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Tempo Social

versão impressa ISSN 0103-2070

Tempo soc. vol.23 no.1 São Paulo  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20702011000100016 

RESENHAS

 

 

Taniele Rui

Doutoranda em Antropologia Social, Unicamp

 

 

Philippe Bourgois e Jeff Schonberg. Righteous dopefiend. Berkeley/Los Angeles, University of California Press, 2009, 360 pp.

 

Uma fotoetnografia do abuso*

Ao longo de doze anos (novembro de 1994 a dezembro de 2006), o antropólogo Philippe Bourgois e o fotógrafo Jeff Schonberg conviveram com cerca de vinte pessoas que largaram moradia, trabalho, família, e que enfrentaram infecções, dores crônicas, fome, desabrigo e ostracismo social para injetar heroína. Hoje, quase todas estão mortas. Quem quiser ler sobre suas vidas e observar seus rostos – o aviso é dado logo nas primeiras páginas do livro – tem que "abrir a mente" e, por um breve instante, suspender o julgamento, pois, quando visto de muito perto, não há como ignorar que o uso abusivo de drogas sob condições de extrema pobreza e alta repressão policial cria espaço moralmente ambíguo que borra as fronteiras entre vítimas e perpetradores.

Autor do premiado livro In search of respect1, fruto de cinco anos de pesquisa de campo no East Harlem, em Nova York, e dedicado à descrição do cotidiano de vendedores de crack, Philippe Bourgois juntou-se agora ao fotógrafo Jeff Schonberg para retratar o cotidiano desses homeless usuários de heroína, que vivem em cantos da Edgewater Boulevard, nome fictício dado pelos autores a uma das principais rotas de tráfego de San Francisco, ligação entre a zona conhecida como Vale do Silício (onde se recebem os mais altos salários dos Estados Unidos) e o centro da cidade (onde se localizam as mais caras áreas residenciais). A conjunção de uma condição humana extrema num local significativamente sui generis impulsionou os autores a levarem a cabo o projeto de mostrar como a força da política neoliberal opera no nível da vida cotidiana e inflige sofrimento. Se tal propósito já estava anunciado no livro anterior de Bourgois, numa crítica à excessiva preocupação dos antropólogos norte-americanos com o conceito de cultura, aqui, para além da brilhante descrição empírica que marca a obra do autor, vê-se também um claro diálogo com Marx, Foucault e Bourdieu, e a explícita intenção de construir uma "teoria do abuso" (já desenvolvida ao longo da introdução).

Ressuscitando o sentido estrutural do lumpen de Marx como uma população vulnerável produzida nos interstícios dos modos de transição da produção, e sem reter seu conteúdo pejorativo e moral, os autores tentam elucidar as relações entre o poder de forças de larga escala e os modos íntimos de ser. Nesse caso específico, tentam entender, de um lado, por que os Estados Unidos, a mais rica nação do mundo e aquela que busca impor sua política antidrogas a todo o globo, são também uma panela de pressão de produzir "viciados" imersos na violência diária; de outro lado, o arguto olhar do etnógrafo não pode deixar de considerar a maneira destrutiva segundo a qual os Edgewater homeless administram drogas e a importância da violência e da manipulação nas suas relações pessoais. Assim, em termos analíticos, se a primeira questão alude à dinâmica de forças estruturais, a segunda levanta o problema da responsabilidade individual ou daquilo que a academia chama de "agência". Com isso, "nossa teorização do abuso coloca a experiência individual de níveis intoleráveis de sofrimento entre os socialmente vulneráveis (os quais se manifestam muito sob a forma de violência interpessoal e autodestruição) no contexto de forças estruturais (políticas, econômicas, institucionais, culturais) e manifestações incorporadas de aflição (morbidades, dores físicas e ansiedade emocional)" (p. 16).

Em outras palavras, argumentam que o sofrimento crônico e cumulativo dos homeless usuários de heroína pode ser mais bem entendido se observado como um fenômeno estruturado politicamente e, ao mesmo tempo, envolto em diversos relacionamentos sociais e pessoais abusivos. Na medida em que o abuso de drogas não é concebido como descolado de outras esferas, o leitor deste livro entrará em contato com o tema através de discussões sobre forças políticoeconômicas, cultural-ideológicas e institucionais, tais como reestruturação no mercado de trabalho dos Estados Unidos, a política norte-americana de guerra às drogas, a gentrification do mercado habitacional de San Francisco, o que se passa no interior do serviço social e de saúde, a administração de burocracias, a desigualdade racial e de gênero, concepções de família, relações de poder, técnicas do corpo e estigma.

