desenvolvem, desde a infância, crenças sobre si próprias, sobre os outros e sobre o mundo, que as orientam e conduzem no seu quotidiano (Cláudio & Sousa, 2003). As crenças afetam a visão do sujeito acerca de uma situação e a forma como ele pensa, sente e age; portanto, são modeladoras das atitudes.

Os papéis sociais e estereótipos de gênero influenciam sobremaneira as ações, o pensamento e as crenças do indivíduo, uma vez que ele se encontra imerso em uma teia de relações socioculturais, nas quais se movimenta visando atender, justamente, às expectativas depositadas sobre ele e desempenhar a função que lhe foi atribuída (Nogueira & Saavedra, 2007). De acordo com isso, embora o perfil de mulheres e homens seja semelhante quanto a assumir uma conduta prosocial, estes diferem na ênfase colocada nos tipos particulares de comportamento (Eagly, 2009). A mulher tende a realizar ações mais comunitárias e relacionais, enquanto os homens adotam condutas mais agênticas e orientadas coletivamente (Eagly, 2009; Perelló, 2007; Romão et al., 2012). Essas diferenças entre os sexos coincidem amplamente com as crenças vinculadas aos papéis de gênero, que têm origem na divisão do trabalho (entre trabalhadoras domésticas e trabalhadores assalariados), e que refletem uma interação biossocial entre os atributos físicos de homens e mulheres e a estrutura social (Eagly, 2009).

A partir dos construtos aportados por Eagly (2009) e por Perelló (2007), pensa-se que as mulheres assumem um “papel comunal” ou “expressivo”, vinculado à atenção afetiva e à satisfação das necessidades das pessoas mais próximas e carecidas, entanto que a tendência dos homens é desempenhar um “papel agêntico” ou “instrumental” que lhes permita participar do espaço público e desenvolver projetos pessoais com relativa autonomia, sem experimentar como prioritária a atenção afetiva e a satisfação das necessidades alheias. Ambas as identificações (papel expressivo e papel instrumental), base das adscrições sociais de gênero, são interdependentes e configuram uma estrutura na qual se inscrevem as relações e o sistema de estratificação de gênero (Perelló, 2007). O desempenho desses papéis orienta as personalidades de modo que, tipicamente, o homem focaliza a realização de objetivos, inibe as suas emoções, age em função do seu interesse pessoal e estabelece relações úteis para alcançar as suas metas; por sua parte, a mulher é sensível, compreensiva, flexível, mostra as suas emoções e se preocupa com as necessidades afetivas da família e dos outros (Lorenzi-Cioldi et al., 1996).

As diferenças em função do gênero ocupam um lugar destacado no estudo da conduta voluntária (Burns Reid, Toncar, Anderson, & Wells, 2008; Chacón et al., 1998; Coffé & Bolzendahl, 2010; Einolf, 2011; Fletcher & Major, 2004; García-Cano et al., 2016; Taniguchi, 2006; Themudo, 2009). O voluntariado é definido como um tipo de conduta pró-social, de caráter livre, altruísta e solidário, vinculado a programas de ajuda aos outros (Clary et al., 1998; Delicado, 2002; Romão et al., 2012). A maior participação das mulheres em voluntariado tem a ver com a responsabilidade que, desde tempos antigos, a sociedade lhes atribui quanto ao cuidado e atenção dos outros (Caprara & Steca, 2007; Chacón et al., 1998; Taniguchi, 2006). Nessa linha enquadram-se as pesquisas que salientam uma tendência feminina a adotar condutas pró-sociais com mais frequência do que os homens (Caprara & Steca, 2007; Coffé & Bolzendahl, 2010).

No estudo de Petrzelka e Mannon (2006), mulheres voluntárias descrevem a sua experiência como uma expressão da sua natureza materna, como uma forma de socializar com os outros e como um contributo para a economia da comunidade. Especificamente acerca das diferenças de gênero nas motivações para o voluntariado, Burns et al. (2008) encontraram certos traços favoráveis às mulheres, como Compreensão, Proteção, Realização Pessoal e Expressão de Valores. García-Cano et al. (2016) salientaram que as mulheres fazem voluntariado como uma forma de expressar os seus valores pessoais.

