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Revista de Economia e Sociologia Rural

Print version ISSN 0103-2003

Rev. Econ. Sociol. Rural vol.50 no.2 Brasília Apr./June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20032012000200010 

Turismo rural, empreendedorismo e gênero: um estudo de caso na comunidade autônoma da Galiza

 

 

Mª Isabel Dieguez-CastrillonI; Ana Gueimonde-CantoII; Ana Sinde-CantornaIII; Lidia Blanco-CerradeloIV

IProfessora da Universidade de Vigo. Email: idieguez@uvigo.es
IIProfessora da Universidade de Vigo. Email: agueimonde@uvigo.es
IIIProfessora da Universidade de Vigo. Email: asinde@uvigo.es
IVPesquisadora da Universidade de Vigo. Email: lyblanco@uvigo.es

 

 


RESUMO

Neste trabalho indagamos sobre possíveis diferenças no comportamento empreendedor em turismo rural; estabelecemos características e dimensões motivadoras em função do gênero. Num exemplo representativo de estabelecimentos de turismo rural da Comunidade Autônoma da Galiza (Espanha), encontramos relação entre gênero e importância da compatibilização de atividades agrárias e tumrísticas, e entre gênero e perfil das motivações para empreender atividades de turismo rural. As mulheres estão mais motivadas por elementos do âmbito econômico e, portanto, na tomada de decisões, têm mais relevância os critérios de racionalidade econômica unidos à estratégia de diversificação da atividade agrária em favor da sobrevivência financeira. Ao contrário do estabelecido na maior parte da literatura, os fatores de índole social, familiar ou institucional têm a mesma importância para homens e mulheres. Aliás, verificase a ausência de relação entre gênero e características pessoais (como idade e formação e necessidades financeiras do empreendedor).

Palavras-chaves: gênero, motivação, turismo rural, empreendedorismo, diversificação.


ABSTRACT

In this paper we establish entrepreneurship characteristics and motivational dimension by gender. Analyzing a representative sample of rural tourism establishments of the Autonomous Community of Galicia (Spain), we seek behavioural differences between gender holders. Relationship is found between gender and reconciliation and importance of agricultural activities by owner, and between gender and profile of the motivations to start tourism activity. Female entrepreneurs are more motivated by elements in the economic sphere and, therefore, have a greater role in decision-making rational economic criteria and diversification of agriculture.

Key-words: gender, motivations, rural tourism, entrepreneurship, diversification.
Classificação JEL: L83, M13.


 

 

1. Introdução

Nos últimos anos, as políticas de desenvolvimento rural na Europa estão centradas na criação de um modelo de rural destinado a desempenhar novas funções. Estas políticas vão dirigidas a afiançar a manutenção e conservação das paisagens e a retenção da população rural, integrando harmonicamente o conjunto do território. Nessa linha, os eixos sobre os quais se apoiam as medidas de desenvolvimento rural na Galícia concentramse na valorização do património cultural e na diversificação de atividades econômicas, entre as quais se encontra o turismo.

Durante os últimos anos coexistem dois fenômenosno âmbito rural: por um lado, a execução de novas propostas e medidas de desenvolvimento e reestruturação rural e, por outro, a incorporação das mulheres ao âmbito econômico, social e laboral. O papel tradicional da mulher no rural estava associado fundamentalmente às explorações agrárias e às atividades artesanais, em grande medida relizadas no lar e em benefício dele, sem vinculação direta a compensações e rendimentos, com horários totalmente flexíveis, e compatibilizados com o trabalho doméstico. No quadro da reestruturação econômica, da diversificação das rendas familiares e do desenvolvimento rural, aparecem novas atividades como o turismo rural além de se gerar o processo de incorporação das mulheres às mesmas.

Na literatura encontramos diferentes opiniões em relação à motivação para começar atividades empresariais. Alguns autores mantêm que não existem diferenças patentes entre os motivos em função do gênero (VERHEUL et al., 2004), enquanto outros defendem motivações diferentes (BODEN e NUNCI, 2000; MARLOW et al. 2009; WATSON e ROBINSON, 2003).

O objetivo do presente estudo é pesquisar sobre o comportamento empreendedor e a decisão de diversificar atividades para o turismo rural em função do gênero.