Como ocorre com muitos trabalhos de grande ambição analítica, o desafio é justamente encontrar as complexas mediações que permitem relacionar os polos da estrutura social e da escolha individual sem que o resultado seja uma conclusão forçada ou desprovida de evidência empírica. Nesse sentido, o livro em tela é analiticamente mais bem-sucedido que o anterior de Bourgois, na medida em que consegue retratar a agonia e o êxtase de viver nas ruas sendo usuário de heroína sem beatificar ou fazer um espetáculo dos indivíduos envolvidos e, ao mesmo tempo, sem reificar as forças maiores que os envolvem.

Um exemplo de tal mediação é a honestidade intelectual e a coragem dos autores em afirmar o quanto se irritaram com os constantes pedidos de favor que receberam, tornando explícito o fato de que muitas vezes pagaram para obter dados de pesquisa. Os auto-res dizem que tiveram que conter o apressado impulso de valorar tais atos para começar a ver as pessoas com respeito e simpatia. Não sem que isso fosse objeto de reflexão. Ao "comprar amizades" [buying friendship] eles relatam que passaram a participar da "economia moral" desses usuários e entenderam a importância dela num nível muito mais intuitivo e incorporado. Segundo eles, estar suficientemente imersos nessa lógica do tirar proveito foi importante para que reconhecessem quando dar, quando ajudar, quando dizer não e quando ficar com raiva. Com isso, viram também que estavam diante de pessoas desesperadas por dinheiro e que não havia nada de substancialmente diferente na forma como extraíam recursos daqueles da própria rede que tinham melhores condições. Ainda assim, Bourgois e Schonberg são enfáticos em afirmar que nunca foram roubados.

A forma em que é escrito e as várias linguagens que compõem o livro também contribuem com tal ambição teórica: notas inteiras dos cadernos de campo dos autores, fotografias e análise aparecem juntas, dando ao leitor a possibilidade de entrar nesse universo por meio de múltiplos registros que se complementam e se fortalecem. Vista fora de contexto, por exemplo, a fotografia de um homem injetando heroína pela jugular de outro pode confirmar um estereótipo negativo ou ser considerada uma espécie de pornografia voyeurista do sofrimento. Mas a análise da fotografia em conjunto com as notas de campo capacita-nos a entender a relação que envolve os dois homens, bem como a racionalidade pragmática do que, à primeira vista, pode parecer um comportamento altamente autodestrutivo ou imoral. Por sua vez, as notas de campo colaborativas têm a vantagem de inspecionar as interpretações e os insights de Bourgois e Schonberg (que nos relatos aparecem simplesmente como Philippe e Jeff), brindar o leitor com diferentes perspectivas e confirmar a premissa de que a observação participante é sempre um processo intensamente subjetivo que requer sistemática reflexão. Ao final, "escutam-se" várias vozes no texto, segundo eles, para manter a primeira pessoa etnográfica e para comunicar os efeitos de pessoalidade – o que não ocorre com as fotografias: elas são todas de "Jeff".

Também há no livro uma bela discussão sobre a "força visceral" da fotografia, o que configura o seu poder e, não sem contradição, o seu problema. O projeto fotográfico mereceu reflexão e por muitos momentos foi interrompido devido ao receio das pessoas de serem identificadas e, talvez, presas. Mas, para além da preocupação com uma sanção legal, pairam dúvidas sobre uma questão ainda mais delicada: a da privacidade pessoal que envolve o imperativo respeito à dignidade humana. Longe, porém, de ficarem paralisados pelas problemáticas éticas envolvidas na proposta, os autores mostram como, de seu turno, os personagens deste livro queriam fazer parte do projeto e os incentivavam a pôr os seus nomes reais, o que de antemão já supõe uma crítica aos supostamente protetivos "consentimentos informados" e aos comitês éticos de pesquisa, aos quais os autores tiveram que se submeter: mais do que estarem protegidos por codinomes, os Edgwaters homeless queriam que seus problemas se tornassem públicos e que suas trajetórias fossem respeitadas. A fotografia, ainda, mediou toda a relação entre os autores e os sujeitos estudados. Ao se verem retratados, os homeless muitas vezes ficaram chocados com sua própria aparência e imediatamente começavam a falar sobre suas vidas pregressas. Muitas das fotos eram usadas também para decorar suas barracas e eles passaram a apresentar Jeff aos de fora como "meu fotógrafo" e Philippe como "meu professor". Ao fim, mesmo se debatendo sobre os limites da representação, que não é menor que o da responsabilidade autoral, Bourgois e Schonberg acabaram optando por usar pseudônimos mas revelar os rostos na publicação. Essa opção, de acordo com os autores, veio da frase de um righteous dopefiend : "Se não se puder ver o rosto, não se pode ver a dor".