Observa-se que alguns desses resultados seguem a direção dos papéis sociais, no sentido da mulher escolher motivos mais expressivos e os homens mais instrumentais; no entanto outras investigações vão na direção oposta. Na pesquisa de Esmond e Dunlop (2004) as mulheres destacam o voluntariado como fator para o desenvolvimento profissional, mas não assim os homens. Holdsworth (2010) encontrou mulheres motivadas por critérios de empregabilidade e desenvolvimento profissional, enquanto os homens descrevem outros motivos: a atividade forma parte do currículo acadêmico e, então, é obrigatória; têm tempo livre; os seus familiares e amigos também são voluntários; têm interesse em obter algum tipo de recompensa externa. No estudo de Fletcher e Major (2004) as mulheres pontuam todos os motivos mais altos do que os homens; no entanto, a pontuação relativa à importância dos motivos foi similar para ambos os sexos: as mulheres valorizam motivos instrumentais e altruístas tanto quanto os homens.

No que concerne a Portugal, estudos específicos confirmam que são mais as mulheres a praticar voluntariado do que os homens (Ferreira, Proença, T. & Proença, J., 2008; Figueira, 2013; Heitor & Veiga, 2012; Monteiro, Gonçalves, & Pereira, 2012). As investigações referenciadas indagaram também sobre as motivações para o voluntariado, mas não têm explorado as diferenças de gênero. Apenas Monteiro et al. (2012) apontaram que ambos os sexos atribuem igual importância às diferentes variáveis.

Portugal é considerado um país tradicional de ideologia masculina (Almeida, 2003; Delicado, 2002; Pereira, Verissimo, Diaz, & Correia, 2013). Essa ideologia coloca em evidência os diferentes papéis desempenhados pelos homens e pelas mulheres na sociedade, especificamente no que concerne à relação de poder, em que os homens são retratados no local de trabalho e as mulheres em tarefas domésticas (Nogueira & Saavedra, 2007). Segundo Pereira et al. (2013), Portugal está dando passos largos para o desenvolvimento econômico e sociodemocrático de vanguarda, mas ao mesmo tempo tem raízes numa história cultural e religiosa dominante que preconiza identidades sociais distintas para homens e mulheres. Durante as últimas décadas, o país tem passado por mudanças consideráveis no âmbito social e econômico, sendo uma das mais importantes a presença cada vez maior da mulher no mercado de trabalho (Almeida, 2003; Neves et al., 2016).

De acordo com Almeida (2003), parece existir, na sociedade portuguesa atual, um amplo consenso em torno às mudanças e à adoção de novos papéis da mulher na esfera profissional. Não obstante, esse papel profissional e instrumental que se reconhece hoje na identidade feminina não tem encontrado tradução em uma representação expressiva e familiar da identidade masculina (Almeida, 2003). Quer dizer que as mulheres estão extrapolando os limites marcados pelos papéis sociais, mas não ocorre o mesmo com os homens.

Interessa indagar sobre as crenças dos jovens, com especial ênfase no papel que os estereótipos de gênero poderiam ter na conformação dessas crenças, a partir da consideração de que praticar voluntariado é uma atividade social, cultural e tradicionalmente atribuída às mulheres em Portugal. Portanto, conhecer quais são as crenças dos jovens frente ao voluntariado – caracterizado pelos seis atributos que apresenta o Volunteer Function Inventory (Clary et al., 1998) –, pode contribuir para desmitificar papéis estereotipados. Ou, no caso de os resultados seguirem a direção dos estereótipos, poder repensar as práticas com vistas a fomentar propostas educacionais não sexistas e promover uma maior participação de homens e mulheres na prática do voluntariado.

Ressalva-se que grande parte dos estudos sobre o voluntariado centra-se apenas nos aspectos positivos da participação. No entanto, outras pesquisas têm avaliado também crenças negativas em jovens voluntários e não voluntários, encontrando, nestes últimos, pontuações superiores (Law & Shek, 2011; Ortiz & Veiga, 2014). Shiarella, McCarthy e Tucker (2000) salientaram as relações positivas da experiência em serviços comunitários, com atitudes mais favoráveis frente ao serviço. Figueira (2013) encontrou que, entre estudantes universitários, a experiência atua como um fator diferenciador das motivações para o voluntariado. A experiência, portanto, aparece como uma variável central a ser explorada neste estudo.

