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Trabalhos em Linguística Aplicada

On-line version ISSN 2175-764X

Trab. linguist. apl. vol.47 no.2 Campinas July/Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-18132008000200003 

ARTIGOS

 

O tripé identidade, língua e nação nas falas de jovens brasileiros imigrantes nos Estados Unidos

 

Discourses of identity, language and nation in Brazilian immigrant youths in the United States

 

 

Katia Maria dos Santos Mota

Doutora pela Brown University, Estados Unidos, docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Bahia, Brasil. motakatia@hotmail.com

 

 


RESUMO

O texto pretende trazer as vozes dos brasileiros, crianças e adolescentes, que acompanham seus pais na jornada migratória para os Estados Unidos. Ressalta-se a vida entre lugares e os impactos da interculturalidade no processo de socialização no país hospedeiro. Em um primeiro momento, as representações que o grupo traz sobre o Brasil em oposição à vida nos Estados Unidos são apresentadas; em seguida, discuto os conflitos e acomodações de pertencimento presentes na definição da identidade nacional; na terceira parte do texto, o enfoque se dá no valor social que a língua assegura nos jogos de poder que se configuram a partir da escolha lingüística, e, na última parte, focalizo os diálogos que circulam entre os desejos e motivações de optar por residência em um dos países em foco.

Palavras-chave: imigrantes brasileiros; bilingüismo e identidade; identidade nacional.


ABSTRACT

The article highlights the voices of Brazilians, children and teenagers, who accompany their parents in the migratory journey to the United States. It presents the situation of living between two places and the impacts of this interculturalism during the socializing process in the host country. In the first section, the representations that this group brings with regards to Brazil are considered, in opposition to life in the United States; then, I discuss the conflicts and accommodations of belonging that are present in the task of defining national identity; in the third part of the text, the focus shifts to the social value held by language and the games of power that emerge through language choices; and in the last part, dialogues that circulate desires and motivations for choosing residence in either country are highlighted.

Keywords: Brazilian immigrants; bilingualism and identity; national identity.


 

 

A globalização traz, entre outros efeitos, a crescente onda de migrações internacionais, engatilhada a partir da proliferação de eixos econômicos flutuantes, decorrentes das dinâmicas de poder do mercado internacional. Nesse bojo dos acontecimentos, pela primeira vez na nossa história - a partir da década de 80 - o Brasil deixa de ser um país de imigrantes para se incluir naqueles que exportam trabalhadores para diversas partes do mundo, especialmente para os Estados Unidos, lócus onde foram coletados os dados da pesquisa aqui discutida. Nesse projeto de vida são levados crianças e adolescentes nascidos no Brasil e que chegam aos Estados Unidos ainda bem pequenos; forma-se uma geração cuja realidade cotidiana acontece a partir do convívio com um entrecruzamento de discursos vários: o familiar (que fala da transitoriedade da experiência), o escolar (que instiga o desejo de assimilação), o da comunidade brasileira (que exige lealdade à tradição das raízes), o da comunidade norte-americana (que promete os prazeres da sociedade de consumo). O que a viagem representa, então, para esses jovens que deixam seu país não por opção pessoal, mas por resolução dos pais?

Os dados aqui analisados, registrados em uma pesquisa etnográfica mais abrangente (Mota, 1999), apresentam depoimentos de crianças e adolescentes que, em parceria com seus pais, se aventuram nessa viagem transnacional / transcultural. O meu foco de interesse se concentra nas representações emergentes a partir da experiência migratória: Quais as imagens representativas do Brasil que ficou para trás? Que posições esses jovens brasileiros manifestam sobre identidade nacional: ser ou não ser brasileiro? Que atitudes revelam suas escolhas lingüísticas? Como as duas línguas se comportam em associação à afirmação de suas identidades? Quais os seus desejos e expectativas de cidadania?

 

1. BRASIL / ESTADOS UNIDOS: IMAGENS E CONEXÕES

As lembranças do Brasil se caracterizam como discursos de saudades, ecos constantes das vozes dos pais; na maioria das vezes não são lembranças vividas, mas lembranças aprendidas, através das representações brasileiras nas paredes e cantos da casa (souvenirs, fotos, bandeiras, livros, cds etc) e das histórias de memórias, inventadas ou reinventadas, da cidade que ficou no passado, dos parentes e amigos distantes, das celebrações regionais. Considerada uma herança cultural, a saudade passa de geração a geração, persistindo naturalmente na história da família, como diz DaMatta (1994, p. 23): "Como brasileiros falantes de português e membros de uma comunidade histórica luso-brasileira, aprendemos a sentir saudade, como aprendemos a brincar carnaval e a comer feijoada..."