Se a reflexão sobre a fotografia é teoricamente relevante e eticamente necessária, não podemos esquecer que, assim como ela, também a etnografia envolve um misto de usos e abusos. Se, em alguma medida, a observação participante pode ter um potencial transgressivo porque força os acadêmicos a saírem do espaço confortável das universidades e os compele a violar limites de classe e de segregação cultural, por sua vez também dá a seus participantes a experiência de estarem sujeitos às dores, à delícia e à violência das pessoas estudadas. Pagar por informação é apenas uma delas. Os autores também dormiram nas ruas, foram vítimas de investidas policiais e receberam olhares preconceituosos dos transeuntes. Não há no livro, contudo, uma solução transcendental para essas tensões contraditórias que estão no coração tanto da fotografia como da etnografia, pois, de acordo com os próprios autores, "como práticas representacionais elas giram em torno da objetivação e da humanização, explorar e dar voz, propagandizar e documentar injustiças, estigmatizar e revelar, fomentar o voyeurismo e promover a empatia, estereotipar e analisar" (p. 15). Ainda assim, eles advogam que a fotoetnografia tem o potencial de retratar um fenômeno social inaceitável porque ela é mais que a soma de suas partes: ela traz emoção, estética e documentação para a teoria e para a análise das ciências sociais e, ainda, força a pensar a relação entre trabalho intelectual e política.

Mas é mesmo ao ir fundo nas histórias individuais e na observação dos rostos desses righteous dopefiend que toda a problemática envolvida na sua forma ganha um conteúdo empiricamente denso e bastante instigante, de um ponto de vista antropológico, na medida em que nos faz refletir sobre como noções mais hegemônicas de família, trabalho, gênero, raça e corpo são criticadas, reproduzidas ou reinventadas às vezes de forma criativa, outras de forma bastante cruel num contexto de degradação extrema.

Vejamos, por exemplo, a questão da família. Observando o grupo, com poucas exceções, todos eles cresceram pobres, tiveram ambientes familiares violentos na infância e pais alcoólicos. Ao longo de suas trajetórias, no momento de construção de suas próprias famílias, eles priorizaram a heroína. Alguns foram negligentes, outros agressivos, mas nas poucas vezes que falaram sobre crianças expressaram ternura e amor pelos filhos e filhas que abandonaram. As mães sofrem mais por usar drogas e por abandonar as crianças. Retrospectivamente, se é verdade, de um lado, que os valores de parentesco tradicional exacerbam essa "dor íntima" de não possuir relações mais estáveis, também o é o fato de que eles são a face mais visível das teorizações de que a família pode ser uma instituição crucial tanto para o provimento de recursos materiais e afetivos como para a perpetuação da violência. Mais ainda, de uma perspectiva empírica, é preciso enfrentar o fato não menos relevante de que, a despeito de qualquer noção, a família nuclear nunca foi uma opção para eles. Esse é só mais um exemplo entre os muitos que mostram como, dependendo do momento, os Edgewater homeless podem ser construídos ora como vítimas de relações que lhes são anteriores (não tiveram uma família estável), ora como perpetradores de relações violentas (porque abandonam seus filhos), ora como aproveitadores do serviço social norte-americano (que acolhe tais crianças e as encaminha para adoção).

Mais um exemplo ainda (dessa vez envolvendo as relações entre os gêneros) pode ser visto à luz da tocante história de Tina. Vivendo havia seis anos nas ruas, ela tinha como estratégia de sobrevivência cultivar a amizade de "amigos" homens que davam a ela dinheiro, drogas, comidas e outros recursos em troca de sexo. Essa relação instrumental ilustra o complexo continuum entre altruísmo e instrumentalismo que perpassa todas as relações sexuais entre homens e mulheres, mas que se torna ainda mais visível sob condições de pobreza humana e dominação masculina. Na busca por amor e afeição, Tina aprendeu o valor prático do sexo. Ao lançarem uma cuidadosa atenção ao seu vocabulário, os autores mostram que distinções estanques entre rape, sex work e consensual sex são inadequadas para entender o sexo nas ruas. Observando sua história um pouco mais de perto podemos entender por que, ao receber pelo seu corpo, Tina se sente poderosa.

O mesmo se passa com a especialmente bonita parceria entre Petey e Scot. A intensidade física e emocional desses dois homens chegou até mesmo a confundir os autores. Em princípio, pareciam um casal gay, que, contudo, vivia num ambiente extremamente homofóbico. Como disse Petey a Philippe: "Nossa relação não tem nada a ver com sexo. Eu apenas amo esse cara". Vivendo sem interpretar as práticas, eles sinalizam uma afetividade construída ao longo de uma interação profundamente marcada pela vivência nas ruas e por um compartilhamento de condição.