No âmbito do turismo não existe suficiente pesquisa científica (BIGNÉ, 1996; ANTÓN et al., 1996; FIGUEROLA, 2000; ESTEBAN, 2000), e a publicada apresenta fundamentalmente um perfil de marketing, geografia ou economia aplicada, sem existirem trabalhos determinantes na focagem da direção de empresas. Os estudos realizados até agora que tratam o tema do gênero no setor do turismo rural na Espanha, são generalistas e descritivos sobre o papel da mulher no turismo rural numa perspectiva quer geográfica (SPARRER, 2003; SPARRER, 2005; CABALLÉ, 1999; CANOVES e VILLARINO, 2002; GARCÍA RAMÓN et al., 1995), quer sociológica (SAMPEDRO e CAMARERO, 2007). Nenhum deles analisa as motivações para empreender atividades no turismo rural seja qual for o gênero. Alguns trabalhos que tratam a questão nos meios rurais europeus e americanos concretos, como os de McGehee et al. (2007); Iakovidou et al. (2009) ou Robinson (2001), permitem situar a problemática e fixar as bases para aprofundar sobre o comportamento empreendedor e sobre o gênero no contexto determinado do turismo rural. Porém, todos eles manifestam a necessidade de continuar a pesquisar. Os resultados da pesquisa permitiriam o avanço na análise dos elementos determinantes da diversificação agrária e nos elementos que influenciam o comportamento empreendedor.

O trabalho dividese em cinco seções. Na segunda, revisase, respectivamente, a literatura que aborda a presença da mulher no mundo empresarial e as motivações para empreender atividades de turismo rural ligadas estreitamente à diversificação agrária. São justificadas, além disso, as hipóteses da pesquisa. Na terceira seção tratase a metodologia utilizada na pesquisa, o modelo e recolha de informação. Na quarta expõemse e comentamse os principais resultados e o contraste das hipóteses. Por último, são apresentadas ilações, limitações, futuras linhas de pesquisa e possíveis melhoras.

 

2. Fundamentação teórica

2.1. A realidade da mulher no turismo rural

No momento atual avançase na superação da divisão do trabalho característica das sociedades agrárias, com as mulheres na esfera privada, longe do âmbito público. Tradicionalmente, as atividades das mulheres são circunscritas ao âmbito da família, e o papel da mulher na vida social, política, econômica e comunitária é invisibilizado e desvalorizado. Todavia, as mulheres das áreas sempre desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento das suas comunidades, com um papel muito ativo, embora não reconhecida na economia (IAKOVIDOU et al., 2009; LITTLE, 1987).

A associação da mulher ao trabalho doméstico ou reprodutivo nasce, segundo Brullet (2004), com o ideal burguês da figura da "dona do lar", modelo que na segunda parte do século XX vira hegemônico. Consideravase que o papel da boa "mãe" consistia na criança dos filhos e o cuidado do lar. Esta exclusão das mães do trabalho remunerado supõe exclusão delas do âmbito produtivo.

Com o decorrer do tempo avançase do trabalho reprodutivo ao trabalho produtivo. Contudo, as mudanças que propiciam a incorporação da mulher fora do âmbito doméstico, privado e familiar, podem ser difíceis. Assim, segundo diversos estudos realizados, as mulheres tendem a concentrarse em atividades que são compatíveis com a reprodução e com o cuidado das crianças e são consideradas uma extensão das atividades domésticas, têm caráter pouco permanente e baixa remuneração, sendo consideradas como subordinadas ao trabalho do homem (MARLOW e STRANGE, 1994; LITTLE, 1987).

No mercado de trabalho rural, tradicionalmente as mulheres apareciam invisibilizadas, apesar de realizarem uma tarefa importante, os titulares e proprietários das explorações agrárias sempre eram os homens, os quais, em muitos casos, desempenham atividades também fora da exploração.

Os dados sobre a participação das mulheres nos programas comunitários Leader II e Proder (MARTÍNEZ, 2007), revelam que, no estado espanhol, um terço das iniciativas foram realizados por mulheres (34,68%). Os dados para a Comunidade Autônoma da Galiza estabelecem uma percentagem de 36,22% de projetos apresentados por mulheres, tendo relação com o âmbito do turismo rural 52,6% dos projetos aprovados e 65% do investimento.