O Brasil é emoldurado como o país do sol quente e do aconchego da família, enquanto os Estados Unidos trazem a neve e as oportunidades de trabalho. Os discursos circulam entre esses dois eixos primordiais, mas sinalizam também outros elementos que, nas falas dos jovens, vão se organizando em estratégias de compensação entre o que se deixa e o que se ganha.

Aqui é bom porque você vê muitas raças diferentes e você fica mais acostumada com outras pessoas diferentes de você. A gente aceita mais as outras pessoas porque você vê tantos imigrantes... Aqui você pode trabalhar, você pode ficar independente mais cedo, você não tem família. Você aprende a ser forte desde o começo. O que eu não gosto daqui é o frio. É bonitinho ver a neve caindo, mas o frio é muito duro.

(Candice, 17 anos)

A neve, sem dúvida, é muito mais dura do que aparenta nas imagens cinematográficas dos dias brancos de inverno, mas a fala reflexiva de Candice revela outras questões que são recorrentes entre a maioria dos jovens: os imigrantes se acolhem entre si para garantir a sobrevivência; como minorias, estranhos ao modo de vida norte-americana, passam a enxergar as diferenças a partir da sua própria condição de ser estrangeiro. Os Estados Unidos oferecem possibilidades de trabalho, o que traz uma independência prematura, que parece ser interpretada como uma compensação pela "perda"1 da família. O excesso de trabalho, a vontade de ganhar dinheiro, a meta do sucesso, são pressões vistas como fatores de desintegração familiar, mas inevitáveis de ocorrer como parte do que vem no pacote da "aventura" da viagem. Falar "você aprende a ser forte desde o começo" soa como uma imposição de sobrevivência, muitas vezes vista como um investimento para garantir o sucesso no futuro profissional.

O jogo de compensações entre a vida no Brasil e nos Estados Unidos torna-se, assim, constante: os aspectos de positividade em referência às coisas do Brasil são rebatidos com outros de advertência sobre as atrações exercidas pelos Estados Unidos. Essa ambivalência entre as imagens representativas de cada lugar faz parte de um discurso da convivência intercultural, mas também da persistência ao projeto da viagem, sem, contudo, abrir mão do que já lhes era assegurado no Brasil. A vida do imigrante, para ser humanamente sustentável, necessita que discursos que apontem para uma possibilidade de coerência e consistência sejam repetidamente afirmados - o que o outro diz é exatamente o que cada um precisa dizer para si - como estratégia de marcar os ganhos e vantagens do empreendimento familiar. Desde muito cedo, a criança aprende a comparar a vida entre os dois países, procurando, quase sempre, compreender as justificativas apresentadas pelos pais.

- Ah! A comida de lá e as roupas eu gosto mais. O Brasil é mais bonito. O Brasil é quente. A comida é uma delícia.
- Aqui, nos lugares, as pessoas ficam lendo um livro, assim como estátua; no Brasil é todo mundo se conhecendo, conversando.
- Você tem mais opção aqui. É questão do dinheiro mesmo.

(Fábio, 12 anos e Karina, 16 anos)

A grande maioria dos depoimentos, quando enaltece o Brasil pelas belezas naturais e qualidades do povo, finaliza sempre com um 'mas...' em defesa da vida nos Estados Unidos. O mesmo ocorre, entretanto, na comparação inversa. Como afirma DaMatta (1994, p.129), "toda tradição é um fato de consciência e de seleção. É um fato de consciência porque toda tradição nos diz o que deve ser lembrado (e, quase sempre, quando e com que intensidade) e o que deve ser esquecido". Na tentativa de explicar essa cultura do "mas", como parte de um discurso de posicionamento entre dois mundos "descompassados", Meihy ( 2004, p. 227) diz:

O "mas" torna-se uma espécie de esquina que dobra a sugestão de linearidade entre as maravilhas do país que ficou para trás e a fascinação e os desafios provocados pelas novas alternativas nova-iorquinas. Sem a devida compreensão desses "mas", seria impossível articular qualquer lógica explicativa sobre memória e identidade brasileiras no exterior. Seria como admitir a loucura de um discurso coletivo que não faz sentido, dados os contrastes extremados. Curiosamente, é no "mas" que reside a crítica velada aos problemas nacionais brasileiros que explicariam a evasão para fora de nossas fronteiras.