Com base nesses estudos, a presente investigação definiu, a priori, três hipóteses: (1) a amostra de estudantes é majoritariamente feminina; (2) as crenças dos alunos frente ao voluntariado diferenciam-se entre homens e mulheres; (3) as crenças guardam relação com os papéis sociais e estereótipos de gênero, isto é, os homens valorizam mais funções instrumentais e autocentradas, enquanto as mulheres escolhem funções expressivas e heterocentradas.

Método

Participantes

Para a seleção da amostra foi utilizado um plano não probabilístico por conveniência, uma vez que as faculdades escolhidas ofereciam oportunidades de voluntariado aos estudantes. Foram selecionadas seis faculdades da Universidade de Lisboa e duas da Universidade Católica Portuguesa. Obtidas as autorizações de um total de doze professores, estabeleceram-se os dias e horários para a administração do inquérito, realizado em maio de 2012, em sala de aula. Os estudantes foram informados acerca dos objetivos da investigação, colocando ênfase no caráter voluntário da participação.

A amostra foi constituída por 303 estudantes de diferentes cursos da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa. A idade oscilou entre 18 e 53 anos, com uma média de 21,9 anos e maior concentração na faixa etária de 18 a 20 anos (56,8%). A amostra foi majoritariamente feminina (71,6%), solteira (95,0%) e com dedicação exclusiva aos estudos (90,3%). Em relação à prática de voluntariado, mais da metade dos sujeitos indicou ter experiência em atividades voluntárias (61,5%) frente a 38,5% que expressaram não tê-las praticado. Na etapa da coleta dos dados, apenas 14,5% da amostra reportaram continuar a atividade em alguma organização.

Instrumento

Foi utilizado o “Questionário de Atitudes Face às Funções do Voluntariado” (QAFFV) (Ortiz, 2013), que constitui uma tradução e adaptação do VFI, de Clary et al. (1998). O QAFFV é um instrumento de autorreporte, composto por 28 itens distribuídos aleatoriamente em seis dimensões:

(i) “Compreensão” (5 itens; α = 0,84): voluntariado como oportunidade para adquirir novas experiências de aprendizagem, conhecimentos, competências e habilidades, em contextos diferentes do acadêmico. Exemplo do item: “o voluntariado possibilita aprender coisas importantes através da experiência”.

(ii) “Ajuste social” (5 itens; α = 0,80): voluntariado como oportunidade para ficar com os amigos ou se dedicar a uma atividade valorizada no contexto social e familiar da pessoa. Exemplo do item: “O voluntariado é uma atividade importante para algumas pessoas que eu conheço”.

(iii) “Proteção” (5 itens; α = 0,80): voluntariado como oportunidade para se proteger das características negativas próprias (culpa por se sentir mais afortunado que outros, escapar à solidão, depressão, ansiedade). Exemplo do item: “O voluntariado protege à pessoa de se sentir só”.

(iv) “Realização pessoal” (5 itens; α = 0,81): voluntariado como oportunidade para o desenvolvimento do eu (desenvolvimento psicológico, crescimento da autoestima e o bem-estar individual e social). Exemplo do item: “O voluntariado aumenta a autoestima das pessoas”.

(v) “Desenvolvimento profissional” (5 itens; α = 0,83): voluntariado como oportunidade para melhorar a carreira profissional (enriquecer o currículo, estabelecer novos contatos profissionais, envolver-se numa experiência que signifique uma ponte para futura inserção laboral). Exemplo do item: “O voluntariado pode ajudar a ter sucesso na profissão”.

(vi) “Expressão de valores” (3 itens; α = 0,84): voluntariado como oportunidade para expressar valores pessoais relacionados com o altruísmo e o humanitarismo. Exemplo do item: “Ajudar aos outros é muito importante”.

Sobre a variável sexo, as opções de resposta foram: “feminino” ou “masculino”. Já em relação à variável experiência em voluntariado, a pergunta “Fizeste voluntariado?” teve “sim” e “não” como opções de resposta. Portanto, a amostra foi constituída por estudantes mulheres (71,6%) e homens (21,4%), tanto com experiência em voluntariado (61,5%) quanto sem experiência (38,5%).

Resultados

A análise dos dados foi desenvolvida por meio do pacote de análise estatística Statistical Package for the Social Sciences (SPSS Inc., Chicago, Illinóis, Estados Unidos). Os resultados permitiram observar que “Compreensão” representou a função com maior potencial atribuído, adquirindo uma pontuação média superior, tanto na amostra total como na comparação dos grupos (Tabela 1).