No final de 2008, as mulheres representavam 71,21% do emprego do setor. É uma percentagem muito superior à taxa galega de ocupação feminina global e à do setor terciário (serviços), que, nessa mesma data, era de 44,8% e de 56%, respectivamente.

Os dados assinalados revelam a importante dimensão quantitativa do fenômeno. No entanto, no âmbito empresarial as mulheres conformam somente 30% do empresariado, quer na Espanha, quer em países como Canadá, Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia (BRUSH et al., 2006). Aliás, a taxa de iniciativa empresarial feminina espanhola ocupa a posição 21, fato pelo qual se demonstra a importância de uma ajuda à mulher empreendedora espanhola para atingir a paridade (Relatório GEM2003), enquanto nalgum setor específico como o turismo rural a ajuda é desnecessária, pois o avanço para essa paridade é rápido. É por isso que consideramos importante analisar o acontecido neste âmbito para determinar os fatores influentes neste comportamento diferenciado.

2.2. Investigações sobre gênero, empresa e turismo rural

Para a renovação do tecido social e econômico e o envolvimento da população autóctone, o atual modelo de desenvolvimento rural incorpora a perspectiva de gênero e as pequenas empresas com atividades produtivas alternativas às agrárias. Todos estes elementos resultam na criação de empresas de pequena dimensão que empregam capital e recursos locais. Estes negócios beneficiam a equidade social por proporcionarem ao coletivo feminino uma via de entrada nos mercados laborais rurais, nos quais as perspectiva de emprego são escassas. O compromisso dos empreendedores com o desenvolvimento rural através de iniciativas empresariais está implícito graças à criação de emprego que supõe para a população rural e dos efeitos colaterais que se supõem para os provedores de produtos e serviços do âmbito rural (ROSELL et al. 2006; VAN DER PLOEG, 2000). A aparição destes pequenos negócios ajuda a geração de atividade econômica diversificada e dinâmica, contribui para melhorar a qualidade de vida da população e dinamiza a economia local.

A criação de empresas e o espírito empresarial por parte das mulheres é uma matéria analisada do ponto de diferentes perspectivas desde a década de 80. Na literatura, a comparação entre os dois sexos é feita, geralmente, sem levar em conta o modelo de negócio. A mulher associase habitualmente a empresas menores, que crescem mais devagar e são menos rentáveis (FASCI e VALDEZ, 1998; HISRICH e BRUSH, 1984). As diferentes possibilidades que sustentam as diferenças seriam: uma maquiagem psicológica que é menos empresarial ou diferente à de um homem (FAGENSON,1993); menos espírito empresarial ou menos motivação para o crescimento das suas empresas (FISCHER et al., 1993); não ter experiência ou formação (BODEN e NUCCI, 2000); menos desejo de iniciar um negócio (MATTHEWS e MOSER, 1995); maior aversão ao risco; dificuldades nas aberturas de negócios e mesmo até precisar aulas de formação (NELSON, 1989). Os autores defensores deste estilo de discurso encontram grande parte das suas argumentações em diferenças estatisticamente significativas (mesmo às vezes muito pequenas) sem considerarem as similitudes e coincidências entre os dois sexos (AHL, 2002).

Alguns trabalhos fazem referência, como suporte das diferenças constatadas, a causas alheias às próprias mulheres, evidenciando que existe uma falta de apoio social e cultural da mulher empreendedora. Além disso, defendem a ideia de que as mulheres têm mais problemas para acederem ao capital, como por exemplo, a falta de credibilidade ao tratar com entidades financeiras (HISRICH e BRUSH, 1984).

Porém, alguns trabalhos fazem referência às vantagens para o desenvolvimento dos negócios gerenciados por mulheres, já que estas exibem, muitas vezes, maior habilidade para construir e conservar redes de relações duradouras, maior sensibilidade para necessidades do seu âmbito e para diferenças culturais no campo de ação empresarial (Relatório GEM2003).

Para as mulheres, o turismo rural representa um dos setores em que teoricamente pode desenvolverse uma dupla função: uma de cuidado da família e outra de empresária, juntando o trabalho produtivo e o reprodutivo (SAMPEDRO e CAMARERO, 2007).