 

2. BRASILEIRO(A) E/OU AMERICANO(A): CONVÍVIOS E CONFLITOS

"Ouviram do Ipiranga às margens plácidas"... - o hino nacional passa a ser entoado como nunca antes na vida desses jovens. Em situações diversas, na igreja ou nas festas comunitárias em celebração às datas nacionais, o hino ganha força emblemática do patriotismo revitalizado. Da mesma forma, a bandeira nacional encontra seu lugar na maioria das casas - de todos os tamanhos (bem pequena em cima de uma peça ou de tamanho maior tomando toda uma parede), quase sempre solitária, e, às vezes, ao lado da bandeira norte-americana. O deslocamento para a terra estrangeira fica ancorado na terra natal: afinal de contas, enquanto o imigrante não se sente pertencente ao novo país, ele precisa resguardar seu pertencimento ao seu povo de origem. Manifestações de identidade nacional constituem-se, assim, em um marco de identidade coletiva que passa a ser recriada, re-imaginada, re-inventada e incorporada à construção de um novo cotidiano marcado pela ambigüidade da vida entre-lugares.

Os novos fluxos migratórios que chegaram aos Estados Unidos a partir das últimas décadas do século XX trazem uma ampla diversidade cultural de países considerados inferiores, do terceiro mundo, sobretudo da América Latina e do sudeste asiático. Para esses novos imigrantes, grupos não desejados, o desafio se estabelece na construção de uma identidade híbrida que inclua a manutenção da tradição étnica, visto que, diferentemente do que aconteceu com as primeiras ondas migratórias, a assimilação - direcionada para uma identidade norte-americana coletiva tipo melting pot - torna-se cada vez mais distante. Como parte dessa realidade, os brasileiros se apóiam no fortalecimento da identidade nacional, a fim de não serem confundidos principalmente pelos hispânicos. Categorias como raça e etnicidade, comumente consideradas nos Estados Unidos como fundamentais para o registro de identidades individuais e coletivas, são rejeitadas pelos brasileiros, os quais preferem se identificar como "brancos e brasileiros", apesar de declararem a nacionalidade como categoria básica de auto-referência (Martes, 2003).

Em consonância com o que diz a autora, o meu grupo de jovens entrevistados elege a identidade nacional como categoria fundamental de pertencimento; essa afiliação, entretanto, se processa na confluência da interculturalidade (as tradições culturais de origem e de recepção), prevalecendo, quase sempre, uma posição intermediária. Como afirma Menezes (2003, p.161), "a socialização dessas crianças e a formação de seus valores e crenças ocorrem em meio à grande dicotomia Brasil-EUA; dicotomia essa que se apresenta em suas vidas na relação cotidiana entre o doméstico e o público, entre a casa e a escola, entre a casa e a rua". Principalmente as crianças menores demonstram que ser brasileiro ou ser americano faz parte de um jogo de cara ou coroa.

- Você é brasileiro ou americano?
- É... ame...basilero2. Não sei.
- Você nasceu no Brasil ou aqui?
- Aqui.
- E você acha que é brasileiro?
- Hum, hum. (confirmando)

(Rogério, 3 anos)

- Você é brasileiro, americano ou os dois?
- Eu sou brasileiro.
- E por quê?
- Porque eu nasci no Brasil, mas eu sou americano porque eu cheguei aqui com 1 ano.
- Mas no coração, você se sente mais brasileiro ou mais americano?
- Mais americano.
- Por quê?
- Porque eu fiquei na América mais.

(André, 8 anos)

A resposta de André, obviamente mais consistente do que a de Rogério, pela própria diferença de idade, apresenta uma argumentação que associa a identidade nacional tanto ao país de nascimento como ao país de residência; sua resposta revela claramente um distanciamento do caráter sentimental que a primeira geração atribui ao sentido de pátria, assumindo, com autonomia, que seus sentimentos patrióticos, diferentemente da geração dos pais, já fincaram raízes no solo norte-americano.

O traço de ambigüidade, em referência à identidade nacional, que reflete a vida entre dois territórios, permanece nas falas dos adolescentes, apesar de estes demonstrarem argumentos mais bem fundamentados ao descrever sobre suas próprias experiências. Os dados registram a ocorrência de três grupos de expressão identitária: os que já se consideram americanos, os que optam pela conciliação entre as duas identidades nacionais e um terceiro grupo que reconhece sua nacionalidade bipartida, mas que evita usar a categoria de identidade nacional como auto-referência. As categorias primeira e terceira coincidem com os achados da investigação de Child (1943), ao estudar famílias italianas na Nova Inglaterra, enquanto que a segunda categoria ilustra o que Gardner e Lambert (1972) apontaram como o fenômeno de 'conciliação de identidades', presente na segunda geração de jovens franco-americanos. As falas seguintes ilustram, respectivamente, cada um desses grupos.

Eu me sinto mais americana, não é? Porque eu estou muito mais tempo aqui do que no Brasil. Comecei minha vida praticamente aqui.