Por fim, ainda gostaria de ressaltar o modo como esses homeless interagem com seus próprios "corpos adictos". Mais uma vez aqui as fotografias adquirem uma força excepcional. Ao nos depararmos com as fotos de abcessos deixados pelo uso contínuo de heroína nos perguntamos o que um corpo pode suportar. A etnografia, contudo, mais uma vez nos surpreende ao mostrar que esses abcessos são, segundo os usuários, os lugares convenientes e efetivos para injetar, pois, num ponto de tão grande concentração vascular, o prazer decorrente da dose é ainda mais intenso. Além disso (algo surpreendente), picar um abcesso não é doloroso porque muitos dos tecidos já estão mortos.

Há no livro, ainda, uma contundente crítica aos programas de redução de danos. Segundo os auto-res, apesar de suas boas intenções, eles não escapam daquilo que Foucault chamou de lógica da governamentalidade, na medida em que operam nos limites do discurso de classe média comprometido com a educação de pessoas racionais, livres e responsáveis para escolherem sobre sua saúde (pp. 106-111). A crítica ao sistema e aos serviços de saúde, contudo, não desconsidera o fato de que os serviços legais (e não os de saúde) têm sido a instituição dominante que regula a pobreza e o uso de drogas nos Estados Unidos.

Como escrito, já na introdução, Bourgois e Schonberg avisam aos seus leitores que para aprender sobre a vida nas ruas nos Estados Unidos é preciso "abrir a mente" e, ao menos provisoriamente, suspender o julgamento. Para os autores esse é um modo prático e estratégico de dar acesso às realidades difíceis e chocantes das drogas, do sexo, do crime e da violência, o que não deve ser confundido com celebração. O princípio antropológico do relativismo cultural norteia as notas de campo, as fotografias e a análise no que se refere à descrição do dia a dia dos homeless. O mesmo não vale quando se trata de descrever as forças coercitivas que a perpassam. Para eles, a etnografia numa zona cinzenta como essa re-vela os limites da noção antropológica de relativismo e requer que se reconheça também as consequências do poder e da desigualdade – o que marca o viés sociológico da análise. De uma perspectiva política, os autores consideram que lutar por leis é do mais imediato interesse ético. Assim, o livro que em seu início nos pede para suspender o julgamento termina com uma discussão sobre a antropologia aplicada e levanta uma série de possibilidades práticas de enfrentamento da indigência social.

Usam o termo "antropologia criticamente aplicada" [good-enough critically applied anthropology] para enfatizar a necessidade de humildade e autorreflexão quando construímos teorias que informam debates públicos urgentes, e oferecem dicas para serem incorporadas às políticas públicas norte-americanas: 1) essas pessoas merecem tratamento médico sem estigma e substituição da heroína por metadona; 2) é preciso coordenar os programas de atenção; 3) há que se conhecer a história dos usuários; 4) é urgente instaurar o programa de troca de seringas, organizado em torno de distribuição efetiva, e limites logísticos e legais para ter acesso a elas; 5) deve-se acabar com a guerra às drogas.

Referência que carece se tornar obrigatória para os cientistas sociais preocupados com questões urbanas e com modos de vida em situações extremas, Righteous Dopefiend é também um belo exercício de conjunção entre fotografia e etnografia, que pode interessar discussões no campo da antropologia visual. Para os estudiosos do consumo de drogas, seu mérito é chamar a atenção para o abuso de substâncias (o que é uma lacuna nessa área) e para a possibilidade de pensar o sofrimento envolvido nesse ato não como decorrência de escolhas individuais, mas também como um fenômeno estruturado politicamente. Para um público mais amplo, é um contato profundo com as histórias desses righteous dopefiend. Seu maior mérito, a meu ver, é a problematização dos tempos do trabalho intelectual e da política, dos comprometimentos éticos da pesquisa, bem como dos danos e ganhos das práticas representacionais. Mas é a história de Tina, assim como a de Petey e Scot, que nos lembra a importância da etnografia para mostrar que, longe de se configurarem alteridades radicais, esses Edgwater homeless nos colocam questões sobre problemas humanos comuns.

 

Notas

* Agradeço a Derek Pardue, Perla Fragoso e Daniel De Lucca, pelo prazer da discussão desse livro em grupo, bem como a Heloísa Pontes, pela generosa leitura e pelo estímulo à publicação.

1. Philippe Bourgois, In search of respect: selling crack in El Barrio. Cambridge University Press, 1995. O livro foi traduzido para o francês (En quête de respect: le crack à New York. Paris, Seuil, 2001), para o italiano (Cercando rispetto: drug economy e cultura di strada. Roma, Derive Approdi, 2005) e, mais recentemente, para o espanhol (En busca de respeto: vendiendo crack en Harlem. Barcelona, Siglo XXI, 2010). Entre outros prêmios, o livro ganhou, em 1996, o C. Wright Mills Prize, da American Sociological Association, e, em 1997, o Margaret Mead Award, da American Anthropological Association.