Sob estas premissas, podemos estabelecer a seguinte hipótese desta pesquisa:

H1: Existe relação entre gênero e fatores determinantes do comportamento empreendedor.

2.3. Motivações para empreender atividades de turismo rural, diversificação da atividade agrária e gênero

Desde a década de 80, a crise do setor agrário reduziu as oportunidades econômicas das comunidades rurais, forçando o desenvolvimento de estratégias não tradicionais para o sustento das explorações agrícolas. As alternativas de negócio que as explorações agrícolas têm são diversas (ILBERY et al., 1998).

Uma das alternativas considerada não tradicional para o desenvolvimento econômico do campo é o turismo associado à oportunidade de negócio. As moradas que combinam atividades agrárias e turísticas entraram no comércio turístico oferecendo, em pequena escala, alojamento de alta qualidade e/ou atividades de desenvolvimento específico para os visitantes. Esta estratégia diversificadora precisa de poucos recursos econômicos, pois é mais fácil a aplicação que outras estratégias de desenvolvimento rural como, por exemplo, a produção agrária em grande escala. É importante também saber que pode ser desenvolvida localmente, com a participação do governo local, através de pequenas empresas, sem precisar de empresas alheias. O turismo pode gerar importantes rendimentos complementares para as explorações agrícolas, além de proporcionar lucros para as empresas relacionadas diretamente (estabelecimentos que ofertam hospedagem etc.) e as relacionadas indiretamente (postos de gasolina, lojas, restaurantes etc.). A combinação de atividades agrárias e turísticas no rural apresentase como uma opção dominante de diversificação desde a década de 90 (ILBERY et al., 1998; POLOVITZ et al., 2001; BARBIERI et al., 2008).

É possível classificar os fatores que influenciam esta diversificação em internos e externos (MCNALLY, 2001). Como fatores internos, referese a uma ampla variedade de elementos: tamanho, modelo e antiguidade das explorações, relações de gênero no ambiente familiar, experiências ocupacionais e educativas dos membros da família, sucessão etc. Um fator externo de relevância seria o desenvolvimento de estratégias alternativas nas explorações. Desta maneira, junto à necessidade de incrementar as possibilidades de rendimento e trabalho da exploração agrícola, está o fato de que, muitas vezes, é uma escolha profissional para os herdeiros da mesma. Alguns estudos mostram que as mulheres assinalam mais fatores internos para criar as empresas, enquanto os homens, mais fatores externos (GATEWOOD et al., 1995).

Também se misturam motivos de índole econômica e social (MCGEHEE e KIM, 2004) que podem ser classificados como motivações de racionalidade formal (aquelas estritamente relacionadas com a racionalidade econômica) e as motivações de racionalidade substantiva (aquelas mais além da estrita racionalidade econômica e que guardam relação com a visão de permuta social, com as preocupações morais etc.). Assim, os empresários de turismo rural, além de serem influenciados pela busca de rendimento econômico, também podem manter os trabalhos agrícolas como uma maneira de continuidade das relações familiares, quer pelo interesse nos valores desenvoltos no âmbito agrário, quer pelo interesse em conseguir um vínculo com o mundo urbano sem abandonar o âmbito rural, entre outros fatores.

Além disso, as investigações que analisam em termos gerais as motivações para empreender atividades empresariais e a sua relação com o gênero, revelam que as mulheres podem ter interesses diferentes aos dos proprietários masculinos (BODEN et al., 2000; MARLOW et al., 2009; WATSON e ROBINSON, 2003). Algumas destas motivações podem ser as posições prévias no mercado de trabalho, o conseguimento do equilíbrio de responsabilidades profissionais e pessoais, a satisfação no trabalho, a independência e a autonomia. É por isso que as mulheres podem apresentar preferências menores pela obtenção de resultados econômicos e podem dar início aos seus negócios só por questões de "estilo de vida" (IAKOVIDOU et al., 2009; MARLOW e STRANGE, 1994). Uma análise alternativa das motivações diferencia entre fatores pull ou positivos, derivados do desejo do indivíduo de mudar para uma situação mais atraente, e os fatores negativos ou push, resultantes da necessidade do indivíduo de alterar uma situação que lhe é desagradável, sobrepondose à uma situação de insatisfação. As mulheres sofreriam uma combinação de fatores pull e push (MUIR, 1999), tendo em consideração, em muitos casos, o alcance do autoemprego como alvo de crescimento pessoal, como base da decisão de empreender atividades empresariais.