(Carol, 13 anos)

Eu me sinto brasileiro com minha família e me sinto americano com meus amigos.

(Fábio, 12 anos)

- Eu sei que sou brasileira. Eu falo português, minha mãe é brasileira, eu nasci no Brasil. Mas fora da minha casa eu sou americana, igual aos outros. Eles sabem que eu sou brasileira, mas eu só falo inglês e me visto igual a eles e tudo mais.
- Você gosta mais de ser brasileira ou de ser americana?
- Não sei. Eu gosto de ser eu, do jeito que eu sou. Nem como americana, nem como brasileira.

(Karina, 16 anos)

O tempo de residência no país se configura, na maioria das falas, como um elemento de marcação de identidade nacional mais forte do que o país onde se nasceu. Por outro lado, há uma grande tendência a se compreender "identidade nacional" como uma categoria situacional, não estável, cambiante, a partir da convivência com diferentes territórios sociais: "ser brasileiro" em casa e "ser americano" na rua não traz nenhuma tensão existencial; ao contrário, é uma forma conciliatória de se preservar o pertencimento à tradição familiar, ao mesmo tempo em que se permite avançar aos caminhos de integração a novos padrões culturais. Os elementos interculturais, apontados por Karina como marcação de "identidade nacional", são a língua ("eles sabem que eu sou brasileira, mas eu só falo inglês") e o vestuário ("...me visto igual a eles..."). Esses dois elementos, na concepção de Karina (e de muitos outros jovens), dão visibilidade ao seu lado norte-americano - falar e vestir-se "igual aos outros" permitem ao jovem a inclusão no mundo estrangeiro. Sua fala, entretanto, revela o descompasso entre a sua auto-referência ("eu sou americana, igual aos outros") e a sua percepção sobre a referência atribuída pelos outros ("Eles sabem que sou brasileira"). A consciência dessa ambigüidade e da dificuldade que traz pode ser perfeitamente percebida pela forma que os jovens, como Karina, vêm expressar seus sentimentos de afiliação nacional (o jeito de gostar de ser nem "brasileiro" nem "americano").

Um quarto grupo de expressão identitária, embora em número bem menor que os demais, foi também registrado: jovens que acreditam que a experiência migratória tem reforçado sua identidade nacional brasileira. Apontam que a solicitação constante, por parte da sociedade norte-americana, de exigir do indivíduo um posicionamento em categorias de identidade, trouxe para esses jovens um sentimento de revitalização da sua brasilidade. Explicam que isso ocorre principalmente através do convívio com outras nacionalidades e com jovens brasileiros provenientes de outras regiões do país. A migração, o deslocamento para uma terra estrangeira, traz um olhar retroativo para o que ficou atrás, caracterizando o jogo dialético de identidade / alteridade. Relembro Ianni (2000, p. 27), ao descrever os efeitos da "viagem": "Trata-se de aprender a ver o que é nosso como se fôssemos estrangeiros, e como se fosse nosso o que é estrangeiro".

Eu me sinto ainda muito mais brasileira porque aqui tem muita gente diferente. No Brasil todo mundo sabe a mesma coisa que você sabe... Você aprende a ver quem é quem, as diferenças, os costumes da gente. Eu me sinto mais brasileira. Você passa a dar mais valor ao que você é. Eu dou muito mais valor agora a ser brasileira.

(Érica, 13 anos)

Eu me sinto brasileira. Eu já me senti americana, mas não agora. Depois que eu descobri isso, que é bom você conhecer outras pessoas, é bom ser patriota, é bom você entender as outras pessoas. Depois que eu vi o quanto isso é bom, o quanto isso abre você, passei a ser mais brasileira, entender mais o Brasil, ter amigos brasileiros.

(Candice, 17 anos)

 

3. BILINGÜISMO EM QUESTÃO: MOTIVAÇÕES E RELAÇÕES DE PODER

O desenvolvimento do bilingüismo estável de forma diglóssica, em que as duas línguas assumem papéis sociais complementares, manifesta-se simbolicamente como reflexo de um processo de integração entre duas identidades nacionais. A língua materna passa a representar não apenas um valor simbólico primordial dos laços étnicos, mas também um componente pragmático de formação de identidades situacionais a partir de interesses próprios. O ato de escolha lingüística reforça a afiliação identitária; o indivíduo desfruta das vantagens de ser reconhecido como membro de um determinado grupo (Eastman, 1984).