Tabela 1 Valores médios nas dimensões do QAFFV em função do sexo e da experiência 

Sexo Experiência n Compreensão Realização Pessoal Desenvolvimento Profissional Ajuste Social Proteção Expressão de Valores
M DP M DP M DP M DP M DP M DP
Feminino Não 87 25,067 3,46 24,387 3,65 22,627 3,84 21,013 5,36 19,986 4,18 14,547 2,51
Sim 130 26,122 3,24 25,362 3,54 22,569 4,72 23,449 4,56 20,180 4,93 15,227 2,13
Masculino Não 31 24,452 3,31 24,175 3,90 22,714 4,45 21,024 4,84 20,275 4,47 13,595 2,60
Sim 55 25,833 3,75 25,395 3,90 24,395 3,95 24,375 3,49 20,953 4,99 14,619 2,82

Nota: QAFFV: Questionário de Atitudes Face às Funções do Voluntariado.

M: Média; DP: Desvio Padrão.

Tabela 2 ANOVA nas dimensões do QAFFV em função do sexo e da experiência voluntária 

QAFFV Compreensão Ajuste Social Realização Pessoal
Df M F Df M F Df M F
Sexo 1 001,075 0,097 1 011,489 0,516 1 004,350 0,334
Experiência Voluntária 1 104,334 9,433 1 207,369 9,312 1 029,171 2,241
Sexo Experiência Voluntária* 1 000,740 0,067 1 001,386 0,062 1 012,134 0,932
QAFFV Expressão de Valores Proteção Desenvolvimento Profissional
Df M F Df M F Df M F
Sexo 1 007,577 1,364 1 055,832 2,577 1 147,606 7,689**
Experiência Voluntária 1 035,132 6,323* 1 003,267 0,151 1 051,285 2,672
Sexo Experiência Voluntária* 1 003,436 0,618 1 038,191 1,763 1 083,117 4,329*

Nota:

*p < 0,05;

**p < 0,01;

QAFFV: Questionário de Atitudes Face às Funções do Voluntariado; Df: graus de liberdade; M: Média; F: valor estatístico da ANOVA.

Realizou-se uma Análise de Variância (ANOVA) com a finalidade de explorar se existem diferenças significativas sobre as dimensões do QAFFV em função do sexo e da experiência voluntária. A Tabela 2 apresenta os resultados dessa análise, destacando a existência de interação significativa na função do voluntariado para o “Desenvolvimento Profissional” (F = 83,117; p = 0,038).

Observa-se, por um lado, um efeito principal significativo do sexo sobre a crença no voluntariado como fonte de Desenvolvimento Profissional, revelando que os homens com experiência em voluntariado valorizam-na mais do que as mulheres que também têm experiência em prática voluntária (t = -2,786; g.l. = 30; p = 0,009). O sexo, portanto, afeta positivamente as crenças de Desenvolvimento Profissional, apenas nos estudantes com experiência em voluntariado.

Por outro lado, há um efeito de interação significativo entre o sexo e a experiência sobre a crença no voluntariado como fonte de Desenvolvimento Profissional. Isso significa que a experiência afeta de forma diferente os homens e as mulheres. Mais especificamente, a crença de Desenvolvimento Profissional é semelhante no caso das mulheres, tenham elas tido ou não experiência em voluntariado; contudo, essa crença é significativamente mais elevada nos homens com experiência do que nos homens sem experiência (t = -2,222; g.l. = 81; p = 0,029). Portanto, nesta amostra, a experiência tem um efeito positivo nas crenças de Desenvolvimento Profissional apenas nos homens, sendo o sexo um fator diferenciador no grupo com experiência em voluntariado.

Além desse resultado de interação – e dada a sua importância para as discussões desta pesquisa –, é preciso salientar o efeito principal do sexo sobre Expressão dos Valores. Esse efeito manifesta-se entre os estudantes que não têm experiência em voluntariado, sendo que as mulheres pontuam essa função mais do que os homens (t = 2,837; g.l. = 248; p = 0,005).

