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Tempo Social

Print version ISSN 0103-2070On-line version ISSN 1809-4554

Tempo soc. vol.2 no.1 São Paulo Jan./June 1990

http://dx.doi.org/10.1590/ts.v2i1.84796 

Artigos

HANNAH ARENDT: MODERNIDADE, CIÊNCIA E FILOSOFIA

Emilio E. Dellasoppa* 

*Mestrando do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Ciência Política, FFLCH-USP. Pesquisador do Núcleo de Estudo da Violência/ USP.

RESUMO

Estudam-se as concepções de Hannah Arendt sobre as relações entre ciência e filosofia a partir do momento que caracteriza como de dupla alienação: da ciência da terra para o cosmos e da filosofia do mundo para o eu. Arendt entende este momento como o fundacional do subjetivismo filosófico, coincidente com os eventos que determinam o caráter da Idade Moderna.

Mostra-se que Arendt reage contra o “seguidismo” da filosofia em relação à ciência, admitindo a possibilidade humana de descoberta e manipulação das leis da natureza ao mesmo tempo que nega sua compreensão. Nesta clivagem aparece a possibilidade de um fundamento da legitimidade da filosofia, como exercicio de pensamento que procura legitimidade e não compreensão.

Palavras-Chave: Hannah Arendt: ciência; filosofia; subjetivismo; modernidade; compreensão; significado; legitimidade

ABSTRACT

We study here the conceptions of Hannah Arendt on the relations between science and philosophy from the moment characterized by her as a double alienation: from the science of earth to cosmos and from the philosophy of the world to the self. Arendt understands this moment as the foundation of philosophical subjectivism, coinciding with the events determining the character of Modern Age.

We show that Arendt reacts against philosophy “following up” in relation to science, admitting the human possibility to discover and manipulate the laws of nature, whilst denying its comprehension. In this cleavage the possibility of grounding philosophy’’s legitimacy emerges, as an exercise of thinking in search for legitimacy and not for comprehension.

Key words: Hannah Arendt: science; philosophy; subjectivism; modernity; comprehension; meaning; legitimacy

Texto completo disponível em PDF.

1Vide Lakatos, 1978, p. 29; e este trabalho p. 191-192.

2Hannah Arendt refere-se neste caso (thinking) ao seu próprio conceito de pensamento. Vide p. 187 -190 deste trabalho.

3“Há trinta anos, considerava-se geralmente muito estranha a idéia de que a noção de movimento absoluto fosse desprovida de sentido e de conteúdo empírico, e cientificamente inútil. Hoje, esse ponto de vista é sustentado por muitos pesquisadores reputados.” Com estas palavras Ernst Mach refletia o estado da discussão em 1912. A teoria da relatividade de Einstein se encarregou de dar o golpe de misericórdia nessas noções. Citado por Popper, 1982,p. 199.

4Citando Marx, Hannah Arendt assinala que é precisamente essa separação cada vez maior entre o Ser e a Aparência a característica fundamental da ciência moderna.

5A citação completa de Heidegger é a seguinte: “Thinking does not bring knowledge as do the sciences. Thinking does not produce usable practical wisdom. Thinking does not solve the riddles of the universe. Thinking does not endow us directly with the power to act.” (Arendt, 1978,p. 1).

6A citação de Mercier de la Rivière é: “Euclide est un véritable despote; et les vérités qu’il nous a transmises, sont des lois véritablement despotiques”. (“Euclides é um verdadeiro déspota; e as verdades que ele nos transmitiu são leis verdadeiramente despóticas.”)

7Russell, B.A.W.: My philosophical development. Ioc. cit.

8Tomado de Frank, Philipp. Philosophical uses of science. Bulletin of Atomic Scientists, Vol. XIII, nº 4. abr. 1957.

9Exemplos vários: difração de um único fóton por duas fendas, efeito túnel, não localidade, algumas conseqüências do princípio de indeterminação, etc.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

ARENDT, Hannah. Between past and future. New York, Penguin Books, 1977. [ Links ]

______. A condição humana. Rio de Janeiro/São Paulo, Ed. Forense Universitária/ EDUSP, 1981. [ Links ]

______. The life of the mind. New York, Harcourt Brace Jovanovich, 1978. [ Links ]

LAKATOS, Imre. Matemáticas, ciencia y epistemología . Madrid, Alianza Editorial, 1981. [ Links ]

LEBRUN, Gerard. Hannah Arendt: um testamento socrático. In: ______. Passeios ao léu. São Paulo, Brasiliense, 1983. [ Links ]

POPPER, Karl. Conjecturas e refutações. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1982. [ Links ]

______. A lógica da pesquisa científica. São Paulo, Editora Cultrix, 1985. [ Links ]

YOUNG-BRUEHL, Elizabeth. Hannah Arendt: for love of the world. New York, Yale University Press, 1982. [ Links ]

Received: January 1990

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