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Tempo Social

Print version ISSN 0103-2070

Tempo soc. vol.23 no.2 São Paulo Nov. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20702011000200001 

DOSSIÊ - CRÍTICA LITERÁRIA
APRESENTAÇÃ0

Apresentação: caminhos da crítica

 

 

Luiz Jackson; Alejandro Blanco; Fernando Pinheiro Filho

Entre os trabalhos mais importantes, destacamos os seguintes: Martins (1983); Candido ([1945] 1988); Lafetá ([1974] 2000); Bolle (1979); Sussekind (1993); Pontes (1998); Waizbort ([2007] 2009); Rivron, (2005)

 

 

Apesar da inegável importância da crítica literária na tradição cultural brasileira, são relativamente poucos os estudos sistemáticos sobre suas diversas formas de expressão e de inscrição institucional e social1. O presente Dossiê aborda alguns momentos decisivos da história dessa modalidade de produção intelectual no século XX, ora reivindicada como gênero literário, ora como especialidade humanística ou científica. A amplitude e as variações desse processo implicam que o conjunto de textos aqui reunidos representa apenas uma aproximação em relação ao que poderia ser uma reconstrução ampliada das principais propostas, que vicejaram desde o início do século XX no Brasil, das relações estabelecidas com a literatura e com outras disciplinas.

O ciclo das histórias da literatura brasileira, iniciado no século XIX e prolongado no XX é discutido no artigo de André Botelho, que enfatiza a Pequena história da literatura brasileira, de Ronald de Carvalho, perscrutando conexões com o Modernismo, de um lado, com as Histórias de Silvio Romero e José Veríssimo, de outro.

A relação com o Modernismo é também um dos eixos do texto de Guilherme Simões Gomes Júnior sobre Alceu Amoroso Lima, uma das figuras centrais da chamada "crítica de rodapé", veiculada nos jornais e que se constituiu como arena principal do debate literário e da crítica no Brasil entre as décadas de 1920 e 1960. As clivagens sociais, ideológicas, estéticas e políticas incorporadas em seus escritos, analisadas no artigo, são emblemáticas para se entender a imbricação de tais condicionantes na crítica literária praticada mais ou menos ao mesmo tempo por autores como Agripino Grieco, Sergio Milliet, Sérgio Buarque de Holanda, Mário de Andrade, Álvaro Lins, Afrânio Coutinho e Antonio Candido, entre outros.

A criação das universidades na década de 1930 em São Paulo e no Rio de Janeiro alterou significativamente o quadro da crítica literária brasileira. Tanto a trajetória de Antonio Candido como a de Afrânio Coutinho - crítico baiano radicado no Rio de Janeiro - moveram-se da imprensa à universidade, da "crítica de rodapé" à "crítica acadêmica" (cf. Bolle, 1979; Sussekind, 1993). As duas figuras encarnaram cada uma à sua maneira essa transição.

O texto de Rodrigo Ramassote avalia a atuação de Antonio Candido nos jornais durante a década de 1940. Mais diretamente marcada pela perspectiva sociológica, essa produção seria "militante", orientada antes pelas convicções políticas do autor do que por uma apreensão mais nuançada do fenômeno literário, posteriormente alcançada.

O espelho da experiência intelectual argentina, especialmente no âmbito da crítica literária praticada nesse país durante as décadas de 1950 e 1960 é explorado no texto de Alejandro Blanco e Luiz Jackson. Centrado nas trajetórias do crítico argentino Adolfo Prieto e de Antonio Candido, o artigo compara os movimentos de aproximação da crítica à sociologia no Brasil e na Argentina, que teriam se constituído nas orientações mais inovadoras e persistentes da crítica literária nos dois casos até os dias atuais. A continuidade de tais orientações pode ser dimensionada pela centralidade alcançada pelas obras de Beatriz Sarlo na Argentina e Roberto Schwarz no Brasil nas últimas décadas do século XX.

A recepção polêmica da obra de Roberto Schwarz é tomada no artigo de Flávio Rosa de Moura como índice da consagração dessa nova orientação da crítica, uma vez que até mesmo os autores refratários a ela teriam sido forçados a tomá-lo como contraponto para afirmar-se no campo.

O Dossiê traz, por fim, uma entrevista com Davi Arrigucci que, a exemplo de Roberto Schwarz, figura entre os principais continuadores da perspectiva aberta por Antonio Candido. Sua carreira e produção intelectual são recuperadas por meio de uma notável contextualização da experiência pessoal e das circunstâncias sociais e políticas que marcaram sua geração.

 

Referências Bibliográficas

Bolle, Adélia Bezerra de Menezes. (1979), A obra crítica de Álvaro Lins e sua função histórica. Petrópolis, Vozes.         [ Links ]

Candido, Antonio. (1988), O método crítico de Silvio Romero. 1ª edição 1945. São Paulo, Edusp.         [ Links ]

Lafetá, José Luiz. (2000). 1930: a crítica e o modernismo. 1ª edição 1974. São Paulo, Duas Cidades/Editora 34.         [ Links ]

Martins, Wilson. (1983), A crítica literária no Brasil. Rio de Janeiro, Francisco Alves.         [ Links ]

Pontes, Heloisa. (1998), Destinos mistos. São Paulo, Companhia das Letras.         [ Links ]

Rivron, Vassili. (2005), Enracinement de la littérature et anoblissement de la musique populaire: étude comparée de deux modalités de construction culturelle du Brésil (1888-1964). Paris, 622 pp. Thèse de doctorat. École des Hautes Études en sciences Sociales.         [ Links ]

Sussekind, Flora. (1993), Papéis colados. Rio de Janeiro, Editora da UFRJ.         [ Links ]

Waizbort, Leopoldo Garcia Pinto. (2009), Passagem do três ao um. 1ª edição 2007. São Paulo, Cosac Naify.         [ Links ]