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Tempo Social

versão impressa ISSN 0103-2070versão On-line ISSN 1809-4554

Tempo soc. vol.6 no.1-2 São Paulo enero/dez. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/ts.v6i1/2.85113 

ARTIGOS

O moderno e o contemporâneo: reflexões sobre os conceitos de indivíduo, tempo e morte

Modern and contemporary: reflections on the concepts of individual, time and death

MARIA HELENA OLIVA AUGUSTO1 

1Professora do Departamento de Sociologia da FFLCH-USP

RESUMO

As relações que os homens compartilham na sociedade, entre elas a própria forma como percebem o tempo, permitem-lhes atribuir significados específicos a várias dimensões de sua existência. O que se pretende nesta comunicação é refletir sobre o sentido que a morte adquire para os indivíduos na sociedade contemporânea e, através dessa reflexão, discutir o próprio significado que atribuem à vida. Com essa finalidade, discorrer-seá sobre alguns traços da vida social na modernidade, principalmente sobre a emergência do indivíduo livre e sobre as alterações que se fizeram sentir na noção de tempo. Em seguida, os mesmos traços serão identificados no mundo contemporâneo. A percepção das alterações de significado que a vida e a morte sofreram na vivência contemporânea das pessoas emergirá, espera-se, da comparação entre os dois momentos.

Palavras-Chave: Indivíduo; tempo; morte; modernidade; liberdade

ABSTRACT

The relations that bind members of a society together and allow them to formulate shared ideas about the world, such as the ways in which the nature of time is perceived, also permit them to attribute specific meanings to the various dimensions of their existence. This paper deals with the meaning of death for members of contemporary society and with the related issue of the meaning of life. To accomplish this, I will discuss certain aspects of modern social life, as conceived of in the late 18th and early 19th centuries. Principally, I will deal with the emergence of the individual, the idea of freedom and changes in the notion of time - features which will then be identified in the contemporary world. Changes in the meaning of life and death as perceived in people's contemporary experience will hopefully become clear by comparing these two moments.

Key words: Individual; time; death; modernity freedom

Texto completo disponível em PDF.

Esta é uma versão um pouco ampliada de texto a ser publicado na Revista PSICOLOGIA-USP vol. IV, nº 2 de 1993 (que será editada em junho de 1995), com o título Tempo e indivíduo no mundo contemporâneo: o sentido da morte. Trata-se de comunicação apresentada no XIII Congresso Mundial de Sociologia, organizado pela International Sociological Association e realizado em Bielefeld, Alemanha, no período de 18 a 23 de julho de 1994.

1"(...) Sens qui concerne l'autoreprésentation de la société; sens participable par les individus; sens leur permettant de monnayer pour leur compte personnel un sens du monde, un sens de la vie et, finalement, un sens de leur mort (...)".

2"the human mastery of the natural world".

3"largely from the nineteenth century, we have inherited a romanticist view of the self, one that attributes to each person characteristics of personal depth: passion, soul, creativity, and moral fiber. (...) But since the rise of modernist world view beginning in the early twentieth century, the romantic vocabulary has been threatened. For modernists the chief characteristics of the self reside not in the domain of depth, but rather in our ability to reason (...)".

4"The universe of future events is open to be shaped by human intervention".

5"the 'openness' of things to come expresses the malleability of the social world and the capability of human beings to shape the physical settings of our existence".

6"bodily discipline is intrinsic to the competent social agent; it is transcultural rather than specifically connected with modernity (...)".

7"(...) where both the romantic and the modernist conceptions of identifiable selves begin to fray, the result may be something more than a void, an absence of self. Instead, if this tracing of the trajectory is plausible, we may be entering a new era of self-conception. In this era the self is redefined as no longer an essence in itself, but relational. In the postmodern world, selves may become the manifestations of relationship, thus placing relationships in the central position occupied by the individual self for the last several hundred years of Western history." Assim "(...) one's sense of individual autonomy gives way to a reality of immersed interdependence, in which it is relationship that constructs the self" (Gergen, 1991, p. 146-147). Embora achando sugestiva a discussão desenvolvida por Gergen, discordo em dois pontos de sua interpretação: em primeiro lugar, de meu ponto de vista, em todos os momentos socio-históricos e não apenas no momento contemporâneo, "it is the individual as socially constructed that finally informs people's patterns of action" (Gergen, 1991, p. 146); em segundo lugar, ainda não estou convencida de que vivemos num mundo "pós-moderno"; entendo que a modernidade permanece vigente e que os aspectos paradoxais apresentados pela contemporaneidade são resultantes da explicitação de algumas de suas virtualidades, não muito ressaltadas quando de sua emergência.

8Este traço deve ser destacado, à medida que significa uma reorientação na forma como o passado é considerado. O pensamento iluminista apresentava como um sinal de progresso o rompimento de quaisquer vínculos com o passado, o que vai ser extremamente criticado pelo pensamento conservador, que encara o passado como fonte de vida e de sabedoria. A exigência da utilização do passado como referencial para novas experiências, expressa por autores que, certamente, não podem ser identificados com o pensamento conservador, é algo que merece análise mais atenta.

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Recebido: Abril de 1995

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