Com o fim de estabelecer se as diferenças encontradas são relevantes para o campo da investigação, foi calculado o effect-size. Para os resultados apresentados – diferenças no Desenvolvimento Profissional entre homens (Média [M] = 24,40, Desvio Padrão [DP] = 3,95) e mulheres (M = 22,57, DP = 4,72) com experiência na prática de voluntariado; entre os homens da amostra total com experiência (M = 24,40, DP = 3,95) e sem experiência (M = 22,71, DP = 4,45); diferenças em Expressão de Valores entre homens (M = 13,60, DP = 2,60) e mulheres (M = 14,55, DP = 2,51) sem experiência – o valor d do Cohen foi 0,4, effect-size = 0,2. A magnitude do efeito, de acordo com a classificação de Cohen, corresponderia a um tamanho pequeno a mediano. No entanto, dada a relevância prática da comparação com os resultados de outros estudos similares, apela-se aqui a uma interpretação do valor relativo da magnitude do efeito.

Discussão

O objetivo principal desta pesquisa foi identificar e analisar diferenças de gênero nas crenças frente ao voluntariado, a partir da exploração de três hipóteses definidas a priori.

A primeira delas, sobre a amostra ser majoritariamente feminina, foi confirmada. De um total de 303 estudantes que responderam ao inquérito, 71,6% eram mulheres. O estudo aporta evidência empírica para o conjunto de pesquisas em Portugal (Ferreira et al., 2008; Figueira, 2013; Heitor & Veiga, 2012; Monteiro et al., 2012) e em outros países (Chacón et al., 1998; García-Cano et al., 2016; INE, 2013; Perelló, 2007; Romão et al., 2012), que ressalvam uma maior presença feminina no voluntariado. Esse dado parece reforçar a crença da prática de voluntariado como uma atividade especialmente vinculada à mulher. É claro que existem outros fatores que podem esclarecer esses resultados e que não foram explorados neste estudo. Interessante seria, por exemplo, analisar quais as características do Terceiro Setor em Portugal, bem como as propostas de voluntariado que oferecem as universidades, com o fim de obter informação relevante para compreender essa tendência histórica. Poderia acontecer que as atividades ofertadas estivessem direcionadas a um tipo particular de participantes. Não por acaso tanto nas Instituições Particulares de Solidariedade Social como no voluntariado hospitalar, cuja vocação é mais sociocaritativa, são sobretudo as mulheres que realizam essas atividades, enquanto nas Associações de Bombeiros, onde as exigências físicas são maiores, é o voluntariado masculino que sobressai (Romão et al., 2012). Estudos futuros seriam necessários para aprofundar essas questões.

Já a segunda hipótese estabelecia diferenças nas crenças de homens e mulheres acerca do voluntariado. Na literatura, as diferenças de gênero são consistentes com funções instrumentais e de valor expressivo; de acordo com isso, esperava-se encontrar resultados coerentes com a teoria dos papéis e sociais. Nesse sentido, os homens manifestariam crenças instrumentais, como melho-rar o currículo (desenvolvimento profissional), desenvolver novas habilidades e competências (compreensão) ou vincular-se socialmente com outros (ajuste social). Já no caso das mulheres esperava-se encontrar uma tendência favorável para crenças mais expressivas (expressão de valores). A partir dos resultados deste estudo, a segunda hipótese encontra confirmação na diferenciação da amostra, mas apenas no nível do voluntariado como fonte para o Desenvolvimento Profissional e como meio para a Expressão de Valores. Essa diferença, aliás, pode ser explicada a partir da influência dos papéis sociais e estereótipos de gênero, confirmando, portanto, a terceira hipótese do estudo.

Uma variável introduzida foi a experiência em ações de voluntariado. A maior parte da literatura revisada aborda voluntariado e diferenças de gênero com sujeitos voluntários. Diferentemente, a amostra desta pesquisa está constituída por estudantes universitários com e sem experiência em voluntariado. O interesse nessa variável reside nas relações positivas e significativas que Shiarella et al. (2000) encontraram entre a experiência prévia com atitudes mais favoráveis frente ao serviço comunitário, e a falta de experiência em voluntariado com atitudes mais desfavoráveis ou negativas (Law & Sheck, 2011; Ortiz & Veiga, 2014). A experiência atua, portanto, como um fator diferenciador das crenças dos estudantes.