Em referência às famílias estudadas, foram observadas escolhas lingüísticas situadas em diversos domínios sociais (Fishman, 1964, 1965); os resultados revelaram que a segunda geração apresenta, nos espaços escolares, um alto nível de assimilação (com tendência ao uso exclusivo do inglês) mesmo entre colegas brasileiros. Esse comportamento demarca claramente a dificuldade de socialização dos brasileiros recém-chegados, pois sofrem discriminação dos demais brasileiros já "enraizados" na cultura norte-americana. A escola, mesmo oferecendo programas de educação bilíngüe, desempenha um papel social que reforça o bilingüismo subtrativo - o fortalecimento da língua majoritária em detrimento da língua étnica - e a lealdade aos Estados Unidos como "nação de todos" através de cultos patrióticos obrigatórios como, por exemplo, o juramento à bandeira norte-americana (Mota, 2002). Na esfera familiar, há uma forte tensão no sentido de fortalecer o uso do português como a língua da tradição familiar, da vinculação à identidade nacional brasileira; os pais, quase sempre, assumem um papel autoritário de "guardiões do patrimônio nacional" ao exigir o português em casa. Entre os irmãos e amigos da mesma idade, entretanto, mesmo em casa, a comunicação vai naturalmente passando para o inglês. Uma situação triangular interessante também se observa na comunicação dos pais com os filhos: os mais velhos se dirigem aos pais em português, mas os mais jovens, muitas vezes, falam em inglês para que os irmãos mais velhos façam a tradução para os pais. Percebe-se, claramente, o papel que a escolha lingüística desempenha como ponto de divisão territorial entre brasileiros de uma mesma geração (na escola) e entre brasileiros de gerações diferentes (em casa).

- Qual a língua que você mais gosta de falar?
- Não sei. Na escola a gente fala muito mais inglês, mas a gente fica com vontade de falar português, mas não pode porque a gente já está no último ano do bilingual. Em casa, a gente tem muita vontade de falar inglês, mas tem que falar português. É difícil.

(Fernanda, 8 anos)

A igreja brasileira e o convívio com a comunidade brasileira, principalmente nas reuniões de celebrações nacionais (se destacam as festas de 7 de setembro e de N. S. Aparecida), constituem os mais fortes territórios de preservação da língua portuguesa (Mota, 2004).

Temos que considerar, entretanto, que os domínios sociais - instituições da esfera pública ou privada - nem sempre determinam as escolhas lingüísticas; segundo os pressupostos da etnografia da comunicação (Gumperz 1992), a pessoa com quem se fala e o tópico dominante da conversação são fatores essenciais para se eleger a língua mais adequada. Nesse sentido, entre os bilíngües sujeitos de minha pesquisa, registrei uma predominância de ocorrências em que as crianças e adolescentes tentam se dirigir aos mais velhos em português (marca de "solidariedade lingüística") e manter uma situação de congruência entre o uso do português quando falam sobre coisas do Brasil e ouso do inglês quando se reportam à vivência norte-americana. No entanto, há uma certa flexibilidade na observância dessas regras sociolingüísticas; situações de incongruência ocorrem como sinais de subjetividade na intencionalidade do discurso, de ordem consciente ou não. Assim, o uso de alternância de códigos (code-switching) no mesmo evento de fala, assim como exemplos de interferência nos níveis morfo-sintático ou semântico, em forma de empréstimos (code-mixing), se manifestam como estratégias metafóricas ou como marcadores de afirmação identitária, ao explorar os efeitos de sentidos que a língua exerce nas relações de poder em interações face-a-face3.

Vários padrões de comportamento lingüístico são, então, observados nas interações que envolvem crianças e jovens. Uma conversação monolíngüe, por exemplo, ocorre muito mais freqüentemente em inglês do que em português; no caso de situações em que o português é a língua da conversação, registram-se várias ocorrências de code-switching para o inglês. Nesse sentido, percebe-se que a interferência ocorre muito mais na direção da língua majoritária. Como diz Regina, 8 anos: "A língua que sai mais fácil é o inglês, não tem jeito". Em situações freqüentes, quando um jovem, ao se dirigir a um indivíduo monolíngüe em português, oscila constantemente para o inglês, ele aponta para o seu interlocutor a possibilidade de três diferentes estratégias: afirmar a expectativa de que o outro deveria falar inglês, assumir o desejo de que sua identidade lingüística seja associada ao inglês (estabelecendo uma linha divisória no processo de interação), ou excluir o outro (estrangeiro, imigrante, não americano) da interação.

Com meus amigos brasileiros que sabem inglês, eu falo sempre inglês. Só falo português quando eles não sabem falar inglês. Mas se estiver aqui em casa, aí acho que falo mais português mesmo com meus amigos, porque a gente está dentro de casa e dentro de casa é mais português. Mas, não sei, eu falo com meu irmão mais inglês. Até com minha mãe às vezes eu falo inglês, mas ela não entende. Aí, eu tenho que falar português.