Diversos estudos, que tratam o tema específico do começo de atividades empresariais de turismo rural e também o empreendimento e o gênero no rural, têm conclusões similares já anteriormente citadas que têm a ver com as diferentes motivações em função do gênero (MCGEHEE e KIM, 2004; IAKOVIDOU et al., 2009, ROBINSO, 2001).

Sob estas premissas podemos estabelecer a segunda hipótese desta pesquisa:

H2: Existem diferenças significativas entre os gêneros a respeito das motivações para empreender atividades de turismo rural.

 

3. Metodologia

3.1. Âmbitos de estudo

A Galiza foi até meados da década de 70 uma comunidade eminentemente agrária, manifestando, desde então, um comportamento no setor agrário que mostra como características mais destacáveis a descida contínua do número de explorações agrárias e a descida do emprego agrário; questões que redundam na perda de peso no setor no conjunto da economia.

Na Galiza, segundo dados de Contabilidade Regional, a participação do setor agrário no Valor Acrescentado Bruto (VAB) total passou de 12,9% em 1975 a 6,85% em 2000 e 2,9% em 2008. Aliás, constatase nos últimos anos (IGE, 2010) que o crescimento do VAB agrário não pode seguir o crescimento do VAB total. Paralelamente, o emprego agrário despencou 79,3% desde 1955 até o ano 2000, sendo no ano 2000 unicamente 14,3% do emprego total e em 2010, um escasso 2,08% (IGE, 2010).

Os dados estatísticos de 2010 (IGE, 2010) mostram um mercado laboral na Galiza com 1.15 milhão de trabalhadores, dos quais 54,7% são homens. O número de trabalhadores que são empresários ascende a 231.1 mil. Considerando como empresários aqueles que contam com operários por conta alheia, apenas o 34,3% do total são mulheres. A percentagem incrementase no caso dos empresários sem trabalhadores, até 41,5%.

Durante a década 20002010, o crescimento médio anual de estabelecimentos de turismo rural mantémse constante em 26,79%. Os dados da oferta de turismo rural na Galiza apresentam a cifra de 587 alojamentos em 2009. Em termos de emprego, são por volta de 900 as pessoas envolvidas em tarefas no setor. A taxa média de número de trabalhadores por estabelecimento é de 1,42.

A evolução econômica da Galiza desde meados dos anos 70 apresenta a coexistência de dois fenômenos no rural galego: o retrocesso em termos econômicos de atividade agrária e o de uma nova atividade turística. Portanto, é importante analisar em pormenor o comportamento empreendedor neste âmbito e concretamente as suas características em função do gênero para identificar os fatores que determinam a diversificação de atividades no âmbito agrícola.

3.2. Dados

Para conhecer as características, o perfil e as motivações dos proprietários e proprietárias de estabelecimentos de turismo rural para empreender atividades turísticas, preparouse um amplo conjunto de informação, suficientemente representativo, de estabelecimentos de turismo rural da Galícia. Para fazer a seleção das empresas, tevese como referente o diretório de estabelecimentos de Turismo Rural da Direção Geral de Turismo da Junta da Galícia, que tem 488 estabelecimentos. Para determinar o tamanho do conjunto seguiramse os procedimentos habituais neste modelo de estudos (população finita, níveis de confiança e limites admissíveis de erro). Com uma margem de erro de +8%, na hipótese P = 50% e nível de confiança de 95%, o tamanho da amostra é de 115. A eleição das empresas do conjunto fezse aleatoriamente, seguindo a norma UNE 6601079 (método que se faz por acaso). Dirigimonos pessoalmente às unidades da amostra com o questionário estruturado, combinando previamente por telefone, a entrevista com os proprietários. Período da coleta de dados: janeiro 2009 - maio 2009.