Nesse sentido, os resultados apresentaram-se significativos no grupo de estudantes com experiência em voluntariado (Desenvolvimento Profissional), e no grupo sem experiência em práticas de voluntariado (Expressão de Valores). Os homens com experiência, por sobre as mulheres, destacam uma função instrumental do voluntariado e encontram nele oportunidades para melhorar o currículo e a carreira profissional ou para alcançar um emprego no futuro. As mulheres sem experiên-cia escolhem a função expressiva do voluntariado e destacam sua importância como um tipo de atividade que serve para ajudar a outros mais necessitados, encontrando-se confirmação desses resultados em outros estudos (Burns et al., 2008; Caprara & Steca, 2007; Coffé & Bolzendahl, 2010; Eagly, 2009; García-Cano et al., 2016; Shiarella et al., 2000; Petrzelka & Mannon, 2006).

Desde a teoria dos papéis sociais, as mulheres geralmente são percepcionadas como figuras importantes na família, responsáveis pelo cuidado doméstico e pela atenção dos outros. Essa crença pode, portanto, estar associada à própria identidade e ao dever ser das mulheres. No caso dos homens, pelo contrário, a expressividade não forma parte das funções que lhe são atribuídas socialmente, razão que explica por que valorizam mais uma função instrumental do voluntariado, sendo essa conduta mais coerente com o papel a eles atribuído.

Segundo Almeida (2003), na sociedade portuguesa atual existe um amplo consenso em torno da aceitação dos novos papéis da mulher na esfera pública e profissional; portanto, a visão parsoniana da vida familiar associando, de forma rígida, às mulheres competências exclusivamente expressivas e aos homens papéis instrumentais, não tem qualquer relevância em Portugal, segundo a autora. Não obstante, os resultados desta investigação contradizem o postulado acima, uma vez que as diferenças encontradas entre homens e mulheres nas dimensões do voluntariado como fonte de “Desenvolvimento Profissional” ou como “Expressão dos Valores”, confirmam os estereótipos de gênero presentes na sociedade.

Pode pensar-se que, apesar da luta por quebrar esses estereótipos e apesar da mulher ter ganhado espaços cada vez maiores na esfera pública, os processos de mudança social em Portugal não têm encontrado a mesma força em relação à adoção de papéis mais expressivos por parte dos homens (Almeida, 2003). Isso por que as mulheres da sociedade portuguesa (sobretudo aquelas sem instrução e as mais idosas) tenderiam a reforçar as desigualdades, em apoio aos comportamentos tradicionalmente atribuídos aos homens como os responsáveis por prover o sustento material da família, e às mulheres como as responsáveis pelo espaço doméstico e relacional.

Como conclusão geral, destaca-se de forma significativa que, segundo os dados obtidos, existem diferenças entre mulheres e homens no âmbito do voluntariado, como acontece também em outros setores. Parece que as mudanças necessárias que permitam uma situação social mais igualitária são, ainda, muito tênues. Contudo, indagar sobre as crenças dos jovens universitários possibilitou entrever quais as ideias, expectativas e necessidades estão por trás do fenômeno voluntário, bem como analisar as respostas diferenciadas de homens e mulheres permitiu entender que na sociedade portuguesa a influência dos papéis ainda é fortemente vinculada a determinadas atividades estereotipadas.

É importante pensar de que modo essas necessidades podem ser satisfeitas por meio de novas propostas de ação voluntária que possam contemplar objetivos instrumentais e expressivos para toda a população. Isso com o fim de que, prospectivamente, os responsáveis pelos voluntariados sejam capazes de considerar essas questões e buscar meios de ofertar atividades relacionadas com as crenças e motivações das pessoas, de modo a promover uma maior participação de homens e mulheres em projetos de voluntariado mais integrados.

Dentre as principais limitações do estudo, aponta-se que a amostra precisa de ser ampliada, pois, sendo de conveniência e não probabilística, afeta as possibilidades de generalização dos resultados. Por outro lado, embora as características psicométricas tenham sido as adequadas, o instrumento utilizado carece de maior investigação.

Agradecimentos

À Dra. Letícia Fleig Dal Forno, pela leitura e revisão comprometida do artigo.

Artigo elaborado a partir da tese de A.Y. ORTIZ, intitulada “Creencias motivacionales y actitudes frente al voluntariado: Un estudio con jóvenes universitarios en Portugal”. Universidade de Lisboa, 2013.

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Received: August 15, 2016; Revised: July 27, 2017; Accepted: August 07, 2017

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