(Karina, 16 anos)

A facilidade de falar uma ou outra língua constitui-se uma vantagem do bilingüismo em situações comunicativas4; a disponibilidade que o falante tem em lidar com dois sistemas lingüísticos pode, ou não, estar atrelada a intenções de controle nas relações de poder que permeiam as interações sociais. Contudo, em entrevistas com as crianças e jovens da pesquisa, observei o alto nível de consciência metalingüística que eles demonstram ao usar a escolha lingüística como estratégia comunicativa associada às relações de poder que se estabelecem nas conversações. Assim, foram registradas duas importantes categorias como de freqüência elevada: a língua como instrumento de inversão de autoridade entre pais/filhos e a língua como ato de exclusão do outro não-falante. A inversão de autoridade nas dinâmicas familiares é comumente observada através de situações em que os filhos são solicitados a assumir a "voz da casa" (que, em inglês, torna-se mais poderosa): ao telefone, em consultórios médicos, em compras no shopping etc., mas, sobretudo, na escola é onde a intenção de excluir os pais, por conta da dificuldade de se expressar em inglês, torna-se mais visível. São inúmeros os depoimentos de mães que assinalam as dificuldades emocionais que elas enfrentam diante do descompasso entre pais e filhos em referência à competência comunicativa em inglês.

- Filha, teve reunião na semana passada na escola e você não me avisou.
- E você ia poder falar em inglês com meus professores?
- Tem sempre intérpretes nas reuniões.
- Eu não sabia da reunião.

(Conversa entre mãe e filha adolescente)

Eu comecei a me assustar quando vi que minha filha já estava falando bem inglês com as coleguinhas e eu não entendia nada. Eu vi que estava perdendo o domínio da casa. Como é que vai ser? Amanhã ela vai saber tudo e eu não vou saber nada?

(Sra. Rocha)

A escolha lingüística como estratégia de exclusão do outro, do não-falante da língua em questão, como forma de atender a qualquer interesse próprio, ocorre em inúmeras situações: com colegas recém-chegados do Brasil, com colegas de outras nacionalidades ou em conversações em espaços públicos. Registrei uma ocorrência em um ônibus: um grupo de cinco adolescentes brasileiros conversava, em inglês, sobre um programa de TV; logo depois, automaticamente, mudaram a língua em que interagiam para o português, quando começaram a criticar atitudes de um professor. Em situações como essa, a língua minoritária funciona como um código secreto, também utilizado em ocasiões de manifestação de estados emotivos socialmente inaceitáveis.

 

- Em que situações você gosta ou não gosta de falar português?
- Quando eu estou na aula e tem americano na sala e estou com raiva, estou nervosa, aí me dá vontade de xingar tudo em português. Agora se estou em casa e estou nervosa, aí me dá vontade de xingar tudo em inglês. Na aula de matemática mesmo eu xingo tudo em português. Também quando uma pessoa me irrita, se ela é americana, eu quero só xingar em português e se a pessoa é brasileira, aí dá vontade de xingar em inglês.

(Érica, 13 anos)

Na escola sempre falo inglês, mas quando estou passando pelo corredor e estou com minha amiga falando da vida dos outros, aí falo português.

(Clara, 13 anos)

No caso dos jovens imigrantes brasileiros, sua experiência intercultural revela, em primeira instância, uma associação da língua portuguesa com a vinculação aos laços familiares (motivação integrativa), enquanto que o inglês funciona como associação à cultura norte-americana diretamente orientada ao mundo do trabalho (motivação instrumental). Na verdade, entretanto, muitos jovens percebem que o conhecimento das duas línguas traz vantagens das duas ordens. Em relação ao inglês, não há dúvida que, muito cedo, deixa de ser, exclusivamente, a língua da escola e das oportunidades de trabalho, e passa a desempenhar um papel social extremamente importante de socialização e aculturação aos padrões norte-americanos. Quanto à competência comunicativa em português, os jovens argumentam que, além de funcionar como vinculação à identidade nacional brasileira, também traz vantagens profissionais, considerando que os Estados Unidos vêm requisitando falantes de outras línguas como uma necessidade do mercado multinacional.

- Qual a importância de aprender português?
- Depende da cabeça de cada um. Se você tiver amigos brasileiros, vai ajudar muito. Eu acho que é muito bom saber outras línguas para se comunicar, ter um trabalho melhor. Os pais devem ajudar a criança a aprender outra língua. Quanto mais aqui. Quanto mais você fica aqui, mais imigrante vai chegar, mais você precisa aprender outras línguas.