3.3. Variáveis e análise

Observamos como elementos que podem influenciar no comportamento empreendedor aqueles que estejam relacionados de jeito específico com o medio rural no que é desenvolvida a atividade analisada: características pessoais dos proprietários (necessidades de formação, nível educativo, experiência gestora), atividade profissional (distribuição do tempo de trabalho, diversificação de atividades, % da renda percebida, vinculação à exploração agrária) e características dos estabelecimentos (tamanho, necessidade de recursos para começar o funcionamento).

Para medir a importância das diferentes motivações na decisão de empreender a atividade turística, foi utilizada uma combinação das consideradas por McGehee et al. (2007) com quatro adicionais que figuram em Polovitz et al. (2001). Solicitouse aos titulares dos estabelecimentos que valorizassem o grau de importância dos seguintes itens sobre uma escala de cinco pontos: temporalidade e flutuação dos mercados agrários; obtenção de rendimentos adicionais; aproveitamento; aproveitamento do nicho de mercado; possibilidade de sucessão futura para a exploração; estilo de vida; possibilidade de emprego no âmbito familiar; possibilidade de abandono da atividade agrária; melhora do uso dos recursos; êxito de outras explorações; conscientização do cliente; hobby; supressão das ajudas no âmbito agrário e aproveitamento das ajudas.

 

Quadro 1

 

4. Resultados

4.1. Elementos determinantes da iniciativa empresarial e gênero

Realizamos testes de comparação de médias à procura de diferenças que nos permitam explicar o comportamento empreendedor. Como resultado da aplicação da técnica de análise, achamos relação entre vinculação à exploração agrária e ao gênero. Assim, a compatibilização de atividade turística e agrária é mais forte nos estabelecimentos com propriedade feminina. Igualmente, a renda procedente da atividade agrária tem muita mais importância nos estabelecimentos de mulheres que nos de homens. Reduziuse, porém, o tempo dedicado a atividades agrárias desde o começo das atividades turísticas. Não se observam importantes diferenças em função do gênero a respeito das variáveis como o tamanho e a iniciativa para criar empresas novas à margem da exploração agrária e das variáveis representativas das características pessoais dos empreendedores.

É por isso que, em relação à primeira das hipóteses propostas no trabalho, podemos estabelecer como elemento distintivo da iniciativa empresarial feminina no turismo rural fatores associados à situação profissional prévia no contexto agrícola, unidos à atividade das explorações agrárias. Não podemos considerar como determinantes outros fatores vinculados ao perfil pessoal da proprietária, como a experiência em gestão ou o nível educativo. Também não podemos estabelecer relação nem com o tamanho dos estabelecimentos nem com as necessidades financeiras prévias para empreender.

4.2. Análise das motivações para empreender atividades turísticas no rural, diversificação e gênero

Tendo em consideração o conjunto de motivações analisado em pesquisas anteriores sobre turismo rural, analisamos possíveis diferenças significativas nas decisões das pessoas proprietárias dos estabelecimentos de turismo rural em função do gênero. É por isso que realizamos uma comparação de médias para os estabelecimentos que têm propriedade masculina e para os estabelecimentos que têm propriedade feminina.

De uma parte, observamos que os motivos que podemos classificar como estritamente econômicos têm maior importância para as mulheres do que para os homens. Portanto, os valores médios de todas estas motivações são superiores aos dos homens. Além disso, a principal motivação para as mulheres é a obtenção de rendimentos adicionais. Estatisticamente, observamse diferenças significativas entre os valores médios, tanto no aproveitamento do nicho de mercado quanto na situação dos mercados agrários e a melhora do uso dos recursos econômicos. Este resultado está em concordância com o de outros estudos que analisaram os motivos da diversificação no rural (MCGEHEE e KIM, 2004; MCCOOL e MOISERY, 2001; ILBERY et al., 1998; REIJONEN e KOMPPULA, 2007). É por isso que descobrimos na geração de rendas que asseguram a sobrevivência financeira um motivo dominante para as mulheres.

A realização de novas atividades para assegurar a futura continuidade das atividades agrárias, o conseguimento de emprego para membros da família, a escolha sobre o estilo de vida (independência, sociabilidade com clientes etc.) ou fatores institucionais não são considerados mais relevantes para as mulheres do que para os homens.

