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Tempo Social

Print version ISSN 0103-2070On-line version ISSN 1809-4554

Tempo soc. vol.1 no.1 São Paulo Jan./June 1989

http://dx.doi.org/10.1590/ts.v1i1.83347 

Articles

FOUCAULT: O SILÊNCIO DOS SUJEITOS

José Carlos Bruni* 

*Professor do Departamento de Sociologia - FFLCH-USP.

RESUMO

Este pequeno estudo mostra como Foucault, ao romper com as filosofias tradicionais do sujeito - o marxismo, o existencialismo, o positivismo -, empenha-se na reconstituição histórico-social das tecnologias da sujeição, sem apontar os caminhos possíveis da libertação dos oprimidos. Crime e loucura surgem como figuras do mal e da desrazão, prisão e manicômio circunscrevem espaços da exclusão total, instituições estratégicas para se compreender os fundamentos da ordem social. Recusando-se a dar voz ao silêncio dos sujeitos, Foucault coloca, de modo radical, a questão da representação, convidando-nos a uma nova reflexão sobre o papel específico do intelectual e do político em geral.

Palavras-Chave: Foucault; sujeição; representação; poder

ABSTRACT

This short study shows how Foucault, upon parting with the traditional philosophies concerning the subject - Marxism, Existentialism, Positivism, -engaged in the reconstruction of socio-historical technologies of subjection, without ever printing out to possible paths for the liberation of the oppressed. Crime and insanity emerge as figures of evil and the absurd. Prisons and insane asylums circunscribe spaces of total exclusion, being strategic institutions for us to understand the foundations of social order. Refusing to give voice to the subjects’ silence, Foucault radically confronts us with the question of representation, inviting us to reflect once again upon the specific role of intellectuals and the politicians in general.

Key words: Foucault; subjection; representation; power

Texto completo disponível em PDF.

1.. As instituições não são fontes ou essências, e não possuem nem essencia nem interioridade. Elas são práticas, mecanismos operatórios que não explicam o poder pois que supõem os seus relacionamentos e contentam-se em 'fixá-los', segundo uma função reprodutora e não produtora" (Deleuze, 1987, p. 105·6).

2“Limite onde se dá a decisão ontológica: contestar é ir até ao amago vazio, onde o ser atinge seu limite e onde o limite defIne o ser. Lá, no limite transgredido, ressoa o sim da contestação” (Foucault apud Carvalho, 1985, p. 84).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

CARVALHO, José Carlos de Paula. A corporiedade outra. In: RIBEIRO, Renato Janine, org. Recordar Foucault. São Paulo, Brasiliense, 1985. p. 72-93. [ Links ]

DELEUZE, Gilles. Foucalt. Lisboa, Vega, 1987. [ Links ]

FOUCAULT, Michel. Histoire de la folie à l’age classique. Paris, Union Générale D’Editions,1961. (Col. 10/18). [ Links ]

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LEBRUN, Gérard. Transgredir a finitude. In: RIBEIRO, Renato Janine, org. Recordar Foucault . São Paulo, Brasiliense,1985. p. 9-23. [ Links ]

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