(Candice, 17 anos)

Apesar dos esforços familiares e da consciência que os jovens manifestam em referência às vantagens pessoais e profissionais que o bilingüismo traz, as pesquisas registram que, já a partir da segunda geração, pela forte influência dos meios de comunicação e pela política educacional assimilacionista, os imigrantes vão se distanciando da língua materna. (Fishman, 1966; Veltman, 1983; Portes e Rumbaut, 2001).

 

4. TERRITÓRIOS E IDENTIDADES: EXPECTATIVAS E DESEJOS

Durante um jantar com uma família brasileira, testemunhei uma discussão polêmica sobre a decisão de voltar ou não para o Brasil. O pai e a filha mais velha eram favoráveis ao retorno, argumentando que acreditavam que o Brasil estava mudando para melhor, enquanto que a mãe e a filha mais jovem sustentavam a posição de continuar vivendo nos Estados Unidos, na justificativa dos investimentos financeiros e emocionais que a família já tinha feito. Em um determinado momento do jantar, as filhas, vendo os pais se posicionarem contrariamente, emudeceram e uma delas resolveu dizer que estava preocupada com essa questão porque precisava saber se ia ter que fazer ou não vestibular no Brasil. A decisão familiar de ter migrado para os Estados Unidos, assim como a indecisão entre retornar ou não para o Brasil, trazem ansiedade e insegurança nos rumos da vida dos adolescentes. Esse cenário tenso está freqüentemente presente nas conversas entre famílias: fala-se sobre o sucesso de alguns que voltaram ao Brasil e as dificuldades encontradas por outros que retornam aos Estados Unidos.

Questionados sobre a possibilidade de retornar para o Brasil, os adolescentes apontam a vontade de conhecer o seu país de nascimento, de saber como são as coisas no Brasil fora da tela da Globo, de se reencontrar com os familiares. Ressaltam, entretanto, que gostariam de ter a oportunidade de sentir como ficaria a questão da identificação com o Brasil, de que forma enfrentariam a maneira de ser e de viver no Brasil. Alegam que tudo que sabem são sentimentos expressos pelos pais; enfim, que a experiência pessoal de retorno ao país de origem seria importante e desejada, embora enfatizem que só gostariam de fazer essa viagem de retorno caso lhes fosse assegurada legalmente a possibilidade de retornar aos Estados Unidos. Nos depoimentos seguintes, Candice demonstra a inquietação da adolescência acentuada por um vazio de identidade que, em sua opinião, só seria resolvido no Brasil. Clara, entretanto (que já estava vivendo concretamente a decisão da mãe de retornar ao Brasil), ao falar da situação que está enfrentando, destaca o medo da violência da vida brasileira que toma conhecimento pelos meios de comunicação e, ao mesmo tempo, um outro medo - o de não ser bem sucedida na vida escolar e não poder voltar para os Estados Unidos.

Estou precisando ir no Brasil para ver. Quero saber, quero descobrir. Eu estou agora com muita dificuldade com esse negócio de identidade. Estou com falta de alguma coisa. Eu acho que só vou achar essa coisa quando chegar lá. Estou com muito vazio. Quero ir lá pra saber o que eu quero pra minha vida, pra meu futuro. Se eu fico aqui eu já sei como vai ser, mas se eu quiser ir pra lá, como é que vai ser?

(Candice, 17 anos)

- Qual a sua expectativa em relação ao Brasil?
- Eu tenho medo de ir para o Brasil. Eu só ouço falar que é tanto ladrão, se mata tanto.
- Como seus amigos sentem seu possível retorno ao Brasil?
- Eles ficam assim calados. Eu acho que eles gostariam de ir também. Quando eu falo que não quero ir, eles dizem que eu sou boba. Só que eu tenho medo, não é minha culpa. A minha amiga que tem a minha idade e que voltou para o Brasil me disse que não gostou de jeito nenhum. Que ela teve de se atrasar na escola. Ela queria muito voltar pra cá. Só as pessoas que não foram pra lá é que ficam dizendo que vai ser bom.

(Clara , 13 anos)

Ficar nos Estados Unidos, por outro lado, não significa, necessariamente, romper os vínculos com a identidade nacional. Aqueles jovens que expressam a oportunidade de reforçar sua brasilidade a partir da experiência de ser imigrante nos Estados Unidos, revelam sentimentos nacionais associados ao prazer de descobrir e participar das atividades culturais brasileiras.