Estas ilações são contrárias ás conseguidas na literatura que mostra menor preferência das mulheres pelos resultados estritamente econômicos e mais por motivações não econômicas (IAKOVIDOU et al., 2009; MARLOW e STRANGE, 1994; RUANE e SUTHERLAND, 2007). Outros estudos específicos de empreendedorismo no rural indicam ainda uma maior preferência causada por motivos não relacionados com aspetos econômicos (MCGEHEE et al., 2007; IAKOVIDOU et al., 2009, ROBINSON, 2001). Pelo contrário, descobrimos resultados que indicam que muitos destes propósitos têm uma importância similar para homens e mulheres. Não podemos defender que a iniciativa empresarial feminina cumpra uma função de realização pessoal sobre qualquer outra função, mas, sim, que o sentido da mesma reside em primeiro lugar numa função econômica.

 

Tabela 1

 

É por isso que em relação à segunda das hipóteses propostas, constatamos que existe relação entre as motivações para empreender a atividade empresarial de turismo rural e o gênero, sendo mais importantes as motivações econômicas para as mulheres do que para os homens.

 

5. Ilações, limitações e futuras linhas de pesquisa

Neste trabalho foram analisadas as diferenças em função do gênero no comportamento empreendedor no setor do turismo rural. As variáveis comparadas são os fatores determinantes e as motivações para empreender.

Achamos, nos fatores determinantes, elementos que apontam para uma predisposição das mulheres na diversificação da atividade agrária para a turística (nos estabelecimentos dirigidos por mulheres é ampla a tendência a vincular atividade turística e agrária e é superior a percentagem de renda procedente da atividade agrária). Essa ampla tendência feminina a diversificar é paralela ao fato de as mulheres aumentarem significativamente o tempo que destinam à nova atividade turística frente à inicial atividade agrária. É por isso que estes dados apontam para uma maior profissionalização e implicação empresarial das mulheres com os projetos turísticos criados por elas.

A respeito da análise das motivações para empreender atividades turísticas, observamos que as motivações econômicas apresentam importantes diferenças em função do gênero (os elementos econômicos são mais valorizados no caso dos estabelecimentos com propriedade feminina). Assim, as mulheres empreendem atividades turísticas com a decidida intenção de obter rendimento econômico e com um decidido propósito econômico. As possibilidades econômicas das proprietárias são mais fortes do que as dos proprietários. Esta ilação é contraria à da literatura que defende a prioridade de objetivos do âmbito social ou familiar frente os objetivos econômicos (IAKOVIDOU et al., 2009; MARLOW e STRANGE, 1994). Em um setor como o do turismo rural, onde aparecem características incentivadoras tradicionais para o desenvolvimento da atividade empresarial feminina, as mulheres consideram como elementos motivadores mais destacados os econômicos, ao contrário do que acontece com os homens.

 

Tabela 2

 

As mulheres, muito mais do que os homens, respondem aos habituais motivos de diversificação produtiva no rural (MCGEHEE e KIM, 2004; MCCOOL e MOISERY, 2001; ILBERY et al., 1998; REIJONEN e KOMPPULA, 2007): a geração de rendas que garanta a sobrevivência financeira.

É o nosso desejo, neste estudo, continuar analisando a situação da mulher no turismo rural e as possíveis relações causais entre gênero e variáveis de gerência. Seria de interesse introduzir a distinção entre gerência e propriedade no momento de contemplar a variável gênero. Poderíamos avançar na pesquisa diferenciando as diversas classes de empreendedoras, como as criadoras de autoemprego, as geradoras de rendimentos adicionais (normalmente a tempo parcial) e as que podem considerarse estritamente como empresárias. Também é interessante compilar informação ao longo do tempo para estudar possíveis diferenças nas possibilidades de sobrevivência e crescimento das empresas no longo prazo. As características do contexto geográfico em que foi realizado o estudo empírico podem condicionar os resultados obtidos. Trasladar o campo de análise a outros âmbitos territoriais ou a outros setores influenciaria na detecção de diferenças ou de similitudes nos resultados.

Do mesmo jeito, outras técnicas estatísticas permitiriam novos contrastes de hipóteses.

 

6. Referências bibliográficas

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