Mudamos muito desde que chegamos aqui. Assim, como vestir, como falar, o modo de pensar, o modo de ser. Se eu não tivesse vindo pra cá, no Brasil eu cresceria de modo diferente. Na Copa do Mundo não perdemos nenhum jogo. Era a maior farra. Eu nunca pensei que eu pudesse aprender a sambar e aqui você tem que aprender a sambar porque você é brasileira. Quando fica no Brasil você só aprende coisa do seu Estado. Agora estou aqui e tenho vontade de conhecer o Brasil todo. Acho lindo capoeira (começa a cantar "Paraná, uê..."). Eu ia entrar na capoeira. Eu estou louca para aprender capoeira.

(Carol , 15 anos)

Essa reaproximação com as tradições culturais brasileiras inclui, através do convívio com brasileiros de diversas regiões, um movimento de expansão lingüística em direção à aquisição de traços de fala característicos de variantes regionais do português do Brasil. Carol acrescenta que

aqui você aprende mais coisa nova, as formas de falar português, as diferenças de sotaque. No Brasil, se me falassem 'trem' eu não ia saber o que era e aqui eu vi que 'trem' é forma de mineiro falar. Você aprende a ver quem é quem, as diferenças, os costumes da gente. Eu me senti mais brasileira. Você passa a dar mais valor ao que você é. Eu dou muito mais valor agora a ser brasileira.

Os depoimentos dos jovens, as formas como elaboram a experiência transcultural (proveniente do deslocamento entre o Brasil e os Estados Unidos), apresentam um movimento de relativização, de reorganização de valores, crenças e atitudes. Atestam, assim, a flexibilidade que os territórios de identidade assumem na pós-modernidade: a formação de identidades híbridas a partir da desintegração das identidades nacionais e da reformulação de identidades 'locais' ou particularistas (Hall, 2004); a experiência da transculturação como um processo que "não contém a implicação de uma dada cultura à qual deve ter a outra, mas uma transição entre duas culturas, ambas ativas, ambas contribuintes e ambas cooperantes para o advento de uma nova realidade civilizatória" (Ianni, 2000, p.107). Nessa perspectiva, ter que optar entre um país ou outro não tem sentido para uma geração de jovens que vive entre fronteiras de interesses pessoais e coletivos. Compreendemos a naturalidade desse processo através da forma como Karina concilia sua afiliação esportiva com sua identidade nacional.

- Num jogo de futebol, você torce para o Brasil ou para os Estados Unidos?
- Para o Brasil.
- Mesmo se o jogo fosse na escola?
- Mesmo que o jogo fosse na escola. Eu não escondo que sou brasileira. Mas eu gosto mais do futebol do Brasil. Se fosse outro jogo que o americano fosse melhor eu ia torcer pelos Estados Unidos.
- Mesmo se o jogo fosse aqui na sua casa, cheia de brasileiros?
- Sim. No ano passado mesmo eu torci pra o basquete americano no jogo aqui em casa.

(Karina Cruz, 16 anos)

Enfim, os estudos sobre a segunda geração apontam para um bilingüismo de transição associado à formação de uma identidade nacional oscilante, tendo como ponto de referência as similitudes e os antagonismos de duas tradições culturais; nesse sentido, poderíamos antecipar a ocorrência de um processo de assimilação semelhante ao que demais grupos étnicos vivenciaram em épocas diversas. Uma outra hipótese seria a de vislumbrarmos uma trajetória inovadora para a segunda geração de imigrantes em tempos pós-modernos, que se sustente na formação identitária de acolhimento de duas línguas, duas nações; a experiência brasileira de ser imigrante ainda é muito recente para se fazer qualquer tipo de previsão. Podemos adiantar, entretanto, que o transnacionalismo vem se constituindo como uma perspectiva de afirmação de identidades não excludentes, mas de possíveis convivências identitárias, a partir da situação contextual que o indivíduo / a coletividade esteja vivenciando. Acreditando ser esse o caminho mais satisfatório no sentido de promover a aproximação entre o mundo da casa e o da rua, os jovens brasileiros seguiriam os rumos da "dialética da tradição brasileira", nos termos de DaMatta (1994), na crença de que "a virtude está no meio", ou seja, adotar uma lógica que salienta o ambíguo e o intermediário como uma proposta de vida tipicamente brasileira nos Estados Unidos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido: 30/01/2008
Aceito: 30/04/2008

 

 

1 Os adolescentes e crianças sofrem pela perda do convívio com a família extensiva, que ficou no Brasil, além de considerar que o excesso de trabalho dos pais também se constitui em uma outra perda emocional no ambiente familiar.
2 Transcrição em linguagem infantil.
3 Para uma descrição mais pormenorizada sobre o uso funcional da escolha lingüística em situação de bilingüismo ver Romaine (1989) e Grosjean (1982).
4 Uma interessante discussão sobre as concepções de bilingüismo, associada às de competência comunicativa e identidade cultural, encontra-se em Maher (2007).

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